6 AM - Capítulo 43 - A Nova Normalidade

22/1/2020

 

 

 

Aconteceu tão rápido que Laura nem sabia explicar. 

 

Às vezes parecia que tinha sido assim, tinham viajado para Porto Alegre na vida de antes e voltado numa vida completamente diferente e no final das contas, havia sido assim mesmo. O programa em tevê aberta, então um show transmitido pelo principal canal de música do país, a transmissão via internet, os seguidores triplicando e as músicas emplacando, uma atrás da outra, o ranking eletrônico sendo escalado e do show numa quinta até o domingo da próxima semana, Haíz terminou em primeiro lugar como a música mais tocada em determinado aplicativo. 

 

“La Cruz del Mapa”, Heidi tinha razão, foi essa música que as fez decolar. 

 

E de repente, era quatro, cinco músicas tocando em todos os lugares, de repente a agenda de shows ganhou uma proporção diferente, tocavam para mil, duas mil pessoas, e então passaram a tocar em boates maiores, para cinco mil pessoas, de repente eram casas de shows e então shows, em espaços maiores, para mais e mais pessoas, e quinze mil por show se tornou coisa de quase todo dia. Agora era de todo dia, agora o Rio de Janeiro havia se tornado pouso, mas não regra e no final do segundo mês após o festival, Ívi conferiu vinte e três cidades diferentes onde havia estado e a sensação é de que tinha saído para trabalhar um dia sem fazer ideia de como havia chegado ali. 

 

Sua conta corrente havia passado pelo mesmo fenômeno. Este de partir de um lugar, chegar em outro e não se saber bem como tudo aquilo havia acontecido. Chegou novamente, aquele aeroporto no qual já conseguia andar de olhos fechados de tanto que fazia aquele mesmo caminho. 

 

— Ívi, você não vai almoçar? — Julia perguntou enquanto caminhavam pelo desembarque e Ívi andava mais rápido. 

— São onze e meia, Juls, se eu correr consigo pegar a minha galega pra almoçar! 

 

Saiu correndo do aeroporto, pegando um táxi pelo caminho e pedindo que ele acelerasse, para a fundação onde Laura estava comemorando seu segundo mês de especialista. Julia era privilegiada, depois da faculdade a única coisa que Thai fazia era segui-las para todos os lugares, cuidava do figurino, da maquiagem, ia com elas para os shows ou só as deixava lindas e voltava para os hotéis, onde esperava por Julia para dormirem juntas todas as noites. Ívi invejava esta parte. Sentia demais ter que voltar para quartos vazios sem a sua Laura por perto. Mas entendia. Laura tinha um propósito forte e seria um total desperdício ter uma mente como a dela fora do trabalho que fazia. Ela estava seguindo com sua pesquisa, trabalhava com o time de hóquei no contraturno e entendia. Entendia que a onda de Haíz havia chegado e que elas precisavam surfar, precisavam aproveitar o embalo para tentar firmar um nome. Não pretendiam ser o tipo de fenômeno que surge e desaparece em um mês, nunca aceitariam, Julia e Ívi estavam focadas em serem mais, e seriam

 

Este era todo o objetivo. 

 

Chegou em tempo, faltando três minutinhos para Laura sair para o almoço. Desceu com sua mochila, sua mala de puxar, o boné, os óculos escuros, uma camisa de botões branca que sua garota gostava, tinha trocado no banheiro do avião, pensando que ela gostaria daquela camisa e quando ela lhe viu descendo do carro... 

 

Abriu um sorriso enorme enquanto aqueles olhos brilharam tanto que Ívi pode ver mesmo à distância. Laura acelerou o passo, atravessou a rua rapidinho e, saltou no pescoço de sua noiva, a agarrando muito, a beijando e a beijando demais... Ívi a pegou no alto e a pegou para si, apertando os braços envolta da cintura dela, sentindo aquele beijo tão cheio de falta, a mantendo fora do chão carinhosamente, cheia de amor, de apego, de uma saudade que Ívi nem sabia explicar. 

 

— Meu amor... — A cheirou, a sentiu perto, abraçou mais forte ainda. 

— Eu achei que só fosse te ver a noite, mi amor

— De jeito nenhum. Você acha, amor? Eu não te vejo tem uma semana... 

