6 AM - Capítulo 17 - Salva-Vidas

30/7/2019

 

 

 

Foi uma experiência totalmente inesperada. Ívi e aquela alemã maluca que estava lhe beijando sem parar, que tinha acabado de roubar o seu bolo de pote e um monte de risadas, porque ela estava falando rapidíssimo e Ívi não entendia nadinha, mas não tinha a menor importância. Quem precisava falar? Sua vida estava tão enrolada que de fato, falar era um enorme desperdício de tempo. Ficaram lá fora um pouco, beijando, rindo, se dizendo coisas que nem uma nem outra estavam entendendo e quando ela terminou de detonar o seu bolo de pote, Ívi a puxou para dentro, bem no meio do set de salsa de Julia e aquela alemã lhe tirou mais outras boas risadas, mostrando todas as habilidades do lado latino do seu DNA tentando dançar salsa. Bem, de fato, ela era bem mais alemã do que espanhola.

 

À parte tudo e qualquer circunstância, a grande verdade é que Viktoria Köhler lhe salvou a sanidade aquela noite.

 

Depois que ela falou em alemão, lhe beijou, roubou seu bolo de pote e lhe tirou para dançar, Ívi rompeu a madrugada subindo ao palco com Julia, cantando em italiano com ela, ao som poderoso da sua guitarra vermelha e Julia teve que admitir, podia ser melhor cantora, mas a guitarra ficava muito melhor naquelas mãos indígenas. Cantaram mais duas ou três músicas juntas, Ívi estava pegando aquela confiança que Julia tinha de estar no palco e quando voltou para o público, foi direto para os braços de sua alemã, para os beijos dela, para a fuga que ela lhe oferecia e perto das três, Ívi entendeu que ela queria ir embora. Trouxe Thai só para confirmar.

 

Nutella, ela quer ir embora, é isso?

— E quer que você vá com ela.

— Para onde?

 

Thai repassou a pergunta e Viktoria desatou falando em inglês.

 

— Qualquer lugar, qualquer hotel, você não quer ir comigo? Eu tenho uma medalha olímpica pra comemorar, preciso de você... — Ela pediu, agarrando Ívi pela camisa, pondo a boca em seu pescoço e nem precisou de tradução. Ívi sorriu, a beijou, a guardando em seus braços, cuidando daquele punho quebrado que ela não parecia lembrar.

Tendremos que entendernos nosotras mismos, ok?

Solitas, yes, come with me, to anywhere…

 

Íviu abriu outro sorriso e a puxou pela cintura, a mantendo perto de si.

 

— Thai, eu vou com ela, tá?

— Vai pra onde, Ívi?

— Eu não sei, ela quer pegar um hotel e eu preciso, sei lá, amenizar a minha cabeça, sabe. E ela é linda, está vendo? — Beijou o pescoço dela com carinho, abrindo um sorriso.

— Linda e está te fazendo sorrir. Está tudo bem? Você está se sentindo segura?

— Muito segura, não se preocupe.

— Não demora para voltar pra casa.

 

Abriu um sorriso e lhe beijou a testa.

 

— Não demoro não. Se cuida, bebê. E cuida da Karime também. E da Julia.

— Cuido, pode deixar que eu cuido de tudo.

 

Daí pegou sua alemã-espanhola e Ívi tentou explicar que não queria pegar um táxi porque estava com pouco dinheiro e ela lhe calou beijando, lhe agarrando um pouquinho mais enquanto dizia em inglês que Ívi não precisava se preocupar com nada. Ao menos, Ívi esperou que houvesse entendido certo. Viktoria ligou para um taxista que conhecia, que falava inglês e disse que precisava de um hotel bom e que fosse perto, isso Ívi conseguiu entender e o motorista as levou até um hotel quatro estrelas.

 

Que estava lotado.

 

— Não, você não está entendendo, espera — Viktoria colocou a mão na bolsa e pegou a medalha de bronze — Medalhista olímpica, acabei de ganhar, eu preciso comemorar, entendeu?

 

Ívi nem precisava entender, estava morrendo de rir. Daí decidiu intervir com o atendente.

 

— Amigo, olha pra ela, eu também preciso de um quarto, pelo amor...

 

Ele começou a rir e encontrou um quarto para elas, a cobertura estava disponível, não tinha problema, Viktoria só queria entrar num quarto, só queria beijar Ívi de novo, só queria descer a mão pela nuca dela e lhe pedir qualquer coisinha infame que fazia Ívi sorrir, morder a boca, a querer sim. Mal entraram no quarto e Viktoria já estava lhe despindo do casaco, da camiseta e Ívi só queria saber o que mais ela poderia fazer com duas mãos, porque apenas com uma ela já era imparável. Abriu um sorriso sentindo aquela urgência e retomou o controle, a velocidade, foi despindo sua medalhista devagar, descobrindo um pedacinho de pele de cada vez, um beijo, outro beijo e quando Ívi a levou pra cama...

 

— Escuta, Ívi — Esta parte Ívi entendeu, ela lhe pediu lhe tocando os cabelos, lhe olhando nos olhos — Eu sei que sou seu salva-vidas hoje. Entendeu essa parte? Soy tu salvavidas hoy. No es problema. Quiero que sepas que no es.

