6 AM - Capítulo 24 - Juls


Ívi chegou em casa pouco antes das duas e Julia já estava acordada, tinha feito o almoço e esperava que alguém aparecesse porque detestava comer sozinha.

— Pronto, todos os seus problemas acabaram porque eu já cheguei e estou morrendo de fome — Passou sorrindo direto para lavar as mãos e ir para a mesa.

— Para variar, é claro. Ívi, a Natalia ligou e adivinha? Temos outra boate para fazer hoje!

— Sério? — Veio beijá-la e sentar com ela na mesa.

— Sério, ela pediu para eu publicar nas minhas redes sociais porque, segundo ela, o sinal de que as coisas estão dando certo com a gente será quando as pessoas começarem a ir nos lugares por causa da gente e não só curtir a nossa música porque estavam em tal lugar e aparecemos para tocar, vamos ver. Como é que você nem parece cansada? Eu juro que não entendo, era para você estar exausta!

Ívi abriu um sorriso.

— Nada, está tudo bem, dava para trabalhar mais quatro horas antes de dormir de boa! Julia, hum, que negócio é esse? — Já estava atacando seu prato.

Ropa vieja, arroz congrís, comida cubana, não tinha ninguém em casa, então deu tempo de fazer um ensopado. Ívi, o dueto, a gente vai fazer hoje, tá? — Ívi tinha enrolado, enrolado e escapado do tal dueto durante o show, mas Julia não ia desistir.

Juls, você faz isso tão melhor do que eu...

— Eu sei, você devia se sentir honrada por poder cantar comigo — Disse, toda cheia de si, fazendo Ívi rir — Ei, está usando o pingente da Laura?

— Eu não encontrei o meu de manhã...

— Porque está com ela, ela já estava saindo e voltou para o quarto, tirou ele do seu pescoço e foi embora.

— Estava no meu pescoço?

— Estava, ela tirou, te deu um beijo e você sequer se mexeu. Outra coisa, ela tentou te acordar, alguém já te falou dessa cena?

— Não falou não.

— Ela tentou te acordar, falar com você, mas você só balbuciou algumas coisas e voltou a dormir, parecia que você sei lá, estava em outro planeta, eu cheguei a perguntar se ela dopou você, veja bem, se a minha Laura tinha te dopado…

Ívi estava rindo.

— Eu pego no sono muito pesado quando estou cansada e relaxo, eu estava muito cansada, Julia e fiquei muito relaxada com a nossa noite, daí acabei dormindo desse jeito. É provável que eu durma igual agora quando for pra cama.

— Ela tentou muito te acordar, daí como não conseguiu, voltou e pegou o colar do seu pescoço. Eu só não sabia que ela tinha deixado o dela. Este colar era da avó dela, que era galega, muito agarrada às suas raízes celtas, eu nunca vi a Laura tirar esse colar para nada. Ah, eu vi uma vez, no nosso resgate, tiraram o colar do pescoço dela no hospital e ela acordou toda apavorada, achando que tinha explodido com o trem — Contou sorrindo, Julia parecia bem mais relaxada.

Ívi buscou a mão dela sobre a mesa.

— Vocês já se falaram?

— Ela me mandou uma mensagem e eu liguei para ela, achando que ela estava em algum lugar incrível com a Kelsey, mas nada. Surpreendentemente, ela estava andando pelo mercado de Notting Hill feliz da vida, me mostrando flores e presentes que você comprou para ela — Ela lhe contou sorrindo e fazendo Ívi sorrir também, porque ela falando assim parecia a coisa mais doce — Ívi, sinceramente, eu nem sei o que pensar de você.

— Ela estava tão culpada por ter ido quando não tem culpa, Julia, você e eu sabemos muito bem que ela precisava ir. Eu a levei para sair, nós ficamos, foi lindo, foi perfeito, mas você imagina? Imagina a Laura não aparecendo naquele aeroporto sabendo que a Kelsey comprou passagem, que deu um jeito de colocá-la no mesmo voo da delegação britânica, que estava esperando por ela, você imagina mesmo a Laura que você conhece fazendo isso? E fazendo isso depois de termos ficado, é o tipo de coisa que envenenaria a minha relação com ela para sempre, ela nunca iria se perdoar ou me perdoar, você sabe.

— Sei, ela não me perdoou até hoje por aquela manhã.

— O que aconteceu naquela manhã, Juls? — Perguntou enquanto colocava mais arroz congrís no seu prato, porque era uma delícia.

— Ah, Ívi... Depois que a gente fez amor, eu não conseguia mais dormir longe da Laura, eu fugia do meu quarto, ia para a cama dela, dava um jeito, mas isso estava causando muitos problemas com o meu pai. Ele vivia a ponto de agredir a Laura, ele não tinha certeza do que estava acontecendo, mas desconfiava, eu sabia disso, mas ainda assim... — Respirou fundo — Eu tinha dezesseis anos, eu era puro impulso. Ela me pediu para que a gente não ficasse mais dentro de casa e isto estava me deixando louca. E teve esse dia. Um dia da semana em que a polícia arquivou o caso da Claudia e o meu pai estava louco, a Laura destruída, a María dando problemas na escola e eu só conseguia pensar em ficar com a Laura.

