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First Look - O Contrato

Atualizado: 9 de jul. de 2025


O Contrato

A Regra do CEO

 

Não podia acreditar que estava mesmo presa naquela reunião com os dois idiotas que eram seus irmãos mais velhos.


Eles eram gêmeos, dois anos mais velhos que ela. Selene faria 31 anos em breve, eles haviam feito 33, mas, para quem os olhasse, pareciam dois adolescentes tardios que amavam virar a noite em baladas sertanejas. Aliás, quando estavam nesse tipo de balada e tiravam fotos aleatórias com amigos, não parecia que eram apenas dois gêmeos; parecia que eram uns doze, de tão parecidos que eram com os próprios amigos. E, se ampliasse o quadro da foto, seriam vinte ou trinta. Nunca entenderia essa necessidade social de todos quererem ser iguais. Bem, mas, naquele momento, estava presa com a dupla sertaneja. Já tinha anoitecido e estava ficando sem tempo. São Paulo começava a brilhar pelas enormes janelas de vidro do vigésimo andar do prédio onde ficavam os escritórios da Olympia, a marca de athleisure que liderava os mercados latino-americanos nos últimos anos.


— E daí, ele disse que essa foi a decisão mais burra que já viu e mandou a gente desfazer — Fábio estava dizendo.

— Mas a gente não entendeu por que é tão burra, já que os preços estavam promocionais — Marcelo contrapôs.


Selene respirou profundamente, olhando o contrato fechado.


— Na verdade, vocês não entenderam porque são burros.

— Ah, mas não fala com a gente assim também!

— Mas é burrice mesmo! Vocês parecem dois moleques amadores. Tipo, o fornecedor apenas disse estarem em valor promocional e vocês não checaram nada? Isso não é valor promocional. Ele subiu os preços de propósito e baixou em seguida. É o golpe mais antigo do mundo das vendas, por favor! E ainda assinaram um contrato enorme — Quanto mais olhava, mais chocada ficava.


Então, os dois se aproximaram.


— Sel, não tem como desfazer...? Porque o pai mandou a gente desfazer.

— E vocês deviam resolver sozinhos, já que fizeram isso aqui sem me consultar.

— Selene! Não dá, a gente não conseguiu. É coisa de advogado...

— Vocês são advogados.

— É... coisa de um bom advogado. Tipo você. Você pode ver ou...?


Selene respirou fundo.


— Vejo, mas amanhã. Agora, tenho um compromisso e estou quase atrasada — Disse, já se levantando da mesa, pegando seu terninho e colocando as coisas na mochila. O símbolo triangular da Prada criou um reflexo.

— Um compromisso? Tipo, um encontro? — Fábio perguntou, sorrindo.

— Isso não interessa a vocês!

— Mas claro que interessa! Penso na regra do CEO todos os dias: quem de nós três se casar primeiro assume a empresa. Eu só vivo relaxado assim porque — Marcelo abriu um sorrisinho — você é uma deusa de tão bonita, mas acho que os homens têm medo de você e nunca te vemos com ninguém! Como você vai se casar, sabe?

— Pois não fiquem tão tranquilos assim, porque vocês dois, seus idiotas, não sabem nada da minha vida!

— Hum, e com quem é o encontro? Quem é o corajoso que subiu na torre da princesa feroz dos Falchioni?


Selene os encarou.


— Isso não é da conta de vocês!


Os dois começaram a rir.


— Você sabia que o tio colocou a mesma regra na Invikta? — Invikta era outra grife de athleisure, a principal rival da Olympia, que, por acaso, pertencia ao tio deles. Era uma antiga guerra familiar.


Aquela informação pegou a atenção de Selene.


— A mesma regra estúpida do CEO...?

— A mesma. Você sabe, ele vive de copiar o nosso pai. Sel, você precisa ir mesmo...?

— Preciso.

— E não vai mesmo dizer com quem é o encontro...?


Olhar furioso.


— NÃO! — E, dito isso, terminou de pegar suas coisas e saiu da sala.


Checou o horário e estava mesmo atrasada! O trânsito já devia estar todo parado. Como conseguiria chegar a tempo? Não sabia, só sabia que teria que dar um jeito. Não é que tivesse esperado dois meses por aquele evento. Na verdade, esperava tal evento há anos, e isso havia começado justamente na primeira vez que aquela banda veio ao Brasil e os ouviu ainda muito jovem. Devia ter uns dez anos na época. A banda veio outras vezes, mas a única vez que conseguiu ir foi na penúltima. Selene tinha 23 anos e nunca esqueceu aquele show. Com a morte do vocalista, achou que nunca mais teria a oportunidade de ouvir suas músicas preferidas sendo tocadas ao vivo outra vez. Aí, então, foi o Linkin Park quem a surpreendeu.


Agora, eles tinham uma nova vocalista, e sua obsessão estava de volta com tudo.


