Angra - Capítulo 10: Mindfulness





“Meu coração e meu corpo vibram na mesma proporção, eu respiro fundo, prometi não descontrolar feito uma adolescente, mas só de olhar pra ela... Meu coração estava uma bagunça e só de olhar pra ela na porta, tudo passa. O medo, a mágoa, a dor de ficar longe, tudo passou, como um outro trem deixando a estação. Angra entra, me abraça, me beija, a nossa coisa volta, o nosso apego, o nosso arrepio e nada mais faz sentido. Nada mais precisa fazer sentido, o sentido é apenas nós duas...”.


Angra a levou para dentro, levou para a cama, a beijando sem parar, colocou Sofía sentada e, se ajoelhou diante dela. Lhe tocando na cintura, beijando delicadamente a entrada das suas coxas enquanto os dedos de Sofía encontraram o meio daqueles cabelos... Macios, delicados, com um cheiro gostoso que...


— Angra...

— Eu quero fazer amor...


Sofía suspirou fundo demais. Não duvidava que ela queria.


Se beijaram novamente, intensamente, esquentando tudo de uma vez, as mãos de Angra pelo corpo de Sofía, as de Sofía correndo por ela, os dedos ávidos abrindo os botões daquela camisa branca que tinha a deixado tão louca mais cedo... Abriu tudo, tirou, Angra tirou a sua camiseta e os dedos agarraram o cós do seu shortinho de algodão, o tirando do seu corpo muito, mas muito devagar...


Linda... — Ela seguia de joelhos, com o corpo entre as suas coxas, muito grudadas uma na outra e Angra lhe olhando nos olhos de um jeito que...


Eu quero você na minha boca.


Ela podia pedir de Sofía qualquer coisa que fosse.


Angra subiu e a levou para trás na cama, cheirosa demais, gostosa demais, beijando devagar, pegando a boca de Sofía, degustando cada coisa, suave e arrepiante... Aqueles olhos melados pegando os seus, fazendo Sofía suspirar, o mel mudando de cor, sempre mudava, o quarto estava o romance delas, meia-luz, pouca luz, apesar da enorme parede de vidro com vista para aquela cidade que Sofía não conhecia. E por isso, a cidade era Angra, o quarto também era, o romance tinha o nome dela e lá estava ela, entre as pernas de Sofía, sentindo o seu tesão e Sofía era...


Angra mordeu a boca respirando muito fundo. Queria Sofía. Queria descobrir como seria... Tocá-la. Não podia perdê-la antes de duas coisas e uma dessas coisas era acalmar aquela vontade que lhe fazia refém todas as noites antes de dormir...


Os dedos correram para abrir o sutiã, duplo, porque Sofía se divertia muito quando Angra se atrapalhava para abrir um simples colchete, tirou o sutiã rendado e então, abriu o abotoador do segundo, a pele quente de Angra contra a de Sofía, lhe fazendo arrepiar e os seios enrijecendo só de vê-la abaixando a boca pelo seu corpo, e...


Aquele toque. Da língua de Angra em seus seios, lhe colocando na boca, os lábios pegando tão suavemente e a sensação que aquilo causava também em Angra... Sequer conseguia explicar. Sofía em sua boca, os seios dela, tão macios, tão delicados e não via a hora de... Ter mais. Sentir mais. Olhou nos olhos dela novamente e tão delicada quanto era possível, fez o que não via hora de poder fazer: tirou aquela calcinha pelas pernas dela.


O coração de Sofía disparou, a respiração também, Angra buscando seus olhos, sempre buscando seus olhos, e suavemente, beijando seu abdômen, delicadamente, em cada centímetro de pele possível... Beijou e sentiu o tremor causado em Sofía, denotando a vontade que ela estava, eram a fantasia uma da outra e eram o apego uma da outra, um tipo raro de privilégio que as duas tinham plena consciência de possuir. Angra lhe agarrou o seio e lhe beijou a coxa, lhe tocando plenamente com os lábios, sentindo a pele dela com a língua, sempre a olhando nos olhos, sempre a pegando pela alma, a boca por uma coxa, pela outra e então, a língua correndo bem lentamente pela virilha de Sofía...


Que fechou os olhos, se agarrando nela, na mão dela, perdendo a respiração pelo peito, sentindo o coração fugindo, a pele arrepiando demais de tesão e foi quando Angra a olhou nos olhos novamente, mudou a posição dos braços, lhe prendendo, lhe segurando bem onde queria e com o coração mais do que acelerado, finalmente, tomou Sofía em sua boca.


