Capítulo Explicit Mediterrâneo: O Azul dos Olhos Dela

12/5/2019

 

 

Era a décima hora de voo e os olhos de Lívia seguiam no MacBook, totalmente hipnotizados pelos números. Os cabelos longos, castanhos, tão brilhantes quanto aqueles olhos pelos quais Isabela se apaixonou tão cedo e de maneira tão irremediável. Tocou os cabelos dela com carinho.

 

— Lívia?

— O que, meu amor? — Respondeu, sem lhe olhar.

— Você disse que estaríamos de férias, lembra?

 

Ela lhe olhou e discretamente, tirou a mão de Isabela dos seus cabelos, deixando um beijo em seus dedos para disfarçar. Lívia detestava carinhos em público, por mais singelos que fossem, tinha uma lista de motivos questionáveis para esta atitude dos quais Isabela discordava veementemente. Não via sentido, menos ainda dentro de um avião em direção a Itália onde provavelmente não conheciam ninguém.

 

— E eu vou estar. Só estou aproveitando este tempo em público para não deixar nada atrapalhar a gente depois, está bem? — Seguia com os olhos na tela do computador — Por que você não escreve um pouco? Como está indo o livro?

 

Isabela respirou fundo, se afastando dela, afundando em sua poltrona.

 

— Está… Estagnado. Ando sem inspiração.

— Bem, eu peguei esta casa pensando em você. Tenho certeza que você vai voltar com o livro pronto.

 

Ficou olhando para ela um pouco mais, morrendo de vontade de tocá-la. Era sua esposa, a mulher por quem era apaixonada, a carência de Isabela queria tocá-la o tempo todo, e o afastamento de Lívia não lhe ajudava muito. Reclinou sua poltrona e decidiu tentar dormir um pouco, de Curitiba para Napoli eram dezoito horas de voo, ainda estavam na metade do caminho.

 

Foi pouco antes de pegar no sono.

 

Lívia passou mal. Tão mal que sequer estava conseguindo dizer bem o que era. Isabela lhe deu um comprimido para dor de cabeça, mas o enjoo a atacou antes de sequer engolir a cápsula direito. Chamou ajuda, levaram Lívia para o banheiro, a comissária lhe pediu calma, não podiam permitir duas pessoas na cabine, Lívia entrou sozinha, contra a vontade de Isabela.

 

— Ela é minha mulher, está bem?

— Eu compreendo, senhora, mas são as normas de segurança, se ela precisar de ajuda, poderá entrar. Por favor, fique calma.

 

Mas ela não precisou. E saiu da cabine do banheiro aparentemente muito bem restabelecida. Brigaram, porque Lívia tinha ouvido Isabela dizendo que eram casadas para a comissária e sinceramente, Isabela não tinha ideia.

 

— Eu não sei por que você continua casada comigo! Ninguém pode saber, como se ainda estivéssemos na adolescência escondendo o namoro da nossa família!

— Isabela, eu tenho uma rede de hotéis nas minhas mãos, você se lembra disso? Lembra da minha responsabilidade?

— E o que o nosso casamento desabona a sua responsabilidade, me explica?

 

Ela lhe olhou furiosa.

 

— Por que você não dorme e me deixa pagar as suas contas? Não é o melhor dos cenários?

 

Achava que tinha adormecido de ódio, tentando comprimir o choro e a frustração.

 

E foi acordada por um beijo na testa.

 

— Meu amor? Vamos pousar em breve, acorda, eu peguei o seu café da manhã.

 

Tinha pegado seu café da manhã, guardado o notebook, organizado a área da primeira classe onde estavam, pedido um cobertor extra para lhe proteger. Isabela achava que qualquer dia, iria acordar louca, sem saber dizer sequer o próprio nome com o tanto que Lívia mexia com a sua mente. Já tinha passado para ela, a briga de horas atrás aparentemente sequer tinha acontecido e Isabela… Bem, era melhor deixar para lá. Ela gostava de fingir que nunca havia acontecido e Isabela começou a gostar também quando percebeu que isso resolvia os problemas de imediato. Ao menos de imediato, tinha paz e lampejos da menina por quem tinha se apaixonado aos seus quinze anos de idade.

 

Assistiu a belíssima descida para o Aeroporto de Napoli com a mão de Lívia na sua, com o sorriso dela aberto, o tipo de carinho que tanto ansiava. Pena que só durou até estarem dentro do táxi, em direção ao Porto de Molo Beverello. As ruas estavam engarrafadas, buzinas soavam a todo momento, as vielas apertadas, antigas e Lívia começou a reclamar, a discutir com o motorista que mal estava a entendendo.

 

— Lívia, quer parar? Ele não fala inglês!

— Pois deveria! Eu tinha que ter lembrado, esses italianos acham que são donos do mundo, que não precisam falar a língua universal da humanidade! Diz você pra ele que eu não quero ficar neste engarrafamento!

 

Isabela olhou para o motorista já irritado e falou com ele em italiano:

 

— Foi um longo voo, queira desconsiderar a irritação dela.

— Napoli tem seu próprio tempo, senhorita! Aliás, aqui todo mundo grita, tem certeza que ela não é napolitana?

