6 AM - Capítulo 21 - A Patinadora

14/8/2019

 

 

Laura chamou o Uber enquanto Ívi a puxou para os seus braços, a protegendo do frio com seu corpo, ficando muito perto uma da outra, se esquentando juntas enquanto o carro não chegava. Bem, chegou e era hora de irem até o hostel de Ívi. O carro as deixou aos pés da escadaria muitíssimo movimentada naquele horário e Ívi sentiu uma coisa no peito. Laura sentiu também.

 

— Você desceu essas escadas de patins enquanto fugia?

— A própria marginal, foi como eu me senti — Abriu um sorriso.

— Pois hoje você irá subir essa escadaria com um sentimento totalmente diferente — Se agarrou na cintura dela enquanto Ívi lhe guardou perto cheirando seus cabelos e elas começaram a subir — Você é uma sobrevivente, está bem? Você fez o que teve que fazer e hoje está voltando aqui para contar que é uma guerreira, que deu a volta por cima e agora pode pagar pelo quarto que usou — Disse, fazendo Ívi sorrir novamente, outro cheiro nos cabelos dela, Laura estava um absurdo aquela noite.

— E se eles ficarem loucos comigo?

— Você aguenta, não se preocupa que você aguenta. Eu só não entendo como... Gente, como você desceu? Ívi, você vai ter que vir aqui com seus patins e me deixar ver como foi que você fez isso...

 

Ívi começou a rir, ok, se ela queria tanto, podia recriar a sua fuga qualquer dia, seria até divertido. A escadaria estava altamente movimentada, cada pedacinho subido uma música diferente invadia seus ouvidos, era uma atmosfera viva, cheia de cores, euforia e sotaque por todos os lados!

— Eu nunca tinha vindo aqui!

— Sério?

— Nunca! Espera, é aqui? — Ela apontou para uma casa colorida com um portãozinho simpático e uma iluminação pesada do lado de dentro.

— Como você sabe?

— Está tocando Celia Cruz, só pode ser aqui!

— É aqui mesmo. Tudo bem, me deixa respirar um pouquinho... — Respirou, sentindo a mão dela toda pega na sua — Você acha que eles ainda têm o meu violão?

— Vamos perguntar, mí amor, vem, vamos fazer isso de uma vez...

 

O mí amor sempre fazia Ívi sorrir, aquela menina linda, como podia? Passaram o portãozinho e Ívi mal colocou um pé para dentro e:

 

— A patinadora! Seu Elias, a patinadora! — O funcionário gritou para seu Elias que era um cara enorme, tipo, ENORME.

 

Laura deu um passo para trás quando viu, abrindo um sorriso nervoso, mas se pondo à frente de Ívi porque ela precisava.

 

— Nó viemos pagar! — Laura se prontificou a dizer antes de qualquer coisa — Está tudo bem, nós viemos pagar.

— É isso, eu vim pagar! — Ívi anunciou também, pondo as mãos para o alto — Eu vim pagar, seu Elias, eu vim pagar, eu juro que... — Daí parou porque, ele estava rindo — Eu vim, eu juro, por que o senhor está rindo?

— Porque você fez aquele cara ali quase ter um treco correndo atrás de você! — Ele estava rindo demais, ria toda vez que ouvia seu funcionário contando o que tinha se passado e imaginava a cena — Menina, como é que você pula do segundo andar, como é que sai patinando por essa escadaria?

— Eu... É que eu não tinha como pagar...

— E por que não me falou que estava com problemas?

— Seu Elias, é que, eu, eu... Sei lá por que não disse. Eu não tinha dinheiro, não estava conseguindo emprego...

— Estava comendo todo o meu café da manhã, acha que eu não percebi que você estava com problemas? Eu só não achei que era tão grave assim. Venha até aqui, vamos! Vamos conversar um pouco.

 

Ele a levou até um escritório pequeno onde a música não entrava tanto e poderiam se ouvir melhor. Ívi fez o pagamento primeiro, em débito, com aquele dinheiro que tinha juntado com tanto trabalho e suor. E então eles conversaram um pouco mais.

 

— Para onde você foi? Eu espero que você não tenha dormido na rua por aí, menina.

— Não dormi, mas foi por pouco. Ela me achou e... — Trocou um olhar com Laura, sabia que estava a comendo com os olhos um pouquinho mais aquela noite. Devia ser porque Laura estava bonita demais e, porque estava bonita para Ívi, uma bobagem que estava mexendo com a sua mente — Me levou pra casa dela.

— Como assim simplesmente levou? Com toda certeza não sabia que ela tinha fugido daqui feito uma trombadinha... — Ele falou bem-humorado, fazendo-as rir.

— Essa parte eu só soube depois.

— Pois eu fico feliz que tenha acontecido assim. Fico feliz que tenha conseguido trabalho e mais feliz ainda que tenha voltado aqui para pagar a sua dívida. Só deixa ainda mais claro que você é a boa menina que eu achava que era desde o começo. Ívi, eu tinha certeza que você não tinha muito dinheiro quando te deixei ficar aqui, mas também tinha certeza que era uma trabalhadora, que ia conseguir dar um jeito nas coisas desde que tivesse onde dormir em segurança. E espera um pouco — Ele levantou e abriu o armário puxando um estojo que Ívi conhecia muito bem — Aqui, é seu, estava te esperando.

 

Era o seu violão. E Ívi o abraçou com tanto carinho que Laura nem acreditava. Era como se fosse uma parte dela, era o violão que seu pai tinha lhe dado, era mais do que um instrumento, era mesmo parte de sua família. Conversaram com Elias um pouco mais e quando saíram do escritório, Laura queria dançar!