Hum, seu encontro da noite seria com Amy Armstrong, mas isso seus irmãos da dupla sertaneja jamais entenderiam.


E também jamais entenderiam a beleza de se fazer algo sem depender de ninguém.


Com muita dificuldade, conseguiu um Uber. Normalmente, não demoraria mais do que vinte minutos para chegar à Água Branca, onde ficava o estádio em que aconteceria o show, mas levou mais do que isso daquela vez. Estava nervosa o tempo inteiro, achando que não daria tempo, mas, de alguma maneira, de repente, o trânsito abriu e, pronto, chegou até antes do que previu. Procurou seu portão de entrada. Por que estádios têm que ser tão confusos? Nunca teria um bom senso de direção, fosse dirigindo um carro, uma bicicleta ou simplesmente andando a pé, como era o caso. Pronto, finalmente encontrou seu portão. A tarde estava quente e Selene estava de saltos. Devia ter colocado um tênis na mochila ou algo assim. Hum, também não podia estar mais diferente de todo mundo visualmente: estava vestindo uma longa saia escocesa, xadrez em preto e verde-escuro, transpassada, com um lindíssimo top de crochê creme, delicadamente trabalhado. Tirou o terninho assim que conseguiu entrar no estádio e desejou ter trazido algo para prender seus longos cabelos. Havia feito pequenas tranças enquanto estava no Uber, mas elas não resolveriam o calor; era apenas para ficar menos executiva. Bem, nem tinha certeza se havia funcionado.


Parou rapidinho em uma pessoa com uma plaquinha de “caixa”, pretendendo comprar algo para beber, mas lhe explicaram que, na verdade, ela tinha que comprar um cartão, colocar créditos nele e só então comprar alguma coisa. Fez tudo isso, mas decidiu correr e achar um lugar. Estava muito cheio, e não daria conta de ficar de pé durante umas três horas com aqueles stilettos. Daí, achou um lugar, quase que milagrosamente! Foi pedindo licença para passar, porque estava bem no meio e, pronto, tinha um assento. Agora, era só esperar alguém passar para comprar alguma coisa.


Porém, a venda nas arquibancadas funcionava diferente.


— Mas comprei créditos para este cartão!

— Eu sei, moça, mas esses créditos só funcionam lá dentro. Para comprar nas arquibancadas, você precisa adquirir esse outro cartão aqui.


Selene se levantou imediatamente.


— Mas isso é um absurdo!

— Moça, eu só vendo as coisas, não crio as regras, não!

— Ah, que seja! — Sentou-se de volta e o vendedor ainda ficou ali, olhando para ela — Não, eu não vou comprar outro cartão!

— Ok, moça, eu só estava esperando!


Daí, ele se afastou e, imediatamente, o estômago de Selene começou a fazer sons desagradáveis. Fechou os olhos. Não havia almoçado, porque decidiu adiantar alguns documentos e acabou pulando o almoço. As chances de conseguir assistir àquele show sem morrer de fome pareciam nulas. Mas daí que, com toda certeza, se fosse lá dentro novamente, perderia seu lugar, porque não paravam de chegar pessoas. Checou o relógio. Faltava uma hora e meia para o show. Se não fosse agora, quando voltasse, não teria mesmo nenhum lugar disponível. Era uma decisão que precisava ser tomada imediatamente: ir lá fora usar o seu cartão ou comprar mais um cartão, mesmo achando um absurdo aquilo funcionar assim. Bem, era melhor ir de uma vez; estava com fome e não iria mesmo gastar mais dinheiro comprando outro cartão inútil.


Respirou fundo, pegou suas coisas e pediu licença para todo mundo de novo, refazendo o caminho, descendo as escadas e indo procurar o que comer pelos quiosques lá dentro, os que aceitavam o cartão que havia comprado com o seu cartão de crédito. Que coisa absurda! Hum... olhou suas opções: tinha pizza, cachorro-quente, pipoca também. Foi andando pelos quiosques, olhando o que cada um oferecia e, de repente, ouviu uma voz que achava conhecer:


— Mas isso é um absurdo! — Ela estava dizendo, praticamente subindo no balcão de tão irritada — Eu já comprei um cartão, e ninguém me disse que ele funcionava assim!

— Moça, são dois cartões: um que funciona nas arquibancadas e outro que funciona aqui.

— Ah, mas eu não vou comprar outro cartão inútil se já comprei este aqui! Quero o meu dinheiro de volta — Ela decretou, cruzando os braços.

— Moça, só tem como devolver o dinheiro na saída.

— MAS O QUÊ?! Está me dizendo que só vão devolver meu dinheiro quando essa MANADA DE GENTE estiver saindo daqui, todo mundo junto, ao mesmo tempo?!

— É... meio assim que funciona.

— Mas que absurdo isso tudo! Sou advogada, conheço os meus direitos como consumidora...!