Angra lhe tocou profundo e bem em cima do seu tesão, fazendo o corpo de Sofía estremecer, suas pernas tremularem, nada de se mover, nada de se perder, Sofía tentou achar sua respiração e, Angra deslizou por ela, a provando, a sentindo, o tesão estava no toque, estava no jeito que ela estava fazendo, Sofía sentia a intensidade, sentia a voracidade, moveu-se na cama outra vez, sentindo uma pontada forte de excitação porque Angra estava literalmente, gostosamente, deslizando a boca e a língua pela sua intimidade, como se Sofía fosse a coisa mais deliciosa possível de se ter na boca...


Estava absurdamente molhada, os lábios de Angra deslizavam, lhe provando em cada centímetro, numa pegada ampla, nada de ponta da língua, ela estava lhe pegando de língua inteira, num tesão que Sofía nem sabia, os gemidos ficando mais altos, a pélvis de Sofía se movendo para ela, por ela, que lambia, chupava, um resvalar de dentes causando pontadas de tesão que Sofía não sabia explicar, olhou para ela, apertando os dedos por aqueles cabelos e ainda não acreditando que Angra estava entre suas coxas, que tinha saído de sua fantasia recorrente e agora estava ali, estava em si, lhe pegando assim, lhe amando assim. E era distinto, porque a Angra de suas fantasias, ainda lá em Abrolhos já era uma coisa, mas a Angra real...


O instinto é uma inteligência de grau primitivo.


Os gemidos enchendo o quarto, gemidos de Sofía, de Angra que estava absolutamente louca com o que estava provando, com o que estava fazendo, o poder que estava sentindo, o gosto completamente diferente do que tanto já havia imaginado, a sensação, o prazer e... Cruzou aqueles olhos. E Sofía jurou que ela tinha lido a sua mente. Angra lhe penetrou com aqueles dedos longos, sem tirar nem um pouquinho de boca de si, lhe lambendo, mais intensa, delicada demais, entrando em Sofía, a encontrando molhada, quente, pulsando nela, por ela e Sofía... Se esfregou por Angra, sentindo aquele toque, aquela boca lhe devorando e os gemidos foram ficando mais altos, mais densos, Sofía tinha plena e absoluta consciência de que já havia gemido muito com Angra em Alto Paraíso, mas ela havia acabado de encontrar um gemido diferente em si.


Gemeu o nome dela e saiu ríspido, saiu intenso, quase gutural, e seus dedos se agarraram por Angra, pelas costas, pelo braço, estava gozando já, mas Angra lhe manteve, lhe teve, Sofía sentiu que estava a marcando, que estava a apertando demais, mas não conseguiu mensurar, parar, precisava se agarrar e, só veio.


Gozou forte demais, sentindo os dedos dela dentro de si, mas sabia que havia sido a língua dela a lhe derreter, suave, firme, gostosa do mesmo jeito que brincava pelos seus seios, era a mesma sensação, as pernas tremulando, o abdômen comprimindo, os dedos agarrados nela, os gemidos mais altos do que deveriam, Sofía gozou forte, físico e mental, sexual e com amor e, Angra não ligou.


O corpo de Sofía ainda estava vibrando quando Angra começou tudo de novo, tirou seus dedos e lhe pegou apenas com a boca, com aquela língua suave, com movimentos delicados porque o corpo de Sofía estava sensível e ela sabia, do corpo sensível e do coração disparado, a respiração ainda atrapalhada e aquelas mãos se moveram, vieram para os seios, os olhos dentro dos seus e quando Sofía deu por si, tudo de novo. O corpo estremecendo, as pernas tremendo, os gemidos aumentando, as mãos descontroladas, a boca dela grudada em sua...


Gozou forte outra vez, curvando o corpo, a apertando entre as suas coxas, as mãos pelos cabelos dela, a puxando contra si, um prazer intenso, vibrante demais, uma coisa ardendo por dentro, apertando na cabeça, na mente, Sofía deitou para trás e Angra a segurou, lhe chupando, lhe lambendo, esfregando a boca, a língua, Angra. A sua Angra.


Sofía derreteu, derreteu, derreteu.


Angra lhe lambeu profundamente mais uma vez, fazendo Sofía estremecer novamente e então, lhe olhou, vermelha, com a boca toda molhada, os cabelos desgrenhados e aquele sorriso lindo que...


Amor... — Ela olhou de novo, entre as suas coxas, aquele tipo de olhar que deixava Sofía louca demais — O que é isso, linda? — Lambeu novamente, pegando seus seios e Sofía a agarrou, a puxando, a beijando, lambendo a boca dela porque aquela mulher...


