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First Look - Chance

16 de abr. de 2024
24 min de leitura

Atualizado: 12 de set.



Hi, Gorgeous!


E se apenas não descesse?


Se inventasse uma desculpa, qualquer desculpa, uma reunião de última hora, uma dor de cabeça desumana ou até um esquecimento? E se dissesse que tinha simplesmente esquecido, que o trânsito agora estava insano, que não daria mais tempo de chegar? Olhou para o buquê de flores no banco do passageiro: pequenas flores cor-de-rosa e lilás, com uma mini pelúcia de coelho no meio. Sabia que ela gostava de flores. E quem não gostava de coelhos? Parecia um bom presente.


Checou o relógio de pulso, estava quase no horário, precisava descer. Mesmo? Às vezes, Karolina se perguntava por que pagava tão caro apenas para ouvir coisas que não queria. Era tortura mental, que ela mesma se causava e ainda pagava por isso. E era caro, caro pra caramba, e nessas horas, se dava conta que ainda pensava como a herdeira rejeitada que vivia fazendo freelancer como fotógrafa em Bogotá e não como a CEO de uma respeitada Maison de fine joias em Paris.


Respirou fundo e decidiu descer do seu Porsche, um Taycan 4S Cross preto, que ela particularmente adorava. Havia sido caro, mas nem reclamava. Jogou os longos cabelos escuros para trás, pegou sua bolsa grifada, seus óculos escuros e colocou uma máscara facial, somente por... nem sabia. Mas colocou mesmo assim. O vestido preto, de laterais vazadas em triângulo, deixando ver um pedacinho do seu abdômen e saltos altos. Respirou fundo mais uma vez antes de sair daquele estacionamento. Estava parada ali havia alguns minutos e só decidiu subir de vez.


Foi checando algumas coisas no celular enquanto estava no elevador: e-mails, mensagens, redes sociais, tudo da La Méduse, sua grife de joias. Karolina não tinha rede social pessoal; na verdade, até tinha, seu perfil de fotógrafa ainda deveria estar ativo em algum lugar, e seu perfil de CEO era tudo, menos pessoal. Era apenas mais uma marca, algo que tentou evitar que se tornasse, mas conforme assumiu a La Méduse, “a Medusa” assumiu a sua vida e não sabia exatamente como fazer parar. Hoje, seu rosto estava em mais lugares do que gostaria, e as matérias que insinuavam que ela não era muito mais que apenas uma modelo se multiplicavam.


Sentia tanta falta de Gabriela. Nada disso estaria acontecendo se ainda tivesse sua irmã ao seu lado.

Chegou no seu andar, mal passou pela recepção e:


— Senhorita Popyrin, a senhorita Martin pediu para que não entrasse.

— Ela o quê?!

— Só um minutinho — A moça fez uma ligação, avisou que Karolina já estava presente e, Lilou saiu logo em seguida.


Era a sua terapeuta, a jovem, bonita e badalada Lilou Martin. Cabelos compridos, mais claros, mais alta e estava sempre muito confortável o tempo todo. De mente e estilo. Aquela noite estava toda de preto; calça de tecido leve, cropped preto, tênis nos pés e, saiu vestindo um casaco estilo motociclista por cima.


— Nossa sessão vai ser em outro lugar.

— Ahhh, já é terrível as sessões serem aqui e agora você quer ir para outro lugar!

— Nós só vamos tomar um café, não vai te machucar, uma xícara de café não pode te machucar, Karolina! — Daí ela falou com sua assistente, pegou Karolina pelo braço e desceram juntas.

— Por que precisa ser em outro lugar?

— Porque quero conversar fora de uma sessão, como sua amiga.

— Eu não tenho amigas.

— Eu sei, por isso estou me sacrificando como uma para te ouvir melhor. Às vezes, sinto que sou a única pessoa com quem você fala fora do trabalho.

— Não está errada.

— Oh, Deus! Ok, onde está seu carro?

— Vamos no meu carro?

— Sim, eu sempre vou preferir andar de Porsche quando possível, sabe!


Karolina destravou o carro para ela e, quando Lilou abriu a porta, deu de cara com o buquê.


— Você tem um encontro?

— Não, eu comprei para mim mesma — Disse, colocando o buquê para o banco de trás — Gosto de flores. Onde você quer ir?

— Vou te dizendo no caminho.


Entraram no carro e a sessão, que não seria uma sessão, começou imediatamente enquanto ela ia lhe dizendo as direções.


— Karolina, não tem como você estar realmente considerando essa ideia de verdade.

— Eu só não quero ficar sozinha. Estou cansada pra caramba, faz dois anos que estou enterrada nessa empresa, preciso de férias.

— Concordo que precise, mas…

— Se eu for sozinha, não vou saber o que fazer — Disse, bufando um pouquinho — Vou acabar ficando trancada num quarto de hotel, coisa que já faço no meu próprio apartamento. É para virar…?

— Na sua esquerda. Eu só estava brincando, realmente não acredito que você não tenha nenhum amigo que possa fazer isso com você.