 

— Laura!

— Como você ouve essa intro sem querer dançar?!

 

Esa negrita que va caminando, esa negrita tiene eso tumba'o! Y cuando la gente la va mirando, ella baila de la'o también apreta'o, apreta'o, apreta'o!

 

Era essa intro cheia de sotaque cubano que ela não conseguia resistir! Ívi pediu para o cara do bar guardar seu violão e quando voltou para Laura, ela já estava dançando, girando num rebolado cheio de classe, tão sexy e Ívi nem sabia. Dava para não querer dançar com ela? A mão dela encontrou a sua e ela foi lhe puxando para o meio, dançando separado, naqueles passos de salsa tão precisos, os cabelos soltos, ripando no ar, o sorriso aberto, a dança era tão fácil por ela, deslizava pelo seu corpo, encontrava os movimentos e quando chegaram no meio, Ívi a pegou para si. Pelo punho, pela cintura, dançando com ela, encontrando um movimento no outro, a fazendo girar, ir, voltar, afinadas a ponto de Ívi fazê-la tombar para trás com um único braço porque ela já tinha confiança que seria pega, segura, sua, porque dançar junto era confiar, era segurar, trocar energia e a energia delas era...

 

Ardente. Ardia por dentro o tempo todo e quando se tocavam, nunca sabiam onde iriam parar.

 

Perderam a noção do tempo. Acharam aquele espaço no meio da pista e nunca mais saíram, dançando uma música seguida da outra, rindo, falando, conversando, trocando os passos que estavam cada vez mais elaborados! Ívi costumava dançar em Alagoas, mas sempre com rapazes, estar dançando com uma menina linda era completamente novo e estava simplesmente adorando! Dançar com uma menina, dançar com Laura, toda espanhola e latina, a dona daquele sorriso lindo e daquela empolgação que lhe contagiava, deixava zonza, fazia tão bem. Laura se empolgava com coisas pequenas, ficava feliz com o simples e Ívi adorava isso nela, a simplicidade e o carinho com o qual recebia o menor mimo como um grande presente. Falando em menor mimo, aconteceu quando Ívi foi pegar água para elas e quando voltou, uns minutinhos depois, do nada, o set de salsa foi interrompido por Alejandro Sanz.

 

Primeiro, Laura se arrepiou e então se derreteu inteirinha num sorriso.

 

— É sério?

— Que ele começou a tocar a sua música do nada, eu nem acredito — Respondeu sorrindo, a pegando pela cintura, sentindo os braços dela se agarrando pelo seu pescoço, a brandura de A que No me Dejas tocando, os trompetes tão latinos, tão românticos, Ívi já era apaixonada por aquela música completamente.

— Totalmente do nada, não é? — Deitou a cabeça no ombro de Ívi, balançando docemente com ela de um lado a outro. O cheiro de Ívi, a quentura de sua pele, a voz macia, não tinha nada que não gostasse nela, nada, nem uma coisinha.

— Quem não ama Alejandro Sanz?

Quem não amava? Laura ficou agarrada nela, dançando juntinho em apenas alguns centímetros de piso, não precisavam de muito, não precisavam estar longe, ainda mais quando em seu ouvido, Laura lhe dizia que aquela noite era um mimo, que aquelas horas eram um presente, disse assim, agarrada em seu pescoço, pedindo os braços de Ívi muito enroscados em sua cintura. As horas eram um presente sim e aquela noite um mimo que elas duas mereciam.

— E eu achando que você ia me dizer não…

— Eu já disse “não” para você, Ívi? — Perguntou, ainda toda agarrada por ela — Para qualquer coisa que seja?

 

Ívi riu, ainda a mantendo muito em seus braços.

 

— Eu nem te peço muito…

— Porque você cuida de mim. Mas eu juro para você que todos os dias eu acordo me perguntando o que vai ser de mim se você decidir me pedir mais... — Disse, a fazendo rir outra vez.

— Sinceramente, Laura Bueno, sinceramente...

 

Outra música romântica, porque Ívi também tinha pedido ao DJ, adorava dançar salsa com Laura, mas tê-la agarrada em seu pescoço numa música lenta não tinha preço. Dançaram juntinhas outra música romântica e parecia que estavam fora de qualquer realidade, melhor, estavam dispensando outra realidade que não fosse aquela, em que estavam dançando juntas, tão, mas tão perto uma da outra. E então que o set de salsa voltou, os sorrisos, a diversão, outra sensação, os saltos de Laura riscando o salão, as botas de Ívi a acompanhando à altura, o corpo dela por entre os seus braços, aquele vestidinho bem acima dos joelhos e a coisa delas, o olho no olho, um lábio que era mordido aqui e ali, os sorrisos constantes, o calor subindo e...

 

Laura a puxou pela camisa contra si no final da música, a única que tinha restado no corpo de Ívi porque ela tinha lhe despido das outras duas durante os sets com uma habilidade inacreditável. Estavam mordendo uma a outra sorrindo, Laura sabia, Ívi sabia, as mãos de Ívi perdidas por aquele corpo lindo, por aquele cabelo cheiroso demais, aquela pele macia e tudo atraía, tudo esquentava, a tensão entre elas era constante, mas quando dançavam...

 

— Laura...

— Água, amoriño, eu preciso de água...

