Angra - Capítulo 17: Kilauea




Angra foi se articular. Primeiro, tirar Saad de cima de Marcela, porque o desentendimento tinha sido grande e nem culpava Saad, sua vontade era parecida com a dela. A cobrança veio forte, aparentemente, era tendência na casa lhe cobrarem um posicionamento, não culpava ninguém, e menos ainda a cobrança de Saad, que de uma maneira esquisita, apenas lhe fez muito bem.


— Você é responsável por ela aqui dentro!

— Saad...

— A Frederíca não conta, não conta mais, você conta! Se eu pego alguém falando da minha mulher daquele jeito...


Angra abriu um sorriso. Ela estava alterada, tinha bebido, claro, mas estava em si, com uma claridade surpreendente.


— Acabou de dizer “minha mulher”?

— Disse. Erica é minha, aquela sujeita que procure outra, eu quero a minha esposa de volta e vou conseguir. Agora você, Angra Fernandes... — Ela estava bêbada, variando de uma coisa para outra, mas lúcida, muito lúcida — Frederíca sempre apostou mais em você do que nela... Para... Ser boa para a Sofía. Que é... Um amorzinho. Uma coisa linda para se guardar num potinho... Arruma o potinho. Você que tem que arrumar. Entendeu?


Angra sorriu.


— Entendi. Vou arrumar, está bem?


Saiu em busca do potinho. Reservou um restaurante legal, Pátio Havana, ficava de frente para a praia, a comida era ótima, servia vinhos muito bons, tinha música ao vivo, o tipo de coisa que Sofía gostava de dançar, e quando voltou para o quarto, Guilherme já estava de pé, dizendo que ia assistir UFC em algum lugar, não lhe fazia diferença.


— Você ainda está chateada comigo?

— Chateada comigo.


Estava mesmo, mas queria tentar amenizar, a chateação consigo mesma e o mal-estar de Sofía. Agradeceu às suas nornas e moiras que trabalharam para enviar metade da casa para outro lugar e foi cuidar do resto. Só queria um tempo com Sofía sem problemas, sem interferências, um tempo para poder falar com ela direito, para relaxar, tirar a tensão, apenas isso. Bem, Kalinka tinha ido lá tentar tirá-la do quarto, enfrentar o Kilauea, ela ainda podia dizer não, mas acabou cedendo, e perto das oito, já estavam na garagem, entrando no Giulia de Angra. Kalinka iria com elas, entrou no carro também e, Carolina se recusou a não ir. Segurou a porta do carro, impedindo Angra de entrar.


— Você está de implicância com a Sofía.

— É claro que não, Angra, que coisa, eu fui te alertar! Erica e a Saad vão ficar com as crianças, eu vou com vocês, eu adoro aquele restaurante...


Desconfiava que tinha mais alguma coisa que ela adorava naquela ideia. Foram juntas, Erica e Saadi ficaram de babás (e de romance, parecia que algo realmente estava inesperadamente reacendendo ali) e o outro grupo partiu para o bar de sempre e só de tudo ter dado certo...


Angra dirigiu sorrindo demais.


Com Carolina ao seu lado, porque Sofía fez questão de entrar no banco de trás com Kalinka, ela tinha descido, mas ainda estava desconfiada apenas como Sofía Gonzalez sabia ser. Desconfiada e linda demais, a asma de Angra quase voltou só de olhar para ela, de ver como ela estava bonita, Sofía entrou no banco de trás e Angra abriu um sorriso quando a encontrou pelo retrovisor. Mais mediterrânea impossível, vestido floral, de alças espaguete, branco gelo e com flores delicadas, decote em V bonito demais, com cruzados nas costas e comprimento irregular, mais comprido na frente e atrás, e mais curtinho nos lados, justo na cintura, ressaltando tudo o que Sofía tinha de bonito, que para Angra, se resumia a ela inteirinha. Os cabelos presos numa trança alta e solta, a maquiagem leve e ainda não acreditava que estava mesmo a levando para jantar.


E num restaurante maravilhoso.


Estacionou e Angra liberou todas as portas, menos a de Sofía.


— Angra?

— Espera, bebê — Todas desceram do carro, incluindo Angra.

— Angra!


Ela deu a volta e finalmente, liberou a porta de Sofía.


— Aqui, meu amor — Liberou e gentilmente, abriu a porta para ela, estendendo a mão para ajudá-la a descer, deixando Sofía...


Derretida. Inclusive, suspirou, não se orgulhava, mas que Angra era charmosa, era e seguia fazendo seu coração bater mais forte mesmo cinco anos depois.


Tinham se passado cinco anos. Tinham um bebê. Ainda nem acreditava em tudo direito.


Pegou a mão de Angra e ela estava linda demais. De calça jeans e camisa cinza, mangas dobradas, parte para dentro da calça, parte para fora, os botões abertos até a entrada dos seios, sapatilhas masculinas, pulseiras femininas, relógio dourado, cabelos soltos, desgrenhados, jogados de lado e, ela lhe beijando a mão, com aquele sorriso lindo no rosto, uma estrela do rock, adorava que ela fosse tão feminina, e então, que tivesse aquela energia mais masculina, adorava, tinha uma queda de andares.


