Capítulo Extra Delirium: O Alvo

7/4/2019

Nunca pensou que pudesse ser tão difícil. Quando colocou na cabeça que seria juíza, Isis não lembrou que não chegariam ao seu julgamento apenas casos como o de Rhian e Diana, não lembrou que presidiria júris populares e que apenas se vai a júri popular crimes como homicídios que ofendem diretamente a sociedade em seu caráter humano. E jamais pensou, jamais mesmo que teria que julgar tantos feminicídios.

 

Estava julgando mais um aquela manhã. E gostaria que dependesse apenas de si tal julgamento. Lhe incomodava uma série de coisas, ver homens machistas julgando mulheres, mulheres machistas julgando mulheres, a vítima sendo desqualificada como se morrer não fosse a maior punição que alguém pode receber, era uma parcela de coisas que jamais esteve tão cara a cara, daquele time de decepções com a própria espécie que todos nós sabemos que são reais, mas nunca vê de perto, presenciar a existência deste tipo de questão é algo completamente diferente.

 

Ao menos pôde condenar o assassino do dia. Com requintes na somatória das penas, fez questão de recitar claramente uma a uma das condenações, olhando para ele, usando toda a rigidez que nossa legislação tão frouxa permitia.

 

E ainda assim, terminou o julgamento se sentindo derrotada. Quarenta e sete anos era pouco, sendo que apenas trinta era permitido que fosse cumprido. E desses trinta, caberia abatimentos pela primariedade do réu, porque agressores de mulheres geralmente são primários, a grande maioria dessas vítimas só denuncia o parceiro com a própria morte e tudo isso lhe deixava triste a um ponto cruel.

 

Levou um tempo sozinha dentro do banheiro depois de ter encerrado o julgamento. Lavou o rosto, se olhou no espelho, estava tão cansada, tão exausta e não era físico, era mental, era sentimental. A grande verdade é que Isis fisicamente dava conta de tudo, mas o peso da sua mente e das preocupações ultimamente andavam lhe exaurindo ao limite. Já não estava tendo uma vida de qualidade antes, depois do tiroteio de Diana, então nem se fala. Mas tudo bem, ainda estava na metade do dia, precisava ir em frente.

 

Refez a maquiagem rapidinho, base, olhos, boca, deu uma sacudida nos cabelos, ajustou a saia-lápis de couro, justa, comprida na altura dos joelhos, Isis estava toda de preto, camisete preta, jaqueta preta, respirou fundo outra vez. O dia. Precisava terminar aquele dia.

 

Caminhou pelos corredores do fórum arrastando discretos olhares, sempre arrastava olhares de alguém, era próprio da Doutora Ferraz. Entrou em seu gabinete, olhou para sua pilha de processos, a pilha de coisas para analisar e responder, a foto de sua esposa. Se serviu um chá e pegou o porta-retratos, se dando cinco minutinhos de calma. Ariana era a única coisa na vida que lhe acalmava, que lhe fazia sorrir não importava a circunstância, e ter um bebê daquela moça linda, que Isis tanto amava, foi a coisa que mais quis nos últimos anos. Mas não havia sido possível e agora Isis parecia estar entendendo os motivos.

 

Não seria boa mãe. Nunca seria. Não tinha o tempo, a paciência, a dedicação necessária, via Diana com Behati e o tanto que ela lhe exigia, e que Diana dava sorrindo, se multiplicando em várias para dar conta de tudo e ainda se manter na carreira. Isis mal estava conseguindo manter a carreira e o casamento juntos, imagina somar mais alguma coisa a este cálculo. Não era para ser. Ariana havia engravidado três vezes e perdido o bebê antes do segundo mês todas as vezes porque não era mesmo para ser. Conversou muito com sua mãe, se reconectou com aquela parte sua tão espiritual de quando era menina lá em Alto Paraíso e aceitou que as coisas aconteceram por um motivo maior, e foi em frente. Da mesma forma que precisava fazer com o seu dia.

Devolveu o porta-retratos para o lugar e voltou a trabalhar. A ler processos, responder e-mails, organizar sua agenda, seus pés ardiam dentro dos sapatos de salto e, sua escrivã bateu e entrou.

 

— Doutora, a delegada Vieiras na linha três.

— Novamente?

 

Ela lhe olhou angustiada. E fechando a porta atrás de si, se aproximou de Isis.

 

— Doutora, se ela está tão preocupada, não seria sensato reconsiderar?

— Reconsiderar aceitar proteção especial por estar fazendo o meu trabalho? Isso não faz o mínimo sentido. Diga que eu não posso atender agora, que retorno depois — E foi quando o celular de Isis deu sinal e ela acabou lendo uma mensagem que lhe deixou especialmente irritada.

 

Levantou, pegando sua bolsa imediatamente.

 

— Doutora?

— Eu preciso resolver um assunto, diga que eu ligo depois.

 

E no meio do caminho, já foi ligando para Rhian e descobrindo onde ela estava. Entrou em seu carro, fazendo uma checagem visual apenas por precaução e partiu para encontrá-la. A pegou na saída do prédio, fechando o carro dela sem pensar duas vezes.