 

É claro que ela precisava. Compraram uma água no bar e dançaram mais um set, daquele jeito gostoso e divertido, trocando risadas e arrepios de tesão com a mesma frequência e quando saíram daquele lugar, estavam fervendo, molhadas de suor, cheias daquela energia que acontecia por dentro sempre que ficavam perto uma da outra. Laura com aquele vestidinho matador, Ívi com uma marquinha de batom no pescoço bem do jeito que deveria ser, o violão nas costas, a camisa amarrada na cintura, sua jaqueta dependurada, as mãos dadas porque quando a energia as tomava, não tinha centímetro que pudesse separá-las. Era o que atormentava Ívi todos os dias, o não ver a hora de estar a 1 centímetro de distância de Laura, naquela intensidade tão delas.

 

— Ívi, tem uma pizzaria artesanal aqui perto! — Era um lugar que servia uma pizza diferente.

— Laura, que fome é essa, menina?

— A gente dançou por mais de uma hora! Vem, é só um pedaço de pizza...

 

É claro que ela lhe arrastou para o tal lugar, toda agarrada na sua mão, estava uma noite friazinha, ventava suave, parecia que ia chover a qualquer momento. Chegaram até a pequena pizzaria que estava lotada, tinha fila do lado de fora para chegar até o balcão.

 

— Tem uma fatia de chocolate com morango, não, você não faz ideia...

 

Ívi abriu um sorriso.

 

— Eu nunca tenho ideia do que você vai me fazer comer, Laura Bueno...

— Confessa que é divertido e que sempre é bom, vai.

— Isso eu não posso negar, é meio inesperado, mas é sempre divertido e sempre gostoso, tem toda razão... — Estava com os olhos no celular, respondendo uma mensagem. E Laura olhava para ela. Ívi tinha colocado a jaqueta de volta e começou a chuviscar muito delicadamente. Nosotros seremos lo que tu quieres que seamos… Yo soy lo que te de la gana, echamelo todo en cara... A letra estava rodando e tocando em sua mente o tempo inteiro.

— Tiziana?

— Ela está me perguntando de você.

 

Mais olhares de Laura. Os metais românticos de Alejandro Sanz ainda em sua mente, a chuva fina, Ívi bonita demais e aquela noite prestes a terminar. También soy el que te acaricia en la mañana... Yo soy el que te ama, que te da las ganas y desganas...

Yo soy el tiempo que tú y yo hemos compartido

 

Ahora dime que no... Perdemos los dos si te vas...

 

— Ívi?

 

Ívi levantou a cabeça seguindo a voz de Laura que lhe chamou, porém...

 

Foi beijada antes de encontrar os olhos dela.

 

Beijada na chuva fina, beijada roubada, tão roubada que seu celular quase caiu das mãos, o salvou da queda, mas não salvou seu coração. Seu coração caiu, sua pressão subiu num calor intenso do seu dedão do pé até o meio de sua cabeça, a boca de Laura suavemente deslizando pela sua, a mão dela lhe puxando pela nuca, pela jaqueta, a língua encontrando a sua em uma única respiração enquanto ela sorria, lhe pegava, lhe mantinha, lhe tinha, ponto, ou vírgula, com a boca dela na sua, Ívi havia esquecido boa parte das coisas. Esqueceu de respirar, de fazer o coração bater, esqueceu, esqueceu, partiu, cadê? O coração, a pressão, o beijo roubado...?

 

Ela estava sorrindo. É claro que ela estava sorrindo daquela maneira linda.

 

Ívi abriu um sorriso e a pegou pela cintura, a beijando outra vez, saindo da fila, a levando para trás, a encostando contra a parede da pizzaria enquanto seu corpo inteiro grudava contra o dela, os dedos na garganta de Laura, deslizando pelo queixo, pelo maxilar, lhe mordendo na boca, na mente, disparando tesão e coração em toda aquela pegada que Laura tinha certeza que ela tinha. Gemeu na boca dela, roubando a língua dela para sua boca um pouco mais, aqueles dedos firmes lhe prendendo, pressionando gostoso, as mãos atrevidas de Laura por baixo de sua jaqueta, lhe caçando a pele, lhe puxando para perto, eletrificando, acelerando, pulsações disparadas que ainda estavam se recusando a acalmar.

 

— Eu não acredito que você me beijou na fila da pizza, Laura Bueno... — Disse, apertando Laura pela cintura e a fazendo morrer de rir.

— Às vezes você é romântica que se envergonha — Ela respondeu, beijando Ívi outra vez, se agarrando pelos seus braços daquele jeito que só ela sabia fazer, com tanta necessidade, tanta carência, toda apegada. Adorava Laura apegada, adorava.

— Eu não sou, mas tipo, é a fila da pizza! — Ela estava magoada, mas nem era de verdade.

— Ao menos está chovendo, vai.

— No máximo chuviscando...

 

Laura a beijou novamente, deslizando as mãos pelos cotovelos de Ívi, o beijo gostoso, tão quente, a cor subindo pelo pescoço, os batimentos ensurdecendo os ouvidos.

 

— Eu tive que te agarrar de improviso porque claramente você devia estar planejando cuidar de mim a noite inteira...

 

Ívi gargalhou e a beijou, a puxando pela nuca, sentindo aqueles dedos afundando em seus braços, ainda tentando se convencer de que o que estava acontecendo era real mesmo. A boca dela suave e gostosa como Ívi sempre achou que fosse, não, era real mesmo, tinham se beijado, estavam ficando, estava acontecendo mesmo.