Selene realmente julgou que ela fosse pular por cima do balcão e estrangular a atendente. Então, decidiu intervir.


— Ei, ei, a moça não tem culpa!

— Alguém tem que ter culpa aqui! Tem cem reais nesse cartão que eu não posso usar!

— Garota, você pode usar lá dentro! — Selene a pegou pela cintura, colocando-a para suas costas, a tirando da frente da atendente. Finalmente, ela lhe olhou.

— Selene?!


Olhou de lado para ela.


— Oi, Tali. O que você queria comprar?

— Você diz, nesse lugar, que não aceita o cartão que comprei nas arquibancadas há dois minutos?! — Ela disse, olhando ferozmente para a atendente.

— Sim, eu comprei o cartão que aceita aqui. Relaxa, ok? O que você quer?


Ela pareceu pensar um pouco, se acalmar.


— A pizza parece bonita, está vendo? Pulei o almoço hoje.


Selene olhou para a pizza. Parecia bonita mesmo.


— Moça, a gente vai querer uma pizza.

— Inteira?

— Inteira, isso. Você quer beber o quê? — Selene perguntou para ela, já buscando o cartão na capinha do celular.

— É... Coca-Cola?

— Duas Cocas, por favor — Repassou o pedido para a atendente.

Será que Tali estava mesmo vendo certo? Porque Selene parecia ter simplesmente se materializado na sua frente do nada.


Mas, visivelmente, ela realmente estava ali e, enquanto esperava pelos pedidos, Tali deu uma olhadinha nela com calma. Hum, fazia um ano que não se viam, e ela parecia mais bonita ainda agora. Mas isso nem era inesperado; aparentemente, Selene Falchioni era melhor do que vinho: ela melhorava a cada ano que passava, e a aura de realeza não dissipava jamais. Os Falchioni tinham um castelo em Campos do Jordão, um dos hotéis mais tradicionais da cidade, e, sempre que Tali a via em uma das janelas das torres de pedra, Selene parecia muito pertencente àquele cenário, parecia mesmo a princesa perfeita.


E ela se vestia como uma. Uma princesa moderna, mas ainda assim, uma princesa, com toda certeza.


— Você... veio direto do trabalho? — Tali perguntou, quebrando o silêncio no qual estavam, porque aquele look, com o terninho que ela estava carregando, perfeitamente se convertia em algo que uma mulher de negócios usaria.


Hum...Tali também era uma mulher de negócios, mas estava de calça moletom e camiseta branca. E boné sobre os cabelos.


— Vim, não daria tempo de ir em casa — Ela disse, já recebendo a pizza e os refrigerantes — Ah! Não pensei nisso. Como vamos dividir a pizza?

— Pra que dividir? Vamos comer juntas aqui.

— Mas vou perder o meu lugar, Tali. Se bem que, já devo ter perdido de qualquer forma.

— Não tem ninguém guardando pra você?

— Não tem.

— E quem veio com você?


Selene a olhou. Colocou seu copo de Coca na mão dela, abriu a caixa de pizza, pegou uma fatia e levou à boca.


— Vim sozinha — Disse, após abocanhar a fatia.


Tali estranhou.


— Você veio para o show, saída do trabalho e sozinha...?

— Sim, algum problema? — Ela perguntou, mordendo mais um pedaço enorme de pizza. A princesa estava faminta.

— É... como dizem? EMPODERADA.

— Não seja idiota comigo ou te deixo sem pizza!

— Eu já estou sem pizza, segurando o seu refri e o meu — Tali respondeu, rindo. Selene era uma nervosinha, achava uma graça — Ok, eu estou com umas amigas, então, por que a gente não come aqui e depois você sobe comigo? Estamos guardando lugares.


Selene deu uma olhadinha para ela. Aqueles cabelos sempre hidratados, pouco abaixo dos ombros, e o rosto... uma pintura de tão bonito. Sempre havia achado Tali bonita. Ela era uma daquelas pessoas irritantemente bonitas, as que apenas são bonitas, mesmo de camiseta e calça moletom. Quem vem de camiseta e calça moletom para um show?


— Não é uma boa ideia.

— Tenho um par de tênis na mochila — Tali contrapôs, vendo os pés dela já bem cansados naqueles saltos — Quem vem de saltos para um show de rock?

— Eu estava trabalhando!

— E você não gostaria de tirar esses saltos e colocar um tênis confortável, com uma meia bem limpinha, novinha, feita de algodão peruano, bem macio...?


Selene terminou de comer o seu pedaço de pizza e puxou Tali para uma mesa bistrô que havia acabado de vagar.


— Sua namorada foi para o Peru outra vez?

— Sim, mas ela não é minha namorada, só me trouxe meias — Pegou um pedaço de pizza agora que estava com as mãos livres.

— Então, você está... solteira? — Selene deu outra olhadinha para ela. Tali tinha olhos bonitos, amendoados, profundos.