Karolina bufou um pouquinho. Inflava as bochechas e bufava quando ficava muito frustrada.


— Eu não sou boa nisso, já falei sobre mil vezes nessas sessões. Eu nunca fui boa em conhecer pessoas e agora aqui, nessa cidade nova, que eu não falo o idioma direito, isso se tornou praticamente impossível. Mas em contratar, eu sou boa. Só estou mantendo esse negócio porque sei contratar as pessoas certas.

— Você não pode… contratar uma amiga — Lilou pediu para sair do consultório porque tinha certeza de que ia acabar rindo daquela história. Karolina era maluca. Tal como o esperado, já estava rindo.

— Por que não? Se tudo for bem descrito, combinado, super esclarecido, qual o problema?

— Ali, à sua direita, tem estacionamento. E a sua abordagem será...? 


Karolina entrou e estacionou em dois movimentos.


— Uma proposta executiva. Pensei em te fazer essa proposta, sabia? Mas você é tão esquisita.

— Eu sou esquisita, EU?! Você quer contratar uma amiga, Karolina! Ok, você já tem alguém em mente? — Perguntou, já descendo do carro com ela e deu uma olhadinha para fora, parecia agitado. Paris sempre parecia agitada. Muitas modelos, muitas celebridades, muitos fotógrafos sempre — Coloca sua máscara.

— Melhor, não é?

— Eu vou pedir uma mesa mais reservada.


Fizeram assim, Lilou entrou na frente, falou com a recepcionista e solicitou uma mesa mais reservada em nome de Karolina Popyrin, da La Méduse. Obviamente, era possível atender ao pedido. Conseguiram uma boa mesa, muito discreta. Enquanto faziam seus pedidos, Lilou cruzou o olhar com Karolina mais uma vez. A beleza dela era inegável. De fato, as câmeras a adoravam e não era sem motivo. A história da marca de luxo emergente, que havia perdido seu grande talento e agora estava nas mãos de uma herdeira desconhecida, dominou a internet por um bom tempo. A determinação de Karolina em permanecer invisível só aumentou o interesse da imprensa. Ela até aceitou algumas entrevistas e posou para ensaios fotográficos, o que duplicou o interesse em torno dela. Tão jovem, tão bonita, mas será que tinha o talento de sua irmã para criar joias únicas? Ou a La Méduse cairia num limbo de criatividade sem sua principal designer, tal como a Schiaparelli quando perdeu sua fundadora?

Karolina Popyrin era somente uma modelo, e as apostas sobre o quanto a empresa sobreviveria sem Gabriela começaram a surgir.


Bem, dois anos depois, a empresa ainda não havia afundado. Na verdade, os colaboradores da La Méduse pareciam bem adaptados à nova liderança: haviam perdido uma sereia, mas ganhado uma serpente.


Este era o apelido de Karolina pelos corredores. Nem desgostava totalmente. Não era tão ruim, era? Serpentes eram legais, e elas estavam na cabeça de Medusa.


— Karolina? 

— Hum? — Ela perguntou, olhos no celular, já estavam sentadas e alguém trazia café para ambas.

— Quem é a candidata? 

— Mmmm, tem essa garota… — Olhos ainda no celular.

— Uma vizinha? 

— Não, nós… trabalhamos juntas.

— Ela trabalha com você?! 

— É o único lugar em que consigo conhecer pessoas! E ela tem muitas skills.

— Tipo o quê?


Karolina cruzou os olhos dela.


— Ela não me teme. Eu posso apostar com você que ela era a garota mais popular do colégio, porque ela é a garota mais popular da La Méduse. Ela… fala com todo mundo da empresa, conhece todo mundo e…

— Inclusive com você? Tipo, fora dos assuntos da empresa?


Karolina quase sorriu. E deve ter sido o único quase sorriso que Lilou já havia conseguido tirar dela em mais de um ano.


— Ela me chamou de gorgeous no primeiro dia.

— Espera, vocês têm esse tipo de interação?

— Tipo de interação…?

— Tipo “flerte”! É esse tipo de interação?

— Ah, não, não, não! Acho que ela tem um namorado, ou mais de um, ela é só… gentil mesmo. Garota hétero, certeza.

— E como vocês se conheceram?

— Lembra que há um ano mais ou menos, lançamos um casting para tentar uma new face para a campanha da linha Méditerranéen?

— Que você fotografou.

— Isso. Ela apareceu para fotografar para o casting e acabou me chamando para um café.

— Ela… Mesmo?! — Lilou se recostou, cruzando os braços, refletindo um pouco — Alguém sem medo de serpentes. Ok, me conta essa história direito, do começo. Quem é essa garota?


Era Nico. E tinha sobrenome famoso, de modelo: Ratajwoski. E mal tinha dinheiro para trufinhas de chocolate.


Paris, um ano atrás.


