6 AM - Capítulo 34 - Norime


6 A.M.

E Laura acordou com a cintura de Ívi grudada contra os seus quadris, acordou com a mão dela em seu seio, pressionando seu piercing, a boca em sua nuca e o tesão em sua mente, como podia? Acordou sorrindo, se virando para ela, sabendo o que ela queria, era amor ao amanhecer, porque tudo o que tinham feito na noite só servira para lhes deixar com mais vontade ainda, para lhes encher de saudade ainda que estivessem dormindo assim, bem juntinhas uma na outra, respirando uma a outra, dava saudade, de beijar, cheirar, fazer amor, porque amor era algo no qual as duas estavam absolutamente viciadas...

Ívi rolou para cima dela e fizeram amor intenso, enquanto o sol nascia forte lá fora, o clima tinha mudado, o verão estava chegando e fazer amor com Ívi assim, antes mesmo de abrir os olhos...

Laura ainda não estava acreditando. Não tinha a ver com Kelsey, nem com a situação anterior, a verdade é que Laura sabia que seria de Ívi assim que colocou os olhos nela naquele trem e por nenhum motivo, a levou para casa. O que ela não conseguia acreditar é que Ívi tinha mesmo durado. Que tinha esperado, que estava disposta porque quando a viu ficando com tantas meninas, temeu que o que ela sentisse por si não fosse tão diferente, mas depois de tudo o que tinham passado, da história construída até aquele momento ali... Estava enganada com Ívi, definitivamente estava e nunca uma enganação lhe fez tão bem para alma como esta. Ívi não era nada do que achou que ela seria e até as coisas que ela levemente era, agora estavam diferentes.

O orgasmo veio duplo e gostoso, com Laura toda agarrada em Ívi, com os sorrisos abertos, um olho dentro do outro enquanto lutavam para manter o silêncio, afinal, tinha muita gente dormindo, e então que...

Amoriño, eu quero dormir... — Ívi pediu, relaxando inteira, deitando-se no peito de Laura com o orgasmo ainda correndo na pele, a fazendo sorrir.

— Ah, você me acorda e agora quer dormir?

— Só um pouquinho, dez minutos, só dez minutinhos...

Laura beijou os cabelos dela, lhe fez um carinho atrás da orelha.

— Dorme sem horário, meu bem, eu sei que você está cansada, aproveita para dormir hoje que você vai trabalhar mais tarde, não vai?

— Mas você vai comigo...

— É claro que eu vou — Beijou a testa dela com carinho.

Deixou que ela pegasse no sono novamente, a mantendo em seu peito, sentindo o cheiro dos cabelos dela, aquela pele quente contra a sua e quando teve certeza que ela estava dormindo, levantou devagar, beijando a nuca dela com carinho, beijando a tatuagem de flecha bem no meio das costas dela, Ívi era linda demais, Laura nem sabia. A deixou dormindo, tomou um banho delicioso enquanto organizava seus pensamentos sobre tudo o que tinha acontecido nos últimos dias. María tinha ficado mais calma em casa e queria muito que esta calma perpetuasse, Kelsey foi o melhor término possível, Julia a melhor reação de término que sequer achava que era possível, Thai feliz com Julia e, Karime tão bem, tão em si... Não podia reclamar de nada, de nem uma coisa que fosse, não podia mesmo.

Pôs um biquíni, preto, justo, bem feminino, achava que Ívi iria gostar e se perguntou há quanto tempo já fazia isso, há quanto tempo já se vestia para os olhos dela, para fazê-la feliz. Fazia tempo pra caramba. Pegou uma minissaia da mesma cor, arrumou os cabelos, creme na pele, maquiagem leve, perfume, outro beijo naquele amor da sua vida e saiu do quarto.

Mal colocou o pé para fora e já abriu um sorriso porque, bem agarradinhas no sofá sob um edredom, Karime estava dormindo profundamente, com Noah toda pegada em si, lhe abraçando pelas costas e com o nariz enterrado em sua nuca como se... Outro sorriso, como se ela estivesse a respirando. Sorriu e foi para a cozinha, pensando em adiantar o café para as meninas e, Thai já estava de pé.

De pé, de biquíni azul, kimono florido, tomando uma xícara de café sem conseguir parar de sorrir.

— Laura...

Laura veio e a abraçou, com muito amor, muito carinho.

— Ei, stroopwafel, bom dia!

— Bom dia, chá de hortelã — Beijou o ombro de Laura com carinho e então tomou a sua mão — Vem, eu vou pegar um café para você, precisamos conversar!

— Espera! Eu te trouxe stroopwafels...

— É sério?

— Muito sério, você precisa provar!

Ela foi pegar um café para Laura e Laura foi buscar os stroopwafels comprados em Londres, Kelsey tinha comprado uns três pacotes para cada, sua britânica não era nada econômica nos presentes e Thai recebeu o apelido, mas nunca tinha provado um stroopwafel na vida! Xícaras abastecidas e biscoitos em mãos, e foram tomar café lá fora, sentindo o sol suave, o cheiro de mar, aquele visual de mar e montanhas que Laura tanto adorava. Já tinha estado naquela casa antes e adorava aquele clima. Pegaram cafés quentes e colocaram o biscoito para derreter sobre a xícara enquanto curtiam aquele solzinho da manhã.

— Laura, você não faz ideia de como foi... — Ela lhe contava sorrindo demais.

— Você contou pra ela?

— Eu fiquei pensando nisso desde a hora em que ela me pediu em namoro, que talvez devesse falar, porque ela fez uma coisa linda por mim e... — Não conseguia parar de sorrir mordendo seu stroopwafel — Só não fazia ideia de que o efeito seria tão bom.

