6 AM - Capítulo 13 - Coração Rompido

17/7/2019

 

 

 

Ívi acordou suavemente, com o sol batendo em seu rosto, um silêncio intenso em sua nuvem e, sem Laura ao seu lado.

 

Respirou fundo, deu uma olhada em volta, a cama dela estava refeita, Laura já deveria ter saído há um tempo. Checou o relógio, eram nove da manhã e havia sido muito bom não acordar com o despertador, mas por outro lado… Pensou no nível em que estava porque realmente passou a noite esperando por um ataque de sonambulismo de Laura que não veio. Quem diria, Ívi Schelotto tão presa numa menina que nem era sua. Tudo bem, todo bién, andava começando a pensar em espanhol por tanto que ouvia aquele idioma e pelo quanto que o adorava na boca de Laura. Foi para o banho, se trocou, saiu do quarto e, Julia estava apagada no sofá.

 

Literalmente.

 

— Karime? — Karime estava na cozinha preparando alguma coisa.

— Oi, cariño.

— Ela não pode dormir aqui, não é confortável.

— Eu sei, mas ela se recusou a dormir comigo e, ela e a Thai tiveram uma briga daquelas ontem à noite. Você não ouviu nada?

— Eu ando exausta. E ela também. Me ajuda a colocar ela na cama da Laura?

 

Karime sorriu porque Ívi realmente se preocupava com Julia. E Julia realmente estava exausta. Exausta por “n” motivos, pelo tanto que andava trabalhando, exausta por discutir com Thai por causa de Laura, exausta de ter um ataque tenso de ansiedade toda vez que ouvia que Thai estava indo para Arraial do Cabo, onde Renata morava. Tinham brigado por causa de tudo isso. Bem, Julia estava exausta mesmo. Não puderam acordá-la nem quando a levaram para a cama de Laura, ela concordou em andar, mas não em acordar e quando a deitaram, pronto, já estava em outra dimensão novamente.

 

— Pronto, bebê na cama, agora vem tomar café comigo — Karime a puxou pela mão e a levou para o balcão da cozinha, onde se fizeram um suco, tapiocas, pão que Thai comprou antes de sair.

— Onde ela está?

— Hoje é dia de trabalhar na arena, ela saiu cedinho.

— E a Laura?

 

Karime lhe olhou, quase com dó.

 

— Karime, que olhar de pena foi esse que você me deu? — Começou a rir para não chorar, porque olha o tipo de coisa que andava despertando.

 

Karime caiu no riso também.

 

— Desculpa! Não era a intenção, é que a Kelsey ligou, parece que a Laura foi transferida para a Vila Olímpica e…

 

Daí descobriu o motivo que Karime tinha lhe olhado com tanta pena. Nem era pela notícia, era só porque Ívi acordou com tanta vontade de chorar que já deveria estar em seu rosto. Bem, tanta vontade que dessa vez, chorou mesmo.

 

Chorou, baixando a cabeça no balcão, respirando fundo, sentindo seu coração apertando e apertando, e Karime ficou desesperada.

 

— Ei, cariño, calma, fica calma, por favor — A abraçou pelos ombros — Laura tem razão, é desesperador te ver chorando assim, sabia? Calma, respira, toma um pouco de suco, vamos.

 

Tomou um pouco do suco, respirou fundo, voltando a si.

 

— Não se preocupa, eu estou querendo chorar têm uns dias, é que... Olha, eu sei de tudo. Sei da namorada, sei que a Laura gosta dela, que é o momento mais importante da vida da Kelsey, que elas têm pouco tempo juntas. Sei também que neste momento eu sou um desastre, que dependo da Laura para tudo…

— Ei, Ívi, não é assim.

— É sim, Karime — Respirou fundo, se controlando — Ela me achou na rua, me trouxe pra casa, convenceu vocês a me deixarem ficar, convenceu a Natalia que eu era boa DJ...

— E isso deveria significar mais, não deveria?

 

Isso fez Ívi pensar um pouco.

 

— Eu nunca precisei que ninguém fizesse nada por mim, Karime.

— Bem, precisou agora e várias pessoas devem ter passado por você sem sequer notar que você não estava bem, mas Laura notou e aconteceu essa coisa entre vocês. Ela confia em você, acho que você não faz ideia de como ela acredita e confia em você. Eu sei que você precisa demais dela...

— O que é um absurdo dado a tudo o que ela já fez.

— Você gosta dela, Ívi.

— E ela namora uma atleta olímpica.