— Você é uma filha da mãe, sabia?


Angra a puxou para si, passando o braço pela cintura dela, a grudando contra o seu corpo, deixando seu perfume cumprir seu papel no mundo que era...


Fazer Sofía enterrar o rosto em sua camisa para lhe cheirar.


— A gente vai jantar e vai dançar também, está bem? — E puxou Sofía pela nuca e a beijou, rapidinho, ali na frente do restaurante mesmo — Desculpa, amor, me desculpa por essa tarde toda...

— Me explica, como elas só foram flagradas por mim até agora? — Carolina não acreditou na cena, fazendo Kalinka rir demais.

— Olha, algo protege, porque quando elas estão juntas, é sempre assim.


Sofía a abraçou mais uma vez, sentindo o perfume dela novamente, sabia bem como as camisas de Angra sempre acabavam manchando de batom. Angra beijou a testa dela em seguida e a pegou pela mão, vindo encontrar Carolina e Kalinka na entrada. Mesa devidamente reservada, com vista para o mar, não muito longe do palco, pediram as entradas, cesta de pães, queijos, um vinho para abrir o apetite e o menu estava recheado de coisas que Sofia adorava, pastas, frutos do mar, conseguia ver a mão de Angra em cada pequeno detalhe pensado. Ela não fazia nada sem pensar, ainda que de última hora, e a grande verdade é que Sofía não acreditava que chegaria um dia, em que iria querer recusar a presença dela, de jeito nenhum, menos ainda da forma que ela naturalmente era.


— Tem paella, tem lagosta, meu amor, eu adoro a lagosta daqui... — Angra dizia, muito perto de Sofía, com o braço passado pelo encosto da cadeira dela, a mantendo juntinho assim enquanto a mão de Sofía estava na coxa dela, a perna cruzando, as fendas que surgiam, deixando a coxa à mostra naquele movimento e, Carolina vendo tudo aquilo, sentada ali do outro lado da mesa totalmente incrédula.

— Sofía, eu realmente não conheço essa pessoa que você namora, essa versão Angra Gonzalez, carinhosa, atenciosa, nunca vi na minha vida em namoro nenhum... — Comentou, fazendo Angra rir demais.

— Conta pra ela que eu nunca fui assim, Carol, Sofía não acredita quando eu digo...


Era verdade, Sofía havia passado maior tempo para cair na dela, por achar que Angra estava escondendo o jogo, que era uma sedutora profissional, mas o instinto é uma inteligência de grau primitivo, sabia bem.


— Para começar, eu passei o maior tempo sem acreditar que eu era a primeira garota dela, porque a meu ver, ela parece tão serial-garota quanto a Frederíca...

— É tão Casanova quanto! — Kalinka tomou um gole de seu vinho. Era contra as cervejas, mas adorava um bom vinho.

— Kalinka, é assim que você me ajuda, fada? — Angra tomou um gole de sua taça também, sorrindo demais. A mão na coxa de Sofía, o cheiro dela tão pertinho, tão bom.

— Espera, é Casanova, mas com uma enorme diferença: Frederíca tem um olhar amplo, você só tem olhar para uma menina aí, usa todo o charme do mundo contra ela, eu fico com dó da Sofía, ela não sabe nem por onde começar a resistir...


Sofía apenas sorriu, bebericando seu vinho, porque era a mais pura verdade.


— Eu só espero que ela se mantenha assim, só mais um pouquinho, pode ser, meu amor? — Sofía apenas sorriu, olhando para baixo e os olhos de Angra nela, sorriso aberto — Um pouquinho mais?

— Tá...

— Vai ficar sem me afastar?


Sofía sorriu, seguindo olhando para baixo, detestava que ela lhe tivesse tanto, detestava, que ódio ficava e que amor ficava, assim, tudo isso junto.


— Um pouco só...


Angra a viu derretendo um pouquinho mais.


— Tipo, o tempo do nosso jantar, pode ser?

— Uma hora.

— Pronto, uma hora parece ótimo — Angra lhe beijou o pescoço com carinho, sorrindo, sentindo a mão dela lhe apertando a camisa, bem como tinha que ser. Chamou o garçom depois do carinho — Então, paella para vocês duas? — Perguntou para Kalinka e Carolina.

— Paella, isso.

— Então uma paella, esse peixinho aqui também e, lagosta para a minha linda, pronto.


O garçom sorriu.


— Somente?

— E mais uma garrafa deste vinho aqui, por favor — Fechou o menu e Carolina não parava de olhá-la.

— E foi assim desde o começo? Este tipo de apego aí que desaprende até a chamar pelo nome?

— Conta a história de Paris! — Kalinka pediu, rindo demais.

— Que história? — Sofía perguntou sorrindo, mordiscando as torradinhas da entrada.

— Da situação que a Angra te deixou no táxi...