— Eu falei pra você que não fazia sentido esconder algo assim, principalmente da Juls.

— Virgem aos vinte e dois, Laura?

— Qual o problema? Você não tinha achado nem conforto na sua sexualidade, imagina a pessoa certa para entregar a virgindade. Se você tivesse dito isso para Julia desde o começo, ela teria feito tudo diferente, eu tenho certeza, eu conheço a Juls, é o tipo de coisa que ela cuida, dá importância. Me fala como ela reagiu — Pediu sorrindo.

— Linda, cuidadosa, ficou repassando toda a minha primeira vez para ver se tinha sido carinhosa suficiente, delicada o suficiente e elas foram, as duas foram, a Karime é mais velha, é experiente, eu sei que ela percebeu que era mais do que uma “virgindade de gênero” e cuidou para que tudo fosse perfeito. Laura, ninguém nunca acreditará no tanto de amor que há entre nós três, nas camas românticas que nós tivemos.

Amor é mais que um número.

— Amor é mais que um número, é isso mesmo. E ontem com a Julia... Ela foi minha — Contou sorrindo e passando a língua pelos lábios quando o caramelo escapou de sua mordida.

— Finalmente! — Laura não estava acreditando! Julia iria acordar no céu — E como foi? Você ficou bem? Se sentiu à vontade?

— Ah, Laura, eu estava nervosa, mas também estava flutuando, então... — Mais sorrisos — Eu me senti incrível, senti um empoderamento, eu nem sei te explicar, eu me senti... — Mordeu a boca — Sei lá, minha confiança está aqui na minha garganta de tão alta, eu me senti confiante, bonita, sexy, a Julia é... Uma delícia, eu sou louca por ela e nada é melhor do que poder dizer isso claramente. Eu não faço ideia de como as coisas serão, agora nós estamos aqui, no meu cabo, na minha cidade, neste espírito de férias, com romances acontecendo para todos os lados, porém... A realidade pode ser diferente, eu não sei.

— A gente nunca sabe, Thai — Mordeu seu stroopwafel o terminando — Olha pra mim, eu passei um ano me idealizando com a Kelsey, planejando com ela o nosso relacionamento, como deveria ser, como podia funcionar, ela é estável, atraente, tem muito claro o que quer, deixava claro o que precisava de mim, que vida seria nossa e no final das contas... Eu tropeço na Ívi. Que tem todas as coisas que me assustam, que me deixam um pouco insegura, eu não faço ideia de como será o nosso relacionamento, não sei bem no que eu posso ajudá-la a crescer, não sei se ela é a mulher que vai fazer todas aquelas coisas que eu sonho em segredo...

— O casamento, os bebês... — Karime surgiu, abraçando Laura por trás com muito carinho.

— Essas coisas! Que só vocês sabem...

— Tem que contar pra gata de rua, chá de hortelã — Thai se levantou, dando um beijo longo na testa de Karime que estava... Sorrindo, brilhando com um sorriso lindo no rosto — Eu vou pegar café para você.

Stroopwafels! Eu estou sentindo esse cheiro...

Thai foi lá pegar café, stroopwafels, deixando Laura e Karime sozinhas por um instante.

— Adivinha, só adivinha: eu acordei e tinha alguém respirando você!

E Karime mal conseguia parar de sorrir, estava igualzinha a Thai.

— Laura, você viu aquela garota? A minha garota, que eu sentei a pancadaria num cara para defender? Essa menina não parece que existe, Laura, por um tempo você sabe no que eu acreditei...

— Que tinha sido uma crise — Laura lembrava desta parte, uma semana depois, Karime achava que não tinha acontecido de verdade — Que ela nem existia.

— Pois então, ela está aqui agora e eu ainda acho que ela não existe. Olha a minha Nutella, gente — Ela estava voltando, com o café, os biscoitos de Karime e pãezinhos doces que ela tanto gostava de comer pelas manhãs — Eu te amo, sabia?

Ela lhe beijou a testa sorrindo.

— Eu também te amo, olha o privilégio — Sentou-se de volta — Você tem razão, Laura, foi um privilégio.

— Perder a virgindade com alguéns que você continua amando, foi um privilégio.

— Ei, é uma confirmação?

— Eu contei pra Julia ontem, então faltava você — Pegou a mão de Karime carinhosamente — Obrigada. Por ter sido tão linda, tão cuidadosa, mesmo sendo apenas uma desconfiança sua.

— Thai, você é louca, sabia? — Karime respondeu sorrindo, vermelha de nervoso! E beijando a mão dela com carinho — É mais louca que todas nós, como é que você perde a virgindade num ménage?

— As meninas eram lindas, eu não consegui decidir, não me julga... — Disse, arrancando mais sorrisos de Karime e Laura.

— Não vou julgar não — Mas foi algo que tirou o sono de Karime por dias, tinha sentido que algo era diferente em Thai — Você está feliz, Nutella? Sua noite foi linda? Porque audivelmente, pareceu bem linda pra mim...

Mais sorrisos.

— Foi linda sim, foi perfeita demais, eu nem acredito que aconteceu mesmo e que... Eu não acredito.

— Você está muito apaixonada, nem precisa explicar. Karime, você e a Noah...?

— Estamos beijando gostoso e ainda não... — Outro sorriso — Vocês vão rir de mim, mas eu quero que seja especial...

Riram, mas riram muito, riram demais porque era a última coisa que esperavam ouvir da boca de Karime!