 

Isabela riu. Lívia estava furiosa.

 

— Do que você está rindo?

— Piadas napolitanas. Ele está se desculpando pelo trânsito, disse que vamos chegar em dez minutos. Me deixa trançar o seu cabelo.

 

Lívia lhe olhou, irritada, porém, tentada. Ter as mãos de sua esposa nos seus cabelos devia ser a coisa que mais lhe relaxava na vida, nunca resistia.

 

Deitou no colo dela e ela começou a fazer uma trança lateral e então outra trança, e mais uma, e outra, e então fez as tranças se encontrarem entre si, e quando chegaram no porto, suas diversas tranças estavam unidas numa trança-raiz só, frouxa, muito bonita, adorava como sua esposa era delicada, tão feminina para certas coisas, tê-la lhe cuidando sempre mudava o seu humor, não fazia ideia da mágica.

 

Ah, o Mediterrâneo acenou. Azul, brilhante, totalmente irresistível. Lívia tinha alugado uma lancha expressa, do porto até a Ilha de Capri geralmente se leva uma hora, mas ela quis garantir que chegariam em menos tempo, como se a beleza do Mediterrâneo pudesse ser entediante de alguma forma. Bem, deveria ser para ela, pois depois de apenas uns dez minutos na lancha, a magia do toque de Isabela em seus cabelos já tinha passado e Lívia já estava falando ao celular. E Isabela...

 

Respirou fundo, pegou sua caderneta de anotações e deixou-se escrever qualquer coisa. Um pensamento, algo aleatório, haviam dias que fazia este exercício e cenas inteiras surgiam escritas a mão, porém haviam dias que apenas palavras desconexas apareciam, foi o caso. Escreveu “viagem, lua de mel, cansaço, solidão, desaparecer. Olhou para o mar, tão bonito e profundo, e ouviu Lívia praguejando que tinha ficado sem sinal.

 

— Deve ser porque estamos no meio do mar, não acha?

— Isabela, por que você faz isso? Por que insiste em me irritar?

— Lívia, você não precisa que ninguém faça isso por você. Às vezes eu acho que você já nasceu irritada, é um plus, veio com você.

 

Começaram outra briga ainda no barco. Na verdade, desta vez, Isabela a deixou brigar sozinha, estava cansada, só queria chegar de uma vez, comer alguma coisa e dormir um pouco, devia ser isso, estavam cansadas as duas, talvez Lívia tivesse mesmo razão sobre Isabela estar lhe irritando.

 

— Meu bem, desculpa. Eu estou cansada e enjoada, devo estar mesmo provocando você, vamos parar.

 

Lívia parou lhe olhando.

 

Que coisa linda você está. Mesmo depois de um dia de viagem.

 

Foi a coisa mais doce que ela lhe disse em quase um mês. Ficaram em paz pela próxima meia hora até chegarem na ilha e, o celular recuperar sinal. Então começou a tocar e Lívia se fechou novamente, resolvendo problemas, respondendo mensagens e Isabela não podia acreditar que ela não estava notando aquela ilha! Capri era inacreditável! As vielas de pedra, as ruazinhas apertadas, todas aquelas cores em flores que pareciam brotar de todos os lados, o sol brilhando, o verão as presenteando e, sequer tinha com quem comentar.

 

Lívia estava ocupada, mas Isabela gostava de conversar. Por isso falava sete idiomas, para nunca ficar sem ter o que dizer. Conversou com o motorista, perguntando algumas coisas, vendo a arquitetura romana num telhado aqui, numa pilastra ali, era completamente encantador.

 

— Vocês estão privilegiadas. Existem alguns tesouros perto de onde vocês estão, se você gosta de cavernas, mergulho, arquitetura clássica, nunca ficará entediada!

 

Isabela esperava mesmo! Chegaram até a casa na praia e…

 

Aquela casa era um romance anunciado.

 

Não pôde definir de uma outra forma, tinham se apaixonado por aquele lugar imediatamente, assim que viram pela internet. Foi assim que tinham escolhido seu destino de férias, viram a casa para alugar, a praia, o serviço extra, não era apenas que a casa ficava num pedaço paradisíaco e reservado da Ilha de Capri, era uma casa arquitetonicamente histórica, numa praia de tirar o fôlego e que, vinha com uma chef italiana à la carte. Teriam uma casa antiga, numa praia deslumbrante e comida italiana de alta qualidade, não havia romance que resistisse.

 

Parecia bom o suficiente para salvar aquele casamento de quase dez anos que nos últimos três, se arrastava a peso de brigas e sexo de reconciliação. Isabela amava Lívia mais do que qualquer coisa. Foi seu amor de quinze anos, seu primeiro beijo, sua primeira vez na cama. Tiveram um namoro complicado na adolescência, escondido da família, eram primas de primeiro grau, romperam e se reconciliaram tantas vezes que nem sabia. E então, o casamento aos vinte e dois anos, outra impetuosidade desaprovada pelos familiares, eram primas, eram muito novas, mas nada adiantou. Eram tudo isso, mas também eram loucas uma pela outra e não viam a hora de não se separarem mais nem um pouco. E era por tudo isso que Isabela não fazia ideia de como e quando tinham começado a se perder uma da outra. Mas desconfiava que tinha sido justamente quando acharam que todas as coisas iriam se consolidar ainda mais.