 

Laura lhe abraçou muito, mas muito forte, afundando o rosto pelo seu ombro, pela sua camisa, apertando os dedos pelas suas costas. 

 

— Ívi... — Respirou fundo, não andava sendo fácil. 

— Eu não quero assim... Deixar você sozinha tanto tempo... — Tocou o rosto dela, aquela sua coisa linda, aqueles olhos que mudavam de cor o tempo todo, a beijou, mais uma vez e novamente, olhou nos olhos dela, estava com tanta, mas tanta saudade... — Laura... 

— Shsssss... — Laura a beijou, de novo e mais uma vez — Você está aqui agora, veio me buscar, não veio? 

 

Ívi abriu um sorriso, ainda olhando naquele rosto lindo. 

 

— Vim sim. Vem, amoriño, eu vou te levar para almoçar, eu estou morrendo de saudade... 

 

Entraram em outro Uber e foram almoçar em um bom restaurante que não ficava tão distante porque não queriam perder tempo. Queriam achar um lugar logo, para ficarem juntas, o mais próximas que podiam porque pelas contas de Laura, era a primeira vez que ficavam tanto tempo separadas depois de Londres. Só em Londres ficaram tão distantes e isso andava doendo de uma maneira diferente. 

 

— Eu não quero isso, Laura, não quero você sozinha todo este tempo, é inacreditável que nosso apartamento tenha ficado vazio assim. A gente tropeçava nas garotas. 

— Eu sei — Laura abriu um sorriso lembrando — Mas agora Julia está com você, Thai viaja junto, a Karime se mudou, é isso, amor. 

— Não pode ser não. Você tem dormido bem? Ou tem acordado fora da cama? 

 

Andava acordando fora da cama. Mas tinham sido apenas as duas últimas noites, era saudade, não queria preocupar Ívi com isso. 

 

— Isso anda bem, você sabe. 

— Na verdade, eu não sei. Você não gosta de me preocupar.  

— Ívi... 

— Meu amor, eu não fico confortável com isso, de verdade. Escuta, temos algumas alternativas, você sabe que a Renata está morando aqui no Rio agora, não sabe? 

— Ívi, não precisa, é sério, eu estou bem. 

— É só por uns meses, amor, este ritmo vai reduzir, você sabe, só temos que aproveitar agora porque... 

— Porque vocês têm que aproveitar, Ívi, eu sei, você não precisa me explicar nada, mi amor e nem se preocupar comigo, eu estou bem. 

 

Ívi pegou a mão dela carinhosamente. 

 

— Aceita a Renata. É só até eu trazer a María para você

— Você...? — Os olhos de Laura iluminaram imediatamente. Ívi geralmente evitava falar de María, nunca perguntava nada, era algo que preocupava Laura, mas agora... — É sério? 

— Claro que é, meu amor, eu não posso deixar a Kelsey fazer mais do que já faz, eu vou ser a sua mulher e a sua irmã tem que morar aqui, perto de você e nós vamos resolver isso. Mas até lá, você podia considerar a Renata, senão por você, ao menos por ela. É complicado morar sozinha nesta cidade, pagar aluguel, todas essas coisas. Promete que ao menos vai pensar? 

— Você sabe que agora eu vou pensar porque me lembrou esta outra parte... 

 

Ívi a beijou sorrindo demais. 

 

— Pensa, pensa com carinho. Amoriño, outra coisa, eu consegui uns dias pra gente, dá uma olhada aqui — Mostrou o calendário do celular — De dez a vinte e seis de dezembro... 

 

Laura a olhou surpresa. 

 

— Você convenceu a Heidi? 

— De que preciso de uns dias com você? Laura, ela precisou entender. Nem sabemos bem como estarão as coisas em dezembro, estou com a minha cabeça aqui, no agora, no que conseguimos fazer agora. E agora o que eu consigo... — Os olhos dela brilharam e o sorriso se abriu bonito demais — Laura, a gente vai para Londres, eu já comprei nossas passagens, vamos no seu período de recesso do trabalho e depois nós... — Os olhos se encheram de algo bonito demais — Nós podemos ir para a Itália? 

 

E Laura nem acreditou no que estava ouvindo! 

 

— Meu amor, é claro que podemos! A gente consegue...? 

— Você acredita nisso? A gente consegue, consegue sem precisar fazer contas, só consegue, como eu também consegui tirar a minha mãe daquele trabalho e, nosso carro, amoriño, eu vou conseguir resolver tudo isso hoje e pegar agora a tarde... 

