6 AM - Capítulo 18 - A Rebelião

4/8/2019

 

 

 

Laura nunca imaginou que veria Julia descontrolada outra vez tal como havia visto na manhã em que o pai as pegou na cama.

 

Ela ficou louca quando ouviu. Louca, descontrolada, mudando de idioma, falando em catalão tão rápido que Laura mal estava conseguindo entendê-la. Tentou acalmá-la, tentou explicar que precisava passar um tempo com Kelsey, que não pôde e nem queria recusar, disse que precisava ver María, que não tinham dinheiro para ir até a Europa ver a irmã, mas nada, coisa nenhuma a fez parar, baixar a voz, se acalmar. E agora estava ali, no meio da rua, com Julia agarrada em seus punhos, lhe dizendo para não ir, que não ia permitir e foi essa cena que Ívi encontrou quando apareceu.

 

— Julia! Julia, ei! Você está machucando...! — Ela só seguia chorando e falando em catalão, castelhano, galego, sabe-se lá que língua ela estava falando, totalmente agarrada nos pulsos de Laura a ponto de machucar mesmo — Julia! — E teve que ser rude. Ívi enfiou os dedos nos pulsos de Julia e conseguiu fazê-la soltar, se pondo entre elas, trazendo Laura para as suas costas, segurando Julia pelo casaco porque ela estava descontrolada — Ei, Julia, ei! — Deu um chacoalhão nela, a sacudindo pela jaqueta bem forte para ver se ela voltava a si — O que você acha que está fazendo? A Thai foi me tirar do palco!

— Ela vai pra Londres! — Empurrou Ívi e se agarrou em suas mangas ao mesmo tempo — Você acredita? Ela vai com a Kelsey! Eu deixei o meu pai, a minha irmãzinha, eu atravessei um oceano para ficar perto dela e agora ela vai pra Londres com aquela menina de quem ela sequer gosta!

— Julia, olha o que você está dizendo!

— Você...? — Ívi manteve Julia pegada pela camisa, mas olhou pra Laura — Você vai pra Londres?

— Ívi, por favor... — O “por favor” era um “não” para outro escândalo.

 

Ívi respirou fundo, passando a língua pelos lábios que de repente secaram, entendendo o que estava acontecendo.

 

Julia... Você tem que voltar a cantar. Ainda está na metade do show.

— Como você acha que eu posso voltar pra cantar, Ívi?!

— Eu não sei, mas a gente precisa do dinheiro, nós não temos medalhas olímpicas ou dinheiro para esbanjar por aí — Disse, fazendo Laura balançar a cabeça em desaprovação, sentindo o amargor na voz de Ívi — Volta para o palco, eu te encontro lá em cinco minutos.

 

Julia fechou os olhos, apertando fundo, tentando controlar os tremores que estavam se espalhando de raiva pelo seu corpo inteiro.

 

— Você disse que a Thai...?

— Ouviu e viu tudo, você tem mais problemas do que pensa.

 

Julia olhou pra Laura. Soltou-se das mãos de Ívi com um tranco e apenas entrou.

 

— Ívi...

— Eu não vou fazer outro escândalo. Você deu sorte que a Kelsey não viu esse aqui. Eu só quero saber se é verdade. Você vai mesmo embora com ela?

— Por um mês, Ívi, não estou me mudando, eu vou voltar pra cá.

— É claro que vai voltar — Abriu um sorriso indecifrável — Você só vai perder trinta dias da gente, mas não vai me deixar.

 

Laura sorriu também, mas em discordância.

 

— Você é tão cheia de si...

— Eu sou, é da minha natureza, mas o que eu estou te dizendo agora é apenas a verdade. Você não vai me deixar, Laura. Você vai passar um mês com ela e vai voltar, sabendo exatamente o que sente e quem você quer, porque o seu fio vermelho está bem aqui, olha — Mostrou o dedo anelar da mão direita — Você vai ficar comigo, Laura e depois que a gente ficar de verdade, não vai me deixar nunca, menina. Nunca. Não se iluda.

 

Outro sorriso de Laura, o tom incomodando, um outro sentimento ardendo por dentro sem definição.

 

— Ívi, a gente...

— Mal se conhece, eu já sei. Mas paixão é um sentimento estúpido que não tem muita direção, ou seja, não necessita de grandes informações para acontecer. Você tem medo da paixão. Eu não sei o que aquela cubana fez com você, mas agora você tem medo.

 

Laura respirou fundo.

 

— Só acho que preciso dar uma chance para o que eu já tenho, eu devo isso para a Kelsey também.

— Se a Julia pede demais, você dá demais, Laura, você deve muito, mas nem é pra mim ou pra Kelsey, ou qualquer outra, é pra você mesma. Faça o que você acha que tem que fazer, tente pagar em ouro uma dívida de prata, tente tudo isso, mas você não vai me deixar. Não vai desistir dessa ideia da gente. Si quieres apostamos, corazón.

 

Laura não conseguia mover seus olhos dela.

