6 AM - Capítulo 38 - Pares e Ímpares

8/12/2019

 

 

 

 

Aconteceu tão rápido que Laura sequer havia entendido.

 

Ah, sim, era a noite seguinte aos três meses de namoro, seguinte à noite de amor gostosa que tinha tido com sua namorada, era a noite amanhecida na manhã em que acordou agarradinha nela e a noite do último show antes de Ívi ter as férias que tanto merecia. Laura ainda estava pisando em nuvens por todos esses motivos e pelo motivo extra de ver a sua garota alcançando algo que tanto queria como voltar para casa, voltar bem para rever a família e nas nuvens por ela estar lhe levando junto. E deve ter sido por isso que entrou meio mole no hóquei aquela noite. Já estavam de férias da faculdade e iriam receber um time de São Paulo para fechar a temporada da equipe da UFRJ. Até aí, tudo bem, estavam já numa pegada de festa, arquibancada cheia, tinha diversas festinhas rolando de despedida e todas pareciam estar culminando na arena cada vez mais lotada. Estava um clima gostoso, tudo tranquilo, mas só foi até o jogo começar.

 

Parecia final olímpica. Aquelas meninas estavam voando, com uma gana de vencer totalmente desproporcional para um amistoso de final de ano, as paulistas marcaram primeiro, comemorando em excesso, Laura sentiu que seu time tinha detestado o excesso de comemoração e cuidou de ir até lá, reunir o time novamente, fazer uma alteração, chamou uma fada para compor a equipe, Thai saiu do banco para tentar apaziguar os ânimos e pouco antes do final do primeiro tempo, La Eche empatou o jogo. Bem ao estilo de Karime, gol com força, para fazer estrondar o fundo do gol e a sorte foi que o cronômetro zerou, porque ela devolveu a comemoração e as adversárias detestaram também. Ok, estava tenso, mas também estava tudo bem. Segundo tempo e aos dez minutos, UFRJ virou com gol de Ferrer Bueno, Laura marcou bem ao estilo de Kelsey, entrando na área, deixando a outra equipe zonza, batendo sem se saber direito como, golaço, que ela comemorou normalmente.

 

Tinha certeza que tinha sido normal. Tanto que achou bem desproporcional ter sido quase arremessada para fora da área de jogo assim que tocou na bola depois do gol.

 

Levantou o mais rápido que podia, porque sabia que a reação tanto da fada como do seu chilli colombiano seriam a mesma, partir para cima. Apaziguou tudo de novo, tomando parte da culpa para si, estava meio fora do jogo mesmo, não devia ter sido tão força excessiva, podia ser seu corpo, estava sem jogar há algum tempo, podia ser apenas isso. Mas se machucou, abriu o joelho esquerdo e não deu para voltar a jogar. Foi para o banco de reservas, e Noah desceu da arquibancada para lhe ajudar.

 

— Laura, eu tiraria a Karime de campo agora — Ela lhe disse, enquanto tentava fazer o ferimento parar de sangrar. Estava sangrando demais.

— Ela está bem, Noah, é só o nervosismo do jogo. Às vezes o jogo fica quente, mas eu não acho que... — Olhou bem para Karime no campo, tentando ler alguma coisa — Tudo normal esses dias?

 

Noah lhe olhou.

 

— As coisas não estão normais há mais de uma semana, Laura.

 

Nem deu tempo de falar mais. Ouviram um som muito agudo e quando olharam para o campo novamente, Karime já estava tampando o nariz, mão e punho escorriam em sangue-vivo, manchando seu uniforme, correndo tão rápido que já estava encharcando seu tênis.

 

Ah, sim, as crises de Karime incluíam aquela parte sobre ela não sentir nada.

 

Ela partiu para cima da garota que tinha lhe acertado, uma discussão voraz que só não virou briga física porque Noah foi a única que teve coragem de entrar à frente dela. Entrou, a agarrando pela cintura, a levando para trás, preocupada demais com o machucado dela enquanto Karime só queria a tirar da sua frente e continuar sua briga. E foi uma confusão enorme que Laura demorou para entender, teve que mancar até a outra área e quando chegou lá, notou Karime e Thai contra Noah, ao menos era o que parecia, as outras garotas tentavam acalmar os ânimos e continuar o jogo, mas Karime não estava disposta. Nem a voltar para o jogo e nem a tratar sua namorada com respeito. O que deixou Laura louca.

 

— Mas chega! Chega disso agora, Thaila, fora daqui agora!

— Laura, olha o que aquela garota fez! Foi de propósito!

— Eu não estou perguntando nada disso, eu estou dizendo para você parar, entendeu? Olha pra mim — Buscou reto os olhos de Thai — Ou você volta para o jogo em paz agora ou vai para o vestiário, entendeu? — E já estava segurando Karime pelo punho porque ela estava transtornada.

— Laura...

— Thaila, volta para o jogo, por favor! Olha pra mim, aliás, todas vocês: nós estamos recebendo uma equipe em casa, a responsabilidade do fair play é ainda maior, somos anfitriãs, entenderam? Tem mais vinte minutos e vocês vão jogar sem machucar ninguém, estamos entendidas? Estamos bem?