— Quer dizer que a senhorita estava sozinha em Paris coisa nenhuma, Angra Fernandes?!

— Carol, você é muito inocente, viu...

— Estou notando que sou, nunca pensei...


Se serviram mais algumas taças de vinho e Sofía já estava relaxada o suficiente para deitar-se no braço de Angra e contar sobre Paris.


— Então, primeiro que sua amiga aqui me fez sair da Colômbia, para buscá-la em Brasília, para então a gente ir para Paris e chegando lá, coincidentemente, nós entramos no táxi de um brasileiro.

— E não qualquer brasileiro, um goiano, vaqueiro, que já tinha morado no Texas e de alguma maneira, foi parar em Paris — Angra buscou as torradinhas também.

— Eu cheguei enjoada e morrendo de dor de cabeça, e Angra conversando horrores com o taxista, faladeira, vocês sabem, ouvindo toda a trajetória dele, e então que ele começou a falar da noiva. Sobre o quanto a mulher era difícil, que tinha levado maior tempo para se entenderem, e aí que sua amiga pede para parar numa farmácia e enquanto ele está parando, solta assim: “Difícil? É que você não sabe o que eu tive que passar pra essa mulher aqui falar comigo direito. Me fez penar seis meses inteiros...”. E disse assim, na maior tranquilidade antes de me olhar e da maneira mais tranquila ainda me perguntar: “É só remédio para dor de cabeça, meu amor?”. E saiu do carro, me deixando sozinha com o taxista caubói, que olha pra ela, olha pra mim e começa a me fazer as perguntas mais indiscretas que você possa imaginar. E eu achando que o homem podia ser homofóbico, podia ser um surtado, sei lá, mas no final das contas, ele só queria entender mesmo como é que eu tinha passado seis meses sem dar bola para um mulherão desses...

— E você explicou a parte complexa?

— Como, Carol? Não tinha como, ele ficou lá, apaixonado por ela e me achando maluca...


Mais vinho, mais risadas e se tinha uma coisa que Angra não podia deixar de notar, era o quanto Carolina ficava relaxada ao lado de Kalinka.


Um resvalar de dedos, olhares cruzados, carinhos discretos, andava percebendo tudo isso também. Agora elas estavam na mesa, falando baixinho, se olhando nos olhos a uma distância de centímetros. Sabia que Carolina estava vendo a degradação da cor no olho de Kalinka, e Kalinka... Olhar reto, dócil, ela não escapava do contato visual e cada vez que elas se olhavam assim, uma bolha de tensão surgia.


Tensão, tesão. Angra conhecia esse efeito muito bem. O pensamento do outro é campo que ninguém pisa, mas duvidava que Carol já tivesse alguma vez cogitado uma mulher, ainda que sexualmente, como Luria. Não sabia bem a situação, mas estava feliz de ver sua amiga, ao menos, olhando para coisas diferentes dos muros do seu relacionamento.


— Quando a gente conseguir perceber que a pior coisa que pode acontecer num casamento não é uma traição, a mentalidade humana vai mudar — Era Sofía, porque Kalinka tinha perguntado da sua separação — Isso é como um selo de autorização para todas as outras coisas acontecerem: desrespeito, intolerância, abandono na relação — Olhou para Angra rapidamente — Eu errei, Frederíca errou muito no que toca traição, mas nunca nos abandonamos, nos desentendíamos e então, nos entendíamos, os momentos juntas eram bons, eram divertidos em sua maioria. Sempre nos desencontramos no que toca o social e foi assim desde o começo. Ela é socialmente mais ativa do que eu e os desentendimentos vinham daí. O pior do casamento não foram as traições, e sim, os momentos que ela perdeu a paciência comigo e eu com ela, por outras coisas. O pior foi a demora em reconhecer que éramos muito diferentes, e que isso é claro, era complementar, mas também era tortuoso. A gente não deve querer que ninguém mude nada pela gente. Mas eu esperei, ela esperou, que a gente ficasse mais parecida uma com a outra, isso foi pior que as traições.


Kalinka beijou a mão dela delicadamente.


— E como ela reagiu para assinar?

— Tranquila, ela não retrucou, não resistiu, foi bem diferente das últimas vezes. Ela está com medo, eu também estou, mas fomos em frente de qualquer maneira.

— Sofía, ela nunca desconfiou de nada? — Carolina perguntou.

— Eu tenho uma opinião da qual Angra discorda. Mas acho que os dois sabem, tanto o Guilherme, como a Frederíca. Nós estávamos em casamentos não românticos, que se fundamentam em bases diferentes, são os negócios, as comodidades, a amizade, Angra tem a Estela, que é apaixonada pelo pai, e Frederíca e eu temos a nossa parceria de vida, nós sempre fizemos tudo juntas desde quando nos esbarramos pela primeira vez. Temos todas essas bases, mas não temos relações românticas. Frederíca se valeu mais de uma vez da Angra para fazer algo que ela queria sozinha. Seja ir pra Espanha, como foi quando a Estela nasceu, ou ir para o Rock in Rio com aquele grupo de amigas perigosas que ela tem...


