6 AM - Capítulo 35 - Influence, Tributo, Realidade


Já eram uma equipe muito bem ordenada!

A boate ficava na praia, Karime foi dirigindo assumindo o posto de mais alta do grupo, precisava ficar onde não ocupasse tanto espaço, Noah ao seu lado e as quatro apertadinhas no banco de trás, mas nem levou muito tempo. Logo estavam na boate, que parecia absolutamente lotada! Desembarcaram os equipamentos e todas já sabiam o que fazer, já sabiam como ajudar, Karime subiu no palco com Ívi, a ajudando a ligar todas as coisas, Julia estava testando os instrumentos que sempre desafinavam pouco antes de começarem e era Laura que lhe ajudava enquanto Thai testava as luzes, Noah conversava com os contratantes, eram quatro para substituir uma Natalia, mas ok, deu tudo certo, Ívi levava seus horários muito a sério e elas subiram no palco exatamente às 23:00 horas, como o acordado.

Noah ficou de staff no palco e o trio original (Laura, Karime e Thai) teve a honra de poder apenas curtir.

O lugar era incrível! Estava lotado no geral, lotado nos camarotes, muita gente bonita e, foi um impacto. Laura não conseguia descrever de outra maneira, só sabia que quando a luz baixou e o som de Ívi começou a vibrar... Era a mesma sensação que teve no campo de hóquei quando a ouviu pela primeira vez, aquela vibração que parecia surgir dentro da mente e então começa a vir para o mundo real, se materializando, fazendo cada pequena partícula viva vibrar e, era assim, a vibração crescendo, subindo, aumentando e, luz acendendo, e, Ívi sobre a pickup, de braços abertos, pedindo pelo público, ouvindo os gritos porque aquele abdômen sempre arrancaria reações, a pulsação subindo, na contagem dela e, Ívi tirou a jaqueta, atirando pelo palco. Mais gritos, mais sorrisos de Laura, o azul-neon brilhando pelo rosto dela, as runas dos braços se mostrando, se desenhando, o ar místico sim, completamente garantido e Ívi girou a guitarra que estava em suas costas e começou a tocar, eletrizando o público completamente. A vibração do som causando arrepios, Ívi saltando da pickup sem perder a afinação, a batida era conhecida, Laura tinha certeza que era a abertura de Arquipélago, era o tipo de música que pegava de primeira, Ívi indo de um lado a outro do palco, aquecendo o público e de repente, a música mudando, se transformando em outra coisa, em outra canção e, era Corazón Partío. Não tinha ideia de como era flamenco, de como era Corazón Partío, mas era, era a magia de Ívi, fazer caber em suas batidas músicas totalmente não imaginadas. Ívi voltando para a pickup e, Julia surgindo por trás de si, a luz acendendo sobre ela, aquela voz que havia sido feita para músicas românticas, para o rock, para música eletrônica e a gritaria acompanhou.

Porque Julia também era o tipo de garota que fazia garotas gritarem.

Lá veio ela, suavizando a pancadaria por um momento, a calma em meio ao caos, veio devagar, dominando a pressão, grudando em Ívi por trás, cantando o primeiro verso inteiro no ouvido dela, causando uma comoção, um fervor e o sorriso de Ívi era de quem nunca estaria pronta para os improvisos daquela cubana. O palco todo vermelho agora, o show ficava cada vez mais profissional, primeiro verso no ouvido de Ívi, o segundo cantado nos braços dela, porque Julia veio para frente, pediu os braços dela em si, mais gritos ansiosos, já acontecia com público hétero, com público gay estava fora de controle. E então, a pancada do refrão, o eletrônico poderoso tomando conta, a voz de Julia subindo sem nenhuma dificuldade, ela andando pelo palco, chamando o público junto, fazendo o que fazia de melhor que era cantar, atrair, deixar o palco irresistível demais para não ser curtido, assistido, desfrutado.

Foi uma delícia assistir ao lado de suas melhores amigas, com suas garotas arrasando no palco, agradando, empolgando num show totalmente inesperado, cheio de música eletrônica, solos de guitarra incríveis, os duetos que funcionavam muito bem, “Aturdída” foi uma euforia, um set completamente arrepiante e, ficava romântico, de repente, tinha espaço para ficar romântico, houve espaço para Julia cantar “El Secreto” de surpresa, para derreter Thai mais um pouquinho, apenas ela, o violão, Ívi a olhando com todo o carinho possível, lindo demais e então, o dueto de “O Arquipélago”, a provocação gostosa entre elas duas, a troca densa de olhares e sorrisos, a voz doce de Ívi condensando a voz densa de Julia, o encontro perfeito, delicioso que arrancava suspiros, gritos, uma histeria totalmente esperada e, o dono da boate veio falar no ouvido de Laura. Falou, falou, ela sorriu, compreendeu, ok, já ia lá.

— O que foi?

— Heidi Guimarães.

— Oi? — Thai riu de nervoso, fazendo Laura rir também. Nem tinha acreditado quando ouviu! Nem o nome, menos ainda o pedido.

— Ela está em um dos camarotes, foram falar com a Noah, ela pediu para falarem comigo. Heidi pediu para ver a empresária das meninas e então, é claro, quer conhecer elas duas.

— Você vai lá, né? Laura, você tem que ir! — Thai estava empolgada demais!