— Solteira? Estou mais pra amaldiçoada ou algo assim. Eu nem tento mais; simplesmente não existe relacionamento que dê certo se estou envolvida! — Respondeu, sorrindo — E você, continua não querendo relacionamentos?

— Eu trabalho muito.

— Ah, isso eu ouço sempre. Aparentemente, ninguém trabalha mais do que você.

— Tali, se for pra você ficar me provocando, a gente termina de comer e eu assisto ao meu show de boa sozinha!

— Mas não é uma provocação, é uma constatação! Você trabalha demais, todo mundo diz isso. Hum, me deixe segurar a sua mochila.

— Agora está sendo gentil?

— Sim, esses saltos são bem altos — Tali pegou a mochila dela e colocou no ombro — E você me pagou pizza. Eu não sabia que você ainda curtia Linkin Park.

— Gosto muito deles. Não lembrava que você também gostava.

— A gente se encontrou naquele outro show também, não foi?

— O de 2017. Mas a gente só se viu, na verdade.


Tali lembrava, havia sido só isso mesmo. Tinham se visto, mas não tinham se aproximado. Conversado? Muito menos. As coisas eram ainda mais frias naquela época. Bem, agora andavam um pouquinho diferentes. Apesar de fazer quase um ano que não se viam, não trocaram animosidades naquele momento. Ficaram conversando e, de alguma forma, de repente, a pizza de oito pedaços havia desaparecido.


— E nem estava tão boa! — Selene disse, limpando os dedos.

— Nem estava! Bem, a gente pode ir? Acho que a banda que abrirá o show vai subir no palco daqui a cinco minutos.


Selene cruzou os olhos dela.


— Sem implicar comigo?

— Sem implicar, vamos.


Selene achava que tinha ido seduzida pela promessa de um tênis confortável e de uma meia limpinha, de algodão peruano. Foi com ela, subiram as escadas e Tali apontou onde estavam suas amigas. Era um grupo grande, não surpreendia Selene nem um pouco. Ela vivia cercada de pessoas, sempre havia sido assim, a garota mais popular possível. E assim que voltaram para dentro do estádio, Tali segurou a sua mão.


Inesperadamente, apenas pegou a sua mão.


— É por aqui — Ela naturalmente disse, apontando um caminho, passando por uma enorme fileira, fazendo todo mundo se levantar enquanto ela agradecia e se desculpava — Pronto, é aqui — Daí, Tali falou com as dez pessoas que estavam com ela — Gente, essa aqui é a Selene, ela vai assistir ao show com a gente! — Gritou e, aparentemente, foi entendida — Senta aqui, vou pegar os tênis que te falei.


Localizou a mochila sob uma das cadeiras, tirou um par de tênis lá de dentro, e Selene... sorriu.


— Por que tem o meu nome? — Era um tênis lindo, branco, e com um nome nele: Selene Speedcat. Tinha uma logo também, a silhueta de uma mulher atleticamente agachada, com uma flecha engatada em um arco, mas o arco era uma lua crescente, minimalista e bonita.

— Não é o seu nome, é o nome da nonna.

— Mas é o meu nome também!

— Eu sei, garota, mas ENFIM — Tali respondeu, ainda abaixada — Quer ajuda para tirar? — Perguntou, porque Selene estava lutando com aqueles saltos, tentando tirar sem mostrar nada com a fenda da sua saia escocesa.

— É... — As mãos dela já estavam em seus pés, sem cerimônias — Ok.


Tali a ajudou a tirar os saltos, os sapatos eram em micro-malha e cobriam o dorso dos pés até o alto do calcanhar. Então, a ajudou com as meias e com os tênis também. Inesperado, ela não estar... infernizando a sua vida como sempre. Também não eram mais garotas, eram duas mulheres que fariam 31 anos em breve, aquela fase devia ter ficado para trás.


— Espera, você vai se sentar onde? — Selene perguntou, porque os lugares estavam todos ocupados.

— A gente reveza qualquer coisa, mas acho que vou ficar de pé o tempo todo! — Ela parecia empolgada para o show.

— Você tem certeza? Achei que tivessem mais assentos e...

— Não se preocupe, pode ficar sentadinha aí, não tem problema.


Tali estava suave mesmo. Mas daí, Selene se deu conta de algo:


— Ah, não acredito!

— O que foi?

— Não fui ao banheiro. Acha que posso ir lá e...?

— Voltar pra cá. Guardo o nosso lugar.


Gentil. Quem era aquela criatura gentil e por que ela estava no corpo de Tali Fachioni?


— Então, é... eu vou lá.


Selene se levantou, saiu pedindo desculpas e licença, nessa ordem específica, e quando Tali olhou pra trás, tinha dez garotas a olhando de boca aberta e olhos brilhantes de emojis.


— Tali, como você vai lá comprar uma pizza e volta com uma gata dessas, garota...?!