— Você estava apaixonada.

— Eu sei. Eu só me perdoo por causa disso, porque tirando isso, só resta a minha imaturidade. Eu fui para o quarto da Laura no final da madrugada, ela me disse que não, que não era o momento, que o pai podia ouvir, mas fazia mais de uma semana que a gente nem se tocava e eu insisti, porque sabia que se insistisse, ela não ia conseguir resistir. Ela não resistiu. A gente fez amor, por insistência minha e foi tão bom que acabamos pegando no sono do jeito que estávamos. Ele entrou no quarto dela pela manhã e foi terrível. Um escândalo, uma gritaria, ele me agrediu, a agrediu, eu o agredi para defendê-la, daí virou algo muito maior. Eu fui parar na delegacia, para prestar queixa de agressão, foi outra confusão enorme e no final daquilo tudo ele me disse que desistia da denúncia de abuso de menor que ele já estava pronto a fazer contra a Laura, que já tinha dezoito anos, se eu retirasse a queixa de agressão. Eu só não sabia do resto. Que ele ia expulsá-la de casa com cem euros e uma passagem para o Rio de Janeiro. A María agarrou nas pernas dela e não queria dejarla salir — Os olhos dela encheram — La Mari nunca mais foi a mesma comigo, ela não me perdoava e nem sei se perdoa agora, ela com toda certeza preferia que a Laura tivesse ficado ao invés de mim. Enfim, dado a tudo o que a Laura já passou até aqui, se há alguém que não merece culpa, é ela. Nem deveríamos chamá-la de chá de hortelã, devíamos chamar de brigadeiro de colher que é uma delícia e todo mundo quer — Disse, sorrindo e fazendo Ívi sorrir.

— Devia mesmo.

— E você é um bolo de pote, aquele de prestígio que derrete na boca e a Laura adora, você não existe...

Ívi caiu no riso. Adoraria ser o bolo de pote de Laura, por motivos de... Era melhor nem citar.

— Eu só quero que ela fique bem, Juls, me sufoca pensar que ela pode estar triste e culpada.

— Mas e você? Está bem?

— Eu estou sim, de verdade, estava mal porque não tinha falado com ela ainda, mas depois que nos falamos, está tudo muito bem, olha esse sorriso — Mostrou sua lockscreen para Julia que caiu no riso — Está tudo ótimo!

— Você é tão namoradinha da Laura, a Karime tem toda razão...

Mais risos, porque Ívi sentia que era mesmo.

— Termina de comer e vai dormir, vai, que a gente tem um show para fazer hoje à noite.

Fez isso, terminou de almoçar, daí beijou Julia longamente no rosto, a abraçando, porque estava com muito orgulho dela mesmo. Ela tinha se colocado de pé, estava se reavaliando de verdade e tinha dado um primeiro passo importante: estava pesquisando sobre pedidos de asilo no Brasil. Talvez ela só precisasse de um tempo longe de Laura para começar a andar sozinha, talvez todas elas precisassem do mesmo. Havia uma dependência real de Laura naquele apartamento que não envolvia apenas Ívi e Julia, Laura era o catalisador que havia unido aquele grupo, ninguém provavelmente conheceria ninguém se não fosse por causa dela, ela era a pessoa para quem todo mundo ligava quando precisava, era para quem corriam quando precisavam conversar, era quem acabava tomando as decisões com as quais ninguém queria se preocupar. Era confortável tê-la. Não sabiam bem como seria ficar sem ela, mas à parte disso, a pior coisa que estava se passando a Ívi era imaginar que Laura tinha mesmo tomado uma decisão e que tal decisão lhe deixava fora da vida dela. Foi ótimo saber que não. E então foi ótimo ter certeza que nada estava definido mesmo.

Seu celular deu sinal, era ela, lhe mandando fotos, lhe contando qualquer coisa, estava anoitecendo em Londres e ela ainda estava sozinha. Por algum motivo pensou sobre aquela noite em que verdadeiramente percebeu Julia como vítima de Thai e Karime, e não queria o mesmo para Laura. Kelsey havia a levado para Londres e esperava mesmo que tivesse sido para ter um tempo com Laura, porque se tivesse sido apenas para afastá-la de Ívi...

Outra mensagem entrou no alto de sua tela.

Era Noah.

E a foto dela de perfil era... Uau. Como é que não tinha notado o quanto aquela menina era bonita? Coisas que Laura fazia em sua mente. Ela estava lhe mandando seu Instagram, pediu para Ívi seguir e assim ela podia segui-la de volta, tinha comentado que era DJ e ela queria conhecer um pouco mais do seu trabalho. A seguiu, olhou algumas fotos dela, ela curtia esporte, que inesperado, tinha fotos no Maracanã durante os jogos olímpicos, fotos no Maracanãzinho, no Estádio Olímpico, tinha feito a festa pelas Olimpíadas e não restava dúvida alguma de que era hétero. Tinha fotos apaixonadas com o namorado. Ok, saiu da internet, olhou para a foto de Laura em sua lockscreen. A entendia cada vez mais. Entendia o medo dos incêndios e o quanto que seu incêndio com Julia tinha destruído relações que ela tanto queria bem. María, Alejandro, até com a própria Julia.

