Bali - A Garota na Luz - Versão EXPLICIT


Bali | Tessa Reis

Há coisas que só se encontra em Bali. Era nisso que Chloe pensava quando saiu de uma casa noturna às duas da manhã e ao ser apanhada por uma chuva no meio de uma das apertadas e movimentadas ruas de pedra, bateu de frente com uma casa de chás artesanais, aberta 24 horas. Como assim havia uma casa de chás aberta bem no meio de um nicho de boates? Que contavam de show de strip-tease a distribuição gratuita de alucinógenos, ah sim, desconfiava que isso também só acontecia em Bali, mas ainda assim não era páreo para a tal casa de chás aberta às duas da manhã.


Apressou o passo e entrou antes da chuva começar a apertar.


Escolheu uma mesa, perto das vidraças que davam para a rua aclarada pelos inúmeros letreiros luminosos. Adorava ver gente, movimento, era artista visual, pintora e estilista, sua inspiração geralmente vinha de observar. Tirou a jaqueta de couro que usava por cima do vestido branco e esvoaçante, arrumou os longos cabelos castanhos e deu uma olhada no menu. Uma opção mais deliciosa que a outra, misturas de ervas com frutas exóticas, em Bali um chá nunca é apenas um chá, é um tratamento, um passadio para algum mal, seja do corpo ou da mente. Escolheu um específico que jurava acalmar aflições de alma. Não que sua alma estivesse aflita, não achava que estava, mas estava…


Inquieta.


Chloe tinha viajado de São Paulo até Bali para beber de uma fonte de inspiração que não estava lhe inspirando. Tudo estava certo, tudo estava no lugar, mas de alguma maneira…


Faltava algo. Alguma coisa que ela não fazia ideia do que era, só sabia que faltava. Pediu seu chá, viu a chuva apertando lá fora mais ainda, as luzes piscavam para todos os lados, motonetas cruzavam a rua o tempo todo, a mistura de sons, de risadas e idiomas, aquelas ruas pareciam vivas. Seu chá chegou, com flores e delicadezas. Bebeu o primeiro gole para lhe esquentar um pouco e estava tão delicioso quanto parecia e então, pelo canto do seu olho, viu algo inesperado.


Um guarda-chuva vermelho. Como assim havia um guarda-chuva vermelho no meio daquela rua movimentada? Havia. Guarda-chuva vermelho, vestidinho preto, pés descalços e aparentemente ela sequer estava percebendo que estava caminhando no meio da rua. Repleta de motonetas, dirigidas por inconsequentes. Levou um segundo.


E quando deu por si, já estava saindo pela porta, atravessando a rua, escapando de uma motoneta, quando percebeu, já estava pondo suas mãos sobre aquela loira errante e a levando consigo.


Hey, young lady, you’re putting yourself in danger! — Disse ao alcançá-la sorrindo, a pegando pela cintura, a levando para a calçada imediatamente.

— Eu não consigo falar inglês se eu não consigo pensar, eu não estou conseguindo pensar… — Ela lhe respondeu em português.— Você é brasileira?

— Você é brasileira? — Ela perguntou de volta e então se jogou nos braços de Chloe, literalmente — Eu não acredito que você veio me salvar… — Ela disse de uma maneira engraçada que fez Chloe sorrir.

— Eu não sei se vim te salvar, mas ao menos evitei que você fosse atropelada.

— Eu não lembro onde fica, eu não sei bem, eu… Eu estou com frio — Se abraçou em Chloe mais forte ainda, como se já se conhecessem. A conhecia? Olhou para ela direito, loira, olhos castanho-mel, não, se a conhecesse lembraria. Ela era bonita demais para ser esquecida.

— Você aceita tomar um chá comigo?

— Um chá?

— Do outro lado da rua. Posso te pagar um chá?


A desconhecida do guarda-chuva vermelho lhe olhou nos olhos.


— Eu gosto de chá.


Tudo bem, ela aceitava o chá e a segurando pela cintura, Chloe atravessou com ela e a levou para dentro.


Ela estava mesmo gelada. Fechou o guarda-chuva, a conduziu até a mesa, vestiu sua jaqueta nela por cima daquele vestidinho preto que estava lhe fazendo... Ela era ainda mais bonita assim, na luz. Tudo bem, ela havia bebido, pediu um chá forte que por experiência própria, sabia que cortava ressaca, se não, ao menos a esquentaria. Vieram servir o chá.


— Você realmente vai me pagar um chá?

— Achou que eu estava brincando? É claro que eu vou te pagar um chá, o que há de tão inesperado?

— Geralmente, quando se quer uma garota se paga um drinque.


Chloe olhou para ela com um meio-sorriso.


— Quem disse que eu estou querendo você?

— O jeito que você pegou a minha cintura. Não foi uma garota hétero ajudando a outra. Você… Me pegou — Ela disse, tomando um gole do seu chá e fazendo Chloe sorrir outra vez.

— Eu só encostei em você, ainda não te peguei. Qual o seu nome? De onde você veio? Onde achou um guarda-chuva vermelho em plena madrugada?


Ela abriu um sorriso lindo.


— Brenda. Há coisas que só se encontra em Bali.


Foi tudo que ela disse. Chloe se apresentou, contou quem era, disse que era de São Paulo, que estava de férias em Bali e então perguntou as mesmas coisas para ela, de onde ela era, que idade tinha, o que estava fazendo em Bali e não, não, nada, ela não lhe respondeu nenhuma coisa que fizesse sentido. Podia perguntar qualquer coisa que tudo o que ela fazia era lhe olhar dentro da alma, sorrir e responder desconexamen