6 AM - Capítulo 14 - Mí Amor

19/7/2019

 

 

Ela não desligou, Ívi saiu correndo para a estação de metrô e não desligou, seguiu tentando lhe acalmar, lhe tranquilizar, mas Laura não estava conseguindo se manter tranquila. Havia sido horrível. Estava voltando pra casa, já no metrô e começou a ouvir ofensas homofóbicas vindas de um grupo de rapazes. Ofensas não direcionadas a ela, mas muito fortes, unidas a coisas que fariam caso vissem um gay dentro do metrô, ou, o que fariam a uma lésbica se tivessem a chance e seguiram de maneira degradante, rindo e ameaçando, ofendendo e se divertindo. Até então não estava nervosa, estava enojada, mas não nervosa, mas algo mudou de repente quando eles começaram a lhe olhar diretamente. Eram três, eles começaram a olhar e quando começaram a falar especificamente sobre as garotas do hóquei na Olimpíada, seu coração gelou. Estavam falando da equipe da Holanda, havia saído outra reportagem aquela manhã sobre duas atletas casadas e outras assumidamente gays que faziam parte da equipe, e já estava assustador o suficiente quando eles começaram a falar diretamente de Kelsey.

 

Levantou no mesmo momento, indo em direção a porta, se preparando para descer, tentando se misturar às pessoas, mas não estava tão lotado e os três vieram atrás, agora falando diretamente com ela, dizendo que a conheciam da internet, da tevê, que tinham visto uma certa reportagem, que Laura era tão bonita, que podiam resolver “certos problemas” e foi quando o metrô parou e conseguiu escapar o mais rápido que conseguia. Desceu, andando rápido entre as pessoas, tentando se misturar, mas tinha certeza que um deles havia a seguido. Então correu para os seguranças, contou o que aconteceu, um deles pediu que ela ficasse calma, o outro não ligou muito, seu coração estava disparado, Laura estava nervosa, tremendo demais e teve a absoluta certeza que não conseguiria dar mais nenhum passo sozinha.

 

Sua ansiedade hereditária lhe fazendo de refém. Ela ainda estava muito viva dentro de si.

 

Ligar para Ívi foi um instinto.

 

O sinal caiu quando ela entrou no metrô, mas ao menos, Laura sabia que ela estava vindo, que ia chegar logo e...

Seu coração gelou no peito de novo. O cara tinha mesmo a seguido.

 

— Foi esse cara!

— Está nervosa, princesa? Não é um absurdo, amigo? — Ele começou a falar com o segurança — Não se pode mais nem fazer um elogio que elas já ficam assim! Você pode gostar de mulher, mas continua mulher, princesa, eu gosto de mulher também, tenho o direito de ao menos te fazer um elogio, não tenho?

— Fica longe de mim, seu imbecil!

— Cara, fica longe que eu não quero problemas — Era o segurança, pouco se importando.

— Fico, sem problemas que eu fico sim! A gente vai pra onde, princesa? Eu vou ficar aqui, te esperando ir, eu te levo se você quiser, é perigoso andar por aí sozinha — Ele não tirava o sorriso debochado do rosto.

— Você não vai fazer nada? — Laura se dirigiu ao segurança.

— Ele não está fazendo nada, relaxa você também! Está perdida? Precisa de alguma informação?

 

E Laura andou pra cima do segurança furiosa.

 

— Ele está me assediando! Eu preciso que você tire ele de perto de mim!

— Ele não está fazendo nada! Relaxa aí, não me causa problemas você também...

 

E Laura não acreditou, no jeito que estava sendo tratada, naquele cara que não ia embora, que não saía de perto, que seguia lhe dizendo os maiores absurdos! Ligou para a polícia, ficou na linha tanto tempo que desistiu, ninguém viria de qualquer forma, tentou ligar para Kelsey, só para ter a sensação de estar falando com alguém, ela atendeu, Laura tentou explicar o que estava acontecendo, mas o assediador não lhe deixava em paz e em determinado momento, Laura não conseguiu mais ignorar e partiu pra cima dele, subindo o tom enquanto sua fúria saía de seu controle. Que ele saísse, que fosse embora, o segurança seguia dizendo que não era problema dele e Laura não conseguia acreditar no que estava acontecendo!