Outra mensagem de Noah, Ívi deixou para responder depois, o sono enfim lhe pegou.

Dormiu até às oito da noite, quatro horas de sono, pronto, era suficiente. Olhou no celular, nenhuma mensagem de Laura, esperava que ela estivesse com Kelsey, que aquela inglesa não a deixasse sozinha mais uma noite. Levantou, tomou um banho, se trocou e quando chegou na sala, Julia estava cantando sozinha.

Sentada no chão, no meio da sala, com seu violão e tantos sentimentos que Ívi nem sabia. Não conhecia a música, só sabia que era bonita demais e que Julia estava a deixando mais emocional ainda cantando com tantos sentimentos. Era galego? Parecia galego, aquela língua tão bonita e tão fortemente expressiva, Ívi já estava conseguindo diferenciar os idiomas que elas falavam. Era galego sim e aquele sotaque era bonito demais.

Pouco a pouco vou deixando de esperar... E secando as miñas ganas de chorar... A luz tornouse a miña escuridade... — Ela cantava, no violão, de olhos fechados e sentidos demais, olhos de quem tinha chorado. Ívi olhou, as garotas estavam dormindo na mesma cama, Karime e Thai, e Julia parecia solitária como nunca — Un mar de dúbidas rompeu a miña dor... Foi batendo contra a miña voz... — Ela subiu o tom, tornando tudo mais doído e sentimental ainda, a sonoridade forte do R, dos dígrafos pelas palavras, o z que existia, mas desaparecia — Abrindo as portas do meu corazón... — Daí ela respirou fundo, parando a música, sua voz e o violão, para só então entrar no refrão, de olhos abertos e quase vermelhos de tão castanhos, ferventes, efervescentes — Benditas as feridas deste amor... Feridas que non curarán xamais... Bendito o meu tormento e tanta dor! Porque dela aprendín... Amor...

Ela cantou o refrão novamente, tão forte, tão bonito e terminou com uma longa respiração, como quem solta no ar todas as emoções. Os olhos doídos, o coração também. Ívi se aproximou, a abraçou pelas costas, a pegando de surpresa.

— Que coisa linda é essa que você estava cantando?

Ela abriu um sorriso.

— Estava aí há muito tempo?

— O suficiente para ficar arrepiada. É sua?

— É... De Rosa Cedrón — Ela respondeu quase constrangida, tentando se recuperar do seu próprio emocional.

— É galego?

— Galego.

Ívi se sentou na frente dela.

— Quantas vezes você ouviu essa música chorando pela Laura?

Ela abriu um sorriso.

— Na verdade, ela ouvia, trancada no quarto, quando nós perdemos a Claudia e quando... Perdíamos uma a outra — Ela ainda estava engasgada de emoção — Ela sempre ouve música quando está muito triste. E sempre come doces quando está muito feliz, sabe aquelas pessoas que comem brigadeiro quando estão tristes? A Laura é ao contrário, ela troca os doces pela música e ataca todo o açúcar quando está muito feliz.

Ívi abriu um sorriso luminoso. Julia sorriu também.

— Por que esse sorriso? Ela te levou para comer doce durante o encontro de vocês?

— Duas vezes.

— Só isso? Ela te leva para comer bolo de pote sempre que vocês estão juntas, Ívi, não é de ontem que você causa este efeito nela não — Ela lhe presenteou com outro sorriso — Eu pensei nisso naquela noite no restaurante em que ela te levou lá para fora para comer bolo de pote, ela estava bem com a Kelsey, eu sabia, mas estava feliz com você. A gente aprende a ler essas pequenas coisas sobre ela, sabe? Porque ela não é de falar, mas ela é tão coesa que se a gente prestar um pouquinho de atenção, consegue ver com clareza como ela é nesses detalhes. Ela é complexa, mas é tão dócil e bonita como ser humano que a gente se apaixona antes mesmo de compreender.

Ela estava sofrendo. Pegou a mão dela.

— Você sabe tanto sobre ela. E sabe sobre ela de uma maneira linda.

— Eu sei. E ela sabe muito sobre mim também. Por isso tudo é tão complicado — Respirou fundo, ainda sentimental.

— Você estava cantando outra coisa quando eu acordei.

— Eu estava?

— Outra coisa linda, que eu sei que não é de Rosa Cedrón porque já conheço o seu jeito de compor.

— Era esta aqui? — Começou a dedilhar a melodia doce que tinha acordado Ívi — El cielo estrellado y sólo me pregunto como puede ser tan hermosa... Me mira, me habla y tu suspirar me dejando nerviosa... Yo quiero escapar, huir, llevarte conmigo en secreto... Oye este secreto, eres la cosa más linda... Era esta aqui?