— Eu acho que eu tenho que ir, não é? — Laura abriu um sorriso, bem mais calmo no meio da euforia que tomou conta de Thai e Karime — Só me falem novamente quem é essa garota, para eu não cometer nenhuma gafe...

Disseram novamente quem era a tal Heidi, Laura fez uma lista mental de dez itens importantes que deveria lembrar para fingir normalidade de que sabia bem quem ela era e então seguiu o dono da boate até os camarotes. E no espaço principal, lá estava, Heidi Guimarães cercada de mulheres bonitas.

Aliás, ela mesma era bem bonita, loira, muito bem vestida, um sorriso que lhe lembrou Demi Lovato, ok, ela veio lhe receber na porta.

— Heidi, esta é a Laura, responsável pelas meninas no palco — O dono da boate lhe apresentou.

— Até a empresária é bonita desse jeito? Eu vou ter uma coisa aqui! O meu coração é fraco para mulheres bonitas assim... — Ela lhe deu um abraço meio apegado que Laura correspondeu com um sorriso.

— Nada, é você que é gentil demais. Olha, a empresária de fato é bem bonita, mas não sou eu — Outro sorriso simpático. A tal Heidi era simpática, só que Laura não tinha simpatizado logo de cara, não fazia ideia do motivo, mas foi na primeira troca de energia — Eu só estou acompanhando elas duas hoje.

— Entendi — Outro sorriso dela — Por favor, senta-se um pouco, quer beber alguma coisa?

— Se você tiver água, eu estava lá embaixo...

— E deve estar fervendo lá embaixo! — Ela se moveu até seu bar particular — Água com ou sem gás?

— Pode ser com gás, por favor.

— Aqui está — Ela lhe entregou uma garrafa de água, sentou-se e ofereceu o lugar à sua frente — Então você é...? Para as garotas no palco.

— Bem, namorada e irmã.

— Então conhece as duas melhor do que ninguém. Desculpa a indiscrição, você é namorada de qual das duas? Da latina ou da La Bruja?

La Bruja?

— A DJ! As meninas fizeram milhares de vídeos e ela já virou hashtag, la bruja! Ainda não sabemos o nome delas, só o nome do grupo e olha pra ela! — Apontou Ívi fazendo um set alucinante na pickup — O som, a mágica, as runas pelo corpo, é mujer bruja!

— Entendi — Laura estava sorrindo, tinha adorado o apelido! — Então, La Bruja é a Ívi, que eu namoro e a outra é Julia, minha irmã.

— E você tem tudo isso em casa, caramba... Escuta, eu chamei você aqui porque gostaria de conhecer as duas, você sabe que eu também sou DJ, faço produção de alguns artistas e eu estou com um iate parado logo ali, teremos uma festinha daqui a pouco e pensei, por que não, não é? Essa galera aqui está enlouquecida com elas duas! Eu achei que elas namoravam uma a outra...

— Eu sei, elas têm muita química.

— Química pra caramba! Então, elas são lindas demais, despertaram interesse aqui, você se importaria de...? — Ela completou apenas lhe olhando nos olhos e Laura sentiu um desconforto esquisito. Era ciúmes? Podia ser ciúmes, não era algo que estava acostumada a sentir antes de Ívi. Mas passou por cima e foi em frente.

— Chamá-las aqui? Claro que não tem problema, assim que terminar o show eu peço para elas subirem, e — Abriu a bolsa, pegou um cartão — Esta aqui é a empresária delas, Natalia Negreiros, se você tiver interesse em conversar, não sei...

— Todo o interesse! Eu ia perguntar a orientação delas, mas você já deixou claro para mim, então, é questão de conversa mesmo... — Ela esticou os olhos para o palco e Laura sabia bem em quem os olhos dela estavam passeando — Então, você as traz aqui pra mim?

Laura desceu, ainda meio incerta daquela conversa, Karime estava lhe esperando nas escadas enquanto Thai tinha ido atrás das garotas, o show tinha terminado.

— E então?

— Palpite? Ela quer empurrar as duas dentro do iate dela e eu não sei bem qual o objetivo, mas...

— Mas o que, Laura?

Laura respirou fundo. Não achou que já estrearia assim no cargo de namorada.

— Ela é DJ. É digital influencer, ela quer conhecer as duas, eu não posso fingir que não aconteceu.

— Laura, a Thai é deslumbrada por ela, mas essa garota é meio piranha, tem fama...

— Karime, nem faz setenta e duas horas que eu estou namorando a Ívi, eu não tenho motivos para desconfiar dela — Abriu um sorriso — Pode ser uma grande oportunidade, quem sabe?

Karime cruzou os braços, abriu um sorriso.

— Laura, um dia eu ainda vou ter toda essa sua autoconfiança, viu...

— É confiança nela, não em mim — Outro sorriso — Eu vou ver como elas estão.

Foi lá, estavam suadas e empolgadas demais! Elas sempre terminavam os shows naquela pilha incrível de excitação e felicidade pelo trabalho bem feito, Thai já tinha informado que tinha alguém que queria vê-las.

— Você sobe com a gente, meu bem? — Foi a primeira coisa que Ívi perguntou.

Laura a beijou.

