6 AM - Capítulo 36 - Equilíbrio


Quando Ívi despertou, já era quase meio-dia. Acordou devagar, respirando muito profundamente e agora o cheiro na cama lhe causava um sorriso ainda maior. Era o mesmo cheiro de Laura, da sua galega, e agora era a sua boca que ela beijava, eram os seus botões que atacava sem nenhuma culpa, era com Ívi que ela fazia amor. Era motivo mais do que suficiente para se acordar sorrindo.

Se colocou de pé, falou com sua mãe, ela estava bem, andava cansada por causa dos problemas na coluna e Ívi não via a hora de poder dizer que ela não precisava trabalhar mais, era todo seu sonho de consumo. Mas não podia reclamar de nada, estava trabalhando muito e estava conseguindo ajudar no apartamento, enviar algum dinheiro para sua mãe e até já tinha uma poupança para emergências, tudo estava indo muito bem, não podia mesmo reclamar de nada. Sentia de verdade, que em seus vinte e quatro anos (quase vinte e cinco), era o seu melhor momento na vida e era muita falta de educação com seu destino que não estivesse menos do que plenamente grata por este momento.

— Ívi, eu espero mesmo que você não esteja apenas trabalhando, você precisa ter limites, filha, tem que relaxar também, descansar um pouco, eu fiquei feliz em saber que você foi passear essa semana — Tinha ligado para sua mãe assim que acordou, andava morrendo de saudades.

— Esta cidade em si já é um passeio, mãe, mas pode deixar que não estou cometendo excesso nenhum, estou me cuidando, e...

— Eu prefiro ter certeza que você está sendo cuidada do que certeza de que você está se cuidando, eu não confio muito em você para isso... — Ela disse, fazendo Ívi rir demais.

— Eu estou sendo cuidada, não se preocupe.

— E quando vou conhecer a moça?

Outro sorriso de Ívi. Era mencionarem Laura e seu sorriso se abrir.

— Eu espero que muito em breve, mãe. Você vai adorá-la, eu tenho certeza.

Desligaram, Ívi foi lá para fora e apenas pelo cheiro que estava vindo da cozinha, já sabia quem lá estava.

Julia, que guay! — Abraçou Julia por trás, a fazendo sorrir demais. O sorriso de Julia andava fácil aqueles dias.

— Está pronto, vem, vamos almoçar nós duas.

Almoçaram as duas, sozinhas naquele apartamento vazio, uma comida cubana deliciosa que Ívi já era completamente viciada.

— Você dormiu alguma coisa, Juls?

— Dormi sim, mas acordei mais cedo, são tantos documentos, você não faz ideia e alguns desses documentos ainda estão com o meu pai, então... — Olhou para Ívi — Liguei pra ele.

— Você ligou? E como foi? Me conta!

Julia abriu outro sorriso.

— Foi tudo bem. Nós conversamos por quase duas horas, ele me contou como anda a vida dele, como anda a María, ele perguntou da minha vida, eu contei que vou me casar.

— Ah, você contou?

— Que ela se voluntariou como tributo, mas vai servir também — Outro sorriso — Ele ficou surpreso, claramente surpreso, mas disse que estava feliz por mim, por estar conseguindo seguir um rumo, pela carreira estar bem, pela possível nacionalidade e também, por ter ido em frente da Laura. Ele me pediu isso por todos os dias em que eu fiquei em Madrid quando a Laura veio para o Brasil. Acho que ele sentia que ela nunca me daria o que eu precisava. Ele queria me proteger, mas não sabia como. Acho que ficou aliviado quando eu contei que estava com outra garota.

— Julia, usando de toda a sua sinceridade comigo: você está segura sobre a Thai?

Julia respirou fundo, apoiando o rosto na mão.

— É por causa da Heidi ou do pedido de casamento/tributo?

— Por causa das duas coisas, Juls. Eu estou um pouco preocupada com a Thai.

Julia respirou bem fundo outra vez, seu rosto ardeu um tantinho, vergonha, sabia.

— Ívi, eu sei que não deveria ter flertado com a Heidi, eu já me dei muitas broncas mentais por isso, eu amo a Thai, faz muito tempo que já é amor, de verdade, e aquele pedido de namoro não foi brincadeira. Eu quero ser melhor pra mim mesma e melhor para ela, sei que preciso amadurecer, que preciso mudar muitas coisas, mas não vou perdê-la enquanto eu mudo, eu vou conseguir fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Eu sou louca por ela, Ívi.

— Essa parte eu sei, eu só... Fico preocupada mesmo. Com vocês duas. Eu não quero que nada aconteça a ponto de... Não poder ser consertado. O problema não é separar, é separar depois de algo quebrar sem conserto.

Julia pegou a mão dela.

— Você fez tudo certo com a Laura, eu prometo para você que eu também vou acertar tudo com a Thai, eu preciso acertar, Ívi.

Juls, você faz vinte e dois anos ainda semana que vem...

— Você ia reclamar de encontrar a Laura com vinte anos?