— Era esta mesmo! É sua?

El Secreto, é minha.

— Fez para quem?

— Por que tem que ser para alguém? — Ela retrucou sorrindo.

— É uma música de amor, tem que ser para alguém!

Ela lhe olhou sorrindo.

— Guarda segredo?

— É o nome da música, pode deixar que eu guardo sim.

— É para Thai — Ela confessou, quase ficando vermelha — Eu fiz na noite em que nos conhecemos, eu já te disse como é que foi?

Ívi abriu outro sorriso, a energia de Julia tinha mudado.

— Não disse não, conta pra mim como foi.

— Eu fui buscar a Laura num jogo de hóquei e tinha uma menina nova no time, que eu não conhecia. Eu fiquei lá, esperando o jogo terminar e não conseguia parar de olhar para ela, porque, né, não dá para parar de olhar, eu fiquei hipnotizada — Ela começou a contar e o rosto dela mudou completamente, Ívi tinha chegado e ela estava obscura, mas agora já estava clareando outra vez.

— E você nem tinha visto aqueles olhos ainda.

— Nem tinha visto os olhos de caramelo de stroopwafel e já estava toda perdida. O jogo acabou e eu fiquei no pé da Laura porque eu tinha que conhecer aquela menina de qualquer jeito, ela me disse que não a conhecia ainda, que ela era nova, tinha aparecido para treinar aquela noite, mas vendo o meu desespero, ela foi lá, falou com a Thai, se apresentou e você sabe como é a Laura, quietinha, educada, as meninas caem em cima dela como mosca no mel. Ela chamou a Thai para ir jantar com a gente e... Eu fiquei igual você com a Laura, meio sem saber onde pôr as mãos, ou o que dizer direito, ela é muito tímida, eu estava muito a fim dela, a gente não ficou, mas eu fiquei toda desnorteada, parecia que tinha desaprendido tudo.

Ívi conhecia bem aquele sentimento. Abriu um sorriso.

— Quando vocês ficaram pela primeira vez?

— Uns três meses depois, quando ela veio morar aqui. Nós duas demoramos demais, a gente ficava se vendo, saindo, indo no cinema, na praia, mas nunca acontecia nada, e eu tenho uma teoria.

— Ambas estavam com medo uma da outra.

— Eu não sei ela, mas eu sempre fiquei morrendo de medo de ser rejeitada — Confessou sorrindo.

Julia... — Ívi abriu um sorriso, que inacreditável — Você já tocou essa música para ela?

— Quê? Você é a primeira que ouve essa música, eu nunca toquei para ninguém.

— Menina... — Ívi abriu um sorriso ao alcançar seu celular que estava vibrando — Como é que você quer que ela tenha confiança se você não mostra nada para ela?

— Como é que eu tenho confiança mostrando toda a minha fragilidade? Não faz sentido. Ser frágil não é o que faz ela gostar de mim, Ívi.

— Pois pode ser o que vai fazer aquele stroopwafel ser apenas seu — Viu de quem era a mensagem e seu rosto mudou.

— O que foi? Não é a Laura, não é?

Ívi riu.

— Eu achei que era, mas não é não. É a menina do RH lá da empresa.

— Outro trabalho?

— Não, na verdade...

Julia pegou o celular da mão dela.

— Julia!

— Ívi... — Rolou as mensagens — Ela está dando em cima de você!

— É claro que não!

— É claro que sim, meu Deus, você está ficando muito pateta. É essa menina aqui da foto? Ívi, por favor!

— Quê? — Pegou seu celular de volta sorrindo.

— Chama ela para ir na boate hoje.

— Julia, ela é toda hétero, eu também estou estranhando essas mensagens, mas eu não acho que ela... — Leu de novo — Ok, convidar também não quer dizer nada, não é?

— Foi ela quem veio falar com você. Ívi, a Laura vai ficar um mês fora, são quatro semanas. A verdade é que ela vai ficar um mês com a namorada britânica e a gente vai ficar só aqui, foi você mesma que abriu meus olhos sobre isso. Vamos curtir a nossa dor, mas vamos em frente, todo bien?

Ívi apertou os lábios. Olhou o contato de Laura, visto por último há umas três horas atrás. Porque, é claro, ela deveria estar curtindo a namorada em Londres. Mudou de janela, escreveu para Noah. Levou dois minutos e ela respondeu positivamente, ia vê-la aquela noite, avisava quando estivesse lá.

Ficaram na sala, dando uma olhada no setlist, não o desta noite, sim no setlist do dia seguinte que tocariam em um barzinho em Botafogo, tinham dois shows completamente diferentes, um focado em Ívi, outro focado em Julia e ainda assim, ambos eram Haíz de igual maneira. Ívi pensou novamente, sentiu novamente, outra mensagem de Noah, enquanto ouvia Julia cantando em galego outra música, outra dor e então que Thai chegou e a dor mudava nela um tanto enorme.

