6 AM - Capítulo 1 - Ívi

2/6/2019

 

  

Rio de Janeiro, agosto de 2016

 

Cuenta la leyenda, que todos nacemos con un hilo rojo invisible, atado a la persona que amaremos por toda la vida...

 

Seu coração estava embrulhado em desespero, mas ela se recusava a chorar. Se começasse a chorar, não iria parar, sabia que não iria, então precisava se acalmar e se dizer pela centésima vez que só estava fazendo aquilo porque não tinha saída.

 

Respirou muito fundo. Todas as suas coisas cabiam na mochila que levava nas costas. Checou o horário, iria amanhecer em breve e se tinha que fazer aquilo, tinha que fazer agora. Se olhou no espelho, seus olhos levemente puxados estavam tensos, o rosto de linhas bonitas estava preocupado, culpado, amarrou os cabelos castanhos num rabo de cavalo e se repetiu que era a única saída. Calçou seus patins e se certificou que eles não estavam fazendo barulho. Não estavam, estavam suaves, era quase nada. Abriu a janela do seu quarto, olhou para baixo, era o segundo andar e a Escadaria Selarón brilhou aos seus olhos. Os belíssimos degraus, fazia um silêncio estranho naquele horário, a escadaria vivia lotada de turistas e as casas haviam se tornado em sua maioria hostels ou casas de shows. Seu hostel em particular também era uma casa noturna de música cubana que tocava salsa e rumba pela noite inteira, nunca lhe deixando dormir como deveria. A escadaria era um verdadeiro clássico do Rio de Janeiro, com seus anos de história e seus inúmeros azulejos contemporâneos coloridos. Coloridos e escorregadios. Calculou a altura, dois metros, um pouquinho mais? Já tinha saltado dois metros.

 

Sim, conseguia fazer aquilo. Escreveu um bilhete pedindo desculpas e prometendo que voltaria em breve. E então, rompeu o silêncio da madrugada saltando a mureta da janela de dois metros para baixo.

 

De patins in line.

 

Os patins barulharam contra os azulejos e imediatamente, Ívi começou a descer. Ouviu o recepcionista de plantão gritando alguma coisa, o ouviu saindo do hostel e correndo atrás dela, mas bem, ele só tinha os próprios pés, ela tinha oito rodas de vantagem.

 

Falou firmemente consigo mesma, se proibindo de cair, não podia cair, não podia cair! A mochila a desequilibrou naturalmente para trás, mas Ívi deu um jeito de se recuperar, os joelhos dobrados, os braços buscando o equilíbrio, a respiração acelerada, o coração disparado, as rodas batendo enquanto desciam muito rápido! O vento batendo em seu rosto, a pulsação disparada em suas têmporas, os músculos enrijecidos, tensionados, no limite do corpo de Ívi para que ela não caísse e, pronto, final da escadaria! Jogou o corpo para a esquerda e seguiu disparando pela rua deserta de carros. Atravessou a rua principal e entrou numa viela bem apertada, patinando ferozmente, o mais rápido que podia, tão nervosa que nem percebeu que não tinha mais ninguém lhe seguindo, ele tinha ficado para trás há muito tempo. Saiu em outra rua, foi xingada por um morador de rua por causa do barulho das rodas, seguiu em frente, patinando mais rápido, mais firme, entrando e saindo de becos até que de repente, quando se deu conta, estava de frente para o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Seguiu patinando, ainda em fuga, ainda nervosa e só se convenceu de que deveria estar longe o suficiente quando percebeu que tinha chegado até o Píer de Pedras, atrás do Aeroporto Santos Dumont, de frente para a Marina da Glória.

 

Caiu no chão, porque estava exausta. Respirou fundo, tentando buscar um ar que não existia, estava morrendo de sede e saiu com tanto pânico que sequer lembrou que precisaria de água. Soltou as travas dos patins, tirou de seus pés, suas canelas estavam doendo demais por causa da pressão causada pela descida intensa na escadaria, pelo longo período em que seguiu patinando, seus músculos estavam queimando, exaustos, tanto que pareciam ter soltado litros de ácido lático que estavam fazendo seu corpo inteiro tremer. Tudo bem, tinha conseguido. Checou o relógio em seu pulso, eram 6 AM, eram seis da manhã.

 

E Ívi estava com dez reais no bolso e tinha deixado uma dívida de mais mil naquele hostel.

 

Chorou por uma hora inteira. Chorou dolorosamente, comprimindo seu corpo inteiro, chorou assistindo o sol subindo, vendo os voos chegando, os barcos partindo. O que faria? Agora tinha saído do hostel e não tinha ideia do que iria fazer. Mas de qualquer forma, não podia ficar lá deixando uma dívida crescer enquanto não tinha nenhuma perspectiva de conseguir dinheiro. Fugir não havia sido a decisão mais honesta, mas havia sido a mais honrosa.

