6 AM - Capítulo 11 - Kelsey

10/7/2019

 

 

 

O plano de Kelsey parecia extremamente bom, mas Laura ainda não fazia ideia se daria certo mesmo. A equipe tinha saído para dar uma volta pela cidade, cortesia da vitória do dia anterior, as garotas só teriam treino à tarde, ou seja, Kelsey estava livre até às quatorze e elas teriam o privilégio de ter quatro raríssimas horas juntas.

 

Não dava para dizer não. E nem para não querer que não acontecesse, motivos pelos quais Laura andava tão confusa ultimamente…

 

O plano dela era fazer Laura entrar com o crachá de voluntária, ela tinha ouvido algo sobre problemas nas identificações, que não estavam restringindo acesso e quem sabe? Depois que estivesse dentro, ela era uma atleta, ninguém notaria. Bem, deu tudo certo! Entrou como a voluntária guia-turística da equipe de hóquei feminina e assim que passou pelo portão, teve que trocar de roupa e quando enfiou a mão na mochila, percebeu que só estava com uma camisa de Ívi. Tinha guardado para ela. Bem, precisava trocar o uniforme, vestiu a camisa e sentiu algo no coração. Tinha o jeito dela, o cheiro dela e tudo era extremamente distinto e confuso. A ponto de lhe fazer querer descer e ter trinta minutos só para si, só para pensar e arrumar a bagunça na sua mente.

 

— O que foi, meu bem? — Kelsey lhe perguntou, tomando a mão dela na sua dentro da van. Laura tinha fama de ser turva, intransponível, mas tinha certeza que não estava funcionando agora.

— Nada, é que… — Encostou a cabeça no ombro dela, pensando em responder com algo que não envolvesse Ívi.

— Não queria vir?

— É claro que eu queria — A beijou, encontrando lugar pelos braços dela. Não era mentira, quis vir assim que ouviu e este era outro problema — É que a Julia não se comportou bem com você.

— Ela nunca se comporta, Laura. Mas eu dou créditos a ela por não ser desagradável comigo, ela é mau humorada, mas nunca desagradável. Ela é menina ainda, tentando superar você. Fico me imaginando nesta mesma fase… — Disse, fazendo Laura sorrir.

— Ah, já imagina essa mesma fase?

— Você tem uma mania irritante de querer me deixar… — Ela respondeu, beijando Laura novamente e a deixando...

 

Sorrindo, simplesmente sorrindo. Estar com Kelsey era sempre tão bom, tão tranquilo, nem sabia explicar. A van parou, as garotas desceram e Laura deu uma olhada na Vila Olímpica. Era tudo tão bonito e no lugar!

 

— O que você quer fazer primeiro? Conhecer a vila ou conhecer meu quarto?

— Como assim vai dar para conhecer o seu quarto? — Laura perguntou sorrindo.

— Eu tenho um plano infalível para isso também…

 

Decidiram pôr à prova o plano infalível primeiro. Subiram por um elevador de serviço, a colega de quarto de Kelsey trocou de credencial com Laura e deu tudo certo! E o apartamento era uma delícia, todo arrumadinho, com uma varanda que Laura sequer se aproximou por motivos de…

 

Kelsey a beijou logo na entrada.

 

A beijou, a puxando pela cintura, a grudando contra o seu corpo suavemente, Kelsey era doce e delicada o tempo todo, era muito forte fisicamente, mas Laura nunca chegou nem perto de sentir o quanto, tinha uma parte sua que adorava sentir força, um pouquinho de pressão, mas com Kelsey, sequer vinha ao caso. Kelsey sempre lhe cuidava, sempre lhe tocava devagar e, sua britânica era linda demais. Tinha aqueles cabelos longos, castanhos claros, aqueles olhos azuis que deixavam Laura perdida o tempo todo e o sorriso dela…

 

Lá vinha, ela abriu aquele sorriso lindo enquanto levou Laura pra cama, a prendendo sob o seu corpo enquanto a beijava longamente e deixava suas mãos correrem livremente pelas laterais daquele corpaço que sua namorada tinha... Kelsey adorava as curvas, tão diferentes de suas outras namoradas, adorava a pele bronzeada e aquelas mãos que sempre, SEMPRE eram mais atrevidas que as suas. Laura subiu as mãos pelos seus quadris, os dedos censurando a camiseta, perto dos seios, puxando, tocando o colo e quando Kelsey deslizou a boca pelo pescoço dela bem devagar e afundou o corpo contra a parte baixa da cintura dela...

 

A vontade de Laura acelerou, os dedos agarraram aqueles braços firmes e no meio do beijo, mordeu a boca e deslizou o agasalho pelos seus ombros, a despindo porque sua mente ardia e exigia respostas, porque queria sentir a pele dela, o toque mais perto e Kelsey abriu um sorriso ao sentir aquela urgência. Tirou o agasalho e aos risos, deixou que Laura rolasse para cima de si, que lhe pressionasse com aquele corpo pelo qual era completamente louca, pelo qual suas mãos se atraíam desde o momento em que aquela brasileira maluca lhe acusou de ter estragado o seu taco de hóquei no meio de um campeonato. Escorregou as mãos pelo abdômen de Laura, firme, levemente muscular, o beijo gostoso, intenso e um corpo começando a reagir ao outro, as mãos passeando, puxando, apertando, a pele começando a esquentar e os batimentos acelerando enquanto se beijavam, deixando o tesão sonoro, audível, sensível.