Rhian só fez olhar pelo retrovisor. Desceu imediatamente.

 

— Isis, você só pode estar brincando comigo! — Rhian desceu, de jeans, camiseta preta, cabelos amarrados em um rabo de cavalo, os piercings na orelha, e a arrogância, ah, sim, Rhian mudava, mas ao mesmo tempo, nunca mudava.

— Não, Rhian, é melhor que você esteja brincando! — Isis desceu de seu carro também — Como assim você decide subitamente que vai tirar a minha irmã da cidade sem me dizer nada?!

— Ah, então é isso — Rhian cruzou os braços — Isis, eu não disse para a Diana não te dizer nada, mas se ela decidiu fazer isso, eu acho que você deve saber o porquê. Aliás, sua abordagem aqui exemplifica muito bem essa sua reação excessiva a tudo!

— Ah, eu sou excessiva, Rhian? Eu sou excessiva? Você decide de ontem pra hoje que vai viajar, sei lá pra onde, levando a minha irmã e a minha sobrinha, e me diz que eu sou excessiva? A Behati está na escola! A Diana está no meio de um tratamento!

— Que está dando em nada! Você sabe tão bem quanto eu que esse tratamento que ela detesta sequer está funcionando! Escuta, Isis, eu vou tentar te dizer isso da maneira mais delicada possível — Tentou mesmo, apesar de saber que não havia como ser delicada com o que precisava dizer — Behati é minha filha, Diana minha mulher, sou eu que tenho que cuidar delas agora, está bem? O seu método não deu certo, eu tentei resolver este problema com você, não deu e no final das contas, quem está dormindo e acordando com a Diana todos os dias sou eu. Eu ainda não sei do que ela precisa, mas ela me pediu algo e como você já deve saber, não tem nada que a sua irmã me peça que eu tenda a dizer não.

— Você continua mimando a Diana, dando tudo o que ela quer, é impressionante...

— Isis, eu acho que você ainda não entendeu: a Diana não está numa crise de caprichos, ela está numa crise depressiva! E se você e eu tivéssemos dado ouvidos a ela antes, talvez ela não estivesse no extremo que está agora. Então sim, eu vou viajar e você por favor, não fique no caminho ou a faça mudar de ideia porque você estará criando um problema enorme para o nosso relacionamento, meu e seu.

 

Isis deu um passo na direção dela, a olhando bem nos olhos.

 

— Nós já temos um problema quando você acha que pode me excluir da vida da minha irmã. Eu não confio em você para cuidar da Diana num momento assim.

Rhian respirou muito fundo, devolvendo o olhar dentro dos olhos de Isis.

— Eu não preciso que você confie, eu não me casei com você, me casei com a Diana. Da minha família pode deixar que eu sei, Isis, você não precisa se preocupar.

 

E assim, aquela conversa terminou.

 

***

 

Ariana tinha atravessado para a cantina que ficava em frente ao hospital. Teria vinte minutos de intervalo e tinha plena consciência que precisava comer melhor, respeitar os horários era complicado com a rotina intensa do hospital, mas tinha decidido que faria o seu melhor para modificar aquele seu comportamento. Atravessou, pediu uma salada, um suco saudável, um peixe grelhado, eles ainda tinham? Recebeu como resposta que sempre tinham peixe para a Doutora Ariana.

 

— Qualquer dia você vai chegar aqui pedindo a casa dessas pessoas e elas vão te dizer sim, Ariana, é impressionante — Graziela sentou-se à mesa na sua frente, fazia pouco tempo que ela clinicava no mesmo hospital de Rhian e Ariana, atendia como terapeuta ocupacional na oncologia infantil e andava sendo companhia constante de Ariana em seus intervalos.

— Não é assim — Respondeu sorrindo.

— É assim sim, tudo o que doutora Ariana pede, eles atendem, deixa vir Rhian e eu aqui pedir peixe às quatro da tarde pra você ver o que acontece — Ela lhe disse sorrindo — Aliás, peixe às quatro da tarde?

 

Outro sorriso.

 

— Estou tentando melhorar a minha dieta.

— Coisa de tailandês, eu entendo... — E então, Graziela teve o olhar completamente roubado — Ariana, como é que você sobrevive?

— Que foi? — Olhou para onde ela estava olhando e...

 

Uau.

 

Suspirou ainda que tivesse a visto saindo de casa, ainda que tivesse visto os saltos, a saia-lápis elegante, a jaqueta preta, os óculos escuros, o cabelo solto, castanho, longo, cheio de leves e perfeitas ondulações, Ariana nem sabia como ela conseguia.

 

— Você é muito forte, Ari, tipo, muito forte mesmo porque eu que sequer gosto de mulher fico toda perdida com essa esposa que você arrumou...

 

Ariana caiu no riso.

 

— Não gosta mais ou menos, né? Você pegou a Rhian, pegou outras meninas da faculdade depois dela...

