6 AM - Capítulo 33 - Arraial

27/10/2019

 

 

 

Foram direto para a praia, com Julia contando empolgada para Ívi sobre o lugar que iriam tocar na próxima noite, contando da casa incrível da avó de Thai, que estavam sozinhas, que fariam um churrasco mais a noite porque estavam todas morrendo de saudades de Laura e a volta dela tinha que ser comemorada.

 

E a falta que as meninas estavam sentindo de Laura, só não era maior do que a falta que Laura estava sentindo delas.  

 

Julia estacionou o carro e Laura desceu imediatamente, buscando suas garotas com os olhos, por cada pedaço da praia, era uma segunda-feira, a praia não estava lotada e: 

 

— Galega? Ei, galega, ei! 

 

Achou! E tudo o que Ívi viu foi sua Laura tirando o tênis e correndo para onde as garotas estavam e elas, bem, Thai e Karime estavam no mar. 

 

Laura correu para elas, enquanto as duas lutavam com as ondas para sair da água, venceu a faixa de areia e, entrou no mar, de jeans e tudo, saltou umas duas ondas e pulou em cima de Karime, literalmente pulou, a atingindo aos risos e tão repentinamente que Karime girou com ela e mergulharam no mar as duas, sendo derrubadas pelo abraço, pelo carinho, pela saudade e, Laura emergiu primeiro, mirou em Thai que estava um metro para trás e, saltou nela também, caíram para trás aos risos e a onda as jogou para frente, as fez afundar, acharam Karime no fundo e ela jogou as duas para o mais raso, Karime era forte assim e o sorriso e os abraços longos e derrubados encheram os olhos de quem assistia da praia. 

 

— Eu vou sentar a mão em quem me disser novamente que essa galega é fria demais, viu? — Era Noah, fazendo Ívi e Julia rirem alto. 

— Galega, galega, que saudade, Dios mio, que saudade! — Karime a apertou nos braços, estavam as duas sentadas no raso agora, ainda emboladas naquele abraço interminável. 

— Eu não fazia ideia de que sentiria tanta falta assim, chá de hortelã — Thai lhe agarrava no pescoço, lhe enchia de beijos. 

— A gente nunca se separou tanto tempo, nunca, no máximo ficamos cinco dias longe naquele feriado, lembra? — Laura agarrava os braços dela em si, puxava Karime para perto. 

— Agora se a gente já sofreu tudo isso, imagina suas meninas ali... 

— Laura, foi a casa da depressão, não sabíamos nem de quem cuidar primeiro... 

— Elas ficaram mais deprimidas do que eu, veja bem! 

 

Laura agarrou Karime e a derrubou para trás novamente, rolando em água e areia com ela. 

 

— Eu fiquei tão preocupada com você... 

— Eu sei, galega, desculpa por isso, está bem? Eu não queria te preocupar. 

— A gente sempre vai se preocupar com você, La Eche, no dia que você sumiu, meu Deus, eu nunca senti tanta culpa na vida... 

 

Karime beijou a testa de Thai sorrindo, com muito carinho. 

 

— Eu sei, eu sinto muito, Nutella

— Não precisa sentir, Karime, é amor — Laura explicou — O dela por você, o meu por você, eu já te disse aquele dia, você é muito amada e todas nós vamos ficar aqui hazte sentir... — Disse, fazendo as duas sorrirem demais. 

— Foi o que a Noah me disse ontem... — Ela lhe contou, com os olhos brilhando e Laura... 

— Olha esse teu olho brilhando, Karime... — Não conseguia parar de sorrir ao ver Karime brilhando tanto. 

— Ela está toda assim, Laura, acho que nunca vi a Karime desse jeito por nada e nem por ninguém. 

— Ela só falou dessa garota por um ano inteiro, Thai, você não faz ideia do quanto ela se arrependeu e agora assim, do nada, uma segunda chance. 

— Eu sinto que não foi por acaso, Laura. 

— É claro que não foi. Onde ela está? Eu preciso conhecê-la pessoalmente... 

 

Saíram do mar juntas, Laura completamente ensopada, mas todas sorrindo demais, felizes por estarem juntas, aliás, todas juntas novamente! Laura foi apresentada para Noah do jeito que estava, descalça, cabelos molhados, sorriso no rosto e ela lhe pediu um abraço salgado porque já tinham conversado tanto que era como se já se conhecessem. E era mesmo, já se conheciam um pouquinho sim. 

 

— Galega, eu juro que imaginava que nunca fosse te conhecer pelo simples fato de que você não ia voltar... — Noah lhe disse, lhe fazendo rir demais. 

— Laura, você acabou com toda a minha credibilidade, fiquei com fama de mole, as pessoas me olhavam com pena, eu nem sei... 