 

— Eu juro que não te trouxe aqui para… — Mordeu um sorriso sentindo a boca de Laura na sua orelha.

— Eu sei, nem deve ter passado pela sua cabeça — Laura respondeu sorrindo e rindo outra vez, porque Kelsey lhe pegou pela cintura e com uma facilidade enorme se virou para sobre o seu corpo novamente — Kelsey!

— Nem passou, estou dizendo… — Ela respondeu sorrindo, descendo a boca pelo seu pescoço enquanto as pernas de Laura se enroscaram pela sua cintura.

— Aham, sei, eu já disse que sei, é claro que não…

 

Ela lhe olhou com aqueles olhos lindos, lhe beijou o colo com carinho.

 

— Eu quero muito você, você sabe que eu quero, quero há mais de um ano. Mas não tenho certeza se você quer tanto assim, Laura, se quer igual.

— Kelsey, você tem ido treinar marcada todos os dias… — Respondeu, olhando mais uma marquinha que tinha feito sem querer no último encontro e a fazendo rir. Ainda não tinham ido pra cama, mas dado os últimos encontros era só a cama mesmo que faltava, os cantos escuros de Deodoro felizmente não sabiam falar.

— Eu tenho notado essa parte, mas da última vez…

— Você ia embora. Não era para acontecer mais nada.

— Laura, eu não quero mais você pensando nisso — Ela pediu, buscando seus olhos novamente — Eventualmente, eu vou ter que ir embora, mas isso não vai impedir a gente de ficar junto se você não quiser que impeça. Eu vou ser campeã olímpica, amor. Eu vou assinar um contrato ainda maior com algum time importante. A distância hoje é totalmente relativa.

 

Laura seguia olhando para ela, tocando aqueles cabelos com carinho.

 

— Eu gosto da sua obstinação. De como tem certeza que as coisas vão acontecer.

— Eu estou com vinte e seis anos, Laura, não vou ser terceiro lugar de novo, eu provavelmente não chego em Tóquio para tentar novamente. Eu vou ser campeã agora, meu bem, daqui a dez dias, ninguém vai me impedir. Eu quero a medalha de ouro e quero aquela coroa, Laura. A coroa do hóquei dos jogos olímpicos de verão. No máximo, eu aceito deixar a minha coroa pra Megan — Era a goleira de sua equipe que estava pegando tudo nos jogos — Mas aquela medalha é minha. Aquela coroa é do meu país, ninguém vai ficar com ela. E sobre você… — Beijou o pescoço dela, olhou em seus olhos de novo — Você eu não posso conquistar só por vontade própria. Mas se a minha vontade e a sua se alinharem… Olha, eu tenho vinte e seis anos e não acho que vou encontrar outra de você para tentar de novo também… — Disse, a fazendo rir.

— Outra brasileira louca te acusando de coisas que você não fez, é provável que não. Você falou de mim para o jornal?

— Para um monte de jornais. Você é linda, é perfeita pra mim, eu quero que todo mundo saiba que é assim. Nós precisamos de representatividade positiva, meu bem, o time da Holanda também deu entrevista, deve ser o time mais gay desta Olimpíada, eu adoro a coragem e a leveza daquelas meninas. Espera, algum problema de eu ter falado de você? Eu nem te perguntei nada, desculpa.

— Nenhum problema, é claro que não — Deslizou as mãos pelos braços firmes de Kelsey, o corpo dela entre as suas pernas e a melhor parte de estar com Kelsey, era o controle. Estava com vontade de fazer amor com ela, estava, ficava louca quando Kelsey lhe tocava, mas por outro lado, era uma vontade controlável e que não doía em controlar. O que era muito diferente do que acontecia com Julia, e muitíssimo diferente do que estava acontecendo com Ívi.

 

Cada vez que tocava em Ívi seu discernimento ia embora, a vontade pulsava e Laura sentia que a qualquer momento, ia cancelar todas as suas responsabilidades e deixar acontecer. Era assim que sentia naqueles extremos com Ívi, quando ficava tão dividida, era como estar a centímetros de começar um incêndio perigoso, de proporções desastrosas. Tal aconteceu quando perdeu o discernimento com Julia e as coisas… Deram no que deram. Quando decidiu terminar com Juls, se prometeu que não mais investiria em relações que lhe tirassem de si, um amor calmo e tranquilo era um barco seguro a navegar por muito mais tempo. Kelsey era seu barco seguro e tranquilo. Que podia navegar por muito tempo antes de ser destruído por uma impetuosidade natural qualquer.