— E se a Isis pegasse mulher na época em que eu era adolescente lá em Alto Paraíso, teria implorado para ela me pegar, tenha certeza — Mais sorrisos — Ari, toda menina em Alto Paraíso queria ser Isis Ferraz, sabia? Queria ser bonita como ela, cuidada que nem ela, se vestir bem do jeito que ela se veste, todo mundo queria ser ela.

 

Ariana não duvidava. Outro sorriso no rosto.

 

— Acredita que eu acordo cedo todos os dias só para vê-la ficar pronta para o trabalho? E quando tiro plantão e chego de madrugada, só durmo depois que ela sai?

— Você...? — Graziela sorriu. Ariana era a coisa mais doce.

— Eu adoro ver a Isis se arrumando, maquiando, toda ocupada, olhando celular, computador, lendo processos, tudo ao mesmo tempo. Essa mulher é incrível, Grazi, têm dias que eu não acredito que nos casamos.

Têm dias que eu não acredito que nos casamos — Isis tinha ouvido.

 

E chegou beijando Ariana, tocando o rosto dela, a sentindo tão perto porque estava extremamente estressada e só olhar para Ariana não resolvia. Mas beijá-la...

 

Beijá-la sempre transportava Isis Ferraz para uma outra realidade. E Ariana ia junto, para outro planeta, qualquer lugar melhor, ver Isis assim, de inesperado, sempre lhe enchia de felicidade.

 

— Que surpresa linda — A beijou de novo, a cheirou um pouquinho.

— Eu precisava ver você rapidinho, sabia que deveria estar no intervalo, então... — Olhou para ela, tão bonita e cheia de luz, sorriu sem nenhum motivo — Grazi, tudo bem? — Lembrou de cumprimentar Graziela.

— Tudo bem sim e eu vou me sentar bem ali porque a sua doutora só tem uns minutinhos, e sei que ela prefere gastar com você — Deu um beijo em Isis e foi para uma outra mesa, as deixando sozinhas.

 

Isis sentou no lugar dela, pegando a mão de Ariana sobre a mesa com carinho.

 

— Está tudo bem mesmo, amor? Eu sempre adoro te ver de surpresa, mas ultimamente...

— Eu só ando vindo com problemas, eu sei, mas é que... — Parou, porque vieram trazer o prato de Ariana — Ariana, você está almoçando só agora?

— Não, meu bem, eu almocei meio-dia, mas me deu fome agora e preferi comer algo saudável.

 

Isis olhou bem para ela. Haviam inúmeras vantagens em Ariana ser tão transparente, ela não sabia mentir e Isis tinha certeza que ela andava mentindo. Já fazia no mínimo um mês e aquele era um confronto que andava deixando para depois. Não precisava entrar em crise com sua mulher à parte tudo o que estava acontecendo. E mais uma vez, decidiu deixar aquela discussão para depois.

 

— Você sabia que a Rhian está planejando levar a minha irmã e a minha sobrinha para um lugar que ela sequer quer me dizer?

— Isis...

 

Ela sabia. E Isis ficava louca com essas coisas.

 

— Ah, você sabia? E pretendia não me dizer igual a sua melhor amiga?

— Isis, a Diana pediu para sair daqui por um tempo.

— Ariana, isso é uma loucura, uma infantilidade! A Diana precisa de tratamento, ponto, ela já está se tratando aqui, a Behati precisa estar na escola...

 

E mais uma vez sua esposa estava tentando tomar conta de Diana e Behati, e Ariana nem sabia. Fazia meses que andava se sentindo invisível aos olhos de Isis.

 

— Isis, ela tem cinco anos, está bem? Ela é um bebê de cinco anos, dois meses fora da escola não causarão nenhum mal irreversível à carreira estudantil dela.

 

Isis apertou o semblante.

 

— Dois meses? Você está me dizendo que a Rhian pretende tirar a minha irmã daqui por dois meses?

— Isis, quer ficar calma?

— Como é que eu posso ficar calma, Ariana? Se a Rhian de repente decidiu voltar a ser a adolescente fora de idade impulsiva que só pensa nela? Com você me escondendo as coisas desse jeito? Nós somos casadas, Ariana!

— Às vezes eu acho que você esquece desse detalhe, sabia? Nós somos casadas, Isis, você e eu, mas os seus olhos estão na Diana o tempo todo! Ela se casou também, a Rhian é quem tem que cuidar dela, você não tem que se consumir tanto. Você sempre está ocupada, Isis, ocupada com a Diana, com a Behati, com o trabalho, mas nunca está ocupada com a gente, já percebeu? Com os nossos problemas.

— Nós não temos problemas, Ariana.

— Como nós não temos? É claro que nós temos, só que você não quer discutir sobre eles! O nosso relacionamento não é perfeito, Isis, nós temos coisas a discutir que você simplesmente ignora, deixa sempre para depois ou para nunca mais.

 

E o olhar de Isis mudou completamente. E é claro, o rumo da conversa também.

 

— Onde você estava no horário do almoço?

— É sério, Isis?

— É você quem está comendo fora de hora. Onde você estava?