 

Lívia havia recebido a promoção dos sonhos dentro da empresa e desde então, ela nunca mais havia parado. Nada de finais de semana, feriados, passeios, nada, tudo o que ela conseguia enxergar era trabalho. Convenceu Isabela a deixar o seu próprio emprego, ela ganhava muito menos, era escritora, por que não trabalhava em casa? Assim, quando Lívia tivesse tempo, ela sempre estaria disponível. Era bem verdade que dessa forma, Isabela havia crescido demais em sua carreira literária, tinha tempo de sobra para criar, escrever, se organizar, mas o tempo livre de Lívia...

 

Não, ele nunca veio.

 

Engravidar tinha sido outra tentativa de tentar se encontrar novamente como casal. Lívia apoiou a ideia, podiam tentar ter um bebê sim, uma garotinha parecida com Isabela era o seu sonho preferido. Tentaram pelo último ano inteiro e deu em nada. Isabela simplesmente não conseguia engravidar, não importava que tratamento fizesse, os embriões não vingavam. Não servia nem para isso. E este pensamento de Isabela saiu da boca de Lívia.

 

Havia isso também. Além do vício em trabalho, cada dia que passava, Lívia se tornava mais fria, agressiva, mais cruel.

 

Mas se amavam, era real. Não se fica com alguém por tanto tempo sem amor e ao mesmo que todos os dias Isabela pensava em ir embora, todos os dias pensava também em maneiras de salvar o seu casamento porque sabia que dentro daquela pessoa que ela não conhecia mais, em alguma esquina escondida, ainda estava a garota que amava. Porque ela ainda aparecia. Numa manhã despretensiosa, num convite inesperado, num amor intenso depois do jantar. Aquela versão de Lívia que lhe acordou tão carinhosa no avião ainda estava viva e Isabela acreditava que ainda poderia resgatá-la.

 

Por isso aquela viagem. Trinta dias na Itália, naquele lugar inacreditável, isolado, apenas elas duas. Ah, não, não haveria romance que resistisse. Respirou fundo olhando aquele mar, o vento esvoaçando seus cabelos loiros, os olhos castanho-mel brilhando contra o sol e quando buscou Lívia…

 

Sim, ela ainda estava no celular.

 

— Lívia, é sério?

— Me dá só um minuto, meu bem — Voltou a falar no celular enquanto o motorista levava as malas para dentro, e…

 

Bem, Isabela estava sendo observada.

 

Por olhos azuis tão intensos quanto aquele mar. Os cabelos castanhos escuros, uma clássica camisa branca italiana muito alinhada, calça jeans, sorriso bonito. Ela sorriu olhando, ainda que Isabela não tenha notado, sorriu molhando os lábios, olhando para ela, para Lívia que entrou sem lhe dizer bom dia, para aquele mar tão bonito, para Isabela outra vez.

 

A voz dela veio do nada, como um sussurro que se mistura ao vento.

 

— Senhorita Trentini, imagino.

 

Isabela levou um susto tão grande que quase tropeçou na areia! Se desequilibrou, mas aqueles braços foram rápidos o suficiente para não lhe deixar cair. Não caiu no chão, apenas no riso pela sua capacidade de tropeçar nos próprios pés do nada.

 

— Meu Deus, eu assustei você!

 

Isabela estava rindo demais. Agarrada nos braços dela, tão firme quanto os músculos que sentiu sob a camisa.

 

— É que… — E Isabela ergueu o olhar para ela e caiu dentro daqueles intensos olhos azuis pela primeira vez. Os dedos se agarraram nos braços dela com mais força, enquanto seus pés ainda se batiam tentando encontrar o equilíbrio na areia e, estava a tocando. Tão perto dela enquanto ela lhe olhava reto nos olhos, sem lhe deixar nenhuma escapatória. Abriu um sorriso quando viu Isabela tão perdida.

— Tudo bem? — Ela lhe ancorava em seus braços.

— Tudo bem — Finamente conseguiu se restabelecer. Pés equilibrados, mãos fora do corpo dela, olhos também, tudo bem, de onde ela tinha surgido?

— Agora parece bem — Outro sorriso bonito dela — Siena Ferragni, sua anfitriã e sua chef de cozinha. Sinto muito ter assustado você — Ela seguia sorrindo.

— Não assustou não, eu que estava distraída — Esticou a mão para ela — Isabela Trentini.

 

E ela beijou a sua mão. Ao invés de apertar, beijou, com aqueles olhos azuis em cima de Isabela o tempo todo. Sentiu que enrubesceu, como se não resistisse ao charme dela. Espera, não estava resistindo mesmo, ela era charmosa demais.

 

— Tenho uma pergunta indiscreta, posso fazer logo? É para evitar confusões futuras — Mais sorrisos.

— Pode fazer, eu tenho uma resistência natural a perguntas indiscretas, você não faz ideia do que a minha mãe me pergunta de vez em quando… — Respondeu, a fazendo rir.