Lhe lambeu a boca de volta, pegando seus seios, sentindo demais, o corpo das duas ainda vibrando, as pernas de Sofía enroscando por ela, a queria em si, contra o seu corpo, na sua pele suada e seus dedos naturalmente a caçaram, por cima da calcinha e ela estava tão, mas tão molhada...


Não sabiam bem da questão do tempo, ele passava diferente quando estavam juntas. Pegaram no sono em algum momento e quando Angra acordou, Sofía ainda estava dormindo em seus braços e o sol já tinha ido embora lá fora.


Caramba, tinha mesmo acontecido? Tinha, e chupar Sofía tinha sido gostoso de uma forma que Angra jamais poderia imaginar.


Sempre havia quisto uma menina, mas como se comportaria com sexo oral era um verdadeiro mistério. Angra era louca para fazer, louca para sentir, mas não sabia bem como seria, que sensação causaria e agora simplesmente... Sorriu, a apertando nos braços novamente, porque não via a hora de poder refazer. De ir pra cama de novo e de ficar com Sofía, certinho, da maneira que tudo deveria ser. Mas havia aquela questão. Ainda não acreditava que tinha encontrado a mulher dos seus sonhos e que de repente, havia surgido uma questão enorme entre elas duas. Olhou para Sofía mais uma vez, tão serena, tão calma dormindo, sabia que ela estava exausta, tinham sido muitos voos, muitos deslocamentos e, muita ansiedade.


Nunca imaginou que teriam que passar por algo nem parecido, Angra viu muitas ondas vindo, mas não aquela, de forma nenhuma esperava por aquela e ainda não sabia bem o que fazer. O que era justo, o que era egoísmo, não sabia. Mas sabia que não podia perder Sofía, seu coração disparava só de pensar nisso e a ansiedade que vinha em seguida...


Respirou fundo. Beijou a testa dela e levantou-se, a deixando dormir um pouco mais.


Tomou um banho rápido, vestiu um roupão, deu uma olhada no restaurante do hotel, fez os pedidos porque já sabia muito bem o que Sofía gostava de comer e na hora que ia pedir um vinho quase que por recorrência...


Linda, suco de laranja — Sofía tinha acordado.


Angra olhou para ela e, sorriu. O sortilégio. Sofía era um sortilégio o tempo inteiro.


— Suco de laranja, por favor.


E Sofía levantou da cama e veio lhe beijar, enrolada no lençol, quentinha da cama, veio para o seu colo e abraçou Angra longo demais... E Angra a apertou, a cheirou, não quis soltá-la mais nem um pouco.


— Está tudo bem? Cuidei de você direito?


Sofía abriu um sorriso lindo, com os olhos brilhando.


— Não deu pra sentir? Em nenhuma das, sei lá, sete vezes...? — Disse, fazendo Angra sorrir demais, ficar vermelha, lhe beijar o pescoço outra vez. Angra tinha ficado viciada e Sofía não tinha uma vírgula a reclamar.

— Se é daquele jeito que eu senti... — Outro sorriso, outro olhar nos olhos de Sofía — Linda, como é gostoso... Eu não fazia ideia de que podia ser tão...

Empoderador. Eu também não fazia ideia. Você ficou bem? Eu estava preocupada de você ficar desconfortável...

— Eu estava preocupada de você estar desconfortável. Linda, a gente já conversou muito sobre isso e eu fiquei meio assim de te perguntar da outra vez, mas você tinha me dito que leva um certo tempo para gozar. Então, nas nossas primeiras vezes, foi tudo bem?


Sofía beijou a mão dela carinhosamente. Ela era tão delicada, tão gentil, não era à toa que ficava toda perdida por ela.


— Tudo bem, tudo gostoso, nenhum problema, nem de demora, nem de outra coisa. Você sabe que metade do tesão é mental e o tanto que eu queria você desde janeiro...

— Eu sei que tem esta parte também — Angra seguia sorrindo, seguia a cheirando — E ajuda imensamente enquanto eu ainda estou um pouco sem jeito, sem saber bem se estou fazendo direito, porque eu sei que está sendo gostoso, mas também sei que ainda não me aproximo do que você faz comigo não... — Disse, fazendo Sofía rir — Mas olha, eu quero dizer uma coisa. Quando o mental der uma acalmada e as coisas não estiverem tão à flor da pele, ou eu não estiver acertando tão bem, você tem que me dizer, está bem? Assim como você tem que saber também que, se não acontecer tão rápido, eu te espero. O tempo que for necessário. Eu continuo. Você não tem que se preocupar.


