Contraste 24
- Riesa Editora

- há 1 dia
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Pico das Estrelas
Amanheceu um dia lindo. Um sol brilhante surgia num céu quase sem nuvens. Não estava quente — o ar era frio, limpo. Não deveria existir outra atmosfera no mundo em que Dominic dormisse melhor.
Dormiu muito e acordou naturalmente, sem despertador, sem sua noiva chamá-la. Charlie queria que Dominic dormisse, que descansasse, e funcionou: acordou se sentindo outra. Mas estava sozinha no chalé. Esticou-se na cama, ainda curtindo aquela sensação raríssima de acordar descansada. Quando havia normalizado acordar exausta? Não sabia muito bem quando, mas, em algum momento daqueles dez anos, apenas aceitou que dormir mal e acordar triste não eram coisas que podia evitar.
Como evitaria, se estava tão longe da sua namorada?
Enrolou-se numa manta e levantou, procurando por ela. Saiu para a varanda e o cheiro de café da manhã de acampamento invadiu seus sentidos.
— Como pode isso ser tão bom? Talvez eu deva criar algo assim para o Tali Café — Falou consigo mesma, porque Charlie não estava na varanda.
Andou um pouco mais e a encontrou. Ela estava na cerca, dependurada, se esticando para o alto, falando com a vizinha. Estava na parte de baixo da entradinha e, depois de mais um tempo de conversa, subiu até Dominic.
— Amor, quer tomar café bem rapidinho?
— Eu tomo, namorada, mas tem algum motivo? — Dominic adorava aquele ar de mistério de Charlie.
— Tem dois! Escuta, hoje vamos acampar num lugar especial. Já coloquei no carro tudo o que podemos precisar. Eu estava falando com a vizinha, ela sempre está fazendo posts de adoção, perguntei se sabe de alguém com algum filhote para doar.
— Você diz um filhote de cachorro?
— Isso. Ela me falou que tem um Labrador Retriever numa fazenda em Visconde. Ele já não é tão bebezinho, é o último da ninhada que não foi adotado. O que você acha?
Os olhos de Dominic se iluminaram.
— Charlie, a gente já pode mesmo ter um cachorro?
— Se você quiser, a gente pode sim, meu amor.
E Dominic saltou no pescoço dela, sorrindo, e Charlie a carregou para dentro, as duas muito agarradas, felizes.
Em uma hora, estavam no carro. Ambas de boné, óculos escuros, calças de trekking leves, cheias de bolsos; Charlie de blusa de manga longa preta e Dom de camiseta oversize. Botas nos pés das duas, e Dominic não estava se aguentando de tanta ansiedade.
— Eu sempre quis outro cachorro, sabia, namorada?!
— Dom, eu não sei como você ficou sem um cachorro, você queria fazer tudo com o Fini.
— Acho que era por causa da estrutura. Porque talvez eu não desse conta sozinha. Mas, Charlie, como a gente vai fazer no apartamento? Tem o travertino romano — Ela disse, fazendo Charlie rir enquanto dirigia.
— Nosso cachorro também merece um piso gostoso. Dom, falando nisso, tem um outro apartamento vagando essa semana. Sei que você não quer ficar exatamente naquele prédio, mas, para algo imediato, vagou a outra cobertura. Lá tem uma varanda infinita igual à da Beatriz, sem separação com a sala.
— É aquele que fica de frente?
— Esse. É maior que o nosso e tem muita luz natural. Mas, se você me disser que está bem ruim conviver com os outros vizinhos, podemos ver um novo prédio.
— Na verdade, eu não sei muito bem o quanto realmente está ruim, Charlie. Porque meu cérebro estava potencializando muita coisa. Sei que você tem uns colegas babacas, mas eu, estando apenas no meu espírito animal, eles nem deviam poder me incomodar. Gosto de trabalhar no prédio às vezes. Quando chove, é perfeito.
— Acho bem perfeito também.
— E tem a Beatriz. E a Vero, né?
— Como assim? A Vero?
Dominic deu uma olhadinha para sua noiva.
