Capítulo Extra Sal: À Flor da Pele

21/4/2019

 

 

Tinha levado um tempo para sair do restaurante.

 

Não era por nada, mas subitamente, Arantxa tinha começado a se sentir esquisita, com uma sensação por dentro que não conseguia direito decifrar o que era. Costumava acontecer quando ainda era delegada, aquela sensação de insegurança, como se algo de perigoso estivesse prestes a acontecer. Era dor de cabeça, era apenas uma dor de cabeça chata que estava ali desde a hora que acordou. Entrou em seu carro, não era mais um Rolls-Royce Dawn vermelho, mas era um Black Badge Dawn, uma versão especial daquele mesmo Rolls-Royce no qual decolou voo há três anos durante uma geada negra nas montanhas de Santa Catarina. Estava com a capota rebaixada, mas as nuvens de chuva disseram a Arantxa que era melhor acioná-la. E até o barulho suave do teto solar doeu em sua cabeça.

 

Esperou o teto acoplar, então respirou fundo e partiu. Decidiu parar numa farmácia, comprou alguns comprimidos, tomou dois, voltou para o carro. Checou o relógio, eram quase três da tarde. Estava num encontro de negócios, mas agora precisava voltar para os escritórios da Aloha. Voltou para o carro, o motor roncou alto, fazendo sua cabeça apertar, tudo bem, não estava tão longe, podia dormir um pouco quando chegasse no escritório e devia melhorar.

 

Saiu devagar e se havia uma coisa que lhe irritava naquela cidade, era o trânsito. Pegou um pequeno engarrafamento, ficou uns dez minutos totalmente parada, mexeu no som, deu uma olhada em seu celular, viu um vídeo que lhe fez sorrir um pouquinho e se sentir esquisita ao mesmo tempo. Deixou de lado, o trânsito voltou a andar e enquanto estava a uns sete minutos de seu escritório...

 

Foi como se alguém tivesse colocado as mãos em sua mente e começado a apertar.

 

E subitamente, sua visão começou a escurecer.

 

Primeiro foi apenas a sua visão periférica, tudo estava bem e de repente, Arantxa parou de enxergar as laterais, os cantos dos seus olhos se converteram em pontos cegos, tudo ficou escuro e aqueles pontos negros começaram a espalhar, a crescer, a convergir para o meio, apertando e apertando o seu campo de visão até reduzi-la a uma mínima nesga de claridade.

 

Jogou o carro para o acostamento imediatamente, ouvindo buzinas explodindo atrás de si e antes mesmo de desligar o carro, pegou o celular e buscou ligar para alguém. Manu tinha sido sua última ligação, colocou o dedo sobre o nome dela e...

 

Ligou para Rafaela. No exato momento em que o mundo se tornou apenas negro diante de seus olhos.

 

Rafaela estava em uma reunião de equipe quando seu celular começou a tocar. Pensou em retornar depois, mas alguma coisa em Arantxa lhe ligando no meio da tarde...

 

Pediu licença, se afastou da mesa de reuniões e atendeu.

 

— Rafaela, eu não estou vendo nada!

— Arantxa? — Ela estava extremamente nervosa do outro lado — O que aconteceu? Como assim não está vendo nada?

— Eu não sei o que aconteceu! Eu só sei que não estou enxergando nada, está tudo escuro, aconteceu do nada! Rafaela, vem me buscar, você tem que me tirar daqui...

 

E aquele tom na voz dela era desesperador, disparou o coração de Rafaela, mas precisava acalmá-la, ficar nervosa com ela não adiantaria nada.

 

— Arantxa, respira, você não pode estar sem ver nada, você está muito nervosa, deve ser outra coisa que está acontecendo, calma, está bem? Fica calma, por favor. Me fala onde você está.

— Eu não sei, Rafa, eu estava indo para o escritório...

— Então eu vou ligar pra Manu, Aran, ela acha você mais depressa do que eu...

— Rafaela, eu liguei pra você, está bem? Eu preciso de você aqui!

— Arantxa, calma! Tudo bem, eu chego em dez minutos, não saia do carro.

 

Rafaela saiu da sua reunião, entrou num táxi e foi atrás de Arantxa. Ela estava perto da Aloha e um Rolls-Royce não passava despercebido, iria encontrá-la logo. Sua irmã andava... Em um momento meio complicado, mas nos últimos dias, Rafaela estava começando a achar que o “meio” tinha se tornado simplesmente complicado. Achava que tinha começado quando Arantxa voltou a dirigir. Tinha levado quase dois anos depois do acidente para que ela estivesse fisicamente apta a dirigir de novo e não parecia haver um trauma, Arantxa correu para uma concessionária e comprou outro carro poderoso, e no dia seguinte, quando recebeu o carro, pegou a estrada para dirigir por oito horas até São Miguel do Oeste numa empolgação enorme!

 

Mas então alguns problemas começaram a surgir. Ela começou a ficar ansiosa, nervosa de novo, não tinham ideia dos motivos dessas reações, o casamento com Manu ia bem, elas estavam tentando inseminação artificial, ainda não havia dado certo, não sabia se isso estava pesando ou se existia trauma do acidente, ou...

 

Os problemas com álcool.

 

Esta sombra era a que mais assustava Rafaela. Avistou o Rolls-Royce, disse para o táxi encostar e dentro de si pediu muito, mas muito para que Arantxa não tivesse bebido. Ela estava nervosa idêntica a como ficava quando bebia.