— Prometo que serei mais suave do que ela. Então, é que a outra moça é Trentini também, é por que vocês são parentes, são casadas…?

 

Amou que ela considerou casamento.

 

— As duas coisas.

 

Ela fez cara de surpresa.

 

— Como assim as duas coisas?

 

Isabela sorriu.

 

— Somos casadas, mas somos primas também, a minha mãe e o pai dela são irmãos.

— Mas que… — Ela sorriu mais — Diferente e interessante! A família deve ter adorado.

— Você não faz ideia…

 

Ficaram lá fora conversando um pouco mais e Siena a convidou para entrar, queria apresentar a casa para elas, informou que tinha um almoço esperando, o que ela queria fazer primeiro? Avistou Lívia falando ao celular na piscina e se deu conta que primeiro, gostaria que ela desligasse aquele maldito telefone. Como não ia acontecer…

 

— Pode me mostrar a casa, por favor.

 

Era uma casa enorme e linda demais. Começaram pela sala, com lareira, área de leitura, um piano à disposição.

 

— Eu toco piano — Isabela contou — Adorei quando soube que tinha um piano por aqui.

— É o meu instrumento preferido, eu toco também, isso será divertido, se você soubesse como são raras as pessoas divertidas que ficam por aqui… — Ela disse, fazendo Isabela rir. Ela contou também que a propriedade era de uma família muito abastada de Roma, que adoravam coisas antigas, mostrou uma biblioteca enorme com livros clássicos e atuais, todos em italiano… — Eu já vi que você fala italiano muito bem.

— E mais alguns idiomas. Eu gosto de falar como você já deve ter percebido…

 

Mostrou a área da piscina que tinha uma vista linda para o mar, que Lívia sequer havia notado, flores cor de rosa-fúcsia caíam em cachos pelo muro baixo e pelo portão de ferro antigo, voltaram para a casa, com dois quartos, uma cozinha, uma sala de jantar e chegaram ao quintal, com um lindo jardim de flores, um pequeno pomar de maçãs, uvas em outra pequena plantação, uma horta, uma plantação de ervas e duas casas adjuntas.

 

— Eu moro aqui — Ela abriu a porta e lhe convidou para entrar, uma graça de lugar, tinha uma sala muito charmosa embaixo, com lareira, um violão, livros, um sofá pequeno, vista para a floresta — Tem o quarto lá em cima que… — Abriu um sorriso — Você pode conhecer depois — Disse rápido e mudando de assunto, o que não impediu o coração de Isabela a dar uma acelerada. Tinha entendido um duplo sentido? Não sabia, só sabia do sorriso e dela gentilmente lhe tocando o braço, lhe convidando a sair e ir até a casa ao lado. Eram casas gêmeas, com poucas diferenças — Eu geralmente cozinho tudo aqui e sirvo na casa principal, há hóspedes que se incomodam com o cheiro da cozinha.

— Eu gosto tanto do cheiro das ervas temperando o ar.

— É porque você é artista, pianista e escritora, certo?

 

Olhou para ela curiosa.

 

— Como sabe?

— Veio na assinatura do seu e-mail — Ela respondeu sorrindo — Isabela Trentini, autora. Daí não resisti e dei uma pesquisada, pena que não leio em português.

— São romances lésbicos.

 

Ela lhe olhou outra vez.

 

— Você fala galego?

 

Isabela abriu outro sorriso.

 

— Galego não falo.

— Então vamos fazer um acordo. Todos os dias eu te ofereço um vinho diferente, com algum acompanhamento delicioso e leio um livro de poemas em galego para você, e então você me oferece a sua voz, o seu talento e lê um dos seus romances para mim, o que acha?

 

Aquilo… Isabela mordeu a boca. Chegava a ser erótico o quanto que aquela ideia lhe agradou. Pegou a mão dela.

 

— Feito.

— Ótimo. Então, agora que você já aceitou o meu convite, conheceu o nosso pequeno castelo, o que acha de conhecer o meu sabor?

 

Isabela sorriu, ok, ela sempre era capciosa e ela sabia muito bem que era. Mordeu um sorriso olhando para Isabela.

 

— Vem, eu vou servir o almoço…

 

Disse que o almoço estaria na mesa em vinte minutos e Isabela foi atrás de Lívia. Ela já tinha saído do celular, mas já estava de volta ao MacBook.

 

— Você acredita que a internet neste lugar é terrível?

— Lívia…

— Meu bem, vem cá, senta aqui perto de mim — A puxou pela mão, a fazendo sentar ao seu lado — É uma emergência, eu vou resolver e acabou, está bem?

— Sempre há uma emergência, amor.

— Eu sei, me desculpe, eu sinto muito — E já estava com os olhos no seu e-mail.

— Você pode ao menos vir almoçar? Temos uma chef italiana à nossa disposição.

 

Ela olhou para trás, parecendo notar Siena pela primeira vez. Ela estava pondo a mesa junto à piscina, como Isabela tinha pedido.

 

— Nada de peixe, certo?

— Apenas massa fresca, pães, um bom vinho, tudo o que você gosta.