 

Ariana olhou bem nos olhos dela.

 

— Não me ofenda.

 

E Isis respirou fundo. Passando as mãos pelo rosto, pelos olhos.

 

— Eu... Eu só estou muito cansada — Pegou a mão dela sobre a mesa outra vez e Ariana...

 

Ariana só amava. O tempo todo. Odiava brigar com Isis.

 

— Escuta, amor, eu saio em três horas. Vai pra casa, me espera lá, eu vou fazer um jantar pra gente, uma massagem nos seus pés, o que você acha, hein?

— Que eu te amo pra caramba, mas você está me escondendo cada vez mais coisas...

— É claro que não, Isis, por favor, olha pra mim — Ela olhou, Ariana mirou em seus olhos — Eu amo você, está bem? Eu sei do estresse, do cansaço e de todos os problemas, incluindo os nossos, mas temos mesmo que resolver, Isis.

— Tudo bem — Beijou a mão dela, mais para encerrar aquela conversa do que para qualquer outra coisa — Eu tenho que ir, vou deixar você comer. Eu vou passar no supermercado, ouvimos uma música, cozinhamos juntas, nos amamos, você gosta deste plano, meu bem?

 

Ariana sorriu e se inclinou sobre a mesa para beijá-la.

 

— Eu gosto desse plano.

— Então eu te espero em casa.

 

Trocaram outro beijo e Isis partiu. Entrou em seu carro, dirigiu um pouco e então simplesmente parou. Respirou fundo outra vez, deveria ser a centésima respiração profunda apenas naquele dia. Ok, estava mesmo estressada, pensou na pilha de coisas que tinha a fazer, mas decidiu deixar para amanhã, deixar tudo para amanhã mesmo, não iria pensar no fórum, nos processos e nem em Diana. Por mais que lhe incomodasse e preocupasse a história daquela viagem que tinha descoberto apenas porque Behati tinha lhe contado. Era isso? Diana queria lhe excluir de sua vida? Então que fosse em outra viagem tempestiva como se ainda fosse a garota de vinte e poucos anos que Rhian controlava. Parou de pensar mesmo e decidiu dirigir para casa.

 

E casa ainda era um apartamento apertadinho em Ipanema que não lhe permitia ficar nem um pouquinho afastada de Ariana. Bem, ao menos o apartamento exigia que sempre ficassem juntas fisicamente, apesar de Isis admitir estar ainda mais isolada em si mesma depois do tiroteio. Sabia que tinha problemas com Ariana, o bebê que não veio era um problema, a superproteção por Diana, que tinha ressurgido depois do pânico dos tiros, as coisas dais quais não falavam. E durante o banho, Isis falou muito alto consigo mesma, se proibindo de desconfiar de Ariana. Aquele ser humano era incapaz de trair, sabia disso, não era isso, só precisava se acalmar.

 

Saiu do banho, pôs um vestido, calçou chinelos e foi a pé até o supermercado. Seu carrinho dizia “noite romântica”, comprou ervas frescas, sorvete, um bom vinho, um vaso com flores porque Ariana gostava, passou na prateleira de orientais, pegou alguns temperos e hashis, os de casa tinham acabado. Estava indo para o caixa e, viu um ursinho de pelúcia lindo.

 

Era um ursinho polar branco, de gravatinha, todo elegante e adorável. E o ursinho lhe fez sorrir.

 

Colocou no carrinho, daria para Behati quando Rhian lhe devolvesse sua família.

 

Pagou tudo e quando chegou no portão do prédio antigo onde morava...

 

— Isis Ferraz.

 

Nem precisava se virar para saber quem era.

 

— Decidiu me seguir agora, delegada?

 

Era Maria de Vieiras. Toda de preto, coque samurai, com o distintivo de delegada dependurado no peito.

 

— Doutora Ferraz, eu preciso admitir que você é uma porta de ferro emperrada. Reza uma lenda pelos tribunais que você tem estômago de ferro, mas eu juro que não imaginei o tamanho do problema. Você está recusando sumariamente as minhas ligações, eu tive que vir até aqui tentar uma outra abordagem porque você com toda certeza ainda não me entendeu.

 

— Maria... — A centésima primeira respirada profunda, colocou as sacolas do supermercado no chão — Escuta, eu acho que é você que não me entendeu ainda, vamos lá, novamente: eu não vou onerar os cofres já esvaziados deste estado com segurança particular para fazer o trabalho pelo qual eu sou paga para fazer. Eu tenho que condenar assassinos, traficantes, todo tipo de bandidos que fizeram mal à sociedade que eu defendo, é isto o que eu faço e é isso o que eu vou continuar fazendo sem medo, de cara limpa, é o meu trabalho, você entendeu?

 

Então que Maria cruzou os braços olhando bem para ela.

 

— Não foi uma retaliação, Isis.

 

E Isis apertou as sobrancelhas.

 

— Do que você está falando?

