6 AM - Capítulo 25 - Falta, Entendimento e Queda


Foram lá falar com Noah e de fato, ela estava mais bonita agora do que Ívi lembrava, era como se não tivesse prestado atenção direito, não tinha outra explicação. Ela tinha um sorriso bonito demais, aqueles olhos verdes, uma simpatia totalmente inesperada, ainda tinham algum tempo antes de irem para o palco? Tinham meia hora ainda, tinham tempo para uma limonada e um pouco de conversa. Foram para dentro e o lugar já estava lotado, Natalia chegou logo em seguida, de moto porque de carro naquele horário era impossível, foi apresentada a Noah, ficou um pouquinho chocada pelo quanto ela era bonita, ok, parte superada e a conversa engrenou como se já se conhecessem há muito tempo. Noah passava esta vibe, era uma garota simples, fácil de se conversar, Ívi checou o celular novamente, não era por nada, só queria saber se ela estava bem, se acordaria bem no dia seguinte, queria entender o motivo. Ela não beberia assim sem motivo e isso estava...

— Ívi? Ívi, eu estou falando com você! — Noah lhe chamou a atenção lhe tirando dos seus pensamentos. Abriu um sorriso para ela.

— Desculpa, eu estava pensando longe.

— Longe em Londres?

E Julia e Natalia caíram no riso.

— Sério que até a sua chefe já sabe?

— Ei, eu não sou chefe não, tá? Sou apenas a recrutadora que precisava saber se essa moça aí realmente sabia o que estava dizendo que sabia — Olhou Ívi nos olhos, sorrindo para ela.

— Ela tem sérios problemas em acreditar em mim, inclusive, veio aqui só para ter certeza que eu sou mesmo DJ... — Respondeu sorrindo também, o clima estava bem agradável.

— É claro que eu vim! Você chega me contando um monte de histórias, eu preciso ter certeza das coisas...

— Tão desconfiada...

— Eu sou psicóloga, faz parte de mim a desconfiança...

Ívi apertou os lábios olhando para ela. Ela era bonita, inteligente, agradável, onde que podia imaginar que ela era tão agradável?

— Ela te disse que é cantora? — Julia perguntou do nada.

— Quê? Cantora também?

No, Julia! — Ívi não acreditava que Julia ia insistir naquele assunto.

— Sim, sim que a gente vai fazer o nosso dueto hoje, a gente é um duo, não é, Natalia?

— O melhor dueto! Elas vão me deixar ricas, a minha carreira de empresária vai decolar, eu tenho certeza! Acabamos de assinar contrato, sabia? Tivemos um começo totalmente inesperado...

Elas seguiram conversando no tempinho que tinham e quando chegou a hora de irem para o palco...

— Ah, não.

— Que foi, Noah?

— Meu ex está bem ali, se ele me ver vai ficar me enchendo a noite inteira...

— Quem é?

— O de camisa branca no bar, está vendo?

Ívi localizou com facilidade, era o cara que estava nas fotos do Instagram de Noah. Tomou o resto de sua limonada e pegou a mão dela.

— Vem com a gente para o palco.

— Mas eu posso?

— Você fica ali, não vai atrapalhar nada, a gente faz uns intervalos, dá para conversar um pouco, dançar, não sei, o que você quer fazer?

Ela lhe olhou bem nos olhos, se aproximando de Ívi um tanto mais.

— O que eu quero mesmo fazer?

— É, o que você quer fazer?

Bem, Noah a beijou.

Puxando Ívi pela nuca, pegando sua boca totalmente de surpresa, tão de surpresa que Ívi sorriu no meio do beijo, a puxando para junto, passando o braço pela cintura dela enquanto ela lhe beijava profundo e muito gostoso. Ela se afastou sorrindo.

— É isso que eu quero fazer desde quando você entrou na minha sala.

— Noah...

— Eu sei, eu já sei de um monte de coisas e ainda assim — Olhou para a boca de Ívi, mordendo os lábios o que deixou Ívi...

Desta vez foi Ívi quem a beijou, a puxando pela cintura, a pegando muito gostoso porque Noah era uma delícia.

— Não me olha assim não, eu sou só humana.

Ela sorriu novamente, enroscando os braços pelo seu pescoço.

— Você está ao menos me olhando agora porque eu passei maior tempão na sua frente e você nem me viu.

— É claro que vi — Respondeu a beijando e sorrindo.

— É claro que não viu nada — Ela sorriu lhe beijando outra vez — Eu quero ficar, mas ao mesmo tempo não quero ser importunada, então eu acho que...

— Sobe com a gente que ninguém vai te importunar — Ívi a pegou pela mão, já a levando para o palco, onde Julia já estava montando todas as coisas com Natalia.

— Não tem problema mesmo?

— Não tem não, você pode ficar aqui e depois...