 

Ívi entendeu. E ficou feliz que ela soubesse e compreendesse.

 

Foram pra cama e foi divertido demais! Ívi nunca poderia dizer que ela não era divertida, que não sabia o que estava fazendo e que não conseguiu lhe salvar. Viktoria foi a melhor salva-vidas, Ívi estava precisando beijar alguém diferente, estava precisando ir pra cama com alguém, já fazia quase dois meses, não tinha ido além com Karime e se perguntava se Laura sabia disso. Queria que ela soubesse. E queria parar de pensar nela. Não estava precisando pensar em Laura, estava precisando de uma menina bonita lhe fazendo rir, lhe fazendo bem, lhe fazendo esquecer um pouco aquela situação atípica que tinha se metido. Ela dormiu perto das cinco. Dormiu feito um anjo, tinha cara de anjo, cabelos claros, fininhos e uns olhos azuis que... Era uma coisa bonita mesmo. E o corpo, que corpaço era aquele? Os músculos delicados, as marcas do esporte, ela tinha cicatrizes também, pés machucados, joelhos feridos, eram guerreiras aquelas meninas, se dedicavam muito, se doavam ao extremo, tanto que ficava escrito pelo corpo delas. Ívi cuidou que ela não dormisse por cima do punho quebrado e notou que, abriu um sorriso, ela estava agarrada em sua medalha como se fosse um bichinho de pelúcia.

 

A deixou dormindo e foi para o banho. Hum, tinha uma banheira que fez questão de aproveitar já que não conseguiria dormir mesmo. Tomou um banho longo, se vestiu num roupão do hotel, foi olhar pela janela, tinha uma bela vista para a Lagoa da Tijuca. Olhou para o celular: 6 AM.

 

Onde estaria sua Laura?

Havia outra medalhista olímpica que não conseguia se separar de sua medalha. Laura estava olhando para ela, sentada na poltrona ao lado da cama. Tinha pedido café no quarto, não queria descer, não queria se afastar de Kelsey, não queria que... Seus pensamentos fossem tomados por outra coisa que não fosse ela. A sua garota que tinha sido campeã olímpica no dia anterior e que tinha lhe dado uma das noites mais bonitas de sua vida. Tinham passado na Vila Olímpica rapidamente e Kelsey desceu com uma mala, avisando que iriam todas para um hotel, a festa da equipe britânica foi insana e sequer ficaram nela muito tempo, não conseguiram, não queriam, Kelsey queria lhe levar para o quarto e o amor intenso que durou as primeiras horas da madrugada lhe deixou claro o quanto aquela menina lhe desejava. Laura se sentiu linda, se sentiu querida, especial demais, mas agora que tinha acordado...

 

Respirou fundo. Onde estava Ívi? Sabia que ela não estava em casa, Thai tinha lhe dito que ela ia dormir fora e desde o momento que leu essa mensagem, estava assim, sentada no sofá olhando para Kelsey, não querendo deixá-la nem um pouquinho que fosse. Ívi lhe consumia tanto. Ela lhe tinha tanto. Mas aquela menina maravilhosa dormindo tão profundamente também tinha e tudo era confuso e complexo demais. Recebeu uma mensagem e era de Julia. Ligou para ela.

 

— Vem pra casa, vamos remar! É o nosso dia de folga.

— Você dormiu ao menos?

— Não conseguimos — Ela respondeu sorrindo — A gente quer gastar energia antes de tentar dormir de novo, não deu certo da primeira vez não. Traz a sua gringa, vamos remar, vai.

 

Checou o relógio novamente.

 

— Em duas horas?

— Em duas horas, quer que eu leve as suas coisas ou você vem pra casa primeiro?

— Leva as minhas coisas, a gente se encontra lá, é melhor. Juls, a Ívi...?

— Também vai, não se preocupa.

 

Laura apertou os lábios. Tudo bem, se queria continuar com Kelsey, ela tinha que se integrar com sua família atual e sua família atual agora envolvia Ívi. Daí se deu conta de como continuava com pensamentos incestuosos, ok, desligou e foi agarrar Kelsey um pouquinho na cama.

 

Baby, você... Você me trocou pela medalha.

 

Ela acordou sorrindo, se virando, buscando sua namorada.

 

— Eu troquei?

— Está agarrada na medalha, olha.

 

Estava mesmo. Mas largou imediatamente para beijar sua menina linda que era ainda mais linda pela manhã, como podia?

 

— Meu bem, eu nem acredito, eu nem acredito! — Disse, de olhos fechados, tocando o rosto de Laura sem conseguir parar de sorrir — Eu sou campeã olímpica e nós estamos acordando juntas!

— E o que você acha de passarmos o dia todo juntas? Acha que consegue?

— O que você quiser fazer, baby, eu sou sua hoje o dia inteiro, eu não quero nada diferente que não seja ficar perto de você.

 

Laura a olhava nos olhos sorrindo. A beijou, a beijou, a beijou.