 

— Sério que você não pode fazer nada? Sério que eu estou te pedindo ajuda e você está me ignorando?! — E a postura física de Laura estava completamente alterada, os braços rígidos para baixo, as costas eretas, os punhos fechados, a cabeça erguida, ela se movimentava de um lado a outro feito um gato selvagem enjaulado.

— Ele não está fazendo nada, menina, nada!

— É por isso que você não estava se sentindo segura.

 

E ouvir a voz de Ívi foi a melhor coisa possível. Ouvir a voz dela era sempre uma delícia, Laura tinha quase um fetiche pela voz dela, mas ouvi-la assim, naquele momento, foi a melhor coisa do mundo inteiro, a melhor. Laura não iria esquecer aquela sensação nunca.

 

Andou para ela com aqueles passos felinos e, se agarrou em Ívi, tremendo, assustada, furiosa demais, mas absolutamente aliviada por não mais precisar enfrentar sozinha. Ívi estava ali, tudo ficaria bem, tudo ficaria bem.

 

Viniste, mí amor, viniste... — Foi tudo o que conseguiu dizer, repetidamente, agarrada na camisa de Ívi, em seus braços, em sua proteção.

 

Ívi a apertou nos braços, a cheirando, a sentindo perto porque nunca na vida a Barra da Tijuca havia estado tão longe de Ipanema, pareceu levar horas entre o momento em que Laura ligou e aquele em que Ívi finalmente, estava com ela em seus braços.

 

— Laura, olha pra mim, está tudo bem? — Tocou o rosto dela com ambas as mãos, lhe buscando os olhos, tentando checar se ela estava bem — Eles te fizeram alguma coisa? Te tocaram, te machucaram?

— Eu quero ir embora, Ívi...

Vamos, vamos embora! Eu faço a segurança de vocês — O assediador continuava exatamente no mesmo lugar e com o mesmo sorriso.

 

E Ívi, Ívi olhou diretamente para ele.

 

— O que você disse?

— Que eu levo vocês. Ela não queria sair do lugar sem companhia e agora eu entendo o porquê. Eu também não iria a nenhum lugar sem uma coisa gostosa como você.

 

Ívi olhou para o segurança.

 

— Você está ouvindo isso e não está fazendo nada?

— Ele não está fazendo nada, moça, eu já disse pra ela relaxar que isso não é nada...

 

E Ívi ficou...

 

Furiosa.

 

— Você é outro idiota, sabia? É literalmente pago apenas para dar direções, não serve para mais nada!

— Ele não está fazendo nada! Não é problema meu se ela não gosta do que está ouvindo, eu não posso impedir as pessoas de falarem!

Idiota — Disse, olhando bem nos olhos dele — Garotinho de direções.

— Você está me desrespeitando!

— Ah, eu estou? Meu Deus! Chama a segurança, chama agora! Mas eu te adianto que eles vão te mandar relaxar e dizer que não podem fazer nada!

— Ívi, só vamos embora, são dois idiotas, eu não consegui ir sozinha porque fiquei com medo que ele me seguisse e dei uma surtada, por causa da minha ansiedade, acabei ligando para você e...

— Laura, você não tem que justificar porque me ligou, eu viria pela metade dos motivos, entendeu? — Disse, olhando nos olhos dela — Eu viria ainda que você só tivesse caído e ralado os joelhos, viria se você só estivesse confusa e com dor de cabeça, viria ainda que você só não quisesse ir pra casa sozinha, eu viria, entendeu? — E a viu quebrando aqueles olhos em emoções pequeninhas e indecifráveis, a viu buscando o seu pescoço e seu lugar seguro, e Ívi só pôde tocá-la pela nuca, beijar a testa dela, dar a ela a certeza de todos os motivos pelos quais viria por ela. Só queria Laura calma e segura, era pedir muito? Só a queria calma e segura — Nós vamos pra casa, está bem?