Desanuviar sua cabeça um pouquinho não poderia lhe fazer mal.

Londres ficava cinco horas na frente. Seis da tarde no horário de verão do Rio de Janeiro, onze da noite em Londres e Laura estava completamente sozinha. Tinha voltado de seu passeio mágico perto das seis, tinha comido alguma coisa pelo caminho, conversou com Ívi até ela dormir e então, voltou para o apartamento. Esperou abrir a porta e encontrar Kelsey já que não conseguia a encontrar pelo celular. O visualizado por último só contava horas e mais horas, e Laura... Respirou muito fundo.

Tudo bem, tudo bem! Ela deveria voltar logo, Laura decidiu tomar um longo banho de banheira e preparar algo para elas jantarem, nunca tinha cozinhado para sua namorada, ela deveria chegar cansada e iria gostar do mimo. Fez um jantar completo, que pudesse ser esquentado, fez uma sobremesa brasileira, eram as melhores do mundo, tinha certeza e então, esperou. Assistiu um pouco de tevê, andou pelo apartamento, arrumou algumas coisas e...

Desistiu.

Desistiu de não sentir tristeza.

Foi para o quarto, fechou a porta, ficou sozinha no escuro, ligou uma caixa de som, plugou seu celular, sentou-se numa poltrona que ficava de frente para uma enorme janela de vidro que lhe deixava ver a noite crescendo lá embaixo. Ficou ouvindo suas músicas bem alto, uma playlist infinita de Laura Pausini, em que cada música, cada estrofe, cada palavra falava consigo de uma maneira diferente. E algo foi lhe tomando por dentro, bem devagar, uma música de cada vez e o peito de Laura começou a encher. Encher do amor que ainda sentia por Julia, de um amor que julgava ter maculado quando se envolveram, quando se apaixonaram, em algum momento ela aceitaria o que tinham se tornado? E então pensou em María e como seria encará-la sabendo que ela já entendia tudo o que tinha acontecido entre suas duas irmãs e então, subitamente, começou a pensar em Ívi e Kelsey, e na ausência dolorida que estava sentindo dentro do peito.

Foi quando começou a chorar muito. Respirando fundo, ouvindo a música, tentando controlar, se afundando cada vez mais na poltrona, os braços cruzados, os olhos buscando coisas aleatórias pelo quarto, flores selvagens, um bichinho de pelúcia, a joia que Kelsey tinha lhe dado no kit “namorada que espera”. Laura chorava, mas sem som, um choro calado, silencioso enquanto a dor lhe invadia por dentro tão forte que não sabia se podia lidar.

A dor tinha um motivo. A dor era uma dúvida. Laura queria tanto saber se doía a ausência de Kelsey ou a simples separação de Ívi. O que será que doía tanto? Agarrou o pingente na sua garganta e chorou mais porque sabia a resposta.

Dormiu em algum momento. E quando acordou...

E mi manchi, amore mio... — E Laura abriu um enorme sorriso, porque era Kelsey, ajoelhada na sua frente, segurando suas mãos e lhe cantando Laura Pausini, do jeitinho dela que não cantava nada — Così tanto che ogni giorno muoio anch'io... Ho bisogno di te, di averti qui per dirti che... — Ela abriu um sorriso vendo o sorriso de Laura, era a coisa mais linda, o sorriso daquela sua espanhola-brasileira que tinha todo o seu coração — Tu mi manchi, amore mio, il dolore è freddo come un lungo addio... E in assenza di te, il vuoto è dentro me...​

Laura saiu da poltrona, escorregando para junto dela para beijá-la. Beijá-la, abraçá-la forte, senti-la contra o seu corpo.

— Que linda você…

— Nem chego perto das suas outras namoradas que para o meu azar cantam muito bem, mas eu entrei, você estava dormindo e a Laura Pausini estava cantando, velando o seu sono. Me desculpe, meu amor, me desculpe de novo, é que...

— Kelsey, ei, você não tem que explicar, está bem? — Tocou o rosto dela a olhando — Eu sei os seus motivos, não precisa explicar não. Mas é que...

— Chateia, é claro. Eu te trago para cá e não estou conseguindo fazer nada com você. Eu passei o dia inteiro pensando em como eu posso te convencer a ficar na minha vida desse jeito e...

— Ei, ei — Segurou o rosto dela, lhe olhando nos olhos — É só o segundo dia.

— Eu temo que os outros sejam iguais, amore mio, eu temo que eu só consiga ficar direito com você quando formos para a Espanha...

Laura a beijou de novo, a abraçou de novo, a apertou novamente contra o seu coração.

— Tudo bem, tudo bem, ok? Vamos só... Fazer o melhor que a gente pode, deve ser suficiente.

— Foi o que você fez com a Ívi.

— Kelsey... Não vamos falar da Ívi, tudo bem?

Kelsey a olhou.

— É a primeira vez que você não quer falar dela.