 

O táxi parou a uns quatro metros de distância, Rafaela fechou seu casaco, tinha esfriado de repente e quando se aproximou do carro de Arantxa...

 

Ela estava de cabeça baixa contra o volante, respirando com tanta dificuldade que Rafa se assustou demais.

 

— Arantxa? Ei... — Rafaela abriu a porta do motorista, se abaixando à frente dela, a movendo em sua direção — Aran, olha pra mim, aqui, o que foi? — Agarrou as mãos dela, buscando aqueles olhos bonitos que, estavam fechados.

— Rafa, eu não quero, eu... — Buscou o ar bem fundo dentro do peito porque estava muito difícil respirar.

— Aran? — Tudo bem, o coração de Rafaela estava disparado no peito, que coisa estava acontecendo? — Aran, olha pra mim, por favor, por que você está de olhos fechados? Você se machucou? O que aconteceu?

— Eu já disse o que aconteceu! Tudo ficou escuro...

— Aran, você não está fazendo sentido! Por que está de olhos fechados? — Ela ficou em silêncio e o choro veio na garganta de Rafaela — Aran, fala comigo, você está me assustando, não faz isso...

 

Ela seguiu em silêncio por um instante, o coração disparado, as mãos suando, os dedos agarrados nos punhos de Rafaela.

 

— E se... Se eu abrir os olhos e não enxergar nada? Eu não quero, Rafa, eu não quero...

 

Aquilo pegou o coração de Rafaela e esmagou. Abraçou sua irmã, que nunca tinha medo, nunca se assustava e que estava tão apavorada, a mantendo em seus braços, a sentindo tremendo inteira, suando naquele frio. Levou um tempo enorme para convencer Aran que ela precisava abrir os olhos, que estava tudo bem, que seja lá o que tivesse acontecido já tinha passado, Rafaela tinha certeza que havia passado, não podia haver nada de errado, não era justo, não era.

 

— Abre os olhos, Aran, olha pra mim, eu estou bem aqui com você, me deixa ver esse teu olho lindo, vai, está tudo bem.

 

E ela enfim abriu os olhos e, os olhos de sua irmã estavam ainda mais turquesas do que pela manhã. Os olhos de Rafaela tinham a mágica de clarear quando bem entendiam. E, estava tudo bem. Sua visão estava normal, o que deixou Arantxa...

 

— Simplesmente escureceu, Rafa, ficou tudo negro, eu não via mais nada! Mal deu tempo de encostar o carro e ligar para você, mas agora...

 

Rafaela a abraçou outra vez.

 

— Está tudo bem, ok? Está tudo bem... — Rafa a apertou nos braços, tão aliviada que nem sabia — Arantxa... — Beijou o ombro dela com carinho, a mantendo muito perto de si. Rafaela estava aliviada pela visão intacta, mas estava extremamente nervosa pelo episódio todo — Escuta, passa para o outro banco, eu vou dirigir.

— Pra onde?

— O escritório está bem ali, Aran.

— Rafa, me leva pra sua casa, a Ali está viajando, eu não quero... — Outro aperto em sua alma — Eu não quero ver a Manu agora.

 

Aquilo pegou Rafaela totalmente de surpresa. Por qual raio de motivo ela não queria ver Manu? Talvez as coisas estivessem piores do que havia imaginado. Tudo bem, Arantxa passou para o banco do passageiro e Rafaela dirigiu por mais meia hora até sua casa. Ali estava em São Paulo aquela semana, trabalhando na entrega de um estúdio na Oscar Freire de duas amigas queridas, que seria meio galeria, meio ateliê, tinha se apaixonado pela ideia imediatamente. Guardou o Rolls-Royce na garagem e levou Arantxa para dentro. Ela tinha passado o caminho inteiro pedindo por Lara, que ela tinha que vir, tinha que olhar seus exames de novo, dizendo que algo estava errado consigo, que ela tinha que descobrir o que era e Rafaela não sabia o que fazer. Na ausência do que fazer, sugeriu que um banho faria bem a Arantxa para ganhar um tempo.

 

Ela foi para o banho e Rafaela ligou para Lara imediatamente.

 

— Lara, eu não sei o que fazer, ela quer você aqui, está convencida de que tem alguma coisa de errado com ela...

— Rafa, não tem nada de errado com a Arantxa. Ela está clinicamente normal, saudável, eu estive aí há uma semana, refizemos todos os exames, está tudo bem.

— Ela disse que parou de enxergar, Lara, ela estava muito nervosa, não ia inventar uma coisa assim.

— E não acho que inventou, é claro que não. Mas isso não é físico, entendeu? É mental.

— Mental?

— A Arantxa está muito ansiosa, Rafa. Está nervosa, irritada, eu não sei o quanto disso ainda pode ser abstinência e a Manu me ligou hoje mesmo dizendo que... Bem, você já ouviu falar em terror noturno?

— É filme, série da Netflix, livro da Gillian Flynn...?

 

Lara caiu na risada. Só Rafaela mesmo.

 

— É uma condição que ataca durante o sono. Acontece mais com crianças, são aqueles pesadelos tão vívidos que se confundem com a realidade. A Arantxa anda tendo esse tipo de episódio, aconteceu ontem pela quinta vez e, espera, espera um pouco.

 

O choro de Bela encheu a ligação.