Ela concordou em ir remar muito animada! Kelsey estava louca para fazer alguma coisa de gente normal, louca para ficar com sua namorada um pouco mais, para se sentir casal com ela um tanto mais, para sentir o sol, se divertir sem ter hora marcada para nada. Tomaram café no quarto e então foram para o banho juntas, um banho longo, repleto de carinhos, enquanto a mente de Laura oscilava, entre estar presente e estar em outro lugar, outro momento, um outro banho, não iria passar? Parou de se perguntar. Saíram do banho e foi cuidar dos joelhos abertos de Kelsey, ela estava cheia de cores diferentes, roxos, verdes, jurou que tinha até um azul atrás do joelho dela, fez uma bandagem que fosse suportar a água e pronto, estavam prontas para ir.

 

Havia uma agência que fazia uma remada linda de pranchão que saía em direção às Ilhas da Tijuca. Uma guarderia que também era bar e restaurante, onde Julia tinha trabalhado logo quando chegou ao Rio de Janeiro, era um lugar que sempre iam juntas. Kelsey comprou um biquíni e algumas roupas na boutique do próprio hotel, o que Laura queria? Podia escolher qualquer coisa, queria lhe dar um presente, Kelsey adorava dar presentes. Comprou um vestidinho que lhe caiu muito bem e partiram para a guarderia de táxi. Chegaram e as garotas já estavam lá, Julia, Karime e Thai, tomando um café da manhã reforçado eufóricas que nem precisava ser dito!

 

— Bem-vinda ao Rio de Janeiro real, senhorita campeã olímpica!

 

E todas vieram abraçar Kelsey, parabenizá-la, saudá-la, até Julia. Afinal, não era todo dia que alguém que conhecia ganhava uma medalha olímpica!

 

— Mesmo? — Kelsey não estava acreditando que tinha ganhado um abraço!

— Não reclama que eu me arrependo! — Julia respondeu bem-humorada.

— Nenhuma reclamação, nenhuma! Então, cadê a Ívi? — E não, não foi Laura, foi Kelsey mesmo quem perguntou.

— Ela... Olha ela ali!

 

Ela estava chegando.

 

Também de táxi, ainda com as roupas do dia anterior, o jeans surrado, a jaqueta de couro e a camisa branca cheia de marcas de batom, um clássico. E, com sua alemã agarrada em seu pescoço.

 

— Mas veja só! Ei, Eduardo, ei! — Julia chamou seu antigo patrão sorrindo — Tem outra medalhista na sua guarderia, veja bem o privilégio!

 

Outra inesperada medalhista e Laura, bem, Laura não sabia direito o que sentiu quando a viu. Mas se tivesse que descrever, diria que seu coração caiu do peito ao ver Viktoria tão agarrada em Ívi assim. E Laura Bueno, que era sempre tão certa de si, lá estava, sem saber direito o que estava sentindo e nem como deveria reagir. Só sabia que tinha incomodado, sufocado um tanto. E sabia também que não tinha direito de sentir nada daquilo. Não tinha, ponto. Se estava sentindo era todo problema seu.

 

Elas chegaram, cumprimentaram todo mundo, Laura e Viktoria já tinham um histórico, não se gostavam muito por causa de Kelsey, eram ex-alguma-coisa, Vik e Kelsey, ex-namoradas, ou ex-sexo-casual, eram ex-algo-do-tipo e amigas atuais. Mas à parte este histórico, Laura sabia que Vik era um amor, uma menina linda e cheia de uma energia contagiante que aparentemente, tinha contagiado Ívi também. Ela parecia ótima, estava sorridente, tranquila, mas deixou para abraçar Laura por último, como quem não tem escapatória mesmo. Foi um abraço silencioso e cheio de batimentos sufocados de dois corações que não negavam que estavam nervosos. Estavam nervosas em abraçar uma a outra e Laura estava querendo que isso fizesse sentido.

 

— Tudo bem? — Ívi perguntou no meio do abraço que se alongou mais do que o esperado.

— Tudo bem sim.

 

Ívi respirou nela. Sequer percebeu que tinha feito, mas cheirou os cabelos de Laura tão profundamente que foi audível. Para Viktoria principalmente.

 

Julia? — Ívi a chamou em espanhol — Vem aqui um segundo.

 

Julia foi com ela até o banheiro.

 

— Trouxe o que eu pedi?

— Trouxe, suas coisas estão aqui — Entregou a mochila para ela.

— Você me disse que ela ainda não estava aqui! — Disse, trocando a camisa imediatamente.

— Ela não estava, acabou chegando um pouco antes de você.

— Acha que ela notou?

— O quê? As marcas de batom na sua camisa? Ívi, ela não precisa de marca nenhuma pra saber o que aconteceu.

— Eu sei, mas é que...

 

Julia abriu um sorriso.

 

— Você é muito linda se preocupando com ela assim, sabia? Tanto que, se eu fosse só irmã da Laura, com toda certeza você seria a minha opção pra ela. Mas como eu não sou, é bem capaz que eu te infernize mesmo quando vocês começarem a namorar, mas vou lembrar desse momento aqui, te juro, te juro...

 

Ívi riu, só Julia mesmo para lhe dizer essas coisas. Voltaram para a companhia das outras garotas, terminaram o café e Julia pediu o pranchão. Não precisavam de guia, ela mesma já tinha feito aquela travessia mais de 100 vezes, sabia bem como tudo funcionava. Era um pranchão para seis, mas estavam em sete.

 

— De qualquer maneira, a Viktoria não vai remar — Julia olhou para Laura — Como diz “remar” em inglês?