Laura respirou fundo.

— Escuta, eu fiz um jantar pra gente. Por que você não toma um banho, eu arrumo a mesa para nós duas, a gente conversa um pouco, o que você acha?

— Um jantar pra gente? — Perguntou sorrindo, olhando naqueles olhos lindos que adorava.

— Eu fiz para nós duas — Laura a beijou sorrindo novamente — Vai para o banho, vai.

Fizeram assim, Kelsey foi para o banho e Laura foi lá fora arrumar o jantar para elas. Já era de madrugada, esquentou tudo, checou a sobremesa, arrumou uma mesa bonita, acendeu algumas luminárias, apagou a luz e logo Kelsey apareceu, sorrindo assim que viu tudo aquilo.

— Você realmente cozinhou isso tudo pra gente? — A abraçou por trás, a beijando, sorrindo.

— Tudo para nós duas — Virou de frente, enroscando os braços no pescoço dela — Kelsey, se a gente quer descobrir como isso pode funcionar, precisa ser apenas nós duas aqui, entendeu? Apenas eu e você, não podemos adicionar mais ninguém.

Kelsey entendeu. Apesar da verdade inconveniente que andava tendo que enfrentar consigo mesma que era, seu namoro andava melhor com Ívi por perto. Ívi por perto despertava uma versão muito particular de Laura, mais leve, mais descontraída e sozinha não sabia bem como acionar aquela parte dela. Ou ela podia estar simplesmente infeliz, mas esperava de coração que não fosse o caso, que não tivesse conseguido deixá-la tão infeliz em tempo recorde.

Porém, foi deixar esse pensamento voar e o jantar foi algo muito agradável! Laura cozinhava muito bem, o frango estava perfeito, os acompanhamentos também, o vinho delicadamente escolhido e notou que Laura bebeu um pouco mais. Na verdade, Kelsey tomou uma taça e Laura toda a garrafa, e aquela versão mais relaxada dela flertou consigo do outro lado da mesa. Elas acabaram fazendo amor na sala e foi muito gostoso, muito bom, Laura era uma coisa na cama, Kelsey ficava toda perdida por ela, aquela versão inesperada de Laura Bueno que comia, mordia, deixava marcas, achava que nunca estaria preparada para ela o suficiente. Porém, Laura apagou depois. Apagou mesmo, tão pesadamente que Kelsey não conseguiu acordá-la e ficou preocupada a ponto de...

Ligou para Ívi.

— Ela não quer acordar, Ívi, eu não sei se...

— Calma, eu também não sei, espera — Chamou Julia, contou o que estava acontecendo, ela assumiu a ligação.

— Kelsey, ela bebeu?

— Um pouco de vinho enquanto a gente jantava.

— Ela não pode beber, eu já te disse isso e se ela apagou assim, não foi só um pouco nada. Leva ela pra cama, ela vai dormir até amanhã, tranca todas as portas, por favor, é possível que ela levante...

— Procurando alguém que está no Brasil.

Julia deu de ombros.

— É você quem está dizendo isso. Eu só te digo um negócio, a minha irmã está sob sua responsabilidade e eu vou te arrancar a pele viva se ela não estiver protegida e feliz, entendeu? Eu acabo com você.

Kelsey mordeu a boca.

— Eu não obriguei ela a vir comigo, Julia.

— Mas forçou até ela não mais conseguir dizer não. Eu já forcei a Laura, ela não funciona bem forçada. Cuida dela, está bem? Só cuida, eu sei que todas essas responsabilidades são da Laura, Kelsey, mas se você quer mesmo estar em um relacionamento com ela, precisa estar disposta a, ao menos, assumir algumas responsabilidades junto com ela.

— Eu não estou recusando nenhuma responsabilidade, é claro que não. Eu vou colocá-la na cama e cuidar que não aconteça mais. Julia, eu estou apaixonada por ela, está bem? Ela não é um capricho meu.

— Eu espero mesmo que não seja.

Desligaram. Kelsey respirou fundo, mexeu nos cabelos longos, olhou para Laura deitadinha no sofá da sala. A pegou no colo, ela era tão delicada e a carregou para a cama, onde deitou com ela, a vestiu, a cobriu, a abraçou, a cheirou e se convenceu que daria um jeito em tudo. Adorava aquela menina.

Ela não podia lhe escapar de jeito nenhum.

Natália veio buscá-las para jantar antes de irem para a boate. Tinham acabado de desligar com Kelsey e Julia estava nervosa, irritada e preocupada, mas Natalia chegou com dois contratos, flores e as chamando para jantar.

— É sério? Flores? É um jantar romântico por acaso? — Claro que era Julia.

Ela beijou as duas sorrindo.

— É quase isso. Vamos assinar um contrato! O que não deixa de ser um tipo de romance que eu espero que dê certo.

Ívi estava sorrindo, era outra menina linda aquela, atraída para aquele grupo em virtude de Laura.

— Eu adorei as flores, muito obrigada — Ívi a abraçou sorrindo. Suas flores eram brancas e amarelas, um ramalhete pequeno, delicado, a coisa mais linda.

