6 AM - Capítulo 16 - A Coroa

27/7/2019

 

 

 

As coisas começaram a andar de modo diferente pelos próximos dias. Houve Julia fazendo Thai desistir de ir para Arraial do Cabo, houve uma saída para compras de roupas em lojas de departamento e Ívi não fazia ideia de como Thai podia encontrar coisas tão legais e tão baratas! Saiu cheia de roupas novas gastando muito pouco e a sensação de que as coisas estavam andando aumentou ainda mais a sua sensação de tranquilidade. Foi bom ter falado claramente com Kelsey, foi ótimo sentir de Laura que ela lhe precisava, que estava sentindo um tanto enorme também e isso de alguma maneira…

 

Não entendia bem os motivos, mas saber disso lhe fez relaxar mesmo. Relaxar tanto que se aproximar de Karime aconteceu quase sem Ívi perceber.

 

Foi o que Laura ouviu quando voltou pra casa naquele final de tarde. Tinha ido pra faculdade, feito quatro horas de voluntariado em Deodoro, dado um jeito de encontrar com Kelsey no centro médico, ela estava machucada, as raladuras nos joelhos não estavam tendo tempo de fechar e isso andava a deixando estressada e precisando de Laura. Então depois das aulas, do voluntariado e de passar um tempo com Kelsey, tinha pego aquelas duas horas de volta, andado mais um pouco e quando chegou em casa…

 

As risadas vindas do quarto de Karime. Risadas e outros sons que lhe deixaram…

 

Respirou fundo, pegou um copo de água, o tomou inteiro só de uma vez enquanto um gemido de Karime se tornou audível o suficiente para fazer seu rosto enrubescer. Outra longa respirada e, Julia chegou.

 

De violão nas costas, calça jeans, camisa branca de botões, aberta até a entrada dos seios, mangas dobradas, pulseiras brilhando, bonita demais, bonita como sempre, ela e aqueles olhos de pôr do sol que eram a coisa mais linda possível. Havia sido algo que Thai lhe disse no dia em que ela e Julia se conheceram, depois de Julia deixar Laura quase louca porque queria porque queria falar com a menina nova do seu time de hóquei. Foram deixar Thai em casa e quando Laura perguntou o que ela tinha achado de Julia a resposta foi: ela tem olhos de pôr do sol. E nada poderia fazer mais sentido.

 

Julia entrou e olhou para Laura com os olhos se pondo assim que viu aquela expressão no rosto dela e que, ouviu o motivo de tal expressão.

 

Era sério? Era sério sim e agora ela parecia ainda mais constrangida por Julia ter percebido. Deixou o violão e foi até ela.

 

— Ei, você — A abraçou com carinho, lhe beijando a testa, sabia bem o que ela estava sentindo, sentia igualzinho quando chegava em casa e, ouvia Thai e Karime brincando sozinhas. Não podia reclamar e nem evitar o incômodo, era bem o que Laura deveria estar sentindo — Chegou agora?

— Acabei de chegar — Respondeu, apertando Julia em seus braços. Parecia fazer séculos que não se viam e podia ser mesmo, tudo andava tão corrido.

— Dia longo? Você parece cansada.

— Um pouquinho longo sim. Mas agora já está tudo bem.

 

Silêncio. Outra risada vinda do quarto.

 

— Escuta — Julia a pegou pela mão, a trazendo pra sala, a afastando daquele quarto — Lembra que eu te falei que abriu uma Starbucks aqui perto?

— Lembro sim! Você me prometeu que…

— Iria te levar lá para um café. Vamos agora?

Juls

 

Julia pegou sua mão e beijou.

 

— A gente precisa conversar sobre a María, sobre o visto que eu fui ver hoje, passar um tempo juntas. Eu preciso de você, mí vida. Eu sempre vou precisar — Ela lhe disse da maneira mais doce, tão parecida com sua Julia de tempos atrás... — Vamos tomar um café? Um Macchiato que você tanto gosta?

 

Laura pensou um pouco, apertou os lábios.

 

— Me dá 10 minutos para um banho?

— O tempo que você precisar, eu te espero, vai lá.

 

Ela correu para o banho e Julia foi bater no quarto de Karime.

 

— Ívi? Ívi, vem aqui um minuto.

 

Levou de fato quase um minuto até ela sair do quarto. Ívi abriu a porta e Julia a puxou para fora, fechando a porta imediatamente.

 

— Julia…?

— Escuta aqui, eu te esfolo viva se você fizer a Laura sofrer, entendeu?

— Oi? — Ívi riu de nervoso.

— Ívi, eu sei que vocês não têm nada, sei que ela namora, mas não faz isso, está bem? Eu entrei e a Laura estava aqui, ouvindo você e a Karime com o coração batendo tão forte que estava pelo rosto dela.

 

E a expressão no rosto de Ívi mudou imediatamente.

 

— Eu… Eu não sabia que ela ia chegar agora, Juls, de verdade. Eu nunca faria nada com a Laura presente, não é para atingir ela nem nada disso.

— É bom que não seja, porque senão teremos problemas, você e eu. Não está fácil pra ela, Ívi, eu conheço a Laura. Ela anda bagunçada, está perdendo a hora das coisas, não está conseguindo estudar, organizar o que precisa, ela está sob uma pressão enorme entre você e a Kelsey, não está confortável pra ela como você pode estar pensando que está.