 

Sempre ficavam quando a capitã falava. Elas voltaram para o campo, outra garota entrou no lugar de Karime e ela estava mesmo completamente fora de si.

 

— Laura, eu vou voltar!

— Karime, o que há de errado com você? Você fraturou o nariz! — Era Noah, já coberta pelo sangue dela.

— A fratura é minha, está bem? Se está quebrado sou eu quem tem que saber!

— Eu odeio esta de você, entendeu? — Ela veio para cima de Karime de uma forma que Laura até temeu — Essa que me despreza, que esquece de quem eu sou, nós estamos com múltiplos problemas, mas nenhum deles é maior do que você não estar mais me tratando como namorada!

— Você quer decidir todas as coisas que eu tenho que fazer!

— E se fosse a Thai decidindo, estava tudo bem! Seu problema é comigo, você dorme me amando e acorda me odiando, eu não sei como ajudar mais! — E ela já estava chorando, Laura sabia que as coisas não estavam tranquilas, mas não tinha ideia de que estavam tão graves assim — O que você quer de mim? Se você quer voltar para casa é só pedir, a gente continua namorando, isso não tem que nos afetar mais do que já está afetando.

 

Karime olhou bem para ela.

 

— Você está me expulsando de casa?

— Você quer sair de casa! Quer voltar pra Julia e pra Thai, para o seu relacionamento de antes — Noah achava que tinha uma possibilidade do casamento de Julia e Thai ter afetado Karime, tudo piorou muito depois do casamento — Eu não sei, Karime, eu só quero entender, só quero tentar salvar a gente!

 

Karime deu um passo em direção a ela e a olhou bem nos olhos:

 

— Noah, sinto muito informar, mas você é bem menos inteligente do que acha que é...

 

E deu para Laura.

 

Karime, hei! — Entrou no meio delas, empurrando Karime para trás — ¡No te atrevas a hablar así con ella!

¡Ella me está mintiendo en la cara! ¡Tiene otra, lo sé! Noah, eu sei! — Karime estava completamente descontrolada.

— Isso está na sua cabeça, caramba! E não estaria na sua cabeça se você fosse no terapeuta, se tomasse os remédios que estão comprados, você está afundando a gente e não é pela sua doença, é pela sua teimosia!

Tienes otra, dime quien és, ¡lo exijo sabelo!

— Eu tenho! Duas de você, uma que me ama e a outra que me odeia!

— Eu vou embora, entendeu? Se você não me quer em casa, eu vou embora!

 

Noah estava... Exausta. Laura não teve outra descrição a fazer. Ela respirou fundo, levando a mão à cabeça, controlando o choro por um instante.

 

— Sabe, Karime? Só vai. Eu não aguento mais.

 

E quem simplesmente foi, foi Noah.

 

Ela saiu de perto delas, ignorando tudo o que Karime estava dizendo em seguida, ainda em fúria, ainda descontrolada, ela voltou uns minutos depois, entregou uma carteirinha de plano de saúde para Laura e só foi embora mesmo, silenciosa, decidida e arrasada.

 

— Ela...? — E Karime tinha acabado de aterrissar.

 

 E isso significava abrir a porta para a dor. Laura checou o relógio, era meia-noite, Ívi deveria estar acabando de pisar no palco e não tinha quem substituísse Thai, o que significou que tiveram que esperar o jogo terminar porque aparentemente, Laura tinha se machucado de verdade e mal conseguia andar, ainda mais, cuidar de Karime sozinha. Ela chorou o tempo todo depois que Noah foi embora, se desesperou, ligou para ela, quis ir pra casa e Laura não fazia ideia. Final de jogo, ninguém mais marcou, as equipes se desculparam pelos ânimos exaltados e Thai correu para achar alguém que pudesse levá-las para um hospital.

 

Foram para uma clínica particular, onde o plano de Karime era aceito e Laura teve uma crise inacreditável com ela.

 

— Sabe o que vai me acontecer? Eu vou ter que ir para o hospital público, Karime, porque eu ainda não consigo pagar um plano sequer indecente e a minha namorada apesar de perfeita, ainda não consegue pagar um hospital desse aqui para mim e você trata a Noah daquela maneira? Você está louca, menina, louca de verdade!

— Laura, para, está bem? É que... — Karime começou a chorar de novo e o sangue seguia jorrando.

— Laura, pega leve! Ela não pode perder mais sangue do que já perdeu, ela não está nela!

— Não, ela já está nela! Já voltou para si e perdeu aquela menina perfeita! Karime, o que está acontecendo?

 

Ela chorou demais, a ponto de não conseguir verbalizar em português e então foi chamada para ser atendida, perguntaram se Laura também precisava de ajuda, e:

 

— Vai, Laura, a Ívi disse para eu te colocar em atendimento que ela chega em uma hora para resolver, está bem? — Thai lhe informou.

— Você ligou para ela?

— É claro que eu liguei.

 

Laura foi ser atendida, na mesma enfermaria que Karime, que teve que ser levemente sedada para que se acalmasse. O nariz tinha quebrado mesmo, uma fratura pequena, mas que daria trabalho para curar, foi para o raio-x, voltou já com o rosto limpo, mas o uniforme ensopado ainda era um pesadelo, a mão suja de sangue também, o joelho de Laura precisou de dois pontinhos pela profundidade e um sintoma inesperado deixou Thai e Karime preocupadas.

