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Exposed 1




Aura


“Ei! Sou Jade Kim e, provavelmente, você me conhece. Se o meu rosto, por acaso, não acender nada na sua mente, com toda certeza você já ouviu a minha voz, porque sua filha deve me conhecer, ou sua irmã, ou sua melhor amiga. Ou talvez o seu melhor amigo gay. Faço parte de um grupo feminino, talvez o mais famoso da atualidade, que conquistou espaço entre os maiores. E, não, não fazemos ideia de como isso aconteceu, porque nós cinco temos consciência de que não somos as melhores.


Mas, por todas as nossas conquistas, chegamos até aqui. Aqui exatamente onde? Agora, em um jantar luxuoso, em um restaurante estrela Michelin, dentro de um dos hotéis mais deslumbrantes de Paris. À minha direita está o diretor da Elle France, uma das principais revistas de moda do mundo. À minha esquerda, a diretora criativa da revista. E ELA está bem na minha frente, sentada entre um figurão da Paris Fashion Week e um marqueteiro famoso que está ao lado de uma... relações-públicas? Já nem lembro direito quem são as outras pessoas à mesa. Estamos em sete, mas só consigo olhar para ELA."


No escuro, Jade crescia.


Sua primeira memória era no escuro: uma criança muito pequena, dentro de um carro com as luzes apagadas, no meio da noite, dizendo a si mesma que era somente um som, somente a cidade, não havia nada demais lá fora. Sua segunda memória? No escuro, com uns sete anos, tentando dormir em uma barraca de camping no meio de uma floresta, mentalizando que eram somente as árvores, o vento, somente um animal. E ela olhava pela janela. Mesmo assim, abria a barraca e via a noite lá fora. Enfrentando o escuro, Jade crescia e desenvolvia algo mais do que sensível dentro de si: seu sexto sentido.


E, especificamente naquela noite, seu sexto sentido estava mais do que alerta.


Sentia o tempo inteiro como se um animal selvagem fosse atacá-la a qualquer momento. Era esse o tipo de adrenalina que seu cérebro disparava pelo corpo. Molhou os lábios, tomou um gole da taça de vinho branco, o olhar vasculhando o jardim como se houvesse algo de errado ali. Olhou para os seguranças — eles seguiam discretamente se movendo à paisana pelo restaurante. E então, mais uma vez, seus olhos de avelã foram capturados em arraste. Pelo par de olhos castanhos do outro lado da mesa.


Presença. Magnetismo. Poder.


Ela se moveu muito devagar, provavelmente descruzando e cruzando as pernas novamente, com aqueles olhos parados dentro dos seus. Uma das mulheres mais bonitas do mundo — e não era Jade quem estava dizendo, mas as grandes revistas de moda, os gigantes da indústria da beleza que se digladiavam para ter aquele rosto. Cabelos longos e escuros, os olhos perfeitamente angulados, simetricamente desenhados, tal como aquele sorriso deslumbrante. As pálpebras duplas, a mandíbula marcada, um colo feito para usar joias caras.


Aura. Ninguém precisava dizer que ela era famosa. Mesmo quem não fizesse a mínima ideia de quem ela era, acabava impactado pela beleza, seduzido pela aura; a atenção se recusava a ir para outro lugar. E o mesmo fenômeno de atração magnética e refração de luz também era comumente causado por Jade Kim.


Aura. Beleza. Impacto.


Os olhares naturalmente se voltavam para elas, onde quer que estivessem. Era muito comum ouvirem conversas baixas, de pessoas discretamente apontando ou perguntando quem elas eram. Estava acontecendo naquele exato momento. Enquanto Jade não conseguia afastar sua atenção da deusa que densamente cruzava os seus olhos, uma conversa em francês, vinda de uma mesa lateral, acabou sendo filtrada pelos seus ouvidos:


— Quem são elas? — Uma voz feminina havia perguntado.