— Remar? — Abriu um sorriso, daí tentou explicar o que era para Kelsey e ela finalmente entendeu, explicou para Viktoria que como ela não ia remar, ela devia ir no meio, em segurança, sem problemas, ela entendeu direitinho e parecia tão empolgada quanto Kelsey para terem um dia normal!

 

Foi muito mais agradável do que Ívi podia imaginar. Colocou seu biquíni, checou se não tinha nenhuma marca, não importava que Laura sabia e menos ainda que elas não tinham nada, só não queria... Não queria, ponto. Mas não tinha nenhuma marca, vestiu um shortinho e quando saiu do banheiro, Laura estava tirando o vestido e seu coração deu uma acelerada quase constrangedora no peito. O corpo delicado, delicadamente definido, a tatuagem na curva das costas, era galego, espanhol? Ainda não sabia e aquela outra tatuagem na parte tão baixa das costas que ainda não podia ver e Ívi... Ali estavam duas jogadoras de hóquei com corpos privilegiados e Ívi demorou para notá-las porque... Porque Laura, é claro. Todos os porquês seus eram Laura.

 

— Ívi...?

— Hum?

 

Julia lhe entregou um remo sorrindo.

 

— Remar, gata de rua, remar! Nós viemos para remar, lembra?

 

Lembrava, abriu um sorriso, lembrava sim. Pegou seu remo e sua alemã, lá estava ela espalhando energia positiva por todos os lados, era intensa e bonita aquela menina, era do tipo que transformava qualquer clima, que jogava sempre para cima, mas estavam todas tão bem que nem precisaram de tais poderes. Subiram todas no pranchão, todas com seus remos e partiram para aquela remada em alto mar que estava deslumbrando as estrangeiras! E Ívi também, como podia? Vinha de um estado belíssimo, abençoado por um mar azul maravilhoso e ali estava, deslumbrada com o Rio de Janeiro também, com aquela cor incrível, com o sol brilhando deixando tudo mais bonito ainda. E aquelas garotas, elas não pareciam existir.

 

Julia, Thai e Karime estavam extremamente felizes, o motivo Ívi não sabia, só sabia que com Laura e Ívi num quarto a noite delas já era animada demais, as três sozinhas em casa, sabe-se lá o que tinha acontecido, Kelsey e Viktoria dispensavam explicações sobre os motivos pelos quais estavam tão felizes e Ívi, estava perto de Laura outra vez. Sem nenhum planejamento ela ficou bem na sua frente na prancha, a pele clarinha, mas bronzeada, os cabelos presos num rabo de cavalo e ainda queria entender como ela conseguia estar tão cheirosa o tempo todo, ela sempre estava. Cheirosa e irresistível para os olhos de Ívi. O mar lindo, o sol brilhando, as formações rochosas, nada, Ívi deve ter perdido mais da metade do tempo na prancha apenas olhando para a nuca de Laura e seus sinais de beleza.

 

A travessia em si foi muito animada! As garotas estavam falantes, em uns três idiomas diferentes e o mais engraçado é que pareciam mesmo se entender, aliás, inclusive Ívi achava que estava começando a entender inglês. Estava ouvindo tanto e com tanta frequência que talvez estivesse entrando em sua mente enfim. Espanhol, inglês, até alemão, lá vinha sua alemã falando e falando, e lhe roubando um beijo e outro que Ívi estava um tanto constrangida em ceder, porque... Bem, já sabemos o porquê.

 

Tudo mudava quando Laura estava por perto.

 

Quarenta minutos de uma travessia quase suave e chegaram nas ilhas de pedra! Julia deu um jeito de prender o pranchão e deu a notícia de que teriam que nadar até as ilhas, tudo bem, todo mundo nadava e Ívi podia levar sua alemã machucada consigo, o problema era o quanto aquela água estava gelada! Como podia?

 

— Não é assim lá em Maragogi não? — Karime perguntou rindo demais do seu desespero.

— Não é não! É quentinha, tá, não é essa enganação aqui não...

 

Ela reclamou, reclamou, mas quando enfim conseguiram chegar nas pedras, tudo foi uma delícia. Tinham levado algumas frutas, Julia trouxe sua caixinha de som protegida e elas tiveram um ótimo momento ali, todas juntas, explorando a ilha, descobrindo um ponto para saltar, nadar, relaxar. As campeãs olímpicas estavam precisando de um momento assim e ver Laura tão perto de Kelsey fazia Ívi se agarrar em seu salva-vidas um pouco mais. Determinado momento, elas começaram a saltar de uma pedra direto para o mar. Saltar de dois, três metros de altura e a coragem de Ívi acabou assim que chegou lá em cima. Daí decidiu ficar sentada um pouco, observando os saltos das garotas, sua alemã estava lá embaixo relaxando no mar e as outras estavam saltando, Julia, Thai, Karime e até Kelsey quis saltar, ainda que machucada, com cortes meio abertos ela insistiu para saltar e aquela bravura e determinação contava a Ívi mais algumas coisas sobre ela. Kelsey parecia invencível. Mais inquebrável do que Ívi. E Laura...

 

Apareceu. Escalou o pequeno penhasco, sentou-se bem do seu lado. Silêncio, ambas sentadas lado a lado, abraçando os joelhos, se protegendo um pouco do frio e recebendo sol na pele. Tantas coisas sentindo ambas. Tantas coisas para dizer. E Ívi acabou quebrando o gelo dizendo:

 

— A Kelsey por acaso dormiu com a medalha dela?