Outro beijo, Noah não estava soltando sua boca nem por um segundo. Sua boca, seu pescoço, nenhuma parte sua. Que pressão. Pressão gostosa, Ívi não podia negar.

— Depois a gente vê, mecânica de grife.

Ívi a puxou para perto um pouco mais.

— Isso não vai prejudicar você?

— É por isso que eu te mantive horista por um tempinho...

Ívi sorriu e a beijou novamente, sentindo a boca dela, o gosto de menta. Era bom. Estar sorrindo e beijando uma menina bonita, era bom sim.

Aquela noite foi quase mágica. Porque assistir Ívi começando o seu show, assumindo aquela pickup com toda a luz e energia do mundo, não tinha preço. Ívi podia ser compositora, cantora, instrumentista de primeira como também era, mas o que ela fazia com aquela pickup e uma guitarra não era deste mundo não. Iniciou seu show, com todas as luzes, a batida inconfundível, a surpresa da guitarra ao vivo fazia o público ferver sempre e Natalia mal podia acreditar que ela tinha ficado tanto tempo sem ter onde tocar!

Sim, para aquele talento, vinte dias era tempo demais, era um absurdo como a sorte agia de vez em quando, tão sorridente para alguns talentos duvidosos, tão ingrata com os excepcionais, Ívi era excepcional, ponto, não havia discussão. Assistiu o show ao lado de Noah, conversando um pouco com ela, era uma moça inteligente mesmo, de vinte e seis anos, e que estava visivelmente bem a fim de Ívi e Ívi sabia, é claro que sabia disso. Tocou muito, brilhando, dissipando luz e energia para todos os lados, os cabelos molhados, o sorriso aberto, aquele sorriso de quem faz o que ama de verdade e quando Julia se juntava a ela, ah, sim, a energia mudava, mas nunca baixava. A química daquelas duas no palco era insana, a ponto de Noah perguntar a Natalia se elas não tinham nada mesmo.

— Na verdade, olha essa química! Elas têm sim, têm um monte de coisa entre elas.

Especialmente, porque romance de fato, não é a única forma de amor e este deveria ser o lema do apartamento em que viviam. A energia surreal, a música poderosa e quando elas cantaram O Arquipélago juntas, houve uma explosão pela plateia inteira. Era para explodir mesmo, a batida era incrível, a letra gostosa, a troca entre Ívi e Julia, a voz de Ívi lambuzando a voz de Julia e era bem assim que todo mundo sentia, aquela música era um sorvete de creme com calda de morango e aquelas duas...

Julia dominava o palco inteiro e cada vez que chegava perto de Ívi na pickup era uma vibração, os sorrisos, os olhares, o jeito que dançavam juntas e Ívi podia ser insegura como achava que era cantando, mas Julia sabia muito bem que ela nunca, NUNCA MESMO se esquivaria de uma provocação feminina. Daí a provocou tanto que Ívi teve que sair de trás da pickup, teve que vir para o meio do palco, cantar e dançar com ela, se divertindo demais e quando elas dançavam juntas, de costas uma para outra, havia algo sim. Ninguém podia dizer que não havia nada entre elas.

O show foi um sucesso e durou bem mais do que deveria. Não queriam que elas saíssem do palco e lá veio improvisação, vieram músicas não planejadas e bis das músicas delas, Aturdída e O Arquipélago, e elas se divertiram demais, com suas músicas, uma com a outra e a vibe de Ívi com Noah foi... Uma delícia mesmo. Elas ficaram a noite inteira, dançando juntas, conversando, se conhecendo, o beijo gostoso, quente, a vontade de fazer a noite durar um pouco mais. Ívi olhando para o celular em algum momento? Sim, tinha acontecido e Ívi falando de Laura também foi inevitável. Mas Noah não pareceu se importar. Às sete da manhã as encontrou tomando café num posto vinte e quatro horas, e na hora de irem pra casa, Noah não queria ir sem Ívi.

— A gente vai ter tempo — Ívi disse a ela que estava agarrada em seu pescoço.

— Eu adorei a nossa noite.

— Eu também adorei — Não era mentira, tinha adorado mesmo.

Foi cada uma para sua casa e quando Ívi chegou, Julia ainda estava acordada.

— Ei! Eu achei que você fosse pra casa da menina!

— Quê? Ela tem que fazer um pouquinho mais para me levar pra cama, está bem? — Respondeu sorrindo.

— Mas olha você! Até parece que não estava prontinha para ficar com a Laura na primeira noite.

— Ei, a Laura me deu casa, comida e carinho, está bem? Não me deu só uns pegas e uns beijinhos.

— Entendi a sua lógica — Respondeu sorrindo.

— Aliás, já falou com ela hoje?

— Já falei sim, ela está bem, com dor de cabeça e sozinha.

— Eu vou ligar para ela.

— Ívi!

— Me deixa? — Abriu um sorriso — Ok, eu vou tomar banho, ligar para ela, dormir e acordo pra gente gravar.