— É a atriz, estou dizendo pra você! — Uma segunda voz feminina respondeu.

— Não, a nossa filha tem um pôster enorme delas no quarto. São aquelas meninas de quem ela gosta! — Agora, uma voz masculina falou.

— As coreanas?

— Essas! Elas são cantoras, não são?

— São cantoras, senhor — Uma segunda voz masculina, mais polida, respondeu. A do Maître, provavelmente — E a senhorita Hana Cho também é atriz.

— Daquela série famosa!

— Intensity! É essa, não é? Ela faz a protagonista, a cantora que na verdade é uma assassina.

— Essa série! Nossa, ela é bem bonita mesmo, mais bonita do que em vídeo.

— O rosto da outra está num outdoor imenso lá fora! Como é mesmo o nome dela? — Uma das mulheres voltou a perguntar.

— Deve estar se referindo à senhorita Jade Kim — O Maître respondeu novamente.

— Jade, isso! Nós a vimos ano passado, naquele festival.

— Mas ela estava sozinha.

— Essas meninas devem ter carreira solo. Vamos perguntar para nossa filha. Você disse certo, ela estava no festival, mas cantar, ela não cantou. Passamos o show inteiro ouvindo playback enquanto ela fingia que cantava...


Um dia, ainda iria se acostumar com pessoas ficando à vontade para falar dela como se Jade não estivesse presente.


Hana costumava dizer que elas eram como as estátuas públicas de Roma, que as pessoas olham, tiram foto, fazem comentários sem se preocupar com nada. Ao menos, nada de ruim havia sido dito daquela vez. A acusação de playback nem machucava mais. Havia usado mesmo, andava com pânico de palco, sua voz simplesmente não saía. Aquele festival havia sido o começo da sua queda vertiginosa como solista.


Um dia, também aprenderia a não perder a confiança em público quando sua vida inteira era uma mentira. Ou quando a massiva maioria dos comentários machucava muito.


Enquanto isso não acontecia, Jade seguia crescendo no escuro.


O escuro, hoje, não era mais uma noite mal dormida num carro ou numa barraca no meio de uma floresta; eram as coisas que ela não podia dizer, não podia mostrar, partes suas que ninguém podia saber.


O escuro agora, às vezes, era um olhar indecifrável de Hana Cho do outro lado da mesa. Aquela que nunca perdia a confiança em palco nenhum. Ela estava, há mais ou menos quarenta minutos, respondendo questões pessoais sobre o seu relacionamento com o ator da última série na qual havia atuado. O sorriso sempre aberto, aquela voz densa, rouca, tranquilamente se alternando entre inglês e francês.


Havia um rumor de namoro entre ela e o ator. Houve uma época em que, segundo a imprensa, Jade tinha um namorado diferente por semana. Mas agora era a vez de Hana, a estrela sob os holofotes, a queridinha de Paris e Milão, por quem a Europa inteira andava apaixonada. Jade geralmente não se importava com rumores, sabia muito bem como aquela indústria funcionava, porém tudo ficava bem diferente quando tal rumor, de repente, decidia fazer uma aparição ao vivo, bem diante dos seus olhos.


Exposed.


Jade compreendeu o que seu sexto sentido tanto a alertava quando Kaito Chiba surgiu em direção à sua mesa.


— Com licença — Jade retirou o guardanapo de sobre o colo e se levantou, girando em direção oposta à qual o ator estava vindo.


E Hana notou imediatamente. Não o ator, mas o movimento de Jade.


— Jade? Ei, está tudo bem? Jade! — Não, ela já tinha ido.


Hana se colocou de pé, pediu licença à mesa e se moveu tão rapidamente para sair que quase trombou em cheio com alguém.


Mas não era um alguém qualquer. Era... o seu colega de elenco? Ficou muito claro, pelo rosto de Hana, que ela não estava esperando vê-lo ali.


— Oi! Tudo bem? — Ele perguntou, sorrindo, após ter cuidadosamente evitado que Hana trombasse com tudo contra o seu peito.