— A Noah sobe com vocês, ela é mais articulada do que eu para este tipo de coisa. Te espero lá fora? Eu ainda estou cansada da viagem, mi amor...

Ívi a beijou novamente, os braços enroscados pela cintura dela.

— Me espera sentadinha na praia? Te encontro em dez minutos.

Outro beijo longo, outro sorriso longo e Laura beijou Julia também, um selinho rápido e, as deixou sozinhas. A entrada ao camarote de Heidi era controlada, Karime tinha ido até o bar pegar alguma coisa, Thai ficou por perto na esperança de conhecer sua personalidade preferida e, Julia e Ívi subiram sozinhas.

E só a pegada do abraço já fez Ívi perceber o quanto Heidi tinha ficado mesmo empolgada com o show, abraço apertado em Ívi, sorriso fácil, um olho no olho, era impressão sua ou...? Não houve “ou”, ela estava mesmo dando em cima no primeiro minuto, de maneira reta e direta. Elogiou muito o show, elogiou Ívi demais, perguntou que esporte ela praticava porque seu corpo era incrível, a mão sobrando levemente pela sua coxa, pela coxa de Julia, que aliás, não tinha preparo mental para uma mulher daquelas se atirando em cima de si do jeito que ela estava atirando.

— Sabe o que eu acho? Que nós gays deveríamos ser como os maçons, só comprar de gays, só investir em gays — Ela disse, arrancando risadas porque ela podia ser atirada, mas era divertida também — É o que eu faço na minha vida, eu invisto na minha comunidade, esperando que ela cresça, enriqueça, fortaleça e quando eu vi vocês duas no palco... — Olhou no olho de Julia — Menina, você é incrível. A sua voz me arrepiou inteira, quando você cantou sozinha, só você e o violão...

— Ela tem mágica sozinha com aquele violão — Ela tinha, Ívi sabia.

— É mágica, aliás, rola uma magia louca com vocês duas no palco, você — Apontou para Ívi — É mujer bruja, metade de você deve ser bruxa porque o que você faz com as batidas, com a guitarra, o launchpad, são milhares de coisas e você domina tudo, está tudo bem, tudo de boa e ainda tem essa coisa gostosa provocando você noventa por cento do tempo, é mujer bruja sim, é a única explicação...

Mais risadas e a mão dela repousando na perna de Julia.

— Ela é boa em resistir — Julia respondeu sorrindo.

— Eu estou percebendo o quanto ela é — Olhou bem nos olhos de Ívi — Vocês têm certeza que não querem fazer um segundo show no meu iate? O público é reduzido e selecionado como vocês podem perceber.

Ívi olhou para Julia e ela estava... Não dava para dizer direito como ela estava.

— Heidi, você conheceu a minha namorada?

— Aquela espanholinha linda, eu conheci sim.

— Então, ela chegou de viagem tem setenta e duas horas, eu preciso dela, ela ficou trinta e três dias fora e, eu agradeço muito o convite, mas preciso recusar.

— Ela pode vir também, quanto mais garotas melhor!

— Ela está cansada e está me esperando — Abriu outro sorriso — Mas qual é o seu itinerário? Daqui você vai para onde?

— Eu estou de férias, acho que Angra, ainda não sei bem — Ela mudou o olhar para os olhos de Julia — Você devia vir comigo, cantar em particular... Há coisas que não têm segunda chance.

Olhos nos olhos.

Laura foi esperar Ívi na areia, do jeito que tinha dito que faria. Tirou os saltos, andou um pouco pela praia, sentou-se num determinado ponto com os olhos no mar. Só por curiosidade, olhou o perfil de Ívi no Instagram. Quase dez mil seguidores em duas horas, deveria ser o efeito da influência de Heidi, não tinha outra explicação. Olhou o perfil de Julia, mesma coisa, tinham vídeos e vídeos, vários ao vivo, um sucesso total. Checou o relógio, vinte minutos já tinham se passado, esticou os pés, ainda estava dolorida, não tinha tido tempo de parar ainda e nem teria. Não queria parar, só queria ir em frente, retomar a faculdade, conseguir um emprego, ver Ívi brilhar. Tinham garotas que caíam em cima de Kelsey também, não era novidade ter namorada em exposição, estar exposta era parte do trabalho de Ívi e se não pudesse confiar nela...

Abriu um sorriso. Porque os braços dela já estavam ao redor de si.

— Desculpa a demora, meu bem.

— Nem demorou tanto assim — Olhou para ela, a beijando antes de qualquer coisa — Foi tudo bem lá?

— Acho que foi sim. Ela é meio... Intensa...

— Intensa... — Laura caiu no riso.

— É, bem intensa — Sorriso de Ívi — E eu entendi completamente por que você mandou a Noah com a gente.

— Ela é bem direta e eu não queria que a tal da Heidi ficasse com a sensação de que você tem namorada no seu calcanhar, sabe? Isso pode atrapalhar, passar a imagem errada, não sei.

— Você fez tudo certinho, a Noah foi perfeita, interviu quando precisamos, pegou os contatos da Heidi, tirou o peso da pressão que ela estava fazendo.

— Mas a Julia deve ter balançado.