— A sonsa da sua chefe chamou a Veronica para jantar. Disse que ia buscá-la. E foi mesmo, com a BMW e tudo. Daí ela disse que havia esquecido algo em casa, perguntou se tinha problema elas irem buscar e tal.
Charlie riu.
— E o que aconteceu...?
— Essa LOBA atraiu a minha amiga até a cama dela. A sonsa da Beatriz havia preparado um jantar EM CASA. Elas realmente jantaram e depois se jantaram. Preciso admitir, muito loba. Você só não caiu nas garras dela porque é muito apaixonada por mim, é a única explicação, namorada.
Charlie nem conseguia negar que ela tinha um ponto.
Chegaram à fazenda. E, jurando por tudo, o cachorrinho delas seguiu o carro do portão de entrada até a casa principal.
— Charlie! É esse, deve ser esse!
Era um labrador caramelo, no mesmo tom de Fini. Tinha olhos esverdeados e, enquanto Charlie ainda estava estacionando, Dominic já estava abrindo a porta. O cachorro saltou para dentro do carro, direto para o colo dela.
— É ele! Deve ser o nosso filhote!
— Olha, se não for, acho que o dono arrumou um concorrente à altura, viu? — Charlie se soltou do cinto e fez um carinho no filhote, grandinho, abanando o rabo sem parar — Você é nosso? Será que você é nosso?
Marcos, o dono da fazenda, apareceu logo em seguida, sorrindo ao ver Dominic e o filhote praticamente um só.
— Você deve ser a Charlotte.
— Isso, prazer em conhecer! — Charlie desceu do carro para falar com ele — Me diz que esse é o filhote, Marcos, porque nem sei se vou conseguir tirá-lo do colo da minha noiva se não for.
Ele riu.
— Esse é o filhote! Ele é muito intenso, gosta de nadar, mas também é bem calmo e muito inteligente. Está com todas as vacinas em dia. Íamos ficar com ele caso não encontrássemos um tutor. Mas acho que — olhou para dentro do carro — ele já encontrou uma tutora sozinho.
— E, Marcos, ele já tem um nome?
— Ainda não. Nós usamos alguns comandos básicos com ele. Ele sabe vir junto, sabe se sentar, dar a patinha, essas coisas. Aprende rápido, é muito atento.
Dominic desceu para cumprimentar o dono da casa e ficou feliz ao entender que aquele era mesmo o filhote delas. Trinta minutos depois, estavam na estrada, e Dom estava tão encantada com seu filhote que nem havia percebido para onde estavam indo.
— O que você acha de Ícaro, namorada?
— Dominic, eu nunca vi um cachorro chamado Ícaro! — Charlie estava sorrindo sem parar.
— Mas ele pode ser Ícaro, não é? Olha a carinha dele!
— Ele pode ser Ícaro, claro que sim. Hum. Fica aqui, meu amor, vou abrir esse portão.
Só então Dominic se deu conta de que haviam parado em frente a um portão. E não era qualquer portão.
— Charlie, Charlie! É a fazenda dos seus pais?
Charlie sorriu, voltando após abrir o portão.
— É a antiga fazenda dos meus pais. Passa para o lado do motorista, vamos, entra com o carro!
Dominic fez isso muito empolgada, passou pela porteira com o carro, esperou Charlie fechar novamente e elas trocaram de lugar.
— Mas como a gente está aqui?!
— Falei com os donos atuais, me apresentei, expliquei que tinha um ponto dessa fazenda que era bem especial pra mim e perguntei se poderia visitar novamente. Fica bem longe da sede. A gente nem vai ver ninguém.
E os olhos de Dominic estavam cheios demais.
— Namorada, nós vamos para o Pico das Estrelas?
Charlie beijou a testa dela.
— Nós vamos, meu amor.
Foram emocionadas a trilha inteira. Realmente, a trilha estava meio fechada, o que obrigou as duas a descerem e removerem obstáculos por algumas vezes. Ícaro já parecia delas — descia, se enfiava no mato e parecia mais calmo do que Fini. O caminho até o pico foi mais longo do que imaginavam, mas, quando finalmente conseguiram chegar lá...
