Capítulo Extra Havana: Sistema Sensorial

24/3/2019

 

 

Havia ficado assustada como nunca na vida. Seu coração ainda estava disparado e Eiffel não fazia ideia. Estava sentindo que algo ia acontecer aquele dia assim que saiu de manhã, mas dado o nervosismo que andava sua casa nas últimas semanas, achou que pudesse ser apenas mais um desentendimento entre suas mães, mas bem, não havia sido nada disso.

 

Estava tentando ao menos não tremer, porque isso seria maravilhoso no colégio, que lhe vissem tão assustada e com medo, as coisas não andavam fáceis ultimamente, de forma nenhuma andavam. Ficar sem Gigi era difícil, sem Parker era assustador e ainda por cima, Kennedy não estava por perto. Mas a vantagem de se ter muitas irmãs, era justamente, ter muitas irmãs.

 

Ainda que a irmã que estivesse por perto fosse a mais nova. E a que tanto achavam que era a mais frágil.

 

Não houve sensação melhor do que ouvir a voz de sua irmã dentro daquele banheiro de escola.

 

— Eiffel? Eiffel, eu estou aqui, onde você...

 

Eiffel abriu a porta da divisória onde estava e puxou sua irmã para dentro, a abraçando muito forte, muito agarrada nela, com o coração todo disparado.

 

— Sofia, você não sabe, não sabe o que aconteceu...

— Ei, calma, fica calma, está bem? — Tocou o rosto de sua irmã, buscando aqueles olhos lindos que ela tinha — Ele já me disse o que aconteceu, está tudo bem, ok? Eu vou ligar pra mamãe e nós vamos para casa, está tudo bem, Eiffel, tudo bem...

— É que... Sujou a minha roupa...

— Aqui — Sofia passou um casaco largo para ela — Ele pediu pra você usar o casaco dele, ele é bem alto, é maior que você, põe o casaco, fecha e ninguém vai perceber, Eiffel. Está tudo bem, fica calma, eu estou aqui com você.

 

Eiffel olhou para sua gêmea. E a abraçou novamente, muito forte, tão grata por ter sua irmã do seu lado.

 

— Agora para de chorar que eu vou ligar pra mamãe, eu já volto.

 

Estava bem assim. Eiffel foi vestir o casaco, o garoto era bem alto mesmo, era um dos jogadores de basquete da escola, parecia que ia funcionar, que ninguém ia perceber. E então voltou para o seu esconderijo enquanto Ryan foi ligar para a mãe lá fora. Buscou pelo garoto que tinha ajudado, ele não estava mais por perto. Tudo bem, pensou em para quem ligar e acabou ligando para Havana.

 

— Eu sei que a mammy está mais perto, mas ela anda tão estressada, mãe... — Sofia falava português perfeitamente, tal como as suas irmãs.

— Não tem problema, princesa, você sabe que pode sempre me ligar e que pode sempre ligar para a Ryan também. Acontece que ela anda trabalhando muito, não a culpe pelo estresse, está bem?

— Eu não culpo, mamãe, mas é que...

— Eu entendo e já estou indo, só me explica o que está acontecendo com a sua irmã.

— É que... Mãe, é que... A Eiffel está sangrando.

— Sangrando? Ela se machucou, ela...?

— Mãe, não. É... Aquela outra coisa.

 

Aquela outra coisa. E tinha que ter acontecido justamente na escola. Havana pegou o carro e foi direto para o colégio, tentou de todas as formas chegar antes do horário da saída, teriam mais pessoas por perto, mas pegou um engarrafamento e acabou se atrasando. Porém, quando chegou, lá estava, suas gêmeas esperando do lado de fora, Eiffel com os olhos inchados por ter chorado, vestindo um casaco maior do que ela e toda agarrada na sua irmã, que a abraçava, a mantendo perto, a protegendo.

Onde achou que em algum momento, veria sua Ri-Ri protegendo uma das irmãs?

 

Suas filhas não paravam de lhe surpreender. Foi até elas, beijou as duas.

 

— Está tudo bem, meu amor?

 

Eiffel chorou novamente.

 

— Está doendo, mamãe…

— A gente vai cuidar disso, está bem? Eu estou aqui, sua irmã está aqui, tudo está bem, princesa.

— Ryan, ele está ali, olha.

— Ele quem?

 

Nem deu tempo de Havana perguntar direito. Ryan saiu correndo em direção ao garoto que estava quase entrando no carro do pai e, o abraçou, bem forte, doce de uma forma que apenas Ryan Sofia podia ser.