 

— Que quieres apostar?

— O meu futuro. Os meus filhos. A vida de daqui a pouco. Escreve aí, Laura Bueno, você pode ir pra Europa com a sua campeã olímpica, pode tentar dar certo com ela nessa vida que você idealizou, mas vai voltar pra cá, vai voltar pra mim, para o que a gente já tem.

 

Outro sorriso, outra longa respiração. Laura tinha detestado aquela reação, não fazia ideia de qual reação esperar, mas Ívi tão cheia de si se desfazendo de uma decisão que tanto doeu em Laura tomar, não era uma delas não.

 

— Como é que você tem tanta certeza?

— Você também tem, Laura. Mas se você tem que ir, vai, pode ir. Eu não tenho o pânico que a Julia tem de que você não vai voltar.

 

Laura apertou os lábios olhando para ela.

 

— Você não está parecendo você mesma agora.

 

E Ívi olhou bem nos olhos dela.

 

— O que pareceria comigo? Eu estava contando os dias para essa Olimpíada acabar, eu não tenho que mentir para você sobre isso, e então do nada você decide colocar mais trinta dias nessa contagem, o que você espera de mim, Laura? Porque de você, eu já desisti de presumir qualquer coisa que seja! — Tinha endurecido, sabia, acontecia quando Ívi se irritava — Você é como aquela travessia, sabia? É linda e quente, mas quando a gente mergulha, é fria de quebrar os ossos.

— Não fala comigo desse jeito — Pediu, olhando nos olhos dela.

— Você sabe que é verdade, e que não é verdade! — Respirou, irritada demais — Caramba, Laura, você sente também! Eu sei que não sinto nada sozinha aqui, então eu sei lá os motivos dessa sua decisão — E daí quebrou-se em sentimentos atacando os olhos dela com os seus — Vai dormir com ela de novo, não vai?

— Ívi, não me olha assim...

— Assim como? Como quem te diz que ficaria muito mais feliz dormindo com você sem fazer nada do que fazendo tudo com aquela menina maravilhosa que está me esperando lá dentro? É a verdade! Você sabe que é. E eu sei também que não deveria estar fazendo músicas para você, mas eu me sinto incapaz de parar, incapaz de... Me livrar de você. Eu já tentei, mas o que está acontecendo entre nós duas é algo novo para mim, então não, eu não sei como conduzir as coisas de maneira melhor, eu só sei que ter certeza de como isso tudo vai terminar, me tranquiliza. Então, Laura, conduz você. Que deve saber o que é melhor para nós duas. E se agora você está levando a nossa história para Londres, a decisão é sua, faça do jeito que você tanto quer.

— Não é como eu quero as coisas, Ívi, é como as coisas acabaram acontecendo, eu queria resolver melhor, mas eu não sei como!

— Laura, só volta para dentro. Não me explica nada agora, você nem tem que me explicar nada, o que eu sinto é meu problema, mas eu acho importante que você saiba também que o que você sente é seu problema. Nenhuma de nós pode fazer nada sobre as decisões uma da outra, você só precisa ter certeza do que está fazendo.

— Eu vou voltar pra cá, Ívi. E por favor, não acha que a posição da Kelsey tem alguma coisa a ver com o modo que estamos agora. A sua posição social...

— Não existe. E por mais que você e as meninas digam que você não liga para isso e eu acredito que você não liga, de qualquer maneira, isso faz diferença. Ela é a estabilidade que você persegue desde quando deixou a Julia na Espanha. Alguma coisa te pôs na cabeça que você precisa de estabilidade e outra coisa não te deixa acreditar que estabilidade tem mais a ver com bem-querer do que com emoções controláveis. Então, sinceramente, vai, Laura. Vai e abstraia as coisas, o que os outros sentem, não é sua responsabilidade e enquanto você não resolver isso com você mesma... — Ívi molhou os lábios, olhando nos olhos dela — Vai seguir refém das pessoas. E de você mesma.

 

E desta forma, Ívi voltou para dentro, sem refazer nenhuma ponte entre elas.

 

Voltou para dentro e não, de forma nenhuma precisava trombar justamente com Kelsey na fila do banheiro.

 

— Ívi?

— Como é que você consegue tudo o que quer? — Saiu antes que conseguisse processar o que estava dizendo.

 

Ela sorriu. Não por arrogância, só por reflexo ou nervosismo, porque imaginava o que tinha feito Ívi se fechar daquele jeito.

 

— Eu não tenho tudo o que quero. Mas as coisas que eu quero e já tenho, consegui do jeito que você vai conseguir as suas coisas: caindo, ralando os joelhos, sangrando, sentindo muito, brigando um bocado. Nós somos parecidas, Ívi. Eu também quero algumas coisas e não tenho. A Laura, por exemplo. Eu ainda estou brigando por ela, e eu sei que você também quer brigar.

— Vocês namoram, Kelsey.