— Ívi, a Laura não é assim. Ela não liga se você ganha em Euro ou Real, muito ou pouco, ela já viveu com 2 mil euros, com 10 mil euros, com 2 mil reais, com mil reais, com quase nada antes da Julia chegar aqui, ela não liga mesmo, bebê. Mas é que ela está namorando e existe uma enorme possibilidade, veja bem, a coisa é real, dela estar apaixonada por vocês duas ao mesmo tempo. Mas a Kelsey chegou uma semana antes. Você já imaginou como seria se fosse ao contrário? Você teria o sangue frio da Kelsey para lidar com tudo o que ela está lidando também?

— Ela é europeia, eu sou sul-americana, Karime, já teria virado briga física mesmo com toda certeza — O choro tinha estancado, outra longa respiração.

— Então tudo aconteceu da melhor maneira possível, está bem? Se não fosse isso, você e a Julia não estariam tão bem entrosadas, porque ao invés de estarem do mesmo lado, ela estaria te infernizando por estar com a Laura. Mas não está, vocês estão fazendo um trabalho lindo juntas e por essas visualizações aqui — Mostrou o celular, tinham batido um milhão e meio — Vocês não vão parar em pouca coisa, se prepare para muito mais. Então está tudo bem, ok?

 

Outra longa respiração.

 

— Você acha que a Kelsey será campeã olímpica mesmo?

— Sinceramente falando? Eu vejo uma final Argentina x Holanda, eu acho que as britânicas vão ficar em uma dessas duas equipes novamente, mas a Kelsey é uma linda e eu não quero que isso aconteça. Porém, não é o resultado da Olimpíada que vai interferir em seu relacionamento com a Laura, Ívi.

 

Ívi esquentou suas mãos no agasalho.

 

— Karime, isso nunca me aconteceu, sabia? Ficar de coração tão partido por alguém e ela sequer é minha namorada, e sequer quer partir o meu coração, como pode?

— Sabia que... — Karime colocou café para elas duas — Até eu conhecer a Laura, eu nunca tinha ficado com mulher nenhuma?

 

Isso pegou Ívi de surpresa.

 

— Sério?

— Muito sério. Laura foi a minha primeira paixão, eu fiquei apaixonada por ela instantaneamente e nem sabia o que estava acontecendo. Eu tinha namorado, mas aquela menina não saía da minha cabeça nem um segundo, é um poder dela, sabia? Fazer as garotas se apaixonarem assim — Contou sorrindo — Acho que eu ainda não te disse como eu vim parar no Rio. Eu nasci lá em Santa Marta, um paraíso na Terra, um lugar maravilhoso, mas que não oferece muitas opções, meio parecido com a sua Maragogi. Daí eu conheci um rapaz aqui do Rio, fiquei louca por ele, nem pensei duas vezes em vir morar com ele aqui. Ele comprou as passagens, me ofereceu a casa dele, mas no final das contas, eu acho que só estava desesperada para sair do meu quarto apertado na Colômbia. Não deu certo, eu comecei a trabalhar e saí da casa dele para morar com uma amiga que fiz aqui e comecei a namorar o irmão dela. Foi então que eu conheci a Laura e pouco tempo depois, já estava morando com ela aqui, nesse apartamento, o que foi ótimo porque eu simplesmente não conseguia ficar longe dela. Nós estávamos morando juntas, se vendo toda hora, o envolvimento não parava de crescer, mas tinham coisas acontecendo. Eu sabia que ela tinha uma namorada na Espanha e uma irmã que não parava de ligar. Em algum momento eu realizei que a namorada e a irmã eram a mesma pessoa, e você já sabe como é a Laura, ela não diz nada, se fecha, é a melhor guardadora de segredos da história e eu não tinha ideia do que era, se era um caso clássico de incesto mesmo…

 

E Ívi já estava rindo pelo tom de Karime contando o seu desespero.

 

— ...mas eu não imaginava a Laura numa situação assim, se bem que sei lá quem a gente pode imaginar numa situação assim, não é, enfim — Karime estava sorrindo também, mas então ficou um tanto mais séria — Foi tudo bem complexo e chegou num momento em que eu só estava sofrendo por ela sem parar. De coração rompido, existe rompido em português?

— Existe rompido sim.

— Então, eu estava de coração rompido e sequer tínhamos ficado. Eu saí ficando com outras garotas, me descobrindo e foi quando eu me dei conta de algo que me mudou mesmo. Fazendo uma reflexão sobre a minha vida eu percebi que, no final das contas, eu havia tido o coração partido muito mais vezes por mulheres do que por homens.

— As amizades intensas.