 

— Obrigada, você cuidou da minha irmã. Obrigada por ter ido me chamar.

 

Ele sorriu. Era um garoto negro, alto, com porte de atleta e que tinha um sorriso lindo.

 

— Não precisa agradecer, Ryan.

— Eu trago o seu casaco amanhã.

— Não se preocupe com isso.

 

Havana se aproximou deles no mesmo momento que o pai fazia o mesmo. As gêmeas estavam separadas de turma, para desenvolverem independência e Eiffel tinha lhe explicado que Marcus, o garoto, tinha percebido algo de errado quando Eiffel não voltou mais para a sala depois do intervalo. Ele a viu entrando no banheiro muito nervosa, e depois não a viu mais, foi quando decidiu ir até lá e ver se tudo estava bem. Primeiro, Eiffel não quis dizer nada, tinha entrado no banheiro sozinha e sem celular, mas depois, decidiu contar e ele não só foi buscar Ryan, como conseguiu um absorvente com uma amiga e lhe emprestou o casaco para que ela pudesse sair do banheiro.

 

— Tudo bem? — O pai sorridente perguntou.

 

Havana sorriu de volta.

 

— Tudo bem sim. Esta é a minha filha Ryan, ela é gêmea e a irmã acabou de enfrentar a primeira menstruação no meio da escola, e... O seu filho foi maravilhoso. Muito obrigada, viu, Marcus? E muito obrigada a você — Apertou a mão do pai — Por ter criado um príncipe. Eles estão em extinção hoje em dia.

 

Foram para casa e no caminho, Havana enviou uma mensagem para Ryan, contando o que tinha acontecido e pedindo que ela chegasse mais cedo, de preferência tranquila e desarmada porque suas filhas estavam lhe precisando. Muitas coisas andavam acontecendo em casa, era uma fase difícil do casamento, que Havana tinha plena certeza que a maioria dos casais deveriam passar. O problema é que plenamente acreditava que estava acima deste tipo de crise com Ryan, e mais, quando achou que poderiam enfrentar uma crise, tinha plena certeza que seria o seu ciúme o causador, não o contrário. E agora ali estavam, numa situação complicada, que mesclava uma crise de casal com crises de adolescência generalizada.

 

Gigi tinha partido para o Brasil há um mês. Tinha pedido matrícula em educação à distância na faculdade por um semestre para que pudesse passar seis meses no Brasil, fazendo um longo estágio na fazenda de chás e Parker, bem, Parker tinha se mudado há uma semana e isso parecia ter atingido Ryan muito profundamente. Ela tinha decidido aceitar a bolsa de uma faculdade em Joanesburgo e deixá-la ir foi algo difícil para ambas. Havana estava sofrendo, Ryan também, mas por outro lado, ver Parker tão independente as enchiam de um orgulho sem tamanho. Ela tinha acabado de fazer 18 anos e apesar de estar morando sozinha, estava no mesmo bairro onde Caribe e Brighton moravam, ou seja, ela tinha suas babás por perto caso precisasse correr para alguém, mas ainda assim...

 

Estava complicado. E estava complicando ainda mais a crise de Havana e Ryan como casal, e o comportamento de Eiffel e Kenny também não estava ajudando muito. Era uma mistura de saudade das irmãs com o sentimento que Ryan preferia esta ou aquela filha, o que tinha transformado a casa em um verdadeiro campo de guerra.

 

Que Ryan estava decidida a contornar aquela noite.

 

Chegou mais cedo, com flores, chocolates e uma boneca de super-heroína para sua Eiffel, que chorou em seu colo feito um bebê, dizendo que estava doendo, que não queria que aquilo tivesse acontecido, que estava com vergonha de voltar pra escola.

 

— Ninguém viu, Eiffel. Digo que era eu se alguém tiver visto.

 

Daí que ela se agarrou em Ri-Ri e chorou ainda mais.

 

— Ela é muito boa, não merece a gente, mammy...

 

Ryan riu com sua menina ainda no colo.

 

— Ela é muito boa sim, mas é claro que vocês a merecem. Filha, está tudo bem, ok? Você não estava sozinha, ninguém viu nada, isso é algo natural que acontece com todas as meninas, não há como fugirmos desta parte chata da nossa natureza. Sofia, vem cá, princesa, por que você não ligou pra mamãe? Eu estou mais perto de vocês agora — Ryan tinha mudado de escritório recentemente.

 

— Ah, mãe, você anda tão estressada com elas...