— E tem coisa mais ridícula de se dizer do que você não pode brigar por ela por que nós namoramos? Você tem que não poder brigar por ela porque ela está feliz comigo, porque ela está apaixonada por mim, não porque nós simplesmente namoramos. É muito cômodo, não acha? Achar que não preciso brigar pela Laura com você só porque nós namoramos, como se isso fosse um benefício vitalício e intocável. Tem que ser mais do que isso, Ívi, sempre tem que ser mais e eu sei bem que ainda não é. Mas eu vou brigar. E eu sei que você também vai. Isso não tem que ser um problema, entendeu? São coisas independentes.

Ívi queria tanto detestar Kelsey, queria tanto, mas tanto. Porém ela não ajudava em nada. A abraçou, disse que estava tudo bem, foi para o banheiro, lavou o rosto, respirou, se deu a mesma ordem que tinha dado a Julia: volte para o palco. Elas precisavam terminar.

Laura ficou lá fora mais um tempo tentando processar tudo o que havia acabado de acontecer. Julia ferida, Ívi inabalável. Não que quisesse, mas achou que ela reagiria um pouco mais emotiva, que fosse se importar um pouco mais com a sua partida e era nesses momentos que se flagrava tão egoísta que detestava ser quem era um pouco mais. Ficou andando de um lado a outro, pensando, pensando e pensando. A angustia era tanta que dava para sentir, cortar no ar se tentasse, a ansiedade consumindo suas mãos a ponto de Laura ter que apertá-las, tentar parar o formigamento, parar de sentir tanto. Seu coração estava minúsculo e enorme ao mesmo tempo, e ela se sentia partida em muitos pedaços e sentimentos diferentes.

 

E então foi interrompida pelo rompante de Thai. Muito pior que o seu ataque de ansiedade minimalista. A pegou na saída, muito nervosa, toda chorosa e Laura nem sabia o que fazer. Era culpa de Julia, é claro, o incêndio imparável, que queima tudo o que aparece pela frente. Conseguiu acalmar Thai naquela posição totalmente esquisita, em que era amiga e co-causadora da dor, talvez Julia tivesse razão e houvesse um “q” de incendiária em Laura que ela não gostava de admitir. De qualquer forma, conseguiu convencer Thai a voltar para dentro, mas não voltaram para a mesa, foram até o bar.

 

— Vodca — Laura pediu imediatamente, deixando Thai surpresa.

— Laura...? Você não pode, lembra?

— O que eu não posso é ficar nessa aflição toda, Thai, eu não aguento, está me dando uma coisa, eu não sei! — Seu coração estava disparado desde o momento que Ívi apareceu lá fora.

— Mas a decisão de ir para a Inglaterra é toda sua! Me ajuda a entender... A Ívi está bem ali, olha, linda, gostosa, te cantando outra música de amor em italiano, dormindo ao seu lado, toda apaixonada por você desde o segundo em que te viu. Não é a Julia que eu viro de costas e ela pega a Karime, pisco um pouquinho e a ouço dizendo que ainda te ama, tipo, é a Ívi.

— Ela me descontrola! Estava tudo sob controle com a crise da Julia, eu já sabia que ela ia fazer uma cena, mas aí chega a Ívi e ela me dá uma coisa, um ataque, eu não sei por que ela causa todas essas coisas em mim... — O garçom serviu a vodca, ela tomou de uma única vez.

— Laura, calma! Não é água, está bem? A gente combinou que você não ia mais...

— Eu sei o que a gente combinou, mas é que... — Respirou fundo — Desde quando a gente fez amor, a Kelsey só fala de me levar para Londres com ela, só fala que a gente se deve esta chance, que precisa estar junto como um casal normal em algum momento e ela acabou me convencendo, eu aceitei, é verdade que precisamos, eu quero ir, quero passar esse tempo com ela, está bem resolvido na minha cabeça. Mas ao mesmo tempo, eu não sei se não estou tirando vantagem dela, por causa da La Mari, por causa da Ívi...

— Calma, vamos por partes, uma coisa de cada vez. Você já não disse para ela o que está acontecendo entre você e a Ívi? Não tiveram esta conversa claramente?

— Tivemos, eu contei tudo pra ela, ela falou com a Ívi também, ela sabe que ela me causa uma coisa, um ataque, tudo isso — Pediu outro copo de vodca.

— E mesmo assim, ela te pediu para ir pra Londres com ela, não pediu? Então não se culpa por isso, ela sabe o que está acontecendo e está entendendo. Você e a Julia são iguais, eu posso acusar a Julia de todas as coisas, menos de não ser sincera comigo sobre o que ela sente por você e eu estou aqui, eu aceito esta parte e acho que a Kelsey também aceita, nós estamos na mesma situação, eu a entendo. É muito melhor alguém que fale a verdade do que alguém que mente. Então cancela essa culpa, a decisão é dela.