— Kaito! Me desculpa, virei sem olhar — Hana disse, já delicadamente colocando uma distância física entre eles dois — Te machuquei?

— É mesmo possível. Você é forte pra caramba! Mas consegui me defender — Ele respondeu, de maneira divertida e gentil — Estava indo pra onde?

— A Jade saiu da mesa de repente, preciso ver se está tudo bem — Hana já estava com os olhos a buscando pelo jardim.

— Sempre a Jade.


Hana olhou para ele novamente e abriu seu sorriso perfeito. Sabia que seus olhos eram bonitos, mas seu sorriso sempre seria a verdadeira joia do seu rosto.


Sempre ela. Eu não sabia que você viria, Kaito.

— Um dos diretores me convidou. Acho que estão pensando em alguma campanha nossa para o Dia dos Namorados — Além de atuarem juntos, ambos modelavam para a Prada.

— É exatamente isso, só não sabia que tinham chamado você. Bem, senta com a gente, só vou checar se a Jade está bem e já volto.

— É a Niki que está logo ali? — Kaito alongou o assunto, enquanto Hana tentava não perder Jade de vista pelo jardim. Ela estava linda naquela noite: inteira de Versace, a marca italiana da qual era embaixadora. Usava calça de alfaiataria preta, cropped branco de alta costura, um belíssimo casaco de malha vermelha por cima, que, elegantemente, ela usava caído nos ombros, exibindo suas linhas ósseas tão elegantes.


Como ela era bonita. Hana a olhava diariamente e não se cansava. Aura, calor, brilho natural. Jade tinha tudo isso e nenhuma dessas coisas se aprende ou se adquire. Ou se nasce com elas, ou não.


— Ela está em outro jantar de negócios — Hana respondeu, tentando encurtar a conversa.

— Harlow e Ruka estão aqui também?

— Elas... sim, mas estão dormindo, provavelmente. Kaito, fica aqui, já volto — E saiu antes que ele tivesse a chance de fazer mais alguma pergunta.


Acelerou as passadas. Hana estava toda de preto: minidress, apesar do frio, curto até o meio das coxas, alça larga e única em um dos ombros, cruzando diagonalmente o seu colo. Meia-calça que imitava o tom bronzeado da pele, saltos altos a mantendo extremamente elegante. Prada da cabeça aos pés e joias Cartier por onde os olhos podiam alcançar. Girou um determinado anel no dedo, com um imponente diamante. Costumava mover aquele anel quando estava ansiosa.


Acelerou o passo, e Niki a parou pouco antes da saída da área do restaurante. Mais alta, de outra etnia, era malaia, sedutora, barulhenta e tinha o maior e mais bonito sorriso do mundo todo.


Assim era Niki Chew.


— Hana, está tudo bem com a Jade? Ela passou aqui feito um furacão.

— Não se preocupe, estou indo atrás dela.

— Certeza? Não precisa de mim?

— Está tudo bem. Volta para sua reunião, não se preocupe — Hana tocou o rosto dela, passando segurança. Niki sorriu.

— OK, está bem! Mas, se precisar, basta gritar.


E Hana sorriu, sabendo que bastava mesmo.


Seguiu pelo jardim. Jade não havia saído do hotel, com toda certeza; deveria estar ali em algum lugar. Já era bem tarde, o restaurante estava praticamente vazio. Fazia uma noite linda e fria em Paris, o céu estava limpo e uma lua cheia brilhava, deixando aquele jardim com um aspecto surreal de tão bonito.


Então a encontrou. Depois do espelho d’água, sobre um tablado de madeira, parada atrás de uma pilastra, onde não podia ser facilmente vista.


Braços cruzados, batendo o pé sem parar, visivelmente tentando acalmar os próprios pensamentos enquanto respirava mais fundo e mais rápido. Era típico dela. Jade era transparente assim, dava para literalmente ver as emoções correndo por ela. Era tão claro que até os fãs já conseguiam identificar aquele tipo de momento em que a linda Jade Kim, de sorriso dócil, partia e Jade Kennedy surgia.