 

Só não esperava por Ívi. Que ia aparecer assim, para lhe roubar de si com tanta facilidade. Se perguntou pela enésima vez o que estava fazendo, o que estava sentindo e pela enésima vez, ficou sem uma resposta satisfatória.

 

— Ei, meu bem, o que foi? — Laura tinha ficado calada de repente.

E bem lentamente, Laura foi abrindo um a um os botões da camisa que vestia.

— Eu quero, Kelsey. Fazer amor.

 

E ela sequer precisava pedir duas vezes.

Dormiu nos braços dela. Ainda que fosse meio-dia, depois do amor acabaram pegando no sono e quando acordou, estava sentindo os olhos de Kelsey em sua nuca. Ela abriu um sorriso assim que lhe notou acordada.

 

— Acordou, meu bem?

 

Sorriso de Laura. Se virou para ela, encontrando lugar nos braços dela, sentindo o cheiro de Kelsey, o calor da pele.

 

— Eu nem acredito que consegui dormir nesse horário… — Cheirou o pescoço dela, sentindo aqueles braços em volta de si.

— Eu também dormi um pouco. Eu ainda não acredito que… — Sorriso, olhos brilhando — Você está feliz, anjo?

— Muito feliz. De você ter me sequestrado, feito um plano, me trazido para cá…

— Para te dar um presente! Eu só ia te dar um presente… — Ela começou a rir fazendo Laura rir também.

— É sério que era só para isso?

— Eu ia te esperar, como você queria, baby. Espera, deixa eu te mostrar…

 

Ela beijou Laura e saiu da cama, achando sua lingerie para vestir pelo caminho e aquele corpaço… Laura mordeu a boca, as nudes trocadas com Kelsey eram quentes, mas não faziam jus, de jeito nenhum. Ela abriu o armário e tirou uma caixa enorme de lá, cheia de coisas.

 

— Kelsey…

 

Ela voltou e lhe beijou, gostoso, carinhosa, lhe entregando a caixa junto.

 

— É um kit “namorada que espera”, está vendo? Tem chocolates, um cartão de dia dos namorados, alguns presentinhos que eu te trouxe de Londres...

 

Laura a puxou para a cama e a beijou longamente, sorrindo, com os olhos brilhando.

 

“Kit namorada que espera”, você é linda pra caramba, sabia?

— Você merece qualquer espera. E a menina que entender isso, é a que vai acabar ficando com você.

 

Laura olhou bem para ela.

 

— Está falando do quê?

— Da Julia. Da Ívi. Eu tenho total consciência de que não sou a única interessada em você e nem deveria ser. Você é diferente demais, Laura, acho que você não faz ideia de metade das coisas que você é.

— Eu sou uma bagunça, Kels...

 

Kelsey a beijou novamente, lhe tocando o rosto, a nuca por baixo dos cabelos.

 

— Uma bagunça linda, a gente sabe desta parte também. Espera, eu vou fazer o seu almoço…

— Ah, você vai fazer é?

— Vou sim!

 

Ela fez, uma salada maravilhosa que comeram juntas na varanda que Laura finalmente pôde conhecer, já vestida em roupas de Kelsey dessa vez, porque antes do almoço pronto, elas ficaram novamente e tudo foi tão bom que…

 

Laura nem entendia por que não estava se sentindo tão bem como deveria. Não entendia por que fugiu do banho com ela como se estivesse prestes a trair. Ela não notou ou se notou, não se importou, Kelsey estava leve demais, isso dava para perceber. Almoçaram juntas e chegou a hora do treino, Laura desceu junto com a equipe da Grã-Bretanha e a van partiu para o parque olímpico onde aconteceria o treino. Trocaram um beijo longo dentro da van, Laura estava apegada, não queria que ela fosse, queria passar a tarde com ela, a noite, mais horas, qualquer margem de tempo maior. Mas não podia.

 

— Eu vou dar outro jeito, está bem?

— Só pensa no campeonato.

— Penso. Mas penso em você também — Kelsey a beijou novamente — Eu tenho mesmo que ir, baby.

 

Tudo bem, ela podia ir. Laura não pegou o outro turno, não estava com cabeça para isso e também não foi falar com Julia e Ívi, era melhor ir embora, era o melhor que podia fazer com o final da sua tarde. Então foi pra casa. Chegou perto das cinco, andou um pouco sem rumo pelo bairro, tocou a camisa de Ívi amarrada em sua cintura. Andou para o apartamento. Subiu, achou que estaria sozinha, mas Karime estava em casa, terminando uma atividade da faculdade no sofá.

 

Abriu um sorriso assim que viu Laura chegando e quando ela deixou uma sacola sobre a mesa de centro, e se deitou em seu colo, desconfiou que algo não estava certo.

 

— Ei, té de menta, por que tão cedo em casa? Cadê as suas namoradas?

 

Ela só lhe olhou, nem retrucou.

 

— Eu não fui trabalhar.

— Ah, não?

— A Kelsey me ligou, com um plano maluco para entrar na vila olímpica e...