— Ela quer, aliás, ela sempre quer, é um atrevimento que eu nunca vi em hétero nenhuma, mas ela está me cuidando, me respeitando, descobrindo os meus limites e tem sido muito bom, de verdade. Eu ouvi que vocês estavam falando sobre estarmos aqui neste paraíso e podemos estar iludidas com as nossas recentes relações, mas... Eu quis essa menina por dois anos. Quis que ela tropeçasse em mim de novo por dois anos. E queria com outros requintes, queria o tropeço, então queria que ela fosse ao menos bi, daí queria que ela se interessasse por mim e de repente, aconteceu tudo isso. No meu pior momento e eu sei da minha instabilidade, ela sabe disso também e eu não vou desperdiçar a chance. Eu não sei exatamente qual é o nível de interesse dela em mim, mas eu sei que ela vai voltar para o Rio apaixonada por mim. Eu vou fazer por onde, eu vou merecer aquela mulher linda que está dormindo ali no sofá da sala, meninas, ela vai ser a minha relação séria, a mulher que vai ficar aqui por mais tempo em mim. E isto não sou eu sendo intensa, eu estou medicada — Disse, arrancando sorrisos — Isto sou eu me comprometendo com o tanto de coisas que ela já me fez sentir. Eu tenho que fazer durar, essa sensação de paraíso, eu tenho que fazer durar.

E isto particularmente, mexeu com a mente de Laura. Não deveria temer o que viria pela frente, deveria lutar para fazer a sensação de paraíso durar. Era isso, era simples.

Guapa? Meu amor, cadê você? — Era Noah, é claro que era Noah, que tinha acabado de acordar, sem Karime por perto e aquele tom de apego na voz dela... Fez Karime sorrir de imediato.

— Aqui, bebê, vem aqui fora, vem.

Ela apareceu, de cabelos desgrenhados, calça moletom de Karime, sutiã preto e sexy escondido por baixo da camiseta que ela veio vestindo, deu bom dia para as meninas e veio direto para o colo de Karime, cheia de carinho, a beijando devagar, a abraçando longo, gostoso, apegado demais. Karime a beijou no colo, a cheirou porque ela era toda cheirosa e gostosa o tempo inteiro.

— Fica aqui, bebê, eu vou pegar o seu café...

Foi pegar o café dela enquanto Noah interagia como se sempre houvesse estado ali, ela e Laura se deram extremamente bem, assunto fácil, sorriso fácil, a sensação de bem-estar permeando todas as coisas. Laura foi ver como Ívi estava, estava exausta ainda, ainda queria dormir e o mesmo acontecia com Julia, pediu por favor para dormir só mais um pouquinho e dava para entender, é claro que dava. Decidiram ir as quatro para a praia já que estavam despertas e precisando de sol, deixaram um bilhete dizendo onde estavam e quando Ívi finalmente acordou, já era quase meio-dia.

Não acreditou que tinha dormido tudo aquilo, mas era o efeito Laura em si, estava muito cansada e ela estava lhe deixando extremamente relaxada, acordou sorrindo, pensando no amor pela manhã e já morrendo de saudades de sua galega. Tomou um banho, pôs um biquíni, andou pela casa vazia, tinham lhe deixado café da manhã e Ívi desconfiava que Julia também não tinha levantado. Foi até o quarto de Thai e lá estava ela, sentada na cama de olhos fechados, lutando demais para acordar. Ívi abriu um sorriso e pulou sobre ela na cama, a derrubando forte, a sufocando sob o seu corpo.

— Ívi, Ívi! Você quer me matar?

— Quero te fazer acordar, Torre del Mar! Sua namorada está na praia te esperando, sabia?

Ela abriu um sorriso lindo, se virando para abraçar Ívi com carinho.

— Ela está. Eu nem acredito que estou usando este título novamente, de namorada de alguém.

— Mais do que isso, namorada da menina que você gosta. Vamos, levanta, toma um banho, põe um biquíni e vem tomar café.

Julia fez isso, tomou banho, biquíni verde, bonito e foi encontrar Ívi tomando café lá fora. Aquela casa era um sonho. O que tinha acontecido no quarto de Thai também.

— Só café que elas estão esperando a gente para almoçar — Ívi entregou uma caneca de café a ela — Eu tenho uma pergunta tão cafajeste para fazer que nem sei por onde começar... — Disse, fazendo Julia morrer de rir!

— Aconteceu tudo! Tudo o que você possa imaginar e mais coisas que eu sequer tinha imaginado na vida, Ívi... Foi bonito, gostoso, intenso demais. Eu não quero comparar nada, mas não dá para não comparar. Ívi, a Laura me fez esperar por dois anos pela minha primeira vez, a gente se pegava, se agarrava, gozávamos juntas, mas nada de sexo mesmo e quando aconteceu... Foi incrível, o tesão acumulado, a vontade guardada por tanto tempo, foi muito forte e eu acho que passei tanto tempo presa na Laura em busca dessa sensação incrível outra vez, que acontecia toda vez que a gente fazia amor, com gosto de subversivo, de proibido, ela era a minha garota proibida e eu achei que nunca mais ia sentir nada parecido. Até ontem — Sorriu — Ontem eu senti algo igual, algo poderoso outra vez por que... A Thai me negou por um ano inteiro e não poderia ser mais especial, mais gostoso do que foi, eu zerei a vida naquela boca, Ívi... — Disse, a fazendo rir demais.

— Foi tão bom assim?

— Você não faz ideia, IDEIA! Espera, talvez você saiba, como foi com a Laura?

Casi me muero... — Respondeu, causando riso em Julia — Juls, eu passei a te considerar muito equilibrada depois de ter perdido a Laura, eu entendo os seus motivos, todos os seus motivos, eu vou ficar igualzinha se perder aquela mulher porque, meu Deus...