— Heidi é uma mulher linda, se jogando em cima dela, Julia estava na pista há menos de vinte e quatro horas, dá um desconto para a minha Torre del Mar, vai. Mas a Noah cuidou de tudo, contornou toda a situação e saímos de lá com uma promessa da Heidi: quando ela puder fazer a diferença pela gente, ela fará. Eu sei que ela curtiu muito o meu trabalho...

— E o seu abdômen.

— Isso também — Sorriu, a cheirando demais — Mas ela está completamente apaixonada pela Julia e tem a mesma percepção do que eu: a Julia é demais pra mim.

— Claro que não, Ívi, vocês são talentosas de forma igual.

— Eu adoro trabalhar com ela, de verdade, mas fico me perguntando isso toda vez que ela canta na dela, em espanhol, apenas ela e o violão.

— Curte o momento? Sem se julgar? Vocês estão indo muito bem, Ívi, desde a olimpíada você já ganhou quase cem mil seguidores, seguidores é engajamento, alcance de público, nós estamos fazendo tudo certo, e — Olhou nos olhos dela — Eu não poderia estar mais orgulhosa de você.

Um beijo na praia de madrugada e nada no mundo poderia estar melhor.

Voltaram para a boate para pegar as garotas e, Julia estava cercada, tinha algumas garotas pedindo fotos, viram Ívi, pediram fotos também, foi gostoso curtir aquele momento, o gostinho de serem paparicadas um pouco e, Laura notou Thai esperando no carro com um semblante esquisito.

— Thai? Tudo bem?

— Estou treinando para ser você — Ela respondeu, lhe abraçando bem forte enquanto sorria.

— Thai, você vai ter que aprender a confiar na Julia. Elas estavam lindas hoje, elas são lindas, é você mesma quem veste as duas e cuida para que elas fiquem irresistíveis. Na carreira que elas escolheram, o assédio vai fazer parte.

Thai buscou os olhos de Laura.

— Você deixou as duas subirem sozinhas com a Heidi, Laura.

— Claro que não, a Noah é ninguém por acaso? — Respondeu, arrancando o riso dela enquanto Noah se aproximava.

— Ela me mandou de cão de guarda, Nutella, para morder a influenciadora se fosse necessário, mandou alguém neutro para preservar Haíz, para preservar as namoradas do duo. Laura, você é muito inteligente, eu tenho muito a aprender com você, de verdade, eu nunca pensaria tão rápido.

— Vocês são gentis demais...

— É só a verdade. Ela pareceu muito interessada pelas garotas, interessada artisticamente também, garanto que ela vai ligar para a Natalia e quem sabe algo bom surja daí.

— Algo bom apenas porque a Laura foi inteligente — Thai tinha ficado empolgada com Heidi, mas foi apenas até Julia subir, daí surtou um pouquinho — Essa dupla precisa de você, Laura, definitivamente precisa...

Viram Heidi Guimarães sair cercada de mulheres e seguranças, de volta ao conforto do seu iate e no meio deste caminho, ela buscou Julia com os olhos novamente, mas... Encontrou os olhos de Thai.

— Olhos de caramelo... — Sussurrou sem perceber enquanto era levada e seus olhos não abandonavam aquela conexão.

— O que, Heidi? — Uma das garotas que lhe seguiam perguntou.

— Nada, é só... — Olhou para Thai outra vez — Nada.

Seguiu em frente e, Karime voltou, Thai tinha ficado para trás.

— Thai?

— Ela... — Heidi olhou para trás outra vez, Thai conectou nos olhos dela novamente — Ela... É diferente.

— Diferente?

— Da tevê, das fotos, ela... — Outro olhar, ela seguia andando e olhando para trás — Só é diferente.

Karime olhou para Heidi, a vendo buscar Thai enquanto caminhava.

Que raro, tía.

— Quê?

— Essa guria. É esquisita. Vem, Thai, vamos para o carro...

Voltaram pra casa, apertadinhas no Fox 2010 de Noah sem problema nenhum. Estacionaram no jardim e Karime puxou Noah contra si, a beijando, subindo a mão pela nuca dela e:

— Vocês têm dez minutos para comerem e sumirem da minha sala, entenderam?

A urgência do romance recente, todas elas entendiam muito bem. Esquentaram a lasanha que tinham deixado pronta, comeram rapidinho e Ívi carregou sua galega para o quarto, os pés dela estavam inchados, ela estava exausta, sabia bem e Julia...

Abraçou Thai na cozinha, enquanto ela ainda acabava de comer, sussurrou no ouvido dela alguma coisa que a fez sorrir, terminou sua lasanha e a puxou para o quarto, enquanto Karime e Noah já estavam se pegando muito no sofá, mãos ansiosas, beijos longos, Karime atacando aquele vestido que tinha lhe tirado do sério a noite inteira e Noah a mordendo, a comendo inteira em beijos e Julia não via a hora de fazer o mesmo com Thai.

Mas não a levou para a cama, a levou para o chuveiro, para um banho quente relaxante que sabia que estava precisando e ela também estava. Se deram banho, riram um monte juntas falando do show, beijos longos sim, mãos agarradas também e um apego a mais, Julia estava mais apegada, Thai também, os motivos eram diferentes e iguais.