— Você sabe muito bem do que eu estou falando, do tiroteio na linha vermelha em que a sua irmã salvou a sua sobrinha e todas aquelas pessoas! Melhor, foi sim uma retaliação, Isis, mas não contra os tais assassinatos feito por policiais e sim, contra você — Disse, fazendo Isis perder o ar pelos pulmões — Eles seguiram você, seguiram o seu carro, desconfiamos que estavam seguindo por semanas, aquelas balas eram para você, Isis, eles te confundiram com a Diana, que por qualquer motivo deste mundo estava no seu carro aquela tarde. A Diana não salvou apenas a filha e aquelas pessoas, ela salvou você. Você era o alvo. E se fosse você naquele carro... Só me fala, o que você teria feito? Se fosse você no lugar da Diana, o que teria feito? Espera, eu sei o que teria feito. Você teria morrido. Fuzilada e depois teria sido explodida dentro daquele carro.

 

Isis estava... Piscou os olhos, passou as mãos pelo próprio rosto.

 

— Você está me dizendo que a linha de investigação...?

— Estava totalmente equivocada. É por isso que eu assumi o caso agora, foi um crime federal, contra uma autoridade e uma agente da polícia federal, uma retaliação contra as suas últimas decisões, que colocou alguns figurões do crime atrás das grades e se fosse apenas uma condenação, nós teríamos um rumo, mas você condenou onze traficantes perigosos apenas nos últimos meses. O alvo era você, Isis, eles seguiram o teu carro, o encurralaram em um lugar onde podiam controlar, uma demonstração franca de poder. Queriam executar você em público. Você era o alvo. Mas quando a Diana não só escapou, como contribuiu significativamente para a prisão de quatro dos homens do ataque... Você pôs um alvo nas costas dela. A Diana não está paranoica, Isis, o nome do que está acontecendo com ela é instinto. O instinto dela está apitando, dizendo que tem alguma coisa errada, ela deve estar sendo seguida, cercada, estudada, o trabalho deles recomeçou, zerou e eles têm dois alvos agora. Então, doutora, se você não pretende facilitar o trabalho desses caras, aceite a proteção. Você não é Diana Ferraz, você não tem a mínima possibilidade de conseguir lidar com isso sozinha.

 

E assim aquela conversa também terminou.

 

Maria foi embora e Isis ficou um tempo parada no mesmo lugar, sem conseguir entrar ou processar tudo o que ela tinha acabado de dizer. Isso mudava... Mudava todas as coisas.

 

Subiu, deixou as compras no balcão da cozinha, pegou as chaves do carro.

 

E quinze minutos depois, Rhian atendeu sua porta e era Isis.

 

— Isis...

— Fecha a porta.

— Como...?

 

Isis a puxou para fora e fechou a porta.

 

— Quando vocês viajam?

— Escuta, se você veio aqui para...

— Rhian, escuta você, só me escuta bem, ok? Você tem que tirar a Diana do país.

 

E Rhian estranhou completamente.

 

— Como...?

— Você precisa tirar a Behati e a Diana daqui, não fica no país, vai para outro lugar, para qualquer lugar, só faz isso, está bem?

— Isis, sinceramente, eu não estou entendendo nada.

— Eu não posso te explicar muito por agora, mas resumindo, não é seguro para a Diana ficar no Rio de Janeiro, o tiroteio não foi um tiroteio, foi um atentado e eu era o alvo, entendeu? Então só tira elas daqui, no máximo em algumas horas, vai para outro país, fica um tempo por lá, não diga para onde está indo. Nem para mim.

— Mas se você está em perigo, a Ariana também está!

— Eu cuido da Ariana e você... — Tocou os ombros dela olhando-a nos olhos — Você cuida da sua família, está bem? Você está certa, elas são suas e eu ainda não sei como lidar bem com isso, então... Só vai, Rhian. Cuida delas, você sabe o que fazer melhor do que eu.

— Isis... — Rhian a tocou também — Tudo bem, eu já percebi que você não pode falar muito agora. Nós vamos sair do país mesmo, foi o que eu planejei.

— Vão quando?

— Num voo de duas da tarde de amanhã.

— Tudo bem, só faz isso. Me avisa onde vocês vão estar só depois de chegar lá — E já foi dando meia-volta para ir embora e Rhian a puxou de volta.

— Isis? Ei, não sai assim. Entra, vai abraçar a sua irmã, vai beijar a sua sobrinha que tanto te ama.

— Eu... Venho de manhã. Tomar café com vocês, eu não estou bem para fazer isso agora porque...

— Pode desabar.

 

Os olhos dela concordaram.

— Você me conhece. Desculpa por mais cedo.

 

Rhian lhe abraçou, bem forte.

 

— Me desculpa também, eu ando nervosa e agora com tudo isso que você está me dizendo... Isis, se fosse você...

— Eu sei, eu sei disso, daí você teria que cuidar da Ariana também. Escuta, eu vou pra casa, tá? Venho com a Ariana de manhã.

— Isis... — Rhian respirou fundo, estava assustada, mas Isis parecia assustada também e isso era bem mais assustador. Isis nunca parecia assustada, nunca. Nem diante de traficantes e assassinos. Nem em montanhas-russas insanas — Escuta, nós já passamos por coisas piores, ok? Nós vamos ficar bem.