— Mas e se... — Tomou outro gole da bebida — Eu não vejo a María há cinco anos. E nem tenho como ir do Rio de Janeiro a Madrid para vê-la por mim mesma agora. Mas consigo ir de Londres até Madrid, entende? Eu preciso ver a minha irmã, ela está numa idade complicada, não me perdoa por ter a deixado e menos ainda perdoa a Julia por ter feito a mesma coisa, ela está crescida, linda e revoltada, é uma combinação terrível. Ela quer que eu dê um jeito de trazê-la pra cá, mas que juiz vai dar a guarda dela para uma adulta sem faculdade e desempregada? Fora que, Alejandro já disse, se eu fizer isso, vai no juiz contar exatamente o que eu fiz com a minha “irmã do meio” — Fez sinal de aspas — Indefesa e menor de idade. Eu nem sei se incesto é crime na Espanha.

— Julia não é sua irmã. E nem era nada indefesa, vamos concordar que era ao contrário.

— Eu sei, mas tecnicamente... De qualquer forma, eu preciso ver a La Mari. E se for só isso que está desempatando Kelsey e Ívi, eu estou tirando vantagem da Kelsey e ela não merece isso.

— Não. Ela merece um mês inteiro de paz com você, é isso que ela merece. Laura, eu sei o que você está passando, você quer estar com a Kelsey e eu quero estar com qualquer pessoa que queira um relacionamento tranquilo e descomplicado. Mas eu estou aqui chorando por causa da Julia, a odiando e ainda assim, não consigo pensar em outra coisa que não seja ir pra casa fazer amor com ela mais tarde. Você entendeu?

 

Laura baixou a cabeça na mesa. E pediu outro copo de vodca.

 

Ferrer Bueno — Viktoria se sentou bem à sua frente.

— Köhler, agora não... — Pediu, ainda de cabeça baixa na mesa.

— Agora sim. Você tem algo que já foi meu e eu estou com algo que é seu, nós precisamos conversar e você vai me contar umas coisinhas sim, vamos lá. Pede um negócio desse pra mim também — Se referiu ao drinque que estava sendo servido.

— Köhler, é sério?

— Muito sério, a gente vai conversar sim...

 

E o resto da noite foi uma bagunça totalmente, mas TOTALMENTE INESPERADA.

 

Ívi podia jurar que tudo tinha acontecido nas quatro músicas que subiu no palco para cantar com Julia, não havia mais tempo do que isso, mas o fato é que, quando desceu pra mesa novamente, Laura estava bêbada. Muito bêbada mesmo, como se em vinte minutos tivesse tomado todas as caipirinhas possíveis e mais alguns shots de vodca, uma garrafa de vinho, ela estava bêbada assim. Ok, Laura bêbada, Thai descontrolada com Julia, e Karime desaparecida.

 

Foi um pandemônio total conseguir localizar Karime porque Viktoria aparentemente tinha sido a parceira de drinques de Laura e estava bem fora de si também, e todas elas tinham conseguido perder Karime de alguma forma. Pronto, Karime localizada, ela tinha saído com alguns amigos o que nem de longe deixava todas tranquilas dada a instabilidade emocional que ela andava começando a passar novamente, mas ok. Não podiam tratá-la feito criança. Era melhor irem todas embora e foi pisar lá fora, e outra discussão aconteceu no meio da rua. Thai contra Julia e todos os sentimentos que ela tinha gritado ainda ter por Laura.

 

— Julia, tira ela daqui! Olha as coisas que ela está dizendo na frente da Kelsey! — A única além de Ívi e Julia que não estava bêbada.

— A gringa nem fala português, o problema não é esse, o problema é que…

 

Laura se agarrou no pescoço de Ívi, lhe pegando pela camisa, pondo a boca pelo seu ombro, pela sua excitação, pelo seu discernimento total.

 

— Eu quero ir pra casa, Ívi… — E puxou Ívi para perto de uma maneira…

— Laura, pelo amor... — Se arrepiou inteira, metade de tesão, metade de medo porque a namorada medalhista olímpica estava bem ali e era forte pra caramba.

 

E Thai atacou Julia de uma maneira diferente.

 

— Você não me ouve, não se importa comigo, não quer nada além de me levar pra cama, é isso que você quer, você não tem coração, Julia!

— Thai, por favor! — Julia a segurou contra o seu corpo e o Uber que tinha chamado chegou — Ívi, resolve a Laura, eu vou levar a Thai pra casa.

— Como assim resolve a Laura? Julia!

— Escuta, ela tem um histórico de abuso de álcool e...

— Oi? O meu anjo tem um histórico do quê?

— Então, todo esse tormento iniciou quando a gente aconteceu, ela e eu, por algum motivo ela começou a beber, se tornou abusivo, o pai a colocou na reabilitação por algumas semanas e tudo ficou bem. Mas de vez em quando este tipo de crise acontece e... Escuta, cuida dela, está bem? Ela vai ter crise de sonambulismo ou simplesmente apagar, eu nunca sei o que é pior. Eu tenho que cuidar da Thai, mas você não pode deixar a Laura assim.

— A Kelsey está aqui.