E ela era selvagem. Feral. A garota má da música coreana que todo mundo adorava odiar.

Não era à toa que o espírito animal de Jade era uma gata feral.


Os cabelos superlongos, brilhosos, a maquiagem ferina deixando aqueles olhos bem marcados. A boca vermelha, os brincos longos da Cartier, combinando com os de Hana naquela noite.


E ela estava furiosa.


— Jade, o que aconteceu? Você só saiu da mesa do nada.

— Igual ando saindo dos palcos.

— Eu não disse isso — Hana rebateu. Isso andava acontecendo nos últimos shows: de repente, no meio de uma música, Jade abandonava o palco para respirar, se acalmar, tentar conter um ataque de pânico. Mas não era o caso agora. E Hana nunca tocaria num assunto tão sensível no meio de uma tensão pessoal.

— Você não deveria ter me seguido, seus clientes estão na mesa.

— Os nossos clientes estão na mesa, Jade, você quer dizer.

— Achei que eram nossos, mas, aparentemente, estão mais interessados em romance fake do que em mim — Ela estava enciumada.


E furiosa. De maneira quase elétrica, a fúria passava sob a pele dela.


Baby, você pode só... se acalmar um pouco? — Hana pediu.


Jade finalmente a olhou.


— Me acalmar? Transamos não faz uma hora, Hana!

— E eu pretendo fazer isso em meia hora novamente, porque fazer amor com você é a coisa que eu mais amo nesta vida, Jade — Hana tocou delicadamente os cotovelos dela e, de imediato, a sentiu ceder. Ela estava furiosa, mas tocada. Jade respirou.


O corpo de uma reagia ao da outra, sempre.


— Dormimos juntas, estamos juntas. Aliás, faz cinco meses hoje que estamos juntas novamente.

— E você traz o seu namorado midiático pra jantar com a gente! Você realmente é uma atriz maravilhosa, Hana, merece cada prêmio que já recebeu!

— Jade, você sabe melhor do que eu como essas coisas funcionam, por favor!

— Sei melhor do que você, mas quer saber de uma coisa que sei com ainda mais certeza? — Jade foi andando para cima dela: aura, fogo, eletricidade — Fiz vinte e oito anos, e você, vinte e nove, acabamos de fazer em janeiro. Não somos mais adolescentes e, após tantos términos, se você é minha, eu quero você pra mim — Ela disse, puxando Hana pelo espaço do decote, trazendo-a contra seu corpo num tranco firme demais.


Hana suspirou sem sequer perceber. Faísca, magnetismo, refração.


E aura.


Se havia algo que pessoas com aura atraíam, eram fontes de luz.


Um clique disparou pela primeira vez.


— Do que você está falando? — Hana não se afastou dela nem por um milímetro. A manteve pelos braços, segurando-a firme contra o próprio peito, encurtando a distância, impondo sua presença física pelo corpo.


Clique, clique.


— Você sabe muito bem do que estou falando!

— Do que sempre falamos antes de mais um término. Eu não aguento mais terminar, Jade — Hana disse, olhando-a reto nos olhos. As mãos de Jade agora no seu abdômen, numa tentativa natimorta de afastá-la, enquanto os braços de Hana faziam força reversa, mantendo-a firme pela cintura. Física, química. Elas se tocavam e algo arrepiava na pele, causava uma reação.

— Então, faça algo útil com isso, qualquer coisa diferente de me fazer jantar com seu namorado de contrato.

— Eu não sabia que ele vinha. Kaito e eu mal nos falamos, você sabe disso muito bem — Tensão. Aura, fogo, sexto sentido.


Clique, clique, clique.


— Quando a gente se conheceu, ouvi tanto que faria inimigos se me apaixonasse por você, mas nunca pensei que isso seria tão literal.