— Isso, vamos lá, vamos pra casa! — O assediador disse em voz alta, se divertindo muito e a paciência de Ívi acabou.

 

Ívi avançou nele tão rápido que Laura sequer percebeu. O empurrou com o cotovelo, batendo muito forte no peito dele.

 

— Ei!

— Ousa me seguir. Ousa me seguir para você ver o que te acontece!

— Ívi, Ívi, calma! — Laura tentou segurá-la, totalmente em vão, Ívi era muito mais forte.

— Vai fazer o que, hein, metida a violenta, a super-heroína? — Ele veio para cima — Vai fazer o quê?!

Ívi puxou o taco de hóquei de dentro do estojo nas costas, ameaçadoramente, fazendo assediador e segurança imediatamente darem um passo para trás.

— Ei, moça, calma, calma!

— Eu estou calma, muito calma — Girou o taco no ar e espatifou uma garrafa de água que estava no chão a esmagando contra a parede, fazendo um barulho imenso — Se eu causar um transtorno no seu metrô vai ser um problema, não é? — Encarou o segurança.

— Você pode ficar calma, por favor?!

— Eu estou calma, eu não pareço calma por acaso? — Olhou o segurança ainda mais de perto e então, encostou a ponta do taco no peito dele — Eu vou pra casa, você está me entendendo? E se esse cara me seguir, eu vou causar um problema no seu metrô gravado por todas essas câmeras de segurança que vão mostrar que você podia ter evitado, mas nada fez. Então, meu amigo, eu vou naquela direção e você vai dar o seu jeito de fazer com que esse idiota não me siga, ou eu vou ter que mostrar para ele a potência desse esporte aqui, tudo bem? O taco é feito para acertar bolinhas — Abriu um sorriso debochado para o seu perseguidor — Bolinhas de carbono, então eu acho que você não vai se sair muito bem nisso com as suas bolinhas que são só bolinhas mesmo. Posso ir?

 

O segurança segurou o assediador.

 

— Para fora, vamos, já chega de confusão...

 

O segurança levou o cara para fora e Laura desabou.

 

No choro e nos braços de Ívi. Se agarrando nela, chorando muito, fisicamente chorando, ela estava tremendo inteira, com o coração disparado, a respiração toda atrapalhada. Vestidinho branco com flores campestres vermelhas de Thai, tênis de Ívi nos pés, jaqueta jeans de Julia, ela de fato, não tinha mais roupas suas limpas.

 

Shsssss, tudo bem, tudo bem, olha pra mim, deixa eu te ver, amoriño, está tudo bem mesmo? Fisicamente? Eu devia ter chamado a polícia!

 

Laura não disse nada, nem uma palavra, apenas enroscou os braços em volta do pescoço de Ívi e pediu o seu abraço, pediu mesmo, no seu ouvido e com seu corpo todo.

 

E Ívi não precisava de mais nada.

 

A cheirou, beijou os cabelos dela, a guardou em seus braços do jeito que ela estava pedindo. E só então a tirou do meio das pessoas, a levou para um canto mais tranquilo, comprou água para ela, se abaixou à sua frente, pegou suas mãos. Ela ainda estava chorando entre dois sentimentos, o de estar muito assustada e o de estar irritada por estar tão assustada, dava para ver as duas coisas muito presentes nela. E sim, não soltava Ívi nem um instante, nem um pouquinho.

 

Mí amor?

 

Laura lhe olhou e abriu um sorriso.

 

Você — Ela disse, com os olhos ainda transbordando — Mí amor, é você — Ela estava quebrada e por pequenas frestas, rastejavam alguns sentimentos.