Fez sentido. Se Ívi tivesse encontrado Laura antes, era bem capaz que já estivessem em outro patamar, tanto na sua vida pessoal como na sua vida profissional. A mão de Laura sempre mudava seu caminho positivamente.

— Você tem razão, eu não reclamaria.

— E as garotas pelas quais você passou nesse tempo, fariam falta?

Ívi pensou por dois segundos.

Julia, você anda extremamente coerente, não paro de me surpreender...

Não fariam falta, nem diferença.

Ensaiaram um pouco, era sexta-feira e o final de semana estava lotado. Ívi arrumou algumas coisas, Julia saiu com Natalia para ver alguns documentos e, dez horas longe de Laura era tempo demais. Faria o restaurante de sempre com Julia às nove da noite, Laura tinha faculdade às seis e trinta, e, saía às cinco da tarde.

Checou no relógio e, decidiu que dez horas era muito tempo mesmo. Ívi tomou um banho, se trocou, fez algo no celular e saiu patinando. Colocou seus fones de ouvido, seus óculos escuros, o sol estava suave e patinou por uns dez minutos mais ou menos até a Starbucks, Laura terminaria seu turno em vinte minutos.

Chegou, tirou os patins para entrar, calçou seu tênis, olhou para ela ainda do lado de fora. Ela estava no balcão, recebendo os pedidos, jeans, a camisa polo, os cabelos presos no alto, o avental verde, tão bonita, ela ficava bonita em qualquer roupa, em qualquer uniforme e só de olhar para ela... O coração de Ívi enchia. Nunca havia sentido nada parecido, era diferente de tudo e qualquer coisa, vinte e cinco anos para se apaixonar por alguém assim, tão limpa, tão bonita, tão completa.

Julia tinha toda razão, não reclamaria nadinha se tivesse sido cinco anos antes.

Abriu um sorriso e entrou discretamente, Laura estava ocupada, focada nos drinques, então Ívi foi até o caixa, pediu um chocolate quente sem que ela lhe visse, e quando ela recebeu o copo com o seu nome escrito... Abriu um sorriso enorme, aqueles olhos brilharam lhe procurando, a achou sentada em uma das banquetas do outro lado. Trocaram um olhar derretido e Ívi esperou que ela terminasse o chocolate e que chamasse o seu nome. Daí então foi lá no balcão pegar seu chocolate.

— É sério que esperou ser chamada?

— Como qualquer cliente — Ívi sorriu olhando para ela, a coisa mais linda.

— Bem, o chocolate não é para qualquer cliente, então... — Lhe entregou o copo, todo desenhado, uma menina de olhos fechados e fones de ouvido que fez Ívi sorrir imediatamente — Chocolate quente com calda de chocolate e muito creme, do jeito que meu amor gosta.

Ívi pegou seu copo, lindo demais, não dava para acreditar em Laura Bueno não.

— Como você faz tudo isso em segundos?

— Foi essa habilidade que me deu este emprego — Outro sorriso lindo — Eu não acredito que você veio me ver...

— Dez horas é tempo demais, amor. Eu pensei em vir te buscar, dar uma volta pelo calçadão, buscar uma coisa que eu comprei para você...

— Ah, me comprou uma coisa?! — Perguntou toda empolgada, ela sempre ficava empolgada com qualquer pequena coisa que fosse, Ívi adorava isso nela, adorava.

— Para comemorar o seu emprego, que eu vou preservar direitinho não te atrapalhando mais. Vou te esperar, está bem?

— Está bem. Te quiero.

Ívi beijou a mão dela se derretendo um pouquinho. Se derretia em todos os “te quiero”, era sua nova fraqueza.

Te quiero. E te espero.

Ívi ficou lá, pacientemente a esperando sair, checando alguma coisa no celular, tomando seu chocolate quente que estava delicioso, estava do jeito que adorava e principalmente, olhando para sua garota trabalhando. Laura espalhava luz com uma facilidade impressionante, era lindo vê-la sorrindo para cada cliente e mais bonito ainda ver a surpresa de todos eles ao receberem um copo desenhado! Parecia uma coisa pequena, mas a delicadeza de um regador e um girassol no copo de alguém que teve um dia péssimo, pode fazer alguma diferença sim. A beleza sempre difere, a gentileza nem se fala e alguém como Laura Bueno sempre faria diferença em qualquer lugar que ela fosse.

Fez diferença na vida de Kelsey, na vida de Ívi, Julia, Karime, na vida de Thai, a lista nunca terminava. Vinte minutos depois ela apareceu, já de roupa trocada, beijo em Ívi, abraço longo, ela estava com saudades também. E estava feliz demais pela surpresa!

— Eu ainda não acredito que você veio me buscar — Confessou, toda agarrada em Ívi, não acreditou quando a viu, era uma coisinha, sabia, mas para Laura era enorme. Carinhos pequeninos assim eram o que ela mais apreciava.