Regalos! — Karime alcançou a sacola que ela tinha deixado sobre a mesinha — Ela é muito linda, gente, não sei onde você arruma essas meninas lindas, viu. Espera, você entrou na vila olímpica?

 

Laura afirmou.

 

— E entrou no quarto dela?

 

Outra afirmação.

 

— Laura! Vocês duas...?

 

Terceira afirmação e Karime surtou.

 

— Eu não acredito que vocês finalmente…! Ei! Como foi?

 

Abriu um sorriso só de lembrar.

 

— Ah, foi maravilhoso. Você não tem noção dessa garota, Karime, ela é muito doce, eu sempre disse isso para você, mas então, chegamos na cama e... — Abriu um sorriso pensando — Ela sabia muito bem o que estava fazendo. Ela me deixou louca, foi muito gostoso, nos entendemos muito bem, eu te disse dos amassos quentes, mas ainda assim, foi muito melhor do que eu esperava.

 

Karime olhou bem para ela enquanto lhe acariciava os cabelos macios.

 

— Certeza que foi tão bom assim?

— Ela foi delicada, cuidadosa comigo, a cama foi… Uma delícia, você não faz ideia.

— E por que você não está surtando?

 

Laura perdeu o sorriso, respirou fundo.

 

— Então... Eu não sei. Eu não sei o motivo.

 

E o tom da voz dela contou a Karime que ela precisava conversar. A beijou na testa com carinho.

 

— Ok, bebê, eu vou pegar alguma coisa pra gente tomar, está bem? Vou fazer o chocolate quente que você gosta e a aí vamos lá para o quarto conversar um pouco.

 

Karime a enviou para o seu quarto e foi fazer o chocolate quente especial que Laura gostava. Era fato que Laura dava conta da casa inteira, que era quem controlava a despensa, quem fazia as contas fecharem no final do mês, era aquela para quem ligavam quando algo dava errado. Mas era verdade também que Laura era mimada demais por todas elas. Fez o chocolate que ela tanto gostava e foi para o quarto, entregar uma caneca para ela, sentar ao lado dela para conversarem.

 

— Primeiro, eu achei que vocês iam esperar a Olimpíada acabar. Por conta do que você me falou, sobre se apegar a alguém que vai embora e eu sei que sexo não é coisa banal para você, tem que ter algo mais.

— Íamos esperar mesmo, por conta disso que você me disse, mas...

— O que mudou a sua cabeça?

 

Laura tomou um gole de seu chocolate preferido.

 

— Eu queria saber se não estava só enlouquecendo de vontade com a Ívi porque, você sabe, já fazia quase um ano e meio...

 

Karime riu, era verdade, Laura não ia pra cama com ninguém desde a última namorada.

 

— Podia ser isso, o que estava deixando a minha cabeça meio longe da Kelsey. Então estávamos lá, eu estava com tesão, ela também, foi muito bom, Karime, ela é gostosa, cheirosa, carinhosa, tudo o que se pode pedir e é por tudo isso que eu estava esperando mais de mim, um efeito maior, sabe? Eu não queria que ela fosse treinar, queria que ficássemos mais, que fizéssemos tudo de novo, só para ver se... Conecta. Eu não consigo explicar.

— Você estava lá com ela? Estava inteira? Não estava pensando em mais ninguém?

— Não estava, eu estava ligada nela o tempo todo, não pensei em ninguém e isso é o mais esquisito, porque... Quando a Ívi está comigo, eu só vejo a Ívi e com a Kelsey é a mesma coisa, não é diferente, mas ainda assim... Eu esperava mais. Não dela, só de mim.

— Laura, você acha que está bem resolvida com a Julia?

— Muito bem. Eu a amo, vai ser para sempre, mas é diferente.

— E a Ívi?

— A gente acabou de se conhecer...

— E você conhece a Kelsey há mais de um ano e não está parecendo suficiente.

 

Laura apertou as mãos, respirando fundo.

 

— Karime, eu não quero me apaixonar pela Ívi. Eu não quero... Esse tipo de paixão de novo. Vai acabar comigo, foi muito difícil com a Julia, você não faz ideia...

— Laura, você está sendo inocente igual a Thai, ninguém decide essas coisas, bebê.

— Ela vai partir o meu coração umas trinta vezes, Karime, eu não tenho preparo mental para namorar essa mulher... — Disse, se jogando na cama, fazendo Karime morrer de rir.

— Se tem alguém que consegue é Laura Bueno, está bem? — A puxou para o seu colo, passando a acariciar os cabelos dela — E você mesma disse, vocês mal se conhecem, você pode estar fazendo uma ideia completamente errada dela.

— Talvez eu deva parar de conhecê-la. Ao menos por enquanto. Karime, eu nem preciso tocar nela, basta ela estar do meu lado e acontece uma coisa, o meu corpo muda, eu sinto... Uma coisa por dentro. A minha temperatura sobe, fica uma energia dentro de mim, isso nunca me aconteceu antes. Nem com a Julia, nem com a Kelsey, nem com nada. Nunca me passou nada parecido.