— Ela mandou a Sofía pra mim, tipo, diretamente — Angra contou — Ela me ligou e perguntou se eu não queria fazer companhia pra Sofía por uma semana.

— Elas se valem uma da outra, como você acha que eu vim parar aqui, Carol? — Sofía tomou outro gole do seu vinho.

— Eu falei com a Frederíca... — Angra confessou sorrindo.

— Você a colocou direto no grupo! Em que a gente estava decidindo que casa pegar... — Carolina lembrou.

— Coloquei, a Sofía não queria falar comigo e eu sei que a Frederíca adora o Rio, daí que... Tudo resolvido.


Pediram sobremesa, algo que Sofía gostava também, Angra e Carolina decidiram ir até o bar, pedir um drinque específico enquanto Kalinka ficou fazendo companhia para Sofía na mesa. E Kalinka, sempre bonita, sempre estilosa, de minissaia, camiseta, tênis nos pés, atraente... Para héteros, gays, cis, não cis, era atraente para qualquer tipo de olhos.


— Você está atraída, não está? — Angra perguntou enquanto esperavam o drinque.

— Eu estou pensando em algumas coisas sim. Olha essa mulher, Angra, caramba! Bonita, estilosa deste jeito, cheia de consciências sociais, que já morou no mundo e, dirige a 300 quilômetros por hora sem medo nenhum e com muita responsabilidade. E, ela diz claramente que quer me beijar, que me acha atraente, me elogiou hoje assim que me viu. Ela conversa comigo, me ouve enquanto eu falo, essas coisas simples que... Se perdem de repente. Eu não sei qual foi a última vez que fui elogiada, ou ouvida. Ou que... Beijei, sabe? Beijo com vontade?

— Carol, você passou o dia inteiro de ontem aos agarrões...

— E eu odeio que me agarrem — Ela respondeu sorrindo — Eu queria... Outra coisa. Queria... Recostar no braço dele enquanto ele pede o meu jantar, porque sabe o que gosto de comer, e o vinho que vai me agradar — Disse e fez Angra sorrir — O pior de toda essa história é que você é para a Sofía melhor namorada do que nunca foi para o Guilherme, e melhor que todos os namorados que eu já tive.


Angra sorriu, deixando um beijo na testa dela.


— A gente casa errado. Porque não acredita que este tipo de coisa realmente existe. E sabe do que mais? Pega os drinques, vai se sentar com a Kalinka, conversar um pouco, conhecer ela um tanto mais, eu vou falar com a cantora ali no palco...

— Ah, você vai, Casanova?

— Vou pedir uma música especial para dançar com a Sofía. Los Besos, de uma cantora colombiana que ela ama, vou pedir pra tocar em bachata... — Disse, enquanto escrevia num guardanapo de papel e Carolina não parava de... Se surpreender.

— Você não sabe dançar.

— Então, mas ela gosta e ficava dançando com outras e outros porque eu não sabia. Daí pedi para ela me ensinar e hoje eu sei com ela.


Carolina respirou fundo.


— Olha, eu realmente disse a coisa errada. Não tem sentido, Angra. Você ter tudo isso e querer seguir com o Guilherme.

— Eu não quero e não vou. Eu vou resolver tudo assim que voltar pra casa.

— Está decidida?

— Decidida. Você me ajuda?


Carolina a abraçou.


— Desculpa ter te feito duvidar por tanto tempo. Vai lá, pedir a música para dançar com a sua garota.


Angra abriu um sorriso enorme e a abraçou muito forte novamente, como era bom ouvir aquilo! Como Carolina era importante, como fazia diferença. Pegou seu bilhete, foi até o palco, onde uma autêntica cantora latina estava cantando salsas, mambos e reggaetons, cantava bachata? Cantava e conhecia a música escolhida. Era especial, porque quando Angra encontrou Sofía sozinha na piscina na primeira noite na casa, era o que ela estava ouvindo. Esperou que ela lembrasse, que ela soubesse que Angra tinha guardado essa informação e que... Ainda era a mesma. Se abaixou à frente dela antes de tirá-la para dançar e com os braços agarrados na cintura dela, lhe disse isso.


— Eu ainda sou a mesma. Enfraquecida, mais medrosa, com mais erros. Mas ainda sou a mesma que você conheceu.


Sofía se curvou sobre ela e a abraçou inteira, do jeito que conseguia, a cheirando, deitando um beijo na nuca dela.


— Eu sei, meu amor. Se eu estou aqui ainda, é porque eu sei.

— Dança comigo?

— A música que você me pegou ouvindo no nosso primeiro dia aqui? Danço sim.


Angra a beijou sorrindo e a levou para a pista de dança, para dançar aquela música levinha, quase boba, com sua Sofía agarrada em seu pescoço, lhe cantando a letra que dizia:


Yo lo que siento… Es que cuando estamos juntos está a favor el universo… Todo es tan perfecto… Esto no lleva poco tiempo, esto lleva rato, disfruto tus besos… Qué placer es verte a diario, presente en mi calendario…


E Angra abriu um sorriso, a olhando de pertinho, naquela distância que apenas amantes conseguem se olhar, não amantes de extraconjugal, amantes de quem ama, de quem é apaixonado, Sofía linda demais, os olhos de Angra degradando a cor.