 

Laura abriu um sorriso, abraçando os joelhos contra o estômago.

 

— Agarrada na medalha.

— A Viktoria não soltou nem por um segundo, como se fosse um bichinho de estimação bebê que não pode ficar sozinho.

— Vocês se encontraram...?

— Na arena, antes do jogo da Alemanha.

— Eu... Eu te tirei da mão dela, não foi? Aquela primeira noite? Você ficou com um monte de meninas, mas acho que foi com a Köhler que eu falei.

— Foi com ela sim — Respondeu sorrindo.

— Ela me olhou feio — Outro sorriso — A gente se conheceu no evento-teste também, mas não lembrava exatamente dela aquela noite, eu estava meio...

Aturdida, eu me lembro.

— Bem aturdida. Ívi, o que vocês tocaram ontem na final... — Ela estava delicadamente deixando o assunto mais leve. Estavam esquisitas uma com a outra, a manhã tinha sido esquisita, mas não fazia sentido permanecerem com aquele clima. Que nem uma nem outra sabia bem por que tinha acontecido.

— Você gostou?

— Foi incrível! Eu adorei, a parte da guitarra estava...

 

E elas sempre tinham assunto, sempre, o tempo todo. Kelsey mergulhou direto para o mar, três metros para baixo e quando nadou de volta, dando a volta na ilha, encontrou Viktoria pegando sol numa pedra.

 

— Ei, como está o seu punho? Me disseram que quebrou mesmo.

— Quebrou sim, mas veja o saldo positivo: ganhei medalha e nem me esforcei tanto... — Respondeu a fazendo rir.

— Verdade, a minha teve um esforço maior, coisa pouca mais. Eu não sabia que vocês se conheciam. Você e a Ívi.

— Na mesma noite que vocês se conheceram, lá naquela festinha clandestina, nós ficamos e só não ficamos mais porque... — Laura tinha a tirado de si. Viktoria colocou os olhos nelas duas, no alto da pedra, conversando, rindo sem parar — Kelsey, a gente joga junto desde o juvenil.

— Eu me lembro, desde quando você era esquisita — Respondeu sorrindo.

— Desde daí — Outro sorriso, Viktoria era alemã, mas jogava na Inglaterra há muitos anos, desde as categorias de base — Escuta, Kels, você tem certeza do que está fazendo? Porque a menina que dormiu comigo está completamente apaixonada pela Laura e a Laura...

 

Kelsey apertou os lábios.

 

— Eu sei. A gente já conversou sobre isso. Inclusive com a Ívi, está tudo sob controle.

— Porque elas não se tocaram ainda, Kelsey, esse seu namoro está por um beijo, entendeu? Porque quando essas duas se beijarem, você não vai querer estar no meio. Fica com ela mais esses dias que a gente tem por aqui, depois desiste, encerra do jeito que está, a gente vai ter que voltar pra casa, para a nossa vida corrida de treinos, compromissos, refeições, horas de sono contadas, tudo isso. Se protege, não deixa as coisas ficarem mais sérias.

— E se as coisas já estiverem mais sérias para mim? Eu vou tentar, Vik, vai ser pior se eu sequer tentar, vou ficar me perguntando o tempo todo o que poderia ter acontecido.

Doze horas.

— O quê?

— Doze horas de treino por dia. Ciclos de treino de doze dias para uma folga. Doze repetições, a cada doze sprints, doze refeições regradas, é a nossa vida, pra você acrescentar mais doze horas de voo do Rio de Janeiro a Londres.

 

Kelsey sabia. Mas também não sabia como abrir mão.

 

Remaram de volta na mesma empolgação! Tinham uma atleta de hóquei incapacitada e outra que nunca tinha tocado num remo na vida, sobrou para Ívi e Julia conduzirem a viagem de volta, mas tudo estava bem, estavam felizes, animadas, curtindo aquela experiência maluca enquanto o mar parecia decidido a jogá-las da prancha a todo custo! Tiveram a prancha virada uma vez, mas entre mortas e feridas, muitas risadas e um frio congelante, salvaram-se todas! Inclusive a alemã de pulso quebrado que Kelsey achou no meio de uma onda morrendo de rir. Dividiram-se em dois grupos em táxis e foram almoçar em algum lugar, as campeãs olímpicas não se opuseram a comer em um boteco, mas dava para ver claramente como nenhuma das duas pertencia àquele universo. Depois do almoço, decidiram ir para o apartamento, elas também não se opuseram, Kelsey queria conhecer onde Laura vivia e Viktoria só queria poder beijar Ívi um pouco mais em paz.

 

— A gente pode ir para o banho? — Ela perguntou em inglês e Ívi olhou para Julia, pedindo ajuda.

— Você quer que eu traduza ou quer que eu te ajude a levar ela para o banho? Eu estou aqui para tudo o que você precisar, Schelotto, nós somos um duo, uma parceria pra vida…

 

Ívi a empurrou rindo.

 

— Eu mesma a levo para o banho, não se preocupe!