— Você é imparável, sabia?

Ívi a beijou no rosto.

Te quiero. Mucho. Obrigada, viu? Eu estou muito feliz, por tudo o que está acontecendo, feliz por onde nós estamos agora.

Estava mesmo. Feliz pela noite, pela ficada gostosa com Noah, pelas pessoas curtindo sua música e, por poder ouvir a voz de Laura outra vez. Conversaram por vídeo por uns dez minutos, ela estava no centro de Londres, vendo o Big Ben, indo andar na London Eye enquanto Kelsey estava numa sessão de fotos em algum lugar. Ívi pediu que Laura não bebesse. Só pediu, dizendo que não precisava explicar os motivos, ela se desculpou e disse que sabia que era toda sua responsabilidade, que sabia que tinha errado, que faria o melhor possível e Ívi acreditou nela.

— Eu vi os vídeos dessa noite! Eu preciso ir num show Haíz versão boate, gente...

— Precisa mesmo, a gente sentiu sua falta.

— A guapa de vestido preto é a Noah?

— É a Noah — Já tinham falado de Noah, do encontro no vestiário.

— Foi tudo bem com ela?

— Tudo bem, a noite foi bem divertida...

Conversaram um pouco mais, falaram um tanto mais da noite, Laura parecia bem, apesar de um tanto desconfortável. Não com Ívi e Noah, sabia que elas deveriam ter ficado e se Laura não se sentia à vontade para exigir nada de Kelsey, imagina de Ívi, porém, estava desconfortável consigo mesma. Por ter bebido logo na segunda noite, desconfortável por ter deixado Kelsey preocupada a ponto de ligar para Ívi.

— Está sendo dura com você mesma novamente.

— Às vezes é preciso, Ívi — Daí se alongou olhando para Ívi um pouco mais, abriu um sorriso — Eu adorei os piercings — Confessou, mordendo a boca, se perguntando como seria beijá-la com aquele piercing, Noah tinha sorte — E o seu sorriso hoje, você está brilhando, sabia?

— Eu tenho um contrato assinado, Laura! — Ívi não estava conseguindo parar de sorrir mesmo — Eu tenho uma agenda, alguém muito legal cuidando da gente, as pessoas estão curtindo a nossa música, eu estou muito feliz, você não faz ideia. E, nós vamos comprar uma cama — Disse, fazendo Laura rir mais uma vez.

— Que orgulho de vocês! Ninguém mais vai dormir no sofá.

— Ninguém mais.

Julia... Está cantando? — Laura achava que estava ouvindo alguma coisa.

— Está. Ela chegou intensa esta manhã.

Tinha chegado mesmo. Desligaram, Ívi tomou banho, respondeu uma mensagem de Noah, o piano de Julia continuava soando, a voz dela cantando algo tão dolorido, tão intenso, ela parecia estar sangrando aqueles dias, podia ser bom, Ívi também estava um pouco, de maneira distinta, mas estava. Deitou-se na cama, sentindo o cheiro de Laura ainda pelos lençóis.

Abriu os olhos por um instante, sentindo algo esquisito no coração. Era o fio, sabia, o seu fio vermelho amarrado no dedinho de Laura estava esticando um pouco mais. Seria o tempo errado mesmo? Ou seria apenas a circunstância? Não sabia, só sabia que um sentimento esquisito lhe invadiu por dentro, tão forte que não pôde pegar no sono. Rolou de um lado a outro, respirou fundo, olhou para sua lockscreen só mais uma vez. E no alto de sua tela, surgiu uma mensagem nova, de alguém perguntando se tinha chegado bem em casa. Era Noah.

É claro que era Noah.

Achou uma escapatória nova. Enquanto esperava na fila para a London Eye sozinha naquela manhã fria com um sol tímido acenando, Laura encontrou uma escapatória nova para todas as coisas que estava sentindo porque tinha certeza absoluta que não conseguiria dar mais nenhum passo antes que entendesse tudo o que estava sentindo, todos os seus motivos. Estava em frente ao The London Dungeon, o tipo de atração que Ívi adoraria ir consigo, é um teatro que não é bem um teatro, mas que recria com atores, cenários e efeitos especiais diversos eventos macabros da história de Londres. Sabia que ela adoraria a experiência, tal como sabia que não poderia propor este mesmo encontro a Kelsey, porque em nada fazia o estilo dela. Na fila, em frente ao London Dungeon, pensando exatamente nisso, Laura achou sua escapatória, a saída que não tinha notado para tentar solucionar o que tanto estava lhe afligindo por dentro.