— Eu não estou achando que está, Julia, muito pelo contrário. Estou tentando tirar a pressão de cima dela.

— Ficando com quinze garotas diferentes, eu vejo o seu plano.

— Não é assim.

— Que não seja. Eu te chamei aqui só para você baixar o volume com a Karime.

— Onde a Laura está? Eu preciso falar com ela.

— De jeito nenhum, ela vai ficar constrangida. Ela sabe que não pode cobrar nada de você. A gente vai sair para tomar um café, não se preocupa, só cuida disso.

 

Quando Laura voltou pra sala, Julia também tinha tomado um banho rápido e trocado de roupa. Havia esfriado de repente e ela assim, de jeans e suéter, cabelos soltos e chinelo nos pés, lhe levava direto para Madrid outra vez. Eram muito sentimentos. Julia lhe pegou pela mão, desceu ao seu lado, chamou um táxi porque não queria que Laura andasse, ela estava cansada, sabia e todas essas coisas…

 

— Lembra quando você trabalhava na Starbucks lá em Madrid? — Ela lhe perguntou sorrindo, abrindo a porta da cafeteria para Laura entrar.

— Que você ia me buscar todos os dias? — Respondeu sorrindo também porque só de lembrar, já aqueceu seu coração.

— Eu ia. Aliás, te buscar na escola, no hóquei, no trabalho, era o nosso tempo juntas já que em casa…

— Não podíamos ficar juntas, eu sei.

 

Um longo olhar. O pôr do sol no verde-galego.

 

— Pega uma mesa pra gente, vai, eu vou pedir o que você gosta.

 

Não duvidava que ela fosse. Julia fez o pedido e Laura ficou a observando jogando charme para a atendente no balcão. A conversa demorou um pouquinho, muitos olhares, muitos sorrisos, era uma conquistadora nata mesmo aquela sua garota. Ficou de papo até receber o seu pedido e daí veio pra mesa com Laura. Com um chocolate quente com creme e chocolate derretido, bolo Red Velvet, croissants, uma moeda de chocolate para fazer Laura sorrir.

 

— Até a estrutura parece com a de Madrid, não acha?

— Eu achei também. Juls, você falou com a María hoje?

— Falei e fiquei bem preocupada…

 

Conversaram um pouco sobre María porque ambas andavam mesmo preocupadas. María andava fugindo de casa, fugindo das aulas, frequentando festas que não deveria e tudo complicava demais sem uma referência. Não tinham família além de Alejandro que não falava com as duas, não tinham como saber de María se não fosse por ela mesma e os comportamentos impulsivos andavam preocupando em triplo: ela estaria bebendo, usando o que não deveria ou simplesmente, tinha herdado a personalidade complicada de Claudia? Pelo comportamento, podia ser qualquer uma das opções.

 

— Ela precisa ir num terapeuta, só pra gente descartar.

— Eu sei que ela precisa e — Julia comeu um pedacinho do bolo que dividiam — Laura, não acha que seria bom você ir também?

Juls, eu não tenho como…

— Porque você não quer ter, Laura. A Kelsey te deu um cartão de débito que você sequer toca, eu já disse que pago a consulta se você precisar, não é por nada, Laura, mas nós combinamos que seria interessante ao menos uma consulta a cada três meses, não combinamos? Já faz quase um ano.

 

Laura sabia que tinham combinado.

 

— Posso ver depois da Olimpíada? É que está tudo meio bagunçado, eu não ando conseguindo ter tempo pra nada, nem para me organizar direito.

— Tem alguma coisa te incomodando mais?

 

Laura arrancou um pedacinho do croissant.

 

— Não tem não. Só é muita coisa mesmo e eu estou um pouco preocupada, o meu estágio acabou, o voluntariado vai acabar também.

— E você poderia trabalhar aqui, o que acha? É perto de casa, é algo que você faz com muita facilidade e que gosta de fazer. Eu estava conversando com a atendente ali e ela me disse que o problema está sendo arrumar pessoas com experiência, a franquia é recém-chegada ao Brasil, você sempre me disse que a cafeteria foi a melhor terapia.

 

E tinha sido mesmo. Aprender sobre cafés, drinques e inclusive, gerenciar negócios, Laura tinha começado desenhando em copos de clientes e em dois anos, estava na administração. Quando saiu da Starbucks em Madrid, já era gerente júnior aguardando a maioridade para ser gerente full time. Trabalhar na cafeteria lhe fazia ocupar a mente com pensamentos randômicos que em muito lhe ajudou em seus… Problemas.

 

— Escuta, ela disse que basta submeter o curriculum no site, a gente pode tentar, não acha? Seis horas diárias, não vai atrapalhar a faculdade.

 

Laura pegou a mão dela sobre a mesa.

 

— Nós vamos tentar sim. Julia, obrigada. Por essa uma hora aqui.

— Eu quero que você saiba que eu estou aqui por você, Laura, como sempre estive, está bem? Eu sei que a minha chegada não foi suave e eu sei também que te machuquei quando você veio para cá, mas… Eu sou idiota ainda de vez em quando. Estou aprendendo, mas ainda sou idiota.

— Não é não — Respondeu sorrindo.

— Sou sim. Então, estou tentando desfazer as idiotices. Fui no consulado espanhol, pesquisar como resolver o meu visto ou a minha cidadania, e estou tentando me entender com a Thai. Entender mesmo, dei uma pausa com a Karime e estamos tentando entender o que se passa entre nós duas sozinhas.