 

Passou com Viktoria para o banheiro e Laura viu, já dentro do seu quarto, ouvindo Kelsey lhe pedindo um banho também. Respirou fundo, trocou um olhar com Karime na sala, tudo bem, foi para o banho com sua namorada e às três da tarde, já estavam todas sonolentas demais para se manterem acordadas. Julia ficou agarrada em Thai na cama dela junto com Karime que gentilmente deixou seu quarto para Ívi e sua medalhista. Laura ficou com Kelsey em seu quarto e não demoraram nada a pegar no sono. Mas Ívi não estava com sono, Viktoria estava menos, ficaram na cama de Karime, trocando beijos e conversando naquele idioma esquisito em que mais esquisitamente ainda, elas estavam se entendendo.

 

Magrarogi — Era ela tentando dizer Maragogi fazendo Ívi morrer de rir.

— Você consegue complicar a palavra mais ainda, mas ok. É indígena. Índio?

Índio — Tocou a mandala indígena no abdômen de Ívi e desceu a boca em beijos suaves em seguida deixando Ívi… — Me gusta, índios, me gusta

Te gusta, eu sei que te gusta, principalmente as índias. Vik? Ei, a gente não pode… — Ela mordeu o canto da sua cintura, fazendo Ívi se arrepiar inteira e abrir um sorriso nervoso — Isso, a gente não pode aqui. Not here, ok?

Why not?

 

Ívi não tinha uma resposta. Bem, na verdade tinha e nem precisava contar para Viktoria, ela também sabia a resposta.

 

Quedate conmigo esta noche, again — Pediu, deitando no peito dela novamente e sentindo os braços firmes de Ívi lhe abraçando. Viktoria já adorava os braços dela.

 

Ívi pensou um pouco consigo.

 

— A gente fica.

— A gente fica? — Ela repetiu, cheia de sotaque lhe olhando com aqueles olhos bonitos. Ívi sorriu, lhe beijou na boca outra vez.

A gente fica sim.

 

Era melhor ficar.

 

Acordaram perto das oito, Julia tinha que ir cantar no barzinho mais tarde e queria Ívi consigo. Ensaiaram umas três músicas enquanto as garotas acordavam devagar, estavam ensaiando e de repente, estavam trabalhando em duas canções diferentes que estavam compondo.

 

O Arquipélago! Se a gente colocar para soar assim… — Julia tinha acordado com uma letra na cabeça, a manhã de remada até as ilhas da Tijuca tinha lhe dado uma letra que Ívi estava sonorizando agora no violão.

— Assim, eu pensei de ser algo bem assim! Bem verão, bem Rio…

— Bem aquela água gelada que você me fez nadar! A letra está inteira já?

— Acho que precisa de mais alguns versos aqui, está vendo? Mas o refrão está ok.

— Julia.

— Quê?

— Você acabou de compor uma música eletrônica!

— Eu sei! Mas é justo, já que você está compondo uma música de amor! — Ela respondeu, toda empolgada.

— Eu já te disse que não é uma música de amor…

— Aquela não, só essa outra… — Começou a dedilhar no teclado — Se é amor, será espera também, existe fogo sempre que nos tocamos e o incêndio cresce… Alastra e me estremece… Dentro dos seus braços me é sempre lugar, mergulho nos teus olhos e não posso nadar…

 

Ívi abriu um sorriso, com seus olhos cristalizados, nem achou que estava tão bonito assim até ouvir na voz de Julia.

 

Não tenho salva-vidas… Não… Estou a tua deriva... — Era a parte mais baixa, ela cantou e sorriu — Você compôs uma canção de amor, está vendo?

— Você está invadindo minhas anotações, Torre del Mar, é o cúmulo da intimidade — Abriu um sorriso.

— Foi sem querer. Eu achei a letra e a base. Mas a canção é linda, Ívi, linda. Precisa de um nome. Nada de pôr o nome da Laura, precisa ser outro nome... — Ela lhe disse, lhe fazendo rir.

 

Saíram em dois carros novamente e foram jantar juntas. E foi muito esquisito. Esquisito, mas agradável. Esquisito porque era Kelsey a ocupar o lugar de Ívi ao lado de Laura, esquisito porque era Viktoria quem ocupava lugar ao lado de Ívi e agradável exatamente por esses mesmos motivos, iriam precisar de terapia de grupo. E foi agradável também porque Kelsey era inteligente e fácil de conversar, agradável porque Viktoria era uma criatura que não parecia existir neste mundo, agradável porque aparentemente, Julia e Thai estavam mais agarradas do que o habitual, as mãos dadas contavam, os inúmeros olhares trocados também. Então, os olhares. Andavam mais longos do que nunca entre Ívi e Laura.

 

Depois do jantar, Julia subiu ao palco, com seu violão, seu set de músicas, seu sorriso conquistador, sua luz habitual e assim que começou a cantar, Viktoria quis dançar, bachata, ela sabia? É claro que não fazia ideia, mas quis mesmo assim e Ívi não lhe disse não. Foi dançar com ela, dançar solto porque dançar junto seria mais complicado, dançar mostrando uns passos, e Ívi dançava com tanta facilidade, tanta leveza e estava tão, mas tão bonita aquela noite... Linda e simples, estava de tênis, de jeans e aquela camisa de botões, a preferida de Laura, aquela com a qual tinham se conhecido, as mangas dobradas até os cotovelos, botões abertos até a entrada do colo, mais nada, zero maquiagem e estava linda.