Karolina havia sobrevivido ao seu primeiro ano de empresa de alguma forma. Tudo foi complexo e difícil: mudar-se para uma cidade que não conhecia, que falava um idioma que não era o dela, assumir os negócios de sua irmã e a responsabilidade de não deixar o que ela estava sedimentando tão bem desabar. Karolina nunca havia pensado que lideraria alguma coisa, que seria uma executiva, mas não existia muita saída. Precisava honrar sua irmã e assim o faria. E um ano depois, pôde respirar um pouco. Os projetos deixados por Gabriela estavam todos entregues e Karolina decidiu começar seus próprios projetos. Tinham uma linha inédita de joias, uma das últimas desenhadas por sua irmã, e queria uma modelo nova, um rosto que causasse, alguém que fosse surgir pintada num pôster enorme numa parede gigantesca na Champs-Élysées e todo mundo fosse se perguntar: quem é aquela garota?


— Mrs. Popyrin, temos… dez finalistas — Deena, sua assistente, estava informando — Disse que queria fotografá-las sem maquiagem, é isso mesmo?

— Isso. Já estão todas prontas? — Perguntou, ajustando sua câmera.

— Todas.

— Perfeito, vamos começar.


Karolina não era uma chefe ríspida, estava longe de ser isso, na verdade, mas gostava de manter as coisas muito profissionais. Conversas rápidas, diretas, limites claros que ninguém deveria ultrapassar. Raramente sorria, não sentia que tinha motivos para isso. Havia perdido sua irmã, sua melhor e única amiga, tão recentemente ainda, não fazia sentido sorrir. Mas fazia um exercício todos os dias antes de ir para o trabalho: lia algo de que gostava e sorria por um tempinho. Não queria que seu cérebro esquecesse a sensação do seu sorriso, que era a coisa que sua irmã mais amava nela. Porém, sorrisos naturais eram raros. Gargalhadas? Nem lembrava mais quando havia sido a última.


Bem, começou suas sessões. Iria fazer ensaios simples, rápidos, queria sentir a personalidade de cada garota. Lançar uma modelo nova sempre era uma boa ideia, mas discordava veementemente de que bastava ser bonita para que isso funcionasse. Por isso, não as chamava de modelos, e sim, de talentos. Estava atrás de uma menina bonita, mas que também tivesse talento para atrair pessoas, alguém com uma ótima personalidade, alguém que se olhasse e ficasse claro que aquela garota havia nascido para se destacar. Por isso, quis fotografar ela mesma.


Fotografou a primeira, bonita, mas nada que se destacasse fora da beleza, OK, a segunda, mesma coisa, a terceira destacou um pouquinho mais, a quarta era tediosa e a quinta… estava atrasada.


— Mas não estavam todas aqui?

— Estavam, acho que ela… — Deena olhou para a entrada e lá vinha ela.


Era inverno em Paris, um pouco de neve estava caindo aquela manhã e a garota estava voltando com um casaco longo por cima do vestidinho claro e florido. Os cabelos soltos, compridos, escuros, olhos expressivos, castanhos bem escuros, uma boca linda, muito bem desenhada, o arco do cúpido perfeito mesmo sem maquiagem nenhuma. Ela era extremamente bonita mesmo sem maquiagem. E tinha personalidade. Quem ousaria sair no meio de um casting para La Méduse?


Nico Ratajwoski.


— Eu só precisava de um doce, espera, aqui, pra você — Nico entrou, entregou feliz da vida uma trufinha para Deena que, acabou sorrindo para ela. Aquela garota existia mesmo?

— Você saiu para comprar chocolate, mesmo?

— Sim! Mas não era para demorar, enfim.


E Karolina estava prontíssima para dar uma bronca daquelas sobre compromisso e pontualidade quando…


— Hi, gorgeous. Você gosta de doce? — Ela havia encostado ao seu lado muito de repente e Karolina nunca saberia explicar o motivo, mas sorriu para aquela estranha. Aquele “hi, gorgeous” a deixou toda desnorteada. Ela sabia com quem estava falando ou…?

— Eu... gosto.

— Ótimo, esse aqui é pra você — Suavemente, colocou uma trufinha na mão de Karolina — E este aqui é pra mim — Colocou na própria boca — Hmmmm, muito bom! Mas essa rua é muito cara, você não acha tudo caro aqui?


Os escritórios da La Méduse ficavam na Avenida George V, a avenida das grandes marcas de luxo. Isso fazia Karolina querer pular do último andar todos os dias, pois era caro pra caramba. Colocou a trufa na boca e estava deliciosa.


— É muito caro mesmo. As trufinhas… foram caras?

— Foram, e a moça não queria me vender só três, somente um pacote, mas conheço os meus direitos.

— Hum! E o que você quer de mim?


Ela lhe olhou nos olhos, sorriu.


— Parece que quero alguma coisa…?

— Me deu uma trufinha cara, é claro que quer.


Ela nem se fez de rogada.


— Então, eu sei que estamos aqui para fazer o ensaio e tal, mas eu queria saber se existe alguma possibilidade de você conseguir pra mim um café com a CEO da empresa.


Karolina olhou bem para ela.


— Com a CEO? — Ela não fazia ideia de quem Karolina era, era isso mesmo?