 

— Eu só estava decidindo o momento, porque eu nunca sei se devo, você é um serzinho enigmático, Laura Bueno.

— Claramente eu nunca quis beijar você, muito claro, te mordi inteira a primeira noite, mas vontade de beijar mesmo nada, eu entendo as suas dúvidas...

 

Mais risos, mais de Ívi a beijando longo e gostoso, a apertando inteira contra o seu corpo porque, era Laura, porque tinham se beijado, estavam ficando na fila de uma pizzaria. Se abraçaram muito apertado, se cheirando enquanto de fato, a chuva começou a cair mais forte.

 

Ívi respirou nela. Os olhos fechados, a mão na nuca de Laura, os dedos dela pela sua pele, estava quente, estava denso, ainda não parecia que estava acontecendo e os batimentos de Laura estavam tão rápidos que Ívi julgou ouvi-los no pulso dela que estava junto ao seu ouvido. Então a acalmou. A beijando outra vez, devagar, buscando aqueles olhos lindos, aquele cheiro que adorava, a abraçando, a sentindo.

 

— Me diz que não foi um impulso… — Pediu, a fazendo sorrir.

— Não foi um impulso não, aliás, eu acho que nunca pensei tanto em alguma coisa antes — Laura respondeu cessando o sorriso em um tom intenso que Ívi tentou decifrar — Você pensou em como seria, não pensou?

— Trezentas vezes. Eu só não tinha imaginado você me roubando assim. E nem a chuva — O sorriso nos lábios de Ívi era algo permanente.

— Eu imaginei a chuva — Ela confessou, agarrada em seu pescoço — Imaginei o beijo, o gosto, eu só não imaginei... — Apertou os lábios.

— O que, amoriño?

O sentimento — Ela respondeu, apertando a mão na nuca de Ívi — Isso escapou de mim.

A que no me sueñas... — Sussurrou no ouvido dela e sentiu os braços dela arrepiando-se imediatamente.

— Ívi...

— Te lo digo 43 veces, a que no me sueñas... — Desceu os dedos pelo pescoço dela, suavemente — A que te beso y te entregas... Que tu no puedes olvidarme, corazón... — Abriu um sorriso, olhando para ela — Você é linda pra caramba, meu Deus, eu me arrepio toda vez que olho para você…

 

Laura a agarrou e a beijou de novo, a puxando pela camiseta, cravando as mãos pela jaqueta dela, a sentindo muito, a tendo perto, tomando todo o gosto daquela boca que podia. Também não tinha imaginado isso, o quanto aquela boca era gostosa de beijar, o quanto o cheiro dela mudava de perto, o quanto a pele estava fervendo agora. Se dependurou no pescoço de Ívi outra vez, sentindo os braços dela enroscando pela sua cintura.

 

— Ívi, você beija gostoso pra caramba, mas eu ainda quero pizza, mí amor...

 

Ívi caiu no riso.

 

— Não sei por que não me surpreende. Vem, amoriño, vamos pegar a pizza que você quer...

 

Ela lhe beijou o pescoço e Ívi a enroscou em seus braços, a abraçando por trás, cheirando o pescoço dela enquanto voltavam para a fila. Pode ter levado cinco minutos ou cinquenta, estavam naquela máquina mágica em que o tempo passava diferente ou sequer passava. Chegaram ao caixa enfim, pediram as tais fatias de pizza de chocolate com morango, houve um beijo entre o pagamento no caixa e o recebimento no balcão, houve um corpo buscando o outro, Ívi roubando o cheiro dela um pouco mais com seu coração cheio de algo tão bom que nem sabia. Estava cheio lá dentro, a chuva tinha se acalmado novamente e elas foram parar em algum pedacinho de calçada enquanto comiam e conversavam, ficavam um pouco mais. Ívi cobrindo aquele vestidinho delicioso com a sua camisa jeans, protegendo qualquer coisa que pudesse ser vista, tirou o violão do estojo porque estava louca para saber se ele estava inteiro e lá estava, aquela sua menina linda agora toda lambuzada de chocolate.

 

Vem cá — A puxou e a beijou, sentindo o sorriso dela, aquela mão em seu punho, a boca dela em seu pescoço no pós-beijo e Ívi ainda nem sabia de nada. Aquela noite ainda não parecia real.

— Você precisa fazer uma música para hoje — Laura se agarrou no braço dela um pouquinho.

— Eu preciso, não é? Uma que você goste por que da última vez que eu fiz uma música para você, você saiu correndo, lembra? — Disse, a fazendo rir demais.

— Não foi culpa da música, foi culpa sua!

— Se fosse a Julia cantando você teria se derretido provavelmente...

 

Laura a beijou sorrindo, com gosto de morango e chocolate, uma delícia.

 

— Eu fugi porque a sua voz me excita... — Contou no ouvido dela, fazendo Ívi se arrepiar inteira e apertar de tesão.

— Ai, Laura...

— E eu não podia ficar excitada, com a minha namorada perto, com a sua ficante perto — Se agarrou em Ívi um pouquinho mais, respirando fundo — Por que a gente não teve esse encontro antes?

— Você já estava namorando de qualquer forma, Laura…

Antes. Antes da Olimpíada, quando você chegou aqui — Deitou a cabeça no ombro dela — Se tivesse sido antes, eu não machucaria ninguém.

 

Ívi sentiu uma dorzinha nela. Beijou-lhe a testa, a boca mais uma vez.