Charlie chorou.
E Dom também chorou, apertando sua noiva nos braços, olhando aquele lugar.
— Charlie, a placa ainda está aqui — Disse, olhando a madeira.
Claramente ninguém ia ali há um bom tempo, mas a placa de madeira que elas mesmas colocaram ainda continuava intacta. Charlie fez a placa; Dom escreveu à mão, e sua caligrafia caprichada ainda podia ser lida.
— Tem parte do nosso tablado também.
— Não lembrava que era tão alto, namorada.
— A meio metro do chão, por causa das cobras — Charlie estava analisando a estrutura antiga — Acho que conseguimos fazer de novo.
— As tábuas são para isso!
— São, mas não sei se... será que ainda consigo?
Fazia dez anos que Charlie não pegava num martelo.
Mas isso não era um problema, uma vez que, naquele tempo todo, Dominic havia aprendido muitas coisas diferentes. Limparam uma área, separaram o lugar da fogueira. Acenderam o fogo de imediato. Já passava de uma da tarde. Em breve, iam sentir fome. Dom pensou de novo no seu prato autoral. Não era difícil ficar inspirada na natureza.
Decidiu fazer um mingau para elas duas enquanto Ícaro corria ao redor do acampamento, explorando a mata. Tinham trazido ração, potinhos, tudo comprado às pressas e de maneira improvisada. Nada podia ser mais elas duas do que isso. Antes das três, a estrutura estava perfeita, firme na terra, pronta para receber as tábuas do assoalho.
E, mesmo dez anos sem pegar num martelo, Charlie fez aquilo com a facilidade de uma menina de sítio. Foi colocando uma tábua depois da outra, fixando com golpes muito firmes. Quando pararam para tomar o mingau, o assoalho já estava pronto. Tomaram o mingau sentadas lado a lado, assistindo Ícaro buscar as madeiras que elas atiravam para ele.
— Dominic, preciso entender que tudo o que você cozinha agora é maravilhoso.
— Mas é só um mingau, namorada.
— Não, é um mingau delicioso! Amor, acha que podemos ir até a cachoeira antes de anoitecer?
É claro que podiam. Armaram a barraca em cima do assoalho elevado e, junto com Ícaro, pegaram a trilha de cem metros até a cachoeira. Era uma cachoeira pequena, uma queda d’água discreta, geladinha, que elas sempre adoraram por ser segura e íntima. Tomaram um banho delicioso, ficaram de molho e Ícaro nadou com elas, como se aquela ali fosse a vida dele de todo dia.
— Dom, será que ele não vai ficar entediado no nosso apartamento?
— Mas vou sair com ele todo dia, amor! A gente pode correr naquele parque que fica próximo, vou precisar me exercitar, a médica disse.
De volta ao acampamento, elas se trocaram por roupas quentes e assistiram a um pôr do sol lindíssimo em suas cadeiras, tomando o chá que haviam preparado. E o nascer das estrelas foi... mágico, único, fez Dom chorar de novo porque nem parecia mesmo real. Fizeram o jantar juntinhas e era maravilhoso que nada funcionasse ali: não tinha sinal de celular, não tinha som que chegasse até elas, era só aquele silêncio. Aquele céu cheio de estrelas. E elas eram enormes, como as duas lembravam.
Jogaram Scythe para passar o tempo. Era o jogo preferido delas em 2016. Dom nem sabia onde ele havia ficado, mas estava com Charlie.
— Você levou pra Ásia...?
— Para todos os meus apartamentos na Ásia. E voltou pra casa comigo.
— E não perdeu nenhuma pecinha! — Dominic a olhava, os olhos brilhando.
— Esse jogo não era só um jogo, era você, namorada. Cuidei dele como a gente cuidava aqui. Tem todas essas pecinhas e nunca perdemos nenhuma, não é?
— Nunca! Charlie, eu... nem acredito que tudo foi assim pra você também. Acho que parte da minha sensibilidade nas últimas semanas era esse pensamento, de que você podia ir embora porque tudo só foi intenso pra mim.