— Eu tenho visto vocês duas e, eu gosto de ver vocês duas assim. Ela gosta muito de você, Julia.

— E eu gosto muito dela, apesar de gostar demais da Karime também.

— Mas veja bem, se você tivesse chegado hoje e fosse a Thai, não a Karime ficando com a Ívi?

— Eu teria esfolado a Ívi de verdade. Eu já quis esfolar só por ela estar fazendo isso te deixando desconfortável.

Julia

— Laura, não. Eu vejo o cuidado que você anda tomando com a Kelsey na frente dela, quem te beija é sempre a Kelsey, você sempre tenta abreviar os carinhos, não custa fazer isso.

— Você falou com ela?

Como sua irmã. Parece que depois que ela ouviu os seus sentimentos claramente, sei lá, mudou a forma de agir, eu sei que você não está bem, mas ela também não está... Normal. Ou o normal que eu esperaria dela.

— Não é culpa dela, Julia. Ela não tem feito nada de errado.

— Nem você tem. Escuta, deixa tudo isso para lá, por que a gente não anda um pouquinho até aquela livraria que você gosta?

Isso a fez sorrir. Caminharam até a livraria, estava friozinho, passaram um tempo entre as prateleiras e Julia lhe deu um livro de presente. “A Menina da Neve”, de Eowyn Ivey e quando elas voltaram juntas para o apartamento, Laura já estava bem mais tranquila. Não viram nem Ívi e nem Karime, jantaram juntas sozinhas, leram um pouco do livro juntas, era algo que costumavam fazer em Madrid e a história de um casal nos confins do Alasca que numa manhã juntos fazem uma criança de neve que parece ganhar vida no dia seguinte, aqueceu seu coração. Era o tipo de conto que Laura também amava.

 

Julia a deixou dormir e cruzou com Karime na cozinha. Era uma relação atípica aquela porque apesar de se adorarem, Karime tinha plena consciência de suas oscilações perigosas de humor e sabia bem que Julia tinha um talento especial para lhe alterar. A adorava, mas Julia era tóxica para si, tinha cada vez mais consciência disso. E essa toxicidade aumentava quando seus remédios começavam a terminar outra vez. Deitou nos braços de Ívi aquela noite e ela lhe tinha o efeito contrário, lhe acalmava, lhe tranquilizava, o que fazia Karime entender a obsessão de Laura um pouco mais. Dormiram juntas e quando acordaram pela manhã, Laura estava dormindo nos braços de Julia no sofá da sala.

 

Ívi se aproximou devagar, se abaixou perto delas, Julia estava toda marcada, mas não era da boca de Laura, tinha sido Karime na manhã anterior, sabia. Laura acordou surpresa, sem ter ideia de como havia ido parar na sala, no sofá, nos braços de Julia.

 

— Você gosta de dormir aqui, mí vida, não finja que não gosta, você faz isso há anos...

 

Laura respondeu sorrindo e beijando a mão de Julia, beijando a testa de Ívi em seguida, demorando o olhar em seus olhos um pouco mais. O fio estava esticado, sabia, mas não parecia estirado, sabia que não estava. Existiam coisas que inevitavelmente doíam, mas essas coisas não podiam ser assunto. Não na condição em que Laura estava, então, era melhor apenas deixar as coisas irem.

 

 Fizeram um outro caminho aquele dia, Ívi e Julia não tinham jogo de hóquei, mas tinham jogos de vôlei de praia e foi divertido demais! Ficaram em uma cabine totalmente aberta, bem mais perto do público, era diferente, mas era parecido também, um esporte dominado por brasileiros e americanos tinha um gosto natural de festa, foi uma experiência incrível, que adoraram e se perguntaram se poderiam fazer de novo. Outra noite separadas, Ívi preferiu dormir na sala sozinha, Laura não estava insistindo para que fosse para o quarto e a entendia mesmo, ela estava tentando fazer o melhor ou... Podia ter simplesmente se dado conta que estava mais apaixonada por Kelsey, ou só apaixonada por Kelsey, era difícil saber.

 

Para Julia, elas estavam simplesmente desencontradas e com ciúmes, quem iria resolver? Na dúvida, continuaram assim.

Os confrontos das quartas de final aconteceram no dia seguinte.

 

Às dez da manhã a Nova Zelândia venceu a Austrália num jogo que Ívi mal pôde prestar atenção, estava aérea, distante, desinteressada demais e então, um pouquinho mais tarde, a Alemanha mandou os Estados Unidos pra casa e às oito e meia da noite, dois jogos simultâneos, Julia e Ívi tiveram que fazer Holanda x Argentina enquanto Grã-Bretanha x Espanha jogavam na outra arena, e este jogo sim lhe fez ficar bem acordada. Assistir a Holanda bicampeã olímpica jogar era um privilégio e Ívi entendeu o motivo de tanto favoritismo. Talvez a Grã-Bretanha de Kelsey caísse mais uma vez diante daquela equipe superestrelada com as melhores do mundo e aquilo lhe dava sentimentos duplos. O afastamento de Laura estava lhe deixando insegura, sabia que estava e entendia Julia melhor agora nesta posição.

 

E se ela decidisse ir embora com Kelsey?