 

— Na verdade, a Kelsey ia aparecer aqui com aquela determinação irritante de lutar por tudo o que quer e aqueles olhinhos azuis que são a coisa mais linda, e que te deixam toda perdida... — A fez rir outra vez — Alguém ia sofrer, eu provavelmente, Julia nem se fala, ia sofrer em dobro, pobrezinha...

— Ela está apaixonada por outra menina, Ívi, só não percebe por minha causa. É como se sempre eu estivesse no caminho de alguém, ou traindo alguém, eu detesto isso, eu traí minha primeira namorada com a Julia e…

— Traiu a Julia com alguém?

— Não.

— Traiu a Natalia por acaso? — Ela negou, não tinha traído — Então está dois a dois. Eu vou desempatar isso para você, está bem? — Olhou nos olhos dela sorrindo — Não vai me trair, não vai me deixar nunca, menina, lembra?

 

Outro sorriso dela. Mas os olhos ainda estavam afetados.

 

— Ívi, eu só…

 

Ívi a beijou outra vez, a puxando pela nuca, tocando a sua testa na dela.

 

Shsssssss: não pensa, você está começando a pensar. Não é para pensar em nada esta noite, está bem? Olha pra mim — Ela abriu aqueles olhos lindos ao encontro dos seus, aqueles lindos olhos verdes dentro das irises líquidas de Ívi, Laura podia se derreter pelos olhos azuis de Kelsey, mas aquele castanho-líquido-brilhante de Ívi era... Todos os seus pontos fracos, cada um deles — Eu vou cantar para você enquanto você devora essa pizza por quem me trocou tão fácil...

 

Outra gargalhada de Laura, Ívi tinha poderes, estava claro e decidido. A beijou outra vez, sentindo o violão delicadamente entre elas.

 

— E vai me cantar o quê?

 

Ívi tirou algumas notas de seu violão e, Laura começou a rir tudo de novo pela escolha da música.

 

Feel the fire when she kiss me en la boca… Fell in love with su vida loca… — Era um reggaeton todo cheio de safadeza e açúcar em seus versos — No dejo de pensar en ella, yo no sé, aunque me pueda doler, yo voy a ella...

— É isso que você anda aprendendo com a Julia!

 

Era bem isso mesmo que andava aprendendo com aquela cubana. Seguiu cantando, seguiu sorrindo e olhando para ela.

 

Me dice "Baby, all I want es estar contigo, when you're not around, me quiero contigo…

— Todo cambió, is the right feel… — Laura a acompanhou no verso, porque era uma música safada, mas irresistível — Dime qué hacía antes de estar contigo...

 

E foi uma delícia terminar aquela pizza de chocolate ouvindo Ívi lhe cantar safadezas em reggaeton, tão delicioso que depois da pizza, Laura colocou a música em seu celular e tirou Ívi para dançar, sim, assim mesmo, naquele pedaço de calçada, quase no meio da rua sob aquela chuva fininha que parecia cair apenas para fazê-las felizes.

 

— Você quer dançar mesmo, amoriño?

 

Ela agarrou-se no pescoço de Ívi, deixando a sedução da música grudar em sua pele.

 

Eu sempre quero dançar com você. Tenho que te contar esta parte também?

— Todas as partes, meu bem, eu já disse que você é transparente de exterior, mas seu interior é turvo...

 

Mais risos e mais Ívi a grudando contra o seu corpo, mais delas acertando os passos uma da outra, braços na cintura, em volta do pescoço, as pessoas passando, olhando, sorrindo, sentindo a energia, elas estavam em outra dimensão, estavam num encontro só delas, não cabia mais ninguém, não viam mais ninguém.

 

Si me dan elegir entre el oro y la plata, mamá... — A voz de Ívi sempre em seu ouvido — Yo voy a ti!

A tu lado se me desata' las gatas que hay... Ay, ay, ay, dentro de mí!

— Como se as suas garras nunca estivessem em cima de mim, obviamente nunca estiveram...

 

Laura se agarrou nela e lhe beijou muito apertado, muito gostoso, muito... Quente pra caramba. Já estava começando a ficar quente demais. Ívi a tirou do chão, girando com ela, a pondo contra a parede outra vez, o corpo dentro do dela, a mão que beliscou a falta de comprimento daquele vestidinho que...

 

— Thai te veste para me matar, sabia? — Desceu a boca pelo pescoço dela, fazendo Laura se arrepiar, se agarrar naqueles braços fortes, buscar a boca dela de novo, beijo mais forte, mais longo, a energia que corria por dentro cada vez que elas se beijavam, que se tocavam, era uma coisa que...

 

Laura mordiscou a sua orelha, subindo a perna pela sua coxa, apertando, puxando para perto, aquelas pupilas derretendo, brilhando, o sorriso aberto, a chuva começando a cair mais forte outra vez e Laura...

 

Laura tocou sua testa na dela. Fechando os olhos, travando a respiração no peito e apertando os lábios inconscientemente enquanto Ívi fez o mesmo. Fechou os olhos, se atrapalhou na própria respiração, molhou a boca com ela. O incêndio já tinha começado, só não sabiam bem o momento que ele sairia de controle.

 

— Ívi...

— Eu sei, a culpa é sua...

 

Ela riu mordendo o seu pescoço um pouquinho.

 

— Sabe o que eu queria?

Bolo de pote, eu não faço ideia de onde você guarda tanto açúcar, Laura, sinceramente...