 

Tudo o que ela gostava, mas…

 

Isabela acabou comendo sozinha. Ela ficou respondendo o e-mail, então entrou em outra ligação e Isabela decidiu comer, ou iria esfriar. Queria pedir a companhia de Siena, mas não sabia bem a reação de Lívia, ela costumava ser ciumenta demais, mas aparentemente, nem isso era mais. Comeu um Tiramisu delicioso de sobremesa e já estava sem sono, querendo ao menos andar um pouco pela praia enquanto ainda tinha sol. Lívia comeu em algum momento, na piscina mesmo porque Siena foi até ela, suavemente a interrompeu, se apresentou com tanta educação que Lívia não conseguiu ser ela mesma. Perguntou se podia servir o macarrão para ela com um pouco de vinho, ela aceitou e continuou o que estava fazendo. E Isabela foi ficando impaciente, é claro, a interrompeu novamente, pediu para que fossem ao menos caminhar um pouco e então, outra garota apareceu.

 

Uma menina ainda mesmo, não devia ter mais de vinte anos, olhos claros, boca bonita, Siena veio apresentá-la, chamava Giorgia, e cuidava da limpeza da casa.

 

— Escuta, a Gio fica aqui caso a Lívia precise de alguma coisa e eu posso te mostrar um pouco da praia, o que acha?

 

Olhou para Lívia tão concentrada em seus contratos, olhou para Siena tão disponível. Por que não?

 

Saiu para caminhar com ela. Tinha tomado um banho, trocado de roupa, colocado um vestido bonito, feito uma trança em seus cabelos loiros. Começaram a caminhar conversando muito e Siena lhe convidou a tirar as sandálias para sentir a areia que já estava morna naquele horário, perto do pôr do sol. Ela fez o mesmo, tirou os sapatos, enrolou as barras do seu jeans e foram caminhando um pouco mais, enquanto ela lhe mostrava uma casa mais charmosa que a outra, lhe mostrava uma coisa ou outra nas montanhas extremamente movimentadas, com casinhas, pequenos mercados, estátuas, pedaços de arquitetura de pedra, com traços romanos, era como se houvesse uma cidade inteira dependurada naquelas montanhas. E devia haver mesmo.

 

Ela quis saber de Isabela um pouco mais, mas nem tinha tanta coisa assim. Era escritora, trinta e dois anos, casada há dez, formada em jornalismo que parou de exercer a convite de Lívia.

 

— O que ela faz?

— É advogada, mas assumiu a diretoria de uma rede de hotelaria há um tempo.

— Entendi, não deve ser fácil para ela.

— Não é. Ela é jovem, tem trinta e três anos, é mulher, é bonita, anda sendo comida viva pelos membros da diretoria. Mas sinceramente... Não precisamos disso. Enfim, eu já não sei mais do que a gente precisa. Me fala de você.

— Ah, não tem muita coisa. Sou romana, tenho vinte e sete anos, chef de cozinha, trabalhei em alguns restaurantes e aceitei esse emprego diferente aqui porque adoro ficar perto do mar — Ela confessou sorrindo — O peixe chega praticamente respirando na minha panela de tão fresco. Eu gosto da gastronomia daqui, as pizzas são as melhores do mundo inteiro, o sorvete nem se fala, eu gosto da vida noturna, da calma, das napolitanas...

 

Isabela caiu no riso. Adorou a naturalidade com a qual ela disse aquela última frase.

 

— Gay, bissexual...?

Viciada em mulheres. Eu adoro, é mais que sexualidade, nem sei explicar, se estou ouvindo música, quero vozes femininas, se leio livro, procuro autoras, eu venero as mulheres, não sei explicar de uma outra forma.

 

Era viciada em mulher. O termo fez cócegas em sua curiosidade. Andaram mais, conversaram mais ainda, assistiram ao pôr do sol vendo os resquícios de um antigo castelo medieval destruído pelo mar e pela areia. O passeio foi leve, agradável, Siena era atraente, gentil e os olhos dela pareciam uma extensão do mar Mediterrâneo: profundos, azuis, brilhantes demais. Voltaram pra casa, achou que Lívia iria ao menos perguntar sobre. Nada. Ela sequer notou que Isabela tinha saído com alguém.

 

Ao menos jantaram juntas. Ela desconectou o celular, o computador e o jantar estava delicioso. Não só o jantar, como a noite também, era uma noite quente, mas estava ventando e aquelas duas horas de tempo foram quase mágicas. Jantaram, depois foram lá para fora, deitar em cadeiras de praia e beber um vinho enquanto conversavam, riam e olhavam para o mar. Em determinado momento, Isabela entrou para pegar uns queijos para acompanhar e quando voltou...

 

Lívia estava dormindo. Tão profundamente que foi impossível levá-la para o quarto, ela tinha bebido praticamente uma garrafa sozinha, não, ela não ia acordar não. E enquanto pensava no que fazer, Siena apareceu, estava arrumada para sair, disse que ia a um barzinho no centro, Isabela queria ir? Adoraria, mas...

 

Bem, Siena ajudou a colocar Lívia na cama e então deixou Isabela com um beijo de boa noite.