 

— Me segura, Lara, me segura, me segura...

— Calma, bebê, está tudo bem. A gente já foi no hospital, você tomou o remédio certinho, vai passar...

— Mas está doendo, está doendo...

— Eu sei, meu amor, mas você precisa ter calma, ser guerreira, lembra? Igual a Aran.

 

Deu para ouvir o soluço dela.

 

— Lembro. Lembrei agora — A vozinha de Bela pareceu se acalmar.

— Então vamos voltar pra cama, para perto da sua irmãzinha que precisa de você? A mamãe tem que dormir um pouco, bebê.

— Tem que dormir a mamãe, eu vou ficar com a irmãzinha, eu vou ficar...

 

E Rafaela sorriu do outro lado da linha, ouvindo Lara agradando Bela, a fazendo se acalmar até tirar uma gargalhada gostosa daquela criatura linda. Lara havia se casado com uma fada e parecia ter pego um pouco da magia de Sofia também. Pronto, Bela se acalmou e Lara voltou para a ligação.

 

— Rafa, você entende por que eu não posso ir agora? Eu acabei de chegar do trabalho e a Sofia estava dormindo sentada dando de mamar para a Elia, você tem noção? — Ela disse, mas com uma alegria e uma doçura na voz — A Bela está muito resfriada, está tendo febre toda noite também e a Elia está naquela fase dos dentinhos...

— Elas estão a coisa mais linda, não estão?

— Estão, você não tem noção. Você não faz ideia de como eu estou feliz, Rafa, mesmo com toda essa correria, eu não podia estar mais feliz. Agora sobre a Aran... Ela está bem fisicamente, mas acho que precisamos insistir na terapia outra vez.

 

Conversaram mais um pouco e Rafaela desligou, ficando pensativa no balcão da cozinha. E, Arantxa estava parada na porta da cozinha. De short de algodão e camiseta do Muse, toda vestida de Rafaela.

 

— Lara está achando que eu estou maluca, não é?

— Não é isso, Aran, mas é que... Você está fisicamente saudável, então talvez precisamos mesmo começar a olhar para outros lados. Ela me disse que você anda tendo pesadelos.

 

Ela se fechou um tanto, ficou no rosto dela.

 

— Senta aqui, Aran, eu fiz um chá pra gente, vem cá, vem.

 

Ela veio, sentou-se do outro lado, de frente para Rafaela, que serviu um chá para elas duas. Arantxa tocou a xícara, a sentindo esquentar suas mãos.

 

— Eu sonho com você. Com o penhasco. Sonho que não te alcanço e você cai — Ela disse e seus olhos se encheram de lágrimas imediatamente.

— Aran... — Rafaela agarrou as mãos dela sobre a mesa, molhando seus olhos também.

— Tem um monte de sangue, você se machuca demais e não responde, não fala comigo e... — Ela respirou fundo — Tem uma quebra no tempo, porque eu sou quem eu sou agora, mas você ainda é um bebê e... — Outra longa respiração — Então você chega. Você de agora, sabe? E você está rindo e bem.

 

Rafaela deu a volta no balcão e a abraçou, muito carinhosa, muito cheia de amor, enchendo o pescoço dela de beijos.

 

— Eu amo você, sabia?

— Eu sei, eu também amo — Ela estava engasgando o choro — Está bem, liga pra Manu? Diz que vou dormir aqui hoje?

— Arantxa...

— Por favor, liga.

 

Arantxa lhe colocava em cada situação.

 

Tudo bem, foi lá fora e ligou pra Manu. Já havia anoitecido e Manu não fazia ideia de onde estava sua esposa.

 

— Rafaela, ela não está atendendo o celular, eu estou ligando há horas!

— Eu sei, Manu, mas é que... Escuta, ela vai dormir aqui comigo hoje, a Ali não está e eu...

— Está mentindo pra mim, Rafaela — Ela estava muito irritada — Você é péssima mentirosa, sabia? Eu juro pra você que se a Arantxa estiver com alguém...

— É claro que não, Manu! Escuta, eu sei que ela está esquisita, mas não tem a ver com isso não...

— Rafaela, eu vou buscar a minha mulher agora, entendeu?

— Manu, ela não quer, ela...

— Não tem que querer coisa nenhuma. Eu vou buscar a Arantxa agora e ela vai se entender comigo de uma vez. Eu estou indo.

 

E Rafaela ficou tão sem saber o que fazer que sequer falou para Arantxa. E bem, meia hora depois, Manu Méndiz estava em seu portão, de saltos altos e um vestidinho...

 

Por la virgen...

 

Arantxa quase teve uma coisa.

 

— Manu, o que você...?

 

Apontou uma sacola para ela.

 

— Se veste, você vai comigo.

— Vou com você para...?

— A inauguração da loja que nós fizemos, esqueceu? É claro que deve ter esquecido, você não lembra mais de coisa nenhuma ultimamente! Mas você jurou pra mim que eu não passaria por isso de novo. De ter que ir numa inauguração sozinha porque você está sabe-se lá por onde.

— Manu, você não faz ideia...

— Eu não faço mesmo. Mas também não quero fazer agora. Neste momento, eu só não quero atirar essa aliança na piscina — Tirou a aliança do dedo e Arantxa agarrou as mãos dela imediatamente.

— Nem brinca com isso! Manu, aconteceu uma coisa hoje à tarde...