Ívi beijou a testa dela, carinhosamente, a guardando nos braços.

— Você só vai ter uma hora em casa mais ou menos, decidi vir antes pra gente ter mais um tempinho, meu bem e, para ir buscar o que eu comprei para você!

Aqueles olhos lindos brilhando tanto.

— O que você comprou?

— Vem, eu quero que você veja, não quero te contar...

Saíram caminhando pela orla, Laura toda agarrada em Ívi, em seu braço, na sua pele, no seu carinho porque já estava toda cheia de saudade e vontade dela mesmo. Caminharam um pouquinho, sua namorada linda lhe comprou um doce numa padaria e, o presente estava esperando em um dos postos da praia.

— Ívi, eu não acredito!

— Como assim não acredita? Eu não prometi pra você, amoriño? — Perguntou, já se abaixando à frente dela para calçar os patins que tinha acabado de comprar!

— Prometeu, mas... — Laura não estava acreditando — Geralmente eu sou muito enrolada, meu padrasto tem toda razão.

— Pois eu prometo que nunca vou enrolar você, está bem? — Fechou as travas, se certificando que estava seguro no pé direito dela — Tem que ser a pedra do nosso relacionamento, meu amor, eu nunca vou mentir para você, está bem? Nem te deixar apenas nas promessas, de jeito nenhum. Eu prometi que ia te ensinar a andar de patins e aqui estamos — Fechou as travas do pé esquerdo, sorrindo demais.

— Ívi...

Ívi a puxou pela nuca e a beijou, com muito apego, muito carinho. Como era louca por aquela menina, como era.

— É assim, está bem? Agora vem cá, bem devagar — Ívi a ajudou a se colocar de pé e, os joelhos de Laura sequer tremeram — Mas olha, você tem equilíbrio!

— Eu sou bastante equilibrada, amor, juro que ao menos tento ser... — Respondeu, fazendo Ívi rir e lhe beijar outra vez, agora Laura tinha ficado da sua altura.

— Você é a pessoa mais equilibrada que eu conheço, amoriño. Vem, vamos devagar, joelhos curvados, peso distribuído, passo pra frente e é só começar a deslizar...

E Laura deve ter sido a melhor aluna de patinação da vida! Não levou dez minutos e ela já estava deslizando sozinha, estava com a postura certa, a confiança certa porque, aparentemente, toda e qualquer confiança naquela espanhola era inabalável. E quinze minutinhos depois, Ívi já pôde calçar os seus patins e passear ao lado de sua menina, vendo a praia, as ondas suaves, sentindo o sol gostoso, o vento delicado e curtindo muito, mas muito uma a outra.

— Ívi, ele deve ter custado caro...

— Custou duzentos reais e é um grande achado, amoriño, um par de patins desta marca custa oitocentos, novecentos reais, mas a garota se separou do namorado e estava vendendo todas as coisas que ele deu para ela. Foi sorte sua, bebê — Deslizou para a frente dela, patinando de costas — Eu tenho que te levar pra casa, não quero que você se atrase.

— Patinar de costas é humilhação, Ívi Bueno!

Ívi caiu no riso.

— Você vai chegar neste nível, olha só você de pé em menos de uma hora!

— Vai levar um tempinho, mas tenho uma ótima professora — E Laura estava tão confiante em suas rodas que se abraçou em Ívi pelo pescoço, deslizando com ela tranquilamente — Você vai tocar mais tarde, não é?

Ívi a beijou rapidinho, de olhos abertos.

— No restaurante, aquele show mais tranquilo em que eu canto todas as músicas para você — Respondeu, a fazendo sorrir — Vem, vamos pra casa, você precisa comer alguma coisa antes de sair...

Patinaram pra casa e Laura simplesmente adorou toda a ideia dos patins! Levava vinte minutos andando até a Starbucks, se pudesse ir patinando, cortaria o tempo pela metade e foi falando disso o tempo todo com Ívi, que ficou mais do que feliz em ver como ela estava empolgada! Subiram, Karime estava fazendo chilli para os hot-dogs que jantariam, Thai estava cuidando dos pães e da salsicha, e Julia estava sobre o balcão, dedilhando alguma coisa no violão enquanto conversavam e riam demais de alguma coisa.

— Laura, é um absurdo eu querer que a Thai faça um vestido especial para casar comigo?

E Laura se voltou para Thai imediatamente.

— Você não quer fazer um vestido especial para se casar com a Julia? Vou passar a chance para outra, oh, Julia, como era o nome daquela garota que se materializou aqui em casa um tempo atrás?

Thai estava rindo demais.

— Eu vou fazer, está bem? Pronto, vocês venceram, eu faço...

— E se esse for o único casamento da sua vida? — Julia estava sorrindo, mas estava magoadinha, Ívi já a conhecia bem — E se eu for a mulher da sua vida, vai fazer como? Vai ter que lidar com as fotos do nosso casamento com você vestindo uma coisa qualquer...

Thai a beijou, muito carinhosa.