E o primeiro passo para a tal escapatória foi perceber que a questão na verdade não era Kelsey ou Ívi, a questão principal para tudo o que estava sentindo era si mesma. A raiz dos seus sentimentos, as suas verdades, as coisas que sabia que doíam em Ívi ou Kelsey e que também doíam em si, mais do que qualquer um poderia imaginar, estava doendo e sufocando a ponto de... Bem, a ponto do que havia acontecido na noite passada. Olhou para a fila em que estava, observando as pessoas em volta, um casal de adolescentes namorando, outro casal mais velho entediado, turistas empolgados se deslumbrando com o que viam à sua volta, uma garota com headphones acompanhada dos pais e se perguntou que comentários estariam fazendo de si, a garota sozinha numa fila turística. Chegou sua vez, subiu em uma das cabines e assim que a roda gigante começou a girar, a briga pelas janelas de vidro também começou. Gentilmente, delicada, cada um tentando arrumar um pedacinho de vista para o Big Ben, o Parlamento, o Rio Tâmisa, a cidade inteira. Dava para ver a cidade toda naquela volta e Laura...

Optou por sentar-se. No banco ao centro, olhando de um lado a outro, aproveitando para tomar um comprimido para dor de cabeça enquanto desfrutava um tantinho de vista aqui e ali. Havia gêmeos em sua cápsula! Um casal de pequenos escoceses, que riam, se dependuravam e brincavam um com outro o tempo todo e eles lhe fizeram sorrir tanto quanto a vista bonita. Laura queria tanto ser mãe. Queria tanto se casar com alguém que adorasse e admirasse, alguém com quem pudesse construir a família funcional e bonita com a qual sua mãe também sempre sonhou. E queria ter tudo isso sem enlouquecer. E mais do que isso, queria não enlouquecer caso por alguma desventura, esta vontade não se realizasse, não fosse para si. Às vezes somos para outras coisas e é difícil aceitar. A família escocesa lhe pediu uma foto, se podia tirar, abriu um sorriso, é claro que podia. Tirou duas fotos deles, foi fotógrafa de outra garota solitária e que parecia extremamente feliz assim, tirou algumas selfies e uma foto de cada lado da cápsula. Ficou mais tranquilo na descida, o passeio todo levava uns vinte minutos, as pessoas perdiam interesse lá pelo meio.

Desceu da atração, pegou um panfleto na The London Dungeon, comprou um chocolate quente com o seu cartão europeu que continuava válido e sentou-se em um banco de onde podia ver o Big Ben. Estava de vermelho aquele dia, suéter vermelho, batom vermelho, os pensamentos também. E então ao invés de pensar nas coisas que queria (que era o que lhe causava angústia por não ter ideia clara do que queria), decidiu começar pensando nas coisas que não queria.

Definitivamente, da lista de coisas que não queria, a primeira era “não queria se sentir abusiva com Julia”, porque não a abusava de forma nenhuma. Para começar, quando tudo entornou em Madrid, decidiram terminar o namoro, era a melhor saída, aquele relacionamento tinha ganhado rasgos que não podiam ser reparados, não valia a pena insistir, por mais amor que houvesse, e naquele momento, havia um amor enorme, que partiu o coração de Laura ter que deixar para trás. Porém, Julia aparentemente tinha sentido um pouco menos e seguiu a vida em Madrid, ficando com quem bem entendia, se divertindo ao seu jeito, tão bem e tão rápido que Laura chegou a achar que sua partida tinha tirado um peso de cima dela.

Porém, não se opôs a nada e nem criou um drama, afinal, Julia estava seguindo uma decisão conjunta, que tomaram juntas. Não que Laura não tenha sentido muito e sofrido demais no começo, porque havia, sofreu muito, ficou depressiva demais, ainda a amava, era apaixonada por ela e com tudo o que estava sentindo, Laura nem conseguia cogitar ninguém, ainda que tivesse Karime linda, compreensiva e sedutora bem à sua frente. Mas se Julia conseguia, não havia problema, pessoas são diferentes e reagem diferente, não se pode exigir que todos sejam iguais.

Então, Laura se pôs de pé no Brasil, afinal, precisava se refazer por diversos motivos, estava longe de Julia, numa outra realidade em que tinha que recomeçar sozinha e não foi fácil. Seu pai foi um guardião ímpar lhe dando o apartamento, mas a conversa dele em seguida foi muito clara: o apartamento era parte significativa de sua renda, parar de alugá-lo faria um corte grande em seu orçamento, ou seja, ele lhe dava um lugar, mas Laura teria que se sustentar. Então começou a trabalhar, foi garçonete, atendente de padaria, barista numa cafeteria quando as coisas melhoraram, chegou a alugar o outro quarto do apartamento, mas aos poucos, sua nova vida foi se ajeitando e tudo o que queria era Julia bem e María segura.