 

Tão linda que Laura jurou tê-la visto dançando em câmera lenta.

 

Laura baixou a cabeça na mesa enquanto Kelsey conversava qualquer coisa com Thai.

 

Baby, quer dançar? — Kelsey lhe perguntou carinhosamente.

— Não, meu bem, você...

— Não, eu mesma não sei — Ela respondeu sorrindo, doce como sempre era — Mas Karime está aqui, vai dançar, você adora, eu fico com a Thai.

 

E Karime pegou sua mão de imediato, porque se Kelsey já tinha notado que Laura precisava de um tempinho, era porque estava evidente demais.

 

— Vem, chá de hortelã, vamos dançar! — Karime tomou o resto do seu suco e a tirou para dançar, a levando para o meio da pista. Falou com ela assim que se afastaram o suficiente — Laura, o que foi?

— Nada, eu só... — Abriu um sorriso — Nada.

— Nada? Sei, nada — Karime pegou a mão dela sorrindo e a puxou pela cintura, a girando por um instante, de um lado a outro, na ponta dos pés, começando a dançar com ela — Sua namorada foi campeã olímpica, sabia?

— Eu sei, é claro que eu sei — Abriu outro sorriso, acompanhando aqueles passos, mas olhando para o outro lado do salão porque Ívi estava lhe olhando.

— Você sente quando ela te olha? Porque é tão denso que até eu sinto...

 

Sempre sentia. Sempre.

 

Dançaram um pouco mais, riram um tanto mais, Karime sempre lhe fazia relaxar, fora que já devia ter assistido uns quinhentos shows de Julia, e Laura sempre adorava, sempre curtia e era assim que estava até, Julia chamar Ívi para subir ao palco.

 

 — Senhoras e senhores, esta é Ívi Bueno, minha amiga, minha metade, um presente que eu ganhei esses dias — Ela fez questão de apresentá-la sorrindo e, com o sobrenome que não passou despercebido por Kelsey — E quando nos juntamos, nós somos Haíz! — Disse, causando aplausos pela plateia — Será que poderíamos tocar algo nosso para vocês? Inédito? Tipo, terminamos agorinha — Respostas positivas e Ívi quase teve uma coisa.

— Julia! Você nunca vai seguir o esperado, não? A gente ensaiou outras coisas — Disse só para ela que, apenas riu, passando a alça do violão pelo pescoço de Ívi.

Salva-vidas. Canta.

— Sozinha?

— Eu estou bem aqui — Beijou a mão de Ívi carinhosamente — Senhoras e senhores, Ívi Bueno.

 

Ela tinha tanta confiança em si que Ívi realmente quase acreditava que podia fazer qualquer coisa. Começou a tocar as notas da canção, de fato uma canção de amor, melódica, calma, bonita, cheia daquele drama deliciosamente intenso de se ouvir. Laura não tinha ideia de que música era aquela, não tinha ideia de quem tinha a escrito e tinha, tinha toda a ideia, tinha todos os sentimentos, a luz sobre Ívi, tão simples e bonita, apenas ela e o violão, com Julia lhe abraçando a cintura, cantando no ouvido dela enquanto o olhar de Ívi tinha apenas um pouso: Laura, é claro. Laura o tempo todo. Os olhos de Ívi eram... Uma invasão. A voz dela uma inteira rebelião. E o que ela fazia com Laura era quase desumano.

 

Não dava, não podia mais, não tinha como suportar. Sua ansiedade estava comendo o seu coração.

 

Saiu. Dobrou de costas e foi passando no meio das pessoas, no meio da música, hiperventilando, estremecendo, ouvindo a voz dela e sentindo muito, sentindo demais, precisava de ar, precisava respirar, precisava... Desarrepiar. Se acalmar. Parar aquela sensação de eriçamento que começava em sua pele, subia sua nuca e culminava em sua mente e coração. Chegou lá fora, com o coração na garganta e todos os sentimentos nas mãos. Viu o vendedor de bolo de pote, comprou um, não pôde comer, ainda não podia se acalmar, ainda não podia respirar, ainda não podia... Não sentir. Dessentir. Era outro verbo tomando vida na sua mente e que não existia em nenhuma das línguas que falava.

 

— Laura, tudo bem?

 

Respirou fundo, tentando disfarçar, se acalmar e agradecendo muito que não fosse Kelsey. Era Julia. Falando em galego, protegendo o que deveria ser um segredo, ela sempre sentia os segredos, sempre sabia que idioma escolher.

 

— Laura? — Julia se aproximou, lhe tocando o braço, lhe fazendo virar — O que aconteceu? Eu vi você saindo quase correndo, está tudo bem?

 

E seus olhos se encheram e transbordaram sozinhos.

 

— Eu... Não é nada, eu só...

— Por que você saiu quando ela está cantando para você?

 

Perdeu uma lágrima. E os filtros. Quando percebeu, já estava confessando.

 

— A voz dela me excita — Confessou, sem saber bem qual seria a reação de Julia, só sabendo que ela reagiu como não esperava.

 

Julia se aproximou, se abaixando ao seu lado.