 

A Holanda passou apertado demais pelas argentinas, 3x2 num jogo muito disputado enquanto na outra arena, a Grã-Bretanha passou em cima da Espanha com um 3x0 regido por Kelsey. Mais dois dias até a semifinal, outro dia que Laura pôde passar com Kelsey, outro dia em que o fio se esticou um pouco mais, em que fizeram outro dia na arena de vôlei de praia e naquela noite, saíram juntas, apenas Julia, Ívi e Karime. Ívi sentia que estava precisando respirar outro ar, beijar outras bocas porque subitamente toda a calma que andava sentindo estava se desfazendo com a não insistência de Laura em se manter por perto. Era por causa de Karime, por causa de Kelsey? Não tinha ideia, só esperou que sair para um lugar diferente, conhecer pessoas diferentes lhe resolvesse a ansiedade ao menos um pouco. Deu em nada, ficou com duas meninas que não significaram nada, não lhe ajudaram em nada, só a fizeram voltar morrendo de vontade de dormir perto de Laura outra vez. Decidiu dormir em sua cama no chão e, ela não teve ataques de sonambulismo e pelas suas contas, já fazia tempo demais que não ficavam juntas.

 

Chegou o dia da semifinal, Holanda e Alemanha empataram num jogo duríssimo, 1x1 e tiveram que ir para os pênaltis. Uma tensão, um negócio diferente de ser assistido, o silêncio da arena para que as atletas ouvissem o apito do árbitro e a Holanda acabou vencendo, 4x3 e estavam na final. Agora era só esperar.

 

A Grã-Bretanha iria jogar somente no final da tarde, o número menor de jogos também estava afetando Ívi financeiramente, ainda faltavam duzentos reais para que pagasse o hostel, ainda faltavam cem reais para que comprasse uma cama e lá estava, Kelsey Harris aquecendo para jogar uma semifinal olímpica. Era um paralelo e tanto.

 

— Ainda quer que ela vença? — Julia lhe perguntou.

— Eu não vou torcer contra, Juls.

— Você não está você hoje, aliás, têm uns dias já.

— Eu sei, eu estou com uns problemas em Alagoas também, minha mãe ficou internada por causa das dores nas costas, está precisando ficar sem trabalhar, precisando de remédios e sinceramente… — Respirou fundo — Eu quero tanto dar certo, Julia, quero tanto poder começar a ajudar, sabe, pagar um bom plano de saúde para ela, dizer que ela não precisa mais trabalhar tanto.

— Ívi, nós estamos trabalhando muito, as coisas já estão dando certo. Lembra que você estava prestes a dormir na rua há duas semanas?

— É que a gente já fez tanto que parece que já faz muito tempo — Abriu um sorriso.

— Tem sido intenso, eu sei. Escuta, vamos lá, eu vou torcer por Kelsey Harris!

 

Ívi abriu um sorriso.

 

— Sério?

— Você vai se sentir muito culpada se essa menina perder hoje, eu vou torcer por ela...

 

Nem precisou de tanta torcida assim.

 

Kelsey Harris jogou e quando ela jogava, as coisas ficavam muito mais fáceis, os britânicos tinham toda razão.

3x0, com direito a gol de Kelsey no passeio da Grã-Bretanha em cima da Nova Zelândia. A final seria dois dias depois e, Laura e Ívi nunca estiveram mais distantes.

 

Mal a viu nesses dois dias. Laura correu muito, com a faculdade, seu voluntariado, com Kelsey, é claro, Ívi e Julia envolvidas com a arena de vôlei de praia, com o bom momento que estavam tendo juntas, gravaram mais alguns vídeos pra internet, Ívi era boa com as garotas, boa com o público que Julia já tinha e se seu fio com Laura parecia estar esticando, com Julia o efeito era contrário. Tê-la por perto era uma das melhores coisas, de verdade, seu bem-querer por aquela menina só crescia, eram almas gêmeas, sem nenhuma dúvida e estar ao lado dela todos os dias era um presente. Quem diria, Ívi jamais imaginaria que estaria tão próxima de Julia fazendo tantas coisas boas da forma que estava.

 

Tiveram um dia longuíssimo, mas separadas desta vez. Natalia havia enviado Julia para um barzinho em Ipanema e Ívi para uma boate na Barra da Tijuca mesmo. Foi bom estar numa boate novamente, sentindo aquela energia incrível da noite, já estava com saudades disso, dessa sua origem a qual não voltava desde quando saiu de Alagoas. Chegou em casa perto das quatro e, Laura estava apagada no sofá.

 

As anotações espalhadas, as apostilas também e ela tinha pego no sono sentada, com o livro sobre o peito, a boca ligeiramente aberta, respirando tão calma e tão bonita que Ívi nem sabia. A final seria no dia seguinte e sabia que ela estava exausta, se dividindo entre voluntariado, faculdade e Kelsey. Kelsey tinha uma equipe médica enorme à sua disposição, mas jurava por Deus que nenhum deles conseguia pôr seus músculos em ordem como Laura fazia e o resultado era aquele ali, a menina linda de Ívi derrubada pelo cansaço.

 

Se abaixou junto dela.

 

Amoriño? — Ela apenas murmurou qualquer coisa — Ei, meu bem, vamos pra cama?

— Ívi... — Ela agarrou no pescoço de Ívi e não disse mais nada, nem se moveu mais, já estava dormindo outra vez.