 

Isis a abraçou por iniciativa própria. E foi embora antes que desabasse mesmo.

 

Chegou em casa e Ariana já estava.

 

De banho tomado, descalça, cabelos molhados, camisa branca de botões, lingerie, nada mais. Isis estava assustada e nervosa, mas só de olhar para ela já ficou louca de vontade.

 

Mas não aconteceria nada. O rosto de Ariana lhe contou imediatamente que algo estava muito errado. As compras ainda estavam sobre o balcão, as flores e o urso sobressaíam nas sacolas.

 

— Ariana?

— Isis, senta aqui, por favor — Ela apontou o lugar ao seu lado no sofá.

 

Isis foi, sentou onde ela pediu.

 

— Maria me ligou.

 

Ligou e tinha contado para Ariana tudo o que estava acontecendo, os rumos das investigações, o quanto estavam equivocados, sobre o quanto Isis estava em perigo e Isis não acreditava no quanto Maria tinha sido antiprofissional. Como assim ela tinha exposto um assunto de segurança sigiloso para Ariana, como assim?

 

— Como assim? Isis, eu sou sua mulher! Se a sua vida está em perigo, é assunto meu sim! Se você está sendo teimosa feito uma porta, eu preciso tomar uma atitude!

— Você é minha mulher, mas esta é a minha vida, Ariana! Quem tem que resolver isso sou eu, entendeu? Eu não vou até o hospital te dizer o que você deve fazer com os seus pacientes!

 

E assim, a terceira conversa desastrosa do dia terminou.

 

Não se falaram mais. Ariana até foi para a cozinha, fez uma sopa rápida, pegou seu bowl e seu hashi, e foi jantar sozinha no quarto enquanto Isis ficou na sala e sequer conseguiu comer. E nem conseguiu ir fazer as pazes. E nem ter cara de entrar em seu quarto porque a briga tinha sido intensa e da sua boca saíram muitas coisas que não gostaria de ter dito para a garota que amava. Decidiu também deixar para de manhã.

 

Escovou os dentes, pegou um cobertor na lavanderia, se arrumou no sofá, ligou a tevê apenas para ver se o som poluía os seus pensamentos repetitivos sobre o que Maria havia dito. A investigação. O alvo. O perigo. Tudo. Colocou a tevê para desligar no automático e em algum momento conseguiu pegar no sono.

 

E foi acordada por Ariana. Chorando tanto que Isis nem sabia.

 

— Ei, meu amor, ei, por que você está chorando? Meu bem, se foi por mais cedo, eu estou muito estressada, eu não queria ter dito nada do que disse, eu...

— Isis, olha pra mim, me escuta, está bem? Me escuta sem interromper — Ela pediu com os olhos cheios, tocando o rosto de Isis com ambas as mãos — Eu preciso que você aceite a segurança...

— Ariana...

Shsssss — Ariana tapou a boca dela delicadamente com os seus dedos — Você precisa aceitar a segurança porque eu não quero que o meu filho nasça sem mãe.

— Amor, nós já falamos sobre isso, eu não posso ter filhos e ainda que pudesse, eu já estou com trinta e nove anos, e...

— Isis — Trouxe os olhos dela para os seus — Eu não quero que o meu filho nasça sem mãe. Você já me contou que não pode ter filhos, mas nessa mesma conversa, você também me disse que um filho meu, também seria seu — E foi quando Ariana pegou as mãos de Isis e, colocou em sua barrigaTem um filho meu aqui — Ela disse, fazendo o coração de Isis cair do seu peito direto para as mãos de Ariana — Faz dois meses, amor, me desculpa, eu sei que você disse que não deveríamos mais tentar, que não queria mais falar nesse assunto, mas... Eu estou grávida. Eu tentei novamente, sem você saber, eu queria ter certeza que o meu corpo suportaria, que eu passaria do primeiro mês, ia deixar chegar ao terceiro para te contar, mas diante disso eu...

 

E Isis enfim, desabou.

 

E abraçando Ariana com todo o amor que sentia por ela, chorou e sorriu numa mistura inacreditável de sentimentos.

 

Isis chorou muito, um tanto que Ariana jamais tinha visto na vida, chorou, sorriu, lhe beijou longamente, com os olhos brilhando, o coração disparado, beijou sua barriga, suas mãos, aquela sua ideia louca de nem ligar para o que Isis tinha dito ou queria, ajoelhou diante dela e ficou abraçada em Ariana, com o rosto em seu ventre e Ariana nem sabia de nada.

 

Ficou acariciando os cabelos dela, a sentindo tão perto de si, seu coração disparado, as lágrimas de emoção que se recusavam a parar, eram duas da manhã e enfim, elas decidiram retomar o plano inicial, porque afinal, sua esposa e seu filho não podiam ficar sem comer!

 

— Isis... — Ariana não conseguia parar de sorrir. De tudo o que achou, aquela seria a reação que queria, mas que não acreditava que teria. Isis odiava ser contrariada ou desobedecida.