— Que você não quis me contar, preferiu ligar pra Rafaela e se ela não tivesse atendido, era bem capaz de ter ligado pra Lara ir te buscar de helicóptero do que ligado para mim que estava bem aqui! — Olhou nos olhos dela, muito quebrada — Se veste. Por favor. A Ali nem está aqui para ir comigo e a Lauren...

 

Arantxa pegou a sacola.

 

— Ah, você não vai com a Lauren, de jeito nenhum que você vai! Era só o que me faltava...

 

Ela entrou para se trocar imediatamente e Manu, bem, Manu foi abraçar Rafaela.

 

— Desculpa ter gritado com você, mas é que a sua irmã está mentindo pra mim e eu não sei o que pensar. Eu vim, mas tinha certeza que ela não estava aqui.

— Manu, ela está com problemas. Eu não sei por que ela não está te dizendo, mas não tem a ver com traição, de jeito nenhum.

 

Manu respirou fundo, profundamente triste, estava pelo rosto dela.

 

— Vem, Manu, tem chá, vamos conversar um pouco enquanto ela fica pronta.

 

Manu chorou e desabafou enquanto Arantxa se vestia. Aran andava completamente fechada, Manu sentia que algo estava errado, mas ela não lhe dizia nada, andava desaparecendo no meio do expediente, nunca dizia onde estava e o que Manu podia pensar?

 

— As mulheres se jogam em cima dela na minha frente, imagina quando eu não estou olhando.

— Manu, a Arantxa não é assim. Ela sempre foi de uma mulher só, aliás, foi da mesma por mais de dez anos.

 

Manu lhe olhou.

 

— E se for isso? A Sofia está tão bem com a Lara, elas estão tão felizes. E se isso estiver afetando a Arantxa?

— Não, Manu, não, de jeito nenhum. A Aran é louca por você, eu não vou nem considerar essa sua ideia. A gente sabe que ela não está bem, mas não é isso.

— É a bebida, o estresse pós-traumático do acidente que ela sequer teve, o nosso casamento, o bebê que não veio? O que é, Rafaela? Eu também preciso de ajuda para entender.

 

Precisava. Mas Arantxa apareceu prontíssima e seu coração...

 

Quase parou no peito.

 

Ela estava linda demais, toda de preto, num vestido justo, cheio de elegantes transparências, os saltos altos, a maquiagem bem-feita, de olhos marcados, os cabelos loiros jogados de lado, estava igual a noite em que Manu a viu pela primeira vez. Não no hangar, sim no evento em que Ali e Rafaela se conheceram. Aquela imagem de Arantxa nunca saiu da sua mente, se apaixonou ali, por aquela desconhecida, olhando para trás, era assim que havia acontecido. Se despediram de Rafaela e enquanto estavam caminhando para o carro...

 

Aran pegou Manu contra o Rolls-Royce, pela nuca, pela cintura, pelo tesão, daquele jeito que apenas Arantxa fazia. A beijou mordido, sentindo a mão dela agarrando seus quadris, a sua coxa e Manu a virou de costas para si, levantando os cabelos dela, lhe mordendo na nuca, deixando Arantxa...

 

— Eu juro pra você que se a gente não voltar pra casa e fizer amor...

— Eu mesma acabo com este casamento — Arantxa se virou de frente e a beijou outra vez, gostoso, sorrindo, sentindo uma alegria enorme apenas por tê-la por perto.

 

Não havia nada melhor no mundo do que ter Manu em seus braços, nada melhor.

 

Foram para a inauguração, que Arantxa de fato tinha esquecido completamente. Era de uma estilista, menos talentosa do que a pintora-estilista que Ali deveria estar na festa de inauguração naquele exato momento, mas foi muito agradável também. Aran morria de orgulho do talento de Manu, gostava de ouvir os elogios sobre ela, ficava no céu quando sua esposa entregava algo tão bonito, tão cheio de estilo, principalmente porque, aquela loja em particular, era a primeira em que ela tinha trabalhado sozinha, sem nenhuma ajuda de Ali ou Lauren. Manu andava crescendo em sua carreira e Arantxa não poderia estar mais orgulhosa.

 

Ela foi roubada pela estilista por alguns minutos e Arantxa esperou por ela, tomando um suco no bar. Estava pensando sobre o que tinha acontecido de tarde quando ela voltou.

 

— Não é a bebida, Aran — Ela disse de repente, sentando-se ao seu lado.

— Como assim?

— O que está afastando nós duas. Você está aqui, tranquilamente neste bar, sem nenhuma ansiedade. Eu não sei o que está acontecendo, de verdade, eu já pensei em mil coisas, mas...

 

Arantxa a beijou. A puxando pela nuca, carinhosamente, com todo o amor que sentia pela sua esposa, pela mulher da sua vida. E cada beijo em público que recebia, Manu se derretia por ela um pouco mais. Sabia das barreiras de Arantxa, mas também sabia que ela lutava. Aran sempre lutava.

 

— Não tem a ver com você, Manu, é claro que não tem.

— E tem a ver com o quê? Me ajuda, não estou conseguindo entender do que você precisa, o que eu não estou fazendo, no que estou falhando.

 

Arantxa olhou bem para ela, como era terrível vê-la aflita daquele jeito.

 

— Já podemos ir pra casa?

— Fazer amor ou conversar?

— Conversar. E então fazer amor. Por favor, meu bem.