— A gente devia ter conversado sobre isso logo, teria evitado muitas coisas — Charlie sorriu — Não é engraçado esse ser o nosso jogo preferido? — Estavam jogando dentro da barraca, com uma lanterna grande pendurada no alto, iluminando tudo — Se passa em 1920, mas tem esses robôs gigantes caminhando. É um jogo de tempos cruzados.
Eram isso: tempos cruzados.
Dominic dormiu numa nuvem.
Na barraca confortável, no saco de dormir quentinho, agarrada ao peito da namorada e com um filhotinho esquentando seus pés. E, naquela manhã, acordou primeiro e muito cedo. Seu relógio contou que eram cinco da madrugada e que ela havia dormido uma noite inteira sem pontos vermelhos. Olhou para Charlie e beijou a testa dela, fazendo um carinho até ela acordar.
— Dom...?
— Estou acordada, meu amor. É... 15+23 é 38 — Disse, fazendo Charlie rir, porque aquela era uma forma antiga de testar se Dominic estava acordada: ela fazia uma conta matemática básica.
— Já amanheceu, namorada?
— Ainda não. Você pode dormir mais. Só quis deixar claro que estou acordada. Vou lá fora com o Ícaro, está bem?
Assim, estava tudo bem. Charlie voltou a dormir e Dominic saiu da barraca, com duas camadas de roupa porque estava muito frio. Seu filhote ainda estava sem guia, mas nem era necessário. Ele parecia entender exatamente o que Dom precisava.
Ainda estava escuro, mas a primeira luz da manhã já parecia estar lutando para se mostrar. Dom reacendeu a fogueira, abriu as cadeiras e a mesinha de apoio, olhou as estrelas ainda presentes no céu.
Era essa vida que queria para sempre.
Foi até a cachoeira, escovou os dentes, lavou o rosto na água gelada, ouviu o som da água. Aquilo acalmou tudo. E, no silêncio, a ideia veio.
Voltou bem rapidinho para o acampamento com Ícaro correndo com ela. Abriu o cooler, viu o que tinha de ingredientes. Havia feito uma massa de pão sourdough ainda em São Paulo. Colocou a panela do pão direto na grelha.
Pegou uma panelinha, começou a misturar coisas que tinham trazido: um pouco de mostarda Dijon, um fio de mel, um dente de alho amassado, um pouquinho de manteiga. Levou perto da brasa e começou a mexer bem devagar. Ícaro começou a vir para perto, seduzido pelo aroma e, quando o cheiro do molho subiu, Charlie colocou a cabeça pra fora da barraca.
— Namorada, tá cheirando pão fresco! E alguma outra coisa. Que coisa é? — E já veio para perto, sentindo aqueles cheiros deliciosos temperando o ar.
Dominic sorriu.
— Charlie, eu tive uma ideia para o meu prato autoral.
— Espera, eu vou escovar os dentes e já venho! Vem, Ícaro, vamos!
Os dois passaram correndo até a cachoeira e, em minutos, Charlie estava de volta, já de rosto lavado. Agarrou Dominic imediatamente, apertando-a nos braços, enchendo-a de cheirinhos.
— Charlie!
— Meu Naturelle sempre ficou melhor na natureza! Me conta do seu prato autoral. Meu Deus, Dominic, isso está cheirando muito bem — O molho borbulhava devagar, ganhando um perfume levemente adocicado, com o fundo quente da mostarda e a fumaça da lenha se infiltrando em tudo — Me fala a sua ideia.
— Acordei pensando em fazer um croque. Mas não o croque Monsieur ou o croque Madame, um croque de acampamento, sabe? Daí pensei nesse molho e lembrei do pão sourdough que a gente trouxe. Está assando aqui, está vendo? Vou fazer um croque nele, com esse molho aqui. Tem queijo meia-cura, ele fica mais crocante ainda. E, já que não posso mais tomar tanto café, acho que vou fazer um chocolate quente rústico.
O molho ficou pronto, o cheiro era sobrenatural de tão bom. O pão assou perfeitamente, em uma horinha mais ou menos, e Charlie teve que filmar o chocolate rústico, porque era lindo demais de ver sendo preparado.