— Eu estou pedindo pra você, Schelotto. Pra você cuidar da minha irmã, entendeu? Eu estou deixando a Laura com você.

— Agora ela é sua irmã! Deve ter sido por isso que ela começou a beber, eu também começaria...

 

Julia a beijou no rosto.

 

— Cuida dela, está bem? Acredita em mim, a Kelsey não vai saber o que fazer se você a deixar sozinha com a Laura desse jeito — Daí se voltou pra Laura — Laura, olha pra mim, aqui — Julia a puxou para perto, olhando nos olhos dela — Te quiero mucho. Se comporta con las chicas, te quieren mucho también. Me estás entendiendo?

 

Laura disse que sim, estava entendendo tudo. Então Julia beijou a testa dela e foi tentar fazer Thai entrar no Uber enquanto Laura...

 

— Pra casa, Ívi, a gente tem que ir pra casa, a gente... — Se agarrou no pescoço de Ívi outra vez, lhe roubando o cheiro — Você é tão cheirosa, você me deixa...

— Laura... — E Ívi viu Kelsey se aproximando e seu coração simplesmente parou no peito — Kelsey, me desculpa — Pediu em italiano com Laura ainda agarrada em sua camisa, marcando o seu colarinho, balbuciando um monte de coisas que Ívi adoraria ouvir se estivessem sozinhas — Eu não sei o que deu nela. Nelas, olha a Viktoria. Viktoria? Vik, você está indo para o meio da rua!

— Viktoria, ei, calma, vem cá, vem — Kelsey a puxou de volta para a calçada, a mantendo em seus braços sorrindo — Calma, está bem? Eu sei que deve fazer tempo que você não se diverte tanto, porém…

— Muito tempo! Eu estou com muito tesão, caramba... — E então, ela se virou para Ívi — Eu estou com tesão, Ívi, a gente tem que fazer amor...

 

Ívi olhou para Kelsey e ela estava morrendo de rir, Vik estava falando em inglês.

 

— O que ela está dizendo?

— Provavelmente a mesma coisa que a Laura está dizendo no seu ouvido — Ela não parecia irritada, não era isso que estava no semblante dela, era outra coisa — Laura, meu bem?

— Eu já vou, eu já vou, Kelsey, olha, olha pra mim — Laura colocou as duas mãos no rosto de Kelsey, a olhando nos olhos — Eu vou com você para Londres...

 

Ela abriu um sorriso.

 

— Eu sei, meu bem.

— Mas eu preciso falar com a Ívi, é só um pouco, eu só quero falar, porque eu preciso, eu preciso falar com ela hoje, agora…

— É inadiável, não é?

— Inadiável — E lá vinha ela, voltando pra sua camisa, o seu pescoço e Ívi nem sabia o que fazer da vida — Ívi, eu quero ir pra casa, pra casa agora, a gente precisa… — Disse no ouvido dela o que precisava — Pra casa, por favor…

 

Aquilo era um momento real? Porque era uma cena que Ívi jamais pensou passar com Laura.

 

— Laura, meu bem, chega, olha pra mim — Buscou os olhos dela com carinho — A Kelsey está aqui, está tudo bem, você vai com ela para o hotel, está bem?

— Eu não quero ir! — Empurrou Ívi, trançando as pernas — Não me diz o que fazer! — Virou para Kelsey — Nem você! Ninguém me diz o que fazer!

— Ívi, nós temos dois problemas — Era Kelsey, cruzando os braços e rindo.

— Eu sei, mas… — Lá veio Viktoria, lhe abraçar por trás, mordiscar a sua nuca e dizer coisas impronunciáveis em alemão, e Ívi começou a entrar em desespero. Um desespero cômico — Eu posso ir embora com você? — Perguntou para Kelsey, a fazendo morrer de rir com o comentário desesperado — Só nós duas, a gente deixa elas aqui uma com a outra, eu quero chorar…

— Ívi, relaxa, está tudo bem, elas só estão bêbadas demais. Vem para o hotel comigo, traz a Viktoria, a Laura não vai se mover sem você e ela falando só em português eu não tenho ideia de como lidar, e...

 

E Laura tinha saído andando sozinha pela rua.

 

— Ela…? Laura! — Ívi se desvencilhou de Viktoria e foi atrás dela, a alcançou na esquina, a pegou pela cintura e a puxou de volta — Onde você está indo?

— Pra longe de você! — A empurrou, tentando sair, mas Ívi não deixou. A segurou firme, não a deixando escapar, a colocando contra a parede.

— Não vai pra lugar nenhum. Laura, a sua namorada está bem ali, por favor, o que você pensa que está fazendo?

— Eu não quero ir com ela hoje, eu quero ficar com você — Puxou Ívi pela cintura, a enlaçando completamente — Só hoje, só agora, a gente tem que conversar, Ívi, a gente tem que…

— Ela está te esperando, para ir para o hotel com ela. Laura, por favor, o que deu em você?