 

— Como você não lembra?

— Eu... Eu não lembro, deve ter sido muito rápido.

— Ou você apagou, olha este corte, Laura! Alguma coisa cortou você aí.

 

Será que tinha apagado? Não sabia, não fazia ideia. Thai foi chamada lá fora, algum problema com a documentação e Karime e Laura terminaram seus curativos em silêncio. E se havia algo em que muito se conheciam, eram nos silêncios.

 

— Você está preocupada comigo. Porque vai viajar e está pensando nisso.

— Karime... Por que você não está fazendo as coisas corretamente? Você ama a Noah. Faz anos. Ama desde quando olhou para ela naquele ponto de ônibus.

 

Ela chorou novamente.

 

— Eu acho que perdi o controle de novo.

— Perdeu e com os controles em sua mão. Faz ideia do quanto este plano de saúde aqui é caro? Sabe que cobre todos os médicos que você precisa?

— Eu não me sinto bem, Laura, me sinto uma derrotada com ela pagando tudo pra mim.

— Karime, eu nem tenho muito o que dizer porque eu agia muito parecido com a Kelsey, mas como não é igual com a Ívi, isso me fez refletir e achar a diferença.

— E qual é?

— Ívi e eu somos equivalentes, e eu a amo demais e sinto demais este mesmo amor de volta por parte dela. Será que, não é assim? Você e a Noah?

— Não é, porque eu estou abaixo dela — Mais lágrimas — Aquela mulher é incrível, Laura, não é tipo você e a Kelsey, ou você e Ívi, elas são incríveis, mas você é linda demais, menina, é equilibrada, pés no chão, é por isso que você coleciona corações inteiros, nenhum coraçãozinho partido que seja, mas eu em relação a Noah... Eu a amo. É tudo o que eu tenho de bom. É meu amor por ela.

 

Laura a abraçou, com muito carinho, muito amor, com o coração todo apertadinho.

 

— Eu quero que você saiba que amar alguém já é muita coisa. Amar alguém e cuidar, respeitar, ter carinho e admiração, é tudo o que qualquer pessoa precisa. Ela quer te fazer bem, Karime, você disse que não queria que ela te sustentasse, ela arrumou formas para que você pudesse trabalhar...

— Eu surtei em três dias.

— Porque não está fazendo o que precisa. Aceita a mão dela, para de pensar que você tinha mais com a gente, porque não é verdade. Acha mesmo que essa menina voltou para você por nada?

Ela é meu fio vermelho. Mas essas coisas na minha cabeça...

 

Laura a abraçou muito forte, lhe beijando o canto da testa, deixando com que ela chorasse até a calma chegar. Daí que chegou. A calma e o discernimento.

 

— Laura, eu quero agendar tudo.

— O quê?

— As consultas, será que eu consigo agora?

— Vai fazer a terapia direito?

— E vou me curar disso. Eu não vou perder a mulher da minha vida por orgulho e teimosia.

— Karime, olha pra mim: — Laura olhou reto nos olhos dela — Você não tem que curar se não tiver cura, só tem que lutar contra e ser o melhor que você pode, entendeu? Não tem que passar em todas as disciplinas, se não deu para formar agora, forma ano que vem, se não deu para trabalhar agora, tenta semana que vem, só não pode permitir que a Noah durma sozinha hoje, porque talvez você não tenha dia seguinte para resolver o que você causou agora.

Amoriño!

 

Era Ívi, linda demais, de calça de couro, lingerie Calvin Klein, jaqueta preta por cima, as botas nos pés, Laura sorriu só de olhar para ela, ainda tinha dificuldades em acreditar que ela era sua e já fazia três meses. Veio muito preocupada, beijou Laura com carinho, olhou seu joelho, checou seu rosto, seus olhos e só então percebeu que Karime estava de nariz quebrado. O que causou nela uma enorme crise de riso.

 

— O que é um nariz quebrado diante do joelho ralado do amor da vida de alguém, não é?

— Desculpa, La Eche, é que... — Riu de novo e beijou Laura novamente — Eu só entendi da Thai que a Laura tinha se machucado...

— Daí ficou surda para todo o resto, eu entendo. É tão lindo ver vocês duas juntas, tranquilas, felizes desse jeito.

 

Ívi a estudou com os olhos.

 

— Eu te esfolo se você estiver fazendo a Noah infeliz, Karime.

 

Mais risos.

 

— Alguém já quebrou o meu nariz, já estou castigada o suficiente.

 

Karime fez um último exame de reflexo com o médico e pronto, estavam liberadas.

 

Mi amor, o hospital...

— Eu já paguei, meu bem — Ívi beijou a testa de Laura mais uma vez, tinha ficado tão assustada quando ouviu — Desculpa não ter vindo antes, mas eu tinha que terminar o show, o próximo da noite a Julia vai fazer sozinha, eu vou pra casa cuidar de você.

 

Daí que Laura se derretia inteira.

 

— Foi só um arranhão, amor, a Thai não precisava ter te ligado.

— Eu esfolava a Nutella se ela não tivesse me ligado. Vamos pra casa, tá? Eu vou te colocar no banho, tirar esse sangue inteiro de você. É da Karime?

