Joanesburgo, África do Sul


01 de Setembro de 2017, Joanesburgo, África do Sul

Foi um voo muito diferente de todos os outros. Eu geralmente me sinto muito mal dentro de aviões, meu coração sempre disparada, eu fico ansiosa e as horas não parecem passar. Então quando eu olhei para aquelas doze horas inteiras que separavam São Paulo de Joanesburgo, tive certeza que seria uma longa noite. Mas não foi. Assim que o avião subiu eu senti uma enorme tranquilidade, foi um voo muito calmo, sem uma turbulência que fosse, jantei, li um pouco, consegui dormir e quando acordei, já estava praticamente chegando.

Então, chegar. Que coisa maravilhosa chegar na África do Sul!

É um país amarelo vetorizado. Amarelo-escuro. Amarelo-seco. Amarelo-queimado. O primeiro tom de amarelo que me chamou a atenção foi o da arquitetura, bem pensada, bem combinada, casas, prédios e ruas conversam entre si, contam de sua história recente, um país jovem, sobrevivente de umas das mais dolorosas e vergonhosas manchas da história, a guerra do Apartheid. Então tudo é muito recente e muito bem planejado, os sul-africanos tiveram que construir um país para ontem e a verdade que eu trago comigo desde quando voltei, é, que eles construíram o melhor país que podiam. O amarelo-seco é do deserto, a imensidão do Kalahari, toda a sua imposição natural e então, quando o avião começou a descer de fato, o poder da Savana.

Poucas coisas são tão bonitas quanto a savana vista de cima.

Eu ouvi alguém dizer que todo sul-africano se sente mais em casa na Savana, e é fácil entender o porquê.

Vamos falar um pouco da Savana. É o principal bioma encontrado na África do Sul e por algum motivo na minha mente crescida no bioma de floresta tropical, eu sempre achei que aquele amarelo-queimado, era a cor natural das belíssimas savanas africanas. É claro que não é. A Savana nasce tão verde quanto a minha Floresta Amazônica, mas o clima hostil formado pela escassez de água no solo, poucos nutrientes e altíssimas temperaturas, drena toda a vida. É tão seco que o verde drena, é tão quente que a planta esturrica. Mas ainda assim, sobrevive. A Savana é o espírito africano. Eu me apaixonei em dois segundos.

Aterrissamos naquele país amarelo. Saímos de São Paulo às 17:00h, chegamos a Joanesburgo às 06:00h, some mais 6 horas de voo de Macapá até São Paulo, mais 5 de fuso horário e eu cheguei na África deslumbrada com aquela descida majestosa e meio sem saber se estava no mundo. Mas ok, eram 06:00h e a gente não podia desperdiçar o dia.

Prioridades:

  • Passar pela imigração: foi muito rápido e muito tranquilo;

  • Sacar algum dinheiro: Há ATM’s (caixas eletrônicos) pelo aeroporto, sacamos alguns rands e fomos em frente;

  • Conseguir internet: compramos um chip na Vodacom, foi mais simples que sacar dinheiro;

  • Pegar nosso carro: alugamos um carro, muito mais barato que o que costumamos alugar no Brasil. Também não foi complicado.

Ah, a mão inglesa. Na África do Sul se dirige na mão inglesa, mas ok, nós iriamos sobreviver.

Pegamos malas, dinheiro, internet, carro e expectativas e caímos na estrada em Joanesburgo. E foi uma grata surpresa, saímos do aeroporto em uma rodovia larga, de três pistas muito bem pavimentada, as placas são intuitivas e os carros, eu nunca vi tantos carros de grandes marcas circulando ao mesmo tempo, foi outra grata surpresa. Nos entendemos na pista, na mão inglesa, no GPS e nossa primeira parada foi no centre de Joanesburgo, em um shopping de arquitetura moderna que guarda em segredo, o topo do África.

Top of Africa.

Um segredo muito bem guardado. Tinham nos falado da vista, que dava para ver Joanesburgo por completa, dava, mas devemos ter dado umas três voltas dentro do shopping até encontrar um tímido corredor que nos prometeu levar até lá. Não fez mal, nem as voltas mais onde pudemos ouvir um pouco mais daquele sotaque cantado tão bonito, onde deu para ver mais cores daquela gente gentil e o tal corredor difícil de achar, no final das contas, de fato, acabou nos levando para o topo da África.

Foi um privilégio ver aquela metrópole de cima. Poder ver seus prédios imponentes, suas ruas bem desenhadas, a sensação de imensidão que apenas uma cidade tão viva e gigantesca pode nos proporcionar. Fiquei um tempo apenas olhando. Tão alto que causava uma ansiedade em olhar pra baixo, tão grande e tantas histórias deve guardar? Um prédio inteiro pintado com a bandeira sul-africana me lembrou de onde eu estava. Eu estava cansada. Pelas horas de voo, pelo sono de poltrona, mas eu queria ir em frente e provar mais.