— Quem é seu inimigo aqui? Do que você está falando, pelo amor de Deus, Jade Kim...?!

— A minha principal inimiga aqui é você! É a causadora de problemas número um quando o assunto é nós duas! — Jade a segurou pelo queixo, buscando os olhos dela, sem que nenhuma das duas se afastasse nem um pouco. Intensidade, magnetismo, presença — Hana, se você me quer de verdade, então precisa fazer mais. Faz um mês que estou te dizendo isso, mas acho que você não está me levando a sério. Mostra que você tem mais apego a mim do que tem por essas suas coisinhas que brilham — Desceu a mão, agarrando o colar de diamantes no pescoço dela.


Hana a olhou fundo nos olhos e a colocou contra a pilastra.


Clique, clique, clique, clique.


— Eu amo você porque amo coisas que brilham — Disse, com a voz rouca e firme, aquela voz que causava arrepios em Jade — Amo porque sou uma aficionada por obras de arte e você é uma. Acho que também te amo por causa da adrenalina, devo amar passar perigo, uma vez que não consigo tirar as mãos de cima da it girl mais famosa do mundo.

— Hana...

— Tenho medo do fogo, mas não consigo largar a incendiária — Hana respirou fundo, se acalmando por um instante. Estava muito perto de Jade e o perfume dela era inebriante demais. Precisava se acalmar, recompor seus pensamentos — Tudo bem, entendo que tenha ficado chateada, mas precisamos voltar para terminar o jantar, Jade. Existe um contrato que precisamos cumprir. Acabamos de encerrar uma turnê, estamos cansadas, provavelmente passamos um pouco do ponto no vinho e temos um ensaio amanhã. Quanto mais breve terminarmos o jantar, mais rápido estaremos no nosso quarto. E quem vai subir comigo é você, pretty. Não é o Kaito, não é ninguém mais. É você.


Jade a olhava nos olhos. Respirou fundo também, perdendo o último resto de resistência. Clique, clique, clique, vários cliques e alguns passos pra frente.


Oppa... — Jade a chamou, já com a voz sexy que era tão natural dela, com uma sedução escorregando por aquele corpo todo sinuoso, e Hana só...


A desgrudou da pilastra, passando os braços por aquela cintura, puxando Jade contra o seu corpo. O nariz se enterrando na curva do pescoço dela imediatamente, porque somente precisava. Olfato, tato, paladar.


— Por favor, não fique louca comigo.

— Ser louca por você é meu traço tóxico preferido, esqueceu? — Jade deu uma olhadinha nela, vestida naquele minidress que deixava aquelas pernas deliciosas de fora. Havia vestido Hana, ela mesma, naquela noite, e sua garota estava deliciosa, perigosa. Cheirou os cabelos dela, sentindo aqueles braços envolvendo a sua cintura. Adorava os braços firmes de Hana, adorava as linhas suaves e verticais do abdômen dela, onde sua mão já estava. Clique, clique, clique, outro passo pra frente — Hana, só... não faz isso. O Kaito é um ponto sensível pra mim. Estávamos separadas, não faço ideia do que aconteceu nas gravações daquela maldita série. Você está... diferente. Desde quando voltou das gravações.

— Diferente? Jade, já contei pra você tudo o que aconteceu durante as gravações e não foi nada demais — Hana beijou o pescoço dela, porque era irresistível. Clique, clique, clique, cliques furiosos — Esse seu perfume... — Hana mordeu o próprio lábio, pressionando-a com o corpo ainda mais, porque agora estavam exalando sedução.

Morde.

— Garota...

— Morde, rapidinho, hmm? Deixa uma marca, baby — Jade subiu a coxa pela dela, e Hana a grudou contra a pilastra outra vez, encaixando um corpo no outro, completamente. Os perfumes se misturando, as curvas sinuosas de Jade, os músculos firmes de Hana.