 

Tudo bem, Ívi tirou o livro dela e a pegou no colo, a levando pra cama, imaginava quanto Laura pesaria se não tivesse tantos músculos, porque com todos eles, ela ainda era extremamente leve. A deitou na cama e quando ia a cobrir...

 

— Ívi, fica aqui...

 

Abriu um sorriso.

 

— Claro que eu fico, me deixa só tomar banho.

 

Tomou banho, se trocou e, percebeu que Laura seguia dormindo. E devia estar dormindo quando lhe pediu para ficar junto. Devia, não devia? A mão dela lhe agarrou e não permitiu que se movesse, se não devia, foi mais fraco do que Ívi queria, então...

Ela acordou agarrada em sua camisa.

 

— Ívi...

— Você estava dormindo no sofá, eu te trouxe pra cama e você não deixou eu me mover — Respondeu sorrindo.

— Eu sei que deve ter sido assim — Ela sorriu também, ainda agarrada em sua camiseta — Eu estava com saudades de você.

 

Outro sorriso de Ívi, um cheiro naqueles cabelos. E então um silêncio, de quem queria perguntar muitas coisas, mas sabia que não devia.

 

— Você está bem? — Optou por perguntar.

— Nervosa, você não faz ideia.

— Sua namorada será campeã olímpica hoje, eu também estaria.

 

Ninguém disse mais nada. Ívi e Julia foram para Deodoro primeiro, as garotas iriam mais tarde, a disputa pelo terceiro lugar aconteceria ao meio-dia e trouxe uma grata surpresa para Ívi: não é que conseguiu identificar com sucesso a sua loira alemã dos beijos naquela festa?

 

Bem, na verdade, foi ela que lhe identificou. Ela lhe parou enquanto Ívi passava para a cabine, era mesmo a alemã que tinha sido atingida pela bolada uns dias atrás, o punho quebrado a tirou de todos os outros jogos, mas ela ficaria no banco de reservas para a disputa de terceiro lugar. Conversaram, meio em inglês, meio em espanhol e combinaram de se verem antes de ela ir embora. Pegou o número e o nome dela, sim, nem tinha perguntado da outra vez. Viktoria Köhler-Hernandez, segundo ela, para provar que o mundo estava mesmo globalizado e juraram que iam fazer alguma coisa sim. Bem, ia sair com uma medalhista olímpica já que a Alemanha venceu a Nova Zelândia por 2x1 e às cinco da tarde chegou, trazendo uma Laura nervosíssima para a arena.

 

Thai e Karime vieram assistir com ela, e o show de Julia e Ívi antes da final ao menos a ajudou a relaxar um pouco. Elas deixaram The Edge of Glory para aquele dia e Natalia tinha razão, não era sonoplastia, não era apenas um show de DJ, era um show maior, cheio de coisas inesperadas e de uma química inacreditável entre aqueles dois seres humanos. Algo de especial acontecia sim, o público sabia disso, Ívi e Julia também sabiam, tal como sabiam que era algo que não deveria ser ignorado.

 

Show, hinos nacionais, arena mais do que lotada e o jogo mais nervoso do mundo iria começar.

 

Grã-Bretanha x Holanda, Kelsey contra tudo o que ainda precisava provar desde a Olimpíada de Londres.

 

A capitã entrava sempre na frente. Na frente do time, era o rosto dela que a torcida via primeiro, era o rosto dela que o mundo via primeiro e quando Kelsey Harris apareceu na saída do túnel, ela estava completamente focada, absurdamente concentrada e o fogo que havia nos olhos dela se espalhava pelos olhos de sua equipe inteira. Elas entraram, hinos nacionais, uma tensão e uma coisa linda ao mesmo tempo, Ívi nunca esqueceria. Da emoção espalhada, daquela sensação de algo grande prestes a acontecer e também não esqueceria da energia feroz que Kelsey espalhou quando falou com sua equipe.

 

Elas se reuniram no meio do campo, se abaixaram e apenas ela falou, para todo o time e para cada uma, olhando nos olhos, tocando aquele algo invisível e essencial,  Kelsey era uma líder nata e mesmo sem ouvir uma palavra, cada pessoa naquela arena sentiu tudo o que ela estava passando: confiança e inspiração.

 

Diriam as britânicas mais tarde que não poderiam ter tido líder melhor, com mais força, com mais segurança, mais vibração. Ela encerrou unindo a mão de todas em um grito alto e forte que se espalhou pela arena inteira e quando dispersaram, correndo, saltando, aquecendo, ainda tinha alguém com quem Kelsey precisava falar individualmente.

 

Puxou sua goleira por trás, cruzando o braço pelo peito dela.

 

— Megan?

— Sim, capitã.

 

E bem junto ao ouvido dela:

 

Vá pegar a sua coroa.

 

E sobre aquela partida em especial, se Ívi nunca esqueceria, imagina Kelsey Harris.