 

Se despediram da dona da loja e foram pra casa. Manu estranhou, Arantxa não quis dirigir o Rolls-Royce, ela não tinha quisto dirigir até a loja e agora não quis novamente, não fazia mal, dirigiu pra casa com ela agarrada na sua mão o tempo todo, lhe dizendo o quanto lhe amava, no quanto era feliz ao seu lado. O grande problema é que não parecia real. Fazia muito tempo que não via Arantxa feliz e Manu não fazia ideia.

 

Chegaram no apartamento, Arantxa foi buscar um doce para elas duas, veio para o sofá e colocou Manu no seu colo, a mantendo em seus braços, em seu carinho, em todo o seu amor. E Aran sabia muito bem que precisava falar. Porque se tudo estava difícil, se perdesse Manu, ficaria impossível.

 

— A Lara acha que... Que... Eu estou tendo episódios de terror noturno, alguma coisa assim.

— Por causa dos pesadelos, eu conversei com ela hoje.

— É sempre o mesmo sonho. No penhasco, com a Rafa. Eu não sei o que está me desestruturando, mas não é o nosso casamento, Manu. Eu acho que... Tem alguma coisa de errado comigo. Eu não sei, alguma coisa do acidente. Eu fiquei cega hoje por meia hora...

— E daí você não me liga, não me chama, não acha que eu posso te ajudar, meu bem, é sério isso? Depois de tudo o que nós já passamos juntas?

— Amor, é que... — Respirou fundo e mexeu no celular, achou o que tinha visto mais cedo, minutos antes da sua cegueira momentânea — Olha, olha que lindo.

 

Era um vídeo que Lara tinha feito. No vídeo ela estava com Isabela no colo, ainda vestida com seu uniforme de paramédica, contava que tinha chegado e ido levar Bela ao pediatra e na volta, havia encontrado Sofia dormindo sentada, mas amamentando Elia. Manu abriu um sorriso ao ver.

 

— Elas são tão lindas.

— Elas são. E olha pra Lara. Saiu de um plantão de 24 horas, pegou a minha filha que estava com febre, levou no pediatra, voltou e veio cuidar do bebê, veio cuidar da Sofia e... — Respirou bem fundo — E eu aqui, tendo pesadelos feito uma criança.

— Arantxa... — Manu se virou de frente, olhando para ela — É sério que você está se cobrando assim? Que continua se comparando com a Lara como se fosse uma competição?

— Você podia estar com a Lara, não podia? Seria muito mais fácil, seria muito mais simples, você estaria muito mais feliz...

 

Manu deslizou a mão pelo cabelo dela e a beijou, um beijo longo e carinhoso.

 

— Não tem pessoa no mundo que pode me fazer mais feliz do que você, Aran, eu não passaria por metade das coisas que nós já passamos juntas por ninguém. Eu nem penso em outra vida, não penso em outra pessoa, estou com quem eu quero estar, construindo a vida que eu quero ter, mas você parece profundamente infeliz do meu lado, amor.

— E eu estou infeliz, mas isso não tem nada a ver com você, meu bem, nada, nem um pouco — As lágrimas invadiram aqueles olhos verdes — Eu estou infeliz por essas coisas que estou sentindo! Estou infeliz comigo mesma porque eu venci aquele maldito vício e agora estou aqui, tendo ataques sei lá o motivo, ficando triste sem justificativa nenhuma, me sentindo inútil porque não consigo sequer cuidar da minha mulher ultimamente. Você nem pode dormir. Tem acordado com os meus gritos no meio da noite e eu não faço ideia, Manu, de por que você continua comigo se eu não te dou nenhum motivo, nenhum...

 

Manu a abraçou e a beijou demais. Beijou no ombro, no pescoço, no rosto, na testa, na boca, a encheu de beijos inteira porque a amava e ouvir tudo aquilo doía demais.

 

— Eu tenho todos os motivos do mundo para querer ficar com você, Aran, nunca mais diga isso. Só tem uma coisa que está me impedindo de ficar totalmente bem: a mulher que eu amo está escondendo coisas de mim. Não está me dizendo tudo. O que você sente, Aran, é toda a minha prioridade. Se você não está bem, ok, vamos cuidar disso, meu bem, vamos fazer terapia de novo, você passou por muita coisa, Arantxa.

— Foi só um acidente de carro, que eu mesma causei.

— Claro que não foi só isso — Disse, com sua testa tocando a dela, a mão em sua nuca — Disso você saiu inteirinha, toda aguerrida, como a guerreira que você é, aquele acidente não foi nada para você, o problema não é esse. Você tem que curar do seu relacionamento com a sua mãe, Aran...

— Manu...

— Tem sim. Está tudo bem agora, mas também não está. Vocês duas passaram por muitas coisas juntas e isso precisa ser resolvido. Aliás, não é só com ela. É o seu relacionamento com a Rafaela também, esses sonhos não te dizem nada? Você ficou centrada em você por dois anos, durante a sua recuperação que não foi fácil, eu sei que não foi, eu estava com você, meu bem, todos os dias, todos os minutos, foi sempre nós duas, não foi assim?

Sempre — Disse, olhando nos olhos dela — Por isso eu não te mereço...

— Arantxa, eu não passei o inferno com você para eu merecer outra mulher agora... — Disse, a fazendo rir no meio das lágrimas.

— É verdade, não é inteligente.