— Ívi, você não me disse nada! — Não estava acreditando que tinham evoluído tudo aquilo! 

— É o que eu consigo fazer agora, Laura, se esse sucesso todo só durar até mês que vem, nós temos uma poupança e um carro, temos a reforma do apartamento quase concluída — A reforma do apartamento veio no primeiro mês de Ívi, ela sequer precisou pensar muito, os quartos conjugados se tornando um quarto só, um espaçoso quarto de casal, a cozinha e a sala tinham perdido paredes e de maneira impressionante, o apartamento ganhou muito espaço, uma sala grande, com uma área mais reservada para Laura estudar, para Ívi tocar e gravar — E não quero mais você andando de metrô, amor. 

— Você sabe que eu não me importo, Ívi. 

— Eu me importo, vai que você cruza com outra gata de rua... — Disse, fazendo Laura rir demais — Eu quero você confortável aqui. 

 

Laura apertou a mão dela. 

 

— Eu quero você aqui. 

 

E isso partia o coração de Ívi. 

 

— Eu sei. Eu também quero, mas... 

— Você não tem que me explicar, lembra? É ataque de carência. 

 

Ívi lhe olhou apertando os lábios. E Laura entendeu. 

 

— Você tem mais uma coisa para me dizer. Disse todas as coisas boas, mas ainda falta algo. 

 

Ívi respirou muito fundo. 

 

— Eu não tenho agenda para outubro. 

 

Outubro era a segunda data do casamento que marcavam. E aparentemente, a segunda que teriam que adiar também. 

 

— Tem um festival em Jericoacoara, justamente no final de outubro e você sabe que eu quero uma festa bonita, não quero só me casar, linda e... 

 

Ela estava culpada. Não precisava estar, Laura entendia. 

 

— Eu sei, eu também não quero só me casar — Queria casar e poder ter sua mulher em casa por ao menos cinco dias de lua de mel. E sim, casa agora era lua de mel — Nós temos tempo, não é preciso ter pressa. 

 

Ívi lhe olhou. 

 

— Eu não quero que você desista. 

— Ívi... — Abriu um sorriso pegando as mãos dela nas suas — Não é assim, ok? O sentimento não muda por causa de um ajuste de data. O sentimento não muda nunca, mi amor. Escuta, pensa em hoje à noite? Eu vou chegar mais cedo, preparar alguma coisinha para nós duas, o que você acha, amoriño

 

Ívi achava que Laura era perfeita. E que as horas seguiam particularmente cruéis com elas. Passou novamente, numa velocidade incomum e era hora de Laura voltar para o trabalho. Ívi a deixou e prometeu que vinha buscá-la, já no carro delas, pediu desculpas novamente pela data adiada e Laura lhe convenceu de que estava tudo bem. Tinham alcançado aquele algo que tanto queriam, não deixaria Ívi se sentir culpada de forma nenhuma. Estavam juntas o tempo todo, Ívi lhe cuidava, se preocupava, estava sempre a dois segundos entre uma mensagem e uma resposta, Laura não se sentia distante dela de jeito nenhum. Preferia poder dormir agarrada nela todas as noites? Preferia, mas sua noiva estava realizando um sonho e jamais a faria se sentir culpada por isso. Trabalhou aquela tarde inteira correndo com tudo para sair no horário e quando pisou lá fora... 

 

Se derreteu sorrindo mais uma vez. Lá estava sua garota, recostada num... 

 

Que carro era aquele? 

 

Caminhou para ela, naquele visual todo da manhã, o jeans, a camiseta branca, os óculos escuros recostada num conversível preto

 

— Ívi... — E o tom de Laura deve ter sido de bronca. 

— Está pago! — Ela disse quase que como em sua própria defesa — Eu comprei de três vezes, amoriño, só retirei depois de pago... 

— Ívi Schelotto, é um Audi! 

— A3 Cabriolet, eu sei! — Ívi a agarrou pela cintura sorrindo — É que eu sempre quis um conversível e entrou os valores das músicas vendidas, fiz uma média dos shows já fechados, parcelei de três vezes... 

— Ívi, eu sei quanto custa este carro, vi que você tinha ficado com um orçamento, como é que você parcelou um negócio desses, linda, isso...? Como é que parcela só de três vezes? 