Es que me gusta tu cuerpo cuando con gana' en la boca me miras…


Y es que me encantan los besos con que me levantas todos los días…


Y es que soy fan de tu cuerpo cuando con gana' en la boca me miras…


Y es que me encantan los besos con que me levantas todos los días…


E Sofía dançava suave, dançava bonito, o jeito que a cintura se movia, que Angra adorava sentir, o sorriso presente, na boca e nos olhos das duas, a autoconfiança que brotava em Angra quando elas dançavam, que ela nunca sabia direito de onde vinha, e dos sorrisos vinha os risos, porque Angra sempre seria um tantinho atrapalhada, mas não havia quem notasse. Ela segurava tudo na expressão, nos movimentos, naquele sorriso lindo pelo qual Sofía era toda apaixonada...


— Ouve essa parte, tão a gente: y es que solo me fijé en ti desde que te vi… Quiero viajar contigo hasta París…


Angra beijou o pescoço dela, sorrindo. Ela estava sorrindo livremente agora, Sofía estava feliz e só de saber disso, o coração de Angra já enchia. Es que no existe pasaporte para quererte…Y esos besos que me das yo quiero devolverte… Não queria e não iria devolver. Seguiu dançando com a sua Sofía, e Carolina recebeu uma determinada mensagem que respondeu meio no automático, recebeu os drinques e voltou para a mesa com Kalinka, para conversar com ela um pouco mais, para rirem juntas de qualquer história boba porque ela tinha muitas e Carolina tinha as suas também. Não sabia bem quanto tempo tinham levado, mas achava que Angra e Sofía estavam dançando a terceira música, quando de repente, viu um determinado grupo chegando.


Guilherme, Felipe, Eduardo, Marcela, Luria e Frederíca.


E vieram direto para a mesa delas.


— Acredita que ficou sem sinal lá? Desistimos de ver a luta, por isso perguntei onde vocês estavam...


E Carolina tinha dito, meio sem se dar conta. E Angra ficou tão frustrada quando percebeu, que Sofía pôde notar na respiração dela.


— Deve ter acontecido alguma coisa — Sofía tentou cuidar daquele balde de decepção que caiu sobre ela.

— A noite estava muito boa de fato...


Basta... Basta... A palavra seguia pulsando.


Não tinham sequer jantado. O grupo invasor. Pediram para juntar as mesas, fizeram pedidos, estavam animados como sempre, imediatamente, Guilherme puxou Angra para o seu lado e como tudo sempre podia piorar, Frederíca parecia decidida a se desculpar pela tarde. Brigou para ocupar o lugar de Angra ao lado de Sofía, puxando assuntos, contando das diversas viagens que já haviam feito juntas e quando ela falou que talvez se encontrassem na Europa em um mês, Angra precisou de uma cerveja. Belga. Forte. Queria não ser ciumenta, sequer se sentia no direito de ser ciumenta, mas era, o ciúme doía e a inércia de Sofía em reagir lhe irritava de verdade.


O jantar do grupo chegou, as conversas seguiram e deve ter bastado duas taças de vinho e Frederíca se voltou para Luria outra vez.


— Ela está no automático — Sofía sussurrou para Kalinka.

— Como assim?

— Essa moça, está se tornando uma coisa que a Frederíca faz no instinto. Vou dar um tempo, olha a Angra, ela está bebendo muita coisa e rápido demais.

— Ela ficou puta, frustrada.

— Eu sei. Mas ser bomba-relógio aqui não é uma boa ideia. Vou andar um pouco, já volto.


E tudo não deve ter levado mais de 10 minutos para acontecer.


Sofía saiu da mesa, foi dar uma volta pelo restaurante, pegar um vento lá fora, sentou-se, anotou alguma coisa no celular e Kalinka sequer percebeu, mas Frederíca evaporou da mesa muito de repente. Deixou metade do prato que estava jantando e simplesmente se perdeu, desconfiou que ela estava na pista de dança e, Angra levantou.


— Angra... — Kalinka a segurou.

— Eu só vou ao banheiro, não vou seguir a Sofía não... — E disse isso alto o suficiente para se perceber que ela realmente estava passando do ponto. Kalinka agarrou o punho dela e levantou, Angra não podia ficar sozinha.

— Tudo bem, por que a gente não pega uma água, pede aqueles salgados de queijo que vimos?

— Você pede pra mim? Eu vou ao banheiro mesmo, Kali, preciso, essa cerveja belga...

— Eu sei. Deixa que eu peço, vou direto no balcão para ser mais rápido.