— Thai, eu juro que vou ser melhor para você. Que vou melhorar eu mesma, que vou te deixar segura o suficiente para que você confie em mim não importa a situação — Julia sabia que tinha que melhorar e era um trabalho duplo: tinha que melhorar como namorada, não se interessar por qualquer oportunidade e com isso, era provável que Thai passasse a confiar em si. E melhorar como pessoa, amadurecer, não podia exigir nada de Thai quando na primeira oportunidade, teve pensamentos que não deveria.

Ela ficou em silêncio e então lhe beijou os punhos, lhe beijou o rosto com carinho.

— Eu prometo que vou ser melhor para você também. Eu consigo ser segura, Juls, eu estou segurando você esse tempo todo — Falou sorrindo — Eu só preciso... Treinar um pouco mais. Eu olho pra Laura e não acredito que ela é este ser humano, sabe.

— Thai, você não precisa ser a Laura, não precisa ser a Karime, não precisa ser ninguém. Só precisa ser você e eu vou tentar ser apenas eu também, nós somos meio bagunçadas, atrapalhadas um pouquinho nessa coisa de relacionamento, mas se você me apoiar, se tiver um pouquinho de paciência... Eu juro que vou ser melhor para você, que vou me esforçar, está bem?

Outro beijo na mão dela.

— Eu tenho paciência. E tenho confiança.

Voltaram para o quarto aos beijos, as mãos de Thai pelo seu corpo inteiro, deixando Julia perdida, sem ar e quando ela lhe levou para a cama e a tomou para si... Julia nem fazia ideia de como podia haver espaço em sua mente para outra mulher, não com aquela versão de Thai, que se entregava inteira e também lhe tomava, também lhe fazia sua, os dedos firmes pela sua pele, aquele domínio que tinha vindo não fazia ideia de onde. Terminaram exaustas, ainda com o prazer correndo pela pele, tão agarradas uma na outra que Julia mal sabia onde se começava ou terminava.

Juls... — Thai estava sentindo seus batimentos lhe escapando completamente.

— Você é o meu apego, entendeu? — Julia a agarrou pela nuca, a beijando, a sentindo, a puxando contra o seu corpo — Eu não vou perder você.

Que não perdesse. Thai tinha dado um passo enorme e detestaria simplesmente se perder no final. Pensou em Heidi um pouco antes de dormir. Julia também pensou. Pensamentos iguais e diferentes. E então, ambas dormiram pensando em elas duas, no namoro gostoso e recente, e nada poderia ter gosto melhor.

Voltaram no dia seguinte, depois do almoço. Todas acordaram bem preguiçosas, mas a avó de Thai estava voltando junto com a vida real chamando. A senhora Domenéch as pegou na saída e era uma elegância só, fazia academia no alto dos seus setenta anos, era bronzeada, bem maquiada, Thai tinha herdado a paixão em fazer vestidos da avó e tinha herdado seu nome também: Domenéch era o sobrenome de solteira de sua avó, sua mãe não tinha herdado, vivia reclamando que tinha ficado com um “Silva” no nome ao invés de um Domenéch e sendo que seu pai também era “Silva”, improvisou um Domenéch como segundo nome, porque tinha plena convicção que sua filha precisaria de um nome de impacto quando crescesse para se tornar modelo, estilista, atriz de novela, sua mãe sonhava com cada uma dessas coisas quando Thai era pequena.

Thai só não sabia se ela sonhava com algo ainda, ou se ela ao menos pensava em si. Fosse da maneira que fosse.

Ao final de apresentar todas as garotas à sua avó, ela pediu cinco minutinhos a sós com a neta. Estela Domenèch estava com saudades, queria abraçá-la, cheirá-la um pouco, fazia algum tempo que não se viam.

— Filha, você está tão bonita... Bonita você sempre foi, mas está bonita diferente, não sei explicar!

— Ah, vó, é que as coisas estão indo bem e acho que acaba refletindo de alguma maneira. Nós tivemos a Olimpíada, era um sonho meu, a faculdade está ok, me formo ano que vem, eu estou fazendo vestidos para vender e...

— Está apaixonada ou é impressão minha?

Thai abriu um sorriso, ficando vermelha como sempre ficava. Era o tipo de pergunta que ouvia o tempo todo na adolescência, todas as amigas apareciam de namorados, menos ela, o que enchia sua avó de preocupações.

— Eu estou gostando de alguém sim.

— E não vai partilhar comigo? — Ela perguntou empolgada!

— Vó, é que... Eu acho que não é alguém que você aprovaria, então...

Ela lhe olhou bem nos olhos. Levou um tempo em silêncio e então perguntou, reta e direta:

— É alguma dessas meninas que estão lá fora?

— Vó...

— Thai, eu quero que você ouça uma coisa de mim de uma vez: você age igualzinha à sua mãe. Era a mesma coisa, os namorados que não apareciam, os segredos, o jeito que se fechava cada vez que eu perguntava alguma coisa e... Eu não agi da melhor maneira com a sua mãe, eu sei. Eu fui dura, eu não entendia, eu disse coisas terríveis, era uma outra época, em que as pessoas tinham liberdade para serem estúpidas, hostis, onde o tipo de relacionamento da sua mãe jamais seria aceito. Inclusive por mim. Mas isso não justifica duas coisas: não justifica ela ter abandonado você da forma que abandonou e da forma que foi, fosse com mulher, com homem, com um Gremlin, não importa, ela jamais deveria ter abandonado você e, dois, não justifica que a minha mente não evolua nos últimos vinte anos. Eu evoluí, Thaila, as pessoas evoluíram, a sociedade evoluiu, são outros tempos, eu não quero ficar lá atrás como a maioria das pessoas velhas que eu conheço... — Disse, arrancando um sorriso nervoso de Thai — E não quero... Perder você também. Nós já perdemos a sua mãe, perdemos o seu avô, somos só nós duas agora.