— Você é tão doce. E eu juro para você que quando a gente se conheceu eu julguei que doce seria a última coisa que você poderia ser, veja bem como são as coisas...

Natalia as levou para jantar num ótimo restaurante e fez todas as vontades de Julia, porque segundo ela, cantoras são mesmo voluntariosas, Ívi se salvava porque não era a sua essência principal, daí era aquele bolo de pote delicioso que todas adoravam. Conversaram muito e ela foi extremamente gentil explicando todos os termos de ambos os contratos, Natalia tinha trazido a proposta da empresa dela e a sua própria proposta. Explicou com clareza sobre os percentuais altíssimos da agência, 70 a 30, explicou que eram mais altos porque eles trabalhariam com investimentos mais altos nelas, o que poderia trazer grandes eventos para Julia e Ívi, e justamente por isso tinha deixado que elas pensassem sobre o que queriam fazer. Ficar na agência e com eventos maiores, porém com menos liberdade e percentuais menores ou...

— Ficar livre com você, que nós conhecemos, que confia no nosso trabalho, que quer que a gente toque as nossas músicas e tem aquela ideia maluca de que podemos fazer boates e barzinhos... — Ívi olhou para Julia. Que respondeu mal-humorada, é claro.

Joder, Ívi, ella me trajo flores... — Mal-humorada, mas totalmente de acordo!

E Natalia morreu de rir e beijou a mão dela com carinho.

— Acha que ganhei com as flores? — Perguntou para Ívi como se ela já falasse espanhol e entender grande parte das coisas que dizia e cantava Julia, lhe mostrava que talvez, já entendesse mesmo.

— Ganhou com as flores sim! E como a pessoa que brigou por nós duas, que nos deu uma chance, Natalia, seríamos nada agora sem a sua ideia de manter Julia e eu juntas, é claro que vamos ficar com você, se não tem problema para você na agência, não há nenhum problema pra gente.

— Eles acharam justo eu poder fazer uma proposta para vocês, já que, eu achei vocês por mim mesma, né, quero dizer, a Laura me obrigou primeiro, mas depois foi por vontade própria...

Jantaram num clima muito agradável, conversando bastante, ainda sobre os contratos, ainda sobre o que Natalia tinha em mente para elas, os planos e no momento da sobremesa, tudo estava superado e elas começaram a relaxar, e a falar de outras coisas e toda vez que Ívi falava em outras coisas, é claro que acabava falando de Laura.

— Ívi, a paixão da Laura por você foi imediata, aquela galega enrolou todo mundo por sua causa — De suas amigas de apartamento até a própria Natalia — Então, por favor, sinta-se bem e feliz porque ela tem sentimentos lindos por você. Só não é de falar muito, quero dizer, ela fala, mas é do jeito dela, ela não vai gritar, chorar, se desesperar, nada disso, você tem que compreender que ela teve uma mãe maluca, que se consumiu inteira por sentir demais, por demonstrar demais, ela não quer ser a mãe dela, se defende disso o tempo todo, é a história dela, entendeu? Ela é feita das coisas que viveu, se você olha por tudo o que ela passou, compreende. Eu já compreendia antes, mas depois que eu conheci a Julia...

— Como assim?

— Eu comecei a namorar a Laura e tivemos um mês inteiro de paz e tranquilidade enquanto a Julia estava em São Paulo. Porém, depois que esse ser humano chegou, eu comecei a entender tudo completamente, tipo, não era apenas a mãe que era maluca, tinha mais esta maluca na vida dela...

Julia já estava aos risos.

— Muito maluca? — Era Ívi, muito interessada, sorrindo demais.

— Quê? Eu não conseguia transar, Ívi! Parecia que essa criatura tinha um chip na Laura que vibrava cada vez que a gente entrava no meu apartamento. Eu lembro que teve uma época que eu pegava a Laura e ela colocava o celular no modo avião pra gente poder ter um segundo de paz, para conseguir beijar e brincar de fazer bebê... — O riso imperava pela mesa — Essa garota me infernizou a vida, estava em todos os lugares, ligando o tempo todo, mandando mensagens, você não faz ideia...

Julia estava para morrer de rir e Ívi também.

— Julia, isso é verdade?

Ela respirou fundo para responder.

Hombre, no sé cómo decirte, pero... Es verdad — Ela afirmou, sem nenhuma vergonha.

— Essa maluca acabou com o meu namoro, você não está entendendo — Natalia comeu outro pedaço de doce sorrindo.

— Então o relacionamento de vocês antes disso tudo era...?

— Delicado. Nós ficamos um tempo sem nenhum contato, mas se você tem contato com a Laura, acaba tendo contato com a Julia também, porém, depois que ela acabou com o meu namoro...

— Eu fiquei mais amigável, vai.

— Você nem tem vergonha — Ela não tinha, nenhuma.

— Não sei por que não me surpreende — Ívi olhava para Julia sorrindo.