Com o leite esquentando na fogueira, Dominic pegou uma barra de chocolate e foi tirando lascas irregulares com uma faca. A cor mudando, pontos escuros derretendo no leite quente. Um toque de canela, uma pitada de sal, raspas de laranja. Aliás, ela estava grelhando laranjas e pêssegos para acompanhar.
Montou o croque: queijo, presunto, o molho ainda quente, uma casquinha dourada por cima e tudo isso arrumado numa tábua de servir.
— O que você acha, amor?
— Acho que você vai mandar isso para a sua chef assim que a gente tiver internet! Está lindo, Dom! Eu já posso comer ou...?
Dominic riu.
— Claro que pode, namorada.
Pois era lindo e conseguia ser mais gostoso do que bonito. Charlie não lembrava de ter comido algo melhor em um café da manhã. Era afetuoso, um lanche que abraçava por dentro e esquentava por fora. Era abrigo. Suave. Era mesmo um café da manhã digno do Pico das Estrelas.
— Posso chamar de “Amanhecer no Pico das Estrelas”. O que você acha?
Charlie não conseguia parar de comer.
— Meu amor, acho que vamos pagar as outras prestações do carro novo só vendendo isso aqui.
Dominic sorriu, os olhos brilhando muito.
— Charlie, acha que a minha chef vai aprovar?
— Ela vai ser maluca se não aprovar isso aqui! Podemos falar com ela assim que a gente voltar.
— E quando a gente volta?
— No próximo domingo.
Dominic parou um pouquinho. Estavam tomando o café da manhã ao redor da fogueira, Ícaro seguia esquentando seus pés.
— Mas... o jantar com o embaixador não é sexta?
— É, mas não precisamos ir, namorada. Isso pode ser algo para quando você estiver à vontade, então não precisamos ter pressa.
— Não, Charlie, marcamos com o embaixador.
— Eu pensei em uma desculpa, amor.
— Não precisa de desculpa, nós vamos sim. Claro que vamos, é algo importante. Hum. Se seus colegas de trabalho não me acharem muito maluca, eu posso voltar a abrir o café no estacionamento, ao menos por alguns dias na semana.
Charlie sorriu.
— Eles não te acham maluca, acham que é a sua personalidade. Eles até gostam.
— Ah, eles gostam?
— Eles te adoram, amor. Amam ir ao seu café e dizer: O DE SEMPRE, DOM! Porque parece que vocês são amigos. Ouvi o Marco Antonio falando isso outro dia. Sei que eles têm pensamentos complicados às vezes. E que parte de você devia estar com medo de que eu pensasse igual. Mas eu não penso igual. Só tive que aprender, nesse trabalho, a não ser polarizada.
— Você precisa ser... diplomática — Dominic sorriu, fazendo Charlie sorrir também.
— É bem isso mesmo.
— Então vou ser diplomática com você. E vamos ao jantar do embaixador, onde vou usar todo o meu charme para que ele sequer possa cogitar outro nome a não ser o seu para ser a próxima embaixadora daquele lugar!
Os olhos de Charlie estavam brilhando.
— Dom, é sério mesmo?
— É muito sério, namorada. Então vamos ficar aqui até quinta. Vou marcar com a Selene. Se ela aprovar… viro chef de verdade. Acho que foi isso que me incomodou também quando você disse que eu era chef, é uma meia-verdade. Mas, se quero estar à sua altura, tenho que fazer as coisas certas, meu amor. Tenho orgulho de quem você é — Disse, olhando-a nos olhos, vendo aquelas pupilas dilatarem de emoção — De tudo o que você fez para voltar… e de quem você se tornou. E você não se esqueceu de mim. Não esqueceu do nosso encontro. Amar você é um instinto. Mas é algo que vou aprimorar. Como o nosso novo café da manhã de acampamento.
Charlie se enfiou no colo do seu amor por tempo indeterminado.
Era isso. A vida que ela havia atravessado o mundo inteiro para ter: o colo de Dominic, no meio de um acampamento na floresta, com o cachorro delas aquecendo as duas no mesmo abraço.

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