E agora Thai já estava chorando.

— Ei, não chora, filha, não chora não — A puxou para perto com carinho — Não é o que eu gostaria para você, sei que você também não gostaria, mas entre o que não gostaríamos e perder você ou ser infeliz... Vamos deixar como está, tudo bem? Eu quero que você seja feliz. Com uma boa pessoa, que não afaste mães e filhas. E quando você estiver certa que está com uma pessoa, que vai te proteger, cuidar de você e te fazer feliz, eu quero que você se sinta à vontade para voltar aqui com ela e apresentar para mim, tudo bem?

Thai abraçou sua avó, muito longamente, chorou um pouco mais, sorriu um pouco mais e então respirou fundo, dizendo que precisava ir, mas voltava em breve.

— Você precisa de alguma coisa? Está com dinheiro, tudo bem?

— Tudo bem — Abriu um sorriso — Obrigada, vó. Eu amo você.

Estela beijou as mãos de sua neta mais uma vez.

— Eu amo você também, filha. E — Falou bem no ouvido de Thai — Eu aposto que é a cubana...

Thai riu demais, sua avó sempre havia sido uma boa apostadora. Agradeceram pela casa, Estela agradeceu por estar impecável, as meninas tinham acordado mais cedo e deixado tudo em ordem e era hora mesmo de Thai ir. Chegou lá fora ainda com os olhos vermelhos e Julia veio lhe pegar primeiro, perguntar se estava tudo bem.

— Está sim, só saudades.

— Tem certeza? Ela desconfiou de alguma coisa?

Olhou para Julia, querendo muito ter certeza logo de que estava no relacionamento correto.

— Só de que eu estou muito feliz. E eu estou mesmo.

Julia sorriu e a beijou na testa, e então pegaram a estrada de volta ao Rio.

As quatro no carro de Noah e, Ívi e Laura ficaram na rodoviária, ônibus de volta, mais assuntos, mais fotos para ver, a movimentação nas redes sociais, elas duas ficando juntas, assim, sem nada mais importante do que o simplesmente ficarem juntas. Chegaram pouco depois das garotas e estava um clima extremamente nervoso quando entraram em casa.

— Eu já te disse os caminhos, Juls, não vai sair imediatamente, mas você precisa do passo 0, tem que se mover, entrar com o processo, fazer alguma coisa! Você já pensou que daqui a pouco o Rio pode ser pouco para vocês? E como você vai fazer? Você não pode voar, aliás, não pode nem ir até Arraial que pode dar algum problema, olha o que aconteceu agora! — Era Karime, muito nervosa.

Tinha acontecido que Noah foi parada numa blitz e pediram documentos. E aconteceu que Julia só tinha o passaporte com um visto muito vencido e quase foi detida.

— Vocês não estão me ajudando!

— Na verdade, estamos! — Laura estava extremamente irritada — Julia, você não estuda, não tem emprego fixo, já está aqui há três anos, nós temos que resolver!

— Você é espanhola! Espanhola, europeia, as coisas são imensamente mais simples para você, Laura! Mas não são pra mim, centro-americana, cubana, refugiada política, aliás, o seu país sempre fez questão de me fazer sentir uma intrusa o tempo todo!

— Peça exílio! Este país aqui adora receber pessoas, peça exílio!

— Eu quero uma nacionalidade! A minha não serve! Eu quero me sentir segura, me sentir bem em algum lugar, não quero que só alguém me permita ficar outra vez! Não deu certo da última vez! — Julia estava chorando muito, tinha ficado assustada, nervosa e não tinha passado.

— As coisas não funcionam assim, Julia, por favor!

— Laura, você nunca vai entender! Pelo que eu passei, pelo que eu ainda passo, você nunca vai entender! Eu não quero exílio político, eu quero um país, eu quero outra nacionalidade, quero me sentir bem, protegida, pertencente a algum lugar!

E foi então que uma voz soou na sala com uma frase completamente inesperada:

Casa comigo — Era Thai, silenciando a sala imediatamente.

Ficou silencioso, de repente silencioso, como se a voz dela continuasse ecoando. Laura assustou, Ívi riu de nervoso, Karime mordeu um sorriso empolgada e Julia...

Julia apenas ergueu os olhos para ela, sentindo o choro estranhamente estancar.

— Thai, você disse... Casar?

E então que Thai ficou nervosa. Caminhou pela sala, veio até o sofá, sentou-se perto de Julia.

— É que a Karime falou que se você reside por mais de um ano, se pode se sustentar, se sabe ler e escrever em português, tem boa saúde, e o que foi que você falou sobre arte mesmo?

— Recomenda-se contribuições relevantes em capacidades profissionais, científicas ou artísticas — Karime não estava conseguindo parar de sorrir.