— Não se espera toda aquela atividade, eu sei... Feliz, Ívi?

— Extremamente. Nós estamos indo bem, eu tenho dinheiro guardado no banco, estou conseguindo ajudar a minha família que seja um pouquinho, tenho onde morar, onde dormir, tenho amigas preciosas e a mulher pela qual eu estou morrendo de amor está namorando comigo. Eu não preciso de mais nada. Nem uma coisa mais que seja.

— Me dá a sua mão.

— Quê? — Sorriso.

— Sua mão, vamos — Pegou a mão dela na sua, no alto, entrelaçando os dedos, tal como sempre faziam antes de começar um show — Eu quero que você lembre dessa sua frase, está bem? Que não precisa mais de nada se mantivermos o que temos. Eu vou me lembrar da mesma coisa.

Ívi sorriu, beijou a mão dela.

— Eu vou me lembrar sim.

Foram para a praia de scooter! Com Ívi dirigindo porque, Julia era quase uma foragida, nem acreditava que tinham a deixado dirigir no dia anterior. Foram subindo por um morro enorme e cheio de curvas até finalmente chegarem na praia. E Julia, é claro, foi reclamando o tempo inteiro que deveriam estar perdidas, que não tinha como ter praia nas montanhas, mas tinha e a notícia ruim é que tinha uma escadaria gigantesca para descerem até a areia! Não fazia mal, desceram sorrindo, buscando suas garotas com os olhos, as encontraram numa barraca onde o almoço já estava sendo servido!

Peixe, camarão, lula porque tinham uma espanhola pagando o almoço, Ívi ganhou um beijo assim que chegou, de sua menina linda que já estava morrendo de saudades e como já era de costume, além de beijo, Julia ganhou colo e Ívi não fazia ideia de como um colo podia fazer aquela cubana toda independente tão feliz sempre. Elas estavam falando sobre um determinado iate que estava ancorado perto da praia onde dava para ver uma festinha acontecendo.

— Estão dizendo que é a Heidi Guimarães — Thai informou, roubando um camarão.

— Nesse iate cheio de mulheres? — Noah perguntou, ela e Thai falavam a mesma língua.

— Não se pode esperar menos dela, não é? — Era Karime, provando a lula que estava deliciosa.

— É a tal garota do reality que você vive falando? — Laura perguntou.

— Ela mesma! Por isso que eu digo que a fanfic se escreve sozinha, olha ela aqui com esse iate cheio de mulheres!

Heidi era uma sensação da comunidade LGBT, tinha entrado no maior reality show do país, tinha beijado todas as garotas do programa, era bonita, era rica, filha de um magnata da política, era divertida, festeira, dois milhões de seguidores nas redes sociais e brincava de ser DJ, produtora de música, todas essas coisas. Deixaram a celebridade para lá e almoçaram juntas, conversando demais, namorando demais, as amigas de Thai chegaram mais tarde, a ilha de cangas na areia aumentou, o sol estava ardido, gostoso demais e a três da tarde encontrou Karime de bruços na areia. Aquele corpaço todo bem trabalhado, o biquíni preto, estava lendo alguma coisa de óculos escuros quando...

Hum, sua coisa gostosa deitou-se em suas costas, lhe cobrindo inteira com o seu corpo.

— Noah, você vai me matar, sabia?

Você que vai me matar — Beijou o pescoço dela, lhe mordiscando a orelha discretamente — Tinha que ser este corpaço para me tirar da minha hétero-normalidade... — Ela afundou a boca na nuca de Karime, a fazendo rir.

— Sei, já percebi que você tem um tipo...

— Garotas e músculos, sim, você tem razão — Outro beijo carinhoso e, ela lhe deu um copo d’água — Seus comprimidos, guapa.

Karime abriu um sorriso, esta era a sua Noah. Beijou a mão dela e sentou-se para tomar os comprimidos que já tinha esquecido, era tarefinha de Laura controlar isso, mas aparentemente, tinha outra menina linda no cargo agora. Tomou a água, engoliu seus comprimidos.

— Obrigada, cariño. Eu ia lembrar.

— Sei que você ia — Beijou a mão dela com carinho — Como você está? Tudo bem? Vi que você se isolou um pouquinho.

Tinha se isolado um pouquinho, sabia.

— É que elas são barulhentas e a minha cabeça deu uma apertadinha, meu bem.

— Pode ser o sol, amor, está muito quente, podemos dar um mergulho, ficar na sombra, voltar pra casa para dormir um pouco, o que você achar melhor.

Karime olhou para ela. E a puxou para os seus braços, a pondo de costas para si, cheirando os cabelos dela.

— Eu ainda não agradeci por você ter tirado esses dias de folga só para vir até aqui comigo.

Noah apertou os braços dela em si.

— Eu não tirei para vir até aqui com você, eu tirei para ter tempo com você, guapa. Esse lugar é lindo, é maravilhoso, mas eu queria que a gente tivesse tempo, queria que a gente se descobrisse, que... Fizesse ideia, sabe?

— Ideia sobre nos darmos uma chance...?

— Karime, só pela gente ter se cruzado de novo, acho que já nos devemos uma chance, linda, o que eu queria na verdade é que a gente ficasse de boa, que se provasse, visse se isso pode funcionar, você, eu, suas ex que nos cercam... — Disse, fazendo Karime rir e lhe agarrar em um beijo.

— Não tem ex, bebê.

— Sei que não tem. Enfim, eu queria saber como seria, queria até saber como ia ser ver a Ívi com outra pessoa.

— E então?