— Da camiseta é, o resto acho que é meu.

— Está vendo? Ainda me diz que não foi nada. Vem, vamos pra casa, meu bem, a gente viaja amanhã, lembra?

 

Laura a agarrou e a beijou, gostoso demais.

 

— Como é que eu posso esquecer, hein?

 

De jeito nenhum podia. Ívi estava com o carro de Natália, juntou suas garotas e perguntou se iriam todas pra casa.

 

— De jeito nenhum. Eu vou para a casa da minha namorada, Ívi.

— Mas você mesma disse que ia embora! — Thai começou a rir.

— Pois agora eu mesma vou dizer que vou ficar! Ela quer que eu saia? Pois eu fico.

 

E Laura teve um ataque de riso.

 

— Ela não queria que você saísse!

— Melhor ainda, teremos menos problemas. Se ela quiser mesmo que eu saia, problema dela, eu vou ficar até ela me amar outra vez...

 

Fizeram assim, lá foi Ívi deixar Karime em Jacarepaguá e a cena chegou a ser cômica. Ela desceu, pediu que esperassem um pouquinho porque queria se arrumar no espelho, arrumou os cabelos ainda ensanguentados aqui e ali, o uniforme todo manchado de vermelho, ah, seu equipamento de hóquei, já ia esquecendo, limpou uma manchinha no rosto, ajustou a tala do curativo no nariz e subiu, com toda a confiança que era tão inerente de Karime Echevarría. Quinto andar, buscou sua chave e quando entrou...

 

Suas malas estavam prontas.

 

Não estava preparada para aquilo.

 

Duas mochilas, uma mala pequena, Noah sentada no sofá com os olhos inchados de tanto chorar.

 

— Você... Noah — Karime se abaixou à frente dela e a primeira coisa que Noah disse foi:

— Meu Deus, você realmente quebrou o nariz? — Perguntou, já tocando o seu rosto, preocupada que Karime conseguiu sentir nos dedos dela.

— Não é importante, guapa, o importante é que você fez as minhas malas.

— Quebrou? Fala pra mim primeiro! Não, espera, vem para o banho, eu preciso tirar esse sangue todo de você...

 

Ela lhe levou para o banho, lhe ajudou a se livrar do sangue, seu olho estava ficando roxo pela pancada e no meio do banho, com Noah tão perto de si, tudo o que Karime queria era...

 

— Por favor — Pediu, com as mãos na cintura dela, já morrendo de vontade.

— Não, não — Ela lhe negou — Não pode ser assim, guapa.

— Eu sei que fiz tudo errado, mas é que... — Respirou fundo demais, tentando controlar o seu tesão que lhe fazia de refém e Karime sabia disso — São quatro da manhã, eu preciso da outra dose...

 

Precisava. Noah sabia que precisava. A tirou do banho, a ajudou a se vestir porque Karime estava confusa e com tesão, ou estava confusa por causa do tesão, Noah nunca sabia. Amava ir para a cama com ela, para o banho com ela, a mesa da cozinha, o sofá, qualquer coisa, fazer amor com Karime era uma delícia sempre e Noah adorava gozar, não era este o problema. O problema era a libido de Karime ser causada pela personalidade borderline fora de controle. Então a deixou na cama, foi pegar os remédios, que pelas contas, ela não tomava há três dias. O exato tempo em que Karime tinha enlouquecido insistindo que Noah estava conversando com outra garota.

 

Sete comprimidos. Para uma garota de vinte e seis anos, parecia um absurdo.

 

Tomou todos.

 

— Eu... Marquei as sessões. Novamente. Começando do zero o que eu não consegui fazer da outra vez. Você... — Respirou fundo, era tão difícil — Não tem que me perdoar. Por hoje, por ontem, pelos outros dias que eu me perdi tentando perder você por nenhum outro motivo que não seja medo, também por me sentir diminuída diante do que você merece. Mas, amor, eu não vou embora.

 

Noah abriu um sorriso.

 

— Você disse que ia.

— Eu sei, mas agora não vou mais. Eu vou ficar aqui até você me perdoar e me amar de novo, e acreditar que eu posso fazer tudo certo. Então, se você estava contando com a sorte de conseguir me despachar hoje, eu sinto muito, eu vou ficar.

 

Noah a beijou sorrindo, a puxando para pertinho, a sentindo, a cheirando, a pondo em seu colo num movimento só. Karime se enrodilhou inteira, a gata arranhava, rosnava, fazia malcriação, mas no fundo, era só uma gata de colo precisando de amor, carinho e paciência.

 

— É claro que eu não quero que você vá embora. Eu só me perguntei se não seria melhor voltar para perto da Laura, das suas outras meninas...

 

Karime beijou a mão dela com muito apego.

 

— De jeito nenhum. Eu preciso ficar aqui, com a mulher que eu amo, tentando me explicar, tentando...

Ficar bem. Você não tem que me explicar nada, Karime, só precisa ficar bem, amor, é tudo o que eu te peço sempre.

— Noah... — Respirou fundo, pensando em algo — Se eu fizer tudo certo, se eu conseguir acertar a terapia, conseguir me acalmar, voltar a trabalhar, se... Eu conseguir te dar uma vida minimamente normal...