 

No dia seguinte, Lívia acordou com dor de cabeça, meio fora de hora, tomou um café rápido e disse que precisava resolver um problema, mas iriam sair depois. Isabela tinha uma lista de coisas que queria fazer, mas em casal, o objetivo da viagem não era apenas fazer turismo, era se reconectarem, reviverem o romance delas, estava com saudades da mulher que amava. Mas ali estava ela, com os olhos no celular enquanto tomava café, provavelmente sequer estava ouvindo Isabela. Viu Siena passando com ingredientes frescos, os olhos azuis, o olhar reto e afiado. O olhar dela era como uma mordida. Isabela sentia ainda que não a visse. Ficou pela casa esperando Lívia terminar, bem, não aconteceu antes do almoço e apesar de terem saído e dado uma volta pelo centro, foi muito esquisito porque Lívia simplesmente não conseguia se desconectar. O celular continuava ativo, recebendo mensagens e ligações, e lá estava ela, aquela versão fria e distante que incomodava tanto Isabela que de repente, se percebeu não vendo a hora de voltar para a casa.

 

Porque sabia que teria companhia em casa. Voltaram antes do pôr do sol, Lívia direto para o computador e Isabela...

 

Direto para a cozinha.

 

— O que você está fazendo?

 

Ela abriu aquele sorriso lindo.

 

Petit four! Você me disse que ela gosta de doces franceses…

— Ela gosta e eu amo! Tudo bem, posso ajudar?

 

Ela lhe olhou surpresa.

 

— Não é comum.

— Eu não sou qualquer hóspede, você já sabe esta parte.

— É verdade! Vem aqui, você conhece a história? Sobre como surgiram essas massas? Como o açúcar é o principal ingrediente da receita, as massas eram assadas no calor residual dos fornos, depois de outros pratos, por isso petit four, ou forno pequeno…

 

A ajudou com os pequenos salgados, bebeu um vinho com ela, a ajudou com o jantar também e Lívia, bem, ela seguia no MacBook quase agradecida de não ter Isabela por perto pedindo coisas. Isabela andava se sentindo assim, uma garotinha chata que só pedia e pedia por atenção. Jantaram, dormiram juntas, ela não lhe tocou novamente e Isabela quase não conseguiu dormir lembrando que tinha um convite em aberto na casa dos fundos, aquele que envolvia acompanhamentos, vinho e leituras em voz alta. Dormiu de qualquer forma e o dia seguinte foi ainda pior do que o primeiro. Lívia não conseguia estar presente, não conseguia desconectar do celular, estava ali, mas não estava, estava em metade e metade foi se tornando um terço no decorrer do dia. Tiveram uma briga na biblioteca, viu Siena passando pela janela com peixes e frutos do mar para o jantar, a principal entrada da casa era aquele portão da piscina que levava direto para as casas no fundo e haviam enormes janelas de vidro por todos os lados. Sempre via Siena, o tempo inteiro o olhar dela lhe mordia. A briga terminou com Lívia atendendo outro telefonema e reclamando de dor. No estômago, na cabeça, disse que ia dormir por meia hora e Isabela foi para a cozinha pedir que Siena não preparasse aquele peixe lindo, e os frescos frutos do mar.

 

— Mas você me disse que adora comida mediterrânea.

— Eu sei, mas ela detesta e eu… Estou exausta. Desculpe. Pode fazer uma massa?

 

Como é que podia estar tão infeliz naquele lugar que cheirava a romance?

 

Saiu sozinha aquela tarde. Andou por algumas lojas, comprou algumas coisas e aquilo ao menos lhe animou! Aquele lugar era vibrante, deslumbrante demais, olhar o mar de cima da montanha de pedra era espetacular, tinha que conseguir escrever alguma coisa nas suas anotações, focaria nisso já que seu casamento parecia estar desandando mesmo. Encontrou Giorgia na volta, num vestidinho floral inacreditável, ela disse que estava indo fazer a limpeza e podia acompanhar se Isabela quisesse. Outra italiana charmosa demais, lhe oferecendo a mão para descer as escadas de pedras ou elogiando seu vestido, dizendo que podiam sair qualquer noite, ela iria gostar de ver aquele lugar aceso. Agradeceu o convite, voltou pra casa. Lívia ainda estava muito irritada com alguma coisa. Dispensou o jantar de Siena, iriam comer qualquer coisa, tentou dormir cedo, dar um gelo em Lívia, às vezes funcionava.

 

Conseguiu. Deve ter dormido por volta das nove, depois de terminar um livro que tinha comprado aquela tarde mesmo, Mal di pietri, de Milena Agus, estava tão entediada que leu de uma vez, romance bonzinho, deu para distrair. Porém, acordou perto das três da manhã morrendo de fome. Não tinha jantado direito, estava com raiva, mas agora estava com fome e esperou encontrar alguma coisa na cozinha. Lívia tinha dormido com o notebook ligado, deve ter pego no sono contra a própria vontade. Beijou os cabelos dela e levantou, com cuidado para não a acordar.

 

Isabela foi até a cozinha, abriu a geladeira, pegou queijo e salada para fazer um sanduíche rápido. Fechou a geladeira, começou a preparar no escuro mesmo e quando precisou procurar um copo e ia acendendo a luz, parou. Tinha ouvido alguma coisa. Olhou para fora, as portas eram de vidro e percebeu que tinha alguém caminhando para a casa de Siena. Não se alertou, viu logo que era uma garota, garotas se sentem mais seguras com garotas, é uma regra que nunca falha, se aproximou mais da porta e reconheceu quem era.