— Exato. As amizades femininas são muito intensas, romper com uma amiga dói tanto quanto romper um relacionamento e lá estava eu, perdida, sofrendo pela Laura entre as duas situações, era minha amiga-irmã e minha amiga-crush por quem eu estava apaixonada. A minha personalidade borderline se desenvolveu mais forte neste momento, foi o meu primeiro episódio grave, eu não sabia como resolver e, só estava sofrendo e sofrendo. A Laura foi perfeita, sincera, direta, ela é muito direta nas coisas que ela sente e precisa dizer, as emoções dela são extremamente controladas e verdadeiras, de alguma maneira, aquela mãe maluca que ela teve a criou perfeitamente assim. Isso me ajudou muito.

— Vocês namoraram?

— Nunca aconteceu, ela me curou dela e a gente só ficou depois disso — Abriu um sorriso — Ficamos umas duas vezes e só, ela dizendo que era apenas para eu tirar da cabeça que estava perdendo grande coisa.

— E você tirou?

— A Laura é maravilhosa, Ívi, é claro que eu nunca tirei isso da cabeça, perdê-la é uma coisa que, para quem a conhece, não quer que aconteça, porque um dia, ela vai ser a esposa maravilhosa de alguém e fora das minhas mãos, é claro que este alguém não será eu. Ela é muito boa, boa de coração mesmo, é muito humana, luta pelas causas corretas, é extremamente leal, e é tão interessante. A mente dela é diferente, ela sabe muito sobre diversos assuntos, de ciência médica a alienígenas, é inteligente demais, tem classe, beija gostoso pra caramba, quem não quer se casar com essa mulher? Mas de fato, ela é minha melhor amiga, minha amiga-hermana, eu a amo e apesar de, de vez em quando eu ainda ficar pensando nela e no que poderia ter acontecido, foi tudo perfeito do jeito que foi.

— Você também resgatou uma gata de rua então. Uma gata europeia perdida na rua, mas resgatou…

— Uma gata de raça, tive a honra — Outro sorriso — Ívi, fica bem, ok? Tenta focar nas suas coisas e ter um pouco de paciência.

— Eu tento, mas é que... Já aconteceu de você ficar tão afetada por alguém que nem conseguiu raciocinar direito?

— Ívi... — Karime se deteve, tomando um longo gole de café — Espera, já me aconteceu algo parecido uma vez — Ela abriu um sorriso lindo só de lembrar — Têm uns dois anos mais ou menos. Foi depois de um treino lá na UFRJ, era final de tarde e eu estava esperando o ônibus. Eu lembro que assim que cheguei no ponto, tinha um clima esquisito, umas três mulheres e um casal, mas o clima estava esquisito. Daí que a menina que estava com o cara... — Karime mordeu a boca.

— Quê? — Ívi perguntou sorrindo vendo aquela reação.

— Eu lembro de como ela estava vestida, só pra você ter noção! Ela estava de saia cintura alta de tecido, pouco acima dos joelhos, cropped azul-marinho, um sutiã rosa-choque escapando aqui e ali, jaqueta jeans amarrada na cintura, um cabelo lindo, hidratado, comprido, olhos verdes, eu não conseguia parar de olhar, já estava preparada para o cara vir tirar satisfações comigo — Outro sorriso — Passou um ônibus e as mulheres partiram, me deixando sozinha com o casal. Eu fiquei lá, fingindo que não estava olhando para ela, mas estava, tanto que eu comecei a notar que ela não queria ficar perto do cara. Ela trocava de lugar no ponto toda hora e ele a seguia, falando com ela, insistindo e foi quando eu me dei conta de que não era uma conversa, não era um casal, era só um cara inconveniente. Que passou da inconveniência quando colocou as mãos nela. Foi automático, Ívi, ele tocou nela e eu reagi, porque eu não pude não interferir quando vi o que estava acontecendo e, eu tinha um taco de hóquei.

 

Ívi abriu um sorriso, tomando um gole do café.

 

— O que você fez?

— Quando eu perguntei o que estava acontecendo, a menina correu para trás de mim, nervosa, tremendo inteira, dizendo que não o conhecia, que ele estava sendo inconveniente e olha o meu nível de trouxa, eu lembro das mãos dela na minha cintura, no meu braço, o jeito que ela se agarrou em mim. Daí que o cara veio para cima, mas cariño, eu tinha um taco e nenhum medo de usar. Ele veio para cima e eu só precisei de um golpe, nada mais, acertei a canela dele e o valentão virou garotinho, tudo resolvido, você não faz ideia do poder de um taco de hóquei.

— Você salvou a menina.