— Isso, a capacidade artística. Mas somado a tudo isso é melhor que você tenha filho ou cônjuge brasileiro, é melhor que seja cônjuge e, o casamento gay tem reconhecimento análogo a união estável heterossexual e, não é para casar comigo de verdade, de verdade mesmo — Thai tinha ficado incrivelmente nervosa — É uma coisa que eu posso fazer por você, e...

Julia lagrimou, de uma emoção diferente agora.

— Você estava me pedindo em casamento e agora está se voluntariando como tributo... — Disse, lembrando de Jogos Vorazes, fazendo todas rirem, incluindo Thai, que veio beijá-la, longamente, sorrindo demais, com os olhos brilhando e o coração disparado.

— Eu quero você segura, quero você feliz, isso não pode atrapalhar a sua carreira. Então que seja assim, Juls, seja brasileira, neste país em que você faz a sua arte e se sente bem e, seja minha, se você quiser ser, se concordar em ser, eu sei que você me pediu em namoro tem quarenta e oito horas, mas eu não quero que você passe por essa mesma coisa nunca mais. Você foi expulsa dos Estados Unidos quando tinha quatro anos e foi tão triste que você tem essa lembrança, foi expulsa de Portugal, convidada a sair da Alemanha antes de chegar à Espanha e agora... Foi constrangedor. Eles tiraram dinheiro da gente, o seu dinheiro que você trabalhou muito para ganhar ontem à noite, então... — Olhou nos olhos dela — Se couber, seja minha. Mas o que eu quero mesmo agora é proteger você com algo que eu posso. Eu posso te dar essa nacionalidade — Pegou a mão dela na sua — Posso garantir que você nunca mais será expulsa de país nenhum por falta de nacionalidade, eu posso cuidar disso e não importa se a gente vai se tornar um casal de verdade, se vai continuar namorando ou não, se eu puder fazer isso por você, por essa de você que eu já amo agora... — Mais olhos nos olhos — Já será um presente.

Julia olhou para Laura, que ouvia aquela declaração atrapalhada com os olhos cheios e um sorriso no rosto, e então olhou para Thai novamente.

— Ainda parece que você está se voluntariando como tributo, mas eu quero — Disse, a agarrando pelo pescoço e subindo no colo de Thai, a abraçando forte, sentindo o riso dela se abafando pela sua nuca — Eu quero mesmo assim, mas quero de verdade... — Falou no ouvido dela.

— Eu também quero, meu amor, de verdade, é claro que eu quero. Nós tentaremos, ok? Pode ser?

Julia afirmou, podia ser assim sim.

— Eu amo você — Confessou, ainda toda agarrada naquela sua namorada que de repente, tinha lhe pedido em casamento.

— Eu também amo, Juls. É de verdade, é por esse ano inteiro que a gente construiu. Você entende as minhas colocações? Que é mais que um casamento amoroso?

Romance não é a única forma de amor.

— Não é — Limpou o rosto de Julia com carinho, odiava vê-la chorando — Não é mesmo. Te amo, muito.

E então, Ívi quebrou o clima delicadamente.

— Se eu ouvir mais alguma piada sobre ter roubado o sobrenome da Laura no dia seguinte, eu vou jogar esse pedido de casamento na cara! — Disse, saltando em cima delas no sofá, sendo seguida de Karime e Laura, fazendo o maior barulho!

— Foi um voluntariado de tributo! — Thai se defendeu, entrando na brincadeira, rindo demais.

— E um pedido de casamento, que gays vocês, que gays! — Era Karime, aumentando ainda mais a barulhada.

Fizeram uma festa improvisada! E Noah teve que voltar para o jantar, porque Karime já estava com saudades, porque ela já parecia parte daquele grupo, chamaram Natalia, contaram tudo, do encontro com Heidi ao pedido de casamento, ou de voluntariado como tributo, ainda estava confuso, a única coisa inconfundível era o amor entre todas elas, era o bem-querer, o cuidado, a vontade de dar certo. E, Natalia teve uma ideia:

— Ela não disse pra ligar se ela pudesse ajudar? O pai dela é cônsul, trabalha no Itamaraty, nós vamos fazer tudo certo, só vamos ver se é possível acelerar o pedido.

— Não parece certo, Nat... — Era Laura.

— Não é certo levar seis meses por uma nacionalidade. Eu não tenho seis meses, os convites estão chegando, quanto tempo até elas chegarem a outros estados? Vai ser esse desespero sempre ou eu vou ter que começar a dispensar oportunidades? A Ívi vai para São Paulo semana que vem — E ia sozinha justamente por causa do problema de Julia.

— Liga, não custa ligar — Era Karime.

Ligaram achando que sequer seriam atendidas e eis que...

— Espera, posso te ligar por vídeo?

Heidi ligou por vídeo e ouviu atenciosamente toda a história de refugiada de Julia, ouviu também todo o plano de aceleração para resolver o problema e disse que não sabia bem se poderia ajudar, mas que falaria com o pai e perguntaria. E se fosse possível, sim, por que não? Ajudaria, lembrando o plano de que os gays deveriam ser como os maçons, e etc. Podia ser, Heidi terminou a ligação prometendo que encontraria com todas elas quando voltasse para o continente, porque naquele momento, ela tinha decidido ir de iate até as Malvinas, por que não? Outra ponte feita até os olhos de Thai, elas foram formalmente apresentadas e o brilho nos olhos de Julia e Thai era contagiante. Contagiou Heidi, contagiou a todas na sala. Não sabia se Heidi iria mesmo ajudar, mas ao menos, tinham um plano e aquela felicidade densa persistia e persistia. Karime foi dormir com Noah no apartamento dela em Jacarepaguá, Thai e Julia dormiram mais agarradas do que nunca, na cama nova montada no quarto de Thai e Laura, e Ívi...