— Isso se chama atração física, Laura, química, tesão, paixão, o nome que você quiser dar.

— Eu era insanamente atraída pela Julia e não era assim. Foi como se ela tivesse precisado destravar alguma coisa na minha mente pra gente acontecer, eu morava na mesma casa que ela e até aquela noite do primeiro beijo, eu não sentia nada, Karime. Com a Kelsey as coisas foram acontecendo, devagar e naturalmente, mas com a Ívi... Eu não sei. Eu só não sei o que se passa.

— Laura, o que está acontecendo entre você e a Ívi é o tipo de coisa que podemos chamar de orgânica. É atração natural, cariño. Você não pode ignorar que cada vez que vocês se tocam rola um tesão, ontem vocês estavam dançando e de repente...

— A gente se pegava, eu sei.

— Ela não é fácil.

— Ela não é, mas como é mesmo aquela frase que você vive dizendo?

És tú que decides lo que haces con mi mala influencia... — Ela repetiu a frase sorrindo.

— Esta frase mesmo. Então, não somos boa influência, nem uma nem outra, às vezes passamos longe das boas intenções. Outra coisa, eu ainda acho que ela tem namorada...

— Ela já explicou que a Tiziana é irmã.

— Como se fosse só com a Tiziana que ela conversasse. Não importa, a Kelsey vai ser campeã olímpica, Karime. Eu não vou atrapalhá-la de jeito nenhum. E tem aquele agravante...

— Você gosta dela.

— Gosto! E não é pouco. Meu coração acelera perto dela, ela me faz sorrir, eu amo quando a gente troca mensagens, o sexo foi uma delícia, só tem... Essa situação estranha.

— Talvez você esteja apaixonada pelas duas ao mesmo tempo. Você sabe o que eu penso sobre isso, se meu corpo é muito bem preparado para amar duas pessoas ao mesmo tempo, por que a minha mente não?

— Pessoas não nascem ambidestras como regra, Karime, eu nem saberia administrar um ménage, imagina uma situação como esta... — Disse, fazendo Karime rir.

— E ainda tem a Julia.

— Brigamos hoje de manhã.

— Ela sente as coisas, eu fico impressionada, ela sempre sabe tudo o que envolve você, tudo.

— Ela é a minha alma gêmea.

— Laura, cariño, acho que a sua alma é trigêmea, quiçá quadrigêmea, você não está entendendo, não deixaram só um fio com você não, soltaram o novelo inteiro...

 

Laura começou a rir, só Karime para lhe fazer gargalhar num momento assim.

 

— O que eu faço com a Ívi?

— Segue dormindo com ela e acordando com aquela voz doce te cantando una canción de amor.

 

Laura abriu um sorriso lembrando da manhã.

 

— Escuta, Laura, eu não conheço ninguém que se conheça tão bem quanto você conhece a si mesma. Você tem um grau de autoconhecimento enorme, basta ter um tempo seu que as coisas devem clarear. Mas para isso, você precisa ter as coisas muito bem conversadas, é como você funciona.

— Eu sei. Eu vou conversar com ela hoje.

 

E o celular de Laura começou a tocar. Foi atender e era María, sua irmãzinha espanhola, ligando quase meia-noite em Madrid. A ligação foi longa, de quase vinte minutos em que Laura tentou entender o que estava acontecendo, que coisa estava se passando com sua irmã, mas simplesmente não conseguiu. María estava tendo um ataque, de pânico, de ansiedade, de raiva, não fazia ideia, só sabia que era um ataque e que não podia ajudar, o que lhe deixava totalmente... Arrasada. Por fim, conseguiu acalmá-la e convencê-la a ir dormir. Mas Laura nunca sabia.

 

— Laura... Você tem certeza que isso tudo são só hormônios da adolescência?

— Eu não sei, Karime, eu não sei. Alejandro não fala comigo e nem com a Julia, nós não temos uma referência adulta que nos dê informações sobre ela. La Mari nunca foi muito tranquila, desde bebê ela era intensa, fazia birra, era uma criança complicada. Enquanto a Julia estava lá, ela estava mais calma, mas agora... Eu não sei. Eu não sei se ela está se vigando porque a deixamos sozinha com o pai, não sei se ela só quer chamar a atenção ou... — Sentou-se na poltrona, respirando muito fundo — Nós temos o histórico de instabilidade mental da minha mãe. E do próprio pai dela.

— Laura, você não acha que... Ela podia estar simplesmente bêbada?

— Ela tem treze anos, Karime.

— É que... Há um histórico de abuso de álcool também. Na família. Um histórico que ela presenciou.

 

Laura levou a mão à cabeça.

 

— Eu sei. Karime, eu tenho que resolver isso, de alguma maneira, eu não tenho certeza se não perco a María se ela tiver que esperar mais cinco anos para mudar para cá.

— Ei, não fica assim. É o tipo de coisa que foge do seu domínio, Laura.