Tali riu, guardando os saltos dela em sua mochila.


— Ela é minha prima.

— ELA É O QUÊ?!

— Minha prima. Nossos pais são irmãos. Eu a encontrei enquanto tentava comprar a pizza. Ela é bonita, não é?

— Bonita é reduzido, resumido e injusto com essa mulher, pelo amor de Deus...! Selene não é nome de deusa? Por isso, você escolheu para a sua marca, não é?

— É a deusa da lua da mitologia grega. E é o nome da nossa nonna. Era para ser o meu nome, sabia? Mas nossos pais competem por tudo, inclusive, competiram sobre quem daria a primeira neta mulher para a nossa nonna. E a Selene me venceu, nasceu quatro horas antes.

— MENTIRA!

— Isso aconteceu — Seguia sorrindo — Tali também é uma deusa, tá? Quero dizer, é uma musa. Nunca entendi por que fiquei com um nome de musa e ela de deusa. ENFIM, meu pai não é muito inteligente, deve ter confundido a hierarquia do Olimpo e eu fiquei com o nome de musa.

— E vocês são próximas?


Tali pensou um pouco.


— Na verdade, a gente só se vê uma vez ao ano, desde que me lembro. Nossos pais são rivais mesmo, as empresas são rivais uma da outra, então... é isso. A gente só se encontra no Natal.

— Lá no hotel-castelo que vocês têm.

— Isso, lá mesmo.

— Ela é... um evento, né?


Tali riu, não podia negar que era. Daí, sua melhor amiga chegou atrasada.


— Ei, achei que você não vinha mais! — Tali a abraçou com carinho.

— Quase não consegui Uber para chegar aqui.


Bem, quando a banda que abriria o show pisou no palco, Selene apareceu de volta, agora com sorvetes para elas duas, se desculpando porque não tinha como trazer para todo mundo. Aquelas garotas gays todas responderam quase que em coro: “tudo bem”, com os olhinhos brilhando. E daí, ela encontrou Manu com os olhos:


— Oi, Manu — Disse, bem econômica em simpatia com ela.

— Oi, Selene. Você está bem? — Manu ofereceu seu melhor sorriso e deixou um beijo no rosto dela, e Tali ficou meio tensa. Selene detestava beijos no rosto, nunca cumprimentava ninguém assim. Porém, ela acabou reagindo bem.

— Tudo bem.

— Eu não sabia que você ia assistir com a gente.

— É... eu também não sabia.


Bem, a banda de abertura quebrou todo e qualquer gelo e esquentou todo mundo. E era a coisa mais inesperada da vida que aquela garota, vestida como uma princesa moderna, vibrasse tanto com aquele rock gritado e cheio de pancadas! Tali achava aquele sorriso uma obra de arte. A pele de sua prima era absurdamente macia; dava para sentir cada vez que se encostavam, o que não era exatamente difícil de acontecer. O lugar era apertado, estava cheio, a vibe incrível, e o show principal não tinha sequer iniciado.


Como Tali podia imaginar que, do nada, encontraria Selene assim?


A banda de abertura se despediu depois de umas oito músicas e pronto, agora estava muito quente mesmo. Selene se sentou de volta e Tali comprou dois refrigerantes para elas, da arquibancada mesmo, onde seu cartão funcionava. E comprou pipoca também.


— Sprite, você gosta, não é?

— Gosto. Senta aqui — Selene disse de repente.

— Você diz...?

— Aqui no meu colo, vamos dividir.


Ela não teve que pedir duas vezes. Tali se sentou no colo dela.


— Se ficar desconfortável, me fala.

— Você é pequena.

— Ah, você também é!

— Mas eu tenho — Selene fechou a mão e curvou o antebraço, mostrando um bíceps torneado que ninguém sabia que estava ali — isso.

— Como você tem isso?!


Selene riu, tomando do seu refri. Ela parecia ter relaxado, estava feliz, a noite estava linda, assistiriam à sua banda preferida em breve.


— Pilates.

— Mentira que pilates faz isso!

— E tênis.

— Você ainda joga tênis?

— Sempre que possível.


Levou mais uns dez minutos, enquanto Tali ficou confortavelmente no colo dela. Então, as luzes se apagaram, e a banda preferida delas pisou naquele palco.


E foi uma explosão, uma sensação única estarem diante daquela banda outra vez, ouvindo músicas que já deviam ter escutado umas dez mil vezes cada, mas agora numa voz nova, uma voz feminina. Como Tali não estaria ali? Surpresa era ter Selene ali. Hum... Selene era mesmo um mistério, muito fechada, mantinha a vida trancada a sete chaves. Ela não tinha muitos amigos e era reservada até com a família mais próxima. Nem os irmãos sabiam responder muito sobre ela; sempre que Tali perguntava a alguém sobre a prima, recebia a mesma resposta: "Ah, ela está trabalhando. Você sabe como a Selene é." Mas a grande verdade é que ninguém sabia como Selene era; porque ela simplesmente não se mostrava para ninguém.