— Isso. É que... — Ela relaxou ao seu lado, se recostando na mesa onde estavam as lentes do ensaio — Eu não sou modelo, sabe, mas esse foi o primeiro processo seletivo que consegui chegar mais longe na empresa, então, eu queria falar com ela sobre isso. Entregar o meu currículo pessoalmente.


Karolina cruzou os braços, se recostando na mesa também. Estava toda de preto naquele dia, calça preta, blusa preta, manga longa e gola alta, cabelos presos num coque executivo baixo.


— Certeza que quer mesmo falar com ela pessoalmente? Dizem que ela é uma megera.

— Mas tipo, muito megera?

— Pelo que ouvi, é bem megera.

— Hum! Bem, o pior que pode me acontecer é um não, um fora, isso não mata ninguém. Você a conhece? Tem contato com ela?

— Na verdade, eu tenho sim.


Aqueles olhos bonitos se iluminaram.


— Acha que ela aceitaria falar comigo? Dois minutinhos só?


Karolina a olhava nos olhos.


— O apelido dela é “serpente”.

— Eu gosto de serpentes. Serpentes estão na cabeça de Medusa — Ela respondeu, sorrindo.


Sorriu ouvindo sem sequer se dar conta. Era verdade, serpentes estavam na cabeça de Medusa, a deusa injustiçada, a primeira a sofrer publicamente de competitividade feminina em virtude de um homem mediano e criminoso. Seus avós haviam escolhido aquele nome e seguia emblemático de maneira atemporal.


— Se ela achar que está perdendo tempo, vai ficar irritada.

— Hmmm, eu vou mantê-la entretida.

— Mesmo?

— Sou ótima nisso.


Mais um sorriso natural.


— Ok, vou ver o que consigo fazer por você, blossom.


A garota a olhou:


— Blossom…?

— Você é bonita como essas flores no vestido. Vamos fotografar?

— Hmmm!

— Quê?


Ela riu.


— É que preciso escovar os dentes, já venho!


Qualquer outro momento, Karolina teria ficado irritada, mas naquele ali, somente acabou RINDO. Ela voltou, uns minutinhos depois, sem chocolate nos dentes, e o ensaio foi muito superior. Elas estavam fotografando e falando. Karolina queria conhecê-la melhor, a personalidade era magnética, uma garota extremamente bonita, muito inteligente, muito agradável e conhecia os próprios ângulos como ninguém. Ela não era modelo, mas tirava muitas selfies por dia, pois gostava do que via, gostava da sua boca, dos seus olhos, do impacto dos seus cabelos, ultra hidratados. Karolina nunca havia visto nada parecido. Ela tinha autoconfiança e metade daquela beleza absurda toda estava na sua mente.


— Só um minuto — Karolina parou, buscou sua assistente — Deena, você pode buscar o kit da coleção lá em cima?

— Completo?

— Sim, por favor.


Ela subiu e então retornou com o estojo, e lá de dentro surgiram brincos, anéis, uma pulseira de serpente-marinha e um colar maravilhoso. Tudo em esmeraldas, uma pedra preciosa em tons esverdeados, que lembrava o verde de alguns mares. E Nico ficou maravilhada.


— Vou pedir para você se trocar, para pôr algum vestido neutro e esse colar, com a pulseira, tudo bem? Quero testar esse tom de verde em você.

— Lembra que eu te falei que serpentes estão na cabeça de Medusa? Eles deviam fazer uma coroa de serpentes, com essas esmeraldas e ouro rosé.


Karolina pensou um pouco.


— Tipo, elas entrelaçadas, formando uma tiara.

— Isso. Não ficaria interessante?


Guardou aquela ideia. E Nico foi se trocar, voltou com um vestidinho neutro, bege, os cabelos ficaram mais retos, a hairstylist veio ajustar. E quando ela terminou…


— Está bom assim, mrs. Popyrin?

— Está ótimo, muito obrigada!


E assim que ouviu aquele sobrenome, Nico se deu conta.


— Mrs. Popyrin?

— Eu nem me apresentei, não é? — Disse, arrumando o cabelo dela um pouco mais — Karolina Popyrin, tudo bem?

— Não! — Ela respondeu, quase indignada — Como você fala tão mal de você mesma…? — Disse, fazendo Karolina rir. De novo.

— Eu só tentei imaginar o que alguém que não fosse eu responderia.

— Como você pensa tão mal de você mesma…?

— É… o que eu ouço.

— Bem, você precisa melhorar o que dizem de você por aí. Então, quando a gente terminar aqui, posso esperar?

— Esperar...?

— Para levar você para um café. Eu posso?


Olhos nos olhos. Ok, ela podia. Karolina a fotografou com as joias e o verde das pedras acendeu aqueles olhos ainda mais, destacou a beleza urbana daquele rosto, claramente mestiço, que havia dado matematicamente certo demais. E aqueles olhos… quebravam a quarta barreira. Ela atravessava a câmera olhando e eram poucas as modelos que conseguiam tal coisa. Ok, finalizou com ela e ainda tinha mais algumas candidatas pela frente. Focou nelas, mas seus olhos escorregavam de vez em quando para a garota que estava aguardando. O vestido florido, as botas nos pés, os cabelos insanamente hidratados, precisava perguntar como ela fazia para manter os cabelos bonitos assim. Ela colocou o casaco longo, ficou ao celular a maior parte do tempo e, quando Karolina finalmente terminou, já era noite e a Avenida George V já estava acesa por inteira.