— Claro que não é. Ainda mais que eu te amo tanto. Mas voltando ao que eu estava dizendo, foram dois anos centrados em você e quando você voltou para a sua vida normal, já não tinha vida normal. Sua mãe foi embora, a Lara está casada, o amor da sua vida casou com uma surfista de ondas gigantes sexy pra caramba... — A fez rir outra vez e transbordar ainda mais os olhos de lágrimas.

— Ela casou. Elas casaram, até minha mãe. Eu me casei, com uma menina linda, que amo demais e não serve, porque assim como eu nunca soube amar a minha família direito, eu também não estou conseguindo amar você direito, como se deve, saudavelmente.

— Você me ama certo. Tão certo que está querendo me proteger dos seus problemas e eu juro por Deus, Arantxa, eu espero que seja por medo de me perder porque se for por outra coisa...

 

Arantxa a beijou, gostoso, muito gostoso, tanto que quando percebeu...

 

Já estavam arrancando o vestido uma da outra, se livrando das lingeries, se pegando, se agarrando, se mordendo, se querendo, incendiando demais, porque quando se tocavam era assim, o tesão subia para pele e o amor era intenso, gostoso, molhado, era molhado o tempo todo.

 

Fizeram amor no sofá e estar na boca de Manu era algo que... Hum, tirava Arantxa de si. Foi para a boca dela, vê-la lhe amar lhe olhando nos olhos, lhe mordendo na mente, arranhando suas coxas, seu abdômen e quando ela lhe fez gozar tão forte... Só podia pegá-la para si. A beijando, a virando de costas, a grudando contra o seu corpo, a penetrando forte e gostoso, bem do jeito que Manu enlouquecia de prazer e então só um pouquinho antes de fazê-la gozar, sempre levava a sua boca até o sexo dela, a sentindo tão quente, tão pulsante, ah, não, como que Manu podia imaginar que Arantxa tinha outra, queria outra? Ninguém lhe deixava tão louca quanto Manu, ninguém lhe tirava de si com tanta intensidade, era Manu, a sua pessoa no mundo, sabia que era.

 

E não iria perdê-la por nada.

 

Terminaram na cama, agarradinhas depois do banho em que fizeram amor de novo, aos risos e aqueles bons sentimentos que invadiam Arantxa sempre que Manu estava por perto.

 

— Manu, eu estou muito sensível neste último mês. Eu sei do que você falou, dos problemas que tenho que resolver com a minha mãe, dos meus problemas emocionais, mas eu não sei, parece que estou muito à flor da pele. Eu acho que tive um ataque de pânico no carro. A cabeça da gente faz essas coisas, não faz?

— Faz, meu bem. E é por isso que eu acho que precisamos voltar na terapia de uma vez, para vermos essa outra parte sua agora, não precisamos deixar para depois. Isso não é fraqueza, Arantxa. Muito pelo contrário.

 

Aran a apertou nos braços, afundando o nariz pelos cabelos dela, sentindo o cheiro doce que sua esposa tinha.

 

— Eu tenho medo que você se canse de mim. Parece que os meus problemas não acabam nunca...

— Ninguém existe sem problemas, Aran. Sua paixonite esquisita pela Rafaela é o mais simples dos problemas que você já me deu...

 

Mais risos e mais beijos. E assim, bem juntinhas, elas pegaram no sono.

 

Foram trabalhar agarradas pela manhã, depois de irem tomar café da manhã numa cafeteria perto do escritório. Arantxa concordou com a terapia, se iria fazer parar o que andava sentindo, parar com os terrores noturnos e as crises de pânico, faria. Só queria ficar bem com Manu, ser feliz com ela, era tudo o que queria.

 

— Amor, vou almoçar com um cliente, está bem? — Manu entrou em sua e lhe beijou.

— Está bem. Vai demorar para voltar?

— Espero que não. Vamos jantar fora hoje? — Ela lhe pediu sorrindo — O que você acha? A gente janta, depois pegamos um hotelzinho, assim dormimos num lugar diferente...

 

Arantxa a puxou pela nuca e a beijou outra vez.

 

— E fazer amor até você me mandar parar — Outro sorriso.

— Eu nunca mando — Manu mordeu a boca dela rapidinho e Arantxa ficou...

 

Sua gostosinha nunca mudava, ojalá, que nunca mudasse mesmo. Mordeu um sorriso a vendo sair do seu escritório e então checou o horário, precisava almoçar também e odiava almoçar sozinha. Tanto que estava seriamente cogitando até ir almoçar com Lauren quando de repente...

 

Abriu um sorriso enorme.

 

— Mas, o que você está fazendo aqui?

— Viemos buscar você para almoçar!

 

Sim, porque ela não tinha vindo sozinha. Era Lara, trazendo Rafaela pela mão, ambas sorrindo demais, felizes em estarem lhe fazendo uma surpresa. Arantxa correu para elas, beijou a testa de Rafaela e abraçou Lara, muito forte, muito longamente. Tanto que, chorou.

 

— Arantxa...? — Lara buscou os olhos dela — Ei, você nunca chora!

— Eu sei, é que... Na verdade, eu nem sei. Que esquisito. Eu estou com saudade de você — E se agarrou em Lara um pouco mais a fazendo gargalhar naquele abraço.

— Nós estivemos juntas semana passada! — Lara beijou sua irmã outra vez, a agarrando pelo pescoço, a mantendo perto — Vem, se acalma, vamos almoçar naquele restaurante gostoso que a minha sereia costumava me levar...