Sofía olhava para ela. E a beijou, longamente, com muito carinho. Era o tipo de coisa doce e sexy que Angra lhe dizia e que tinha tanto, mas tanto significado.


— Você sabe que isso acabou de ter um enorme duplo sentido, não sabe?


Ela sorriu. Sabia sim. E era verdade nos dois sentidos.


— Eu vou para um banho rapidinho, tá? — Sofía anunciou.

— Eu vou com você.

— Mas você já não tomou banho?

— Já, eu tomo outro. Eu só não quero...


Soltar. Sabia que era o que ela não queria. Foram para o banho juntas, o apego estava maior até do que elas mesmas esperavam e não levou muito tempo, e o jantar chegou. Desta vez, tinham uma mesa de refeições, redonda, junto às enormes janelas de vidro por onde Brasília brilhava para elas duas. Brasília e o que parecia um mar no meio do cerrado.


— Este é o lago...?

— Paranoá. Ele é gigantesco, não é? — Angra estava observando Sofía fazendo seu prato, muito delicadamente.

— Quando abri a janela a tarde, parecia mar. Estava muito azul no sol...


E Angra não conseguia tirar os olhos de sobre ela.


— Você realmente está fazendo o meu prato?

— Você não está comendo direito e Angra, agora precisa, mais do que nunca.

— Eu sei, mas é que eu não estava conseguindo mesmo. Deu um nó no meu estômago quando eu soube, quando a gente teve aquela conversa, Sofía... — Angra olhou bem para ela — Não vai poder ser deste jeito. Do jeito que você me disse que seria. Eu não consigo.

— Mas você entende que do jeito que tínhamos planejado, também não vai ter como ser? Olha, meu amor, a gente precisaria de tempo de qualquer forma, conversamos sobre isso. Eu não moro no Brasil, tenho uma casa aqui, porém, está alugada e é longe de onde você mora, de qualquer forma, ia levar um tempo pra gente resolver todas as coisas, nos demos um prazo...

— Um ano. Pra gente ficar junto, mas para separar...

— Era imediato, eu sei. Mas agora — Sofía buscou os olhos dela, o coração das duas já estava apertando outra vez — Agora você não pode ficar imediatamente sozinha. Eu jamais te pediria isso sem poder estar aqui e ainda podendo, temos aquela outra questão que conversamos com tanto cuidado...

— Os direitos que vêm com o casamento.

— Mais do que direitos, as responsabilidades. Olha, Angra, eu não sou responsável pela sua felicidade e nem você é pela minha, ou pela felicidade do Guilherme ou de qualquer outra pessoa. A nossa felicidade é responsabilidade própria, nunca deve depender de ninguém, porém, um casamento... Um casamento é uma celebração de responsabilidades diferentes. Não há responsabilidade de prover a felicidade de ninguém, mas há responsabilidades financeiras, planejamentos conjuntos, o acordo de poder contar um com o outro em momentos difíceis, é como um termo que diz: “sim, a partir de agora eu devo satisfações a você, a partir de agora, as decisões minhas que te afetarem, precisam ser compartilhadas”. É ceder um espaço no nosso lado pessoal. Quando a gente casa, a gente concorda, quando a gente casa, se torna porto de alguém. Não podemos fechar o porto sem avisar os barcos com antecedência. Angra, esse bebê te torna mais do que porto do Guilherme, mais do que porto um do outro, é uma autorização de construção de um píer novo, que agora, deve ser compartilhado. Você entende o que eu estou dizendo? Você não pode só...

Zarpar. Navegar para outro porto — E ela havia dito isso com um enorme pesar. Sofía sabia, estava sofrendo igual — Você também não pode e eu acho que é por isso que... Eu estou apaixonada assim. Por esses seus pés cravados no chão.

— Eu nem sei se não queria ser a louca que liga o botãozinho e só vai em frente. A gente não é responsável pela felicidade de ninguém, mas podemos ser responsáveis por dores causadas. Eu quero fazer direito o que ainda pode ser feito direito e sei que você também quer. Eu não quero isso pra Frederíca. E nem você para o Guilherme.


Não queria, era um fato.


— Então, nove meses?

— No mínimo, nove — E desta vez, foram os olhos de Sofía que encheram. Angra agarrou as mãos dela.

— Ei...

— Nove meses e mais um tempinho para este bebê crescer, um, dois anos?