Será que era por isso que a perturbava tanto nos poucos momentos que tinham juntas?


Bem, parou de pensar lá pela terceira música, e as duas apenas entraram em estado de transe com aquele show.


Cantaram todas as músicas a plenos pulmões, saltando, pulando, sentindo toda a energia que vinha do palco e contagiava o público. Era muita coisa passando por dentro delas ao mesmo tempo, e era muito claro que todo mundo que estava ali naquele show tinha uma ligação especial com aquela banda. Se olharam de perto diversas vezes, a cada música que... uma sabia que a outra gostava, e essas informações elas tinham. Por que se contavam? Não, porque já haviam presenciado a outra escutando.


A nonna delas era italiana, bem italiana, e nas festas de final de ano as músicas italianas reinavam. O jazz reinava. A família inteira adorava, e elas também gostavam. Mas, quando dividiam um quarto — coisa que aconteceu algumas vezes —, era Linkin Park e bandas do tipo que escutavam. E, quando tocou Castle of Glass, Tali não tinha ideia exatamente de como havia acontecido, só que, quando se deu conta, Selene recostou em seu corpo, de costas para si. Sem nem a própria Tali ter qualquer ideia do motivo, de repente, suas mãos ancoraram na cintura dela, praticamente sozinhas.


Esperou que Selene se incomodasse, mas o que aconteceu, na verdade, foi ficarem mais e mais próximas pelas outras músicas que vieram depois. Agora, sem contato visual. Selene continuou na sua frente, recostada em seu corpo. E, mesmo quando as mãos de Tali não estavam nela, continuavam muito perto uma da outra. Era bom. Ela era cheirosa, macia, parecia estar segura perto do seu corpo. E devia ser isso mesmo: Selene nunca gostou de estranhos a tocando, e, de uma maneira ou de outra, elas não eram estranhas. Devia ser isso.


— Você já ouviu essa música? — Ela perguntou de repente.

— Essa ainda não. É do álbum novo?

— Isso. Se chama Over Each Other. Eu gostei muito dessa.


Era uma música que falava sobre conversas inexistentes, já que as duas pessoas em questão apenas falavam sem parar, uma por cima da outra, de um jeito que era impossível entender qualquer coisa, porque simplesmente não se escutava ninguém. Hum, já haviam tido muitas brigas assim. Brigas infantis, mas brigas.


Bem, dessa música pra frente, elas se separaram porque veio uma sequência intensa de músicas que não permitiam que ninguém ficasse parado, muito menos deixasse de cantar junto, de forma nenhuma. Numb, In the End, Faint — músicas que elas já tinham ouvido cem mil vezes. E elas cantaram muito, a ponto de doer a garganta; dançaram até os pés doerem; ficaram suadas, a ponto de precisarem de água. Mais refri. Nenhuma delas bebia tanto refrigerante assim, apenas em ocasiões especiais. Sentaram-se entre um encore e outro, dividindo a cadeira ou o colo uma da outra. E, se Selene achava que alguém estava no corpo de Tali, Tali tinha certeza de que era isso que estava acontecendo com Selene.


Não, nunca estiveram tão perto uma da outra assim.


O show encerrou com uma sequência alucinante de músicas cheias de pancadaria e, então, um momento lindo aconteceu: fogos de artifício. Brilhando pelo céu, de todas as cores, de vários formatos, em rajadas diferentes. E Selene voltou a se recostar no corpo de Tali; os braços de Tali voltaram a rodeá-la. Fogos lindos. Iluminando o céu, encerrando uma noite quente e inesquecível.


— Amo fogos de artifício — Selene disse, virando-se nos braços dela, buscando o rosto de Tali e encontrando aqueles olhos bonitos.

— Estão brilhando nos seus olhos.

— Os fogos...?


Ou o brilho dos olhos dela é que estava fazendo os fogos brilharem.

Vinte minutos depois.


Selene estava recostada em uma das paredes de onde ficavam os quiosques, enquanto Tali brigava para ter o dinheiro delas de volta. Não sabia muito bem como estava se sentindo. Seu coração estava disparado, seu rosto quente; devia estar meio corada. Ficara muito quente de repente. Devia ser pela emoção do show ou pelo aperta-aperta da saída.


Tali seguia brigando. Pelo amor de Deus! Sua prima estava passando fome ou alguma coisa assim? Hum... elas eram econômicas desde pequenas; Selene havia preferido ir lá dentro e perder seu lugar a ter que comprar mais um cartão inútil. Não podia julgá-la.


Pronto, Tali voltou, com água.


— Aqui, bebe um pouco. Está se sentindo melhor?

— Sim. É... acho que foi o calor.

— Deve ter sido. Onde está o seu carro?

— Eu... vim de Uber.