— Ryan, não é com elas, filha, eu ando estressada com o trabalho, com a saída de casa das suas irmãs e não, Eiffel, isso não tem nada a ver se eu as amo mais do que amo vocês três, por favor. Eu amo vocês de igual maneira, vou sofrer da mesma forma quando forem vocês a saírem de casa.

— Não parece.

— Eiffel...

— Se não é isso, qual é o problema? Vocês vão se separar, é isso?

— Não! — Sofia ficou assustada — Não vão, não é, mamãe? Eu não quero que seja.

— É claro que a gente não vai se separar, Ri-Ri, não ouça as suas irmãs, você é de fato boazinha demais para elas, viu? Eiffel, eu não quero mais você repetindo este tipo de coisa, entendeu? Está ficando intolerável. Eu estou sim com problemas com a sua mãe, mas é claro que nenhuma de nós quer se separar, nós vamos resolver, ponto, não repita isso, nem perto da Sofia e menos ainda perto da Havana — Respirou fundo e então viu sua Ri-Ri entristecida — Sofia, ei, olha pra mim — Trouxe os olhos dela para os seus — Você não acha que ficou sem boneca de super-heroína, acha?

 

Ela sorriu empolgada porque Ryan tinha trazido uma boneca para ela também! Eram crescidas, estavam com doze anos, mas nenhuma delas resistia a uma boneca de super-heroína. E com ela mais calma, Ryan lhe explicou que agora poderia acontecer o mesmo com ela em relação à primeira menstruação e que ela precisava andar com absorventes na mochila caso acontecesse fora de casa. Ela pareceu assustada, mas Eiffel pegou a mão dela e disse que estava tudo bem, que estariam juntas quando acontecesse.

 

— Mas a gente não sabe quando vai ser, Eiffel…

— Eu fico com você o tempo todo até acontecer — Eiffel beijou a mão de sua gêmea — Eu fico, Ri-Ri, eu prometo.

 

Era o tipo de amor que fazia o coração de Ryan derreter todinho. Pronto, agora faltavam duas de suas garotas a quem precisava se resolver. Bateu no quarto de Kenny e entrou. Esperou ser recebida com guerra, mas…

 

— Mãe, eu vou cuidar delas hoje, vou montar o videogame e fazer um acampamento, pensei em fazer uma noite de irmãs para as gêmeas se acalmarem. Ainda que faltam duas — Ela disse, sentida — Ainda é uma noite de irmãs se a gente quiser.

 

Ryan olhou para sua menina. A coisa mais linda aos dezesseis anos, igualzinha a Havana, nenhuma das gêmeas parecia tanto com Havana como Kennedy parecia, era impressionante. A puxou e a beijou com carinho.

 

— Você está sentindo falta, não está?

— É difícil, mãe — Ela disse, com a voz embargada — Ficar sem a Gigi é uma coisa, mas ficar sem a Parker é… — Os olhos dela se encheram — Eu não fazia ideia que seria assim, eu sei que a Gigi está bem, ela é forte, sabe se cuidar muito bem, mas toda vez que eu penso na Parker, me dá uma coisa, um aperto, eu não sei explicar. Eu sei que tenho me comportado mal, mas isso que aconteceu com a Eiffel hoje me mostrou que eu não posso ficar mal, eu estou aqui e elas precisam de mim.

 

Kennedy estava matando aula, Ryan já sabia, mas decidiu não apertá-la por isso.

 

— Elas precisam sim. E eu preciso de você, Kenny, a sua mãe precisa e eu não quero você pensando nenhuma bobagem porque o que eu ando sentindo é o mesmo que você e isso não me faz te amar menos, ou amar a gêmeas menos. Você as ama menos por acaso apesar de estar sentindo tanta falta da Parker?

 

Ela negou.

 

— Então vamos melhorar, está bem? Eu te amo muito, filha.

— Mas eu dou tanto trabalho…

— Ainda bem que dá — Beijou a testa dela — Significa que ainda precisa de mim um pouquinho, que não é tão crescida quanto acha que é.

— Eu sou crescida, mamãe — Ela respondeu sorrindo.

 

E Ryan tirou uma boneca da Capitã Marvel da bolsa. Aqueles olhos verdes brilharam, ela abriu um sorriso lindo.

 

— É minha?

— Provas de que você está crescida, mas nem tanto — Ryan entregou a boneca para ela e a abraçou forte — Me desculpa, princesa, de verdade. Eu vou trabalhar para melhorar, está bem? Você é minha filha, eu te amo, tenho falhado, mas vou melhorar.