— Você tinha me dito até três anos, lembra? Três anos pra se casar comigo? — Olhos de Angra cheios também, porque esta parte tinha apertado o seu coração demais.

— Eu tinha. Mas agora, três anos parece tempo demais longe da mulher que eu amo — E saiu só de uma vez, uma frase não pensada, uma flecha disparada num susto, num escorregão de dedo e o coração de Angra acelerou tanto que ela ficou vermelha inteira e teve que puxar fundo a respiração...

— Sofía...

— Desculpa, desculpa! Não era para...


Angra a olhou sério, toda vermelha e séria.


— Sofía, você não pode dizer que me ama e pedir desculpas em seguida.


E Sofía agora tinha ficado tão vermelha quanto. Abriu um sorriso.


— Não, eu estou pedindo por ter dito, é que a gente combinou que... — Outro sorriso, que importava o que tinham combinado? O amor é um sentimento, não uma decisão e Sofía sentia que já era amor antes mesmo de deixarem Abrolhos. Tinham combinado que se diriam pessoalmente, depois do último encontro e então que tudo tinha acontecido e achou que... Era pra ser guardado — Não importa o combinado. É verdade, eu amo você, só amo, sem desculpa nenhuma.


Angra apertou os lábios olhando pra ela.


— E este amor aqui, não pede perdão. Eu amo você.


Olhos brilhando, corações disparados, um beijo muito longo.


Tão longo quanto o jantar, que se prolongou pela conversa, pelas coisas que precisavam pontuar e pelas coisas que precisavam simplesmente conversar, porque podiam passar horas conversando, era assim, era elas duas. Dividiram uma sobremesa, depois foram pra cama assistir uma série qualquer no notebook, muito agarradas uma na outra. Angra adorava estar no colo dela, adorava a conversa infinita, adorava o cheiro da pele, o calor que vinha dela. Sofía seguia na ideia de que precisavam se afastar um pouquinho para que Angra tivesse uma gravidez tranquila, para que não sentisse culpa de estar fazendo as coisas com Guilherme, era direito dele, viver aquele momento de perto, as duas sabiam, mas ao mesmo tempo...


Ao mesmo tempo, Angra sentia culpa. Culpa dupla andava experimentando. Tanto culpa por Sofía quando estava com Guilherme tentando se resolver, quanto com Guilherme porque não conseguia solução em virtude de Sofía. Não sabia quanto mais de culpa podia lidar, mas sabia que não podia ficar sem Sofía. Lhe desesperava só de pensar.


— Você ainda está pensando, não está? — Ela perguntou de repente, na conchinha que estavam na cama.


Angra abriu um sorriso.


— Você não dormiu, meu amor?

— Dormi e acordei agora — Buscou o rosto de Angra para olhá-la — E sei que você está pensando. Você não vai me perder, está bem? Eu não vou perder você. Você já comeu melhor agora a noite e eu quero que você durma bem. Pode desligar os neurônios.


Angra olhou naqueles olhos, lhe beijando a mão com carinho.


— Desligar e fazer amor?


Sorriso de Sofía.


— Acho que eu acordei para isso...


📚


Angra acordou no peito de Sofía, muito agarrada nela...


Abriu um sorriso antes de abrir os olhos. Porque estavam notando algo engraçado, Sofía era muito independente e muito militante da proteção do seu espaço pessoal o tempo inteiro, então, no primeiro encontro, em que Angra a colocou para dormir no seu peito, acabou acordando sozinha todas as manhãs, porque Sofía se virava na cama e ia dormir sozinha num canto, porém, depois que inverteram, sempre acordavam agarradas porque Angra era apegada e encaixava tão bem que Sofía sequer queria se mover...


Ela dizia que dormir sentindo o cheiro dos cabelos de Angra era a melhor coisa. E ela dizia este tipo de coisa o tempo inteiro.


Respirou fundo, beijou o peito dela, olhou o relógio e era cedo até para os padrões delas. Tinha dormido bem, muito bem depois do amor e lhe chateava que o que tivesse lhe acordado fosse o medo e a preocupação, não só a vontade insana de passar tempo com Sofía...


Ela tinha que ir embora. Naquela tarde. E Angra chorou enquanto o sol nascia por causa disso.


Olhou para ela dormindo. Ela estava exausta também, Angra sabia. Respirou fundo, foi até o banheiro, lavou o rosto, escovou os dentes e quando voltou para o quarto, parou na frente do espelho.