— Eu não vou vestir uma coisa qualquer. Nem você vai, está bem? Se for o casamento da vida ao invés de um voluntariado, nós estaremos lindas nas nossas fotos, bebê...

— Você ainda cogita o voluntariado!

Mais risos, mais beijos e Ívi não conseguia acreditar naquelas duas.

— Vocês são gays demais — Ívi provou o chilli, estava delicioso — Adivinhem quem estava patinando?

Laura mostrou os patins e todas se animaram! Iriam comprar patins cada uma delas, sairiam em gangues de patinadoras, adoraram a ideia.

— Laura, a Noah vai levar a gente na aula, ela está chegando...

Sim, porque Noah também não tinha muita resistência a saudade não. Tomaram banho, se arrumaram rapidinho e quando Noah apareceu depois da sua saída do trabalho, jantaram todas juntas num clima muito bom. A comida estava ótima e então tiveram que se apressar para a faculdade. Laura ainda pintou Ívi de runas celtas e símbolos indígenas, o apelido de La Bruja tinha pegado muito fácil e como a tinta era invisível na luz, estava tudo certo, ela podia ser pintada antes e pegar o metrô sem parecer esquisita. Desejou boa sorte a elas e correu para a faculdade em que Laura tentava o impossível. Conseguiu convencer os professores que podia recuperar o semestre se eles abonassem as faltas, Karime e Thai tinham conseguido o mesmo apesar da missão ser menor do que a de Laura, e em virtude disto, sequer perceberam o final de semana passando.

Julia e Ívi tiveram shows sábado e domingo, e já tinham agenda sem intervalo pelos próximos quinze dias, o show eclético preencheu todas as lacunas possíveis, boates no final de semana, restaurantes e barzinhos durante a semana, e quando viram aquela agenda tão lotada...

— Meninas, avisem quando estiver demais — Natalia tinha ficado preocupada com a cara que elas fizeram ao ver a agenda lotada por mais sete dias — É que as propostas estão chegando e...

— Nat, não é isso, é que... — Os olhos de Ívi não saíam das datas — Quando isso aconteceu? — Abriu um sorriso — Até semana passada fazíamos no máximo três shows por semana!

— Até semana passada, vocês não tinham Heidi Guimarães seguindo vocês, respostando vocês, essas coisas são assim, você está sob uma luz branca e de repente, alguém te olha e liga um holofote para milhares de pessoas — Ela contou sorrindo — E mais, eu já tenho proposta para shows em outros lugares, estou segurando por causa da Julia, mas assim que essa situação estiver regularizada, não haverá limites para vocês, eu tenho certeza disso. Ainda que a Heidi não faça mais nada, porque é o que eu acho que vai acontecer, só o que ela já fez, já nos empurrou para frente demais e nós vamos nesse embalo, nós vamos na onda que ela causou.

Sem problema nenhum, iriam na onda sem nenhuma dor! Comemoraram num jantar rapidinho a semana cheia, era sábado, Laura trabalhava também e o domingo foi silenciosamente assustador. Karime sequer voltou na sexta depois da faculdade, foi direto para o apartamento de Noah e enquanto Julia e Ívi dormiram durante o dia, Thai e Laura viraram o tempo que tinham fazendo trabalhos, pesquisas, Thai costurando algumas encomendas, Laura finalizando algumas capas digitais, foram horas intensas demais em que estavam fazendo muito, mas também estavam perto de suas garotas. Não deu para sair, mas deu para ficar em casa, deu para ficarem juntas, se curtindo um pouco e deu para Laura se derreter um pouco mais por uma garota quando sem querer, encontrou o planner semanal de Ívi.

  • Dormir, por 5 horas

  • Academia, 15:30

  • Às 16:40, ir buscar Laura ღ

  • Tempo com ela ღ

  • Inglês às 19:00

  • Ensaio às 20:30

  • Show 2 às 23:30, Haíz

  • Chegar antes das 6, Laura ღ

Não acreditou que ela lhe colocava em seu planner, cercada de corações. A vida de ambas estava uma correria, mas ver que ela se preocupava assim para que ficassem fisicamente juntas o tempo que podiam (fisicamente porque, se falavam o dia inteiro por mensagem, era a mesma rotina de Londres, isso não tinha mudado), foi algo que lhe aqueceu por dentro. Apesar da correria que se mostrou a semana seguinte lotada, com os quatro shows de Haíz se espalhando por diversos cantos do Rio de Janeiro.

A semana começou com Ívi e Julia tocando numa boate em um domingo, com as duas chegando perto das cinco da manhã, com outro encontro de madrugadinha com Laura porque quando Ívi chegou, ela já estava de pé, fazendo o café e aqueles quarenta minutos que passaram tomando café juntinhas e namorando no banco na janela do quarto foram a coisa mais preciosa da vida. A semana seguiu avassaladora, Laura ainda estava se habituando com os horários do trabalho, sofreu com o sono um pouquinho, e sofreu também com a cama vazia na noite. Não achou que sofreria tanto com isso e nem Ívi achou que pudesse ser tão feliz às seis da manhã.