 

Holanda de preto, Grã-Bretanha de vermelho, juiz apitando e deram a saída! Muita correria, muita vontade, cada lance sendo disputado como se fosse o último, e os nervos britânicos começaram a ser testados muito cedo. Aos cinco minutos de jogo, pênalti marcado para a Holanda e aquela goleira deu a primeira ideia de que não estava para brincadeira. Olhos nos olhos, estrela do time holandês contra a melhor goleira do campeonato. Arena quieta, um suspiro, pênalti batido e, devidamente defendido! E deu para ver a vibração quebrando a preocupação latente em mil pedaços, elas vibraram como se tivesse sido gol da Grã-Bretanha, não, aquele pênalti deveria significar alguma coisa, devia ser um bom sinal para as britânicas, e tal sinal foi consolidado em menos de dois minutos depois: ataque britânico e o gol dos nervos chacoalhados aconteceu, a defesa holandesa simplesmente apagou, tão inesperadamente que foi difícil até para a atacante britânica se dar conta e finalizar. Ela finalizou de qualquer jeito, um tiro lascado, sem força nenhuma e a bola entrou muito devagar, quase que em câmera lenta para a explosão da torcida britânica.

 

E uma sensação muito esquisita se apossou de Ívi imediatamente.

 

— Julia, caramba! — Ívi saltou da cadeira, só para ver se tinha sido gol mesmo.

— Você esqueceu a sonoplastia! — Ela falou rindo demais, depois de ter soltado a sonoplastia um tantinho atrasada.

— Se isso acabar assim...

— Eu achei que estivesse torcendo por ela!

— Eu estou, mas é que... — Respirou fundo — Ok, tudo bem, tudo bem, vamos lá! Vai Kelsey!

 

1x0 e um nervosismo se alastrou por todo o primeiro tempo. Pressão insana das holandesas, as inglesas se defendendo como nunca apesar dos ataques ferozes, constantes e insanos da Holanda. A goleira britânica estava inspirada, Kelsey estava inspirada, havia um fogo nos olhos de cada jogadora em campo, havia uma enorme vontade de vencer, ganas para todos os lados, era um campo de batalha mesmo, as tranças caprichadas, o equipamento pesado, um jogo cheio de vigor, suor e força por cada pedacinho daquele campo. E o segundo tempo pareceu sorrir para as guerreiras holandesas.

 

Gol da Holanda. E nove minutos depois, gol da Holanda outra vez e a preocupação no rosto de Laura contou tudo. Fechou os olhos, respirou fundo, apertou as mãos.

 

— Laura, Laura, só olha pra Kelsey.

 

Olhou. E a expressão no rosto de sua namorada era...

 

Ninguém ia tirar aquela medalha dela. Era o que dizia o seu rosto, era o que ela parecia estar gritando para sua equipe, ela estava furiosa, no melhor sentido e uso da fúria possível, ela não iria ficar pelo caminho, de jeito nenhum. E mostrou um minuto depois de terem dado a saída.

 

No meio de uma jogada confusa, com tacos, movimentos e giros para todos os lados, de alguma maneira, de algum jeito, ela passou no meio daquelas holandesas sozinha, abriu a jogada, tocou, foi para o meio e quando percebeu, recebeu de volta sozinha. Se esticou e bateu para o gol de primeira, sem força, mas com uma habilidade... A bola foi tirada da goleira, colocada naqueles únicos centímetros onde era impossível de ser alcançada. Foi um capricho. A tacada, a bola passando voluntariosa entre trave e goleira, caprichosamente foi ser guardada no fundo da rede. Kelsey Harris deixando sua marca na final olímpica e Ívi desistiu de fazer qualquer sonoplastia, simplesmente saltou da cadeira comemorando como se fosse gol da seleção brasileira. Estava rendida, aquela garota merecia.

 

Mas então veio o terceiro tempo. E a estrela da equipe holandesa decidiu brilhar também, descontar o pênalti perdido, 3x2 e o coração na garganta, uma ansiedade intensa que parecia atingir todos os britânicos presentes naquela arena, menos Kelsey, menos sua goleira, sua zaga, seu time. Elas estavam totalmente focadas.

 

Foram para o último tempo, a arena era um caldeirão, absolutamente nenhum lugar vazio, os nervos à flor da pele, os olhos em chamas, aquela vontade imensa, o não desistir, elas não desistiram nem por um momento, nem por um tempo, eram as bicampeãs olímpicas do outro lado, contra um time amargamente derrotado em casa, que nunca havia sido campeão antes e nada disso importou.

 

Ou isso foi tudo o que importou.

 

Elas marcaram faltando oito minutos para o final da partida. Novamente, Kelsey contra metade do time, atraindo toda a atenção, tirando a equipe da Holanda dos eixos com seu arranque e então com seus dribles, e então, apareceu meio-campista livre e um lançamento mais do que perfeito. A equipe correu, se fechou novamente, estavam na pequena área holandesa, a meio-campista bateu, a bola voltou e ninguém podia contar como, foi um festival de tacadas para todos os lados, e de repente, alguém literalmente se atirando para a bola, esticando o taco que por um desvio ínfimo, conseguiu empurrar a bola para dentro, causando uma explosão de emoção para todos os lados! Os últimos minutos foram insanos, qualquer equipe podia ter marcado, mas a verdade é que ninguém marcou e o tempo regular acabou.

 

— Pênaltis, é sério?

— Essa é uma boa notícia, você lembra o quanto essa goleira além de linda é extremamente habilidosa?

 

Era verdade. A goleira britânica tinha sido incrível o campeonato inteiro e Kelsey sabia disso. Ela parecia extremamente calma. A goleira bonitinha também.