E Hana Cho podia ter a beleza de uma deusa, mas era humana no final das contas.


Talvez tivesse realmente passado do ponto no vinho.


Hana abriu um sorriso, olhando Jade profundamente nos olhos, enquanto a mão subiu para a garganta dela, fazendo sua garota sorrir imediatamente.


Apple of my eye — Foi a primeira expressão em inglês que Hana havia aprendido. Significava “maçã dos meus olhos”, “minha pupila”, “meu amor”.


Jade era a maçã dos seus olhos. Era a sua pupila e, irrevogavelmente, o seu amor.


Hana a beijou, enfiando os braços por dentro do casaco dela, enroscando-os por aquela cintura, sentindo-a contra o seu corpo. Mais passos rápidos, nervosos, clique, clique, clique. Jade abriu um sorriso lindo depois daquele beijo, olhando nos olhos de seu amor.

Hana era sua. 


Sabia que era, mas, às vezes, tudo ficava tão difícil que só precisava de mais confirmações. Ainda que isso parecesse inseguro, que fosse ingênuo, uma fragilidade. Ela disse algo no seu ouvido, a fazendo rir fácil. Hana era linda e a fazia rir. A fazia rir e a cuidava como ninguém no mundo.


Ser louca por Hana Cho era somente uma consequência.


Enroscando os braços pelo pescoço dela, Jade a beijou novamente, escorregando a mão por aquele rosto lindo. Um corpo grudando ainda mais no outro, acabando com qualquer mínimo espaço possível enquanto as bocas se enroscavam num beijo denso, quente, os lábios deslizando. Aura, fogo, excitação, névoa mental e atração intensa, daquelas que queimam até o último pensamento coerente de qualquer mente.


Passos, passos, respiração ofegante, mãos trêmulas, clique, clique, clique. Cliques tão nervosos que deixavam tudo exposto. E Jade não era a única gata feral daquela relação.


Levou um segundo, e Hana voltou ao seu modo de atenção plena.


No topo das coisas que quase ninguém sabia sobre Hana Cho: ela parecia uma das princesas da dinastia coreana, era a boa garota de uma ótima e tradicional família, mas havia passado tempo suficiente em ruas estranhas, onde aprendeu a se defender como ninguém.

Ela agiu de imediato.


Daí pra frente, Jade nem saberia contar direito; muitas coisas aconteceram em um curto espaço de tempo. Um fotógrafo surgiu, a uns três metros delas, nervoso, suado, câmera em mãos. E Hana, aquela pequena coreana de 1,66 de altura, de repente, estava no colarinho dele.


Literalmente.


Ela o agarrou pela camisa com uma mão e laçou a câmera com a outra, enroscando o punho na alça, entrando numa briga física onde os envolvidos falavam em idiomas diferentes e, de alguma forma, se entendiam. Ele tentava se soltar, ela não permitia. Ele não queria ser rude, mas queria que ela o soltasse, que se afastasse. Jade viu Niki saindo do espaço do restaurante, do lado oposto de onde estavam. 


E, sim, Jade podia ser feroz como diziam que era, mas, no fundo, sempre iria preferir ser protegida.


Gritou por Niki e correu para Hana ao mesmo tempo.


Nicole Chew, a que protegia por natureza, ouviu os gritos e só deve ter levado uns três segundos para chegar. Correu rápido, viu imediatamente a briga estranha no jardim e agiu. Empurrou o fotógrafo com toda a força e técnica que o kickboxing diário lhe dava, puxou Hana e Jade para trás de si e enfiou a bota no abdômen do homem, empurrando-o com firmeza, criando um espaço maior.


Hana ficou com a câmera, e Niki se enfiou na frente dela, com seu imponente 1,74 de altura e sua impecável postura de quem sabe bater e não tem medo de fazê-lo, se assim fosse preciso. Se Hana costumava passear por ruas estranhas, Niki cresceu tendo que se defender em ruas perigosas; o que tinha de talento para a dança, tinha para o kickboxing e já havia ganhado campeonatos suficientes para se portar na certeza de que ninguém passava por cima dela. Ainda mais quando se tratava de duas de suas garotas.