 

Laura a abraçou sorrindo. 

 

— Já passou, não é moleza, é carinho e compreensão. 

— Só para constar, eu fui chamada de mole ontem também... — Era Karime. 

— Eu tive que beijar! — Noah estava sorrindo demais, olhou para Ívi — Você acredita que eu tive que beijar? Ela enfrenta um assediador e fica fazendo hora para me beijar... 

 

Karime a puxou pela cintura e a beijou, dócil, carinhosa, sorrindo demais. O mar rosnava ali pertinho, o sol estava brilhando, o vento suave, era um dia perfeito de praia. 

 

— Eu fiquei fazendo hora para perguntar o seu nome, cariño, imagina besarte... 

 

Os olhos de Noah brilhando, ela se dependurando no pescoço de Karime para o beijo mais doce, mais carinhoso possível. 

 

— Você estava atrapalhando este amor? — Laura perguntou sorrindo a Ívi. 

— Eu estava, mas a culpa é sua, é toda sua... — E Ívi beijou a testa de Laura e, a arrastou em direção ao mar novamente, deixando a própria roupa pelo caminho e mergulhando de short jeans e tudo, acompanhando sua galega no banho salgado com roupa, roubando dela os beijos que não tinha ideia se podia roubar na frente de Julia, que, bem, ela e Thai estavam bem no meio de todos aqueles beijos e o olhar entre elas duas nunca havia sido tão longo. 

 

Andavam se olhando assim, longamente e o tempo todo, e Julia sentia que haviam voltado para um ano atrás, para quando viu Thai pela primeira vez. 

 

Havia sido assim, longos olhares a noite inteira, Thai tinha balançado por Laura, era real, mas só durou um pouco porque assim que foi apresentada a Julia, nunca mais pararam de se olhar. Julia quis beijá-la desde aquela noite. E como no final das contas, Karime havia beijado sua menina primeiro, nunca saberia dizer. Lá veio Thai, lhe abraçando por trás, beijando seu pescoço com carinho. 

 

— Pensando em que, bebê

— Em você. Eu só penso em você ultimamente... 

 

Thai riu, mordiscando o ombro dela porque ela tinha falado com tanto sofrimento que deu dó. 

 

— É tão ruim assim só pensar em mim? 

— É meio assustador, eu nunca achei que fosse passar por isso de novo, mas... 

 

Thai deu a volta, vindo para a sua frente, sorrindo, buscando seus olhos. Ela tinha dito de novo? 

 

— De novo? 

 

Julia corou sorrindo. Thai não fazia ideia de que Julia tinha ficado tão perdida quando se conheceram. 

 

— Eu disse “de novo”

— Disse de novo, mas vou fingir que não ouvi. Vem cá, vem — Thai a puxou pela cintura, a trazendo para perto de si, sorrindo que brilhava — Olha como você está bonita, eu te disse quando você se arrumou, não disse? Que estava bonita demais? Está me dando até um nervoso aqui... 

 

Julia a cheirou no pescoço, sorrindo. 

 

— Com essa camisa que você fez pra mim, sim, você disse... 

— Pois está linda demais, a ponto de eu achar que... — Thai aproximou a boca do ouvido dela — A gente devia se beijar aqui... — Disse, fazendo Julia se arrepiar inteira. 

— Na sua cidade, com os seus vizinhos, com... 

 

Thai a calou a beijando, muito gostoso, bem longamente, beijando do jeitinho que Julia merecia ser beijada, em público, sob a luz do sol. 

 

— Thai... — Julia se agarrou pelos braços dela, trêmula inteira! Ela tinha lhe beijado em público na cidade dela mesmo? Tinha, e a coisa ainda estava percorrendo seu corpo inteiro. 

— Escuta, eu sei que vou ter um problemão com a minha avó e que talvez, ela não entenda mesmo, eu não posso exigir isso dela, porém, o meu problema com você nunca foi esse, o meu problema sempre foi não saber bem o que esperar de você, ou te dar moral e... 

 

Julia a beijou novamente, a pegando pela nuca, por baixo dos cabelos. 

 

— Eu sei, bebê. 

— Então, eu não preciso te explicar mais. Escuta, hoje à noite nós vamos dar uma festinha em casa e as minhas amigas daqui estarão lá, e... 

— Ninguém sabe que você está ficando comigo. 

 

Thai enroscou os braços pelo pescoço de Julia e cada vez que olhava naqueles olhos tão de perto... 

 

O coração de Julia só faltava parar no peito.  

 

— Ninguém sabe. Mas eu quero que saibam. 

— Até a Renata? 

 

Thai caiu no riso, a beijando de novo. 

 

— Ela já sabe, eu contei pra ela que nós voltamos a ficar e que as coisas estão diferentes agora, e... 