Falando em provar, nossa primeira refeição aconteceu neste mesmo shopping, provamos o prato mais tradicional da África do Sul, o Fish and Chips, peixe empanado com fritas, uma herança da colonização britânica e só esta primeira amostra feita num restaurante de shopping já me deixou feliz com o prato. Os molhos, os temperos, os sabores, ok, eu iria me alimentar bem naquele país.

Saímos do topo da África e as horas confusas nos cobraram um preço. Aliás, fuso horário deve vir daí, de horas confusas em que seu corpo se pergunta que coisa está acontecendo. Lembro que andamos um pouco mais pela cidade mas o sono começou a pesar bastante. Paramos num Mac Donald’s, descobrirmos uma casquinha maravilhosa de baunilha por 2 rands! Tipo, 2 rands! É menos que 0,50 centavos, também foi paixão à primeira vista. Então, o sono. Simplesmente não dava mais para ficarmos acordadas. E umas das inúmeras vantagens de ter a Ana comigo é que não importa o quão absurda pareça a ideia, a gente normalmente pensa e sente as mesmas coisas. Tivemos uma ideia absurda em conjunto.

Ficamos no estacionamento do Mac Donald’s, fechamos os vidros, colocamos o celular para despertar para meia-hora e dormimos. Um dos melhores sonos da minha vida, ouvimos o celular despertando, apertamos soneca, um, duas, talvez três vezes e acordar depois daquele sono foi uma das melhores sensações. Eu era outra pessoa.

E estava pronta para os leões!

Dirigimos para o Lion Park! Outra rodovia maravilhosa, uma sensação doce, a arquitetura de Joanesburgo é de encher os olhos, mas quando deixamos o centro para trás e começamos a enxergar a Savana...

Sim, a Savana e o sol à pino da África! Eu costumo dizer que o céu é mais azul na Argentina, agora eu também vou costumar a dizer que o sol é mais perto da Terra na África, não é exagero, as fotos não me deixam mentir! Ver a Savana de perto pela primeira vez foi um presente, o Lion Park (que ganhou uma fama extra pelo acidente envolvendo a produtora de Game of Thrones). É um parque bonito, organizado, onde se pode alimentar uma girafa e sentir o gosto de um safari com os leões. É um lugar comprometido com o bem-estar dos animais, que possui zebras, antílopes e até crocodilos do Nilo! Foi um final de tarde muito agradável, onde pudemos ver leões de perto pela primeira vez, admirar a sua dinâmica e ver aquele sol magnifico se deitar sobre a savana.

Meu primeiro pôr-do-sol na África me fez entender o motivo daquele pedaço de terra ser o berço da humanidade.

O sol dormiu e eu pude visualizar um novo tom de amarelo naquele país: o amarelo-alaranjado, com tons de filtro de Instagram.

Voltamos para o nosso carro, com um pequena amostra do que nos esperava pela frente. A resistência da savana, a beleza do sol, um pouco das artes que vimos na saída, se sai por dentro de uma galeria. Tudo vibrava. As cores, os animais, a ansiedade do que mais teríamos pela frente. Pegamos o caminho de volta, mais estradas bonitas, mais sono irresistível, eu não queria deixar a Ana acordada sozinha, mas acho que deixei por alguns instantes. Voltamos para o centro, as luzes da noite deixando a arquitetura ainda mais bonita, eu não conseguia não olhar para os prédios, para o movimento, para o luxo simples e o nosso hotel não deixou por menos.

Chegamos ao Signature Hotel, uma parede brilhante nos recepcionou, pessoas sorridentes também, tinha chá, café, chocolate quente e biscoitos, foi uma doce recepção. Subimos para o nosso quarto, simples, elegante, cama deliciosa…

Dormi às oito da noite como se fosse três da manhã.

Dormi absolutamente sul-americana e acordei sentindo as raízes da África vibrando dentro de mim.

Infográfico de Lugares:

Aeroporto Internacional Oliver Tambo - 1 Jones Rd, Kempton Park, Joanesburgo, 1632, África do Sul;

Vodacom - Aeroporto Internacional Oliver Tambo;

Top of Africa - Carlton Centre - 150 Commissioner St, CBD, Joanesburgo, 2001;

Lion Park - R512 Pelindaba Rd, Hartbeespoort, Broederstroom, 0240;

Signature Lux Hotel Sandton, 135 West St, Sandown, Joanesburgo, 2146.

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