— A gente tem que conversar, Ívi, tem que ir pra casa, pro nosso chuveiro, para as nossas coisas, por favor

— Por favor você, amoriño. Não faz isso comigo.

 

E foi quando um táxi encostou onde elas estavam.

 

— Ívi, traz ela para dentro — Kelsey estava no carro, com Viktoria agarrada em seu pescoço, ok, o mundo estava invertido.

— Mas…

— Vamos para o meu hotel, é uma cobertura enorme, elas só precisam dormir em segurança. Ela não vem sem você. Viktoria também não. Eu menos ainda, elas vão me comer viva se eu ficar sozinha com elas. Entra, vai.

 

De alguma maneira, convenceu Laura a entrar no carro. Ívi a prendeu no banco da frente, literalmente prendeu com o cinto de segurança, que ela ficasse quieta, que dormisse um pouco e pareceu funcionar. Na meia hora que levou até o hotel, ela cochilou e quando precisou descer, parecia mais calma. Desceu agarrada em Kelsey, a mantendo perto sem dizer uma palavra que fosse. Ívi desceu levando sua alemã quase no colo, ela estava bem mais afetada fisicamente do que Laura aparentemente e quando chegaram no tal quarto de Kelsey, bem, tinha quatro vezes o tamanho da casa inteira de Ívi em Maragogi. Era um apart hotel com dois quartos, sala, lounge, vista privilegiada para o Calçadão de Copacabana.

 

— Ívi, eu vou colocá-la no banho, está bem? Tem o outro quarto, cuida da Vik, por favor.

 

Viktoria estava cantando e dançando pela sala com sua medalha no peito, feliz da vida. Ívi acabou sorrindo, que final de noite inesperada.

 

— Eu cuido dela, pode deixar.

 

Ívi se ocupou de Viktoria. A pegou pela cintura e ela se agarrou em seus braços, na sua boca, foi a beijando, a levando para o quarto, abriu sua camisa, lhe agarrando, lhe pegando e Ívi a convenceu a entrar no banho antes de irem pra cama. A colocou no chuveiro, a ajudou, ela estava com o punho ainda bem machucado, ainda muito doído, só parecia ter esquecido disso. A tirou do banho, a enxugou, a vestiu num roupão e assim que a colocou na cama…

 

— Viktoria?

 

Ela já estava em outro planeta. Daí respirou fundo e quando se colocou de pé para tomar o seu banho:

 

— Ívi, eu desisto — Era Kelsey entrando no quarto — Ela não quer ir para o banho, não quer ficar no quarto, está caçando você pelo apart igual uma psicopata.

— A nossa Laura dócil…?

— Não é ela! Uma entidade tomou o corpo dela e eu não sei mais o que fazer — Ela seguia não estando irritada, continuava sorrindo e parecia não estar acreditando naquela noite — Escuta, eu fico com esta aqui, tá — Deitou, agarrando Viktoria um pouquinho — É sério, eu não consigo mais, estou exausta, eu quero dormir…

 

Ívi abriu um sorriso.

 

— A Laura é sua, está bem?

— Mas mí amor é você. Ela não para de repetir. Ívi, ela está surtada por sua causa.

— Eu não fiz nada, Kels

— Eu sei. Deve ser por isso que ela está surtada. Ela quer ir comigo, mas não quer deixar você aqui, sei lá, ela tem mais problemas que nós duas, sabia? Vai lá.

— Você deve ser a namorada mais compreensiva desse mundo, eu não consigo acreditar que você existe.

 

Kelsey sentou-se na cama, respirando fundo.

 

— Ívi, ela não é simples, já passou por muita coisa, já perdeu muita coisa, perdeu muita gente, não sobrou quase ninguém e ainda assim, ela é uma garota boa. Ela tinha tudo para não ser, e se a “escuridão” for mesmo genética — Ela disse escuridão na falta da palavra certa para “depressão” — Ela é um milagre. Ou seja, é como namorar um anjo. Que está surtado lá fora agora, mas ainda é ela. E ela te quer, eu não vou impedi-la de ter o que quer.

— E é por isso que nós estamos nessa situação, Kelsey, porque nós duas estamos dando tudo o que a Laura quer.

 

Ela lhe olhou com aqueles olhos bonitos. Eram olhos lindos mesmo, bem azuis, Laura tinha razão de ficar toda perdida quando Kelsey lhe olhava assim.

 

— Eu juro que paro de fazer tudo o que ela quer. Mas só amanhã. Posso começar só amanhã?

Ívi abriu um sorriso.

— Serve amanhã — Deixou um beijo na testa de Kelsey e foi encontrar seu anjo rebelde lá fora.

 

Ela veio em sua direção assim que lhe viu.

 

— Ívi... — Se agarrou em seu pescoço sem piedade nenhuma do bom-senso de Ívi.

— Laura, você vai acabar comigo, sabia?

— É que a gente tem que conversar, eu quero te dizer umas coisas, eu preciso...

 

Ívi a segurou suavemente, a afastando só um pouquinho, buscando os olhos dela.