— Espera, você contou que voltamos a ficar? Significa que ela sabia que a gente ficava antes? 

— Julia, eu já fui apaixonada pela Renata, você sabe disso, ela sabe disso, mas no fundo, ela é e sempre foi a minha melhor amiga. É claro que eu conto tudo para ela, é claro que ela sabe de você e é claro que todas as vezes que eu vim para cá, foi pra chorar no colo dela por sua causa... 

 

Julia a beijou novamente, se agarrando muito nela, a apertando nos braços, a cheirando, a sentindo tanto. 

 

— Por que a gente levou tanto tempo para falar as coisas? É tão simples assim... 

— Somos estúpidas as duas, vai entender — Ela respondeu sorrindo — Eu estou simplesmente feliz. E quero que você saiba disso, estou feliz com a sua calma, por estar bem vendo a Laura bem com outra pessoa, estou feliz porque você mal olhou para o lado hoje... 

 

Mais beijos, mais sorrisos. 

 

— Você está tão linda, eu estou obcecada em olhar para você desde que você acordou e colocou aquela minissaia, esse biquíni...  

— Pode continuar com sua atenção presa aqui, está bem? Nós vamos ter uma noite maravilhosa, eu prometo para você. 

— Olha pra mim, Thaila: você terá uma noite maravilhosa, eu prometo para você também. 

 

Thai não sabia direito das promessas de Julia, mas sabia bem que estava feliz de um jeito que não era há muito tempo. Bem, eram três da tarde e ninguém tinha almoçado! Então, depois de um mergulho todas juntas, saíram caminhando, em busca de um lugar para comer, seis garotas barulhentas com muitos assuntos para pôr em dia. Pegaram um restaurante self-service, sentaram-se numa mesa enorme e era palpável a sensação de naturalidade, como se as coisas sempre houvessem sido daquela forma. Laura agarrada em Ívi, Karime cheia de batom (um problema antigo de Ívi, Noah vivia retocando a maquiagem e acabava com a boca dela por várias partes do seu corpo), Julia e Thai tão reservadas que Laura nem sabia. Era novidade ver Julia assim, tão sensível e tão apegada a alguém, e era outra enorme e linda novidade que ela não estivesse sequer rosnando para Ívi. 

 

— Ela sou eu, Laura — Ela lhe disse quando foram juntas escovar os dentes no banheiro do restaurante — Sempre me incomodou demais que você ficasse com meninas tão diferentes de mim. 

 — Eu tenho um tipo. 

— Você tem, e somos nós, Ívi e eu — Ela respondeu sorrindo enquanto terminava a escovação, fazendo Laura sorrir também. 

— Juls, me fala da Thai, me diz como vocês estão. 

— Nós estamos muito bem, de verdade. Ficamos totalmente separadas por uns vinte dias depois que você partiu e daí você me ligou, eu fiquei mal, ela ficou furiosa com você e cuidou de mim... — Contou, fazendo Laura rir. 

— Ela gosta muito de você, Juls — Contou, enquanto retocava o filtro solar no espelho. 

— Eu sei, eu também gosto muito dela e o tanto que isso é, eu ando descobrindo agora. Acho que... Escuta, você precisa me ajudar em uma coisa... 

 

Tiveram um final de tarde mágico na praia, Laura estava morrendo de saudades do sol! Como era bom sentir o sol tratando a sua pele, lhe mudando a cor, passaram uma tarde linda em uma ilha, estavam de cangas, comendo besteirinhas de praia, namorando demais porque Ívi e Laura tinham esperado muito e qualquer tempo agarradas na pele uma da outra ainda parecia pouco, insuficiente, não sabia explicar. Foi uma delícia ver Karime no colo de alguém, melhor, no colo daquela menina que tinha a deixado perdida, Laura sabia desde o começo que aquela história não tinha terminado, era boa demais para se perder assim. Uma hora ou outra, Karime acharia o fio que lhe traria aquela menina de volta, para uma segunda chance, em que estivesse menos aturdida para reagir direito. Então que Noah aparece em seu pior momento e ainda assim, não poderia haver momento melhor

 

— As coisas acontecem quando têm que acontecer — Laura disse de repente, enquanto assistia a um lindo pôr do sol no mar sentada entre as pernas de Ívi, coberta com os braços dela. Ívi lhe beijou a nuca com carinho. 

— Agora eu tenho certeza que acontecem. Laura, eu te disse que a minha mãe sempre me ensinou a ficar esperta com as coisas e eu demorei muito tempo para entender e aceitar que tinha sido enganada tão fácil por aquele cara. Mas agora eu sei, agora já faz sentido. Eu fui enganada daquela forma porque eu precisava vir para o Rio, porque eu precisava me desconstruir, eu precisava aceitar as minhas fragilidades e mais do que isso, eu precisava estar frágil como estava naquele metrô porque eu precisava roubar a sua atenção para mim. Foi por isso, Laura. Cada coisa que me levou até aquele momento no metrô, foi apenas porque eu precisava estreitar o meu fio, foi apenas porque eu precisava mesmo cruzar com você. Foi por isso, por tudo isso. 