Mal abriu a porta do quarto aquela manhã e foi atropelada por Laura, pelas mãos dela, a boca dela pelo seu pescoço, pela sua vontade, Ívi mordeu a boca e a tirou do chão, a segurando muito firme, a beijando e a sentindo gostoso enquanto ela lhe dizia que mal tinha dormido, que estava com tanta saudade que não deu, que tinha dormido pouco e acordado com tesão, contou, arrastando a boca pelo seu ouvido e Ívi... A deitou na cama, se livrando do casaco, da camiseta, com as mãos dela lhe agarrando os braços, as coxas lhe pressionando os quadris e quando Ívi a tocou... Laura iria matá-la. Desconfiava que era real e perigoso o suficiente para seu coração. Fizeram amor, primeiro dando conta de toda a saudade que acometia sua galega e quando Laura lhe mostrou que a saudade estava em sua boca também, Ívi nem soube de nada. Ia para outro lugar quando Laura lhe pedia, quando se tinham tanto. Terminaram no chuveiro, fazendo tudo de novo e sua galega teve que correr ou iria se atrasar! Foi a primeira vez que Laura foi de patins para a Starbucks ou iria mesmo se atrasar, e Ívi ficou tão preocupada que...

— Ívi!

— Que custa, amoriño? Se você não me deixa ir te levar...

— É um absurdo, você está cansada.

— Então faz isso por mim — Ligou por vídeo e prendeu o celular dela em seu braço — Depois que eu ver que você chegou bem eu juro que vou dormir em paz.

Se ela insistia, Laura só podia se derreter, a beijar e fazer o que ela tinha pedido. Chegou bem, aliás, se soubesse que patinar era tão simples, teria feito isso antes. Chegou no horário e nas nuvens, tanto que sua gerente notou.

— Galega, eu acho que você não tem noção do quanto está apaixonada, sabia? Fica no seu rosto o dia inteiro!

Laura caiu no riso, enquanto corria para esquentar o leite, adiantar sua mise en place antes de abrirem.

— Eu sei, é que... — Respirou fundo — A Ívi é muito diferente. Desde o primeiro segundo que olhei para ela eu tive uma sensação de que ela ficaria na minha vida por muito tempo e agora que tudo aconteceu, que nós estamos tão bem...

Seu celular tocou. Porque agora que estava tão bem com Ívi, María estava desmoronando em Madrid. Atendeu rapidinho apenas para dizer que não podia atender, estava trabalhando, mas María estava claramente bêbada às duas da manhã e Laura não sabia o que fazer. Ligou para Julia, disse para ela resolver, era irmã dela também e isso andava sendo uma briga muito longa. Julia não tinha paciência, ou não queria aquela responsabilidade, Laura ainda estava tentando entender se era uma alternativa, se era ambas, enfim. María tinha ligado porque ainda estava furiosa por Laura ter terminado o namoro com Kelsey e daí que não sabia se isso era ciúmes ou pura criancice. Ela ainda era uma criança afinal.

— Você tem que parar de dizer que ela é uma criança, Laura. Você notou as marcas sobre os seios dela?

— O quê?

— A María está fazendo o que não deve e é muito bom para ela que seja ao menos com alguma garota, porque se ela estiver se colocando em risco com algum idiota por aí...

— Julia, é claro que não!

— Você não conhece a María, Laura, não viu o que eu vi dela quando você veio para o Brasil. Ela é perigosa!

— Ela tem treze anos!

— Lembra do que eu fiz com você quando eu tinha treze anos?

Laura lembrava. E esperou mesmo que María estivesse fazendo o mesmo que Julia aos treze, porque senão...

Falaram com Alejandro mais tarde, que sequer sabia que María tinha fugido para uma festa de madrugada e ele parecia tão perdido que chegou a dar pena. Falaram sobre a guarda, sobre a possibilidade de enviar María para o Brasil e ele se fechou imediatamente. Não, isso ele sequer pensaria, de jeito nenhum. Daí que Laura fez contas mentais, María faria quatorze anos em seis meses e apesar de ter se separado de Kelsey, María não tinha feito o mesmo. A promessa de Kelsey de tirá-la da Espanha seguia a mesma.

Mais dias, novas correrias, mas Ívi parecia ir bem, seguia conseguindo pegar algumas manhãs no estaleiro apesar de todo o cansaço, ela estava juntando dinheiro para algo, Julia sabia e a própria Julia também andava juntando dinheiro, tanto que pegou dois dias na guarderia, tanto que estava fazendo shows extras quando conseguia, bares de tarde enquanto Ívi fazia o mesmo a partir das três da manhã, tocando sozinha como DJ. Elas eram incansáveis, e isso enchia Laura de orgulho. Porém na sexta, o cansaço bateu tão forte que derrubou inclusive, Ívi Schelotto.