Karolina recolheu seus equipamentos. Fazia tempo que não fotografava e havia sido uma tarde ótima. Depois que guardou tudo na bolsa, se deu conta de que Nico não estava mais no estúdio. Ela havia ido embora?


Bem, Karolina subiu até sua sala, pegou suas coisas pessoais, um casaco e, quando desceu, a encontrou sentada na recepção.


— Achei que você tivesse desistido.

— Do nosso café? Ah, não, sua assistente que me pediu para descer e esperar aqui. Só tem um pequeno problema…

— Qual?

— Sou muito boa de reter informações, mas às vezes, elas se misturam e eu demoro para compreendê-las. Vi uma foto sua no metrô quando estava vindo pra cá. W Magazine. E assim, acho que não consigo só te levar para tomar café. Você deve ser muito assediada, não é?

— Ah, não se preocupe, é menos assédio do que você imagina. Posso sugerir um lugar?

Ela aceitou a sugestão e foram caminhando mesmo, ficava em uma rua paralela à George V, os cafés eram gostosos e tinham um preço justo. Pediu dois cafés para elas e foram se sentar lá dentro, era uma cafeteria modesta, mas muito charmosa, extremamente parisiense.

— Então, você não é modelo — Karolina iniciou a conversa.

— Não sou, gosto de me fotografar e acho que faço isso bem, mas nunca fiz nada profissionalmente. Porém, desde o começo do ano, venho me inscrevendo nos processos seletivos da La Méduse. Sou estudante de Design, estou no terceiro ano e sou uma grande fã das joias da sua empresa. Gabriela era… para além de talentosa, o trabalho dela me lembra Gaudí, sabe? Casa Batlló, Casa Milà, as formas inesperadas e orgânicas, todas inspiradas na natureza, acho fantástico. Mas nunca consigo passar dos seus robôs.

— Dos meus… robôs?

— É, eu descobri que a análise inicial dos currículos é feita automaticamente, mas não consegui entender qual algoritmo aprova. Eu sei que meu currículo não é tão forte, eu já trabalhei muito, mas sempre fora da área.

— Você já trabalhou em quê? — Karolina perguntou, provando do seu café. Ela sorriu.

— Já trabalhei em cafés, em floriculturas, já fui vendedora de lojas de grife e de lojas de bairro, de igual maneira — Outro sorriso — É muito difícil se manter na faculdade e nos empregos ao mesmo tempo. Estou sempre em busca de algo melhor e, quando encontro, apenas vou. Mas na minha área, nunca consigo nada.

— Você está com o seu currículo aí?

— Bem aqui — Tirou uma cópia da bolsa e Karolina deu uma olhadinha rápida.


Nico Ratajwoski, 24 anos, brasileira, estudante de design com ênfase em moda.


— Brasileira?

— Isso. Minha mãe é brasileira, meu pai era daqui. Então, a minha mãe se mudou pra cá e ele desapareceu.

— Mas como…? Sério?


Ela riu.


— Sério, mas como minha mãe já estava aqui, ficamos.

— Sou colombiana, mas estudei em São Paulo por um tempo.

— Fala português?

— Melhor que o francês. Você está tentando qual vaga?

— Assistente de Arte.


A vaga que nunca era preenchida.


— E conhece o trabalho de Gaudí a fundo? Estou vendo que já escreveu muitos artigos sobre ele — Ela tinha uma lista de artigos escritos.

— Tem algumas influências que gosto muito de escrever sobre: Antoni Gaudí, Elsa Schiaparelli, Coco Chanel, Salvador Dalí, eu tenho uma lista. Você… você ficou chateada por eu não ter te reconhecido?

— Achei divertido, na verdade. Pensei que fosse mudar o tom depois que soubesse quem sou, mas isso também não aconteceu. Gosto disso — Respondeu, sem tirar os olhos do currículo — Você tem certeza sobre os robôs?

— Nas contratações?

— Sim.

— Tenho. Muitos escritórios usam esses robôs, eles estão inseridos naqueles sites de recrutamento e seleção. Apesar da seleção ser no seu próprio site, o comportamento é muito semelhante e eu nunca venci esses robôs. Eu, falando, sou melhor que o meu currículo, entende? Espero que seja ao menos — Ela explicou sorrindo.

— Eu não sabia dos robôs. Essa vaga que você quer continua aberta e seu currículo é muito bom, não deveria ter sido descartado assim.

— Quatro vezes.

— Menos ainda quatro vezes. Gostei da ideia… da coroa de serpentes.


Ela sorriu.


— Poderia ser feita, não é?

— Sim, mas não tenho mais Gabriela Popyrin aqui, enfim. Ok — Olhou para a moça novamente — Temos um impasse, porque você foi a melhor hoje durante o ensaio.