 

Laura respirou fundo novamente, às vezes achava que era, mas às vezes só se culpava. De todos os históricos que tinha, o seu com Julia era o que sempre deixaria todas as coisas mais complicadas. E fora do seu domínio.

O dia em Deodoro havia sido outra festa! Foi o que Ívi e Julia combinaram, que assim que soltassem o primeiro acorde, também apertariam o botão de mudar de humor e dariam a festa que tinham dado no dia anterior. Funcionou. Elas fizeram outra festa, desta vez olhando para o público e foram insanos quatro grandes jogos, 4x1 da Nova Zelândia na Coreia do Sul, China e Alemanha empatadas em 1x1 num jogo duríssimo e quando Laura não apareceu para assistir ao jogo da Espanha, ambas sentiram um pouquinho. Bem, a Holanda passou em cima de qualquer forma, 5x0 na Espanha, foi melhor que Laura não tivesse assistido mesmo.

 

E melhor também que Julia e Ívi parassem de pensar nela.

 

Pararam. E tiveram trabalho intenso até perto das sete da noite, fizeram alguns jogos masculinos também e quando terminaram, estavam exaustas e felizes, o resultado tinha sido ótimo! Chegaram quase às dez da noite e Julia a arrastou para o supermercado, era sério? Era sério, ela queria comprar coisas que estavam faltando em casa, Laura tinha feito uma lista pela manhã e Ívi não parava de admirar Julia pelo tanto que ela parecia incansável. Compraram o que precisavam, dividiram a conta, pegaram um táxi e foram pra casa. Chegaram e já eram quase onze. Thai tinha acabado de chegar, tinha conseguido dois vestidos para fazer, já ajudaria em alguma coisa, Karime ainda estava terminando o trabalho da faculdade e Laura…

 

Laura tinha dormido.

 

— Ela ficou esperando você — Karime disse para Ívi enquanto preparavam o jantar na cozinha.

— Me esperando?

— Ela queria conversar.

 

Ívi olhou para ela.

 

— Por causa da Kelsey?

— Por causa de vocês na verdade. Ívi, você está gostando dela mesmo?

— É claro que estou. Mas o que eu posso fazer? Estou pensando nisso há horas, ela namora e eu tenho percebido que é de verdade, ela gosta da Kelsey mesmo e no final das contas, a Laura me salvou. Ela me tirou da rua e por causa dela, eu estou tendo a oportunidade de fazer um trabalho muito legal. Eu não me sinto no direito de perturbá-la de nenhuma forma — Falou enquanto mexia o molho branco no fogão.

— A Julia discorda.

— A Julia vai discordar de todas as coisas no que toca a Laura com qualquer pessoa no mundo, Karime, o relacionamento delas aparentemente é mais complexo do que o seu relacionamento a três — Respondeu sorrindo.

— Nem me fala — Sorriu também, ainda sentindo as marcas da noite anterior ardendo pelo seu corpo. Thai mordia e Julia marcava, e não era pouco.

— Então, mas eu entendo tudo, de verdade.

— Entende mesmo?

— Entendo. Eu só não sei o que fazer direito, se eu devo me afastar ou não. Se ela quer que eu me afaste, a Laura não me diz nada.

— Ela não é de dizer muito não, foi o que quase enlouqueceu a Julia, como ela não sabia nada de coisa nenhuma, ela simplesmente tentou resolver a Laura sozinha. E foi o que acabou dando errado entre elas. A Laura é muito correta, Ívi. Mas de alguma maneira, sempre acaba se comportando mal, eu não sei te explicar.

— Eu já percebi — Outro sorriso, Ívi tinha se acalmado durante o dia, a raiva já tinha partido — Olha, Karime, eu posso esperar. Eu estou aqui, não estou? Seja lá o que venha a acontecer, eu ainda vou estar aqui, se for o que estamos achando que é, também ainda estarei aqui.

 

Karime olhava para ela.

 

— Você está muito calma.

— Posso ser extremamente sincera? Sem você me achar arrogante?

— Por favor, seja.

— Eu vou ter a Laura. Não é arrogância, não é nada disso, eu só sinto que vai ser assim. Eu só não sei quando vamos acontecer, eu só sei que vamos acontecer.

Sin importar el tiempo, el lugar o la circunstancia.

 

Ívi abriu um sorriso.

 

— É isso.

— Você é uma coisa linda, sabia? — Karime a abraçou pelas costas, beijando o ombro dela, a fazendo sorrir.

— Você acha melhor eu dormir em outro lugar?

— Você sempre pode dormir na minha cama, gata de rua…

 

Ívi se virou, beijando o pescoço dela, morrendo de rir. E então pensou no que ela disse, aliás, no que ela vivia dizendo o tempo todo.

 

— A Laura ficaria chateada?

— Com isso? Muito provavelmente não. Ívi, a Laura é tão autoconfiante que você pode ficar com metade do Rio de Janeiro que ela vai continuar tendo certeza que você ainda vai preferir dormir com ela no final da noite.