— Você segue com medo de dirigir ou...?

— Sim, essa cidade é muito maluca!

— Ok! — Selene sempre recebia suas questões como um ataque, em vez de serem apenas observações — Bebe a sua água, vamos. Eu te levo em casa.

— Tali, não precisa!

— Você nunca vai conseguir pegar um Uber rapidamente aqui. E, depois, vai ficar presa num trânsito infinito. Está tudo parado nas redondezas.

— E seu carro está onde?

— No shopping aqui ao lado. É bem mais tranquilo.

— É... você vai levar algumas das meninas?

— Sim, mas tem um lugar vago. Eu levo você.


Caminharam para o shopping, e Selene foi estranhamente calada o tempo todo. Bem, aquela era a Selene esperada, na verdade: a que socializava pouco e se enfiava em sua concha na primeira oportunidade.


Ainda pararam para comer mais alguma coisa. Então, Tali foi deixando as garotas em casa, e Selene ficou por último.


— Você está morando onde? — Selene perguntou, depois de um silêncio bem longo.

— Na Vila Mariana. Me mudei faz pouco tempo. Você segue na Frei Caneca, não é?

— Isso. É... esse endereço — Terminou de digitar no celular dela, e o GPS foi atualizado na telinha do carro.


Mais silêncio. Aliás, até o endereço dela, Selene seguiu estranhamente calada, apenas olhando pra fora. Daí chegaram, mas ela ficou no carro por um tempo mais.


— Selene...?

— É... posso ter o seu número? Para saber se você vai chegar bem. Já está tarde, e esse carro é bem bonito.

— Você gostou? Peguei ontem.

— Ontem? Está novo assim?

— Sim, é um BYD Seal. É elétrico.

— É bem bonito mesmo. E bom para o planeta. É... pode me dar o seu número?


Trocaram celulares, e Tali queria encostar nela, só um pouco mais, mas não parecia... mais possível. Então, Selene só agradeceu a carona e saiu do carro, agora bem rapidamente, antes mesmo de Tali poder lembrar a ela sobre os saltos em sua mochila.

Vinte dias depois.


Já era mais de meia-noite, e Selene não estava mais conseguindo se concentrar no notebook aberto à sua frente.


Puxou os óculos pra cima, coçou os olhos e tomou outro gole da taça de vinho. Pelas enormes janelas de vidro, a Frei Caneca se mostrava agitada naquele horário. São Paulo realmente nunca parava. Já era dezembro, e sua decoração de Natal estava montada: uma mini árvore de Natal, rodeada pela sua coleção de Funkos Pop natalinos. Tinha o Deadpool servindo um peru natalino, o Grinch, o Homem-Aranha natalino e até o Grogu de Natal. E pronto, toda a sua decoração parava aí. E sim, os gêmeos sertanejos estavam ligando sem parar. Decidiu atender de vez no exato momento em que sua melhor amiga passou pela porta.


Não, não moravam juntas. Jules morava em Londres, mas costumava passar os fins de ano no Brasil, onde tinha amigos e família.


— Marcelo, não há outra saída! Vocês assinaram um contrato muito fechado, um contrato que não vamos quebrar. Temos um nome no mercado a zelar.

— E você sugere o quê?! O material não é bom. A produção disse que não é.

— Não é mesmo. Vamos pagar o contrato e não utilizaremos o material.

— Mas isso vai ser um prejuízo!


Selene fechou os olhos, massageando a própria têmpora.


— Sim, vai ser um prejuízo.

— O nosso pai vai querer matar a gente!

— Matar vocês dois, não eu. Marcelo, só... não façam mais isso, esse tipo de decisão sem análise.

— Você que não quer resolver! Daí, fica bem com o nosso pai e a gente não!

— Ah, você me poupe! Você...! — Se conteve, respirou fundo — Boa noite, Marcelo! — Apenas desligou. Ainda o ouviu contestar, mas só desligou.

— Ei, você já comeu? — Jules perguntou, deixando algumas sacolas sobre o sofá.

— Eu... talvez eu tenha esquecido.

— Vou fazer um macarrão pra gente. Encerra aí, vamos. Seus olhos estão vermelhos.


Decidiu encerrar. E, enquanto sua amiga estava na cozinha fazendo o macarrão, acabou chorando um pouquinho, mas nem era por nada. Era por ódio mesmo. E era para chorar discretamente, mas acabou...


Correndo pra janela e gritando de puro ódio e raiva reprimida.


— SELENE!

— É só um absurdo! Um absurdo que eu tenha que seguir ordens desses dois idiotas e de um terceiro idiota que é o meu pai! Jules, se essa empresa estivesse sob a minha direção, não estaríamos discutindo como desfazer um contrato idiota desses. Estaríamos discutindo como exportar para a Europa! Está tudo pronto, fiz um estudo extenso, in loco. A gente pode expandir, mas não expande porque EU NÃO TENHO PODERES!