— As fotos ficaram boas?

— Ficaram ótimas. Acho que o seu rosto se encaixa muito bem numa campanha nossa, para essa linha em específico. Você se importaria de realizar a campanha?

— Eu? Claro que não! Eu só não achei que seria aprovada — Mais um sorriso amplo daquela garota.

— Ótimo! Então, nesse processo aqui, você está aprovada. Para esse outro — mostrou o currículo — vou te tirar do limbo dos robôs e o resto é com você.

— É só disso que eu preciso! — Ela ficou muito animada, os olhos brilharam, ela realmente ficou feliz de verdade, mais com essa última notícia do que com o fato de ter sido aprovada para a nova campanha da La Méduse.


A conversa durou um pouco mais e Karolina não se lembrava da última vez que havia tido a oportunidade de se deixar conhecer alguém. Elas tinham quatro anos de diferença e achava que isso pesava positivamente. Mas ficou tarde e precisavam ir. Caminharam de volta para a La Méduse, Karolina precisava pegar seu carro de volta e Nico pediu para usar o banheiro do primeiro andar. Ela foi para o banheiro, Karolina ficou resolvendo algo na recepção mesmo, um problema de última hora e ficou sem tempo de subir. Também foi no mesmo banheiro do primeiro andar e, assim que fechou sua cabine, ouviu a cabine do lado se abrindo. E, em seguida, uma conversa ao celular:


— Sim, eu sei, é só uma pergunta. Se não puder, tudo bem. Eu tinha, mas precisei usar o dinheiro. Tenho consciência de que já estou te devendo este mês, mas acho que consegui algo bom hoje e vou poder pagar tudo certinho. Tudo bem, não tem problema, eu dou um jeito. Bem, preciso ir. Quando nos vemos…? Acho que só consigo no domingo, conversamos depois. Não, eu entendo, mesmo, não estou chateada — Dava para sentir o tom constrangido na voz dela, ela estava com um problema e aquela ligação era a última coisa que queria fazer, mas não tendo saída, fez mesmo assim — Está difícil para todo mundo, eu sei disso. Ok, vou indo, se cuida!


Ela ficou quieta por um tempo depois que desligou. Provavelmente, pensando em como resolveria o tal problema. Que Karolina não fazia ideia de qual era. Mas percebeu assim que cruzou com ela novamente, alguns minutos depois, caminhando na rua e passando por todas as estações de metrô sem entrar em nenhuma.


— Ela havia usado o valor da passagem nas trufas? — Lilou perguntou, mordendo seu sanduíche.

— E no café que não permitiu que eu pagasse, afinal, estava convidando. Precisava se aproximar da fotógrafa para tentar falar comigo. Tentou com a Deena antes, mas não deu certo, eu só soube disso depois.

— E o que você fez? Ofereceu uma carona?

— Não, não pareceu apropriado. Porém…


Karolina encostou nela assim que foi possível.


— Hi, gorgeous!


Nico olhou de lado e abriu um sorriso.


— Hi, blossom! Ou serpente. Uma serpente que gosta de flores — Disse ela, encostando na janela do carro — Do que você precisa?

— Buscar um contrato aqui perto, mas já tentei estacionar algumas vezes e não consegui. Se não estiver atrasada, posso parar lá, você desce e pega pra mim? Poderia me fazer esse favor?


Ela aceitou. Entrou no carro, mas quando chegaram no prédio já estava fechado.


— Deve ter dado o horário. Bem, amanhã peço para alguém pegar. Para onde você estava indo?

— Eu? Pra casa.

— Bem, agora que te atrasei, deixo você em casa.

— Ah, não, não, fica longe daqui.

— É Paris, nada é longe de verdade aqui. Onde é?


Ela respirou fundo, parecendo pensar sobre.


— Acho que meia hora nesse trânsito — Uma hora e meia andando, tinha calculado também.

— Ok, vamos lá.


Ela sorriu.


— De verdade?

— Sim. Onde fica?


Ficava num bairro bem humilde, quase fora de Paris, chamado Porte de la Chapelle. Mas num bom prédio de apartamentos, apesar do bairro. Passaram por algumas áreas que pareciam perigosas, mas chegaram em uma área melhor, mais limpa, com prédios novos.


— Você não precisava mesmo ter me trazido até aqui.

— Eu gosto de dirigir, me acalma — Tinha uma quadra de basquete do outro lado da rua — Tem sempre alguém jogando?

— Sim, incluindo eu. Não tenho altura, mas sou boa de mira.

— Mesmo?

— Sou um talento, você precisa ver — Ela contou sorrindo — Você não chama as modelos de modelos, chama de “talentos”.

— São talentos, acho que a nomenclatura “modelo” foi corrompida faz um tempo, modelar requer talento. Beleza requer talento. Nico, vão pedir para você estar na empresa amanhã, para assinar seu contrato e pegar as diretrizes da campanha. E eu vou estar diferente — Disse, olhando para ela.


E ela sorriu.