 

— Não chora, não se envergonha — Disse em voz alta para si mesma — Você vai voltar lá e pagar essa dívida.

 

E se disse isso num tom tão confiante que conseguiu levantar. Puxou o ar bem fundo, calçou os patins novamente, agora tinha que ir até a Urca pegar seu equipamento. Era DJ e o que tinha de mais valioso era sua guitarra e seu equipamento que estavam respectivamente num estojo que costumava levar nas costas, e numa mala pequena de puxar. Sua mãe tinha trabalhado duas semanas inteiras para poder economizar um dinheiro para comprar aquela mala. Sua filha iria para o Rio de Janeiro! A convite de um empresário, se tudo desse certo, isso podia mudar a sua vida!

 

Sua mãe era camareira e trabalhava em várias pousadas diferentes em Maragogi, no interior do Alagoas. Seu pai era funileiro de embarcações, também ganhava muito pouco e Ívi, bem, estava começando a ganhar algum dinheiro como DJ quando numa determinada festa, cruzou com esse cara que lhe disse que era empresário no Rio de Janeiro. Eles conversaram muito, ele lhe disse que era um desperdício alguém com o seu talento e a sua beleza estar perdida por festinhas no interior do nordeste, disse que ela era diferente, que tinha vibe de artista, que não podia continuar naquela vidinha conformada, fazendo faculdade e tocando de final de semana feito gente normal.

 

Ele a convidou para ir para o Rio de Janeiro, lhe deu telefone, endereço, tudo, ela só tinha que ir e ele daria um jeito de colocá-la para tocar nas melhores baladas da cidade.

 

Ívi era tão diferente que acreditou no conto do vigário igual a uma menina inocente do interior.

 

Juntou todo o dinheiro que tinha recebido dos seus últimos cachês e entrou num ônibus para Maceió onde pegou um voo pela primeira vez na vida, com destino ao Rio de Janeiro. E nunca esqueceria o que sentiu quando aquela cidade maravilhosa começou a se mostrar, em todas as suas cores, o seu clima, ficou tão empolgada que até esqueceu que entre conexões, já estava viajando há dois dias! Tinha pegado o voo mais barato possível, não fazia mal, podia fazer aquilo, algo muito maior lhe esperava no final daquela verdadeira jornada. Chegou e começou a ligar para o tal empresário e lá pela décima hora tentando, Ívi percebeu que tinha sido enganada.

 

E muito enganada.

 

Enganada por quinhentos reais. Foi o que ele pediu que ela depositasse para adiantar um lugar para ela ficar. Foi quando o seu desespero começou, tinha mais quatrocentos reais no bolso e só, ficou vagando um dia inteiro se perguntando o que deveria fazer e quando se deu conta, estava na Escadaria Selarón e alguém perguntou se ela estava procurando um lugar para ficar. Estava e esse era um outro problema, os Jogos Olímpicos do Rio iriam começar em pouco tempo e a cidade estava lotada, não havia vaga em lugar nenhum. Decidiu pegar aquele hostel só para ter onde dormir. Era só disso que precisava, dormir em segurança, iria descobrir o que fazer pela manhã, sabia que ia descobrir.

 

Decidiu não contar para os seus pais o que tinha acontecido. Eles ficariam desesperados e não poderiam fazer nada de qualquer forma. Ívi havia vindo tocar, não havia? E não fazia isso muito bem em Alagoas? Poderia fazer o mesmo no Rio, não precisava de empresário nenhum para fazer o que sabia.

 

E foi então que aqueles últimos dias lhe mostraram que talvez ela precisasse sim.

 

Vagou dia e noite pedindo oportunidades, passou por todos os bares da Lapa, ninguém parecia interessado, depois expandiu para outros bairros, foi para Urca, para Ipanema, Copacabana, era nesses lugares que estavam os estabelecimentos onde sua arte seria bem vista, o problema é que não conhecia ninguém e não tinha dinheiro para entrar onde precisava, então também tudo o que recebeu foi porta na cara. Conseguiu algum dinheiro como garçonete em Copacabana, mas só durou duas noites, começou a procurar qualquer emprego que fosse, mas a cidade estava fervendo de gringos e ela não falava inglês, era a primeira coisa que lhe perguntavam. Fora a violência.

 

Já haviam tentado lhe roubar diversas vezes, a primeira, um herói apareceu para lhe salvar, na segunda, correu atrás do pivete que tinha levado sua guitarra absolutamente por impulso, recuperou o instrumento, o colocou para correr e chorou de nervoso por horas. Nem acreditava no que tinha feito. Então houve a fome, o medo, o assédio. Novas tentativas de assalto que ela acabou endurecendo em tempo recorde para enfrentar. Passou por essas coisas todos os dias, mas se recusava a desistir, saía sempre, ia à luta, tentava qualquer coisa que fosse, conseguia um dinheiro ou outro, mas obviamente, não seria o suficiente. Tentou todas as noites, todos os dias, mas agora estava ali, dezessete dias depois, com dez reais no bolso e nenhuma perspectiva.