 

Ela gargalhou, porque era exatamente o que queria. Ívi colocou sua jaqueta nela porque ela estava geladinha por causa do vento, já estavam encharcadas com as idas e vindas da chuva, vestiu sua camisa jeans, violão nas costas e voltaram para onde tinham comprado a pizza mais cedo. Havia visto que eles tinham brownies com cobertura de chocolate. Já eram quase três da manhã e o local já estava mais vazio.

 

Sentaram-se juntas e completamente molhadas a uma mesa onde tão recomposta quanto era possível, Laura pediu brownie com cobertura e dois cappuccinos, tinham? A moça sorriu e respondeu que ia procurar na cozinha, que não era bem o tipo de pedido que costumavam receber naquele horário, mas ok, elas estavam tão felizes, tão agarradas que a moça as atendeu da melhor maneira possível. Ela devia ter assistido o romance que aconteceu do outro lado da rua, alternando chuva, música e beijos longos, de duas meninas que não conseguiam se desgrudar. Felicidade pega, faz bem a quem sente e a quem assiste. Ela voltou com dois cappuccinos e o brownie de Laura enquanto Ívi esquentava as mãos dela nas suas, soprando, beijando seus dedos, hipnotizando Laura um pouco mais. Ívi achou os olhos dela em si.

 

— Está pensando de novo?

 

Ela negou.

 

— Nem um pouco. Termina o seu cappuccino, eu já chamei o nosso Uber.

Mais olhares.

 

— Não vai comer o brownie?

 

Outro sorriso dela, pondo a língua entre os dentes, irresistível demais para Ívi não querer beijá-la de novo.

 

— Pra casa, vem, nosso carro chegou.

 

Tinha chegado. Entraram no carro muito agarradas, juntas demais, Ívi estava a puxando tanto que ela já estava quase no seu colo e foi quando percebeu o quanto estava entregue a ela, o quanto ela tinha o seu tesão na boca, tanto que se não tivesse sentada ao lado dela, era provável que estivesse ajoelhada na frente dela, totalmente naquelas mãos. Ívi geralmente era o lado que controlava o tesão, mas com Laura se sentia submissa, entregue, ela iria fazer o que quisesse e Ívi adorava cada centímetro desta ideia.

 

Chegaram em meia hora mais ou menos e mal pisaram no elevador, e já estavam se comendo em beijos de novo, os braços de Laura pelo pescoço de Ívi, as mãos de Ívi em sua cintura, lhe puxando, apertando, checaram a hora e era pouco mais de quatro da manhã. Abriram a porta aos beijos e mãos ansiosas, Laura tirou a camisa jeans que Ívi usava e sentiu as mãos dela lhe tirando a jaqueta pesada, deixando pela sala, o apartamento escuro e silencioso, mas as portas estavam abertas mostrando Thai e Karime dormindo juntas com Julia entre elas, claramente nuas e tudo o que Ívi conseguia pensar era...

 

Deixou o violão sobre o sofá e pegou Laura pela cintura, a sentando sobre o encosto do sofá, sentindo aquela boca lhe pegar o colo, o pescoço enquanto as mãos de Ívi abriam os abotoadores dos sapatos dela, as coxas lhe apertando a cintura, lhe puxando para perto, se livrou dos saltos, o beijo quente, ardente demais, Laura arrancou a camiseta de Ívi e então desceu para o chão, afundando os dedos pelo seu abdômen e subitamente se abaixando para...

 

— Ai, Laura...

— Shsssss... — Ela sorriu, ajoelhada na sua frente e abrindo os zíperes das botas que Ívi usava, de um lado, do outro, a descalçou, enquanto agarrava seus quadris, mordiscava suas coxas, boca em seu abdômen, lábios, língua e Ívi a pegando firme por baixo dos cabelos, a trazendo com urgência de volta para a sua boca enquanto aquelas mãos abriam sua calça, desciam por dentro do seu jeans, buscando seu bumbum, olho no olho, se os olhos de Ívi eram líquidos, os de Laura eram afiados, quando ela olhava na alma podia cortar. O beijo gostoso, mordido, pegado e Ívi a levou para o quarto, com ela toda agarrada em seu pescoço, em seu corpo, em sua boca. Abriu a porta e os dedos habilidosamente encontraram o zíper lateral do vestido dela, puxando para baixo só de uma vez, descobrindo aquele corpo lindo, cheio de linhas delicadas e então a boca dela em seu colo, em seu pescoço e, Laura lhe empurrou para a cama.

 

Empurrou e engatinhou sobre Ívi, lhe beijando gostoso demais, uma pele queimando contra a outra, ardendo demais, Ívi sentou-se com ela em seu colo, cruzando os braços pela cintura dela, a grudando contra si, a pegando muito firme, a mão subindo pelas costas, alcançando a nuca, pegando gostoso por baixo dos cabelos, a fazendo se arrepiar inteira e os dedos de Laura cravando em seu abdômen, pegando, arranhando, a fazendo estremecer demais e a língua de Ívi...

 

Deslizou pela garganta de Laura, os braços passando por baixo das coxas dela, a deitando para trás, afundando seu corpo no meio do corpo dela, as coxas de Laura em sua cintura, apertando, as pulsações subindo, a mão de Ívi em sua garganta, puxando, beijando, pressionando, os braços dela tão fortes, tão firmes, aquela boca pelo seu pescoço, beijando, mordiscando, a mão pegou o seu seio, tão gostosa, tão agressiva que...

 

Laura estremeceu. Aquela agressividade esteve em todos os sonhos quentes que já havia tido com ela.

 

E então que...

 

— Ívi, Ívi, espera... Ahorita no.