— Ela nunca tinha me ouvido cantar — Julia contou para Ívi.

— Sério?

— Nunca! Eu sabia que ela cantava, mas nunca tinha a ouvido cantar até aquele dia lá na arena. E me surpreendeu vê-la lá com você no primeiro dia, principalmente por conta do quanto estava claro o interesse da Laura em você.

— É que eu gosto da Ívi.

— Ou a resposta pode ser outra. Faz mais de um ano que você me atacou feito uma psicopata por causa da Laura, não acha que algo mudou de lá para cá? Pode ter outra resposta, Juls.

Julia pareceu pensar por um instante.

— A resposta pode ser outra — Ela refletiu.

Podia mesmo. Se despediram de Natalia depois do jantar e do contrato assinado e correram pra casa, afinal, precisavam se arrumar porque tinham um show para fazer!

A boate ficava praticamente em outra cidade! Era a sensação que tinham quando precisavam sair da Barra para Copacabana naquele horário levando todos os seus equipamentos consigo. Ívi ia puxando a mala com sua pickup, a mochila cheia de coisas, a guitarra nas costas de Julia, que levava maquiagem, luzes e outros equipamentos em uma bolsa transversal e Ívi mal acreditava que ela estava fazendo tudo isso tranquilamente de saltos.

Estavam opostas que se completavam aquela noite. Ívi com suas botas, sua calça justa, uma camiseta branca, o pingente verde de Laura brilhando em seu pescoço, os cabelos soltos, apenas jogados de lado, lisos, bonitos, hidratados, ela mal tinha os penteados e estavam um charme só, Julia gostaria de entender. Ívi estava estreando coisas aquela noite, tinham parado num tatuador na volta do restaurante e tinha decidido fazer uns piercings, assim, do nada. Fez piercings na orelha, três do lado direito, argolinhas que combinaram totalmente com o piercing removível e bem discreto que ela colocou no canto de seu lábio, Julia estava prevendo garotas se derretendo um pouquinho mais por ela, ok.

E Julia estava extremamente elegante, era a primeira vez que Ívi a via assim, de calça preta de alfaiataria, muito bem alinhada e estava vestindo o tal cropped branco de Kelsey que deveria valer tudo o que elas já tinham ganhado até agora, um casaco bonito por cima, os cabelos perfeitos, brilhando de tão bem arrumados, as joias bonitas, Julia sempre usava joias bonitas, pulseiras, brincos, colares, ela sempre estava bonita, Ívi adorava que ela tivesse em si parte do ar elegante que sempre estava por Laura.

Enfim a estação que era delas, desceram do metrô e ainda tinham que andar mais uns cinco minutos até a boate.

— Você foi muito dura com ela, Juls... — Estava falando da ligação de Kelsey.

— Fui nada, eu fui realista com ela, ela está com a Laura por algumas horas e já está ligando para você.

— Julia, eu também não saberia o que fazer nessa situação, tanto que eu te chamei.

— Não é essa a questão, Ívi, saber ou não saber, é tomar conta mesmo. Se fosse você com a Laura, você não teria me ligado, teria tentado, teria dado um jeito, você sempre dá um jeito. Você tem instinto com a Laura, eu te deixei com ela aquela noite e você deu conta de tudo. Mas essa menina nem tenta, ela está acostumada a ter sempre alguém fazendo as coisas por ela.

— Você não está sendo justa, a menina foi campeã olímpica ditando o jogo.

— Ela dita, todo mundo executa, você está certíssima...

E Ívi parou um instante, segurando Julia.

— O que foi?

— Eu acho que... — Abriu um sorriso a vendo distraída no celular bem na frente da boate — É a Noah.

— Quem?

— Naquele vestidinho justo, preto de mangas longas...

— Que claramente está tentando matar a sua heterossexualidade.

— Eu sou gay, lembra?

— Lembro, mas ela veio para matar caso não estivesse morta, mortíssima ainda... — Disse, fazendo Ívi rir. Mas então notou que ela não estava se movendo — Ívi?

— É uma armadilha?

— Minha?

Ívi afirmou e Julia caiu no riso.

— Não, gata de rua, eu já disse que quero você com a Laura, eu só não quero você assim, tão concentrada na Laura enquanto ela estiver na Europa. Limpa a sua mente, está bem? E a garota é hétero, não é? Você mesma disse, não é um encontro, é só... Conhecer alguém. Pode te fazer bem.

Ela podia ter razão. Porque Ívi estava de pé e estava bem, mas de alguma maneira...

Quando viu, já estava caminhando para Noah.

Notas do Capítulo:

Olá, meninas!

Estou em SP, acabei de assistir ao Fantasma da Ópera e não estou mais respondendo por mim haha. Então, notinha curta, peço desculpas, prometo que retomo decentemente na próxima quarta! Já sabem como funciona, 25 comentarios e próximo capítulo prontinho na mesa de vocês. Pergunta aleatória: estão curtindo nossa personagem nova? Beijos e bom domingo!

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