Porque o restaurante, de repente, tinha lotado. Kalinka foi até o balcão, Angra foi até o banheiro e Sofía voltou para dentro e sentou-se no bar. Respirando fundo, os olhos tentando imparcialidade, o batom vermelho perfeito, o corpo todo tonificado, uma mulher atraente, sim, claro. Pediu um drinque, cruzou as pernas, o vestido mostrou suas fendas sensualmente, e enquanto esperava, alguém se sentou ao seu lado.


Um homem, perguntando se ela não lembrava dele, olhou para ele, não, não lembrava e ele insistiu que tinham se visto, no ancoradouro outro dia, disse que Sofía olhou para ele, que trocaram olhares e Sofía tinha a mais plena certeza de que ele estava louco. Tentou desconversar, colocar atenção no celular, o dispensar com educação, mas quando ele começou a avançar com as mãos, ficou indignada.


Levantou-se da banqueta, pedindo novamente que ele se afastasse, que não a tocasse e o homem começou a retrucar, a insistir e foi esta cena que Angra viu quando saiu do banheiro.


Sofía estava tendo problemas com um estranho, enquanto ninguém estava notando.


Chegou lá em três passadas. Empurrou a mão dele, entrou na frente de Sofía.


— Tira a mão dela — E imediatamente colocou Sofía para suas costas, afastando aquela mão insistente que estava tentando a pegar pelo pulso mais uma vez.

— Ei, calma! Mais uma mulher nervosa? Não é possível que a minha noite vai terminar assim!

— Angra... — Sofía a puxou para trás, ela sequer se moveu.

— Você ainda não me viu nervosa.

— O que é, hein? Nenhuma das duas gosta de homem, é isso?

— E tem mulher que gosta de você? Eu ficaria muito surpresa se tivesse...


E foi o estopim para uma confusão enorme se formar. O cara ficou muito nervoso, começou a se exaltar, a xingar, gritar, a vir para cima de Angra, que quando queria, era uma verdadeira máquina de ofender e debochar. Sofía a abraçou e a tirou do meio, tentando falar com ela, fazê-la sair, mas ela também não estava colaborando.


— Ele colocou a mão em você! Na sua perna que eu vi!

— Vem com um vestido desses e não quer que ninguém ache bonito, é isso?!

— Ela não está em exposição não, seu babaca! Quem tem que achar bonito, já achou, ela não vestiu pra você, imbecil!


E finalmente, Felipe e Guilherme se apresentaram durante a confusão, percebendo, enfim, o que estava acontecendo e chamando a segurança, o que deixou Angra especialmente mais irritada.


— A síndrome do herói ou do príncipe encantado não vive em nenhum de vocês dois, não é? — Ela disse, quando finalmente o homem foi convidado a se retirar pelos seguranças.

— Angra, era só chamar a segurança! — Guilherme também estava nervoso.

— Ele colocou a mão nela, você acha que eu queria mesmo só chamar a segurança? Ele merecia um soco na cara!

— Para este tipo de selvageria, não conte comigo não! — Era Felipe.

— E colocar a mão numa mulher que está com vocês está tudo certo? É isso mesmo?

— Eu achei que ela estava flertando! Frederíca disse que elas se separaram...

— E por que não, não é? Separa e vem flertar com um troglodita no bar, pelo amor de Deus vocês dois!

— Angra, calma! Está tudo bem, tudo certo, fica calma — Sofía pediu, sabendo que ela estava furiosa — Eu ia acabar resolvendo sozinha.

— Você não tem que resolver nada sozinha!

— O que aconteceu aqui? — De repente, Frederíca apareceu tão subitamente quanto tinha desaparecido.

— Você teria dado na cara daquele idiota, que ódio que isso aconteceu!

— Eu devia dar na cara de quem? Por quê?

— Do idiota que estava assediando a Sofía enquanto esses dois aqui apenas assistiam!

— Angra, você quer parar? Não aconteceu nada demais, você bebeu além da conta! Para, está feio, você está me envergonhando! — Guilherme agora estava irritado.

— E todas as vergonhas que você já me fez passar? Eu desconto onde?

— Desconta em todas essas que você está me fazendo passar nessa viagem! O que tem de errado com você? Você é uma mãe de família, tem que dar exemplo, não pode sair por aí bebendo desse jeito!

— E você pode? Sair bebendo como tem feito todos os dias?

— Eu sou homem, caramba! Estou fazendo minhas coisas, como todos os caras aqui, estou de férias, eu mereço!

— E eu não? Ah, espera, lembrei, se divertir é coisa de homem, coisa de mulher é ser exemplo de perfeição, claro, caramba, tinha esquecido disso!

— Para de ser irônica, eu detesto quando você começa a agir assim! Vamos pra casa, já chega, já deu essa noite aqui!

— Ah, mas eu quero ver demais quem vai me tirar daqui!


Kalinka retornou, com uma garrafa de água, sem entender uma vírgula do que tinha acontecido, do que estava acontecendo, enquanto Frederíca não parava de pressionar Sofía pelo ocorrido, e Angra e Guilherme não paravam de gritar um com o outro. Angra tinha que ir embora, e Sofía...


Não acreditava que nada daquilo estava acontecendo.