 

Tudo bem, levantar e ir em frente como todos os dias, era o que precisava fazer. Patinou até a Urca para buscar seus equipamentos e ficou imensamente feliz por ter confiado na pessoa certa. Na noite anterior tinha decidido que precisava desocupar o hostel sem pagar, mas nunca conseguiria fugir tendo que puxar mais uma mala e carregando um estojo nas costas, então pediu para um senhor, dono de uma banca de revistas se ele poderia guardar aquelas coisas até o dia seguinte, ele disse que sim e agora estava lhe devolvendo exatamente como tinha prometido. Ela perguntou se ele tinha água, ele lhe deu uma garrafa, não deixou que ela pagasse.

 

— Precisa ter cuidado, filha. Você é muito bonita e esta cidade muito perigosa.

 

Bem, dessa parte ninguém precisava lhe alertar, o quanto aquela cidade era perigosa já sabia muito bem. Pegou todas as suas coisas, agradeceu imensamente e não conseguia patinar mais, então andou, absolutamente sem rumo. Foi seguindo por dentro e quando pôde, desceu para pegar a orla, os Jogos Olímpicos tinham começado há três dias e agora a cidade estava fervendo. Ficou pela orla, andava um pouco, então sentava, olhava o mar, pensava. O celular pesava em sua mão, mas não tinha coragem de ligar para sua mãe e contar a verdade. Tinha se metido naquela situação sozinha, iria se livrar dela sozinha também.

 

Pensou em pegar sua guitarra e tocar, em um dia normal até conseguiria alguma coisa, mas com tantas atrações pela orla era impossível. A arena de vôlei de praia fazia uma barulheira enorme e havia quase tantos artistas quanto turistas naquela calçada. Era um dia sem sol, nublado, estava frio para ela que não era nada habituada a não ter um sol exclusivo sobre a sua cabeça. Então ficou com fome, checou o relógio e eram duas da tarde, quase três, andou quase uma hora para conseguir algo que pudesse comprar. Comprou apenas pão, cinco reais de pão, pão iria lhe sustentar, guardou os outros cinco e se obrigou a pensar no que fazer, a encontrar uma saída.

 

Nada. Nada lhe vinha em mente. Voltou a andar, ficar em movimento lhe dava a falsa ideia de que ao menos estava fazendo alguma coisa, subiu uma das ruas de Copacabana, a mochila pesava, o estojo pesava, puxar sua mala estava começando a doer, repassava em sua cabeça as pessoas para quem podia ligar. Tinha ficado com algumas garotas, mas não fazia o menor sentido ligar para alguém que mal conhecia e perguntar se podia passar a noite. Tinha conhecido alguns caras também, mas ligar e dizer algo do tipo podia enviar a mensagem errada. Subiu a rua inteira e parou, exausta. Sentou-se numa calçada, de olho nas suas coisas, pegou um dos pães que tinha comprado e comeu só de uma vez. Estava faminta, estava com sede, checou o relógio e iria anoitecer em breve. Puxou sua mala mais para perto e então percebeu algo brilhando no chão.

 

Esticou a mão e era um cartão, muito bonito, cheio de cores, verde, azul, amarelo, laranja e o símbolo das Olimpíadas em cima. Era um cartão de metrô. Ergueu os olhos e tinha uma estação bem à sua frente. Por motivo nenhum, pegou o cartão e atravessou a rua, as chances de ser um cartão zerado descartado por um turista mal-educado era enorme, mas nem pensou muito nisso. Se passasse na catraca, ok, se não voltava para sua calçada. Bem, o cartão passou e ela seguiu em frente pisando firme com suas botas cano curto para lugar nenhum. Tinha colocado suas botas, se sentia quase invencível nos dias em que usava botas, precisava se sentir invencível aquele dia em especial. Pegou uma escada, desceu para uma plataforma e só então viu que era o metrô em direção à Barra da Tijuca. O vagão parou, estava lotado, é claro, ela entrou com a massa.

 

Do metrô onde estava até o Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, leva-se exatamente 18 minutos. Ela contou na terceira vez que foi e voltou por aquele metrô. Fez o caminho inteiro até a Barra, desembarcou, trocou de plataforma e fez de novo. Daí pegou o metrô de volta e foi até o final da linha. Desceu, trocou de plataforma, voltou para a Barra, viu o metrô ficando vazio e enchendo novamente, ouviu a saudação da chegada na Barra umas dez vezes, então ficou um pouco do lado de fora, simplesmente sentada, pensando nas coisas e aconteceu de novo, a ansiedade por não estar em movimento. Pegou o metrô mais uma vez, conseguiu um lugar, arrumou suas coisas, mais turistas, mais estrangeiros, mais idiomas que ela não conhecia, o clima de festa, de camisas e torcidas, respirou muito fundo. O que iria fazer quando tivesse que sair daquele metrô? Onde iria dormir? Baixou a cabeça, tapando os ouvidos, o som seco do metrô, as pessoas falando, as risadas, as vozes altas, checou o relógio novamente e agora sim, já havia anoitecido e ainda não tinha ideia de nada.