 

Era Giorgia. O jeito um tanto vacilante que ela caminhava indicava que devia ter bebido um pouco. Pegou o celular e fez uma ligação. Isabela olhou para cima, a varanda do quarto de Siena estava aberta, deu para vê-la atendendo o celular e então, em seguida, caminhando para a varanda. Calcinha, camisa masculina (já tinha notado que ela adorava camisas masculinas), nada mais. Era uma noite quente de verão, Isabela estava usando menos roupas ainda, estava de lingerie e só, foi tirando a roupa enquanto lia o livro.

 

— Desce aqui ou me deixa subir — Ela pediu baixinho.

— Gio, tem hóspedes, você está lembrando? — Siena respondeu no mesmo tom.

— Mais um motivo para você me deixar subir logo — Disse, mordendo a boca sorrindo.

 

E Siena… Entrou. Voltou e jogou a chave para ela.

 

Isabela mordeu seu sanduíche ali mesmo, vendo Giorgia destrancando a porta e subindo, e então a vendo aparecer no quarto de Siena e…

 

Respiração funda. Siena nem deixou a menina dizer nada, foi a pegando pela nuca, por baixo dos cabelos, a beijando, a empurrando para sobre a escrivaninha ao lado da cama. Tinham uma cama bem ali, mas este é um objeto que não faz parte da maioria das fantasias sexuais e Siena, bem, Siena tinha gosto de fantasia sexual. Giorgia cravou as pernas em volta da cintura dela, pegando o pescoço com a sua boca, outra mordida de Isabela no sanduíche, uma no seu próprio lábio quando viu Siena puxando a calcinha de Giorgia até o meio das coxas e a penetrando, firmemente, os músculos dos braços ativados, as mãos de Giorgia pelos braços dela, pelos quadris, por dentro da calcinha de Siena, Isabela não podia ouvir mais nada, mas podia imaginar o barulho quando Siena tapou a boca dela com a mão e seguiu a enlouquecendo com aquelas investidas tão firmes, deliciosas, de corpo inteiro.

 

Isabela assistiu mais do que deveria. E quando voltou para o quarto…

 

Mordeu a nuca de Lívia, agarrando seu seio e de tudo o que podia reclamar de sua esposa, ao menos uma coisa nunca poderia dizer nada:

 

— Eu já disse para você não ver pornô de madrugada… — Ela praticamente sussurrou, lhe fazendo rir.

— E se eu contar para você exatamente o que vi?

 

Contou exatamente o que tinha visto, com detalhes, como se estivesse narrando uma cena de um dos seus livros e sabia que Lívia enlouquecia assim, que não havia outra reação nela além de arrancar sua lingerie, lhe pegar pela nuca e lhe deixar louca de vontade, outra reação além de tomar Isabela tão gostoso a ponto de deixar seu abdômen dolorido pelo tanto de vezes que ela tinha lhe feito gozar, e tê-la na sua boca… Ter Lívia na sua boca seguia sendo a coisa preferida de Isabela no mundo inteiro. Fizeram um amor muito forte, muito agarrado, cheio de marcas, mordidas e aquele olho no olho que…

 

Isabela era louca por ela por causa disso. Louca porque ela seguia lhe pegando como se tivesse tirando a sua virgindade outra vez e Isabela nunca se cansava. Da boca, das mãos dela, o que sua mulher fazia na cama deveria ser proibido.

 

Tanto quanto o que ela fazia fora dela também.

 

Dormiu nas nuvens, porém só durou até o amanhecer.

 

Naquela manhã, acordou com Lívia colocando roupas numa mala e dizendo que já voltava, que teria que ir até São Paulo para uma reunião, disse assim, como se estivesse indo até a esquina e já voltasse. Que era para Isabela ficar, aproveitar a casa, começar a escrever alguma coisa, voltava em alguns dias e ficariam até o meio do próximo mês, prometia, tudo iria ficar bem.

 

Foi a gota d’água. Tiveram a pior briga da qual Isabela se lembrava, enquanto gritava com ela nua em pele, não acreditando que ela ia mesmo fazer aquilo, que teria coragem, era o casamento delas! A droga do casamento delas que estava afundando e ainda assim, Lívia só conseguia pensar naquela maldita empresa! Ela não respondeu quase nada, só seguiu fazendo uma mala rápida, checando alguma coisa no celular, Isabela colocou um roupão e não acreditou que não estava sendo ouvida!

 

— Lívia, eu estou falando com você! — Arrancou o Iphone da mão dela e quando o aparelho despedaçou a janela de vidro, Giorgia que estava passando do lado de fora quase foi atingida.

— Você…! — Lívia a agarrou pelos punhos, a empurrando contra a porta e Isabela não tinha ideia do que poderia ter acontecido se…

— Lívia? Estão ligando para você no telefone da sala — Era a voz de Siena do outro lado da porta.

 

Lívia lhe soltou.