De shortinho de algodão branco, curtinho e sutiã preto rendado. Parou na frente do espelho, se observando. O dourado da sua pele estava partindo aos poucos, Angra adorava piscina, adorava passeios de barco e ainda estava ali, nada havia mudado em seu corpo ainda, era muito cedo, ainda via suas linhas naturais, seus seios não haviam aumentado de tamanho, suas costelas internas superiores demarcando a separação em seu peito, um caminho que descia pelo seu abdômen, não tinha um corpo irretocável, mas sempre gostou do que via no espelho, que fosse assim, bem distribuído, que lhe fizesse confortável o suficiente para usar seus biquínis e agora não sabia bem...


Como seria? A transformação toda que teria pela frente? A pressão dos hormônios, o que teria de reaprender, tirar o pé do acelerador e isso inclusive, de forma literal. Angra adorava velocidade, adorava esportes de ação, eram parte da sua vida mesmo e agora, era responsável duas vezes. Por si mesma e por aquele bebê. Sempre quis ser mãe, mas nunca havia projetado isso de verdade. Nunca parou para se preparar, pensar nas mudanças que teria que fazer por 9 meses e então, pelos próximos anos. Sabia que sua vida de agora nunca mais seria a mesma. Achou que iria lhe exigir um tratamento, uma mudança de rotina e queria preparar tudo isso direito, porém, agora...


— Tira uma foto — Era a voz de Sofía acordando e fazendo Angra sorrir.

— Como?

— Você vai querer comparar a mudança. Tira uma foto, linda. Eu vou pedir nosso café aqui, está bem?Eu quero ter o direito de te ver tomando café da manhã linda deste jeito que você está...


O sorriso solar veio antes do primeiro beijo do dia. E Angra deveria ser a mulher mais linda em um amanhecer que Sofía já havia visto na vida.


Pediram café no quarto, o lago Paranoá ficava com uma cor mágica conforme o sol subia. Sentaram-se pertinho da janela, sentindo o sol da manhã, Sofía de lingerie e um Kimono boho por cima, Angra do jeito que ela tinha pedido, os cabelos soltos, ainda amassados, um sentimento distinto no coração. E Angra achou melhor contar a Sofía todas as coisas nas quais estava pensando sem parar, as coisas que a acordaram pela manhã.


— Angra, você está certa de pensar que isso muda tudo, mas sabe? Era um sonho seu. E um sonho que vem sem avisar, a gente precisa chamar de presente.

— Eu sou taurina, Sofía, eu morro de medo de mudanças, eu não mudo nem os móveis do quarto... — Disse, a fazendo rir demais.

— Você vai ver, aconteceu para isso. Para que você entenda que tem a capacidade de mudança tanto quanto qualquer outra pessoa. Eu sou capricorniana, eu entendo o pânico de mudar, ainda mais tão inesperadamente assim, mas talvez a gente... Precisasse. Que as coisas fossem assim, eu não sei. Eu não sei como seria estar aqui hoje te pedindo mais um tempo, porque Frederíca não está bem, eu já vi isso antes em várias situações, eu mesma ia me julgar.

— Ia achar que estava me enrolando — Angra sorriu.

— Exatamente. Mas é verdade, é uma situação que eu não esperava, mas que também, não vai brecar o que eu estava pretendendo. É só um adiar.

— Um adiar de nove meses? De dezesseis? — Ela perguntou com aqueles olhos em degradê afetados, que partiam o coração de Sofía em vários pedacinhos.

— Meu amor, olha, não era o que a gente queria, mas é o que temos agora. Eu estava disposta a só desistir se você me dissesse que é o que você queria, que com a gravidez agora você preferia focar no seu relacionamento, mas não é o que você está me dizendo. E se não é, eu quero ficar perto, eu quero te acompanhar. A gente vai ter que ajustar muitas coisas, mas por agora... Acho que eu tenho uma proposta.

— Me fala sobre.

— Vamos só... Cancelar o futuro. Vamos focar aqui, no presente, nas coisas que nós temos agora. Frederíca que não está sendo Frederíca agora e, este bebê aqui — Tocou a barriga de Angra carinhosamente — Que é seu sonho, um sonho que você teve antes, mas que segue sendo um sonho seu.

— E que não combina mais com o sonho de agora...? — Angra seguia aflita.

— Um bebê não vai afastar a gente, claro que não.

— Sabe o que é bem irônico? Foi com você que eu fiz amor neste período. Amor mesmo, do jeito que deve ser.


Sofía abriu um sorriso. Um bebê feito de amor, que raridade.


— E me dizendo isso, qual a possibilidade desse bebê afastar você de mim?


Daí, aqueles olhos amendoados derreteram demais. Angra pegou a mão dela, beijou com carinho.