— Eu sei que sou eu. Os seus “mí amor” estão acabando comigo, amoriño, mas pode continuar, eu consigo sobreviver — Disse sorrindo e a fazendo sorrir — Você está mais calma, anjo?

— Desculpa te fazer sair assim, você nem secou o cabelo.

— É o que menos importa, já te disse que eu viria se você me dissesse só “Ívi, vem que eu preciso que você venha”, ponto, como eu não viria por algo tão grave? Me conta o que aconteceu, onde ele te abordou, como foi isso?

 

Laura agarrava a mão dela, não soltava.

 

— Foi no metrô, ele estava com mais dois idiotas e eles estavam falando de gays, então começaram a falar da equipe de hóquei da Holanda e rapidinho chegaram na Kelsey. Eles não disseram o nome dela, usaram termos para se referir a ela, eu sei que era dela que eles estavam falando e ontem tiraram novas fotos nossas, Ívi, eu não sei se você viu e…

— Eu vi sim — Tocou o rosto dela com carinho — Você nunca tinha passado por nada parecido?

Laura negou.

— Eu já me envolvi em algumas brigas por causa de homofobia gratuita, fui parar na delegacia e tudo, não é agradável, não deveria acontecer. Mas acontece ainda, especialmente quando estamos expostas, eu me exponho por causa da música e você, bem, a culpa não é da exposição, são dos babacas que ainda existem — Ficou olhando para ela e, lhe bateu o desespero repentino. A abraçou, muito forte, tocando os cabelos dela, a agarrando muito junto a si — Se tivessem feito alguma coisa com você...

— Não fizeram nada grave, está tudo bem — A ouviu lhe respirando e sorriu, adorava a ouvir lhe respirando — É que eu fiquei assustada, com medo… Ívi, ele disse que… Que… — Só de lembrar ficou nervosa de novo e ela sequer precisava dizer, Ívi sabia o que ele deveria ter dito para uma menina bonita como ela.

— Tudo bem, tudo bem, olha pra mim, aqui — Buscou aqueles olhos lindos — Ninguém vai fazer mais nada, está bem? Você está segura.

— Eu sei — Laura não a soltava — Eu ainda não acredito que você veio armada, eu levei um susto enorme com aquele movimento!

 

Ívi abriu um sorriso, sabia que ela tinha se assustado.

 

— É o taco da Karime?

— Ou uma arma poderosa, você decide — Disse, a fazendo sorrir novamente — Ela me disse que já salvou uma garota com este taco uma vez, não tem como entrar numa briga física com qualquer cara, é preciso uma vantagem para que seja justo...

 

Laura se agarrou nela, pela camisa dela, a mantendo muito junto a si.

 

— Eu não quero você em nenhuma briga física, está bem?

— Às vezes é preciso, amoriño. Eu fiquei feliz de chegar aqui e te ver assustada, mas agindo, encarando, não aceitando o assédio e pronto. Eu acho que há mulheres que se apegam a essa parte de que estamos em desvantagem física e simplesmente aceitam o que pode vir a acontecer. Você estava com postura de luta, deveria ter se visto, a sua postura física estava diferente, estava feroz. A gente não pode só aceitar esse tipo de assédio e este tempo sozinha nessa cidade me fez ver isso ainda com mais clareza. Eu precisei me defender muitas vezes aqui e eu sei que às vezes, só uma atitude extrema resolve.

— Gata de rua aprende a brigar — Ela disse, esboçando um sorriso.

— Mais ou menos isso. Mas gata doméstica não precisa brigar, está bem? Muito menos gata de raça europeia... — Disse, a fazendo rir mais um pouquinho, ela estava começando a relaxar. Ela encostou o rosto no seu ombro, o nariz afundando no pescoço de Ívi.

— É tão bom te ter perto assim... — Confessou, porque tinha passado o dia inteiro longe dela e já estava morrendo de saudade.