— Nada, nenhum ciúme. Mas se você decidir ficar com outras meninas...

Karime a calou beijando. Beijando longo, beijando gostoso, beijando e sentindo seu corpo inteiro reagindo a ela. Estavam assim, com tesão apertando só de se tocarem.

— Não está nos planos.

Ela sorriu.

— E o que está nos planos?

— Deixar você doida por mim... — Deslizou a mão pela nuca dela, a puxando intenso para beijá-la gostoso demais, a língua passando para a boca dela, os lábios se mordendo devagar, aquele beijo com gosto de sal e... Noah respirou fundo e marcou o pescoço dela, discretamente, a mantendo muito perto de si — Você me dá dois minutinhos?

— Eu acho que vou mergulhar rapidinho e já volto...

Ia, porque estava morrendo de tesão, estava precisando de um banho e Karime sabia, é claro que sabia. Ela lhe beijou de novo e correu para o mar, enquanto Karime puxou Julia de lado. Falou com ela por um minuto, ela sorriu e disse que dava um jeito e então, Karime correu para o mar e foi buscar sua Noah, nadou até ela, brincaram nas ondas um pouquinho, beijos roubados, mais roubados, as mãos se pegando por baixo e Noah adorava as mãos de Karime, eram grandes, firmes, viviam pelo seu corpo inteiro e cada vez que ela lhe apertava, hum... Era uma delícia total. Se enroscou no pescoço dela, esquentando aquele beijo ainda mais, os braços firmes de Karime em sua cintura, as mãos lhe apertando gostoso demais, a puxando muito intensamente contra si.

Bebé, me duele la cabeza... — Karime confessou, a abraçando contra si. O mar estava azul, quase transparente, o sol brilhando alto, as ondas grandes, intensas — Acho que quero ir pra casa.

— Tem ibuprofeno em casa. A gente pode voltar de scooter, eu deixo o carro para as meninas. Vem, meu amor, vamos pra casa, lá eu te faço um chá, a gente assiste série, fica de namoro no sofá...

Karime sorriu toda derretida. Noah de fato, não parecia existir.

Então que se despediram das meninas e disseram que iam pra casa, de mãos dadas, subindo as escadas na maior calma, na maior paz, tirando fotos, trocando beijos e, foi uma delícia voltar de scooter! Noah foi conduzindo, Karime curtindo o caminho, vendo a montanha, o mar lá embaixo, a areia branquinha, aquela garota linda e cheirosa junto de si, sendo agarrada, beijada porque ela merecia e Karime simplesmente não conseguia evitar, os beijos, a atração, a paixão, nenhuma das coisas. Chegaram em casa e Karime sequer a deixou entrar direito.

A puxou contra si, a pegando pela cintura, subindo a mão pela garganta dela enquanto a beijou gostoso demais, a grudando inteirinha contra seu corpo, a fazendo se arrepiar e sorrir ao mesmo tempo.

— Ei! — A beijou sorrindo, a sentindo — Eu vou pegar o seu ibuprofeno, bebê...

— Eu já tenho o meu ibuprofeno... — Karime a beijou outra vez, sorrindo demais, a levando para dentro, fechando a porta atrás de si, deslizando as mãos pelo vestidinho que ela usava, deixando a boca sobre os seus seios, a sentindo agarrar as mãos firmemente pelos seus braços porque ela adorava seus braços, adorava seus músculos e Karime nem sabia de nada. Seguiu o beijo e soltou o vestido dela suavemente, a agarrando pelos quadris, delicadamente lhe segurando pela garganta e mordiscando o seu pescoço, a mão descendo, encontrando o bumbum dela e Noah...

Já não sabia nem o próprio nome mais.

Tirou a camiseta de Karime, abriu seu jeans, a mão desceu até seu biquíni e Karime sorriu, já estava acostumada com aquela mão atrevida lhe agarrando pela frente, com aquela boca lhe lambendo a pele, lhe roubando o sal, o tesão pulsando, a vontade gritando e Karime correndo a boca pelo ombro dela, abrindo seu biquíni na nuca, buscando o nó no meio das costas e Noah mordeu a boca sorrindo.

— Está tudo bem, mi cariño? — Perguntou, ainda com a mão sobre o nó nas costas dela, a beijando pelos ombros com muito carinho.

— Se você soltar esse nó estará... — Respondeu com aquele sorriso lindo demais, com aqueles olhos verdes brilhando e Karime...

Grudou a boca no pescoço dela enquanto suavemente, seus dedos soltaram aquele nó.

Aos beijos a levou para o sofá onde tinham feito amor sem sexo nas últimas duas noites, o sofá onde riram muito, onde assistiram séries, filmes qualquer, o sofá onde passaram quase uma noite inteira se beijando, se amassando, rindo demais, se curtindo demais, o sofá dos longos olhares, onde dormiram tão agarradas, tão intensas, o lugar onde Noah lhe respirava fazendo Karime sorrir em segredo, sonhar em segredo, pensar que podiam sim ser mais, mais que aquele sofá, mais do que uma história boa que tinha tudo para dar certo. Queria ser mais com Noah. Mais qualquer coisa desde que fosse com ela.

A deitou no sofá, sentindo as pernas dela enroscarem envolta de sua cintura deliciosamente, sentindo aquelas mãos lhe agarrando as coxas, se ansiando para lhe tirar o biquíni, a parte de cima se foi e a boca dela veio direto para os seus seios, fazendo Karime gemer e se arrepiar inteira ao sentir a boca dela, aquela língua ansiosa demais, gemeu, suspirou, apertou os lábios enquanto Noah ficava absolutamente louca por ela. Karime era uma coisa e assim, com a pele morena ainda mais queimadinha de sol, com gosto de sal na pele e o seio endurecendo completamente contra a sua boca... Estremeceu demais, sentindo uma vibração intensa pelo seu corpo inteiro e uma ansiedade que só conseguia lhe fazer pensar em uma coisa:

Já tinha esperado demais.