 

Ívi já estava rindo demais. 

 

— Eu recebi 50% de desconto, só preciso postar fotos com ele e tudo está certo... 

— Tudo certo? Ívi, você comprou um terreno em Alagoas, está reformando o apartamento e comprou um carro de luxo em três meses. 

— É melhor investir do que deixar o dinheiro parado, não é? — Abraçou Laura por trás, virando-a para o carro preto, brilhando no sol — Eu quero um apartamento, lá na Urca, aquele bairro que você adora, mas vai levar mais um tempinho. Galega, você não curtiu o carro? 

— Como é que não dá para curtir este carro? É claro que curti! É só que... Você nem está parando aqui, mi amor, podia deixar para comprar depois, vai ficar parado naquela garagem apertada. 

— É claro que não, meu amor. Este carro é pra você dirigir. 

 

E Laura não soube bem o que dizer. 

 

— Ívi... 

 

Ívi a beijou, carinhosamente. 

 

— Ele combina com você, com a minha galega, Laura... É nosso, amor, meu e seu. 

— Eu só... — Abriu um sorriso — Não sei, Ívi, não estou acostumada. 

— Você é, só esqueceu como é. Vem, mi amor, entra, vamos dar uma volta porque você não faz ideia do que é este carro! 

 

Foram dar uma volta, pela orla, olhando o mar, sentindo o vento do conversível e foi uma delícia! O carro era incrível e como adoravam a companhia uma da outra, como podiam falar por horas e horas e sempre ter assunto, sempre ter o que contar, o que dizer. Fizeram três paradas, uma na Starbucks que adoravam, onde Haila deixou Laura preparar o chocolate quente de Ívi e ouviram uma perguntinha inquietante, sobre quando seria o casamento enfim. Ívi ficou incomodada, mas Laura contornou e foram tomar o chocolate curtindo o carro novo. Que era incrível mesmo, Laura nem se imaginava dirigindo algo assim, mas ok. Ívi era uma menina de sonhos e andava concretizando muitos e em tempos recordes, gostava de vê-la assim, concretizando as coisas, realizando, alcançando o que queria. Terminaram o chocolate e foram até um supermercado, onde o carrinho de compras era um verdadeiro romance

 

Queijos, torradas, salame, ervas frescas, chocolates, pães, filé mignon, massa fresca, um vinho, podia? Ívi sempre sorria quando ela lhe perguntava, como se precisasse de autorização. Já fazia algum tempo que Laura não precisava mais, tudo estava sob controle e ela nunca passava de uma única taça de vinho, era uma apreciadora agora e isto tinha lhe devolvido algo precioso demais: autocontrole. Laura andava no pleno controle de sua vida e isto era maravilhoso, a melhor sensação possível. Flores, sim, claro que levaram flores também, o apartamento estava praticamente pronto e Ívi ainda não tinha visto depois da reforma. Fizeram uma última parada: 

 

Para comprar bolos de pote para o seu amorzinho que tanto queria bem. 

 

Foram para o apartamento, e foi uma delícia estacionar aquela máquina naquele estacionamento apertado! E Ívi teve um ataque de riso quando descobriu que era incapaz de estacionar, porque de fato era apertado e daí que ficou chocada quando sua espanholinha pediu a direção e simplesmente... 

 

Estacionou

 

— Laura...? 

— É matemática, amor. 

— Eu sou quase engenheira, lembra? 

— O problema deve estar no quase, mi amor... 

 

Ela era toda cheia de si, Ívi nem sabia de nada. Subiram e quando entrou no apartamento... 

 

— Laura... 

— Ficou muito bom, não ficou? Reorganizei o sofá, as almofadas, a área da tevê e agora tem aquele espacinho ali que... — Virou-a suavemente para o tal espacinho perto da janela e os olhos de Ívi se encheram de brilho. 

— É o meu piano? 

— Você pediu para trazer, sua mãe me ajudou e aqui está. Vai tocar pra mim enquanto eu cozinho? 

 

Ívi a puxou para pertinho. 

 

— Uma música que acabei de fazer para você. Mas primeiro... 

 

Laura escorregou a boca pelo seu pescoço. 

 

— Primeiro banho, mi amor... 