 

Noah se curvou sobre ela, lhe beijando junto ao ouvido.

 

Eu caso com você até amanhã, menina. Entende o peso disso? Entende que eu te peço minimamente que me deixe cuidar de você até que tudo fique bem? Me deixa cuidar de você agora, e quando você estiver somente em você, aí você cuida de mim amanhã...

 

Karime não iria perder aquela mulher, ah, não, de jeito nenhum. Nem que tivesse que aprender a conviver com sua outra personalidade, não iria perder Noah de jeito nenhum. Dormiram agarradas, morrendo de vontade de fazer amor e fazendo, ainda sem arrancar a roupa uma da outra, fizeram amor mental, amor intenso, de alma. Noah era sua alma gêmea, era su hilo rojo, Karime jurou para si mesma que acordaria fazendo tudo diferente.

Ívi cuidou de Laura. Colocou seu amoriño no banho, ajudou a limpar aquela cena assustadora, não queria nunca mais Laura associada a tanto sangue, sabia que ela também ficava desconfortável, por motivos de que sua mãe ainda sangrava quando ela teve que fazer o reconhecimento, a agressividade inesperada com Karime tinha um fundo emocional forte. Depois do banho a colocou na cama, foi fazer algo que ela pudesse comer e voltou para a cama para jantar com ela, assim, no meio da madrugada, não fazia mal nenhum. Conversaram sobre o que tinha acontecido, Ívi descordou sobre Laura não ter deixado Karime sentar a mão em quem tinha lhe machucado, o que a fez rir demais, gata de rua gosta de briga, se preocuparam com a situação de Karime e Noah, mas ambas confiavam em Noah mais do que confiavam na sanidade de Karime. Ela ficaria bem, podiam viajar tranquilas.

 

— A Julia e a Thai estarão aqui qualquer coisa.

— Ela queria tanto viajar, Ívi — Julia queria, mas ainda não podia.

— Mas essas coisas demoram, meu bem, a sua nacionalidade demorou para sair e era menos complicada.

— Eu sei, eu só... — Respirou fundo — Me sinto um pouco mal, por estar tão feliz e as minhas irmãs...

 

Ívi a beijou, delicada e longamente.

 

— Eu sei, meu amor. Escuta, está passando muito rápido, María está próxima da Kelsey, ela disse que é questão de tempo, que vai lutar pela emancipação da María e logo ela vai estar aqui. Sobre a Julia, nós estamos indo tão bem! Olha ela e a Thai, você esperava?

— Que ela não fosse fraquejar pela Heidi? De jeito nenhum! Nem pela Heidi, nem por menina nenhuma, a Julia está sendo perfeita para a Thai, elas estão muito bem, estão felizes. Thai está muito bem, vai poder se formar ano que vem, está estudando com tranquilidade, Julia a provém do que ela precisa, cuida dela, arruma formas delas sempre estarem juntas, eu não fazia ideia de que a Juls podia ser apenas essa, sabe?

— Eu sei do que você está dizendo. Eu nunca te contei isso, mas lembra de quando eu estava ficando com a Karime? Teve um dia que você chegou fora de hora e...

— Eu ouvi — Abriu um sorriso quase envergonhado.

— Daí que a Julia foi lá, te convidou para tomar café na Starbucks e enquanto você entrou no banho, ela me puxou para fora e me deu uma bronca daquelas, dizendo que se eu fizesse você sofrer, ia arrancar a minha pele viva e quando eu olhei para aquela mulher... Eu não a conhecia. A versão protetora e cuidadosa, a que ama e se importa tanto. Vi nesse dia que ela era duas e para a sorte da Thai, ela se casou com a segunda versão, a versão irmã que você tanto ama. Ela está bem, ok? Não sente culpa por nós duas estarmos bem, a gente já passou tanto, amoriño.

 

Laura a puxou e a beijou, porque era tudo verdade.

 

— Eu sei, mi amor. E estou muito feliz, de verdade, eu nunca fui tão feliz na minha vida assim.

— Vai ser mais. Você vai ver — Beijou a testa dela sorrindo — Ainda está sentindo dor?

Me duele la cabeza, amor.

— Então deita aqui que eu vou cantar para você dormir.

 

Laura se derreteu sorrindo e deitou no colo dela, sentindo aqueles dedos delicados pelos seus cabelos enquanto com aquela voz toda gostosa, seu amor começou a cantar para que dormisse:

 

Muero por tus besos, por tu ingrata sonrisa, por tus bellas caricias, eres tu mi alegria... — Começou, fazendo seu amoriño sorrir demais — Pido que no me falles, que nunca te me vayas y que nunca te olvides, que soy yo quien te ama... Que soy yo quien te espera, que soy yo quien te llora, que soy yo quien te anhela los minutos y horas...

 

Morro pelos teus beijos, pelo teu ingrato sorriso, pelas tuas lindas carícias, você é a minha alegria... Peço que nunca me falte, que nunca vá embora e que nunca se esqueça, que sou eu quem te ama... Que sou eu quem te espera, que sou eu quem chora por você, que sou eu que anseia por teus minutos e horas...

 

Ívi se deitou por trás dela, a abraçando com carinho, seguindo cantando no ouvido dela, bem baixo, sentindo aquelas mãos agarrando seus braços com tanto apego.