— Sofía, eu não quero quebrar o clima, mas é que eu estou pensando numa coisa...

— Repetidamente, eu sei — Abriu um sorriso lindo — Voltei pra você do jeito que você me deixou, ninguém me tocou.

— Nem é relevante, né, nesta situação, mas é que...

— Você é ciumenta, eu sei, nem precisa explicar. Você tem que ir trabalhar?

— Tenho, mas não vou. A gente pode só... Ficar aqui? Esperando a hora do seu voo?

— Pode. E vamos fazer bem mais do que isso.


Terminaram o café, voltaram pra cama, mais amor, mais apego, mais conversas infinitas sobre todas as coisas que teriam pela frente. Angra, finalmente, parecia mais tranquila. Sofía sabia que ela precisava se tranquilizar, precisava se acalmar, era um estado diferente aquele no qual ela estava, e queria poder cuidá-la mais do que qualquer coisa. Mas aquele bebê, provinha de uma outra história. Aquele bebê tinha um pai apaixonado pela mãe e que deveria estar muito feliz com aquela ideia toda. E era direito de Guilherme estar feliz assim. E era dever de Sofía cuidar de Frederíca quando ela não estava bem. E também, era dever seu não deixar Angra ir embora da sua vida no primeiro obstáculo encontrado. Bem, no segundo e nem era um obstáculo de fato. O bebê não era um obstáculo, mas levariam um tempo mais para que as coisas tomassem uma forma mais coesa, no qual pudessem tomar decisões sem machucar ninguém.


Era isso. Falaram de tudo isso enquanto Angra não conseguia parar a vontade de provar mais do que o sexo oral podia proporcionar.


Era uma descoberta sexual atrás da outra com Sofía.


Sentia como se estivesse descobrindo sua sexualidade naquele momento, não sabia explicar muito bem. Estava descobrindo como funcionava o seu corpo, o que ele era capaz de fazer, que tipo de performance podia alcançar, que orgasmos eram diferentes do que ela considerava um grande orgasmo anteriormente e isso não era culpa de ninguém, não tinha a ver com seus parceiros anteriores, era mais como... Uma área do seu corpo que não podia ser acessada por eles. E que Sofía parecia ter a chave. Havia descoberto, que na verdade, seus problemas sexuais não existiam.


— O orgasmo começa aqui — Sofía tocou na cabeça dela e a beijou novamente, nua em seu colo, completamente agarrada nela.

— E espalha pelo corpo todo por que... — A beijou novamente, respirando fundo, ainda sensíveis demais pelo último prazer alcançado — Quando a gente faz amor, parece que cada centímetro da gente se torna zona erógena e eu achando que as minhas não funcionavam bem...

— E eu achando que você ia querer escapar do oral com essa cara de hétero que você tem... — Disse, fazendo Angra gargalhar alto demais.

— Sofía, eu fui lá naquele encontro pra isso, como assim? Eu queria, tudo o que me é de direito, e — Olhos nos olhos — Ainda quero. Eu não vou desistir de você.


Sofía sentia que ela não ia mesmo. Mais um tempo, mais amor, mais conversas, mais risadas, estavam no clima delas, muito bem recuperado, com uma sensação de bem estar que era tão intensa que nem elas conseguiam explicar. Perto das três, o celular deu sinal, Sofía havia colocado o despertador ou provavelmente perderiam a hora. Foram para o banho e vieram se arrumar, partilhando o mesmo espelho.


— Acho que temos tempo de eu te levar para almoçar no meu restaurante italiano preferido e, para eu te mostrar algumas coisas. A rua que eu moro, onde fica a empresa, não vai dar tempo de parar, mas de passar dá. Você tinha...

— Te pedido — Sorriso de Sofía.

— Eu não tenho o mínimo mental para dizer não para um pedido feito por você — Respondeu, a beijando na testa carinhosamente, e... Sofía a segurou perto. Delicadamente, pela camisa azul de botões que ela estava usando.