— Desculpa também, mãe. Eu te amo, eu vou melhorar. Não vou mais fugir da escola, prometo, eu vou ser melhor.

— Eu sei que vai. Suas irmãs precisam de você mais do que nunca, filha, você precisa de você mesma, precisa se esforçar, estar na escola, você é a irmã mais velha agora.

— Eu sei, mas eu não faço isso muito bem.

— É que só faz uma semana, meu anjo, não se cobre tanto — Respondeu sorrindo, fazendo um carinho nela e a fazendo sorrir — Vamos jantar? Havana preparou algo especial, vem, vamos pegar as suas irmãs…

 

Sempre era especial quando Havana cozinhava para elas.

 

Estava na cozinha quando desceram, suas trigêmeas falantes e empolgadas com bonecas de super-heroínas como se ainda não fossem tão crescidas. Era bom, dava ao menos a sensação de que não tinham crescido tão rápido e sua esposa estava…

 

Já tinha mudado o olhar. Ela já estava lhe olhando com tanta culpa que Havana estava quase perdoando antes mesmo dela pedir.

 

Estavam as duas muito sentidas uma com a outra, era verdade, o sensorial andava à flor da pele e elas não sabiam bem como melhorar ou fazer parar. Haviam tido várias brigas nas últimas semanas. Brigas por discordarem sobre a partida de Parker, Ryan não queria que ela fosse, achava prematuro, não tinha certeza se Parker já tinha maturidade suficiente para morar sozinha e Havana ficou ao lado da filha, ela queria, estava decidida, tinha planos que envolviam desde estudar música no conservatório nacional a construir um satélite na universidade. Sinceramente achou que se puxassem Parker para trás agora, seria um grande retrocesso para a evolução dela, mas Ryan não concordou e isso causou discussões enormes, de noites e noites em que não chegavam a acordo nenhum.

 

Não bastando essas brigas, Havana teve que contratar uma nova enóloga e quando não estavam discutindo sobre Parker, estavam discutindo sobre esta bendita enóloga que tinha escrito algumas mensagens para Havana, que por motivo nenhum, Ryan viu e por motivo nenhum também, começou a ter surtos pela proximidade de Havana com a moça. Que estava em treinamento. Que andava próxima de Havana por conta disso e as crises de Ryan foram tão intensas e inesperadas que Havana não estava preparada.

 

Uma parte sua adorou ver Ryan tão enciumada! E a outra parte se arrependeu imediatamente de ter desejado tanto ver a sua esposa um pouquinho enciumada.

 

Bem, mas agora ela estava lhe olhando toda culpada e…

 

— Kenny, cuida das suas irmãs, está bem?

 

“Cuida das suas irmãs” era um código secreto para “não deixa ninguém se aproximar do nosso quarto esta noite”. Kenny já sabia, apenas sorriu para Ryan, ia cuidar de suas irmãs sim.

 

Havana estava dando um jeito na louça enquanto Ryan arrumava a casa, ambas em silêncio. Até que Ryan terminou o que estava fazendo e chegou junto de Havana na cozinha.

 

Bem junto, a ponto de Havana arrepiar só com a proximidade da boca dela com a sua nuca.

 

— Deixa isso aqui e sobe? Toma um banho, relaxa um pouco, veste o que está em cima da cama esperando por você?

 

Havana abriu um sorriso sem se virar.

 

— Tem algo esperando por mim?

A esposa que você merece — Ryan lhe beijou a nuca com carinho — Sobe, gorgeous, eu preciso te implorar desculpas à altura.

 

Havana se virou e a beijou, subindo a mão pelo pescoço dela, por aqueles cabelos sempre sedosos enquanto sentiu as mãos de Ryan lhe pegando pelos quadris e lhe empurrando sobre o balcão da pia. A agarrou com suas pernas, pegando os braços dela firmemente, Havana adorava o corpo de Ryan, adorava sentir seus músculos e a pressão de sua esposa. Ryan treinava todos os dias, estava cada dia mais em forma, mais gostosa, Havana ficava toda perdida por ela e aquela criatura ainda achava que poderia ao menos olhar para outra mulher a tendo ao seu lado e na cama todos os dias.

 

Bem, quase todos os dias. Agora fazia dias que não tinha.

 

— Ryan…

 

Ela baixou a boca pelo seu decote, beijando sobre seus seios.

 

— Sobe, linda. Vai lá, vai.