— Foi o que ela me disse. Ela me abraçou, agradeceu muito, mas continuava nervosa. Eu perguntei para onde ela estava indo, era para Botafogo e me ofereci para levá-la em casa. Ela nem hesitou em aceitar. E nós passamos uns quinze minutos dentro do ônibus e mais uns cinco minutos caminhando até o prédio dela e as minhas pernas estavam trêmulas, as minhas mãos estavam flutuando, sem lugar, sabe quando você está tão nervosa por alguma coisa que nem sabe o que fazer com as mãos? Ela me causou isso. No ônibus ela viu os músculos das minhas coxas tremendo e perguntou se estava tudo bem, por causa do estresse lá com o cara e é claro que não era nada disso, eu lido com homens inconvenientes o tempo todo, era por causa dela. Eu não sei o que ela causou em mim, só sei que causou alguma coisa. Ela foi extremamente gentil, tentou conversar comigo o tempo todo e eu nem conseguia puxar um assunto.

— Estava aturdida.

— Estava, foi bem isso. Daí que eu a levei até o prédio e ela agradeceu novamente e se despediu de mim com um abraço, dizendo que — Abriu um sorriso, sempre sorria quando lembrava — Eu tinha sido o príncipe perfeito aquela noite.

— Que romântico, moça! E o que aconteceu depois?

— Então — Karime respirou fundo — Nada. Eu nunca mais encontrei com ela.

— Como assim, Karime? Você não tentou, não insistiu?

— Nem tinha como. Para você entender o meu nível de comprometimento, eu sequer perguntei o nome dela.

— Mas sabia onde ela morava.

— Nada, era a casa do namorado dela, eu não ia voltar lá, né. Enfim, é só para ilustrar que eu também tive um momento igual a este que a Laura te causa, eu sei como é, só não deixa isso te afetar muito, bebê. Você está melhor?

 

Ívi respirou fundo.

 

— Você é maravilhosa, sabia? — Ívi beijou a mão dela — Muito obrigada por essa conversa, pode deixar que eu vou encher este dia de folga de coisas úteis!

 

Se sentiu mesmo melhor depois que chorou e passou aquele tempo com Karime, seus laços com ela não paravam de estreitar e era ótimo ter alguém imparcial com quem pudesse conversar. E quando Juls, finalmente acordou no final da manhã, trabalharam muito juntas, arrumaram seus sets, gravaram outro vídeo para o canal de Julia e ela lhe contou da briga com Thai.

 

— Eu não quero isso, Ívi, eu não aceito, ponto!

 

E Ívi estava para morrer de rir.

 

— Julia, olha a sua situação, por favor, você não pode exigir as coisas dela, menina.

— É ela quem sabe, se ela quiser passar o final de semana sendo brinquedo daquela heterozinha colorida, ela que vá, problema dela, eu não quero mais — E ela parou — Ya no quiero más… — Ela cantou, no ritmo da canção que estavam compondo, batendo a melodia na mesa.

Aturdida, no más, jamás… — Ívi continuou, abrindo um sorriso.

— Ok, vamos gravar agora!

— Agora?

— Agora, Ívi, faltavam duas frases no refrão, estão prontas, vem logo!

 

Gravaram no quarto de Laura, onde a acústica era melhor, juntando os equipamentos de Ívi com os de Julia, tinham praticamente um estúdio inteiro e na sua humilde opinião, depois de duas horas de trabalho, o resultado tinha ficado ótimo!

 

— Vamos colocar na internet agora!

— Agora? — Aquela menina gostava de fazer tudo na hora, era impressionante.

— Agora! Eu achei que ficou ótimo, mas precisamos de outras opiniões, vamos lá!

 

Ela subiu a música e Ívi ficou tão ansiosa de saber o que as pessoas iam achar que esqueceu de quase tudo. Então apenas trabalhou duro, fez suas coisas, fez um tour pelo quarto de Laura e descobriu algumas coisas. Estava dormindo ali e nem tinha tido tempo de prestar atenção em alguns itens. Ela tinha uma coleção respeitável de livros, em cinco idiomas, achou a Penny Blood que ela prometeu que iria ler, deixou ao lado da cama, viu o bonsai de ferro que ela tinha na escrivaninha com uma bela coleção de chaveiros, Laura adorava chaveiros, ela tinha lhe contado na outra noite. Decidiu sair e patinar um pouco, estava fazendo sol, um dia bonito, patinou pelo Calçadão da Tijuca, short curto, camiseta de Laura, fones no ouvido e tudo desaparecia, o mal-estar pela manhã, o nervosismo, a ansiedade. Fez um vídeo, postou no Instagram, tinha aparecido em dois vídeos com Julia e seus seguidores tinham quase dobrado de repente, comprou um guaraná, sentiu um pouco mais do vento batendo em seu rosto, salinado, com cheiro e gosto de casa.