— Senta aqui, amor, eu vou fazer alguma coisa rápida pra gente, está bem? — Ela lhe beijou, sorriu, chorou mais, cozinhou chorando e quando trouxe o prato para Ariana, era uma salada bonita, delicada, com peixe que Ariana adorava, um vasinho de flores e, um ursinho de pelúcia que lhe fez chorar outra vez.

— Você comprou...?

— Para Behati, porque cada vez que vejo algo assim, eu quero comprar para uma criança que amo e até então... Até então eu só tinha ela. Que não é minha. Mas é diferente agora que... — A garganta fechou, Isis chorou tudo de novo, sorriu tudo de novo — Agora que eu tenho mais uma criança para amar. O meu filho. O meu bebê. Meu e seu, amor da minha vida. Olha os presentes que você me dá. Olha esse dia horrível e olha a gente aqui agora, o meu coração está tão rápido, tão cheio. A última vez que eu senti essa alegria intensa foi no nosso casamento, essa alegria que deixa a gente flutuando, sabe?

 

Sabia. Ariana era casada com uma fada, mais dura, mais firme, mas ainda assim, uma fada que lhe dizia esse tipo de coisa e lhe fazia feliz assim. A beijou outra vez.

 

— Eu sei sim, meu amor — Mais lágrimas de Ariana — Isis, por que você fez isso? Por que insistiu tanto para eu desistir de algo que você tanto queria?

— Porque desta frustração, basta uma de nós sofrer, meu bem. Eu não posso ter filhos, não queria que carregasse isso com você por uma insistência minha, foi por isso que eu não quis mais tocar no assunto. Estava amadurecendo uma ideia de adoção, que não tinha dito nada para você porque eu realmente não sabia. A minha vida está uma bagunça, Ariana, eu mal consigo cuidar de você ultimamente e...

 

Ariana a beijou, terna, carinhosa, doce apenas como Ariana conseguia ser.

 

— A gente tem que se cuidar, nós duas, não é apenas você cuidando de mim. Me deixa cuidar de você, Isis, se acostuma, amor, por favor.

 

Isis tocou a mão dela em seu rosto, fechou os olhos, sentiu o bebê com a outra mão um pouco mais e sorriu.

 

— Eu vou me esforçar, me esforçar muito para melhorar a nossa vida, sua, minha, do nosso bebê — Outro sorriso cheio de luz — Acho que eu nunca estive com tanto medo na vida, Ariana.

— Eu sabia que isso ia te deixar mais apavorada do que traficantes caçando você pela cidade... — Disse, a fazendo rir.

— Me deixou mesmo. Eu preciso te proteger, Ariana, agora mais do que nunca.

— E precisa se proteger, Isis, por favor.

— Eu vou pensar em tudo isso.

 

Jantaram juntas, aos risos, lágrimas e sorrisos em plena às três da manhã. E depois os beijos as encontraram, os sorrisos também e a pegada de Isis era uma coisa que sempre deixava Ariana fora de si.

 

Ela lhe pegou, contra a parede, em beijos longos, com o seu corpo afundando delicadamente contra Ariana, a boca pela sua pele, ombro, pescoço, mandíbula, as mãos lhe apertando, lhe arrepiando, Ariana mordendo a boca, se agarrando nela, provando que o amor era mesmo cerebral, que o tesão era unicelular e a paixão que tinha por Isis...

 

Era como se a primeira vez delas tivesse sido ontem.

 

Fizeram amor em uma outra velocidade e tudo foi muito terno, doce e delicado, os olhos nos olhos sempre, as mãos agarradas, os sorrisos abertos, o corpaço de Isis no seu, aquelas curvas que lhe enlouqueciam, Isis não tinha uma linha reta, não tinha músculos definidos, era apenas verdadeiramente gostosa inteirinha, naturalmente, os detalhes de Ariana pelos quais Isis era tão apaixonada, a pele macia, os pelinhos loiros dos braços que sempre se eriçavam, aquele olho castanho, a boca gostosa, e seu bebê guardadinho dentro dela.

 

Como podia ser?

 

Ela dormiu depois do amor, mas Isis não conseguiu. Ficou sentada na cama, olhando para ela, lhe tocando os cabelos, sentindo seu cheiro, sentindo medo e alegria numa proporção quase borderline. Estava grávida. Sua esposa linda, a mulher da sua vida, tinha um bebê que era seu também. Chorou, sorriu, se condenou pela sua displicência. Haviam diferenças pelo corpo de Ariana, o abdômen delicadamente musculoso estava diferente, um tantinho mais arredondado, como não tinha visto? Não tinha. Mas iria melhorar. Escreveu uma lista de coisas que precisava fazer. Precisava de outro lugar, um condomínio talvez, precisava sentar com Maria para entender melhor o que ela havia descoberto, Diana estaria em segurança fora do país, Rhian cuidaria dela como ninguém, pegou o ursinho polar, o primeiro presente de seu bebê.