 

Havana foi. Mordendo a boca e já morrendo de tesão, como podia? Ao menos pensar em outra mulher com Ryan Scholtz como esposa? Não havia sentido nisso. Entrou no quarto e nem sabia como ela tinha feito tudo aquilo em vinte minutos. O quarto estava escuro, apenas com algumas luminárias acesas, havia uma lingerie nova sobre a cama, preta, justa, do jeito que Havana adorava, haviam flores, vinho no gelo, acompanhamentos e, suas meninas não eram as únicas que tinham ganhado brinquedos novos.

 

Havana mordeu a boca e foi para o banho.

 

Relaxou em sua banheira e então a ouviu entrando, dizendo que ia tomar banho no quarto de Parker e já voltava. Havana se apressou, terminou seu banho, arrumou os cabelos longos, se cuidou, seus cremes, perfume, deu uma olhadinha em si mesma naquela lingerie, bem, não podia reclamar de nada, o pole dance seguia lhe deixando atraente o suficiente para enlouquecer sua mulher na cama. Saiu no quarto achando que Ryan ainda não tinha voltado, mas…

 

Ela lhe agarrou por trás, de surpresa, pegando Havana pela garganta, pelos seios, lhe grudando contra o seu corpo enquanto Ryan sussurrava qualquer coisa em seu ouvido.

 

— Eu sou uma idiota, sabia? Devia andar todos os dias agradecendo a minha sorte por ter me dado você… — Ela disse, mordiscando o lóbulo de sua orelha, subindo a mão por dentro do seu sutiã.

— Você agradece — Havana se virou de frente para ela, sentindo aquelas mãos imediatamente agarrando seu bumbum, lhe grudando ao corpo dela enquanto a sua boca encontrou o pescoço de Ryan, para deixar gostoso uma daquelas marcas que tanto gostava de fazer — Mas às vezes esquece e eu preciso te lembrar… — Empurrou Ryan e empurrou de novo até fazê-la cair na cama — Os motivos — E já foi ajoelhando, brincando com aquela calcinha minúscula que Ryan fez questão de usar — Sabe há quanto tempo eu não te toco?

— Onze dias, sim, eu contei — Escorregou a mão pela nuca dela, por baixo daqueles cabelos negros, a pegando firmemente — Você vai me castigar, não vai?

 

Havana mordiscou a calcinha dela gostosamente, fazendo Ryan gemer e estremecer.

 

— Coisa pouca.

 

Ela castigou e não foi pouco. Sinceramente, Ryan sequer se entendia, não fazia o menor sentido suas crises de insegurança quando aquela mulher ajoelhava diante de si e lhe comia inteira, lhe mordia jurando amor eterno, lhe dizendo que onze dias eram demais, que já estava ficando louca de tesão, que estava se tocando todos os dias por sua culpa. Se tocando e pensando em Ryan, na esposa que tinha, que adorava, venerava e se Ryan não gozasse na boca dela por alguma razão neste mundo, gozaria só pelas coisas que ela dizia, misturando tesão e declaração de amor numa poesia que apenas Havana Exposto era capaz de escrever. Fez Ryan gozar duas vezes e Havana teve certeza que estava bem encrencada.

 

Ryan a pegou firmemente contra o carpete do quarto. A beijando, a excitando, a pegando por cada pedacinho daquela pele gostosa que sabia com maestria fazer arrepiar como ninguém, a calcinha foi arrancada sem que Havana sequer notasse e quando a língua dela lhe tocou… Ryan a agarrou, a mantendo firme pela cintura, não deixando ela escapar, se mover, a fez sua, a fez gozar em sua boca e então gozar em cada um dos brinquedos que havia comprado e Havana nem sabia.

 

Alcançou a madrugada deitada de bruços, sentindo Ryan lhe prendendo inteira, lhe tocando naquela posição com o brinquedo sexual preferido de Havana: os dedos de sua esposa. Adorava todos os joguinhos que faziam, mas quando Ryan a tocava assim, hum… Não havia nada melhor.

 

NADA MELHOR.

 

Gozou firme novamente e Ryan a virou de frente, lhe beijando, sorrindo, sentindo os dedos dela se agarrando pela sua pele.

 

— Quer mais vinho, gorgeous?

— Eu preciso de cama e chá, Ryan, acho que estou virando uma senhora… — Ela disse, fazendo Ryan morrer de rir.

— Agarra em mim, beautiful.