 

A sereia era Lauren, é claro, elas tinham se separado, mas nunca, jamais na vida, Arantxa teria um relacionamento tão bom com alguma ex-namorada como Lara tinha, ela era um fenômeno. Foram almoçar juntas, as três, num restaurante na praia, num clima ótimo, que só acontecia quando as Iglesias estavam juntas.

 

— Eu não acredito que você pegou o helicóptero só para vir almoçar comigo, você tem que parar de me levar a sério, Lara, eu ando uma manteiga derretida... — Disse, espalhando riso pela mesa.

— É claro que eu venho, sempre vim, por que vou parar de fazer isso agora? Eu amo vocês duas, e você anda deixando a Rafa e a Manu bem preocupadas. As meninas estão bem, mas a Bela está com saudades de você, todas nós estamos.

— Isso inclui eu, você nunca mais me deu uma bronca, Arantxa... — Era Rafaela, a fazendo rir.

— Está com saudades das minhas broncas?

— Totalmente! Cadê você dizendo que eu sou irresponsável, que a Ali é irresponsável, todo esse tipo de coisa? Me faz falta sim, oras, você não anda você e nós temos que resolver isso. Escuta, a Lara quer repetir os seus exames.

— Agora?

— Agora, isso não está na sua cabeça? Vamos repetir os seus exames. O que aconteceu ontem pode ter sido uma crise de ansiedade ou sei lá, pode ter um parasita no seu cérebro te deixando essa manteiga derretida...

— Me respeita, Kattalin Iglesias! Espera, é sério? Pode ser um parasita?

— Arantxa, você está se tornando a nossa mãe, meu Deus do céu...

 

Mais risos e foram repetir os exames, as três juntas. Lara a levou para exames de sangue e para uma ressonância magnética que quis assistir junto com o técnico. Podia ser nada, mas podia ser alguma coisa. Não podia ignorar que sua irmã quase ficou cega no trauma do acidente e nunca se perdoaria se estivesse mesmo deixando passar algo.

 

Bem, no final das contas, tinha deixado passar uma coisa mesmo.

 

— Arantxa, eu acho que... — Olhou para aquele exame novamente — Eu acho que sei o que está causando essa sua hipersensibilidade.

— O quê? Apareceu alguma coisa? É na minha lesão?

— Não, não é na sua cabeça, só que há um desequilíbrio hormonal aqui que... Quando foi a sua última inseminação?

— Há um mês mais ou menos, por quê?

— Porque... — Respirou muito fundo, olhou para Rafaela.

— O quê? Eu te disse que não estava normal, eu disse pra você! O que apareceu? Me fala!

 

E Lara abriu um sorriso enorme.

 

— Aran... — Ela mostrou o exame — Você está grávida!

— O quê? Grávida, grávida mesmo? — Rafaela não estava acreditando no que tinha acabado de ouvir!

— Grávida! Do único jeito que dá para ficar grávida, você está grávida, Arantxa!

 

E ela teve uma crise de choro inacreditável. Tão forte que sentou no chão, no meio da clínica, nos braços de suas duas irmãs que não conseguiam parar de sorrir, beijá-la, não conseguiam não ficar empolgadas com aquele resultado!

 

— Deve estar errado, Lara, você pediu exame de gravidez?

— Pedi e fiz errado ainda por cima, você não devia ter feito aquela ressonância antes deste resultado aqui, mas você me deu tanta certeza que não estava grávida...

— Eu não estava, nós fizemos o exame.

— De sangue?

— Não, de farmácia, eu não quis fazer o de sangue... — Chorou e sorriu — Eu não queria ter certeza que não. Eu quero tanto esse bebê.

 

Ela chorou mais, sorriu muito, ficando tão feliz que nem sabia.

 

— É por isso que eu estou derretida!

— É por isso sim — Rafaela estava agarrada nela, Lara também — Tem um bebê aqui, Aran, é por isso — Tocou o abdômen dela com carinho — Ele está te derretendo.

— É culpa dele. Ou dela. Meu Deus, eu não acredito... Eu tenho que contar pra Manu, gente, tenho que contar agora...

— Onde ela está?

 

Arantxa checou a agenda dela. Ela estava na loja que tinha sido inaugurada na noite anterior. Então comprou três testes de farmácia e suas irmãs passaram minutos inteiros do lado de fora do banheiro da farmácia esperando pacientemente que ela fizesse os três testes, que tivesse mais certeza ainda, tudo positivo. Daí ela saiu chorando e chorando comprou flores e chocolates, comprou um sapatinho também e, foram para a loja de roupas.

 

Rafaela entrou e a reunião de Manu tinha acabado de terminar.

 

— Rafaela? Aconteceu alguma coisa?

Uma coisa linda. Você já terminou? Pode ir lá fora? Arantxa precisa falar com você.

— Rafaela...? Aconteceu alguma coisa? Se aconteceu, por favor, me fala logo...

— Ei, se acalma que eu já disse que é algo lindo — Respondeu sorrindo — Vai lá, vai encontrar a sua esposa.

 

Manu foi lá fora e lá estava, o Rolls-Royce rodeado de Iglesias. Avistou Lara de longe e de longe também viu sua esposa linda, segurando um enorme buquê de flores vermelhas e uma caixa de chocolates suíços.