— Ela é muito cheia dela mesma, aquela espanholinha.

— Ela é.

 

Ívi respirou fundo. Daí lembrou dos dez minutos que tinha passado irritada dentro do banheiro porque não queria que Julia visse. Ficou irritada quando Laura não voltou pra arena. Irritada de novo porque sabia o que tinha acontecido e doeu um pouquinho, deu ciúmes, teve inveja. Irritada outra vez porque ainda não tinha percebido que o seu “estar gostando de Laura” podia ser mais do que isso e aparentemente era. Não estava apenas gostando dela, estava se apaixonando e a verdade era que precisaria esperar. E talvez não fosse pouco. E este comportamento não parecia muito consigo mesma.

 

Levar as coisas tranquilamente parecia mais com Ívi Schelotto.

 

Olhou para trás, seu molho parecia bom. Desligou o fogão e, pegou Karime pela garganta, de surpresa, a levando para trás, encontrando a porta do quarto dela naquela pegada que a fez rir, segurar em seus punhos, morder um sorriso.

 

— Ela não vai me expulsar do quarto mesmo?

— Ívi, você já é tão namoradinha da Laura…

 

Ívi a beijou, aquela criatura linda e cheirosa, beijou gostoso, a pegando firmemente, sentindo a boca dela pela sua e aquelas mãos passeando demais. Julia olhou da sala, viu o movimento, olhou para Thai que estava desenhando os vestidos no sofá.

 

— Thai?

— O que foi?

 

Julia apertou os lábios. E quase saltou em cima dela, passando para o outro sofá, a pegando e a beijando de surpresa, deixando boca e mãos por tantos lugares que Thai nem sabia.

 

— Vem pro banho comigo...

— Julia...

— Só para o banho, eu não vou fazer nada, vem...

 

A arrastou para o banho, quase escondidas, Julia tinha jurado que não faria de novo, mas só com outras meninas, outras não envolviam Thai, ela não era como todas as outras, ela era diferente, era doce, lhe fazia bem. Entraram no banheiro, ligaram o chuveiro e os beijos não pararam nem um segundo, nem um pouco enquanto as roupas eram arrancadas, as mãos ansiosas e atrevidas, a vontade pulsando logo de cara e foi Julia vê-la nua e...

 

— Thai... — Suspirou o nome dela, com a boca em seu pescoço e a mão passeando pelas suas coxas, implorando por um pouquinho mais.

Juls, você disse que... — Ficar com Julia sem Karime era mais do que se colocar em posição de perigo. Era levar a pancada duas vezes.

— Eu sei que eu disse — Julia beijou o seio dela e veio descendo pelo seu corpo, a pondo contra a parede, a sentindo derretendo pelo caminho que sua língua fazia contra aquela pele — Mas é que...

— Está louca com a Laura?

 

Julia voltou de sua descida, olhando nos olhos dela.

 

— Estou louca por você. Qual é o seu problema? — Julia parou, respirando fundo — Escuta, Thai, escuta o que eu vou te dizer só dessa vez: eu nunca vou parar de sentir coisas pela Laura, eu nunca vou parar de amá-la, entendeu? Nunca. Mas este sentimento é completamente independente do que eu sinto por você. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Uma coisa não exclui a existência da outra. Você tem uma atitude egoísta sempre que as coisas envolvem a Laura.

— Talvez eu seja egoísta. Talvez seja antiquada — Respondeu, levemente irritada.

— Olha onde nós estamos. Você não estaria aqui se fosse egoísta ou antiquada.

 

Thai mordeu a boca. Ela estava mentindo quando dizia que não estava louca com Laura, mas não parecia mentindo quando dizia que estava louca por si, não sabia explicar, fora que ela tinha e não tinha razão sobre o que Thai era, e esses eram todos os problemas com Julia. À parte aquele outro problema.

 

Chamado tesão.

 

Dane-se — Suas próprias regras e seus sentimentos.

 

Ívi ouviu vozes excitadas vindas do banheiro e então abriu a porta do quarto de Karime, e a levou para dentro, para a cama, o beijo delicioso dela bem do jeito que Ívi imaginava que devia ser, aquele corpaço em suas mãos, os dedos dela lhe agarrando inteira, cintura, abdômen, braços e foi muito bom, gostoso demais. Elas ficaram pela cama, se beijando, se pegando e se conhecendo melhor, ainda não tinham tido este tempo, mas ainda assim, para Ívi, a diferença entre a Karime dos dois primeiros dias para aquela de agora, era tremenda.

 

Ela era uma garota linda e muito agradável, muito gentil, Ívi tinha certeza que seria devorada por ela assim que entrasse naquele quarto, mas não foi assim que aconteceu. Porque não quis que assim fosse e ela respeitou. Só precisava mesmo voltar a si, ficar com alguém, beijar uma garota bonita, conversar. Teve tudo isso naquela uma hora que passou com Karime.

 

— Você fala tanto dela que eu achei que ela fosse da tua cidade! — Estavam falando de Tiziana.