— Ok. Eu vou estar a mesma. Obrigada mesmo por ter vindo — Ela falou e deixou um beijo no rosto de Karolina antes de descer.

— E você a contratou?

— Como modelo, sim. Ela fez a campanha e, até a semana passada, ainda tinha o rosto pintado em enormes paredes por Paris inteira, foi um sucesso, você deve ter visto também. Ela é ótima, fez uma campanha linda, cresceu as nossas redes, as redes dela também e dois meses depois havia sido aprovada para a vaga de assistente de arte, por méritos próprios. Eu mudei o nosso modo de contratar, realmente a primeira fase era feita por robôs e isso não nos ajudava em muito.

— É essa aqui, não é? — Mostrou uma postagem no Instagram da La Méduse.

— Essa.

— Tão sofisticada. E muito bonita mesmo. Ok, quando você pretende falar com ela?


Não tinha essa resposta. E só tinha quinze dias até suas férias chegarem.


Voltou para casa pensando nisso.


Bem, a grande verdade é que Nico estava trabalhando na La Méduse há um ano e, desde então, Karolina havia sido altamente profissional com ela e havia recebido o mesmo profissionalismo de volta. Sim, ela não havia mudado, mas tinha se adaptado ao ambiente executivo muito bem. Era jovem, mas era uma líder nata, era altamente criativa e Karolina tinha zero interesse em perdê-la. Inclusive, o dia seguinte iniciou com uma reunião de times onde a última sessão de fotos para uma determinada coleção estava sendo analisada. Havia sido dirigida por Nico e tudo era… muito interessante. Muito bonito. A mente dela funcionava de maneira muito atraente e uma verdade que também existia é que, sempre que algo precisava ser apresentado, era ela que o time escolhia para isso.


— Senhorita Popyrin, pontos de modificações? — Ela perguntou ao final da apresentação. Estavam no último andar, uma vista de Paris dançava pelas janelas de vidro.


Karolina respirou fundo. Nico agora estava um pouco diferente da garota de vestido florido que havia conhecido antes, mas Karolina seguia gostando de tudo o que via. A minissaia plissada, creme, com um blusão listrado em preto e branco, de mangas longas. Os cabelos soltos, sapatos combinando com a minissaia, as meias pretas de cano curto esticadas. Ela tinha muito estilo sempre.


— Sem modificações. Eu gostei, podem prosseguir. Deena, pode pedir para a próxima equipe entrar?


E assim, foram dispensados em menos de vinte minutos.


— Ela “gostou”? Apenas gostou? Esse ensaio ficou incrível! E essa constipada só consegue dizer que gostou?! — A colega de equipe de Nico esbravejou ao lado dela, enquanto caminhavam de volta para suas salas.

— Ei! Não fale assim sobre ela. E outra, gostar é bom! — Nico respondeu sorrindo, enquanto atualizava suas anotações no iPad.

— Gostar é econômico, Nico! Acho até que ela não elogia muito para não ter que subir ninguém de cargo. Você não deveria ser mais assistente há tempo. Você não faz trabalho de assistente!

— Eu tenho dois contratos aqui, ela deve levar isso em consideração. Ela… pareceu cansada. Ou triste com algo.

— A serpente não tem emoções.

— É claro que tem, garota! — Ela seguia sorrindo — Ela é humana e acho que… Hoje não é a data da morte da Gabriela?

— Hoje… É, eu acho que é mesmo.

— Ela tem direito de estar triste. Eu vou perguntar se ela quer ir almoçar.

— Nico, ela nunca quer!

— Eu não pergunto para ela aceitar, Lis, pergunto para ela saber que… não precisa almoçar sozinha sempre.

— Ela nunca te recusa com falta de educação?


Sorriso de Nico.


— Ela nunca me recusa, na verdade. Só diz que não é possível, mas da próxima vez, pode ser que seja.


Voltou para sua sala, para seus projetos e, quando deu o horário do almoço, subiu até o escritório de Karolina.


— Nico…! — Deena a repreendeu.

— Eu só vou perguntar se ela quer ir almoçar.

— O humor dela não está muito bom.

— Ela já brigou com você alguma vez por ter me deixado entrar?

— Na verdade… nunca. Bem, vai você.


Nico bateu na porta e ouviu que podia entrar.


Karolina tinha certeza de quem era antes mesmo de ela entrar. Já a reconhecia pelas batidas na porta.


— Ei, consegue uma pausa?

— Uma pausa para…?

— Almoçar — Disse, entrando no escritório — Quer descer para almoçar?


Karolina olhou para ela.


— Eu não consigo hoje. Mas você pode sentar aqui um pouco? Tenho uma proposta para você.


Proposta? Nico se aproximou e se sentou.


— Uma proposta?


Karolina se moveu, pegou a proposta que estava no meio de outros contratos em sua mesa e passou para ela.


— Você pode ler com calma e se tiver alguma dúvida, pode me perguntar. Ou algo que queira modificar — Disse, voltando a olhar para o MacBook à sua frente enquanto Nico lia a tal proposta e não estava exatamente compreendendo.