 

Se agarrou no pescoço dela e Ryan lhe colocou na cama, com mais beijos, mais sorrisos e a promessa que voltava com um chá rapidinho. Pôs um roupão, desceu até a cozinha, fez o chá preferido de sua esposa e voltou, sentindo seu mundo no lugar novamente.

 

Entrou no quarto e Havana já estava de lingerie.

 

— Coloquei de volta porque acho que você nem teve tempo de apreciar…

 

Era verdade, nem tinha dado tempo. Deixou um beijo naquela coxa definida e entregou a xícara de chá para Havana, deitando em seu colo, querendo seu carinho e amor.

 

Gorgeous, você… É que, assim, você…

— Pergunta, linda, o que foi? — Às vezes, Ryan enrolava mais do que uma das meninas para perguntar alguma coisa.

— É que eu estava falando com as gêmeas e elas disseram uma coisa, e… Amor, você está pensando em se separar de mim?

 

E Havana teve uma crise de riso. Riu muito, tanto que quase deixou a xícara escapar de suas mãos! Deixou sobre o criado-mudo e beijou sua esposa longamente, invertendo posições, indo para cima dela e Ryan lhe pôs no colo, assim, com Havana sentada na parte baixa de sua cintura de frente para si.

 

— Isso é uma pergunta séria?

— É claro que é, primeiro eu volto a entrar em crise por causa da minha superproteção com as meninas, depois entro em crise de insegurança, daí me aparece aquela garota que deve, sei lá, ter quinze anos a menos que eu dando em cima de você descaradamente…

 

Havana a beijou rindo novamente.

 

— É claro que não, gorgeous. Por qual motivo eu estaria cogitando em me separar da mulher da minha vida? É claro que não. Só que eu sei que nós estamos com problemas e você estava aí, se fechando mais uma vez e com crise de ciúme de uma funcionária. Eu não sei o que faço com você, Ryan Scholtz.

— Ela está interessada em você.

— Quantas mulheres já estiveram interessadas em você? É para eu listar? Porque mulheres não caem em cima de mim do jeito que caem em cima de você não. Porém, eu surto um pouquinho e depois passa porque eu confio em você. Mas o seu surto não foi um pouquinho e nem passou, Ryan. Eu sou casada, ela sabe disso, foram duas mensagens que você leu e interpretou do jeito que quis, não com o que estava de fato escrito.

— Ela não parava de te escrever, Havana.

— Por conta do projeto, passou, acabou. Ryan, lembra quando eu surtei por causa da Brighton e você me mandou olhar no espelho? Então — Saiu de cima dela e deixou que ela fosse refletida no espelho da parede — Olha para aquela loira ali, linda, toda malhada, gostosa na cama a ponto de me fazer esquecer o meu próprio nome. Não tem mulher no mundo mais perfeita do que a minha. Em sã consciência eu não traio você e se trair, interna que deu problema de software… — Disse, a fazendo rir e lhe puxar de volta para sobre o seu corpo, com um beijo longo, apaixonado, todo cheio de amor.

— Havana, eu estou sofrendo.

— Eu sei que está, eu também estou. Mas não precisamos de mais problemas, sabe? Não precisamos criar mais um quando eu te amo tanto e só vejo você — Respondeu, deitando no peito dela — Nossa Giuliana está no Brasil, nossa Parker morando sozinha em outra cidade, é difícil pra mim também, eu choro no banho todos os dias de saudade. Mas elas não são nossas. Elas são da própria vida delas agora, são delas mesmas e são de outras pessoas.

— A Sophia mudou hoje para Joanesburgo. Elas não vão morar juntas, mas dá a dimensão da seriedade com a qual elas se tratam.

— Elas serão imbatíveis juntas. Ambas têm planos, querem coisas grandes e são inteligentes o suficiente para conquistar o que desejam. E nós não queremos ser aquele tipo de mãe que fica no caminho dos filhos, queremos?

— Não queremos. E ainda temos três aqui para dar conta. Você acredita que a nossa Eiffel é oficialmente uma mulher?

— E o meu último bebezinho será em breve também. Você tinha que ver, Ryan, o jeito que a Ri-Ri cuidou da situação, toda protetora, toda segura do que precisava fazer.

— Eiffel teve sorte de tê-la perto. E de ter arrumado um príncipe numa situação assim.

— Um menino lindo, Ryan, com cara de jogador de basquete, todo principesco mesmo. É tão bom saber que existem meninos assim por aí, que se preocupam, que cuidam, protegem. Você sabe que Ri-Ri não guarda segredos, né.

— Eu sei, ela conta tudo.