 

— O que você quer ahorita? — O coração dela estava batendo tão rápido que Ívi sentiu — Diz pra mim.

 

Ela abriu um sorriso, ela queria um banho quente.

 

Saíram da cama e foram para o banheiro, Ívi ligou o chuveiro e Laura lhe agarrou, pelas costas, atacando seu pescoço, a sua nuca, as duas de lingerie, a água quente na pele, o vapor no ar e a mão de Laura lhe agarrando o seio, a boca mordiscando a sua nuca e Ívi não tinha a menor ideia de como havia acontecido, mas quando percebeu, estava contra a parede do banheiro, com a boca dela lhe comendo o pescoço, o corpo dela pressionando o seu, a pele arrepiando, o gosto dela na sua boca o tempo todo, se antes ela já lhe tocava inteira sem lhe encostar um dedo, agora que tinha liberado aquelas mãos...

 

Laura lhe mordeu a boca e beijou mordendo, as mãos pelos quadris de Ívi, gostosamente pelos seus seios, pegando, marcando, a excitação crescendo, disparando, a vontade descontrolada, a ansiedade pelo toque, Ívi buscando qualquer parte dela para encostar na sua e então...


O gemido de Ívi saiu alto demais e seu corpo inteiro estremeceu quando os dedos de Laura lhe tocaram por cima da calcinha, procurando seu ponto de prazer, achando, pressionando, sentindo as pulsações furiosas, ansiosas, se digladiando contra o seu toque, a pressão do corpo dela contra o seu e então, o atrevimento daquela boca, Laura mordeu a taça do seu sutiã e puxou para baixo, pegando o mamilo com a sua boca, fazendo Ívi deslizar pela parede um pouco mais, em outro gemido gostoso e sabia que iria durar só uns segundos antes de gozar para ela.

 

Durou menos de um minuto e então o prazer mordeu, correndo por dentro das suas veias, se jogando na boca dela, o mamilo endurecido, arrepiado, seu ponto de prazer contra os dedos dela que sabiam exatamente o que estavam fazendo, onde tocar, qual pressão fazer, derreteu, gostoso demais, sentindo sua pulsação em cada terminação nervosa do seu corpo e quando já estava estremecendo no final...

 

Caramba, Laura...

 

Ela tinha ajoelhado, tinha lhe olhado com aqueles olhos verde-galego e colocado a boca contra o seu prazer nervoso, lhe mordendo por cima da calcinha, Laura queria o cheiro dela, o gosto dela, as mãos agarrando seus quadris e a mão de Ívi agarrando seus cabelos em feixe, puxando e empurrando gostoso, gozando de novo e em segundos, seus joelhos quase falharam, seu coração quase falhou e só não deve ter falhado pela enxurrada de sentimentos bombeando sem qualquer regulagem. A puxou de volta, pela nuca e ela estava com a boca vermelha e estava sorrindo.

 

É claro que ela estava sorrindo. Sorriso de quem sabe que está muito encrencada...

 

Ívi a pegou para si e a beijou forte, molhado, denso e intenso, a puxou para baixo do chuveiro quente a sentindo inteira se encostando pelo seu corpo, precisando da sua pele, do seu toque e Ívi a pegou pela mandíbula, a beijando, a lambendo, a mordendo demais, olhos nos olhos, Laura sendo levada para trás e para trás, as costas encontraram a parede e ela estava tremendo de vontade, arrepiando de tesão e Ívi...

 

Ívi...! — Gemeu o nome dela porque ela tinha puxado sua calcinha para baixo, até o meio de suas coxas e Laura não sabia...

— Olha no meu olho, eu só quero ver esse teu olho lindo...

 

E com os olhos fixos dentro dos olhos dela, Ívi suavemente encaixou sua coxa entre as coxas de Laura e o contato com a pele nua foi...

 

Hum, Laura... — Ela estava tão quente e tão molhada...

 

Mas Ívi não olhou, sabia o que Laura queria preservar ao mesmo tempo que sabia o quanto ela estava morrendo de tesão, Laura era sexual demais, era linda e inesperada, uma coisa intensa, que ardia e queimava, e Ívi... A segurou, delicada e firme demais, olhando nos olhos dela, a coxa deslizando pelo meio das coxas dela, vibrando a cada toque, a cada investida de Ívi, os dedos dela cravados em seus braços, a boca pegando os músculos de Ívi, ávida, sedenta, aquele corpo lindo comprimindo, contando que o prazer estava chegando, Laura já estava ardendo de vontade, os quadris se movendo contra a coxa de Ívi e os olhos dela, Ívi trouxe os olhos dela de volta, muito dentro dos seus, os gemidos ficando mais densos, mais altos, ela mais molhada, mais quente, mais pulsante e quando Ívi enfiou a mão por dentro do sutiã dela e agarrou seu seio...

 

Ívi mordeu a boca tão forte que machucou.

 

— Você vai me matar desse jeito…

 

Ela tinha um piercing transversal no mamilo.

 

Põe na boca.

 

Naquele momento. Ívi a segurou firme pela garganta e descendo a boca para o seio dela, trocou sua coxa pelos seus dedos.

Laura enlouqueceu contra a parede. A mão firme de Ívi em sua garganta, a boca em seu seio e os dedos dela brincando pelo seu ponto de prazer, sem penetrar, apenas tocando, encontrando, estimulando demais, os olhos líquidos ainda buscando os seus, ainda não vendo nada mais do que Laura tinha permitido e o prazer veio como uma pancada sufocante, molhada, cheia de uma eletricidade intensa que encheu aquele box de gemidos vaporizados e quentes. Escapou, virando-se de costas porque sabia que Ívi estava quase gozando outra vez, a mão dela ainda entre as suas coxas, ela lhe segurando pela nuca, por baixo dos cabelos, grudando a parte baixa de sua cintura contra os seus quadris e...