 

Me muero por besarte, dormirme en tu boca, me muero por decirte, que el mundo se equivoca... Me muero por besarte, dormirme en tu boca, me muero por decirte que el mundo se equivoca... Que se equivoca...

 

Que se equivoca...

 

Ela pegou no sono em breve, muito agarrada em Ívi e perto das seis da manhã, Julia entrou no quarto devagar. Queria ver como estava Laura, se estava mesmo muito machucada, então veio na ponta dos dedos, só para checar sua irmãzinha, a olhou, tocou os cabelos dela, deixou um beijo na testa, ela parecia bem e, Ívi acordou.

 

Juls...

— Shssss, só vim ver se ela estava bem — Respondeu, fazendo Ívi sorrir.

— Ela está, foi um susto, mas a Karime está pior.

— Vou vê-la mais tarde. Vou comprar o café da manhã, tá?

— Tem que dormir, Juls, cadê a sua Nutella?

— Dormindo, já fui lá vê-la, a coisa mais linda. Vou comprar um café surpresa e levar na cama para ela — Contou sorrindo.

— Eu ainda não acredito que esta de você existe... — Disse, fazendo Julia sorrir demais.

— Você é uma boba, Schelloto.

— Nem sou. Canta para eu dormir de novo.

— O que você quer ouvir?

Me Muero, estava cantando para sua irmã pegar no sono...

 

Outro sorriso de Julia, que não mais rosnava quando lhe diziam que Laura era sua irmã.

 

— Muero por tu ausencia, que me hace extrañarte, que me hace soñarte, cuando mas me haces falta...

 

E daí que Ívi dormiu em dois versos, mas quando saiu do quarto, Julia seguiu cantando, enquanto estava no banho, pensando em sua esposinha que tanto adorava, imaginando que coisa compraria para levar o café na cama para ela.

 

— Pido por la mañana, que a mi lado despiertes, enredado en la cama, hay como me haces falta...

 

Foi para o quarto, se vestir, cantarolando baixinho, olhando para ela que ainda dormia tão profundamente. Sua felina amava dormir.

 

— Que soy yo quien te espera, que soy yo quien te llora, que soy yo quien te anhela, los minutos y horas...

 

E daí que não resistiu a se abaixar pertinho dela, a sentir o cheiro gostosinho que ela tinha, a cantar no ouvido dela só porque sabia que...

 

Me muero por besarte, dormirme en tu boca, me muero por decirte, que el mundo se equivoca... — Que ela ia acordar sorrindo, daquele jeito lindo que ela tinha — Me muero por besarte, dormirme en tu boca, me muero por decirte, que el mundo se equivoca, que se equivoca... Que se equivoca...

 

Thai lhe beijou, lhe agarrando um pouquinho, lhe sentindo toda friazinha depois do banho.

 

— Te amo, sabia?

 

Y yo te quiero, Nutella... Tanto. Escuta, dorme um pouquinho mais, ainda é muito cedo, eu só queria... — Sorriu — Ver esse teu olho lindo, morri de saudade...

 

Mais beijos, mais sorrisos, mais Thai se agarrando nela e não querendo soltá-la.

 

— Deita, amor.

— Deito, em uma horinha, tá? Preciso andar um pouco.

 

Andar um pouco era o que Julia dizia quando tinha algo lhe chateando demais. Thai sabia que não tinha a ver consigo, era outra coisa, a tal nacionalidade que não vinha e que andava a deixando tão sufocada. Tinha se sentido tão bem a pedindo em casamento, achando que tudo seria resolvido quase magicamente, mas não havia sido assim e agora Julia... Ela estava ficando impaciente. Então a beijou e a deixou ir. Julia lhe deixou um beijo na boca, outro na testa e saiu do quarto, pegou os patins de Ívi, era algo que ela tinha contaminado a todas, a paixão por patinar, hoje as cinco patinavam e quando saíam juntas era a coisa mais deliciosa. Mas o tempo andava curto. Muito curto mesmo.

 

Julia saiu para patinar e deve ter passado uma hora inteira patinando. Short curto, camiseta, óculos escuros, fones de ouvido, uma playlist que amava, não tinha as habilidades de Ívi, mas sabia se manter de pé e não fazer feio executando o básico. Pensou, pensou, sentiu um monte, tinha certeza que tudo estaria resolvido até o dia anterior, mas agora...

 

Respirou fundo, olhou para o mar. Seu pai ligou, conversou com ele um pouco, falou com María, ácida, atrevida, bonita demais para treze anos, devia ser proibido. Daí decidiu voltar pra casa, queria voltar menos triste, porque não queria que Thai lhe visse triste, mas de qualquer forma, não sabia se tinha funcionado. Passou na Starbucks de Laura, comprou café da manhã para todas elas, pensou nas suas evoluções, café de 10 reais para café de 100 e sequer doeu. Estava ganhando bem, estavam indo bem, só faltava... Aquele detalhe. Uma nacionalidade. Só isso.

 

— Moça, por favor, segura os pedidos dela?

 

Olhou para trás e, era Heidi.