E Karime era a coisa mais gostosa da vida.

— Vem cá... — Noah a puxou para si.

Bebê, hum... — Foi só o que deu tempo de Karime expressar.

Noah lhe puxou para sua boca, lhe pegando pela cintura, lhe agarrando com uma força que Karime não esperava dela de jeito nenhum. Ela lhe beijou a coxa, uma, duas vezes e na terceira, simplesmente puxou seu biquíni de lado e lhe colocou na boca, assim, rápido, direto, de surpresa, fazendo o abdômen de Karime se comprimir inteiro, fazendo seus joelhos afundarem contra o sofá e todo seu corpo se descontrolar de tesão. A agarrou pela nuca, vendo aqueles olhos lhe buscando, lhe querendo, o toque mais do que ansioso, aquela língua que não sabia bem para onde ir e na dúvida ia para todos os lugares, tocava, pegava, arrepiava, o corpo de Karime se eriçando inteiro, a mão dela lhe alcançando o seio, pegando firme, gostoso demais e quando deu por si, era isso, cresceu por dentro, correu por baixo da pele, a mão na nuca de Noah, aqueles olhos lhe olhando, submissos, sexy demais, Karime molhada, salgada, excitada, a pulsação subindo, se digladiando contra a língua dela e...

Hum. Karime derreteu, gozou forte demais, seu abdômen comprimiu, suas coxas tremeram e sua mente foi para outro lugar, para outra dimensão, um outro sentimento, algo quente, excitante demais, gozou intenso e puxou Noah para cima, para sua boca, para um beijo ardente, tremulante, seu corpo inteiro estava tremendo, reagindo, arrepiando e Noah... Ela estava sorrindo e estava muito, mas muito excitada.

Karime se livrou da parte de baixo do biquíni dela só de uma vez, a beijando muito, ainda sobre ela, agarrando aquele abdômen gostoso, aqueles seios lindos e quando colocou um dedo dentro dela, ela gemeu seu nome, girou sobre o próprio corpo e Karime a segurou de costas para si, cruzando o braço pelos seios dela, lhe mordiscando a nuca, o lóbulo da orelha, ela lhe agarrou firme, ansiosa, excitada demais e, Karime escorregou outro dedo para dentro dela, que estava quente, molhada, pulsando, sentia as pulsações, sentia a excitação e ouvir Karime falando em espanhol no seu ouvido enquanto faziam amor...

Noah gozou, gostoso, se derretendo inteira, vibrando contra os dedos de Karime, gozou e aquele corpaço veio para cima de si outra vez, lhe pressionando, lhe prendendo, foi virada de frente e sentiu aquela pressão deliciosa, os corpos suados, pulsando, a boca de Karime lhe pegando inteira, lhe marcando inteira e quando ela desceu para entre suas pernas...

— Karime...

Ela afundou um beijo na parte baixa de sua cintura.

Mírame, amor. Mírame...

Mírou a ella. Enquanto Karime descia beijos e beijos, cintura, coxas, seu joelho e este beijo fez Noah sorrir docemente, Karime beijou sua mão quando Noah lhe fez um carinho e pensou que nada poderia ser mais doce. Karime lhe beijou os dedos, os manteve perto de sua boca.

Mírame, mi amor, eu preciso ver esse teu olho lindo o tempo todo...

Foi assim que ela lhe tomou. Lhe dizendo algo doce enquanto pedia os seus olhos e mergulhava entre as suas coxas, enquanto lhe tocava delicada e profundamente, enquanto sentia na sua boca pela primeira vez aquela menina pela qual estava tão louca. Karime a tomou muito devagar, desfrutando cada segundo, a sentindo em cada segundo, a respiração dela acelerando, a mão que pediu pela sua, as coxas estremecendo de leve, os gemidos também e quando Noah sentiu o tesão apertando e apertando...

Lembraria do sol se pondo, lembraria de apertar a mão de Karime com força, do seu corpo tensionando, tentando sair do sofá, lembraria de achar os olhos dela com os seus e do sorriso de quando ela percebeu que o prazer já estava explodindo. Foi doce e gostoso. Foi de corpo inteiro e de algo mais, algo tênue e dourado, tal como aquele sol de final de tarde.

Não se moveram do sofá, não puderam se mover. Ficaram deitadas juntinhas, com Karime toda agarrada em Noah, deitada em seu peito, sentindo os braços dela em volta de si, enquanto ela lhe cheirava, lhe sentia, lhe tinha perto. Os corpos sensíveis, o tesão ainda acontecendo, a pele ainda vibrando e uma paz tão intensa que...

Uma playlist tocava baixinho no celular.

— Acho que faz muito tempo que eu não sinto nada assim, guapa. Essa... Tranquilidade. Seu coração batendo no meu ouvido deve ser a coisa mais relaxante do mundo, meu amor... — Beijou o colo dela sorrindo e sentiu outro sorridente beijo em sua testa.

— Deu uma calma, não é? — Noah cheirou os cabelos dela mais uma vez — Eu imaginei mil coisas sobre ter uma garota na minha boca, mas não cheguei nem perto de como realmente foi... — Contou sorrindo e isso despertou a imediata atenção de Karime. Ergueu o rosto, olhou para ela.

— Como assim? Você e a Ívi...