 

— Só a voz? Laura... — Julia respirou fundo, balançando a cabeça — O que você quer que ela faça? De verdade? O que você espera dela, o que você espera de mim? O que é? Porque ela não sabe o que esperar de você e eu sei menos. Pessoas que se gostam devem ficar juntas, é assim que uma relação saudável funciona, sabia?

— Não é simples assim...

— Na verdade, é simples sim, Laura. É muito simples. Você está fazendo com ela a mesma coisa que fez comigo.

— Eu não podia ficar com você, Julia...

— Por que não? Se eu te amo desde quando eu me lembro? Era incontrolável, eu não conseguia ficar longe de você, você não conseguia ficar longe de mim e quando a gente se tocava...

— Era um incêndio! Ao meu bom senso, ao meu controle, você queimava todas as coisas que eu era e a Ívi faz a mesma coisa. Ela queima o meu discernimento, a minha calma, queima quem eu sou!

— Talvez você não seja quem acha que é, Laura Bueno! Você já parou para pensar nisso? Não, você se conhece, a verdade é que você se conhece, sabe quem você é e não gosta muito do que vê, gostaria de ser diferente, mas sabe de uma coisa? Você não é! Você tem que educar a si mesma para aceitar quem você é!

— Eu não quero outro incêndio, Julia! É meu direito tentar, eu não quero!

— Pois você é a incendiária aqui! — Julia levantou, gritando com ela — Você é a líder da rebelião. Você comanda um caos na gente e depois nos deixa aqui — Apontou para dentro, ouvindo a letra da música — Sem salva-vidas — Abriu os braços, respirando fundo, com os olhos transbordando também — Você não me perdoa pelo que eu te fiz fazer, você não me perdoa porque eu queria uma manhã de amor com a garota que eu amo!  — Olhou quebrada nos olhos dela porque aquilo ainda lhe machucava — Eu só queria uma manhã de amor.

Julia, isso já faz muito tempo...

— Você não me perdoa por isso. Pois eu também não te perdoo por ter desistido da gente, porque você me amava, como mulher, a sua mulher, de quem você tirou todas as virgindades físicas e de todos os sentimentos, se você não me perdoa por uma manhã de amor, eu não te perdoo por ter me deixado sozinha na rebelião! E você não vai perder essa menina porque ela não vai admitir ser deixada, se você acha que ela vai desistir de você, está muito enganada. Ela vai te puxar para o fogo, vai te jogar no mar, mas vai ser o seu salva-vidas, porque desde o momento que você pegou uma sem-teto no metrô e a trouxe para a nossa casa, eu soube que isso só poderia dar em amor. É amor mesmo, você só está se fazendo de desentendida.

 

Laura a olhava. E decidiu dizer só de uma vez.

 

Eu vou com a Kelsey para Londres.

 

E aquela frase atingiu Julia como uma bala. Foi assim que pareceu, como se ela tivesse sentido fisicamente, a dor se estampou pelo rosto dela imediatamente.

 

— Você... Você o quê?

— Vou para Londres, por um mês. Quando a Kelsey for embora em uma semana, eu vou com ela.

 

Notas do Capítulo:

 

Hei, meninas!

Acho que a Tessa está me enrolando dizendo que não tem tempo para escrever as notas rsrsrs 
Olha eu novamente aqui :)
Falei com ela hoje de manhã, e aí disse: "Amor, não esquece as notas que te pedi ontem..." E a resposta dela foi: "Ah, Ana, faz você de novo, as meninas curtiram os seus spoilers" ;) 
E ufa, juro que pensei que ia levar uma bronca por ter falado demais. Mas olha, podem contar comigo, ficarei ao lado de vocês e todas as vezes que tiver a oportunidade de escrever as notas, vou contar um segredinho. Prometo! hahahaha

 

E aí, vocês estão bem? Passaram bem o final de semana? 
Sabem, cresci no meio dos esportes, sou uma apaixonada aficionada por todos os tipos de esportes. E estou em êxtase essas últimas semanas com tanta dose de esporte acontecendo. Estão acompanhando os Jogos Pan-americanos de Lima? Brasil se superando e o melhor de tudo, as mulheres arrasando. 


Podemos ser o que quisermos! Lugar de mulher é onde ela quiser! *-*
 

E por isso tantas mulheres lindas, diferentes, guerreiras Tess está retratando em 6AM. E sabem de uma coisa? Laura foi a personagem que nos deu mais trabalho. Essa história foi reescrita por 3 vezes. Sempre tentando dar um toque mais especial em cada uma dessas personagens. Laura deu trabalho, mas acredito que ela esteja agradando. Ela é muito fofa! Apesar de fazer nossa Ívi sofrer em alguns momentos, mas novamente prometo que será um sofrimento recompensado num futuro não tão distante assim. rsrs
 

Hoje não vou falar nada desse capítulo, deixarei para vocês a chance de nos comentários deixar as impressões que tiveram. Mas adianto, minha reação quando o li foi: "SHIT!" 

 

Próximo capítulo intitulado "A Rebelião" será bem esclarecedor. Não esquentem com esse título, nada de mortes, pancadaria, corações quebrados. Talvez só um pouco de fortes emoções! hahaha
 

As mesmas regras de sempre, ok?!

 

E adorei os comentários do capítulo anterior ;)

 

Beijos e tenham um resto de semana mara! ♥

 

 

 

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