Encarou o fotógrafo.


— Longe delas!

— Senhorita, eu só quero a minha câmera.

— É melhor você me ouvir — Niki o encarou reto nos olhos.

— Niki, não o deixe sair! — Foi uma ordem de Hana.


Imediatamente, Niki o segurou pela camisa.


— Senhorita!

— Não é pra sair! Hana disse para não te deixar sair!

— E você faz tudo o que ela te diz para fazer?! — O fotógrafo perguntou de volta, e Niki relaxou por um instante.

— Você não faz ideia de como a minha vida melhorou depois que comecei a ouvir a Hana. Sério mesmo, isso fez uma diferença enorme. Desde então, eu a ouço sempre.

— Sério?

— Estou falando pra você, cara.

— Niki! — Jade a trouxe de volta para o momento.

— Ah, sim, quieto aí! — Falou com o fotógrafo novamente e, daí, olhou pra trás, passando a falar em coreano: — O que aconteceu?

— Ele nos fotografou sem autorização! — Hana explicou.


Jade ficou nervosa de novo.


— É sério que é só isso que você vai dizer pra ela? Até pra ela?!

— Jade, você quer mesmo piorar as coisas?!


O sexto sentido de Jade realmente nunca falhava.


— Claro que posso não piorar nada, minha general — Disse, fazendo um sinal debochado de continência batida.


Hana a ignorou. Estava vermelha; agora, quem estava furiosa era ela. O vestido preto, o rosto de atriz e uma fúria que raramente se via nela. Mas não havia espaço para um ataque de fúria. Desviou o olhar de Jade e falou somente com Niki:


— Você acha que basta tirar o cartão de memória?

— Não se a câmera também tiver memória interna, algumas têm — Niki explicou.

— Então, o que eu faço?

— Quebre a maldita da câmera! — Jade pegou a câmera das mãos dela e, quando ia arremessá-la contra o chão...

— Não, senhorita! Eu só tenho essa câmera, trabalho com isso, por favor, levei muito tempo para conseguir comprar tanto a câmera quanto essa lente — Ele implorou.

— Ah, a lente é boa? — Jade perguntou, já em francês.

— Muito boa!

— Então, nem precisava ter chegado tão perto da gente, seu idiota!

— Jade! — Niki arregalou os olhos diante daquela ira toda e então se voltou para Hana — Unnie, o que está acontecendo? O que ele fotografou?

O beijo do ano! — O fotógrafo respondeu em inglês, porque o fenômeno da Torre de Babel realmente estava acontecendo: coreano, francês, inglês, e todo mundo se entendendo.


Niki ouviu aquela resposta, mas não processou.


O que aquele cara estava dizendo?


— O beijo do ano...?

— Dez anos depois e aqui estamos, sendo pegas outra vez. Quem diria que levaria tanto tempo para acontecer de novo? — Jade se sentou no tablado, claramente exausta.


Niki olhou para ela, olhou para Hana e riu. Porque risada era sua resposta para toda e qualquer situação estressante. Voltou-se para o fotógrafo.


— Amigo, você bebeu demais e veio trabalhar?

— Não, senhorita, eu...

— Você fica quieto! Niki, o que eu faço? — Era Hana.

— Acho que... — Na cabeça de Niki, estava uma confusão só, não conseguia pensar em muita coisa. Beijo? De que beijo ele estava falando?

— Podemos comprar a câmera dele — Jade falou de onde estava.

— Comprar...?

— Pagar um valor muito mais alto por ela. Fofoca sem foto é só rumor, a gente passa por isso o tempo todo.


Hana entendeu; era uma ótima ideia. Voltou-se para Niki novamente.


— Você tem dinheiro?

— Dinheiro, tipo dinheiro físico?