 

Laura lhe beijou a mão com carinho. 

 

— E deve ter sido apenas por isso também que eu acabei enviada para o Rio de maneira muito semelhante à sua. Eu refleti sobre isso em Madrid. E foi quando o sonambulismo atacou mais forte, aquelas mensagens do meu subconsciente dizendo para te procurar — Abriu um sorriso — As coisas acontecem quando têm que acontecer. Inclusive, a minha ida para Londres. 

— Foi o que trouxe a Noah para Karime, a Thai para Julia. 

— Foi um game apenas com vencedores. 

— Eu só inesperadamente sinto muito pela Kelsey. 

 

E daí que Laura abriu um sorriso enorme. 

 

— Ívi, ela me deixou no aeroporto e voltou para casa com a Köhler! 

— Oi? — Ívi já estava rindo demais. 

— Elas namoraram por quase a metade de uma vida, já romperam trezentas vezes, voltaram trezentas vezes, estão sempre juntas, jogam juntas, treinam juntas, são um porto seguro uma da outra, sabe? 

— A cruz no mapa. 

— Isso, a cruz no mapa! Olha isso, eu nem acredito que a Julia está tranquila assim... 

 

Estava, tranquila assistindo ao pôr do sol em uma prancha com Thai, tinham remado um pouco, mergulhado um pouco e agora estavam ali, aos beijos, aos risos e conversas. 

 

Thai puxou Julia para perto e lhe beijou carinhosa demais. 

 

— Olha para isso, Juls, eu via este pôr do sol todos os dias, enquanto voltava da escola no final da tarde, parava na praia para olhar porque é um presente. Eu adoro o pôr do sol e daí que me apareceu você com dois nos olhos e eu fiquei toda perdida na vida... 

 

Mais sorrisos, mais beijos, Julia não acreditava que estava ouvindo aquelas coisas! E mais, não acreditava que estava ouvindo aquelas coisas da boca de Thai. Outros beijos e quando procuraram por Noah e Karime...  

 

— Sério que elas estão se pegando no carro? 

 

Era sério, dane-se o pôr do sol, Karime só precisava beijar aquela sua garota, só precisava colocar suas mãos por ela inteira porque Noah era uma coisa, era mais do que atrevida, lhe pedia coisas no ouvido e Karime não fazia ideia, sequer a mínima ideia de como tinham conseguido dormir sem fazer amor na noite anterior. Não tinham feito, apesar do tesão e da vontade, Karime não tinha certeza se já deveriam e estar cuidando com tanta atenção em ir devagar com Noah lhe contava algumas coisas.  

 

Sabia que ela tinha dormido com Ívi, mas apenas com Ívi, era melhor ir devagar e com carinho, não queria estragar sua segunda chance com ela de jeito nenhum. Mais daí que já estava cheia de batom e de marcas da boca dela por partes suas que sequer tinha ideia de como ela havia alcançado e já não fazia ideia de coisa nenhuma novamente. 

 

— Vem, meu bem, vou te deixar respirar um pouco aqui fora... — Ela lhe disse, cheia de sorrisos, sabendo muito bem tudo o que causava em Karime. 

 

O sol se despediu e elas se apertaram no carro de Noah para voltar para a casa de Thai! Não ficava longe da praia, a casa da avó de Thai era privilegiada por vários motivos, ficava perto da praia, tinha um belo jardim com piscina para fazer churrasco, três quartos, cozinha enorme, a casa que sempre lhe pareceu gigante quando era pequena, pelos motivos de, a maior parte do tempo, sempre havia sido apenas Thai e sua avó, ninguém mais. Fizeram uma lista de compras rápida e Thai e Julia foram comprar o que precisavam de scooter! A coisa mais linda aquelas duas saindo juntinhas assim naquela scooter antiga, mais romântico impossível. Foram para a cozinha, ainda com cheiro de praia, Karime, Noah e Laura adiantando o que podiam, cortando o que precisavam, música rolando, Ívi acendendo a churrasqueira, a conversa que não parava, logo Thai e Julia retornaram, entregaram as compras e, foram parar na piscina, aos beijos quentes e prolongados, estavam sem fazer amor uma com a outra por tempo demais e quando é assim, o amor transponde a pele, espirra, transborda, Ívi e Laura estavam na mesma situação. E foi durante estes beijos que, as amigas de Thai chegaram

 

Quatro meninas lindas, cujo a mais bonita, é claro, havia de ser Renata. Thai sorriu olhando para Julia, estava um pouquinho nervosa, mas não deu para trás. 