Chegou depois das sete, Laura já tinha saído para trabalhar, queria chegar um pouco mais cedo, ao menos para sentir o cheiro de sua galega, mas não deu. Correu para o estaleiro, trabalhou por quatro horas, voltou e deitou para dormir só um pouquinho, mas acordou com Julia lhe dizendo que estavam atrasadas. Atrasadas para quê?

— São dez da noite, Ívi!

— Como assim são dez da noite? Eu tinha que ir buscar a Laura!

Julia sentou-se na cama por um instante, pegando a mão de Ívi com carinho.

— Ívi, ela veio, te beijou, sentiu muito por você estar tão cansada e foi para a faculdade. Ela não está irritada por você não ter ido.

— Eu sei que não, Juls, mas eu não quero passar vinte e quatro horas sem tocar na minha namorada, não pode ser assim — Não acreditava que tinha dormido tanto.

— Então temos que tomar decisões melhores. Eu mal estou vendo a Thai esses dias, mas é por ela, eu quero fazer uma surpresa, você sabe.

— Eu sei. Nunca imaginei que viesse de você algo tão bonito por ela, sabia?

— Eu te disse que estou tentando — Afirmou sorrindo — Vamos lá, levanta, nós temos o restaurante para fazer hoje, vem.

Ívi levantou, se arrumou e ter Noah pintando suas runas e suas marcas indígenas doeu um pouquinho.

— Estou fazendo muito errado?

Ívi sorriu.

— Não, é claro que não! Está fazendo direitinho, mas é que...

— Não quer passar vinte e quatro horas longe da sua galega, eu sei. Não sofre, está bem? A noite vai terminar bem.

Foi para o restaurante com Julia, já era fixo agora, o restaurante as tinha nas noites de sexta em um horário mais cedo e não prejudicava a segunda agenda, geralmente numa boate. E estavam no palco há meia hora mais ou menos quando...

Laura entrou no restaurante. Com a roupinha da faculdade, seguida por Karime e Thai, Noah tinha ido buscar as três na saída da faculdade, e Ívi... Derreteu sorrindo. Sério que não ia passar vinte e quatro horas sem ver o seu amor? Não ia não, graças a Noah, não iria. Desceu do palco no primeiro intervalo, foi beijá-la, mantê-la em si, dançar um pouquinho com ela porque estava mesmo com saudades, porque vinte e quatro horas era um absurdo e Ívi não tinha como agradecer a Noah.

— Eu tinha que sequestrar a Karime também, vai, amanhã é aniversário dela, lembra?

— 2 de novembro, el día de los muertos!

— Não dá para esquecer, não é? Quero fazer algo especial para ela, começando por hoje. Você acredita que já é novembro?

— Eu nem vi passar. Em dez dias, Julia faz vinte e dois, em quinze dias eu faço vinte e cinco.

— É o festival dos aniversários, Karime estava me dizendo.

— Exatamente.

Noah a olhou mais de perto um pouquinho. Ívi parecia... Dispersa.

— Ívi, está tudo bem? Não acha que está fazendo demais?

— Noah, você não pode parar de me chamar, está bem? Eu preciso desse dinheiro.

— Eu só estou preocupada com você. E com a Karime também.

Estava, e a noite especial que tinha preparado para ela girava em torno disso.

Noah levou Karime para um jantarzinho que tinha feito em casa, à luz de velas, apenas para elas duas, para que namorassem, ficassem juntas, desfrutassem a companhia uma da outra. Karime estava bem, mas Noah não tinha certeza de até onde ia esta fase melhor. Lembrava de ter encontrado Karime no fundo de um poço, e não parecia nada natural que ela o tivesse escalado para fora tão depressa.

Então pensou num jantarzinho, na madrugada de aniversário, para sentir e se aproximar de seu amor. A levou pra casa no final do show e os olhos de Karime se acenderam imediatamente, assim que ela entrou no apartamento! As luminárias, a decoração delicada, Noah foi até a cozinha e voltou de lá com um cupcake em forma de abóbora com uma velinha acesa! A coisa mais fofa, um presente na cama, aliás, presente duplo, uma lingerie gostosa que deveria vestir, outra de tirar o fôlego que Noah vestiu, vermelha, uma coisa, Karime quase pulou o jantar por causa daquela lingerie. Se pegaram um pouquinho por causa dos presentes já vestidos, daí foram jantar no chão da sala, assim, usando apenas aquelas lingeries. Noah tinha cozinhado cada pequena coisa e Karime ainda não acreditava que tinha aquela garota. A sua garota, que povoou a sua mente por dois anos inteiros antes de simplesmente, bater à sua porta. Fizeram amor, doce e quente, todo pegado, ter Noah na cama era um presente duplo sempre, ela era uma delícia de se pegar e quando aquelas garras pegavam Karime...

Não acreditava que ela tinha passado tanto tempo sem pegar nenhuma mulher, era um desperdício total.