 

— Precisa de um banho, anjo.

 

Ela abriu um sorriso.

 

Ívi a levou para o quarto, para o banheiro, ela não se opôs nem um segundo e deve ter sido porque assim que pisaram dentro do banheiro, ela puxou Ívi contra o seu corpo, tentando seu pescoço, seu colo, se enroscando inteira pelo corpo dela e Ívi... Mordeu a boca, de olhos fechados, respirando muito fundo só para perceber que, era apenas humana.

 

Colocou Laura sobre o balcão da pia, sentindo as pernas dela se enroscando pelas suas coxas, o corpo dela pelo seu corpo inteiro sem Laura sequer precisar usar as mãos. Ela claramente estava com tesão, mas quem não estava naquela noite?

 

— Laura... — Ívi respirou muito fundo, de olhos fechados, a mantendo ainda muito perto de si. Kelsey sabia tanto dela. Não imaginava que soubesse tanto e isso lhe fez pensar nas noites e noites de conversas à distância, em que se contaram muitas coisas, Kelsey não era qualquer uma para Laura, claramente não era — Escuta, amoriño, a Kelsey está aí fora, você vai se sentir péssima amanhã se a gente acabar fazendo alguma coisa agora. Você não queria quando não estava bêbada, lembra?

 

Ela lhe olhou nos olhos.

 

— Eu sempre quero, Ívi, não seja estúpida...

 

Ívi caiu no riso.

 

— Você quer, mas não faz nada, porque respeita o que você e a Kelsey tem. Eu preciso que você tome um banho, Laura, por favor. Eu estou tentando te proteger.

 

Outro olhar, aqueles olhos estavam mais verdes do que nunca.

 

— Toma banho comigo.

— Laura...

 

Laura tirou a blusa que vestia, descobrindo aquele corpo lindo que ela tinha e que deixava Ívi fora de si, completamente fora de si. Então abriu o short jeans curtinho, deixou cair no chão, a lingerie preta, o coração de Ívi na garganta.

 

— Esse seu corpo... — Apertou as mãos pela cintura dela porque foi irresistível não fazer — Não tem um defeito, nem uma linha fora do lugar.

— Os defeitos estão na minha mente, não dá pra ver. É escura — Ela disse a palavra e os olhos encheram de algo — Cortada. Feia.

 

Mais daqueles olhos lindos dentro dos seus. E Ívi se despiu de seu jeans, ficando de lingerie também, os olhos de Laura saíram dos seus, foram para seus braços firmes, o abdômen que sabia que ela adorava. Ela lhe puxou por ali, pelo abdômen, lhe abraçando de corpo inteiro. A respiração dela foi longa, as mãos estavam apegadas e aquela energia que acontecia, passando de um corpo para outro, excitando a pele, arrepiando a mente.

 

— A sua mente é perfeita. Com todos os defeitos.

— Mesmo com as partes confusas e obscuras?

— Com todas as coisas, Laura, com todas as coisas.

— Me leva para o banho, por favor.

 

Ívi levava. Ligou a água, deixou na temperatura que ela gostava e enquanto fazia tudo isso, se deu conta de que Laura estava chorando.

 

Chorando muito e de uma maneira de cortar o coração. Um choro silencioso, feito de mãos que se apertam e de ausência de sons, os olhos tão machucados, tão magoados que Ívi nem sabia. A puxou para dentro do box, pediu que ela se acalmasse, disse que estava tudo bem, que nada de errado tinha acontecido, mas ela reagiu deslizando pelo chuveiro e sentando-se no chão, sob a água quente do chuveiro, ainda chorando, ainda sentindo muito, abraçando os joelhos contra o peito e Ívi só queria entender. Entender o choro, o porquê de tanta dor, porque ela parecia estar sentindo dor, dor intensa naquela mente linda que ela insistia em dizer que tinha problemas.

 

— Laura, meu bem, ei...

 

Aqueles olhos dentro dos seus, profundamente dentro dos seus enquanto o chuveiro quente caía sobre elas. Laura não disse nada, apenas pediu seus braços, o abraço de Ívi, a querendo muito perto, a precisando muito perto e no meio de tudo isso, aconteceu uma calma esquisita e sem igual. O lugar silencioso, o choro suprimido, o corpo de uma junto ao da outra, os batimentos que se encontravam, alinhavam, ritmavam juntos, a pele de Laura da qual Ívi não se cansava, o jeito que ela se agarrava pelos seus braços, a menina pela qual estava apaixonada e que iria viajar com outra por um mês inteiro.

 

Ela se acalmou devagar. Foi parando de chorar, se controlando, permitindo que Ívi a ajudasse. Ívi cuidou dela, a ajudou a ficar limpa, a tirou do banho e ela estava extremamente silenciosa. Tinha voltado a si como naquela primeira noite, estava bêbada, sim, estava, mas a Laura de Ívi e Kelsey estava aterrissando aos poucos. Perguntou se ela tinha roupas no quarto, ela achava que tinha, Ívi achou algo que ela pudesse trocar, lingeries limpas, um blusão para dormir e Ívi se vestiu em uma lingerie dela e pôs um roupão por cima. E ela ficou levemente agitada novamente.