 

— Vem, eu vou te apresentar para elas. 

 

E foi o que ela fez. Saíram da piscina juntas, de mãos dadas e Thai foi lá abraçar todo mundo, eram amigas desde o fundamental, tinham crescido juntas, um verdadeiro esquadrão, uma daquelas amizades edificadas ano após ano e, Thai puxou Julia para perto, dizendo que era Julia Torre, a sua cubana de quem tanto falava e... 

 

— Julia, esta é a Renata, Renata, Julia. 

— Vem cá, a gente já se odeia à distância, vamos nos dar uma chance pessoalmente... — Lhe disse Renata simpaticamente, puxando Julia para um abraço. 

— Vamos nos dar uma chance, prometo para você que serei agradável — Julia respondeu sorrindo. 

— Eu prometo a mesma coisa. Caramba, você é bonita mesmo, eu entendo por que ficou tão perdida, Thai... 

— Já vai começar me entregando assim? — Respondeu com um sorriso no rosto. 

— Ela sabe, Thai, você é a pior mentirosa que eu conheço, não se ilude que a cubana sabe! Cadê as outras meninas? Vieram todas mesmo? 

— Todas e mais uma nova integrante! Elas estão na cozinha, vamos, é a primeira vez que eu vou ter meus dois esquadrões juntos!

 

Levou todo mundo para a cozinha, mais apresentações, Ívi balançando as amigas héteros de Thai, Laura balançando Renata, mas nem era de agora, já haviam tido outros episódios em que Renata caiu para cima dela, se uniram ajudando na comida, mexendo no som, se revezaram para entrar no banho, para trocar de roupa e na hora do jantar, pronto, estavam todas limpas, de roupas trocadas, cheirando a dez hidratantes diferentes. Comeram na área da piscina, pondo quatro mesas uma do lado da outra, a carne estava deliciosa, ninguém fazia carne melhor que Karime, tal como ninguém fazia um macarrão melhor do que o de Ívi e menos ainda arroz tão bom quanto o de Julia! Quando se uniam para cozinhar, era uma verdadeira delícia, Noah e Laura improvisaram uma sobremesa rápida, a noite estava linda, cheia de estrelas, tinha esfriado um pouquinho e elas decidiram acender uma fogueira no quintal. Acenderam a fogueira, a conversa fluida, as risadas presentes, Noah no colo de Karime, Laura nos braços de Ívi e em determinado momento, Julia foi para dentro e retornou de lá com seu violão. 

 

— Achei que não fossemos te ouvir cantar! — Era Renata. 

— É claro que não, faço questão de cantar alguma coisa para vocês e sei que a Ívi faz questão também. 

— Julia, eu morro de vergonha... 

— Nem morre mais tanto assim — Julia baixou a música que estava rolando no som e sentou-se na grama, perto da fogueira, bem junto de onde todas estavam. Trocou um olhar com Thai, mas ela não tinha como fazer ideia do que estava se passando pela mente de Julia — Será que vocês teriam três minutinhos para ouvir uma história antes de eu cantar alguma coisa? 

— Julia... — Thai ficou vermelha imediatamente e Julia lhe alcançou a mão, deixando um beijo nos dedos dela. 

— Acalmate, mi amor

— Quer deixar a menina contar a história, Thaila? — Karime pediu apertando Noah em seus braços. 

— Tá bem, conta. Conta o que você quer contar — Cedeu sorrindo, derretida, e sem ter ideia do que Julia iria lhe contar. 

— Muchas gracias por eso. Vamos lá! Quando eu tinha nove anos, Laura Bueno, esta galega linda aqui ao meu lado, foi cercada no campo de hóquei e só não apanhou de três meninas diferentes porque ela corria como ninguém e conseguiu chegar até mim. 

— História verdadeira, eu me escondi atrás da garotinha de nove anos... — Laura confirmou, espalhando riso. 