E então, Julia aparece em sua porta sem aviso prévio. Ainda da lista de coisas que não queria: não queria que Julia tivesse deixado María na Espanha. Não queria que tivesse arrastado o drama de seu término para a vida que Laura estava reconstruindo. Não sabia até que parte tudo isso era egoísmo seu, mas era o que sentia e ninguém deve ser obrigado a ficar num relacionamento que não se sente mais feliz. Não estava mais feliz com ela depois de tudo o que aconteceu. Menos ainda depois dela ter deixado María. Não acreditava mais naquele romance que ela veio lhe exigir na porta de sua vida. A amava e queria que ela entendesse a forma que seu amor tinha tomado e que entendesse ainda mais que eram família uma da outra, que não podia simplesmente se separar dela, motivo pelos quais seguiram conversando e se apoiando depois do término. Seguia não querendo se separar de Julia de vez, mas romance não era algo que lhes pertencia mais.

E quando estava tentando se restabelecer do seu relacionamento pós-término complicado com Julia, Ívi apareceu tão inesperada quanto o retorno repentino de Juls.

Voltando ao que não queria, de Ívi era ainda mais claro o que não queria.

Uma luz acendeu em sua mente quando acordou aquela manhã, porque recorrer ao vinho logo na segunda noite lhe abriu os olhos sobre algumas coisas. Os problemas que tinha com álcool não eram constantes, mas eram disparados por gatilhos específicos e aparentemente, seu novo gatilho era ficar longe de Ívi. Não podia deixar isso acontecer, não podia transformar Ívi num malefício de jeito nenhum, o que sentia por ela era bonito e leve demais, lhe acalmava, lhe deixava feliz, uma coisa que só lhe fazia bem. Ainda não sabia que forma que tinha ou se teria a forma que parecia que ia tomar, mas já sabia que transformar Ívi no motivo de sua angústia e agonia era algo que definitivamente não queria. Também sabia que não queria abusar do que ela sentia e por isso tinha tentado redirecionar o caminho que estavam pegando todos os dias. Mas foi impossível. O sentimento era imparável, indestrutível, impossível de ser contido.

Não conseguiu e Ívi não queria conter nada, a sinceridade da relação que construíram deixava claro o tempo todo o que estavam sentindo uma pela outra e talvez a gestão transparente daquele envolvimento tenha dado a Ívi a segurança para não dispensar Laura, apesar de ter entrado naquele avião para Londres. Ívi havia lhe escrito aquela manhã que as coisas não eram apenas sua responsabilidade. Laura não podia decidir as coisas que Ívi não queria, então que ficasse tranquila a respeito. Ívi queria a proximidade, quis o encontro, quis o beijo, a noite, tudo o que tiveram. E tal como Kelsey quis que Laura viesse para Londres apesar da noite, Ívi também havia quisto a noite apesar de Londres.

Levantou, fez The Queen’s Walk, A Caminhada da Rainha pelos Jardins de Jubilee enquanto subitamente, lembrou de algo que sua mãe tinha lhe dito uma vez. Laura deveria ter uns treze anos e teve uma crise de nervos na escola, agora não lembrava o motivo da crise, mas lembrava que Julia não estava por perto e que quase havia entrado numa briga física com outra garota. Quando chegou em casa, ainda estava muito nervosa e sem saber direito o que fazer, se deveria se desculpar, tentar esconder o que tinha acontecido porque sua posição na escola nunca havia sido muito tranquila e nesta época, Laura ainda era bolsista. E no meio de todos esses pensamentos sua mãe lhe parou e disse:

— Lide com o que você já tem. Quando estamos neste tipo de situação e temos essa fragilidade emocional, não adianta se perguntar o que ainda pode acontecer e menos ainda especular o que poderia ter acontecido. Na dúvida, pense no que é concreto, sobre onde seus pés estão cravados. Se eu me deixar voar num momento de dúvida, com o meu emocional que não é lá muito confiável, eu estou perdida.

Laura olhou para os seus próprios pés. Havia uma placa circular no chão, ornada com flores que dizia “The Diana Princess of Wales Memorial Walk”. Estava em Londres. Havia vindo por seus próprios pés, independente do que mais poderia ter acontecido com Ívi ou o que ainda poderia vir a acontecer, estava em Londres, cumprindo um acordo que havia feito em conjunto com Kelsey. Era o que tinha de concreto, um relacionamento que precisavam resolver, mas não sem antes se darem uma chance justa.

Ainda da lista de coisas que não queria, não queria falhar com Kelsey. Não queria não dar a ela uma chance justa para algo que construíram com tanto carinho e cuidado por mais de um ano. Havia sido assim, o relacionamento delas sempre havia sido uma coisa sencilla e bonita, que cuidaram desde o comecinho, cada pequeno detalhe, para chegarem onde estavam agora.

Os motivos de Laura ter resistido tanto a ideia da viagem eram inúmeros, não queria viajar desta forma, sem poder pagar a própria passagem, sem poder pagar as próprias coisas e não era por orgulho vazio, eram um casal em que uma ganhava muito mais que a outra, este não era o problema. O problema era a circunstância atual, era a faculdade que tinha que abandonar por um mês, e o que mais pesou foi o estremecimento que Ívi causou naquela relação tão bem cuidada ao longo de mais de um ano. Fora a pressão de María, embaçando ainda mais os motivos de Laura aceitar ou não vir para Londres.