Ela lhe deixou na cama no final do amor, foi até a cozinha, de roupão e nada mais, retornou com chá para as duas e, subiu em Karime, sensualmente, ela estava nua, de bruços e, Noah escorregou para os quadris dela, fazendo uma pressão gostosa demais, percorrendo sua cervical suavemente com os dedos, fazendo Karime...

Ela lhe mordiscou a nuca, o arrepio na pele foi resposta natural.

— Ai, bebê...

— Eu estou viciada em você, não sei como lidar. Eu só tenho uma reclamação a fazer...

— Noah... — Karime já sabia do que ela ia reclamar — Precisa ter paciência comigo sobre isso.

— Não é uma questão de paciência, meu bem, é uma questão que... Eu sou sua namorada, não sou?

— Você é.

— Então, qual é o problema? Eu sei que você não ficava desconfortável assim com a Julia te cuidando.

— É que a gente se conhece há mais tempo...

— Nós duas tecnicamente nos conhecemos há dois anos, então, qual é a diferença? É que nosso relacionamento é só nós duas, é isso? Eu posso arrumar uma outra menina, espera... — Disse, fazendo graça e fazendo Karime rir demais. Rir, lhe agarrar, lhe derrubar na cama em beijos.

— É claro que não é isso!

— Então, só relaxa, está bem? — Agarrou os braços de Karime em si, adorava os braços firmes dela, adorava — Eu estou preocupada com algumas coisas, mas essa sua atitude não me deixa fazer muito. Já aceitamos que não vai dar para se formar no final do ano, não aceitamos?

— E eu me sinto péssima por isso, Laura fica um mês fora e consegue contornar as coisas sem sequer suar, como é que eu não consigo contornar só algumas aulas perdidas?

— Laura põe indiretamente uma pressão em vocês impressionante. Sabe, ninguém tem que fazer o que ela faz, está bem? Essa frase inclusive é sua, Laura é diferenciada, é inteligente acima da média, teve escolas brigando por ela uma vida inteira, ela é diferenciada, vamos aceitar esta parte também. Não tem problema em não se formar agora, guapa, você se forma ano que vem.

— E faço o que até lá, Noah?

— Você estuda e trabalha, lembra de todas aquelas oportunidades que nós vimos essa semana? — Noah tinha contato com várias agências recrutadoras.

Karime delicadamente se afastou e sentou-se sobre os joelhos na cama, olhando para Noah de maneira muito aflita. Essas mudanças nela, era isso que lhe preocupava tanto.

— Noah, eu vou te envergonhar...

— Meu amor, é claro que não — Noah sentou-se, tocando o rosto dela com carinho — Por que você me envergonharia?

— Você falou com os seus amigos, viu essas oportunidades e... — Karime apertou os lábios — Se eu começar a trabalhar e surtar de novo? Porque acontece de repente, eu acho que não consigo trabalhar certinho, com hora para entrar e hora para sair porque quando acontece, é só de uma vez, eu não consigo controlar e...

Noah puxou o rosto dela para si, buscando os olhos dela.

— Karime, meu amor, olha pra mim: — Colocou seus olhos verdes dentro dos dela — É por isso que você tem que aceitar o médico que eu consegui.

— Mas Noah, eu estou melhor, eu me sinto bem agora, só fico insegura de firmar um compromisso e falhar de novo.

Cariño, você está bem porque nós estamos bem. Não há nenhum problema acontecendo, nenhuma pressão sobre você, essa doença te toma sob pressão e você já sabe disso, por isso se ancora nas pessoas para se proteger. Você ancorou na Laura por muito tempo, mas quando ela partiu, você se partiu.

Os olhos de Karime se encheram subitamente e ela nem precisou dizer nada.

— Não, meu amor, eu não estou pensando em te deixar, está bem? De jeito nenhum. Você é a prova de que eu não vim com defeito, de que não sou uma insensível, eu não sou fria, sou no máximo gay e não tinha encontrado você — Disse, a fazendo sorrir demais — Mas não vai ser tranquilo assim para sempre, porque se chatear é normal, se irritar é normal, faz parte de qualquer relacionamento. E quando isso acontecer, você precisa estar bem, precisa estar ancorada em si mesma pra gente prosseguir. O tratamento é para isso, meu amor, para que você ancore em si mesma, para que você mesma se proteja, entendeu? É o que essa doença come, a sua capacidade de se proteger por si mesma, de estacionar em si mesma e ficar tranquila com isso. Você entende, guapa, entende isso?

Karime começou a chorar, no colo de Noah e era um sofrimento muito real, algo de partir qualquer coração, imagine um tão apaixonado por ela.

— Meu bem, olha pra mim, calma. Você quer trabalhar, mas está com medo, é isso?

— É isso, eu não quero te envergonhar.

— Tira isso da sua cabeça, está bem? Você nunca vai me envergonhar. Escuta, amor, se você estiver trabalhando vai se sentir mais à vontade para começar o tratamento de verdade?

— Sim, eu me sentiria melhor.

— Então pronto. Vem cá, bebê, vamos olhar as vagas novamente...