— Ela se escondeu, e as valentonas recuaram, eram idiotas chateadas porque gostavam de uns garotos idiotas que gostavam da Laura e desde este dia, o meu pai me obrigou a ficar na arquibancada todas as vezes que a Laura estivesse jogando ou treinando porque, segundo ele, pessoas odeiam pessoas bonitas e piora muito se as pessoas bonitas também são boas e inteligentes, ou seja, Laura nunca teria um amigo que fosse durante toda a vida dela... — Mais risos, inclusive de Laura, morria de rir sempre que Julia contava aquela história — Então passou a ser uma rotina, ela ia treinar e eu tinha que ficar na arquibancada, ela ia jogar e lá estava eu, na arquibancada.  Detestava esta função, porém o meu pai sempre dizia para eu relaxar e esperar porque, além de estar cuidando de mi hermana, estava aumentando as minhas chances de algo extraordinário acontecer porque, coisas extraordinárias acontecem inesperadamente, por que não em uma arquibancada de hóquei, não é? Então que, há um ano e pouquinho mais ou menos, já com vinte anos, no Rio de Janeiro, lá estava eu, novamente sentadinha em uma arquibancada enquanto a Laura jogava porque, pessoas odeiam pessoas bonitas, inteligentes e boas, o tempo passou, mas a voz do meu pai segue na minha cabeça, e... — Olhou para Thai, respirando fundo, achando aqueles olhos de stroopwafel em si, com o violão no colo, a mão dela pegada na sua — Era noite, o céu estava lindo assim — Apontou para o céu — E de repente, enquanto eu estava lá sentada e entediada naquela arquibancada, finalmente, algo extraordinário realmente aconteceu. Foi a primeira vez que essa menina linda aqui atirou alguma coisa em mim... — Contou, fazendo Thai sorrir demais, brilhar os olhos — Ela tirou a bola de alguém em jogo com tanta força que a bola veio parar em mim, passou raspando do meu lado e explodiu na arquibancada. Então ela vem buscar a bola, se desculpa, pergunta se está tudo bem e quando ela colocou esses olhos em mim, eu não acreditei, ela não deveria ter amigos também, era bonita demais para ter amigos... — Mais risos — Mas ela sequer me viu, só ouviu a minha resposta, pegou a bola e voltou para o campo. E é claro que eu precisava saber quem ela era, é claro que eu perturbei a Laura até ela ir lá e descobrir quem era essa menina com olhos de stroopwafel. É claro que ela gostou da Laura, mas foi só até olhar para mim de verdade... — Falou, tão cheia de si, fazendo Thai sorrir demais — Nós saímos para jantar aquela noite e conversamos muito, ela foi para o nosso apartamento, dormiu lá e acho que nós conversamos por umas quatro horas de tempo, sozinhas, sem conseguir parar. Quando ela foi dormir, naquela mesma noite eu fiz uma música para ela, que ela nunca ouviu. 

— Você... — O rosto de Thai se iluminou — Fez uma música para mim? 

— Mais que uma, mi cariño, mas quiero cantarte la primera, posso cantar? 

 

Thai beijou a mão dela. 

 

— O que você quiser. 

 

Beijou a mão dela de volta, abriu um largo sorriso e então, a melodia suave surgindo no violão, Julia além de tudo fazia melodias como ninguém e então, tão folk e delicada quanto aquela melodia, Julia começou lindamente a cantar: 

 

— El cielo estrellado y sólo me pregunto cómo puede ser tan hermosa... — Começou, pondo seus olhos de pôr do sol nos olhos lindos de sua garota — Me mira, me habla y tu suspirar me dejando nerviosa... — Cada linha era uma confissão, Julia não conseguia parar de sorrir, Thai menos ainda — Yo quiero escapar, huir, llevarte conmigo en secreto... Oye este secreto, eres la cosa más linda... 

 

Ívi trocou um olhar com Laura, a guardando ainda mais apertadinho entre os seus braços porque Julia e seu violão sempre teriam magia, sempre invocariam romantismo, sempre presenteariam canções de amor tão bonitas que só poderiam ser cantadas assim, numa noite única, linda demais, numa cidade praiana como Arraial do Cabo, em companhias tão agradáveis. Julia cantou as últimas notas, olhando dentro dos olhos de Thai, se inclinando para ficar ainda mais perto dela porque era Julia Torre e quando ela decidia fazer alguma coisa, ela tratava que fosse da forma mais especial possível. 

 

Ou seja, se fosse para pedir Thai em namoro, era preciso cantar a música dela, na cidade dela, na casa onde cresceu e cercada de todas as amigas que tanto importavam. 

 

— Você aceita, mi cariño? Namorar comigo, você aceita? 

 

Thai chorou e lhe beijou, se agarrou em Julia e disse que sim. 

 

A noite avançou, aos risos e comemorações, Julia estava namorando, Karime estava ficando com uma garota linda, Ívi estava ao lado do seu amoriño e tudo era doce, perfeito, tão bom que dava vontade de perpetuar, nunca acabar. As garotas se despediram perto de uma da manhã, iriam dar uma volta na praia, não queriam ir? Da parte de Ívi ela queria arrastar Laura para um quarto o mais rápido possível, da parte de Karime, ela queria ir para o sofá da sala, assistir série no escuro e agarradinha em Noah, elas dormiriam na sala porque Thai precisava porque precisava levar sua namorada para o seu quarto. 