— Sim, mas com um monte de restrições... — O sorriso seguia enquanto fazia um carinho em Karime — Eu acho que eram duas coisas, um, ela estava mesmo se resguardando para a Laura, e dois, ela realmente queria que fosse mágico para mim. Ela me disse que a primeira vez que eu fosse ter essa experiência tão delicada e tão íntima, eu deveria estar apaixonada pela garota, e... — Olhou nos olhos de sua guapa um pouco mais — Eu acho que estou apaixonada por você há dois anos. Tinha que ser você, amor. Você começou esse incêndio na minha mente, nas minhas certezas... — Mais sorrisos — Tinha que ser você.

E Karime abriu um sorriso enorme, a beijando novamente, muito dócil, muito carinhosa, feliz demais, sentindo algo vivo na sua pele, vibrando, existindo, nem sabia explicar.

— Você deveria ter me contado... — Por que elas nunca lhe contavam?

— Para ser mais perfeito do que isso? Nós passamos duas noites juntinhas, apenas se sentindo, se acostumando uma com a outra, eu já te conhecia inteira, nós tomamos banho juntas ontem...

— E foi uma delícia — Outro beijo carinhoso no colo dela.

— Uma delícia, eu senti você, a sua pele, o seu cheiro. E daí hoje você me engana, me traz pra casa, coloca música pra gente ouvir, me pergunta dez vezes se deve mesmo, faz olhando nos meus olhos, me faz sentir linda, confiante, o que poderia ser melhor que isso?

Estoy enamorada de ti — Confessou, fazendo aqueles olhos brilharem demais — Você mexeu tanto comigo que eu nem sabia onde pôr as minhas mãos enquanto te levava para casa. Eu pensava em você e me perguntava em horas aleatórias onde você deveria estar, o que deveria estar fazendo, onde eu precisava ir para te achar de novo. E repetia para mim que não ia congelar de novo — Sorriso, olhos brilhando muito, cristalizando — Mas eu congelei quando te vi na porta. E deixei você falar por uma meia hora inteira só para eu ter certeza se não estava louca.

— Você não é louca, meu amor, não diz isso, está bem? E também não teria problema se fosse louca mesmo, eu provavelmente ia querer igual...

Karime riu e a beijou novamente, ainda olhando naqueles olhos lindos contra o pôr do sol.

— Me diz novamente — Noah pediu.

— O que quer que eu diga de novo?

— Que está apaixonada, me diz de novo... — Ela pediu, toda manhosa e Karime repetiria, é claro que repetiria, o que ela pedisse, qualquer coisa que fosse.

Porque não havia comprimido neste mundo que lhe relaxasse e lhe causasse bem-estar maior do que Noah Andreesco andava causando.

Estavam no banho quando as outras garotas chegaram. Karime tinha pedido três horinhas de tempo para Julia, que ela mantivesse as garotas fora de casa até às seis, porque tinha assuntos importantes a tratar com Noah que não podiam mais esperar. Ela manteve até às seis e meia. Chegaram e tinham mais três horinhas até a hora de sair novamente, Thai e Julia dividiram o banheiro externo e foram se deitar um pouco, Ívi e Laura dividiram o banheiro da suíte e fazer amor no banho já era parte do ritual. Ívi tinha passado todas as vontades do mundo na praia, porque ver Laura de biquíni era algo para o qual não tinha estruturas ainda, os beijos sem culpa era outra coisa linda, dançar com ela era uma delícia, apenas ficar com ela, conversar, contar coisas, sentir a mão dela agarrada na sua com toda a propriedade, tudo era novo, era fresco, tinha gosto de paraíso sim.

Foram para a cama depois do amor, onde sua galega estava em uma lingerie mais do que sexy, toda cheirosa, quentinha demais, pedindo os braços de Ívi, seu peito para dormir um pouco, ah, não, tudo ainda parecia irreal mesmo. Dormiram um pouco, agarradinhas assim, cansadas por causa do mar, do sol, dos dias intensos e na hora de despertar, só conseguiram porque Julia e Ívi tinham mesmo que trabalhar. Acordaram com uma surpresa carinhosa, Karime e Noah tinham feito o jantar e um belíssimo jantar, uma paella incrível apenas com o que tinham disponível na cozinha. Aquelas duas estavam leves, felizes demais, dava para ver, sentir e tal efeito atingia as outras quatro meninas naquela casa também. Jantar delicioso, com música boa tocando, assunto que não acabava e começaram a se arrumar para a noite. Laura separou um vestido vermelho, lindo, esvoaçante, com uma fenda na perna que era uma tentativa de assassinato, Ívi se vestiu, com a sua lingerie Calvin Klein, calça jogging, preta, justa, acima dos calcanhares, mostrava o cós da calcinha na cintura e para cima...

— Sem camiseta, amor.

— Laura... — Que ousada ela estava!

— Sem camiseta — Ela continuou sorrindo, beijando o colo de Ívi — Põe só a jaqueta e, espera, eu trouxe algo que é seu e da Julia...

Foi chamar Julia lá fora e o que era delas duas...

— Laura, que coisa mais linda... — Eram duas correntinhas de ouro, com “Haíz” ligando uma ponta a outra, brilhava demais.

— É um presente da Kelsey para vocês duas, foi feito na Itália por um ourives milano que ela adora e eu achei lindo demais... — Disse, já pondo a correntinha no pescoço de Julia, que já tinha mais três correntinhas no pescoço, ela adorava ouro, fazia parte da sua alma cigana e ficava lindo no palco.

— Laura, ela é muito legal, eu nem sei te explicar aquela britânica... — Kelsey não parava de surpreender Ívi de jeito nenhum.