Basta. A palavra brilhava e estava correndo pelas veias de Kilauea, que não escorria em lava há algum tempo.


— Você paga o que pegamos? — Sofía perguntou para Kalinka.

— Pago, mas é que...


Sofía pegou Angra pela mão e a tirou da frente de Guilherme.


— Ei, ei! O que você acha que está fazendo? — Guilherme reagiu.

— Ela tem que ir pra casa.

— Tem, mas eu a levo!

— E pretende fazer como? A pegando pelo cabelo e a arrastando pra casa?

— Se for preciso, eu faço! Eu já estou cheio de você, sabia?!


Sofía avançou um passo na direção dele.


— E eu de você, empatamos.


E ele a olhou bem nos olhos, claramente furioso.


— Quem você pensa que é?


A lava correndo pelas veias.


— Aquela que vai levar Angra pra casa. Mais alguma questão?

— Sofía... — Angra tentou dizer alguma coisa.

— Pra casa, Angra — E então, Sofía se voltou para Guilherme novamente, se acalmando internamente — Guilherme, dá um tempo aqui, se acalma, vocês conversam amanhã de manhã.


Angra não relutou. Guilherme também não e quando Sofía já estava saindo em direção ao carro, Frederíca impediu.


— Que cena toda é essa, Sofía?


Kilauea entrou em erupção.


— Frederíca, você não quer perguntar de cena nenhuma pra mim, ah, você não quer mesmo!

— Você está me desrespeitando!

— Estou chegando à conclusão que só é desrespeito quando alguém vê! Tem mais alguma coisa sobre respeito que você quer falar? Vamos, porque eu estou com pressa, o que mais tem para dizer sobre isso?


Ela apenas se calou. E Sofía seguiu em frente, até o Giulia, que sequer sabia direito como desativava o alarme que tinha acionado sem querer.


— Sofía, espera!

— Você não diz nada, Angra, não diz uma palavra! — Parou o alarme, abriu as portas — Só entra neste carro.


Ela espalmou as mãos no alto, não iria dizer nada, coisa nenhuma. Entrou no carro, do lado do passageiro, Sofía entrou na direção e o coração de Angra quase parou no peito quando Sofía ligou o carro e ele foi abruptamente pra frente, com ela pisando forte no freio em seguida.


— Não diz nada.


Não disse. E ela conseguiu manobrar pra fora da vaga e bem lentamente, dirigiu pra casa, acelerando um pouco mais, beliscando a pista errada, pisando no freio muito rapidamente, Sofía não costumava dirigir, menos ainda um carro feroz como o Giulia. E, estava magoada demais.


Estacionou praticamente de atravessado na garagem e desceu do carro, deixando Angra para trás.


— Sofía, quer esperar? — Ela tinha passado feito uma flecha para as escadas, Erica e Saadi notaram, obviamente.

— Angra, tudo bem?

— É café? — Angra perguntou, Erica estava com uma caneca na mão.

— Café preto, sim.


Andou até ela e pegou a xícara antes de subir, deixando as duas sem entender coisa nenhuma.


— Marcela está certa.

— É a Sofía, Saadi, a Sofía!

— Coisas acontecem quando as pessoas se apaixonam. Eu até subi um morro, acredita? Atrás de uma garota que virou a minha cabeça... — Brincou, fazendo Erica sorrir e lhe beijar carinhosamente...

— E eu acho até que vou voltar para dentro de um casamento, acredita?


Mais risadas, mais beijos, tudo ia bem ali, mas Sofía estava em erupção, tanto que estava toda vermelha, a ponto de poder ser visto pelo seu bronzeado. Angra a seguiu até o quarto, tomou o café todo pelo caminho, precisava ajustar sua mente de alguma forma. Chegou na entrada do quarto e Sofía estava tirando os sapatos no aparador da cama. E então, que Angra mal a olhou, Sofía levantou-se e, fechou a porta na sua cara.


— Sofía! Eu não acredito que você me tirou de lá para não conversar comigo! O que eu fiz?

— Uma cena! Precisava fazer uma cena daquele tamanho?

— Aquele babaca tocou em você! Eu vi que ele... Sofía, o que você acha que eu senti quando vi aquilo?!

— Era só chamar a segurança mesmo, isso teria me evitado de assistir aquela cena do Guilherme com você e, ele tem toda razão! De estar furioso, de fazer uma cena, ele sim tem toda razão. Isso é um erro, nós duas cometemos um erro enorme... — E a voz dela quebrou e isso acabava com Angra de uma maneira...


Respirou fundo, recostando a testa contra a porta. Estava zonza, com a cabeça cheia, com o peito tão cheio de coisas que... Nem sabia como respirava ainda.


Basta. Tinha que bastar.


— Você quer ir embora de mim.

— Eu não consigo ir embora de você — Sofía disse, se recostando na porta do lado de dentro, descalça — Eu não consigo... Discutir olhando para você. Desistir olhando para você.

— Sofía, você não tem que desistir de mim, que coisa! Não tem, está bem? Eu sei que não tenho mais a sua confiança e nem estou contando com ela mais, eu vou te mostrar as coisas, mas se você estiver longe...