 

O metrô parou, a multidão desceu, mas desta vez, foram poucas pessoas a subir. Respirou fundo novamente, estava ficando com fome outra vez, estava sentindo sede, sacudiu a cabeça, tentando focar a sua mente, desviar da fome, da sede, do medo. O metrô parou, gente descendo, gente subindo, checou o celular mais uma vez, mensagem da única pessoa que sabia o que estava acontecendo. Ela estava tentando desesperadamente conseguir algum dinheiro para lhe ajudar, mas até então, nada, ela estava tão desesperada quanto Ívi e enquanto seus olhos estavam na tela, tensos, molhados e desesperados, subitamente, sua atenção foi roubada pela sua visão periférica.

 

Roubou os olhos de Ívi em segundos.

 

A menina linda que tinha acabado de subir.

 

Toda delicada e mignon, de vestidinho preto, justo, que gritava à grife italiana, os cabelos longos castanhos-brilhantes que clareavam para as pontas jogados de lado, maquiagem leve, de olhos destacados e boca discreta num rosto que não precisava nem disso. Ela parecia uma caucasiana caprichosamente tratada pelo sol que a deixou com um tom lindo na pele, os traços que desenhavam aquele rosto atraente eram suaves e aristocráticos, os saltos não deixavam dúvida de que ela estava vestida para a balada, o decote elegante, mostrando o colo, as curvas delicadas de um corpo bonito, certinho, suave. Ela emanava suavidade e beleza como uma fragrância natural. Notou uma pulseira diferente no punho dela, não parecia uma pulseira, parecia mais um colar que tinha sido improvisado ali, por cima da manga longa e transparente do vestido. Não buscou lugar apesar de terem muitos, ela foi para o meio, se mantendo equilibrada por um dos postes de apoio do centro enquanto mexia no celular.

 

Que bonita, a mente de Ívi se repetiu. Será que era gringa? Ívi tinha entendido no Rio de Janeiro que gringo nem sempre é loiro ou tem olho azul, aparentemente os pivetes que tentavam lhe assaltar todos os dias também sabiam disso, Ívi era naturalmente morena e era mais ainda por conta do trabalho da guarderia que fazia nas praias para complementar sua renda e ainda assim, os pivetes viviam lhe confundindo com alguém que tinha dólares e não reais no bolso, mas ok. Ficou admirando sua menina bonita até que na próxima parada o vagão se encheu de torcedores argentinos.

 

Cantando, bagunçando, causando uma confusão enorme e pronto, lá se foi, perdeu sua gringa de vista e voltou para os seus problemas. Pensando sobre o que fazer, onde dormir, será que conseguia dormir no metrô? Será que iriam lhe pôr para fora se tentasse? Checou o celular novamente, que lhe mostrou as horas e apagou na sua mão, totalmente sem bateria. E desta vez, não conseguiu segurar mais e uma enorme crise de choro cresceu em sua garganta e tomou o seu corpo.

 

Era sério que havia anoitecido e não tinha mesmo o que fazer? Que não ia conseguir descobrir como resolver? Que não tinha saída? Não podia dormir na rua. Se dormisse iriam lhe roubar, lhe machucar, tentar coisa pior. Podia tentar vender seu equipamento, mas ainda assim, tinha uma noite pela frente antes de conseguir tentar. Mas só de pensar no quanto que trabalhou para conseguir aquelas coisas, no quanto sua mãe e seu pai trabalharam, no quanto... Outra crise de choro desesperada enquanto os argentinos cantavam, o medo lhe invadindo com violência, um tremor lhe tomando o corpo, baixou a cabeça, tentando se controlar, parar de chorar, chorar não iria resolver nada e era um choro ruidoso, cheio de soluços, os olhos embaçando pelas lágrimas, precisava parar, precisava se acalmar, precisava...

 

Foi quando sentiu mãos delicadamente ancorando em seus pulsos e isto causou uma ruptura no tempo.

 

Foi assim que sentiu. Percebeu aquelas mãos e então o tempo rompeu por um instante enquanto ergueu o rosto buscando de onde vinha aquele toque. O tempo quebrou quando seus olhos encontraram aqueles olhos intensos. A dor estagnou. O medo também. De repente os argentinos desapareceram e ela ficou tão dentro daqueles olhos que estavam tão perto que levou um tempo para entender quem era.

 

Era a sua menina bonita.

 

Abaixada bem à sua frente, segurando seus punhos suavemente e agora lhe abrindo um sorriso lindo, luminoso, tão cheio de coisas boas que por aquele momento, tudo melhorou por dentro. O choro de Ívi estancou, os problemas também, os argentinos fizeram uma pausa e o tempo... Ah, sim, o tempo ainda estava rompido.