— Ela me disse que a Eiffel gosta deste menino e se ela gosta mesmo, eu preciso agradecer aos céus porque ele parece ótimo e eu jurava que ela ia me aparecer aqui namorando um problema…

 

Ryan riu, apertando sua esposa nos braços.

 

— Havana, eu estou tentando muito me resolver com a Kenny.

— Eu sei, eu vi você com ela hoje. Lembra quando você achava que seria com a Gigi que você teria todos esses conflitos?

— Pois bem, minha versão adolescente, na verdade, veio na Kennedy. Ela é boa garota, eu sei que ela é boa, olha o jeito que ela cuida das gêmeas, que cuida da Parker e até da Gigi. Mas de repente, ela esquece de tudo e quando percebe, já está se comportando mal novamente. Aliás, parece que as três decidiram entrar em guerra comigo ultimamente.

— Não são as três, a Ri-Ri é centrada e te entende, o problema vem da Kenny e da Eiffel. E você sabe que a Kenny está num ano péssimo, está indo mal na escola, não consegue se concentrar, mas como podemos resolver? Ela precisa se encontrar, já marquei uma consulta com um terapeuta semana que vem, paciência, é a adolescência. Mas já a Eiffel, devia ser a TPM, a verdade é que ela é a mais carente das cinco e está sentindo mais que a gente o vazio no ninho. E ainda teve isso hoje. Todas as outras estavam em casa a primeira vez que aconteceu, mas ela tinha que estar fora, tadinha.

— A Kenny deveria estar por perto, mas estas crises dela andam tirando o melhor que ela tem.

— Ela se sente abaixo, Ryan. Se acha menos inteligente do que todas as irmãs, se acha menos suficiente, menos necessária, ela me disse outro dia que só herdou os meus músculos, porque a inteligência ficou para as outras, você acredita? Ela é boa em tantas coisas, só precisa se ver assim, mas não sei como ajudá-la nisso.

— Eu também não sei, mas nós vamos descobrir. Eu amo as nossas filhas e não posso admitir que uma delas se sinta menos amada por nenhum motivo. Eu sou exigente com a Kennedy, mas é porque eu sei que ela pode dar mais.

— Amor, ela quer jogar hóquei e estudar educação física. Acho que se a gente disser que ela pode fazer apenas isso que estará bom, já é um grande começo.

— Se é o que quer, por que ela não nos diz?

— Porque uma das nossas filhas está estudando para dirigir a nossa empresa e a outra quer colocar um satélite no espaço, é complicado.

 

Ryan riu, a cheirando.

 

— Pode ser que você tenha razão.

— Pode ser, não é? Ela quer tanto te agradar que se enrola e ela sabe que é enrolada mesmo, que dá mais trabalho do que as outras, eu acho que tudo isso, no final das contas, é um bom sinal — Ficou em silêncio por um tempo, apenas sentindo a pele, o cheiro de Ryan — Ryan, promete que vai parar com o ciúme?

 

Daí Ryan caiu no riso novamente.

 

— Você não reclamava que eu não era ciumenta, que eu precisava demonstrar mais e etc, etc?

— Estou desreclamando, você é perfeitinha do jeito que é, linda, pode voltar a ser a minha Ryan muito digna para se desesperar, eu vou ficar imensamente feliz...

 

Ryan a beijou novamente, sorrindo.

 

— Eu vou melhorar, está bem? É que juntou você ter contratado uma enóloga irritantemente atraente com um medo esquisito de perder você.

— São treze anos, amor, não são treze dias. Faz treze anos que eu te amo e que aceitei sorrindo que vai ser assim sempre. A gente nunca vai se separar, Ryan, se você quiser, eu já disse que é problema seu, quando uma não quer, duas não separam…

 

Ryan riu novamente, a derrubando na cama, se virando para cima dela para beijá-la longamente.

 

— Eu amo você. E amo um pouquinho mais todos os dias.

 

Havana olhou naqueles olhos que adorava e, bateram na porta.

 

— Mãe?

— Kennedy?

— Mãe, desculpa, mas aconteceu uma coisa...

 

Guardaram os brinquedos rapidinho, Havana colocou um roupão e foram abrir a porta imediatamente.

 

— O que foi, filha?

— É que tem uns vinte minutos que a Sofia acordou e...

 

Foram até o quarto e lá estava, Sofia no colo de Eiffel que não conseguia parar de rir.

 

— Mãe, nunca foi tão fácil cumprir uma promessa!