— Eu também não sei, ela queria deixar algo especial com vocês, disse que — Foi colocar a corrente em Ívi — Vocês deram sorte a ela na Olimpíada, tocaram Edge of Glory para ela na final, apoiaram demais, a fizeram popular no Brasil, enfim, vocês estavam lá no sonho dela, ela só quer estar aqui de alguma forma no sonho de vocês.

— Detestável essa britânica, por que que ela tem que ser tão legal? — Era Julia, sorrindo demais com seu presente.

— Ela é, absolutamente detestável — Sorriso de Laura também e, beijo no rosto de Julia — Você está linda demais, como pode? — Ela estava de short curto, preto, de tecido, feito à mão, uma camiseta básica por baixo, mas o casaco curto por cima era mágico, tecido preto, mais pesado e uma galáxia desenhada com fios dourados, runas para todos os lados, era místico, muito indígena, cheio de ancestralidades.

— Thai me vestiu e fez esse casaco que... Estoy flipando, é lindo demais!

— E novamente, não temos nada a ver uma com a outra no visual!

— Pois eu me sinto muito indígena hoje, sinta-se representada, tá — Julia respondeu sorrindo e Laura se lembrou de uma coisa.

— Espera, eu vou te deixar mística também.

E Laura tinha trazido muitas, mas muitas coisas de Camden Town! E dentre essas coisas, tinha trazido tintas fluorescentes que brilhavam no escuro.

— Somente a azul-neon, está vendo? Vai destacar no palco quando tudo acender, você conhece os símbolos Matis?

Ívi sorriu, sentadinha na frente dela de olhos fechados, esperando o pincel.

— Acho que você vai ter que se virar com os símbolos de sua tribo, amoriño, eu conheço, mas nem sei explicar...

— Então hoje você vai de celta, não tem problema — Mais sorrisos e Ívi começou a sentir o toque suave do pincel pelo seu rosto, Laura traçou uma linha perfeita, retinha por baixo dos olhos, cruzando o nariz e então traçou uma cruz estilizada no meio da testa — Chama Algiz, é proteção, o símbolo da boa sorte, da vitória, e — Digitou algo no celular, achou o que precisava — Linhas Matis, está vendo? Vou pôr nos seus braços...

Ela traçou outras linhas místicas e perfeitas nos seus braços, o que lhe contava que Laura definitivamente, lhe queria apenas de top Calvin Klein. No final dos símbolos, ela arrumou o seu pingente celta que agora vivia no pescoço de Ívi e colocou outro pingente no seu peito, bonito, imponente, outra pena.

— Deve significar que não vai devolver a minha... — Ívi disse brincando e ganhando um beijo de volta.

— Você me disse que não queria de volta.

— De jeito nenhum eu quero — Outro beijo apegado! — Eu estou tão feliz que você vai assistir a gente hoje...

— Assistir ao vivo, não é? Porque a Noah me permitiu assistir todas as apresentações de vocês em que ela estava presente! Espera, deixa eu olhar para você... — Olhou e, a calça jogging, o Calvin Klein escapando, o tênis nos pés, aquele abdômen gostoso, a tatuagem, o top preto, os diversos pingentes pelo colo, os cabelos desgrenhados e, Laura já estava suspirando — Você acha mesmo que precisa de uma camiseta para tocar em uma boate gay?

Ívi mordeu um sorriso beijando sua linda namorada naquele vestidinho vermelho, era a primeira vez que iriam tocar num local LGBT e estavam ansiosas demais por isso! Saíram do quarto, Ívi apenas com a jaqueta por cima do top, trazendo sua namorada pela mão, não combinavam em nada, o que as faziam o par mais do que perfeito, combinando em todo o resto. Karime estava linda, de saltos e vestido, Noah a acompanhava à altura e Thai, sempre perfeita, assinando metade das roupas utilizadas naquela noite. Laura olhou para a lua lá fora, brilhando sozinha num céu negro, limpo e sem estrelas.

Ívi abraçou Laura por trás, a beijando no ombro com carinho.

— Pensando em que, amoriño?

— Está sentindo? Essa energia diferente?

— Como se alguma coisa diferente fosse acontecer? Eu estou sentindo também. Vai ver são as runas. Ou os símbolos indígenas. Ou sorte de campeã olímpica, quem sabe?

— Ou é apenas nós duas muito felizes, não acha?

Mais sorrisos, mais beijos, mais amor. É, podia ser apenas isso mesmo, o amor estava sobrando.

Notas do Capítulo:

Olá, meninas!

Tudo bem?

Escrevendo de um calor intenso aqui na minha terra, moro do outro lado do equador, tecnicamente ao norte do mundo enquanto o Brasil inteiro está ao sul, ou seja, é verão por todos os lugares e aqui já deveria ter começado a chover, mas até agora, seguimos nestas temperaturas exorbitantes. Desabafo feito por causa do clima, vamos ao nosso capítulo!

Eu disse a vocês que esta segunda fase é cheia de capítulos mais delicados, celebrando os fios encontrados, né? Tivemos um pouco mais de Karime e Noah, porque são os nossos fios mais recentes e acho que o encontro mais esperado até mesmo antes da Noah surgir, sinto que há um apego grande pela Thai entre as leitoras, porém também sempre houve uma vontade enorme de que Karime desse certo, com alguém ou simplesmente certo de alguma forma hahaha. Sabemos dos problemas da moça, mas também sabemos que ela merece muito ser feliz :). Próximo capítulo "Influence, Tributo, Realidade", alguém quer apostar o que vem pela frente?

Abraços, meninas! Ótimo domingo a todas!

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