 

Rompido dentro daqueles olhos bonitos.

 

— Ei, oi... — Ela enfim disse alguma coisa, pode ter levado dois segundos ou dois minutos, o tempo estava rompido, Ívi não fazia ideia — Você precisa de alguma ajuda? É que eu estava te olhando dali, daí você começou a chorar e eu fiquei desesperada — Ela lhe contou sorrindo.

 

— Você estava... Me olhando? — Perguntou, acalmando-se por dentro por um instante.

 

Ela abriu outro sorriso luminoso.

 

— Ficou esquisito, não é? Eu não estava te olhando de nenhuma maneira estranha, é que você chamou a minha atenção e daí que eu fiquei te olhando, e… Agora estou te tocando sem permissão — Ela se deu conta que não tinha lhe soltado, moveu os dedos para soltar, mas Ívi não deixou. Ela soltou seus pulsos, mas o impulso de Ívi segurou as mãos dela por perto instintivamente.

 

— Que cor é essa no teu olho?

 

Mais um sorriso dela. Ívi estava confusa mesmo, não dava para dizer que cor eram os olhos dela, não eram castanhos não, eram um outro colorido, mas que não dava para definir.

 

Nem a cor, nem o olhar. Menos ainda o movimento. Os dedos pegados se encaixaram uns pelos outros de maneira quase inconsciente e quando ela guardou a sua mão entre as mãos dela, Ívi ficou… Se sentiu novamente como a adolescente tímida que havia sido, não querendo tocar nenhuma menina demais porque, bem, era gay e algumas meninas queria mesmo tocar um pouco mais, e como achava que não devia, sempre acabava tendo medo de se mover. Teve medo de se mover. Fazia tempo que não acontecia, mas aconteceu naquele momento.

 

— Eu nunca sei responder — Ela abriu outro sorriso lindo — Acho que depende do dia ou do que você vê. Você está sentindo alguma coisa?

 

Ívi pensou sobre o que podia contar sem parecer maluca. Daí esqueceu de suas próprias instruções assim que abriu a boca.

 

— Não, não é isso, é que... Eu não sou daqui, sou de Alagoas, sabe? Eu vim pra cá para trabalhar, mas eu fui enganada, as coisas deram muito errado, eu não consegui emprego e agora eu não tenho para onde ir, tive que sair do hostel, porque não podia ficar devendo mais, mas agora que eu saí, não sei o que fazer, não sei como resolver, já anoiteceu e eu não tenho uma solução, estou com medo, eu… — E já estava chorando de soluçar outra vez e sua desconhecida, bem, sua desconhecida lhe puxou para perto.

 

Com aquele sorriso luminoso aberto, apoiando a parte de trás da sua cabeça, tocando os seus cabelos, de uma maneira que fez a respiração de Ívi enervar inteira pelo seu peito para então suavemente se soltar ao sentir a proximidade que ela estava de si.

 

— Tudo bem, calma, tudo bem, respira, respira, isso… — E as mãos dela já estavam nos seus cabelos, os olhos bonitos tão perto dos seus, e… Ívi se acalmou. Com as mãos dela, ou a proximidade, não sabia bem, quando ela tinha chegado tão perto? — Você não está indo para nenhum lugar, é isso? — Ela perguntou, lhe olhando bem dentro dos seus olhos, extremamente confortável com a não distância em que estavam. Mas Ívi ficou nervosa de novo.

— Eu… Eu não tenho para onde ir.

 

O metrô começou a parar.

 

— Se você não tem para onde ir, desce aqui comigo. É Jardim Oceânico, eu preciso descer, é a minha parada. Desce comigo, não chora mais não, vamos conversar um pouco.

 

Olhos nos olhos. Respiração na garganta.

 

Ívi desceu com ela quando o metrô parou. Sentaram-se naquela estação-aquário lado a lado enquanto ela pedia que Ívi se acalmasse e então contasse o que estava acontecendo. Contou tudo para ela. Desde o começo. Contou que era DJ, que tocava no interior de Alagoas, contou do falso empresário, da viagem ao Rio de Janeiro, de como tinha sido enganada, dos perigos que passou e que não tinha para onde ir, não estava conseguindo pensar no que fazer e por isso tinha terminado chorando copiosamente num trem lotado de argentinos.

 

— Eu tinha que sair de lá, não podia continuar dando prejuízos se não tinha perspectiva de como pagar e agora... — Respirou fundo, já tinha parado de chorar, mas não tinha se acalmado totalmente — Desculpa, é um Valentino? — Se referiu ao vestido dela que era ainda mais bonito olhando assim de perto. Ívi não era muito de vestidos, mas tinha DNA italiano, a moda lhe beliscava o interesse vez ou outra. Não era bem o caso agora, mas estava olhando para aquela menina demais e não a queria desconfortável com isso. Não que ela parecesse desconfortável, enfim.