 

Linda demais, sorrindo, lhe pedindo um abraço porque ela nunca aparecia sem que a primeira coisa fosse lhe pedir um abraço longo, cheiroso, em que ambas sempre se buscavam tanto.

 

— O que você está fazendo aqui?

— Te seguindo feito uma fã! Espera — Ela segurou sua mão e falou com a moça do caixa — Dois chocolates quentes, por favor, e... Croissants, meu bem?

 

Ela já sabia, eram croissants sim. O pedido maior de Julia foi segurado e elas foram para a mesa com os pedidos de Heidi. Julia podia ver os dois seguranças de Heidi por perto, mas era muito cedo e ela parecia segura em não ser importunada, ainda que positivamente. Sempre alguém queria uma foto, a moça que as atendeu pediu e Heidi sempre cedia com o sorriso mais bonito do mundo. Julia entendia a paixão de Thai por ela, agora, depois de conhecê-la melhor, entendia completamente.

 

— Eu fui atrás de você no show, Nat me disse onde vocês estavam, mas você já tinha saído de lá. Daí fui até o apartamento e te vi saindo de patins, e... — Sorriso, olhando para Julia — Você estava tão bonita, decidi te seguir um pouquinho antes de te abordar.

— Ah, um pouquinho? Faz uma hora!

— Eu sei — Ela riu — Foi irresistível, os seguranças estão me achando meio maluca. Mas é que, eu precisava falar com você e, me atrasei, mas... — Ela enfiou a mão na bolsa e tirou de lá uma prova de carinho.

 

Julia chorou demais quando viu. E jamais na vida achou que fosse chorar com um simples papel, mas é que o que estava escrito lá é que tinha nascido em Cuba e sido nacionalizada no Brasil, portanto, era brasileira, tinha dupla nacionalidade e sendo assim, trânsito livre por todos os lugares por onde os brasileiros eram bem-vindos.

 

— Ei, não — Heidi lhe agarrou a mão sorrindo, sabia que a reação seria linda, mas não fazia ideia de que seria tanto — Não é para você chorar assim não, linda.

— É que... Significa muito, você não faz ideia...

— Faço sim — Beijou a mão dela com carinho — Por isso me empenhei tanto que desse certo, aceleramos tudo que era possível de maneira lícita, taxas extras por celeridade, documentos extras pela mesma causa e aqui está, deu certo, não disse que tudo estaria bem até ontem? Saiu ontem, mas não deu tempo de te contar ontem.

 

Julia saiu da sua cadeira e foi abraçá-la do outro lado da mesa, muito longamente, porque sabia que ia levar uma imensidade de tempo mais se não fosse por ela, por tudo o que tinha feito e nem sabia. Os motivos de Heidi. Não sabia.

 

— Eu estou muito feliz, viu? Surtei quando recebi os documentos — Ela lhe contou sorrindo — Outra coisa, acho que sua irmã vai gostar de mim um pouquinho mais depois disso aqui... — Laura rosnava para Heidi sempre, apesar do bom relacionamento dela com Thai e com Julia, Laura não era a mais simpática com ela nunca.

 

Havia algo que desgostava. Algo principalmente com a mudança de relacionamento entre Heidi e Julia, haviam tomado um rumo inesperado demais, para além de apenas atração e mais desconfortável do que isso, apenas o quanto ficava ainda mais sem rumo com a proximidade inesperada entre Heidi e Thai.

 

Elas estavam próximas. Com olhares que encurtavam qualquer distância mais ainda. Julia parecia imune a Heidi, Laura não conseguia dizer o mesmo de Thai.

 

— Ela gosta de você, Heidi, só se preocupa.

— Eu sei, enfim. Escuta, tenho outra coisa para você além dessa certidão e, você comprou as passagens que ia comprar?

— Comprei, você me disse para comprar.

— Então o voo é hoje, ok — Ela mexeu na bolsa outra vez e, entregou uma cédula de identidade para Julia — Julia Domenèch Torre del Mar, seu RG, você pode pegar aquele voo hoje, para onde mesmo que você queria ir?

 

Julia brilhou os olhos sorrindo.

 

— Florianópolis.

— Meu lugar preferido neste país, você vai adorar, melhor, vocês vão adorar, finalmente lua de mel!

 

Finalmente lua de mel e Julia não estava acreditando. Tomaram café juntas, conversaram um pouco mais, daí liberou os pedidos de Julia e foram pra casa juntas, Julia queria que Heidi estivesse presente quando fosse contar para Thai, porque...

 

Thai a adorava. Adorava Heidi e Heidi a adorava de volta de uma forma delicada, terna, inclusive, estava vestindo algo que Thai havia feito, muita coisa tinha acontecido, principalmente nas últimas semanas. Subiram, deixaram o café na cozinha e quando Julia acordou Thai com um beijo tranquilo, ela já despertou sorrindo. Daí que viu Julia chorando e não entendeu, daí que viu o RG nas mãos dela e tudo fez sentido!

 

Fez uma festa enorme, a agarrando, a beijando, a enchendo de carinhos, explodindo em uma felicidade imensa que sequer sabia explicar! Estava resolvido! Julia enfim era livre, estava segura, estava resolvido!

 

— Onde está a Heidi? — Porque sabia que ela devia estar perto.

— Na cozinha.