 

Entraram aos beijos, sorrindo demais, Julia colocou o violão de lado e sentiu aquelas mãos suaves lhe abrindo a camisa de botões, outra das três que tinha ganhado de Thai, ela mesma havia feito, eram lindas, delicadas, Julia se derreteu inteira quando ganhou presentes, por nenhuma razão, apenas para que sorrisse, foi o que Thai lhe disse. Como podia não estar louca para pedi-la em namoro? 

 

— Eu não acredito que você me pediu em namoro... — Ela confessou, toda agarrada no pescoço de Julia enquanto ela e suas mãos habilidosas lhe abriam o vestido sem Thai sequer notar. 

— Eu não acredito que você aceitou, eu estava morrendo de medo de receber um não... — Confessou, soltando o vestido dela, pegando aquele corpo lindo numa lingerie vermelha que deixou Julia... A colocou sobre a cômoda, agarrando as coxas dela, sentindo aquela boca pegando a sua enquanto as pernas lhe puxavam contra o seu corpo. 

— Pois agora, a gente namora e... — Mordeu a boca ao sentir a boca de Julia lhe pegando o pescoço tão, mas tão gostoso... 

— E o que, mi cariño? — Desceu a boca pelo colo dela enquanto Thai lhe abria o short jeans e pegava o seu bumbum, porque, ela sempre pegava o seu bumbum, era quase uma obsessão. 

— Eu nunca fiz nada aqui nesse quarto... 

— Nada? Nem uma coisa? 

— Nadinha. E, eu quero que você saiba de mais uma coisa. 

— O que você quer me dizer? 

 

Thai sentiu seu coração acelerando, se agarrou em Julia respirando fundo. 

 

— Me leva pra cama primeiro... 

 

Julia a beijou novamente, a puxando firme pela cintura, tateando o abotoador do sutiã dela enquanto suavemente a fez descer da cômoda, a levando para a cama, sentindo aquelas mãos lhe livrando do jeans e descobrindo sua lingerie preta, justa no corpo, Julia tinha linhas diferentes, pernas grossas, bumbum lindo demais, curvas, o abdômen sem músculos, muito lisinho, os seios pequenos, os braços fortes sempre, Thai era completamente louca pelo corpo dela, pelo quanto Julia era feminina e tão “viril” ao mesmo tempo, tão cheia de atitude, tão dominante e gostosa no que fazia. Tinha ficado louca por ela instantaneamente e nunca mais tinha passado, nunca mais

 

Julia a deitou na cama e subiu sobre o seu corpo, fazendo aquela pressão deliciosa que Thai adorava, desceu a mão pegando o abdômen dela, a boca de Julia lhe mordiscando o pescoço, o colo, a entrada dos seios e então aqueles olhos caindo nos seus novamente, aquele sorriso lindo pelo qual era completamente apaixonada, o beijo longo, mordido um pouquinho, mais sorrisos. 

 

— O que você tem que me dizer, meu bem? Quer que a gente espere mais? Não tem problema se for isso, eu espero, eu... 

 

Thai lhe mordeu a boca beijando muito gostoso em seguida, pegando seus lábios, sua língua, seu tesão, como podia? Tanto tesão na mão de uma única menina? 

 

— Eu não aguento mais nenhuma noite sem fazer amor com você, Juls, eu estou pra ficar louca com a falta de você. Mas o que eu quero que você saiba é que... — Coração na garganta, respiração acelerada — Nunca teve ninguém antes de você

 

Julia apertou o semblante, tentando entender. 

 

— Nunca teve ninguém...? 

 

E Thai se desmanchou num sorriso, sabendo que estava corando, mas sabendo que precisava dizer, mais do que isso, sabendo que agora Julia merecia saber

 

— Eu nunca fui pra cama com ninguém antes de você e da Karime, mais especificamente, como você me tocou primeiro... — Sorriu só de lembrar, quem perde a virgindade em um ménage? — Eu fui sua primeiro

— Thai... — Julia estava chocada, chocada mesmo e preocupada, deu para ver todas essas emoções pelo rosto dela — Por que não me disse nada, meu bem? Não teríamos feito daquele jeito... 

— Foi perfeito do jeito que foi, foi gostoso, foi carinhoso, ninguém acreditaria no tanto de carinho que há entre nós três. Você foi delicada, cuidadosa o tempo todo, a Karime checava a todo momento se eu queria assim, se podia ser de tal jeito, eu me senti bonita demais, protegida, bem cuidada como nunca me senti com ninguém antes. Eu não sei bem por que decidi te dizer agora, mas... — Olhou nos olhos dela — Na verdade, eu acho que sei sim. 

— Por que decidiu me dizer? 