— Eu penso em você em atenção plena — Disse, ainda de olhos fechados, sentindo o cheiro gostoso da camisa dela, o tecido macio lhe tocando o rosto muito delicadamente — Quando eu lembro de alguma coisa, vem uma memória completa, mais do que afetiva, eu consigo sentir o seu perfume, o cheiro das suas roupas, eu sei como é o toque na sua pele e o toque das suas mãos. Eu consigo... Perceber como a luz muda a cor do seu olho, eu olho pra sua boca e sinto o seu beijo. Eu sei como ele é. Eu sei qual é o seu gosto quando estamos fazendo amor, sei como ele muda. Sei da sensação de te tocar quando ficamos muito tempo longe. Sei onde seus braços me tocam e a posição que fica o seu corpo no abraço. E toda vez que eu cavo na minha mente, eu encontro algo novo, outra memória densa. Como... O jeito que a minha respiração ficava mais devagar nos cafés da manhã tomados lá em Alto Paraíso, enquanto eu olhava para você e te ouvia falar, tão bonita na luz do sol. Bonita agora, como estava bonita hoje de manhã tomando café comigo ali fora. Eu fiquei me perguntando como pode ser possível captar tantos detalhes de alguém assim. E eu acho que sei como.

— E como é? — Angra estava entorpecida por ela.

— Quando eu estou perto de você, não tem nada no mundo capaz de desviar nem um segundo da minha atenção. Quando eu estou com você, você tem a minha atenção plena, my mind is fullness of you, eu acho que é isso. É assim que eu sou capaz de lembrar de cada detalhe...


E era assim que o mesmo acontecia com Angra. Se estava com Sofía, ela tinha sua atenção plena, e era assim que adoravam tanto cada pequeno detalhe uma da outra. Era se olhando de perto, era prestando atenção, dando sua atenção. Era assim que Sofía conseguia ver a cor dos cílios de Angra, era assim que Angra conseguia encontrar uma manchinha atrás da orelha de Sofía, que nem ela mesma sabia que tinha, era assim que conseguiam se ouvir, se entender, era assim que enviavam e recebiam mensagens sem perder coisa alguma, nem uma vírgula escrita. E talvez fosse assim, que qualquer relacionamento devesse ser: as duas tinham vidas corridas e com muitas responsabilidades, mas se estavam juntas, estavam juntas, de verdade, inteiras, ainda quando fisicamente separadas.


Foram almoçar, foram passear um pouco por Brasília, passaram no prédio de Angra e então, passaram em sua empresa que, ficava nos altos de uma cafeteria.


— É sério?

— É um tipo inovador de coworking. Tem a cafeteria embaixo, tem um escritório de projetos ao lado do nosso, outro de design logo em cima, o consultório de uma terapeuta bem ao lado. E há dias que todos esses escritórios estão aqui embaixo, na cafeteria, trabalhando perto, ou trabalhando distante, quando alguém precisa isolar um pouquinho, desce, pede um café, ouve uma música diferente e, não é querendo me gabar, mas, o projeto foi meu.


Sofía a olhou curiosa.


— O projeto...?

— De adequar o espaço para quem quisesse descer e trabalhar um pouco em outro lugar. Eu fiz a readequação do espaço, propus o tipo de mobiliário, que promovesse tanto o trabalho em grupo quanto o trabalho isolado. Deu muito certo e eu coloquei no currículo. Da próxima vez que você vier, quero que conheça tudo.


Sofía apertou os lábios.


— Angra, eu não sei se... Se eu vou voltar tão rápido. Não sei se vai ser bom pra você, para o momento, não sei.


Angra segurou a mão dela.


— Você me pediu para cancelar o futuro, mas prometeu focar no presente.


Sofía respirou fundo. Era verdade, tinha prometido e realmente acreditava que podia funcionar.

Elas só não faziam ideia de que o futuro se mostraria muito mais desafiador do que podiam imaginar.

Notas da Autora:


Olá, menin@s!


Espero encontrá-las bem! chegamos ao último capítulo do passado neste momento da história e acho que algumas dúvidas foram solucionadas com ele e novas dúvidas foram criadas, porque, né, esta autora gosta de manter as coisas em movimento. haha


Chegamos ao resumo do que se passou nos primeiros meses de Angra e Sofía e o próximo capítulo, "Krakatoa", nos traz de volta para o presente, para o momento em que Carolina pegou nossas protagonistas no flagra. Apostas sobre qual será a reação de Carol?


Ah, informação importante: Kalinka estará de volta à história, prontas para conhecer um pouco mais da amiga-fada de Sofía?


Ademais, seguimos com nossa meta sagrada de 50 comentários! Perguntem, conversem comigo, nossa primeira #AngraNight foi um sucesso!


Ficou interessada? Só ingressar no nosso grupo, mantemos todos os convites e informações lá!


Grupo muito amorzinho no Whats’App, para quem quiser conversar sobre as histórias assinadas por Tessa Reis, quem tiver interesse, basta clicar aqui:


Grupo Whats'App: https://bityli.com/LetqE


Abraços!


857 visualizações52 comentários