Leu mais, com mais afinco, pegando mais informações. Não, não deveria ser o que estava lendo, deveria haver algum engano.


— Você tem certeza de que me deu a proposta certa?

— Sim, tem seu nome no alto, não tem?

— Tem.

— Então, está correto.


Nico se reajustou na cadeira, cruzou os braços.


— Karolina Popyrin, eu não sou como esses rapazes que você contrata!


E Karolina olhou para ela imediatamente.


— Não é como o quê?

— Os caras com quem você sai e faz assinar contratos de confidencialidade para não falarem sobre você!

— Ei! Eu não faço isso!

— Todo mundo diz que você faz! E agora me mostra um contrato assim e quer dizer que nunca fez antes?

— Eu nunca fiz antes! Eu não preciso… contratar rapazes.

— Mas quer contratar a minha amizade?

— Nico, você leu? Não parece bom para você? Você vai estar de férias também. E pode escolher para onde vamos, vou cuidar de tudo, só quero… a sua companhia.


Nico a olhava.


— Você pode descer pra gente almoçar?

— Não, eu estou ocupada aqui — Voltou os olhos para o MacBook novamente e Nico se colocou de pé.

— Me leva para almoçar.

— Eu não posso! Você trabalha comigo, eu não posso.

— Mas pode me levar para viajar?

— É um acordo executivo.


Nico a olhava fixamente. E rasgou o contrato em dois.


— Nico!

— Você não tem coração. Ou noção. Eu nem sei o que te falta — E só saiu da sala, batendo a porta em seguida.

— Mas… essa garota! — Ela não podia lhe deixar falando sozinha também. Karolina pegou sua mochila e saiu atrás dela, mas ela havia desaparecido muito rapidamente — Para onde ela foi, Deena?

— A Nico? Desceu. Mrs., está tudo bem?

— Tudo, só… Eu vou almoçar fora.

— Finalmente! — Deena disse, com empolgação, uma empolgação que só escapou. Daí, se reajustou — Quero dizer, é que ela sempre chama e a senhorita sempre nega.

— Eu… — Pensou um pouco — Em qual restaurante ela almoça geralmente?

— Geralmente? É… no estúdio.

— No estúdio?

— É, ela diz que é calmo.


Karolina esfregou os olhos com os dedos.


— Ok.


Então, desceu. Primeiro, até o estacionamento, onde abriu seu carro e resgatou o buquê de flores rosa e lilás — aquele com o coelhinho no meio que havia esquecido de tirar do carro. Subiu de volta. Estava toda de preto naquele dia: saia longa, blusa mais curta, casaquinho do mesmo tecido da saia por cima, também curto. Quando se movia, dava para ver um pedacinho e outro do seu abdômen. Parou no andar do estúdio e viu Nico sentada em um banco de madeira, abrindo um bowl de salada em seu colo, muito chateada.


Daí, caminhou até ela, passou diante dos seus olhos, sentou-se do lado oposto do banco.


— Eu sei, você precisa me demitir agora — Disse ela, sem olhar para Karolina.

— Por que seria isso?

— Eu fui mal-educada. Mas você também foi — Começou a comer de sua salada.


Silêncio. Que Karolina quebrou.


— Eu achei que… você almoçasse fora, em algum restaurante.

— São caros — Respondeu, levando outra garfada pra boca.

— Eu sei. Eu trago a minha comida também.


Ela a olhou, curiosa.


— Você traz a sua própria comida?

 —  Sim, quase todos os dias.

— Mmmm — Parou, olhou de lado — O que você quer?

— Eu entendi a sua revolta.

— Mesmo?

— Acho que sim — E então, olhando de lado para ela, esticou o buquê na sua direção — Por favor, esqueça o contrato. Você aceita ter férias premiadas comigo? É que eu não tenho nenhum amigo.


Nico apenas a olhou melhor. Uma serpente que gostava de flores. Como ela podia achar que precisava CONTRATAR a sua amizade?

Notas da Autora: Tessa Reis


Olá, todo mundo! Como estamos?


Hoje, escrevo direto de Firenze. 🥰


Ainda estamos nos nossos dias de férias, mas fizemos uma pausa para trazer aqui para vocês o terceiro livro da nossa série de minibooks. 💓


"Chance" é um romance curtinho, com duas protagonistas super leves, dóceis e, com altas possibilidades de arrancarem algumas risadas durante a leitura!


Curtiram nossas novas protagonistas?


Para ter acesso ao nosso minibook, CLIQUE AQUI!


Grande beijo!


Tessa.


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3 comentários


Gabriela Rafael
Gabriela Rafael
16 de mai. de 2025
•
VIP

eu preciso dessas 2 imediatamente, aaaaa que ansiedade

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sylber1011
sylber1011
18 de abr. de 2024
•
VIP

Eu amei!!!! Quais são is outros mini books? So pra checar se eu ja li…na minha cabeça ja li tudo de TR, mas vai que…

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Adriana Evangelista
Adriana Evangelista
17 de abr. de 2024
•
VIP

Nível máximo de ansiedade por CHANCE! 😍

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