De novo, Ívi. E tudo o que lhe causava, os sentimentos fortalecendo, a ameaça de incêndio constante e no final das contas, o que fez diferença foi Laura perceber que a única coisa que estava lhe mantendo separada de Ívi, era o seu relacionamento com Kelsey. Estava sentindo algo poderoso e ainda assim, seu namoro com Kelsey não afundou, se manteve, sobreviveu ao estremecimento. Com Laura sendo totalmente honesta, porque achava que era o que devia de fato a qualquer uma que namorasse, honestidade, dar sempre a parte justa. E a parte justa naquele momento, era dar aquela chance a elas duas, uma chance ao relacionamento construído, ao tempo compartilhado. Se convenceu a vir para Londres antes daquela noite. Se comprometeu antes. E não era direito seu se desfazer do compromisso por algo acontecido depois, Kelsey havia sido fria, mas tinha toda razão, por mais poderoso que tudo tivesse sido. Estavam atrasadas novamente. Laura e Ívi. Uma semana atrasadas a uma decisão que Laura já tinha tomado.

Agora estava em Londres. Era fato irremediável e concreto. Agora Ívi estava beijando outra garota no Rio e talvez beijasse outras mais enquanto Laura estivesse longe. Era o que tinham agora. E se Laura realmente quisesse dar uma chance ao que tinha com Kelsey, era melhor parar de apenas esperar por ela.

Pensou em Ívi com Noah, o vídeo que tinha assistido. Ela estava se dando uma chance e Laura decidiu que precisava se dar uma chance também. Não era uma chance a Kelsey, era uma chance a si mesma.

Thank you, Lady Diana — Falou com a placa no chão — Gracias, Claudia. Eu acho que já sei o que devo fazer com esses trinta e dois dias aqui.

Naquele mesmo dia, terminou seus passeios e foi buscar Kelsey no estúdio em que ela estava dando sua última entrevista, o que a fez sorrir tão bonito que Laura nem sabia. E como ainda estavam no centro, deu tempo de fazer um passeio, tempo de escolherem um agradável restaurante para jantar, se o tempo de Kelsey estava corrido, Laura faria seu tempo encaixar na correria dela, se dariam uma chance, pronto, estavam ali para isso, não era justo que Laura esperasse que apenas Kelsey desse um jeito de estarem juntas, não ficaria sentada esperando que fracassassem e pôr a culpa na falta de tempo de Kelsey no final. Por mais fadadas que parecessem, ninguém poderia dizer que não tentou, porque era o que Laura ouvia o tempo todo, que não tentou suficiente com Julia, que não lutou suficiente por Natalia, independente do que seriam no final daqueles trinta e dois dias, Laura tentaria e lutaria por Kelsey. Devia isso a ela. Devia isso a si mesma.

E com este pensamento, começou o dia seguinte decidindo o lugar para onde iria de acordo com a localização onde Kelsey estaria trabalhando. E desta forma ficou muito mais fácil para sua garota conseguir cumprir as promessas de almoços, jantares e passeios, o que encheu o feed da semana de Ívi de fotos felizes de duas pessoas finalmente se encontrando uma na outra. E o motivo pelo qual seu peito andava apertando um pouquinho mais a cada hora passada sem Laura por perto.

Schelotto? — Julia a chamou a vendo olhando tão perdida para o celular — Ei, o que foi?

Ívi lhe olhou, respirou fundo, pôs um sorriso no rosto.

— Ciúmes, inveja, puro despeito e desolação. Eu acho que vou bloquear a Kelsey até a Laura voltar pra casa, Juls, por pura inveja e despeito, eu juro para você... — Disse, fazendo Julia morrer de rir.

— É por isso que eu não me relaciono com essa criatura.

— Ela parece tão feliz — Parecia mesmo, cada foto de Kelsey com Laura daquela semana mostrava o quanto ela parecia estar radiante. Ívi levantou-se do sofá — Como não estaria, não é? Campeã olímpica, com redenção nacional, tendo a garota que ela gosta ao lado. Laura está feliz, não está?

— Ela está, Ívi, mas lembra dos nossos sentimentos antagonistas coexistindo por dentro? Eu sei que ela está cheia desses sentimentos também, não julga ela não.

Ívi nem estava acreditando que tal coisa estava vindo de Julia, mas ok, ela andava fazendo evoluções mesmo.

— Eu não julgo. Eu quero que ela esteja feliz. Eu só não sei se... — A queria MUITO FELIZ, o amor pode ser um sentimento bem egoísta de vez em quando. Deu um beijo em Julia — Estou indo almoçar com a Noah, está bem?

— De novo?