 

Thai não disse nada, nem uma palavra que fosse. Apenas beijou Julia muito longamente, correndo a mão pela nuca dela, pelo meio de suas costas e quando Julia deu por si, ela estava saindo de sob o seu corpo, estava se pondo de lado e virando Julia de costas para si, se encaixando no seu corpo, lhe mordendo o pescoço, lhe beijando o lóbulo da orelha e aqueles beijos só desceram, seu cabelo sendo posto de lado, a boca no começo de sua cervical, descendo lábios, língua, a mão desabotoando o sutiã de Julia, os dedos agarrando seus seios, lhe arrepiando, lhe excitando demais e então... 

 

— Thai... — Mordeu a boca dela num gemido intenso porque a boca estava na sua nuca, a parte baixa da cintura dela totalmente grudada nos seus quadris e os dedos dela... Os dedos dela tinham suavemente invadido a sua calcinha

— Eu quero perder outra virgindade com você... 

 

E desta forma, ela baixou a boca pelas suas costas, lhe mordeu o bumbum, tirou sua calcinha e a próxima coisa da qual Julia lembraria seria de agarrar o lençol da cama com toda a força e estremecer contra a boca dela

 

Foi gostoso demais, a boca dela, o quanto Julia estava molhada, nervosa, morrendo de vontade, achou que ela pararia em algum momento, porque Thai sempre parava, mas não daquela vez. Ela lhe tomou muito firme, lhe agarrando pelas coxas, lhe segurando contra a cama quando precisou e a boca dela era macia e deliciosa, o toque era profundo, firme e ela parecia sedenta, louca de vontade, estava tomando Julia e se tocando, se sentindo porque estava morrendo de tesão e ter Julia tão excitada, tão molhada contra a sua boca... 

 

Sabia por que não tinha feito antes. Não era apenas porque sentia que em seu primeiro sexo oral não conseguiria escapar da verdade que sempre soube, era também porque sempre foi insegura e Karime era uma baita de uma mulher, podia não saber fazer direito, podia ser que Julia ainda preferisse Karime, ou Laura, ou qualquer outra garota, Thai esperava e temia todas essas coisas, só não tinha se preparado para gozar tão forte com ela em sua boca enquanto Julia se contorcia na cama sentindo o prazer lhe tomando tão intensamente. 

 

Ela gozou forte, contraindo o abdômen, se agarrando na cama, na nuca de Thai, tentando fechar as coxas, escapar, não, nada disso, Thai queria cada gota de prazer, cada segundo da mulher que adorava na sua boca pela primeira vez e o prazer a chicoteou firme demais, intenso demais, denso demais e só então a soltou, a tocando com os dedos, acalmando o corpo dela que tremia inteiro, sorrindo, buscando a sua boca para um beijo longo, ansioso, cheio de algo que... 

 

Julia achava que conhecia. 

 

Estava sentindo de novo. A eletricidade que lhe enlouquecia por Laura. Estava sentindo de novo, em outra frequência, em outra loucura, em outro amor

 

Você é o meu amor — Confessou, toda agarrada em Thai, agarrando aquele corpo lindo contra o seu — Você é o meu amor... — Repetiu e deve ter repetido mais cinquenta vezes enquanto a amava intensamente madrugada adentro. 

Notas do Capítulo:

 

Olá, meninas!

 

Como estão todas? Semana imensamente corrida, sem tempo para criar novos capítulos de 6AM. Juro que estou tentando voltar a ter 2 capítulos por semana, mas no momento é impossível. Hoje mesmo estou escrevendo de um quarto de hotel, praticamente em outra dimensão, de tão cansada que estou. Passei o dia inteiro em uma convenção, e agora corri para deixar tudo certinho para o capítulo de hoje. Que aliás está leve, e cheio de surpresas. Quem diria, hein, Julia e Thai estão namorando. O que acharam?

Essa semana Ana enviou e-mails para as meninas que compraram Bali na pré-venda, contendo em anexo o extra exclusivo de Bali, A Teoria dos Planetas, porém tivemos um problema com o site e somente algumas meninas receberam. Enviamos novamente, mas caso alguém não recebeu, me informe por e-mail que enviaremos tudo de novo.

Ah, e Bali já está disponível no site, juntamente com o capítulo extra. Tudo muito lindo para vocês!

 

P.S: Meninas, estamos com uma promoção no Instagram, sorteando 2 kits super fofos. Essa promoção vai até hoje, dia 27/10 às 18h00. A ideia é divulgarmos o nome Tessa Reis para o máximo de pessoas possível. Peço que vcs participem e indiquem seus amigos, assim podemos desenvolver mais trabalhos futuramente. Penso em poder viver da escrita, pq ser executiva está muito cansativo hahahaha.

 

As mesmas regras para a semana. Caso seja cumprida, então estaremos de volta, domingo, dia 02/11 às 06h00.

 

Beijos e uma ótima semana ˆˆ.

 

 

 

 

 

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