 

Ela sorriu novamente.

 

— Podia ser um Valentino ou um Versace, não acha?

— Podia, é tão bonito.

— Pois então, é um Domènech.

— Um Domènech? — Não conhecia muitos estilistas, aquele conhecia menos ainda, deixou para lá — Você conhece alguém que compraria uma guitarra?

— Você tem uma guitarra aqui? — Perguntou, tocando o estojo — Eu pensei que fosse um violão.

— É que... — Deu vontade de chorar de novo — Eu tive que deixar o violão lá no hostel, quis me deixar uma garantia que vou mesmo voltar, porque é o violão que o meu pai me deu e... Foi o meu pai que me deu. Mas como combina menos com as batidas, eu preferi deixar o violão.

 

Silêncio. O tempo ainda não parecia bem restabelecido, parecia rompido de alguma forma, estavam sentadas muito lado a lado e ambas seguravam a borda do banco, as mãos juntas, quase se tocando, como se os dedos fossem imã e metal, inevitavelmente se atraindo. Estavam conversando fazia quase vinte minutos e existia uma vontade de encostar nela que não passava, Ívi não sabia explicar e menos ainda dizer se aquele magnetismo acometia a moça também. Ela parecia tão calma e serena o tempo todo.

 

— Então você também toca violão?

— E bateria, piano também, eu sou muito desocupada.

 

Mais um sorriso dela para sua conta.

 

— Os seus dedos são tão longos.

— Oi? — Ívi caiu no riso, que detalhe para ela ter notado!

— É que olha as suas mãos! Eu achei que tocasse piano por causa dos dedos longos — Ela não perdia aquele sorriso nem um instante — A minha irmã também toca piano, eu já a ouvi falando sobre “mãos de pianista” algumas vezes.

— Foi assim que a minha maestrina me recrutou, ela disse que eu tinha dedos de pianista, foi o primeiro instrumento que eu aprendi, enfim. Eu tenho um teclado em casa, mas para cá só trouxe o violão e a guitarra.

— E as suas coisas de DJ.

— Isso, foi o que eu trouxe.

— E seu plano até agora é ficar dentro do metrô até alguém te expulsar de lá?

 

Ívi pensou um pouco. Baixou a cabeça e começou a chorar tudo de novo, entrando em desespero novamente.

 

— Ei, ei, ei, calma, calma — E ela lhe abraçou sorrindo, inesperada e plenamente, apertando Ívi nos braços, lhe deixando chorar em seu ombro tudo o que ainda precisava chorar, pondo para fora aquele desespero em sua garganta, aquele medo em seu coração, ainda estava sentindo todos os temores de antes, mas poder chorar nos braços de alguém era muito melhor do que simplesmente chorar sozinha. Ela lhe consolou sem perder o sorriso doce — Não chora não, se acalma, por favor, está tudo bem…

 

Não estava tudo bem, mas poder chorar nos braços dela de alguma forma aliviou algumas coisas. Ela lhe deixou chorar naquele longo e caloroso abraço e abraçadas daquela maneira tão boa elas ficaram por quase dois minutos inteiros, Ívi ainda não sabia dizer bem por que o tempo ainda seguia passando diferente. A pele dela macia e cheirosa, a calma com a qual falou com Ívi o tempo todo, lhe ouvindo com atenção, ela era tão delicada, e tinha algo de extremamente protetor sobre ela. Uma proteção da qual Ívi só queria ficar sob um pouco mais. Ficou junto dela o máximo que podia, se sentindo segura e em paz. Era tudo o que precisava, segurança e paz, fosse por alguns minutos. E no final daquele abraço longo, ela suavemente lhe afastou, apenas o corpo, mantendo os olhos ainda muito perto dos seus. Tempo restabelecido, silêncio rompido.

 

— Tudo bem, está tudo bem, isso, calma — Limpou suas lágrimas delicadamente com os dedos e então, lhe abriu outro sorriso luminoso — Ok, por que a gente não vai numa festa?

 

E desta vez o sorriso foi de Ívi.

 

— Uma festa?

— É, eu estava trabalhando, daí me arrumei por lá mesmo para não perder a hora e minhas amigas já deveriam estar aqui, mas como elas estão atrasadas... Eu moro aqui perto, cinco minutinhos, a gente pode ir em casa, você guarda o seu equipamento e vai com a gente, o que acha?

 

Ívi a achou levemente maluca.

 

E dois minutos depois estava caminhando ao lado dela em direção ao tal apartamento. Não ficava mesmo longe, era um prédio antigo, com farmácia, padaria e lavanderia embaixo e foi maravilhoso entrar em algum lugar que não fosse público novamente. Ainda que fosse daquela forma, apenas para deixar os seus equipamentos e... Ir para uma balada. Que esquisito estar indo para uma balada quando sequer tinha onde dormir. Mas quando não se tem lugar para ir, qualquer lugar é destino, existe uma certeza irrefutável nisso.