Ívi abriu um sorriso.

— Não me julgue.

Ela não julgava não. Trocaram outro sorriso e Ívi saiu para almoçar.

Jurou que seria mais fácil. Jurou e não foi a única.

A partida de Laura acabou sendo sentida aos poucos, primeiro um chuvisco fino, então uma chuva mais forte, até finalmente se transformar numa tormenta que atingiu quem quer que estivesse tão agasalhada em seu bem-querer.

É engraçado quando se perde o ponto de equilíbrio de alguma coisa, ou ainda o novelo ao qual muitos fios estão ligados e encontram a sua normalidade. Laura era o elo que unia aquelas quatro garotas, era onde cada uma delas em algum momento da vida, tinha encontrado um abrigo para ficar e não a ter naquela casa fosse por tão pouco tempo, havia de uma maneira esquisita, descaracterizado sua função de lar. Era esperado sentirem falta, mas não esperavam aquela reação, a falta de sentimento de lar em tão pouco tempo.

— Não é o lugar, é ela — Thai comentou aquela noite em que contavam dez dias sem Laura por perto — O lar é a Laura, a gente se sente segura e no lugar com ela aqui, eu confesso para você que... — Abriu um sorriso sentindo seu peito apertar um pouquinho. Estava difícil, doído e confuso, mas estava tentando de verdade entender Julia através da sua própria falta de sua melhor amiga.

— Eu sei, eu sei o que você sente. E obrigada por ter desistido de Arraial mais uma vez.

— Eu decidi que só volto lá quando a Julia for comigo, não se preocupe.

Ívi checou seu celular.

— Você não sabe como isso é importante para ela, de verdade. A Noah chegou.

— Vai dar uma volta?

— Vou sim, vou patinar um pouco, a Noah joga vôlei de praia nesse horário, vou assistir, tomar um suco depois — Respondeu sorrindo ao pegar seus patins.

Thai lhe sorriu de volta.

— Ela não vai subir?

— Eu acho que não dá tempo agora, mas juro que vocês vão se conhecer em breve. Thai, a Karime...?

— Está ouvindo? — Havia uma música vinda do quarto de Karime — Eu fiquei preocupada, mas ela disse que está bem, que só está com dor de cabeça, eu cuido dela, vai tranquila.

Bem, se ela dizia que tudo estava bem, Ívi ficava mais tranquila. Deixou um beijo em Thai e desceu com seus patins para onde Noah já lhe esperava de carro. A recebeu sorrindo, com um beijo, dizendo que o vôlei estava acontecendo colado ao barzinho em que Julia estava cantando! Podia jogar vôlei, Ívi dava sua volta de patins e depois podiam jantar no tal barzinho, o que achava? A beijou sorrindo novamente, a achava linda demais, era o que achava.

O posto de salva-vidas havia sido tomado por Noah e ela não estava se mostrando nada inclinada a devolver. Ívi tinha sido totalmente honesta com ela, sobre cada uma das coisas, mas a verdade é que depois da primeira noite em que ficaram, tinha quase certeza que nada mais aconteceria, que tinha sido coisa de uma noite só, então nem se preocupou sobre como as coisas iriam ficar entre elas depois, principalmente no ambiente de trabalho. Ívi não podia e nem queria perder aquele trabalho e menos ainda queria que Noah se afastasse por terem ficado, porque ela era uma menina linda e Ívi tinha adorado a noite delas. Bem, no final das contas, Noah era uma menina linda mesmo e nada mudou no estaleiro por terem ficado, ela era extremamente profissional e Ívi achou uma graça ter partido dela o convite para se encontrarem novamente depois daquela noite.

Almoçaram juntas no dia seguinte à noite em que ficaram e terminaram combinando que ela iria no restaurante mais tarde para assistir a versão latina de Haíz! E nunca mais houve ao menos menção de Noah a dormirem juntas ou não, ainda que oportunidades não tenham faltado. Elas se viram durante todos os dias desde então, fosse para almoçar ou para um jantar rápido antes de um show, se viram pela empresa nos dias em que Ívi foi trabalhar e na primeira vez que saíram juntas para irem embora, pegar a mão uma da outra assim que atravessaram o portão da empresa foi algo natural tal como Ívi ter proibido qualquer “elogio” desrespeitoso dos outros funileiros sobre a beleza de Noah na sua presença. Não podiam, ponto, não ia admitir, não admitia antes imagina agora que… Bem, tinham alguma coisa.