 

— O que ela faz tão cedo aqui?

— Ela faz o seu café da manhã. Assinado por uma chef italiana em ascensão. Um luxo que você pode pagar, mas não pode aproveitar.

 

Lívia não disse mais nada. Apenas pegou a mala e saiu do quarto, Isabela ouviu a voz dela lá fora, dizendo que a ligação tinha caído e então a viu do outro lado da janela de vidro, pegando o celular que ainda estava tocando no chão. Ela lhe olhou, não disse mais nada, apenas atendeu o celular e foi embora de qualquer maneira.

 

Isabela teve uma longa crise de choro. De verdade, nem sabia se ainda podia chorar por causa de Lívia e de seu casamento fracassado. Ainda estava seminua e Siena foi extremamente delicada enviando Giorgia para saber se estava tudo bem, se ela podia entrar. Permitiu que ela entrasse, se permitiu ser ajudada por ela, que lhe convenceu a entrar num banho e ir para a sala tomar café, iria limpar o quarto, chamar o vidraceiro, estava tudo bem.

 

Estava e não estava. Na verdade, isso perdeu um pouco do sentido aquele dia.

 

Não conseguiu comer nada, mas tomou um chá que Siena lhe preparou. Ela lhe deu espaço suficiente e por aquele dia inteiro, Isabela apenas ficou pela casa. Leu algo na biblioteca, almoçou qualquer coisa, pensou e pensou em tudo. Não acreditava que Lívia tinha mesmo ido embora. De alguma forma esperou que ela desistisse e voltasse, porque no final das contas, relacionamentos ruins não duram sem pessoas esperançosas, Isabela era esperançosa. E boba. Viu o vidraceiro aparecer para trocar a janela, viu Giorgia dando um jeito em tudo e sendo o mais gentil que poderia exigir que ela fosse. Era uma energia diferente daquela que vinha de Siena. Recusou o almoço, ninguém insistiu, dormiu um pouco de tarde e pouco antes do pôr do sol, decidiu caminhar na praia.

 

Foi com Giorgia, ela já estava indo embora. Lhe deixou pela praia e subiu para ir pra casa, lhe desejando uma boa noite. O mar brilhava como todos os dias. O azul do Mediterrâneo era inconfundível, com o sol descendo para se pôr então, não havia cenário mais bonito. Olhou para os seus pés na areia, olhou para trás, para a casa branca de pedra, reinante naquele pedaço de praia, dando a aqueles que a habitavam o privilégio daquelas cores.

 

Ainda não acreditava que estava ali sozinha, olhando para aquele fim de tarde. Não estava acreditando que Lívia tinha mesmo ido embora. Respirou fundo, passou as mãos pelos próprios braços.

 

Aquele cenário inspirava romance.

 

— Você deveria entrar — Ela disse de repente, tão sorrateira quanto naquela primeira vez que lhe abordou assim.

— Siena...

— Eu estou preparando um jantar mediterrâneo, você me disse que adora comida mediterrânea, Lívia detesta, então a pedido seu fiz apenas o que a sua esposa gostava por esses dias, mas agora...

— Eu estou cansada de fazer só o que a Lívia quer.

 

Siena sorriu.

 

— Entra. Tem o jantar, uma bela garrafa de vinho, o piano para você tocar.

 

Olhou para ela, sentindo seu coração batendo na garganta.

 

— Eu não quero ficar sozinha.

 

E Siena a olhou no fundo da alma:

 

— Também tem poemas galegos para eu ler para você, tem um romance seu em português para você ler em italiano para mim. De jeito nenhum eu prepararia uma noite assim, para você passar sozinha.

 

Notas do Capítulo Extra:

 

 

Olá, meninas!

 

Como vocês estão?

Domingo passado terminamos os extras provenientes da Batalha das Favoritas e agora, de fato, vamos começar com os conteúdos inéditos de 2019!

Pois então, aqui estamos com a versão explicit esquecida por quase um ano! Meninas, eu juro que tinha esquecido de Mediterrâneo, para mim, tinha postado as 4 versões explicits do primeiro Desafio Lettera, acontecido lá no começo de 2018, que nos rendeu Amaranthine (provável próxima história no site depois de 6 AM), Bali (que virou livro), A Cura (que pretendo disponibilizar em versão novela, que é mais curtinha, mas acrescentando alguns detalhes) e Mediterrâneo. Então há uns dois meses, alguém me chamou no Instagram me informando que o link para Mediterrâneo não estava funcionando e foi apenas quando me dei conta de que na verdade, não tinha postado a versão sem cortes.

Enfim, aqui estamos, finalmente, com a versão sem cortes de Mediterrâneo! Espero que tenham curtido a leitura e que queiram saber mais um pouquinho dessas personagens porque, é muito provável que Mediterrâneo vire livro, era o plano desde o começo, mas preciso do aval de vocês, é claro .

E agora vamos lá! Tem história nova chegando no site! 6 AM está prontinha para começar a ser postada e a data de estreia depende de vocês. 25 comentários, até às 23 horas da sexta-feira, dia 17/05 e o capítulo especial de estreia estará disponível no próximo domingo, dia 19!

 

Beijos! ❤️

 

 

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