 

Primeiro banho, primeiro o quarto delas, primeiro Ívi sendo Ívi, pegando Laura pelo caminho, a beijando, a despindo, a levando para o banheiro onde não puderam entrar porque Ívi lhe segurou, lhe tirou do chão e sedutoramente, lhe colocou sobre um móvel do quarto.  

 

Se pondo entre as suas pernas, lhe beijando longamente, lhe dando romance, sedução, desejo, correndo as mãos pela sua lingerie, lhe olhando nos olhos, causando arrepios, uma coisa na pele, aquela química, aquele desejo, aquela vontade deixando Laura tão, mas tão molhada... 

 

Apertou as coxas em volta de Ívi e lhe atacou a camisa, assim, um ataque, abriu na pressão, perdendo um ou outro botão pelo ar, os lábios marcando o colarinho de Ívi, deixando batom e tesão por onde tocava, e a boca pegando demais, atacando o pescoço de Ívi, mordiscando, beijando, chupando, as mãos pegando seus seios, aquele abdômen, os dedos abrindo a sua calça e quando a língua dela brincou pelo seu ouvido... 

 

— Ahhh, Laura... 

— Seu tesão, amor, põe dentro de mim...

 

Ívi colocava, naquela posição-sedução, pondo a calcinha de Laura de lado e a penetrando assim, gostoso demais, sentindo aqueles dedos entrando, lhe encontrando, tocando exatamente onde Laura precisava. Ívi sempre sabia, onde tocá-la, sempre ia direto no ponto certo o que lhe deixava... Afundou os dedos nas costas de Ívi, e arrancou a camisa dela em seguida, agarrando aquele corpaço, cada vez mais definido, gostoso demais, abriu a calça dela, descendo as mãos por aqueles quadris e elas incendiavam, ficavam loucas uma pela outra. Achou Ívi, quente, molhada demais, o pulso firme, os dedos delicados dentro de si, buscando, tocando, achando, agarrou a mão na nuca de Ívi, cravando os dedos ali, a boca no ouvido dela, Ívi era voraz, muscular, gostosa demais, pegava firme e suave, brincava pelo sexo de Laura, a fazia pulsar, enlouquecer, os quadris se empurrando para Ívi, a puxando contra si, mais firme, mais gostoso, as coxas tremulando, apertando os quadris dela, a respiração disparando e os dedos dentro da sua Ívi, movimentando, a chamando para si, os gemidos enchendo o quarto e hum, derreteram, juntas, Laura sabia.  

 

Estremeceu nela, Ívi comprimiu os músculos e Laura ficava louca com aquele efeito nela, a agarrou mais, ou Ívi a agarrou, nunca dava para saber, o apego e a vontade era sempre igual, sempre conjunta, sempre se buscavam, se precisavam igual, a boca pela pele uma da outra, aquele apego oral intenso demais, a falta que sentiam. Estar junto fisicamente era apenas uma parte de qualquer relacionamento e Laura e Ívi não se separavam on-line durante o dia por mais que algumas horas, porém o contato físico... 

 

Ívi a pegou pela cintura e a carregou para a cama, a mantendo inteira em si, tão sedutora sempre, deitou Laura na cama suavemente, a beijando, a tocando delicadamente, o corpo ainda vibrando, a pele sensível, olho no olho e nunca estaria pronta para os olhos de Laura mudando de cor. Mudaram, aquela sua menina, a mulher da sua vida por quem Ívi era tão, mas tão apaixonada... 

 

Foi uma noite perfeita, em que só conseguiram chegar no banheiro depois do terceiro ou quarto orgasmo conjunto, o banheiro também tinha sido reformado, estava novinho e o banho agarrado foi a coisa mais gostosa da vida. Mais amor, mais apego e foram fazer o jantar, Laura de lingerie justinha, Ívi de calcinha e camiseta, foi tocar sua música nova para ela enquanto sua noiva fazia o jantar. Ívi se apegou ao piano, ficou feliz demais de tê-lo na sua casa, Laura sabia o que significava, era ela se sentindo ainda mais em casa naquele apartamento que já era delas duas. Jantaram no tapete da sala nova e depois do piano, Ívi também lhe tocou violão e lhe levou para o quarto novo, onde deitou a cabeça no colo de Laura e ela lhe acariciou os cabelos até que pegasse no sono. Dormiram e acordaram uma hora depois, Ívi estava com sede e parecia no fuso errado. Era hora de estar no palco e seu corpo não parecia entender. Não fazia mal, Laura lhe fez reencontrar o caminho do sono lhe fazendo um amor tão gostoso que Ívi sequer sabia.  