 

Não houve silêncio daquela vez. As torcidas apoiaram e vaiaram impulsivamente, era uma final olímpica, ninguém estava preocupado com as regras e a boa educação. Sob uma vaia enorme, a primeira holandesa tropeçou e a goleira britânica pegou o primeiro pênalti. Porém a Grã-Bretanha também perdeu o segundo. Tudo bem, segundo pênalti holandês e a goleira pegou de novo! Então veio a outra britânica e perdeu também, não dava para acreditar, estavam numa montanha-russa de emoções iguais as crises de Karime! Terceiro tiro pra Holanda, a estrela do time contra a goleira britânica, deu Grã-Bretanha novamente e enfim, o terceiro tiro britânico foi convertido em gol fazendo a arena vibrar! Lá veio a Holanda de novo e acontece que a maior parte do tempo, quando alguém decide que vai fazer uma coisa, dificilmente isso deixa de acontecer. Aparentemente, aquela goleira tinha acordado com a ideia fixa de não levar nenhum gol de pênalti. Ela defendeu mais um tiro e o cenário era o seguinte: no taco de Kelsey Harris estava o título inédito da Grã-Bretanha.

 

Ela só tinha que converter.

 

Foi tão tenso que enfim, a arena ficou em silêncio. Ninguém ousou respirar um pouco mais forte.

 

As meias vermelhas não permitiam ver joelhos sangrados. E era muito possível que sequer ela mesma tivesse percebido que estava machucada, isso não importava, nada importava mais, apenas aqueles 8 segundos que a separavam de sua medalha.

 

Kelsey respirou fundo, alongou os braços, olhou bem nos olhos da goleira. E Ívi a viu buscando Laura na arquibancada. Achou, voltou os olhos para a goleira novamente, respirou muito fundo outra vez, a juíza apitou e foram oito segundos em que tudo parecia que ia dar errado. Ela partiu, apesar do único gol convertido ter sido uma batida direta ela decidiu fazer ao contrário, a bola sendo controlada na ponta do taco, no mínimo capricho, a goleira saiu do gol, Kelsey foi para um lado, para o outro, fintou, mas a goleira a seguiu, não desistiu, cinco, seis segundos e o campo acabou, o tempo acabou e...

 

O tempo não acabou. Tinha sido simplesmente rompido por um segundo.

 

O dia seguinte seria repleto de frases da equipe britânica do tipo: “Quando vimos que era de Kelsey aquele último tiro, tivemos certeza do título”. Ela não ia falhar. Ela não falhou.

 

Houve outra explosão. E quando Laura olhou, a bola tinha entrado.

 

Kelsey jogou o taco no chão segundos antes de ser absolutamente derrubada por sua equipe.

 

Foi tão bonito que nem Ívi esqueceria mesmo. A vibração da equipe, o choro, todas as lágrimas daquelas garotas que passaram quatro anos sob pressão para finalmente... Serem campeãs pela primeira vez. Os pais de Kelsey estavam na arena aquele dia, tinham vindo especialmente para o jogo, ela correu para abraçá-los e então, se dependurou na arena para beijar Laura, doce e longamente, ambas chorando muito, muito emocionadas, um mundo parecia ter saído dos ombros de Kelsey. Ela era outra já, naquele momento, já não era mais a mesma, era outra pessoa, outra mulher, outra atleta, ela estava realizada. A medalha no peito, a coroa na cabeça de Megan, mais do que merecida, onde estariam sem aquela goleira?

 

Foi incrível tocar numa final olímpica. Foi incrível ver Kelsey subindo no pódio e chorando sem parar ao ouvir seu hino nacional, foi lindo vê-la recebendo a medalha de ouro diante de sua família, de sua torcida, da garota por quem estava apaixonada. Ela repetiu isso pra Laura assim que desceu do pódio, lhe olhando nos olhos, lhe jurando paixão.

 

 — Você é campeã olímpica, baby, você é campeã olímpica!

— Eu sou. E ainda por cima, eu tenho você — Fechou os olhos, a sentindo tão perto — Você vem comigo.

— Pra onde? — Perguntou sorrindo.

— Eu não sei. Pra onde a gente for comemorar e então para algum lugar só meu e seu, amor. Eu preciso de você hoje.

— Mas você pode?

— Eu sou campeã olímpica, baby, acho que agora eu devo poder quase qualquer coisa, vou jogar a medalha na cara de quem me proibir!

 

Sorrisos, olhos brilhando e na hora de ir embora, é claro que Laura não estava esperando por elas.

 

— Ela foi com a Kelsey.

 

É claro que tinha ido.

 

Voltar no trem velho e enferrujado de Deodoro deu perspectiva a Ívi e uma ficha que caía repetitivamente, titilando em sua cabeça, lhe mostrando a realidade real. Laura estava em algum lugar, comemorando o título olímpico de sua namorada britânica enquanto, bem, Ívi estava voltando para a Barra naquele trem, como a gata de rua que ainda era. As garotas estavam eufóricas, Karime e Thai adoravam Kelsey, e Julia só adorava ficar perto delas naquele horário, sempre adorava, elas sempre começavam a flertar no mesmo horário, Ívi estava começando a se convencer de que havia algo de especial naquelas horas da noite.

 

Foram para o mesmo restaurante de sempre, Julia iria cantar mais tarde, sentaram na mesma mesa onde desta vez, o lugar ao lado de Ívi estava vazio. Pediram o mesmo frango e as batatas que Laura adorava, e foi crescendo algo tão forte dentro de Ívi que ela nem sabia. Uma coisa, um sentimento, algo que lhe sufocou tanto que... Não podia explicar. Thai e Karime começaram a ficar, Julia subiu ao palco para cantar, ficou sozinha na mesa pensando em onde Laura deveria estar.