— Você quer se acalmar só um pouquinho?

— Se essa empresa funcionasse como qualquer empresa de respeito, essas decisões seriam por meritocracia, não por uma regra idiota de casamento!

— Ok! Só fica calma um pouquinho e me explica — A cozinha era integrada; Jules podia vê-la de lá — A regra é só essa mesmo?

— Como assim se é só essa mesmo?

— Se você aparecer casada, se torna CEO automaticamente?

— Sim, é... é só isso mesmo.

— Se eu não fosse casada, a gente podia se casar e você seria CEO mesmo assim?


Selene pensou mais um pouco.


— Sim, é simples assim.

— Então, bastaria encontrar alguém disponível para um acordo assim, e este problema estaria resolvido, não?


O macarrão ficou pronto: um espaguete com ragu, que ficou ótimo com o seu vinho. Conversaram sobre outras coisas durante o jantar, mas Selene não estava exatamente ouvindo mais. Estava... pensando no que Jules havia dito. E presa em outro pensamento que não a deixava, fazia uns vinte dias. Hum, alguém disponível para um acordo, não para um casamento de verdade. Tomou banho pensando nisso, se trocou, foi pra cama e ainda estava pensando nisso. Daí, tirou seu celular do carregador, e uma mensagem brilhou na tela:


"Quando você vai pegar de volta os seus sapatinhos de cristal, Cinderela? Os meus tênis são baratos, mas esses seus saltos parecem caros pra caramba."


Ela tinha mesmo razão. Seu sapato era um Casadei, uma marca italiana, e não havia custado nada barato. Era de couro, com zíper nos calcanhares e micro malha, strass pelas diversas tiras, salto stiletto. Lindo e caro. Enfim, queria de volta. E sim, a mensagem era de Tali. Sim, elas estavam se falando regularmente desde aquela noite. Selene enviou mensagem depois que sua prima a deixou em casa, checando se ela já havia chegado, e, desde então, não pararam mais de se falar. Não, as relações familiares eram quase inexistentes mesmo; nem celular uma da outra elas tinham antes. O contato era muito reduzido, mas, de alguma maneira, conversar com Tali estava sendo... inesperadamente bom.


E ela estava sugerindo que se encontrassem para destrocar os sapatos desde então, mas Selene andava dando desculpas. Não tinha certeza se deviam se encontrar. O motivo? Que ninguém perguntasse. Então que...


"Quer sair pra jantar amanhã?".


Enviou e ela levou séculos digitando uma mensagem. Digitava, digitava, e não chegava nada. E, por fim, depois de uma eternidade:


"Onde eu te pego?"


MAS NUNCA QUE ERA SÓ ISSO QUE ELA TINHA ESCRITO. Mas ok, pensou sobre o que ela estava perguntando, e ser vista com Tali podia ser... complexo. Porém, por outro lado, ser vista com ela também seria algo necessário se, caso o que estivesse pensando, desse certo.


"Na Olympia. Você pode me buscar lá?"


Outra eternidade digitando e apagando.


"Claro, basta me dizer a hora."


Selene apertou os lábios. Será que estava fazendo a coisa certa mesmo?


"Às dezenove. Fica bom para você?"


E desta vez, não levou tempo nenhum.


"Ok, te busco lá."


Bem, a flecha atirada nunca volta ao arco, e, no medo, Selene sempre atirava o mais rápido possível, de olhos fechados, sem tempo de duvidar de si mesma. Suas maiores decisões sempre haviam sido tomadas assim; não seria diferente agora.


Podia ser uma ideia desastrosa ou... um ótimo negócio para elas duas. Era isso: flecha atirada. Agora, bastava descobrir se ela atingiria o alvo ou não.

Notas da Autora: Tessa Reis


Olá, assinantes! Como estamos?


Hoje trouxemos para vocês o nosso primeiro capítulo de “O Contrato” em First Look! Essa será a nossa história de Natal.


Adoro quando uma história surge assim: começa com uma proposta pequena e, de repente, durante a escrita, se transforma.


Curtiram este primeiro capítulo?


Espero que tenham se divertido com essas duas! E se curtiu, O Contrato está disponível na Amazon.


Para ter acesso, CLIQUE AQUI!


Beijos,

Tessa.

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5 comentários


Márcia
Márcia
27 de dez. de 2024

Ansiosa! 😍

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Adriana Evangelista
Adriana Evangelista
26 de dez. de 2024

Essas lindas já "chegaram, chegando!".... ☺️

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Helena Marques
Helena Marques
26 de dez. de 2024

Amei! E amei ainda mais saber que vem esse ano ainda. Ansiosa

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Lúcia Helena
24 de dez. de 2024

Uau. Que casal!!!

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Jéssica Caroline
Jéssica Caroline
21 de dez. de 2024

Amei essas duas!! Ansiosa pela história completa

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