— É muito bom de te ter agarrada em mim... — A tocou pela nuca, os olhos se fechando, Laura lhe agarrando pela sua camisa e, o selinho foi doce, longo, todo apegado.

 

Laura a puxou e a abraçou em seguida, bem apertado, afundando o rosto no ombro de Ívi.

 

— Essa camisa é minha.

— Ah, é sua?

— Eu adoro ela em você. Eu vi você no metrô, com os punhos desabotoados, o colarinho aberto, eu fiquei toda perdida...

 

Ívi respirou nela sorrindo. Como mesmo que ia superar Laura sem sofrer? Não dava não. Nem sem sofrer, nem sem querê-la muito, nem sem ser tão feliz por cada pequena coisa que acontecia entre elas.

 

— Vem, amoriño, vamos pra casa, vem.

 

Foram pra casa. Sem Laura soltar de Ívi nem um segundo e nem parar de procurar os agressores o tempo todo, e Ívi se preocupou, Laura de jeito nenhum merecia um trauma por causa de um punhado de idiotas. Ívi já sabia que ela era ansiosa e que essa ansiedade podia desencadear algumas coisas, só não sabia exatamente que tipo de coisas eram essas. Que ela ficasse bem, só queria que Laura ficasse bem.

 

 Chegaram em casa, Ívi a fez entrar no banho e quando ela saiu, tinha seu jantar servido na mesa.

 

— Você…?

— Eu já estava te esperando. Vem aqui, senta aqui, me conta como foi seu dia tirando esta última parte.

 

Laura quase chorou. Mas nem era por nada, era só pelo quanto Ívi era maravilhosa. A abraçou de novo, lhe beijou no rosto com muito carinho, sentou-se para jantar com ela. Contou do seu dia, que tinha ido pra faculdade fazer uma prova, que passou um tempinho com Kelsey, que a assistiu treinar para o jogo mais complicado até então, enfrentariam a Argentina no dia seguinte e ela estava uma pilha. Contou que viu repórteres por todos os lados e que era bem esquisito se sentir exposta assim.

 

— Laura, está tudo bem mesmo? Você esqueceu de lavar suas roupas, amoriño.

— Eu sei, a minha bagunça deu uma piorada, mas eu acho que é porque são muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, eu nunca fui boa em lidar com tantas coisas. Ívi... — Olhou nos olhos dela — Obrigada. Por ter ido tão rápido. Por ter brigado para me proteger.

— Laura, eu acho que você ainda não entendeu o quanto eu gosto de você. Eu gosto de você pra caramba, depois do que você fez por mim, não tem nada que eu não faça por você e isso é mais que uma frase vazia. Não tem nada que eu não faça, entendeu? Nada que não seja, criminal ou ilícito — Disse, a fazendo rir — Tirando essa classificação, não tem nada que eu não faça. Incluindo, entender esse momento incomum que nós estamos passando.

 

E então, ela lhe pegou a mão.

 

— Você sabe que é verdade, não sabe? — Perguntou, lhe olhando nos olhos — Todo o meu carinho por você, esse monte de sentimentos emaranhados, ainda sem classificações conhecidas — Abriu um sorriso molhado.

— Eu sei sim — Beijou a mão dela com carinho. E então sabia que era melhor deixar o momento ir, Laura estava emotiva e sensível, e Ívi nunca abusaria disso — Ei, Julia e eu terminamos a música!

Aturdida?

— Essa mesma! Quer ouvir?

 

É claro que queria. Ívi mostrou para ela depois do jantar e ela se divertiu demais! Não era nada do que esperava, no final era uma música divertida, sobre uma garota que fica aturdida pela outra, que não quer mais ficar, mas fica de qualquer maneira, num ciclo viciante e delicioso.

 

— Vocês duas, caramba! Vocês tinham que se encontrar, sabia? Mais do que você e eu, você tinha que encontrar a Julia.