 

— Ei — Abriu um sorriso beijando Arantxa, inevitavelmente sorrindo — Eu não acredito que você veio aqui só para me fazer sorrir assim!

— É claro que não foi só por isso, meu bem. Eu vim aqui também para te deixar feliz como você nunca foi na sua vida — E assim, Arantxa tirou a mão escondida nas costas onde dois dos seus dedos calçavam um sapatinho branco de bebê.

— Arantxa...? — O coração de Manu veio na garganta, os olhos se encheram.

— Eu acho que nós fizemos ontem — Disse sorrindo, com os olhos molhados, puxando sua garota pela cintura — Eu estou grávida, amor. O nosso bebê já está aqui.

 

E Manu a agarrou, a beijando, chorando, vendo aqueles olhos verdes brilhando e toda aquela felicidade emergindo de dentro! Tinha ouvido certo? Era aquilo mesmo? Sua Arantxa estava grávida, ela estava...?

 

— Você vai ser mamãe, Manu! — E Rafaela abraçou as duas, Lara fez o mesmo e naquele abraço em família que espalhava amor por todos os lados, entre todas as mulheres da sua vida, Arantxa já se sentiu um tanto enorme mais curada.

 

Sabia amar sim. Tinha muito para resolver, sabia, mas amar, ah, amar ela sabia sim.

 

Tinha uma prova de amor crescendo dentro de si e ela não poderia estar mais feliz, de jeito nenhum, de nenhuma outra maneira. Ou com qualquer outra pessoa. Olhou Manu nos olhos outra vez, tocando o rosto dela com carinho.

 

— Eu amo você. Amo demais... — Confessou, com os olhos cheios vendo os olhos de Manu tão transbordados.

— Eu amo vocês — Ela respondeu, pondo a mão no abdômen de Arantxa — Eu amo vocês, meu amor, eu amo vocês...

 

Amava. Tanto que agora aquele amor tinha se multiplicado.

Notas do Capítulo Extra:

 

Olá, meninas!

 

Vou começar assim "meninas, meninas...", é algo que o meu chefe sempre me diz quando eu tenho uma ideia muito ousada ou muito desnorteada (aprendi tem um tempo que ousadia e desnorteio são vizinhos haha), ele sempre olha pra mim e me diz "Tessa, Tessa...", eu sei que é uma bronca leve, mas que também é um incentivo ❤.

 

Então vou deixar uma leve bronca junto a um incentivo aqui para vocês: sabiam que quase não teve capítulo hoje por conta do número de comentários? Conversamos sobre isso semana passada, mas vou voltar a falar disso de uma outra maneira agora, vamos lá.

 

Meninas, não comentar é fechar a porta para os conteúdos gratuitos do site. Só este último extra teve quase 300 visualizações, para a gente ter sofríveis apenas 25 comentários. Agradeço demais a todo mundo que comentou, mas de verdade, vamos tentar pôr na mente que conteúdo extra se paga com comentários, ou vou acabar desistindo do conteúdo extra por simplesmente não fazer sentido. Se eu não vejo alcance, que sentido faz? E não, não precisa ser um comentário de 10 linhas não, basta uma linha, umas cinco palavras e esta autora já estará satisfeita suficiente ^^. 

 

Moças, um extra como o de hoje, leva em média, dez minutos para ser lido. Um comentário não leva mais de dois para ser construído. Mas levou exatas (eu contei as horas essa semana porque tinha muitas coisas para entregar e tive que me virar para conseguir escrever) 13 horas de trabalho, entre concepção, escrita e revisão. Então, por favor, devemos pensar nisso antes de ler e não comentar, está bem? Eu quero muito fazer o site crescer, fazer a literatura de gênero crescer, mas fica difícil se não conseguimos visualizar sequer uma parte justa de quem consome esses textos.

 

Tudo bem, bronca deixada de lado, vamos falar um pouco de Arantxa Iglesias 

 

Ainda percorrendo aquela tese de que a personagem de repente começa a falar, eu estava escrevendo um extra feliz quando Arantxa começou a me dizer que diante de tudo o que ela já tinha passado na vida, não tinha como ela estar simplesmente feliz. O abuso indireto que sofreu da mãe durante a infância, o abuso direto pelo qual passou durante a adolescência e então o auto abuso, o que ela mesma fez com ela, a negação, o medo, as rédeas sob as quais sempre tentou se manter. Essas coisas levam tempo e para Arantxa Iglesias, todas as coisas sempre terão um q de conquista. Ou não serão coisas que ela irá querer na sua vida 😊

 

Viram? É disso que eu falo, as personagens falam e apesar do extra ter começado um tanto sombrio, ele discorreu pela paixão de Arantxa pela Manu e pelas suas irmãs, e também pelos seus pedaços ainda obscuros, mas que ela não desiste de derrotar. Final feliz, porque Arantxa Iglesias é este tipo de guerreira e apesar das cicatrizes, nunca irá desistir de ser feliz ^^.

 

No final das contas, me pareceu um extra mais Arantxa do que o simplesmente feliz que eu escrevi primeiro, me contem o que acharam!

 

Espero que a leitura tenha agradado! Próxima postagem, extra de Parker Scholtz e as regras seguem as mesmas, 25 comentários, de leitoras diferentes até sexta, 26 de abril às 23 horas, e extra da Parker liberado no domingo dia 28!

 

Abraços! Feliz Páscoa!

 

 

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