Apenas seguiram a rotina que já era delas antes daquela viagem, dormiram juntinhas, na cama apertada de Laura, fizeram amor, acordaram com amor e naquela manhã, Ívi deixou Laura para a entrevista na Starbucks e foi trabalhar na funilaria. Cinco horinhas valiosas enquanto no mesmo horário, Julia saiu com Natalia, em busca de um advogado que pudesse ajudar na entrada do pedido de nacionalidade e também nos trâmites do casamento. E naquele mesmo dia, saíram com uma data, naquele mesmo dia, as garotas voltaram para a faculdade a noite, todas as três, na mesma noite Ívi e Julia se apresentaram num barzinho, no outro show de Haíz e, naquela mesma noite, Ívi chegou e sua garota estava dormindo. Eram cinco da manhã e ela estava dormindo toda agarrada no travesseiro.

No tapete da sala.

Ívi lhe acariciou os cabelos, viu um desenho feito sobre a mesinha de centro, desconexo, incompleto, inacabado e bonito. Bonito de uma maneira muito esquisita.

Julia, isso...

— Eu sei, eu também me preocupo.

Mas era a primeira vez que Ívi realmente se preocupava com o sonambulismo de Laura. A primeira vez que se assustou de verdade. A levou no colo para o quarto, com cuidado, com carinho, deixou um beijo na testa dela e entrou num banho rápido e quando saiu, sua coisa linda já estava acordando.

Mi amor...

Amoriño — Ívi veio para a cama e a beijou, carinhosamente enquanto Laura veio para o seu colo, toda preguiçosa, a coisa mais gostosa — Eu acordei você? Ainda é cedo, são 6 da manhã.

— Não, meu bem, na verdade, já está na minha hora — Ela respondeu, sentando-se na cama, se despreguiçando muito tranquila.

Mas Ívi ainda não estava.

— Amor, você lembra... Lembra onde pegou no sono?

— Aqui, eu estava estudando. Eu... — Notou uma ruguinha de preocupação em sua namorada — Não estava aqui quando você chegou?

— Estava, estava sim — Abriu um sorriso e beijou a testa dela, a última coisa que queria era Laura preocupada — Você disse que tinha alguma coisa pra me contar!

— Eu tenho! Eu fiz a entrevista ontem e, começo hoje mesmo!

— Sério?

— Sério! Por isso eu estou acordando cedo assim, eu entro às 7:30 — Ela continuou sorrindo, empolgada demais! E Ívi a derrubou na cama e a beijou, feliz demais, contagiada por mais aquela boa notícia, as coisas pareciam estar entrando nos trilhos de uma maneira surpreendentemente boa!

Laura correu para o banho e quando voltou para o quarto, Ívi já estava se preparando para dormir. Sentou-se pertinho dela, beijou aqueles cabelos que adorava, tão cheirosos sempre.

— Tão cheirosa, amor...

Ívi beijou a mão dela, sorrindo, a puxando para mais pertinho.

— Que horas você volta, meu bem?

— Às cinco, amor.

— Tudo isso de tempo... — Ívi reclamou sorrindo e fazendo manha.

— Eu sei — Laura beijou a nuca dela com carinho — Mas eu estarei aqui pra gente jantar junto antes de ir para a faculdade, está bem?

E ainda tinha a faculdade.

Foi a primeira vez que Ívi sentiu que as horas estavam mais curtas agora também em outros horários do dia. Fim da Olimpíada, vida real chamando, Ívi só não tinha ideia do que mais vinha com aquela realidade.

Notas do Capítulo:

Olá, meninas!

Como estão?

Aqui estou neste domingo postando mais um capítulo de 6 AM para vocês com algumas melhorias. Acho que enfim esta autora que vos fala conseguiu acalmar seus dias, se replanejar e ainda esta semana, prometo estar postando para vocês a agenda que fechei para 2020, tanto para publicações (físicas, na Amazon e no site), como para o que eu pretendo estar escrevendo ano que vem. Me sinto aprisionada num momento muito bom, em que a calma anda mais presente e meu coração anda mais vibrante :). Coração vibrante garante finais mais bonitos, isso eu garanto para vocês! Haha.

Tenho me dedicado a escrever os últimos capítulos de 6 AM e, tenho trabalhado num determinado livro de extras que quem sabe, ainda saia este ano ^^.

Agora, nosso capítulo de hoje! Nossas garotas tiveram uma noite movimentada, não sei se alguém lembra, mas alguns capítulos para trás eu havia dito que ainda faltava uma garota a se apresentar. Aqui está, lhes apresento o último elemento, Heidi Guimarães, o que acharam dela? E o que acharam deste final! Confesso que estava ansiosa por este pedido de casamento, ou, voluntariado, ainda não se sabe bem o que foi, né haha.

Ademais, espero que estejam curtindo esses capítulos mais suaves!

Beijos, meninas!

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