Mammy, mamãe, desculpa, eu preciso de abraços, só dois abraços...

 

Sofia estava toda chorosa e lá foram elas, sorrindo, colocar a caçula no colo que estava toda carente porque sua primeira menstruação havia acabado de acontecer. Ela disse que as irmãs tinham a ajudado com tudo, que tinham lhe acalmado e lhe dado carinho, mas ela queria um beijo das mães rapidinho, só para parar de chorar e Havana não aguentava com a doçura de seu último bebezinho. Que já não era mais nenhum bebê.

 

— Aqui, Ri-Ri — Kenny voltou para o quarto com leite caramelizado para a irmã — Está tudo bem, você não disse que ia parar de chorar com as mães aqui?

— Eu vou parar, é só um pouco, eu já paro...

 

Eiffel beijou a mão de sua irmã.

 

— Você lembra o que a Kenny disse? Que nós somos conectadas? Tinha que ser logo, Ri-Ri, só umas horas depois.

— Suas irmãs têm razão, filha, melhor que foi agora, que estamos em casa e aqui com você. Ei, amanhã eu trago flores pra você também! — Ryan fez um carinho sorrindo em sua menina que lhe sorriu de volta.

— E chocolate também?

— Chocolate também, eu prometo. Você está sentindo dor, filha?

— Não, só é esquisito.

— Eu sei que é — Havana sorriu, beijando os cabelos dela — Mas está tudo bem, meu amor, bebe o leite que vai te fazer relaxar e dormir melhor. Acha que vai conseguir dormir?

 

Ela afirmou, ainda com aqueles olhos azuis molhados.

 

— Então pronto, se precisar da gente de novo, você chama, está bem?

 

Tudo bem, assim ela aceitou, beijaram suas três filhas e então voltaram para o quarto.

 

— Acha que todas as gêmeas funcionam deste jeito? — Havana ainda não estava acreditando.

— As nossas aparentemente funcionam — Ryan sentou na cama e puxou Havana para o seu colo — Onde nós estávamos mesmo? Ah, sim, eu disse que te amava e você não me respondeu nada... — Disse, fazendo Havana lhe beijar e morrer de rir.

— Eu fui interrompida!

— E ainda bem que não fui eu que nos interrompeu desta vez. Eu não vou mais atrapalhar a gente, meu bem, eu prometo. Eu vou lidar melhor com a partida das meninas, vou cuidar melhor das filhas que estão aqui e de você. Acabaram as crises, eu prometo.

 

Havana a beijou, tocando a testa dela com a sua em seguida.

 

— Eu amo você.

Eu sei — Ela respondeu, de olhos fechados — Ainda quando você não me diz, eu sinto, eu vejo, é extrassensorial.

 

Era. Para além dos sistemas e de todos os sentidos.

 

Notas do Capítulo Extra:

 

 

Olá, meninas!

 

Aqui estamos, no primeiro post literário do ano e, que está inaugurando oficialmente nosso site em 2019!

Como o combinado, a vencedora de cada categoria da Batalha das Favoritas ganhará um extra e nada melhor do que começar a postagem com Havana Exposto e suas garotas. Tivemos um pouco das gêmeas, um pouco mais de Kenny e principalmente, um pouco mais de Ryan e Havana, e seu relacionamento sempre cheio de variáveis inesperadas que elas conseguem lidar como ninguém!

Espero que tenha dado para matar a saudade!

Agora, para não perder o costume, vamos às regras desses extras!

 

Temos previstos, ao menos, os seguintes extras:

1. Extra Havana Exposto – Postado hoje.

2. Extra Rhian Kier – Previsto para 31/03;

3. Extra Personagem Secundária (Isis Ferraz ou Arantxa Iglesias) – Previsto para 07/04;

4. Extra Vilã – Previsto para 14/04;

5. Extra Amorzinho – Previsto para 21/04;

 

E para finalizar o projeto, vamos terminar com:

 

6. Capítulo de Estreia 6 AM – Previsto para 28/04.

 

Notaram que, todas são datas previstas, e isto se dá porque teremos número mínimos de comentários para liberar os extras nas datas combinadas ^^ Então vamos lá! 20 comentários (leitoras diferentes) para liberar o próximo capítulo extra, protagonizado por Rhian Kier, denominado “A Refém”. 

Se não alcançarmos 20 comentários, o cronograma será reajustado e o extra será postado dia 07/04 .

Ademais, feliz de estar postando no site novamente!

 

Abraços!

 

Instagram

Facebook

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Please reload