— Eu acho que ela tem um fio meu amarrado em algum lugar, tipo, sabe quando você pisa no novelo e ele prende na unha do seu dedinho do pé? É Julia e eu — Disse sorrindo.

— É bem assim mesmo — Laura respirou fundo, deitando no colo de Ívi por um instante — Não conta pra ela de hoje? Ela vai surtar, não vai querer mais que eu saia sozinha…

— Bem, isso eu também não quero, você já tem esse problema.

 

Laura abriu outro sorriso, tocando a mão de Ívi, que, seguiu o que estava dizendo.

 

— Mas não contamos pra Julia se você não quiser. Eu só não vou te deixar andar sozinha por uns dias, está bem? Eu te levo onde você precisar ir.

 

E Laura sabia que aquilo era mais por que ela mesma precisava do que por algo que Ívi precisava. Ívi era sensível assim.

 

Foram para o quarto e Laura ficou andando em silêncio de um lado a outro por um tempo. Ívi ficou a observando, se perguntando o que deveria fazer, ela ainda estava assustada, irritada, tinha passado, mas como todos os sustos, iria demorar para ir embora todas as suposições do que poderia ter acontecido. Ívi levantou e foi até ela.

 

— Laura, meu bem, vem cá, vem — A guardou no seu abraço e Laura se agarrou pelos seus braços, pela sua roupa, se escondendo em seu ombro, em seu pescoço, em todos os seus bons sentimentos por ela.

 

Não precisou fazer sua cama no chão. Laura não lhe deixou sair de perto nem por um centímetro.

 

6 AM. O celular despertou impiedoso e todas elas iriam para Deodoro aquele dia. Laura não contou do incidente para mais ninguém, achou melhor assim, melhor não causar insegurança por algo pontual, que tinham resolvido. Foi assustador, foi, mas já tinha passado e era muito, mas muito melhor ver Laura assim, segura, racional, totalmente recomposta. Foram o caminho inteiro olhando as visualizações, surtando com os bons comentários sobre “Aturdida” que já estavam surgindo e, Laura estava agarrada em Ívi de maneira bem particular. Ficou agarrada nela o caminho a pé, então no metrô, no trem e no caminho para o parque olímpico.

 

— Laura, está tudo bem? —  Era como se Julia farejasse os sentimentos de Laura.

— Está sim.

— E não está soltando a gata de rua por quê...?

— Você quer roubar ela de mim! Eu estou lendo os comentários na internet, tá… — Respondeu fazendo graça e mudando de assunto.

 

Chegaram no parque olímpico da mesma forma, Laura toda agarrada no braço e na mão de Ívi, e assim que entraram na arena…

Bem devagarinho, Laura foi a soltando.

 

Kelsey esperava por ela.

Notas do Capítulo:

 

Olá, meninas!

 

Enfim, um capítulo adiantado de verdade, não é? Haha. Consegui correr com algumas coisas aqui e consegui um tempinho para arrumar tudo e publicar de fato um tantinho antes porque vocês andam merecendo ^^.

 

Sei que este capítulo ainda não é exatamente o que todas vocês estão esperando, mas o hilo rojo voltou a contrair entre Laura e Ívi, e acho que ambas estão tendo cada vez mais clareza de todos os sentimentos em que estão envolvidas ♥. Momento em que as duas se aproximaram demais, se apoiaram e se cuidaram demais, a única coisa que não deve ter passado pela mente de ambas, era Kelsey as esperando no final de tanta proximidade. ¿Ahora, dime que va a pasar?

 

Próximo capítulo, "Namorada", a ser postado na próxima quarta-feira, dia 24/07 e, já sabem de todas as regras!

 

P.s.: Eu nunca tinha escrito uma cena de homofobia, sei que é desconfortável, mas me sentia em dívida com esse tema tão importante a ser combatido. ;)

 

Abraços!

 

 

 

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