 

Outra mordida de boca. As tatuagens de Laura, palavras em galego na curva de suas costas e a minúscula e muito delicada bem no final da cervical, descobriu o que era. Era o contorno de um mapa minúsculo, um “x” muito menor, nada mais.

 

Gozaram juntas, muito forte, muito agarradas uma na outra, Ívi agarrada na pele dela, agarrada em suas mãos, em sua calma, de onde havia vindo? A calma de Laura, os metais daquela música romântica voltando subitamente para a mente das duas, o coração de Ívi tão, mas tão disparado e Laura lhe beijando, muito delicada, virando-se de frente para ela, com as mãos pelo seu rosto, lhe acalmando de uma forma completamente inesperada. Ela apagou a luz, Ívi não fazia ideia do motivo, mas soube logo em seguida quando aquelas mãos delicadamente abriram o seu sutiã, desceram a sua calcinha. Ela se despiu também, sem parar de lhe beijar, de lhe cuidar, lhe acalmar e sentir o corpo dela totalmente nu contra o seu...

 

A apertou contra o seu corpo, num abraço muito longo, muito apertado. As duas sob o chuveiro, uma pele na outra, as pulsações se igualando enquanto suavemente elas balançavam de um lado a outro.

 

— Você sabe o porquê? — De terem feito com restrições. Ívi sorriu, toda agarrada nela.

— Você quer fazer romântico comigo...

 

Laura abriu um sorriso beijando o ombro dela.

 

— Eu quero. Quero que não esqueça, eu quero que... — Beijou o peito dela, Ívi ainda estava com seu pingente indígena, era só o que ela usava.

 

Ívi beijou a testa dela, muito longamente, sentindo a voz dela quebrar um pouquinho, ela estava voltando a pensar e já estava convencida que Laura sem pensar era uma versão maravilhosa daquela menina que adorava.

 

— A gente tem que terminar o banho. A gente fez tudo, menos o banho...

 

Ela respondeu rindo e foram terminar o banho. Saíram muito agarradas, se vestiram tão juntas quanto e Ívi viu Laura correndo para fora e voltando com seu brownie com cobertura de chocolate, não dava para acreditar naquela menina. O doce era para isso, para o depois do que iam fazer, comeram juntinhas, escovaram os dentes e quando foram para a cama, ainda não queriam se soltar. Laura ficou no peito de Ívi, a mão agarrada na parte da frente de seu shortinho de dormir, só queria saber como é que ia dormir com a mão dela ali, mas ok, ela queria, estava gostoso, Ívi tocou o seio dela por baixo da camiseta mais uma vez, não esperava por aquele piercing de jeito nenhum, então beijou a testa dela, cheirando seus cabelos um pouco mais.

 

 — Eu não tinha ideia desse piercing...

 

Ela sorriu, de olhos fechados.

 

— Ainda chocada?

— E com tesão de novo só de lembrar. Menos ainda esperava a tatuagem...

 

Mais sorrisos.

 

— É só um mapa...

— Com uma cruz marcada.

— Se eu contar, você vai rir de mim...

— Me fala, amoriño, eu sou mais romântica que você, já está provado...

 

Laura subiu o rosto para beijá-la mais uma vez. Era uma romântica, uma linda, tudo o que Laura já havia sonhado em uma menina.

 

 — Ser a cruz do mapa de alguém, é ser sempre o porto de volta de alguém.

 

Fez sentido. Não se disseram mais nada, se beijaram mais um pouco e com a mão de Laura entre as suas coxas e a sua mão agarrada sobre o seio dela, o relógio de Ívi bipou e as duas pegaram no sono.

 

Eram 6 A.M.

Notas do Capítulo:

 

Y a que no me dejas, a que te enamoro una vez más antes de que llegues a la puerta, a que no... A que no me dejas, a que hago que recuerdes y que aprendas a olvidar... ♪♫

 

Olá, meninas! Como estão vocês depois de finalmente, termos beijo #Laurivi?! Acho que já tinha gente a ponto de me deixar, caso demorasse mais um pouquinho para tal beijo, por isso já cheguei cantando A que no me dejas só para garantir haha. Capítulo muito romântico, cheio de pontos vermelhos para degustação geral, Laura livre, agarrando-se no que precisa, Ívi entregue, as duas se querendo, se precisando, fazendo tudo o que estava em atraso há um bom tempinho. Lembro que este capítulo foi reescrito três vezes, não encontrava o tom correto, a paixão bem escrita, elas merecem demais este momento que levou tanto para chegar e precisava que a escrita transbordasse amor. Não sei se consegui, vocês favor me digam, tá? ^^

 

Como eu havia dito no capítulo anterior, este capítulo de agora encerra a primeira parte da nossa história, vencemos "Segundos" no beijo Laurivi e iniciamos a parte dois "Minutos", com "A ausência". Não sou muito boa em contar o que vem pela frente, mas teremos Julia e Ívi intensamente envolvidas, teremos Thai e Karime envolvidas diferentes e Laura... O que acham que teremos de Laura Bueno?

 

Já sabem as regras para liberação do próximo capítulo e, espero que tenham curtido o momento de Laura e Ívi que enfim chegou!

 

Beijos!

 

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