 

Um bebê seu. Se repetia feito uma boba, sorria mais boba ainda. Agora fazia sentido, os enjoos de Ariana, a mudança de alimentação, a recusa em fazer amor que aconteceram umas três vezes e Isis achando que ela poderia, sei lá, estar deixando de lhe gostar. Isis tinha plena consciência que às vezes era quase impossível lhe amar, mas Ariana amava mesmo assim, amava o tempo inteiro e lutava contra a própria Isis para lhe fazer feliz. Chorou outra vez e Ariana despertou.

 

— Isis...?

— Eu ainda não acredito — Respondeu chorando e sorrindo.

 

Ariana sorriu também, sentando na cama, a beijando outra vez.

 

— Sabe como eu ia contar? Ia te levar no médico, ia fazer ultrassom e te contar assim, te mostrando a nossa filha pela primeira vez.

— Você continua tendo certeza que é menina?

Iris. A minha menina. E se for um príncipe, vamos fazer uma menina da próxima vez, eu tenho certeza.

— Ah, então teremos próximas vezes?

— Dois, amor, ao menos dois, doutora — Mais sorrisos — Mas para isso acontecer, eu preciso de você viva, Isis.

— Eu sei, eu vou cuidar disso, meu bem.

— Vai aceitar a proteção policial?

— Não, eu não vou usar o estado em meu próprio proveito. Até mesmo porque acho que você precisa de proteção tanto quanto eu. Vou contratar alguém para cuidar disso, para nos deixar no trabalho, vigiar ao nosso redor, garantir que tudo está no lugar. Maria tem razão, se fosse eu naquele carro, eu não estaria mais aqui. Eu não sou a Diana, não sei o que fazer em situações assim, sou um alvo fácil, então... — Pegou o celular, procurou um contato, ligou.

— Isis, são cinco da manhã — Ariana disse sorrindo.

— Não se preocupe, ela já está acordada.

 

***

 

Estava. Acordada e já voltando de sua corrida matinal. Era inverno e na serra do Rio de Janeiro, isso significava um frio parecido com o que sofria lá no sul. Estava toda de preto, de moletom e agasalho, os olhos azuis se destacavam na neblina que pintava o verde da pequena fazenda que tinham adquirido há dois anos. E, seu celular tocou interrompendo sua playlist. Parou, respirando fundo e estranhando quem era.

 

Mas atendeu ainda assim.

 

— Eu estou encrencada de novo?

— Eu espero que não, Kiria, de verdade espero. Escuta, você continua sem emprego?

— Domando um cavalo aqui ou ali, cuidando de uma colheita ou outra, cuidando das coisas aqui da fazenda, mas nada fixo.

— Gostaria de ter algo fixo pelos próximos meses?

— Que tipo de algo fixo?

— Eu preciso da tua experiência.

 

Kiria estranhou.

 

— Com cavalos...?

— Com traficantes. Eu estou com um alvo na testa, Kiria. Preciso de alguém que veja o tiro antes dele sair do gatilho.

Notas do Capítulo Extra:

 

Olá, meninas! Vamos começar por uma coisa engraçada que me aconteceu essa semana. Uma moça veio me pedir dicas de alguns bons romances que ela pudesse ler, já que tinha terminado Bali e Havana e não estava encontrando nada que agradasse muito e foi quando eu me dei conta de algo muito inusitado: eu não leio romances. Simples assim. Tentei buscar na minha cabeça o último romance que tinha lido e percebi que tinha sido Bali hahaha.

 

O mais próximo de romance que eu lembrei de ter lido é Comer, Rezar e Amar (faz uns quatro anos), que é um livro que eu realmente adoro e recomendo para todo mundo, mas daí para frente, minhas últimas leituras foram de romances-policiais ou suspense, o que deve explicar a facilidade com a qual a história para “Delirium: Tempestade Tropical” está surgindo na minha mente 😊.

 

Aqui estamos, com o segundo capítulo do livro em forma de Extra dessa personagem tão suprema chamada Isis Ferraz. Eu sei do amor que vocês também têm por Arantxa Iglesias, por exemplo, mas de fato, Isis é quase imbatível (digo “quase” porque existe Parker Scholtz e ela tem poderes, já sabemos hahaha). Isis é uma personagem muito forte, muito dura, mas com uma alma de fada e Isis sempre terá mais coisas a dizer. Notei que Rhian e Diana ainda tinham o que dizer, mas percebo que Isis ainda está em desenvolvimento, ainda está se lapidando e se descobrindo, e das quatro, imagino que seja ela a que mais tenha trabalho a fazer.

 

Seguindo nosso calendário de extras, o próximo será postado dia 14/04, centrado na vencedora da “categoria vilã/mocinha” por apenas 2 votos, que foi Caribe Exposto, de Havana ^^ Então, vamos lá! Para liberação do próximo extra, precisamos contar com 25 comentários, de leitoras diferentes e, extra “Por favor, não ame alguém” será postado!

 

Ademais, espero que tenham curtido a leitura e que estejam ansiosas pelo livro completo!

 

Beijos ღ

 

 

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