— Sim. Não podemos fazer uma transferência para este cara, porque isso também vira prova.

Unnie, como vocês sempre pensam em tudo?

— Quase em tudo — Hana respirou fundo, olhando para Jade. Agora, ela estava simplesmente olhando as fotos na câmera — Niki, temos que resolver isso somente entre a gente. Você tem algum dinheiro aí?

— Não tenho. Ter dinheiro físico é quase arcaico.

— É arcaico mesmo. O que a gente faz?


Niki pensou um pouco.


— A gente liga pra pessoa mais “idosa” em quem temos confiança e que, com toda certeza, tem dinheiro em cash.

— Quem?

— Nossa maknae — Niki disse. Maknae significava a mais nova do grupo.


Hana apertou a expressão.


— Ruka?

— A nossa maknae de verdade.


Daí, Hana entendeu de imediato.


— Harlow!

— Com certeza ela tem! Liga, pede para ela descer. Sei que a Harlow tem dinheiro com ela — Então, voltando a falar em inglês, Niki, simpaticamente, soltou a camisa do fotógrafo e o abraçou pelos ombros: — Então, você e eu, amigão, vamos tomar uma cerveja enquanto resolvemos isso!

— Nós... vamos?

— Vamos! Vai levar mais uns minutinhos. A gente pega uma cerveja ali no bar, eles têm cervejas belgas incríveis — Já foi levando o fotógrafo em direção ao bar do hotel.

— Não está me levando para tomar uma surra dos seguranças? — Ele claramente estava ansioso.

— Você conhece a nossa banda?

Gentlemonster, claro que sim!

— O nome já diz tudo. Somos monstros, mas gentis. Fica de boa!


Hana e Jade somente trocaram um olhar.


— Liga pra Harlow? — Hana pediu — Pede para ela descer com todo o dinheiro em cash que tiver. Vou terminar o jantar com os nossos clientes. Digo que você se sentiu mal, tento acelerar.


Jade suspirou mais uma vez. Ressentimento, frustração, escuridão.


— Hana Cho sempre pode resolver qualquer coisa, por isso você é a nossa líder.

— Nosso grupo não tem líder. Nós a perdemos antes mesmo de debutar.


Aquela era uma resposta particularmente afiada.


Que cortou Jade por dentro.


E isso sempre doeria.

Notas da Autora: Tessa Reis


Oi, gente! Mal nos despedimos de Scandal e eu já trago um novo escândalo fresquinho pra mesa de vocês. hahaha


Meu novo hiperfoco deve ser colocar protagonistas nas páginas tendenciosas do Twitter ou na lente perigosa de um fotógrafo. 📸


Exposed surgiu aqui pela primeira vez há uns dois anos, mas, finalmente, elas estão prontas para fazer companhia para vocês toda semana. Me contem aqui o que acharam deste primeiro capítulo e se estão prontas para conhecer o grupo inteiro. 💘 Ruka e Harlow chegam no próximo capítulo!


Amo escrever histórias de casais que já existem, e aqui temos mais um dessa categoria. Casais que já existem entregam um outro tipo de romance, baseado não na vontade de ficarem juntas, mas na luta para permanecerem juntas por escolha.


Será este o caso de Jade e Hana?


Voltamos dia 23/4!

Exposed tem uma trilha especial com conteúdos extras para acompanhar a leitura. Nela, vocês encontram informações sobre as personagens, sinopse da história, playlist e imagens pensadas para ampliar a experiência e deixar vocês ainda mais dentro desse universo.


Para acessar, basta clicar no link: https://www.tessareis.com.br/conteudo/trilha-exposed

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1 comentário


Adriana Evangelista
Adriana Evangelista
17 de abr.

Gentlemonster ! Elas chegaram chegando! Olha esse grupo, lindas demais, mas parecem uma mini gangue kkkkk Parabéns pelo novo lançamento! Que seja um sucesso!😍

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