 

Voltou no finalzinho da tarde, Julia tinha saído para cantar num quiosque em Copacabana e Karime ido para a faculdade. Ívi foi guardar seus patins e percebeu algo que tinha lhe escapado mais cedo: as coisas de Laura estavam uma bagunça. Aliás, achava que ela sequer tinha roupas limpas, o que nem um pouco combinava com a organização que ela tanto gostava. Os livros estavam espalhados, a cama malfeita, papéis de desenho e anotações numa pilha só, Ívi não tinha nem tanto tempo com Laura para saber exatamente como ela era, ou seja, podia ser coisa da sua cabeça, mas achava que Laura andava um pouco esquisita. Ívi juntou todas as roupas sujas e decidiu dar um jeito na casa.

 

Separou as roupas por cores e tecidos, colocou tudo para lavar e foi arrumar o resto. Colocou as coisas no lugar, limpou todos os cômodos, era algo que sempre gostou de fazer, costumava ir ajudar sua mãe nas pousadas em que ela trabalhava e isso sempre lhe fazia bem. Arrumar, limpar, fazer coisas que não se precisava pensar muito para executar lhe obrigava a pensar randomicamente, a clarear suas ideias e a sensação de organização sempre lhe agradava. Terminou, tomou banho, foi tirar as roupas da máquina, checar se tinham secado, tinham, daí se vestiu, short jeans curto e passou uma camisa cuidadosamente, era uma de suas preferidas, era a jeans que já estava bem clarinha de tanto que a usava e tinha se tornado especial por mais um motivo: era a camisa que estava vestindo quando conheceu Laura. Não iria jogá-la fora nunca mais. Se vestiu e quando ia começar a secar os cabelos...

 

Seu celular tocou.

 

Era Laura.

 

O fio havia se esticado na noite passada, mas contraiu imediatamente de uma forma que Ívi jamais desejaria.

 

Atendeu com um sorriso no rosto que automaticamente se transformou em preocupação.

 

— Laura, calma! Diz pra mim onde você está.

— Em Ipanema, na… Na… Eu não lembro o nome, é na estação, Ívi, eu não sei o que fazer...

— Não saia do metrô e procure a segurança, eu vou te buscar.

— Você vem? — A voz de choro, o alívio pelo que ouviu.

— É claro que eu vou, não desliga, fica me ouvindo. Você deve procurar a segurança agora — Calçou seus tênis, pegou o cartão do metrô e quando saiu pela porta, voltou.

 

Pegou o estojo de hóquei de Karime e então saiu.

 

— Ívi, a segurança está aqui, mas eu não me sinto segura, eu preciso sair daqui, eu preciso... — Ela estava tentando se manter calma, Ívi sentia a luta, mas aquele tom estremecido estava apertando e acelerando seu coração.

— Eu estou indo, está bem? Não desliga, não saia do meio das pessoas e me espera. Eu vou te buscar.

 

Quatro palavras simples. Nas quais Laura se agarraria até Ívi chegar.

 

Notas do Capítulo Extra:

 

Olá, moças!

 

Tudo bem? Aqui estamos com mais um capítulo de 6 AM, em horário temático para dar aquele gostinho diferente! Estava relendo o capítulo agora e é interessante que ele tenha se passado em mais de sua metade, em apenas uma conversa. 6 AM se mostra diferente pra mim em vários aspectos, mas acho que nenhum deles pesa mais do que a questão de termos múltiplas personagens que apesar de estarem em cena em 90% da história, ainda assim, não nos aprofundamos nelas de imediato e o capítulo de hoje, acho que deu para fazer ao menos um mergulho rápido em Karime ^^.

 

A conversa dela com Ívi nos permitiu ver nossa colombiana em alguns ângulos inéditos que eu imagino que tenham a deixado um pouquinho mais palpável. O cuidado com Ívi, parte de sua história e um vislumbre também da história de Laura um tanto mais, pudemos ver que Ívi também sente um tanto, que o fio esticado entre ela e Laura deu uma machucada, e o final nos alcança com um repente puxão de volta. O que acham que pode ter acontecido com Laura?

 

Próximo capítulo, "Mí amor", assim, com letras em negrito e vermelho mesmo, tá? ^^. E para que ele esteja disponível lindamente em vossas mesas no domingo, dia 21, favor alcançar a meta de 25 comentários, como nosso velho combinado!

 

Abraços!

 

 

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