 

Ninguém saiu no sábado, foi impossível. Ficaram juntinhas em casa o dia todo, se curtindo demais, horas perfeitas, entre duas moças que estavam morrendo de saudades uma da outra. Saíram no domingo, de manhãzinha no carro novo, foram até a orla, andar de patins juntas, tomar um mate que Ívi adorava, deram um mergulho, Ívi alugou uma prancha e Laura ficou a assistindo da areia, babando por sua menina. Houve um alvoroço pouco antes de irem embora, Ívi sendo reconhecida e Laura seguia morrendo de orgulho de sua garota. Foram pra casa e não saíram mais, e não é que não saíram de casa, não saíram do quarto, da cama, do corpo uma da outra. Fizeram amor intenso e apegado até o celular avisar que precisavam sair. Ívi tinha um voo às dez da noite e era hora de levantar. Foi um momento difícil aquele de arrumar a mala outra vez, tinha shows marcados para o resto da semana e era provável que só fossem se ver outra vez em mais sete dias. Onze dias. Foi uma conta mental rápida que Laura fez. Tinham se visto por onze dias nos últimos três meses. 

 

— Amor, você me leva? 

 

Laura abriu um sorriso. 

 

— Naquele carrão? 

— Ele é seu, galega, tem que me levar nele sim... 

 

Levou, dirigindo aquela máquina muito melhor que a própria Ívi, e o aeroporto nunca pareceu tão perto. Checaram a hora e Ívi pediu para tomarem um café, podia ser? Tinha alguns minutos, dava tempo para um café. Foram rapidinho, tomaram o café, ficaram pertinho uma da outra, agarradas o máximo que conseguiam e, Ívi precisava mesmo ir. Laura dirigiu para o aeroporto outra vez e desta vez, ela desceu. Ívi deu uma choradinha antes de embarcar, Laura outra choradinha no carro, mas tudo bem! Se veriam em breve, sua garota estava trabalhando naquilo que tanto tinha sonhado, viu Julia rapidinho, chegando correndo e atrasadinha, era distinto, não ter nenhuma das duas por perto.  

 

Distinto mesmo. 

 

Voltou dirigindo devagar, pensando em todas as coisas, uma saudade já existindo e era um absurdo, sabia, mas era coisa de uma mulher muito apaixonada tendo que deixar seu amor ir daquela forma. Decidiu passar por perto do apartamento de Julia por nenhum motivo e, achou que viu alguém conhecido. 

 

Ela estava caminhando de mochilão nas costas, jeans curtinho, camiseta swag longa, preta, boné para trás, ah, sim, conhecia a criatura sim. 

 

Era Renata, andando sozinha naquele horário.

 

Reduziu, encostando perto dela. 

 

— Ei, moça, para onde você está indo? 

 

Renata olhou seguindo a voz e, viu o carro, tentou ver quem dirigia e, teve que chegar perto, era isso mesmo? 

 

— Laura Bueno, você não pode abordar garotas tarde da noite falando assim e num carrão desses, menina... — Disse, fazendo Laura rir demais. 

— Entra rapidinho. 

— Menos ainda me pedindo para entrar no carrão! 

— Entra, vai, me conta para onde você estava indo. 

 

Então, estava indo para uma pensão que achou na internet porque Thai tinha dito a ela que ficasse no apartamento enquanto elas estivessem fora, mas... 

 

— Eu tenho medo de ficar sozinha. 

— É sério isso? — Laura perguntou rindo demais enquanto dirigia. 

 — É sério, disse que ia ficar, mas decidi ir para uma pensão, onde vou ao menos ouvir gente... — Ela explicou sorrindo. 

— Ívi falou com você sobre ficar um tempo no nosso apartamento? 

— Falou, mas aparentemente você não tem medo de ficar sozinha igual a mim. 

 

Mais risos. 

 

— Não tenho não. Estar sozinha é mais mental do que físico, às vezes estamos com muchísima gente, mas estamos sozinhos. E às vezes estamos sozinhos, mas nos sentimos com alguém. É assim com a Ívi — Abriu outro sorriso — A reforma do apartamento está quase terminando, mas ainda temos um quarto só, se você não se importar de dormir na sala... 