 

Descobriu, estava em um dos hotéis mais alto padrão do Rio de Janeiro, o Instagram de Kelsey lhe contou. Checou o horário e pronto, estava sufocada o suficiente, precisava respirar. Foi lá para fora, achou o vendedor de bolo de pote, comprou um, de chocolate e coco. Sentou-se na calçada para comer e...

 

Não durou dois minutos.

 

Ívi começou a chorar, sem conseguir controlar, só começou a chorar copiosamente, de corpo inteiro, de alma inteira, aquele mesmo choro de desespero que lhe atacou naquele metrô, de não saber o que iria acontecer, o que podia fazer para escapar daquela ansiedade e quando começou a chover, foi demais. Não voltou para dentro, ficou ali fora, segurando o bolo de pote e vendo a chuva, não sabia dizer por quanto tempo, mas foi tempo suficiente para Julia notar que ela não tinha voltado para dentro.

 

— Ívi, ei... — Julia a abraçou, bem forte, muito carinhosa — O que foi, Schelotto? Eu achei que você tinha ido embora.

— É que... Eu nem sei. Ela vai dormir com a Kelsey hoje, a noite toda, é uma coisa que... — Respirou fundo, tentando se acalmar — É uma coisa que ela não tinha feito ainda e... Eu perdi, Julia, eu acho que perdi mesmo e está me dando um desespero...

 

Julia sorriu e a abraçou para perto novamente.

 

— Não perdeu não. Eu perdi, Ívi, perdi porque não fiz o que você está fazendo, não tive paciência, não esperei, eu forcei a Laura a cometer um erro e ela nunca mais vai me perdoar por isso. Eu perdi, está bem? Não você. Eu sei que foi um saco ver a Kelsey sendo campeã olímpica, marcando na final, duas vezes ainda por cima, com direito a gol do título e tudo, eu sei que se a gente olhar, não há por que a Laura não estar louca por ela, mas eu ainda acho que ela não está. Não completamente.

— O que eu faço, Julia? Eu não quero ficar aqui sofrendo desse jeito...

— Ela está ligando.

— Quem? — Olhou para o seu celular, com a esperança que fosse Laura. Não era, mas de qualquer forma...

— Por que você não atende?

— Porque... — Respirou fundo — É você quem tem que atender, eu não falo inglês e o espanhol dela é terrível. Diz pra essa menina vir pra cá.

 

Julia atendeu. E antes do final da noite, quando menos perceberam, um táxi chegou com Viktoria e mais duas alemãs. Ela desceu do táxi e antes de dizer qualquer coisa, colocou Ívi contra a parede...

 

— Você não entende uma vírgula do que eu falo, não é? — Ela lhe disse em alemão, fazendo Ívi apenas sorrir. O que ela estava dizendo?

— A gente vai ter que arrumar um jeito.

 

E ela pareceu entender. Agarrou Ívi pela camisa e a beijou.

 

Notas do Capítulo:

 

Hei, meninas!

 

Tudo bem com vocês? Passaram bem a semana? Aqui é a Ana *_*

 

Meu trabalho normalmente é corrigir os capítulos, colocá-los no site, formatá-los. Tessa que tem a responsabilidade de escrever as notas, porém essa semana ela está viajando a trabalho e por isso também fiquei encarregada de escrever para vocês.  Espero que consiga fazer o meu trabalho bem hahahaha

 

Ah, e aproveitei a deixa e consegui adiantar em algumas horinhas o capítulo 16. Entonces, garotas, que capítulo, hein?! Gostaram? Laura com ciúmes! Ívi de amasso com Karime! Kelsey campeã! Viktoria presente! Quantas novidades! Confesso que vibrei com o início desse capítulo. Adorei ver o bichinho do ciúmes com a Laura e confesso também que me tornei mais fã da Julia. Que delicadeza com a qual ela tratou todo esse momento. Defendendo a irmã (mesmo que a Ívi não estivesse errada) e ainda proporcionando um momento terno com Laura. Muito fofo!

 

Vou contar um segredo para vocês, prometem não espalhar pra Tess, ok?! ;) Antes de namorada, sou leitora igual a vocês e acreditem, encho os ouvidos dela com algumas reclamações. Que demora é essa de acontecer um único beijo? Tanta angústia com esse quase casal. Mas olha, sou fã da Kelsey também e apesar de querer muito um relacionamento entre a Laura e a Ívi, eu sinceramente consigo entender a situação da Laura. Como escolher entre duas perfeições, hein?! Difícil galera, muito difícil. Mas outro segredinho... Esse bem baixinho "essa semana recebi o capítulo de amorzinho dessas duas lindas" e olha, a espera está sendo longa, mas quando acontecer vai ser fodástico demais. Acreditem em mim! Está lindo de fazer qualquer coração dizer 'iti malia' ♥ ♥

 

Bom, para não me alongar mais, próximo capítulo é intitulado de 'Salva-vidas' e para que ele seja postado no dia 31/07, as mesmas regras de comentários que vocês já conhecem.

 

Tenham uma semana mara e obrigada por todo esse carinho de vocês. Tess está eufórica com todos os comentários sobre o nosso querido  quíntuplos de 6AM.

 

Beijos para vocês ♥

 

 

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