— Não é não, ela é a minha melhor amiga, é minha irmã de verdade, mas só nos encontramos quando éramos bebezinhas. Ela mora em Siena, bem longe de mim.

— Entendi. Laura achou que ela fosse sua namorada, sabia? Que você tinha deixado lá em Maragogi.

— Você já percebeu que a Laura acha que eu namoro metade do mundo?

— É que você beijou metade da festa na noite em que se conheceram! — Ela respondeu sorrindo — Não culpa a minha espanhola.

— Eu só queria beijar uma pessoa aquela noite, Karime, te juro — Respirou fundo e deu uma olhada na hora — Vem, vamos jantar que já está ficando tarde.

 

Foram jantar e, Julia e Thai já estavam jantando num apego só, muito juntinhas, cabelos molhados, sorrisos abertos, elas podiam morrer negando, mas aquele romance parecia mais clandestino que o romance de Ívi com Laura. Jantaram juntas, logo daria uma da manhã, tiveram chocolates belga de sobremesa porque Laura tinha ganhado de Kelsey, mas aparentemente, Laura Bueno devia ser a única pessoa no mundo que não gostava de chocolates belgas. Tirou todos da lata decorada que era linda, mas não comeu nenhum e quando terminaram, Julia seguiu Thai para o quarto e Ívi ficou na mesa, batendo os dedos, olhando para o nada. Daí notou que Karime estava lhe olhando de uma maneira engraçada.

 

— O que foi?

— Você! Já está louca para correr pra Laura…

 

Ívi baixou a cabeça na mesa rindo.

 

— Você lê mentes?

— Só tenho experiência com a Julia. Vai dormir com ela, vai.

 

Ívi pensou um pouco. Beijou a mão dela e foi para o quarto que já era seu. Entrou, Laura estava dormindo muito profundamente, linda, como ela podia ser tão linda dormindo? Ívi não fazia ideia. Linda e tinha feito amor com outra. Melhor, amor com uma, era Ívi que era a outra da história. Tomou banho, um banho bem longo, lavou os cabelos, vestiu algo para dormir e foi secar o cabelo na sala para não acordá-la. Secou os cabelos, checou as mensagens de Tiziana, olhou a Barra da Tijuca pela janela, ouviu as risadas de Thai e Julia no quarto.

 

Voltou para o seu quarto, fez minuciosamente sua cama no chão, travesseiros, edredom, mais um, fez tudo cuidadosamente, arrumando cada pedacinho da sua cama. Daí percebeu que estava fazendo tudo tão minuciosamente porque não queria dormir ali. Sentou no assoalho gasto de madeira, abraçou os joelhos contra o corpo, olhou para Laura. Então deitou a cabeça na cama, só para olhar para ela um pouco mais. Como teria sido? O amor com Kelsey? Será que tinha sido muito bom? Ela estava mais apaixonada agora? Como seria o jogo de amanhã? Será que Laura tinha planos mesmo de ir embora com ela?

 

Daí quis enfurecer de novo um pouquinho. Daí lembrou de Laura lhe pedindo desculpas por não ter ideia de que poderia conhecer Ívi só uma semana depois.

 

Ela não iria não. E se ela fosse, seu fio invisível daria um jeito de trazê-la de volta.

 

Deitou na cama. Não na sua, na de Laura. Puxou a coberta devagar e assim que encostou nela, Laura virou de frente, buscando seus braços, seu carinho, pedindo que Ívi lhe respirasse um pouquinho. Karime tinha razão, Ívi a respirava o tempo todo.

 

— Você demorou.

— O dia foi longo.

— Ívi… — Ela estava de olhos fechados.

— O que, amoriño? — Beijou os cabelos dela outra vez.

Mí amor — Ela disse, se agasalhou mais em Ívi e voltou a dormir.

 

Notas do Capítulo Extra:

 

Olá, moças!

 

Como estamos no meio desta semana?

A autora que vos fala está numa correria só! Inclusive, tinha levemente esquecido que teríamos capítulo hoje, mas consegui contornar e aqui estamos, com mais um capítulo de 6 AM para vocês!

Eu desconfio que o capítulo de hoje não causou desconforto apenas em Julia e Ívi, eu sei, já concordamos que Kelsey é legal, mas a maioria também concorda que estaríamos melhor sem ela aqui, maaaaaaaaaaaaaaaas, confiem na autora, está bem? Ainda temos muita história pela frente e capítulos muito mais intensos virão!

Meninas, o trabalho anda de fato agora me levando mais tempo do que levava antes :/. Todos os dias estou respondendo comentários, mas está sendo uma marcha lenta mesmo, porém leio todos, cada um deles e sigo aqui, está bem? A meta é responder todo mundo, muito obrigada por cada um dos coments que estou recebendo!

Próximo capítulo, “Gata de Rua”, que para ser liberado, vocês já sabem, 25 comentários, de moças diferentes, até o próximo sábado, às12h00 ^^.

 

Beijos!

 

 

 

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