— Eu não me importo, não me importo! E faço seu café da manhã todos os dias. 

 

Foi uma proposta irrecusável. Laura enviou uma mensagem para Ívi contando o que tinha acontecido, que havia se entendido com Renata e que agora não estava mais sozinha em casa. Estacionou na vaga apertada, perfeitamente, subiu com Renata, apresentou a sala para ela que estava... 

 

— Bem diferente do que eu lembrava — Ela disse sorrindo enquanto vieram para a cozinha fazer algo para jantar. 

— A reforma está quase terminada. 

— Ela me falou que vocês fizeram um quarto para a María, a sua irmãzinha. 

— Ela... Ela fez, não havia me dito para quem era o outro quarto — Ívi não parava de lhe surpreender. 

— Ela está indo pra onde hoje? Eu nem perguntei pra Thai, é sempre um lugar diferente. 

— Para... Recife, eu acho. Ela estava animada para tocar no Nordeste, ela adora, você sabe. 

— É de onde ela veio, né. Foi deixá-la no aeroporto? 

 

Laura afirmou sorrindo. 

 

— Naquele carrão. 

— Então... — Laura apoiou-se no balcão americano — É... Esquisito

— O apartamento reformado, sua garota no topo de um ranking no Spotify, indo fazer uma turnê no Nordeste, aquela máquina parada na sua vaga de garagem...? 

— Tudo isso — Outro sorriso — É muito esquisito. 

— Pessoas não alcançam coisas, Laura. Não compramos carros que sonhamos, ou trabalhamos nas coisas que amamos, menos ainda nos casamos com o grande amor da vida. Casamos quando o namoro se alonga muito para permanecer como namoro, não porque estamos tão apaixonados. 

 

Era algo bem pessoal, Laura olhou para ela. 

 

— Por isso você se mudou? 

— Eu não quero me casar. Só por ser o próximo passo do meu namoro. 

— Ele te pediu? 

— Não chegou a pedir, eu vi o anel, mudei antes. É só que... Olha a Thai. Casou-se com a Julia, está viajando para todos os lugares que ela sonhou, trabalhando com o que ela ama... Laura, eu quero mais. 

— Você terminou ou só...? 

— Só. Eu não sei como terminar. Eu só quero mais coisas, porque é possível mais coisas. Escuta, eu sei que é esquisito, essas coisas que a Ívi está alcançando, mas vocês estão juntas, são lindas juntas, se gostam, se amam, se ela em três meses conseguiu todas essas coisas, imagina se casar com o amor da vida dela. 

 

Laura sabia que era assim. Tomou um chá com torradas antes de dormir, ouviu Renata agradecer mais uma vez pela estadia e quando ela entrou no banho, Laura entrou para o seu quarto. Banho solitário, as marcas de Ívi pelo seu corpo, seu corpo ainda pulsando pelo amor intenso de três dias. Foi para a cama, lingerie, suéter, fotos novas no celular. Sabia de tudo, do sonho, do alcance, de tudo o que estava acontecendo. Mas acabou chorando um tanto antes de dormir. 

 

Naquela manhã, Renata acordou no sofá da sala, e enquanto se despreguiçava seus olhos olharam para frente. 

 

Laura estava dormindo aos pés do piano. 

 

Notas do Capítulo:

 

Olá, meninas!

 

Tudo bem em vossas semanas?

 

Estou aqui ajustando a minha, pondo a agenda em ordem, correndo para terminar 6 AM porque aparentemente a minha mente sempre é invadida de ideias nas mudanças de ano. Deve haver mesmo algo de mágico entre as horas da virada de ano, me aconteceu o mesmo ano passado (quando nasceu 6 AM) e neste comecinho de ano já estou com várias ideias que quero pôr em prática, mas antes, preciso terminar este romance aqui e terminar de revisar Delirium, né, só recebo cobranças a respeito haha.

 

Capítulo para nos situar sobre onde Haíz foi parar e qual a nova rotina das nossas garotas, uma personagem pouco explorada voltando a cena e quero saber qual foi o feeling aí, Renata volta apenas com coisas positivas? E a nossa Laura, como a sentiram? Próximo capítulo, "A Parte Difícil", a ser postado na próxima quarta-feira, basta bater nossa meta tradicional de comentários!

 

Abraços! 

 

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