 

— Laura, Laura, calma, você só precisa dormir...

— Fica aqui, Ívi, fica, fica... — E ela se enrodilhou, deitando a cabeça em seu colo na cama e Ívi sabia que não conseguiria sair enquanto ela não dormisse.

 

Deixou-a dormir. A olhando em cada pormenor, acariciando aqueles cabelos macios, aquela pele delicada. Ívi estava apaixonada que doía. Coisa que nunca tinha acontecido por ninguém. Tinha se descoberto gay relativamente cedo, aos treze achou que gostava de meninas, aos quatorze encontrou uma para beijar, havia sido mágico, como atravessar um portal de autoconhecimento poderoso. Aos quinze, perdeu a virgindade com a primeira namorada, mas nunca tinha ido muito além de empolgação no que toca a sentimentos. Se empolgava por alguém e era só empolgação. Beijava, pegava, ia pra cama, mas nunca tinha ido ao próximo estágio em que realmente estava começando a acreditar que era onde Laura lhe colocava. Estar apaixonada tinha lhe feito bambear as pernas por alguém, havia lhe feito chorar por uma menina que sequer era sua, fazia seu coração disparar e sua mente não conseguir parar de pensar numa única pessoa. Achava que a tinha memorizada já. Escaneada em sua mente. Cada pedacinho daquele ser humano que Laura era.

 

Ela seria sua, ponto.

 

E não seria sua num apart hotel pago pela namorada dela.

 

Deixou um beijo na testa dela, ela enfim havia pego no sono. A tirou do seu colo devagar, encontrou cobertas no roupeiro, olhou Laura só mais uma vez, ela estava dormindo feito o anjo que era e então, Ívi caminhou para fora do quarto. Deu uma olhadinha em seu quarto e Kelsey estava tão apagada quanto Viktoria, ela parecia exausta mesmo. E, não daria para dormir naquela cama, menos ainda na cama onde Kelsey tinha feito amor com Laura provavelmente naquela manhã. Se namorasse Laura, com toda certeza faria amor com ela todas as manhãs, era melhor que Kelsey estivesse fazendo o mesmo.

 

Deitou-se no sofá, muito mais confortável do que a cama que tinha deixado lá na sua casa em Alagoas, se cobriu, se ajeitou e pegar no sono veio natural quanto todo o cansaço que estava sentindo pelo corpo. Foi relaxando, célula a célula e quando sua mente se desconectou completamente...

 

Sentiu uma pressão sobre o peito. Quis abrir os olhos para ver, mas só pelo cheiro, nem precisava. Era Laura, se enfiando por baixo do cobertor, buscando seu peito, seu colo, seus braços. Balbuciou algo, achava que tinha tentado mandá-la voltar pra cama, mas apenas achou.

 

A guardou nos braços, lhe beijou a testa, pegou no sono.

Notas do Capítulo Extra:

 

Hola chicas!

 

Ah, não disse que estava sendo enrolada pela Tessa. hahaha Dessa vez a desculpa foi a festa de aniversário da minha sogra. Disse que não teria tempo para escrever as notas e se eu poderia quebrar esse galho para ela. Mas deixa, só por isso, no final dessa nota vou contar um pequeno spoiler ;)

 

Meninas, como foi a semana de vocês? Novidades?
Nós estamos cheias de novidades e prometo que logo logo vocês saberão.

 

E aí, hein, QUE CAPÍTULO, minha gente, que capítulo!!! Nada de rebelião das meninas (só um pouquinho da Juls, né), mas a rebelião da Laura e quem diria, de Viktoria Köhler também. hahahaha Adoro essa guria, ela será importante na história, podem esperar.

 

Mas sabem, esse e os 3 próximos capítulos são os meus favoritos da história até aqui, porque mostram um pouco mais da Laura humana, da Laura que sente, que sofre, que está confusa com tudo o que está acontecendo. Não pensem vocês que a vida dela é fácil. Sempre tento me colocar no lugar dela e tentar descobrir como eu reagiria numa situação parecida, pq deve ser bem complicado tudo. E galera, não vejo a decisão da Laura como precipitada e nem como uma fuga. Ela está tentando entender tudo e dar uma chance para a Kelsey, pq convenhamos, isso não é nenhum sacrifício. Eita mulher linda de olhos azuis. hahaha Mas bem, do outro lado temos a gata de rua, né, e eu acredito que logo mais essa gatinha se tornará um tigre, viu. Podem esperar, esse tardar não está longe. Muito mais perto do que vocês esperam.

 

E para finalizar, nosso recadinho semanal, mesmas regras de sempre, 25 comentários de leitoras diferentes e o próximo capítulo, Reconexão, será postado dia 07/08.

 

Beijos com gosto de romance para vocês e até quarta-feira próxima. ♥

 

 

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