Noah a colocou sentada, foi buscar o celular, olhar novamente as vagas que tinham visto antes.

— Este aqui, está vendo? Professora de espanhol freelancer, você tem proficiência, já ensinou antes e esta vaga aqui especificamente, é horista.

— Como a Ívi?

— Isso, a oferta de turma surge, o RH te liga e você diz se pode pegar a oferta ou não. Você ficaria mais tranquila em ter esse controle?

Karime a olhava. Mais lágrimas, muitas lágrimas.

— Eu não acredito que você existe, sabia?

Noah a beijou, sorrindo, a mantendo muito perto.

— Eu existo, nós existimos e eu quero crescer com você, amor. Eu não te cobro nada, mas vou cobrar que você se cuide e, que me deixe cuidar de você. Vamos tentar esse? E se não der certo, a gente tenta outro, não tem problema. Eu só preciso que na segunda-feira, você vá na consulta e que quando sair de lá, aceite que eu compre o que você precisa enquanto a gente põe as coisas no lugar. Pode ser?

Karime afirmou, podia ser assim sim. E lutaria com tudo o que tinha, para não decepcionar Noah de jeito nenhum.

— Então pronto, amor, está resolvido. É simples, você percebeu? É simples resolver as coisas quando duas pessoas querem estar juntas. Não vê a Thai e a Juls?

Karime abriu um sorriso.

— Elas se casam em sete dias.

Noah a olhou. E foi para o colo dela, de frente para ela, sentir aqueles braços fortes apertando pela sua cintura num abraço feito de apego, bocas perdidas e cheiros.

— Você quer me pedir mais alguma coisa que eu sei, guapa... — Karime disse sorrindo e a fazendo rir. Noah estava igual a um gatinho, se esfregando pelas suas pernas o dia inteiro.

— É que... — Noah apertou os lábios. Não queria usar as palavras erradas para o que queria propor, nem fazer Karime sair correndo, mas precisava ao menos tentar dizer — Karime, aquele apartamento apertado, cinco garotas, dois casais de duas porque vocês já mostraram que a conta não é tão exata quanto parece, e você... — Olhou nos olhos dela — No quarto ao lado de recém-casadas, sozinha. Eu não estou pedindo pra você morar comigo de vez, eu não quero te assustar, mas talvez você pudesse, não sei, ficar mais aqui? Quatro ou três dias? Você tem feito ao contrário.

Karime abriu um sorriso e a deitou para trás, a beijando novamente, tocando o pescoço dela, alcançando os quadris naquela lingerie que...

Cariño, você precisa parar de achar que vai me assustar com a sua intensidade, lésbicas geralmente moram juntas no dia seguinte, você levou um mês para me chamar... — Disse, a fazendo gargalhar ao sentir a sua boca pelo seu pescoço.

— Eu só peguei lésbica mole, viu, porque olha eu aqui, tendo que fazer todos os convites típicos...

Karime a mordiscou a fazendo rir demais.

— Nunca vi hétero ativa igual a você não, acelerada demais! Estou me acostumando a te deixar conduzir porque você faz isso muito melhor do que eu — Karime olhou naqueles olhos lindos — Eu quero muito cuidar de você, mas estou percebendo que antes disso, preciso cuidar de mim mesma. Eu vou cuidar, está bem?

— É tudo o que eu quero — Respondeu, deitando-se no peito dela e sentindo aqueles braços que adorava lhe apertarem contra batimentos muito acelerados — Esse coração acelerado não é só por mim, guapa. Tem que ser só por mim, porque eu sou ciumenta...

Karime beijou a testa dela, já tinha percebido esta parte. Precisava se livrar daquela ansiedade, sabia, ela só estava presa dentro de si e a última coisa que queria era se partir novamente em outra crise. A vida que tinha com Noah não merecia uma crise, não cabia nela, não, de forma nenhuma cabia.

Iria cuidar de si mesma. Prometeu. Iria fazer dar certo.

Notas do Capítulo:

Olá, moças!

Aqui estamos, com mais um capítulo de 6 AM postado! Uma nova realidade está se instalando na vida das nossas meninas e aos poucos, elas vão se ajustando para enfrentar o que anda surgindo pela frente. Tivemos um pouquinho de Laura e Ívi nesta nova configuração e um tantinho mais de Noah e Karime também, evoluindo no romance e caminhando para se tornarem algo mais. Porém, se levarmos em consideração o caminho percorrido por Julia e Thai e também por Laura e Ívi, fica claro que Noah e Karime ainda estão no comecinho de uma jornada e terão um caminho mais longo a ser percorrido ainda.

Próximo capítulo, "Lua de Mel", nome mais do que sugestivo, não é? Hahaha. E para que ele seja postado no próximo domingo, seguimos o nosso combinado de sempre! Quero dizer que sigo escrevendo muito e lutando para colocar na Amazon ao menos mais um livro antes do final do ano, e, aguardem, teremos novidades sobre "Sal" muito em breve!

Abraços!

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