— Angra, eu não estou indo para sempre, eu só preciso... Me colocar em ordem, descobrir o que eu vou fazer, onde eu vou morar, que rumo vou dar no meu negócio...

— Como onde vai morar? Sofía, você vai morar comigo! A gente já discutiu esta parte...

— Olha, Angra, vamos só... Deixar as coisas acontecerem. Você sempre me disse que não sabia como, mas que tinha certeza de que a gente ia acabar ficando, ainda lá em Abrolhos, quando tudo parecia impossível, e olha, a gente ficou. A gente durou. Olha a história que a gente construiu até aqui. Então, só deixa as coisas acontecerem, se for para ser, em algum momento, independentemente de onde eu esteja, tudo vai acontecer...

— Eu não fazia ideia de que era tão horrível ouvir essa resposta tão vaga. Você está desistindo da gente, parou de planejar, Sofía! — E a voz de Angra quebrou também, ela estava chorando, Sofía sabia.

— Angra, escuta, só... — Sofía respirou fundo, com o coração cortado em vários pedaços, pela sua noite, pelas suas férias, pela sua resolução com Angra, com ela sentindo tanto do outro lado da porta. Sabia que não tinha outra saída — Vai para o banho. Você precisa de um banho, de um café forte, ou vai acordar com dor de cabeça amanhã. Você bebeu muito, a gente não tem que falar de nada disso mais, menos ainda agora. Eu... Amei a noite. Amei até onde ela foi nossa. Amei que reservou um restaurante, que ficou linda pra mim, que conversamos com as meninas, que me tirou para dançar com uma música especial. Eu amo ficar com você assim.


Outra lágrima de Angra.


— Então abre a porta, deixa eu te olhar. Amou, mas você está triste comigo.


Sofía respirou muito fundo. Estava a punindo por ter agido como sua namorada, uma namorada preocupada, que nunca admitiria ninguém colocar a mão na mulher que ama e protege. Respirou fundo, jogou a cabeça para trás, pensando em tudo.


Abriu a porta.


E o coração de Angra simplesmente disparou.


Linda... Está triste comigo mesmo?


Sofía olhou naquele olho degradê e, a puxou pela camisa, afundando o rosto no peito dela, sentindo o perfume Jimmy Choo profundamente só mais uma vez.


— Estou, mas tem cura — E Sofía enroscou os braços pelo pescoço dela e, a beijou.


Longamente, tão cheia de apego, de amor, já com o peito cheio da falta que sabia que sentiria dela, da falta que sonhar com um futuro com Angra lhe faria. Era como cortar um pedaço do seu coração e deixar para trás, cortar um pedaço dos seus sonhos e abandonar. Não sabia como seria passar tantos meses longe dela, mas sabia que precisava tentar, precisava aceitar e, havia aceitado. Devia ser pelo ciclo que se fechava, aquele que havia aberto em seu aniversário há cinco anos e que agora parecia retornar ao seu estado inicial. Cinco é o número das sensações e dos sentidos, é o número que representa a liberdade e o espírito de aventura, é aquele que ousa mudar, que traz versatilidade e a busca pelo desejo de liberdade, além da coragem para zarpar para novas oportunidades. Não achava que tivessem chegado até este limite à toa.


Dificilmente, as coisas acontecem aleatoriamente. Sempre houve algo sobre Angra.


E Frederíca deveria ter visto desde o começo.


Parou na entrada do corredor e seu coração subiu até sua garganta, lhe sufocando em batimentos tão acelerados que sequer sabia como havia conseguido dizer algo.


Não sabia se havia dito. Mas quando Sofía olhou para a entrada do corredor, a viu a ponto de desmaiar.


— Frederíca?


E o coração entalado na garganta, de repente, desceu e se desfez dentro do peito dela.

Notas:


Olá, menin@s! Tudo bem?


Chegamos ao capítulo 17 e a minha sensação é que foram muito mais que 16 capítulos anteriores para chegarmos no clímax que acabamos de ler.


A descoberta da relação entre Angra e Sofía, sem margem para dúvidas ou para meias palavras, Frederíca viu o que viu e não há para onde escapar e a grande questão que nos aguarda para o próximo capítulo é: qual será a reação? Como Frederíca irá encarar essa realidade? Qual será o comportamento? O que ela fará com essa informação?


Chegamos no desfecho que Sofía não queria, mas que agora, terá que encarar.


Próximo capítulo, "Quartevois", expressão francesa para ponto de virada, estão pront@s?


E para o capítulo 18, teremos que ter pelo menos 45 comentários de leitoras diferentes no capítulo 17 de Angra. Ou seja, 45 comentários no capítulo 16 e 45 comentários no capítulo 17, assim o capítulo 18 será liberado na terça, dia 19/01, ou, se vcs baterem 80 avaliações na Amazon, com a segunda edição de Havana, então postaremos o capítulo 18 no domingo.


O que acham?


Beijos e até mais.

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