 

É claro que ela foi até Heidi, é claro que o abraço foi muito longo e muito apegado enquanto ela agradecia por tudo o que Heidi havia feito.

 

Nós fizemos. Se você não casa, não chegaríamos aqui de qualquer forma — Ela lhe respondeu sorrindo.

— Nós fizemos. Por ela.

— Ela já te contou sobre a parte da lua de mel?

— Já! Eu ainda não acredito que vamos viajar!

— E é em algumas horas, as coisas precisam acelerar aqui, hein...

 

Era em algumas horas e elas não eram as únicas que precisavam correr. Laura e Ívi também acordaram corridas, tinham feito as malas no dia anterior, mas sempre faltava alguma coisa e logo o apartamento encheu. Noah e Karime chegaram, muito bem reconciliadas, Natalia apareceu também, com a ficante que tinha sido promovida a namorada nos últimos dias, Julia e Thai correndo para fazer as malas enquanto as outras faziam um almoço em conjunto na cozinha, incluindo Heidi. As restrições de Laura com Heidi eram extremamente naturais, Laura não a tratava mal, só não fazia ideia se era uma boa ideia. Encostou rapidinho na janela olhando para baixo enquanto Heidi, Julia e Thai conversavam animadamente sobre alguma coisa, dois seguranças esperavam por Heidi num carro importado. Era o tipo de coisa que lhe deixava meio... Sem saber direito sobre Heidi.

 

— Já notou que nesta casa o número é sempre ímpar? — Natalia lhe disse lhe fazendo rir.

— Pois então, por algum motivo acontece isso.

— E eu acho que sei qual é o motivo.

— E qual é?

Julia e Thai moram aqui. Chá de menta, alguém que perde a virgindade num ménage... Quero dizer, é só uma coisa que me passou pela cabeça.

 

Bem, ficou passando pela cabeça de Laura também. Almoçaram todas juntas, no tapete da sala e Laura podia ter restrições com Heidi, mas ela se encaixava ali naturalmente. Tal como Noah havia se encaixado, como Nat tinha passado pelo mesmo. No horário dos voos, Heidi dispensou os seguranças e foram em dois carros para o aeroporto, ainda todas juntas, Ívi e Laura eram as mais atrasadas, então as despedidas não se alongaram! Um beijo em cada menina, o abraço mais longo em Julia sempre, o olhar trocado, Julia e Laura, Julia e Ívi, e estavam atrasadas mesmo! Despacharam a única mala que levaram, era um casal muito organizado, Julia jurou que ainda chegaria àquele patamar e elas correram para o portão de embarque, transbordando felicidade.

 

E então, o voo de Julia e Thai, era hora de ir. A despedida de Karime foi longa demais, Thai queria ir, mas estava incomodada de deixar Karime, era muito claro. Mas conversaram, se acalmaram, estava tudo bem e então, Heidi foi deixá-las no portão de embarque. Julia passou primeiro, Thai ficou um passo para trás.

 

— Heidi?

— Quê?

 

Olhou nos olhos dela. Tinha uma coisa sempre que se olhavam.

 

— Você devia aparecer.

— Thai...

— De surpresa, só aparece, entendeu?

 

Heidi respirou fundo.

 

— Você tem certeza?

 

Thai negou.

 

— Nenhuma. Eu nunca tenho.

 

Notas do Capítulo:

 

Olá moças!

 

Tudo bem?

 

Eu sei, semana passada não tivemos capítulo, mas precisamos seguir as regras por aquelas coisinhas que eu já mencionei a vocês antes, manter o site em visibilidade, incentivar a produção gratuita, essas questões todas, maaaaas, aqui estamos de volta, talvez com um capítulo que irá gerar algumas controversas, veremos nos comentários 😬.

 

A proposta inicial de 6 AM vocês devem lembrar, girava em torno das protagonistas de fato (Ívi, Laura e Julia) e em torno de protagonistas ocultas (Karime, Thai e Kelsey). Dessas criaturas mágicas de tal história, confesso que a que mais me deu trabalho foi a Thai. Escrevia e escrevia, e parecia que faltava algo, alguma coisa que eu não estava conseguindo localizar, a história demorou a ser lançada porque Thai teve que ser reescrita três vezes e só no final eu me dei conta do motivo: Thai é uma personagem boa, mas isso não a impede de ser controversa; tal como também o contrário acontece, ela é controversa, mas isso não a impede de ser boa garota e acho que é aí que mora a chave para o carisma dela. Em resumo, tivemos o capítulo das controversas, Thai e Karime no centro com suas particularidades, Julia surgindo de uma maneira diferente (acho que já nos convencemos que essa menina está mudando mesmo, não?) e Ívi e Laura amadurecendo um tanto mais ♥.

 

Ademais, as coisas vão bem por aqui, esta autora anda inspirada, tranquila e feliz, achei uma paz perdida há um tempinho e acho que finalmente, os últimos capítulos de 6 AM estão surgindo do jeito que eu esperava! Estive em BH esta semana e aquela cidade sempre foi especial, sempre volto bem e recarregada e desta vez, não foi diferente. Prontinha para as próximas duas semanas que prometem ser de guerra haha. Final do ano tem dessas. Ótimo domingo a todas!

 

Beijos!

 

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