 

Subiram pelo elevador enquanto ela lhe perguntava uma coisa ou outra e aquela menina não parava de ficar bonita, Ívi queria saber qual era a mágica. O sorriso fácil, os cabelos longos que brilhavam tanto quanto aqueles olhos de cores não-nomeadas. Mas se olhar no espelho ao lado dela deixou Ívi com vergonha. Estava suja por causa do dia, cheia de poeira, areia, com os cabelos desgrenhados, sem maquiagem e, agradeceu muito por não estar fedendo. Não tinha certeza, mas quando ficaram sozinhas perto assim, deu para ter certeza. E ela lhe abraçou mesmo assim. Duas vezes. E então descobriu que o tempo rompido acometia a sua menina bonita também. Ela lhe olhou de uma maneira muito particular enquanto estavam naquele silêncio não planejado. E então, abriu outro sorriso.

 

— Sabe o que “aturdida” significa?

— É português?

— Eu acho que também é, mas eu conheço em espanhol, é um estado emocional em que se é acometido por alguma coisa tão forte e tão de repente que não se consegue pensar direito. Aturdida — Ela repetiu sorrindo, com sotaque — Te ver chorando me deixou assim.

 

Ívi seguia olhando para ela, também sorrindo.

 

— Você falando comigo de repente me causou a mesma coisa.

 

Ela apenas sorriu e não disse mais nada até chegarem ao apartamento. Que era bem simples e com mais cômodos do que parecia suportar. Entrava-se e a esquerda era a cozinha, a direita a sala de estar, onde duas garotas estavam terminando de se arrumar sentadinhas de frente a um enorme espelho e bem, havia papel, desenhos e instrumentos musicais por todos os lados. Contou um teclado, um violão deixado de lado, restos de tecido, lápis coloridos, câmera, microfone, notebook, livros, todo tipo de coisa.

 

— Vocês já olharam a hora? Nós estamos atrasadas!

— Eu sei! Mas você conhece a Thai, a relação dela com o tempo é relativo, o atraso sempre é culpa dela... — A mais sorridente respondeu, morena, cabelos negros e compridos até o meio das costas, bonita, sim, claro, tanto quanto a outra também era.

— Como se você estivesse muito pronta, não é, cariño? — Respondeu abrindo outro sorriso, ela estava sempre sorrindo — Espera, eu trouxe alguém, quero apresentar a... — Olhou para Ívi e, ambas sorriram. Automaticamente abriram sorrisos uma para outra se dando conta de uma coisa — Eu não sei o seu nome.

— A gente não se disse.

— Não deu tempo, desculpa, aturdida, lembra? — Mais sorrisos — Meu nome é Laura, a maluca que abordou você no metrô.

Ívi abriu um luminoso sorriso. A luz dela pegava.

— Ívi. A maluca que estava chorando copiosamente.

— Espera, vocês estão se conhecendo agora, é isso mesmo? — A outra moça perguntou sorrindo. Cabelos cacheados, olhos lindos, cor de mel num tom que Ívi não lembrava de ter visto em humanos, no máximo podia ter visto em algum felino e olhe lá, eram bonitos demais.

— A gente já se conheceu lá no metrô, eu só não perguntei o nome dela. Meninas, essa moça aqui é a Ívi, e Ívi, essas são as minhas amigas, as rainhas do atraso, Karime Echevarría, La Eche, esta menina linda aqui — Era a morena de cabelos compridos que Laura se abaixou para abraçar carinhosamente.

— Ívi! Bem-vinda ao nosso humilde apartamento, juro que ele não é esta zona sempre não, tá? — Ela lhe disse sorridentemente.

— Não é mesmo, é que tivemos uma semana atípica. E esta outra menina linda aqui é a Thai, Thai Domenèch.

 

E imediatamente, Ívi se deu conta.

 

— Ela fez o seu vestido!

— Esta é a estilista! Ela adorou o vestido, Thai.

— Sério? — A garota abriu um sorriso lindo olhando Ívi através do espelho enquanto se maquiava — Que bom que você curtiu! E olha, é o vestido das sobras, sabe costureira que veste as filhas com resto de tecido alheio? Foi assim que eu vesti a Laura hoje — Ela respondeu simpaticamente — É que ela é linda assim, daí sempre parece que está usando algo caro...

 

Laura respondeu beijando os cabelos dela com carinho.

 

— Não é resto de tecido, é um Domenèch, veja bem — Ela disse sorrindo, a guardando nos braços — Ficou lindo demais, Thai...

Feliz aniversário — Beijou o braço de Laura com carinho — Foi o que deu para fazer, amor, você não podia ficar sem presente.

 

Laura beijou a mão dela, carinhosamente.

 

— Eu amei o meu presente, é lindo, exclusivo e, vai valer milhões no futuro — Disse, a fazendo rir e então levantou, voltando para perto de Ívi, usando um tom apenas para ela ouvir — Escuta, você precisa de alguma coisa? Água, comer algo?