Não nomeada, não pressionada, apenas alguma coisa muito boa, que estava fazendo muito bem a Ívi. Chegaram à praia, onde Ívi deu uma olhadinha orgulhosa para Julia Torre fazendo um show de bolero e tango com uma tenuidade tão grande que ninguém por ali diria que ela não era argentina. O sotaque, a expressão, o talento que tinha em cantar sem quase se mover e ainda assim, manter a atenção plena de todo mundo em si. Noah foi lá para o seu vôlei, Ívi foi dar a sua voltinha e levou determinados olhos verdes em si por um bom tempinho. Noah sabia da atenção dividida de Ívi, sabia que metade dela estava em seus braços e a outra metade estava em Londres, com uma espanhola que tinha o poder de lhe tirar de corpo presente sem sequer precisar lhe mandar uma mensagem. Estava com Ívi e então ela levantava voo para outro lugar e Noah não via a hora de poder conhecer a tal galega que tinha tantos poderes sobre aquela moça de quem estava gostando tanto.

E mal sabia ela que os poderes de Laura se estendiam para outros fios também.

Ívi colocou seus fones de ouvido patinando naquela noite quente enquanto tentava entender o quanto a ausência de Laura estava contribuindo para o bajón de Karime. Assim definiu Julia, Karime tinha entrado em queda livre de repente e parecia ter relação com a ausência de seu ponto de equilíbrio. Fosse direta ou indiretamente. Diretamente: ficar sem Laura lhe afetava, porque era sua melhor amiga e a quem Karime mais recorria. Indiretamente: a ida de Laura tinha afetado Julia e consequentemente, afetado a relação que tinham com Thai. Thai estava dividida, sofria por ver Julia ainda sofrendo por outra pessoa, mas ainda assim, não queria ficar longe dela e há uns dias que depois de uma longa e franca conversa, as três juntas decidiram não mais ficar até que os sentimentos estivessem claros e separados. Porém, esta decisão causou uma reação tanto esperada como inesperada: Julia e Thai andavam mais juntas do que nunca e isto também podia estar afetando Karime, era difícil dizer e nessa história densa, complicada e com tantos fios emaranhados, havia também um terceiro lado.

Havia algo que a mãe de Laura dizia e que ela vivia repetindo.

Algunos àngulos del cielo no verán la luz jamás, ou seja, alguns ângulos do céu nunca verão a luz jamais, mas não significa que a luz não está lá. Era assim que Claudia explicava partes de sua depressão crônica. O céu de Julia estava negro feito uma tempestade assustadora desde quando Laura partiu, mas cada vez que Thai se aproximava, a luz aparecia. Thai era uma linda fresta de luz, era o motivo da maioria dos seus sorrisos, estava claro que era algo bom, estava claro que acontecia entre aquelas duas meninas medrosas um sentimento enorme, todo florido querendo existir. Claro o suficiente para Ívi ver, claro suficiente para Karime sentir.

— Você está vendo esta cidade, Ívi? — Karime lhe perguntou numa tarde em que juntas no sofá, assistiam a um programa no TLC sobre Veneza — Linda, mas fétida. Romântica, mas melancólica. Afundando em si mesma ano após ano, sem que ninguém possa fazer nada para impedir.

E o passar daqueles dias, tal como a bela Veneza, só fez Karime se afundar, um pouquinho mais a cada dia passado, um pouquinho tão delicado que apenas olhos treinados poderiam perceber.

Laura fazia falta sim. E o dia seguinte lhes mostraria o quanto de maneira assustadora.

Notas do Capítulo:

Garotas!

Como estão todas?

Este capítulo seria postado somente às 18h00 nesta quarta, mas conseguimos correr aqui e deixar tudo pronto para hoje de manhã. Tess está viajando a trabalho e tudo está uma loucura. Sábado fomos ao teatro assistir a peça "O Fantasma da Ópera" e gente, foi simplesmente sensacional. Quem tiver a oportunidade, por favor, vá, uma obra-prima ^^ No domingo fomos assistir ao show da dupla Sandy e Jr, e foi também simplesmente maravigold hahahaha. Voltar a ter 16 anos foi uma nostalgia sem igual ;)

E nem bem conseguimos nos recompor desse final de semana de loucas, Tess viajou a Belém na segunda, na quarta está viajando ao Rio e na sexta retorna pra casa. Tudo isso a trabalho e sem tempo para respirar. Ufa, que loucura total!

Bom, mas coisas boas estão acontecendo o tempo todo, e isso é a recompensa para todo esse trabalho. Como falamos, Bali já está pronto, e ficou lindíssimo demais. E estamos vindo com várias surpresinhas para a pré-venda que será em outubro. Não vamos conseguir adiantar, pois dia 11 saímos de férias e só retornamos em outubro. Por isso também os capítulos neste mês de setembro começarão a ser semanais. Mas meninas, somente em setembro, ok?! Outubro retornamos ao normal, prometo a vocês. E para compensar essa notícia não tão boa, conto aqui baixinho que já está chegando o tão esperado momento ^^ E ele está fantástico, hein!!!

Bom, então, nossa meta de 25 comentários é a mesma das semanas anteriores, e domingo explicamos melhor como tudo vai proceder nesse próximo mês de setembro.

Beijos e fiquem bem *-*

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