— Seria um abuso se eu pedisse para usar o banheiro?

— Claro que não, eu te mostro o caminho.

 

Laura a levou para o seu quarto, mostrou o banheiro e da maneira mais delicada que conseguiu, disse que Ívi podia usar o chuveiro se quisesse. E era justamente o que estava querendo, agradeceu profundamente quando ela ofereceu.

 

— Juro que só vou levar 10 minutos.

— Elas ainda vão levar mais de 10 minutos, não se preocupe.

 

Laura a deixou à vontade e então voltou para a sala onde suas amigas estavam meio… Alvoroçadas!

 

— Menina, que metrô foi esse que você pegou, hein? Estou precisando pegar! O metrô, uma gata assim, trazer pra casa... — Lhe disse Karime imediatamente.

 

Laura abriu um sorriso.

 

— Vocês são tão bobas…

— Laura, pelo amor, ela é linda pra caramba, eu estou chocada... — Era Thai.

— Eu sei, não é uma coisa que dá para ignorar, a beleza dela chega antes de qualquer coisa. É agressiva e doce ao mesmo tempo, e… — Laura respirou fundo, ainda estava meio aturdida mesmo — Ela estava chorando no metrô e vocês sabem como eu sou.

— Na verdade, justamente por saber como você é me surpreendeu te ver trazendo uma estranha para casa desse jeito. A Julia e eu, tudo bem, inclusive, eu já trouxe uma linda desconhecida pra casa uma vez, lembra? — Disse Karime sorrindo e fazendo Laura sorrir — Eu até espero que a Thai faça algo do tipo, mas a certinha Laura Bueno a gente não espera não.

 

Laura sentou-se, pensando um pouco.

 

— Foi um impulso. Eu sei que é inesperado, mas quando eu a vi chorando, me deu um desespero, uma aflição que eu não consigo explicar e de repente, quando eu percebi, nós já estávamos aqui.

— Ei, não é uma crítica — Thai veio para o seu lado — Nós não estamos te criticando, só é inesperado mesmo.

— Eu também não estou me criticando, veja que coisa esquisita. Eu a chamei para ir à festa com a gente, acham que a Natalia consegue colocá-la para dentro?

— Com aquele corpaço, a Natalia paga para ela entrar na festa, Laura, não seja inocente...

 

Mais sorrisos. Mais Laura questionando a si mesma por um instante.

 

¿Dónde está Julia? — Perguntou de repente em sua língua nativa.

— Eu acho que ela vai direto para lá, disse pra gente não esperar por ela.

 

Laura respirou fundo, assistindo sua mente lhe retornando cenas em reflexos. Sua entrada no metrô, o momento em que a viu, o choro, o desespero, suas mãos tocando os punhos dela, que coisa tinha acontecido? Que coisa tinha lhe passado?

 

— Laura?

— Eu... Eu vou fazer alguma coisa para comer, se apressem um pouquinho.

Levantou e foi pra cozinha, mexeu numa coisa e outra, mais cenas retornando em reflexos, alguns sentimentos momentâneos também. Devia ser o efeito “aturdida” ainda perdurando.

 

Não ousou se mover até que tal efeito se acalmasse sob a sua pele.

Notas do Capítulo Extra:

 

Olá, meninas, batedoras de recordes! 😍😍😍

 

Meninas, o que foi aquela enxurrada de comentários no capítulo de pré-estreia, hein? დ Gente, vocês não sabem como deixaram esta autora feliz e, segura. Vocês não fazem ideia da ansiedade que é apresentar um trabalho novo, nunca se sabe se o texto irá agradar, ou se será subjugado, comparado a trabalhos anteriores, enfim, é um pacote de ansiedade que vem com cada trabalho novo e o melhor tipo de exorcizar essa ansiedade, é com uma resposta tão positiva como tivemos agora. Muito obrigada! De verdade!

 

Então, falando um pouquinho do capítulo, temos Ívi e Laura sendo apresentadas e o first look rapidinho de duas personagens que marcarão muita presença neste enredo! Eu tinha prometido cinco protagonistas há um tempo e em 6am teremos cinco protagonistas. A quinta estrela será apresentada no capítulo 2, intitulado “Laura”, onde teremos alguns desdobramentos interessantes e descobriremos qual será o final desta noite que Ívi estava temendo tanto. Espero que tenham curtido a leitura e, vamos aos negócios!

 

Para os quinze primeiros capítulos, teremos postagens semanais duplas e para que o próximo capítulo seja liberado na próxima quarta-feira, dia 05/06, precisaremos contar com 25 comentários até às 23:00, da terça-feira, dia 04/06. Ou seja, não deixe para comentar depois, os prazos serão curtinhos! Aliás, curtiram a postagem assim, cedinho? 😊 

 

Beijos! Bom domingo!

 

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