Angra - Capítulo 11: Krakatoa





Búzios, tempo atual.


— Então, foi assim que aquela menina nasceu colombiana.


Foi tão súbito que sequer deu tempo do coração de Sofía parar.


Estava agarrada no pescoço de Angra, com os dedos pegados pela camisa dela, o corpo totalmente enroscado ao dela e quando ouviu aquela voz, tudo o que mentalmente pediu foi que, ao menos, fosse mesmo Carolina.


Então, era. Lá estava ela, parada no meio da sala, olhando para Angra e Sofía como quem não acredita no que está vendo. Bem, Sofía também não estava acreditando. A respiração prendeu no peito e imediatamente, a mão de Angra desceu até a sua e, apertou seus dedos, por um segundo. “Estava tudo bem”, era o que aquele aperto em seus dedos dizia, estava tudo bem, e aparentemente, Angra sabia o que fazer.


Se afastou de Sofía, só um pouco, um passo para trás, natural e controlado, soltando os dedos dela bem devagar.


— Chegou agora, Carol? Estamos fazendo um chá, vou fazer um para você também...


E Sofía voltou seus olhos diretamente para Angra, agora não acreditando ela mesma.


— Angra, o que você vai tentar negar ainda, menina?

— Ah, linda, sempre dá para tentar, né...


E Carolina, ariana do auge do mês de abril, entrou em erupção.


— Eu não acredito no que eu estou vendo, Angra! Eu não acredito... Na sua calma, criatura! Na sua tranquilidade, de estar aqui, de não estar ligada nas coisas ao redor, em quem poderia chegar e pegar vocês duas... De namoro! Como assim? Vocês estão namorando numa casa cheia de gente e não de qualquer gente, claro que não, com Frederíca aqui dentro, com o Guilherme aqui dentro! Agora faz sentido, agora faz todo o sentido... — Começou a andar de um lado a outro totalmente transtornada — Sofía, eu sempre achei que você fosse racional! A Angra não, mas você, você não podia aceitar este tipo de coisa! Você enlouqueceu, Angra? Se o Guilherme pega esta situação aqui, ele se separa de você!


E eis que, Carolina tinha chegado, mas não tinha chegado sozinha.


Kalinka — Sofía atravessou a cozinha, passando por Carolina na porta e indo abraçar sua amiga na sala. Ela estava ali, parada na entrada, ainda com a mochila nas costas e tirando as luvas de couro que usava quando dirigia longas distâncias — De onde você...?

Apareci — Abraçou Sofía de volta carinhosamente — Fui pegar a minha mochila no carro enquanto a Carolina entrou na frente. Cheguei, mas aparentemente, cheguei tarde, né? Tarde para prevenir dessa situação que acabou de acontecer aqui...


Então que Carolina, que estava num enorme bate-boca com Angra, se voltou para Kalinka imediatamente.


— O quê? Você... Sabe? Você sabia disso tudo?

— É que... — Kalinka nem conseguiu completar a frase porque Krakatoa sofreu nova erupção. Mais poderosa que a anterior.

— Eu mesma vou me separar de você, Angra! Como assim a Kalinka sabia de tudo e eu aqui sem saber de nada?!

— Carol, calma! Calma, está bem? Se você parar com o escândalo e me ouvir, aí vai ficar mais fácil!

Você me traiu! Como é que você tem uma relação fora do casamento e não me conta, não desabafa comigo, não confia em mim para dividir isso? Eu mesma vou me separar de você! E se o Guilherme bobear e não separar, eu o faço separar, faço a Sofía se separar de você, porque se você não tem lealdade com quem esteve ao seu lado desde o jardim de infância, o que se pode esperar?!

— Ei, ei! Quer se acalmar? Você não vai se separar de mim e menos ainda separar a Sofía de mim, nem fala essa palavra, eu peguei trauma desta história de separar!

— A última vez que eu disse “separar”, o bebê nasceu colombiano — Sofía deixou Kalinka e veio pegar Estela no colo que estava choramingando, provavelmente, acordada pela discussão.

Mami, mami... — Ela ficava nervosa e manhosa, Sofía conhecia bem. O “mami” vinha da manha, do mimo, era quase estratégico, o que não significava que não emocionasse Sofía todas as vezes.

— Aqui, mi amor, aqui... — A pegou no colo, a cheirando, a pondo contra o peito, Estela ficava nervosa com gritaria, havia pegado trauma de eventos esportivos e forçado o pai a só assistir futebol na hamburgueria.

— Sofía! — Quanto mais ouvia, menos Carolina acreditava — O que há com vocês duas? De onde vem essa calma toda?!

— Eu não estou calma, Carol, mas a Estela está chorando! Calma, está bem? Fica calma, a gente vai explicar tudo...

— Que explicação existe para isso, Sofía, pelo amor de Deus!


Kalinka não tirava os olhos de Carolina.


Ela estava muito irritada e estava diferente. Carolina havia ido buscar Kalinka de Uber na entrada da cidade e tinham parado para tomar um suco no meio do caminho juntas, ela já estava nervosa quando foi lhe buscar e agora... Parecia fora de mão. Kalinka deixou a mochila no chão e tentou se aproximar dela.


— Escuta, Carol, eu sei dos inúmeros julgamentos sociais que estão gritando aí na sua cabeça pelo que você viu acontecendo aqui...

— Kalinka, é uma traição! Uma traição em dois casamentos!

— Que são acordos sociais, que em parte significativa de um total, estão falidos, mas que seguem ativos por diversos motivos que também, em sua maioria, tem pouco a ver com amor. Tem a ver com o trabalho para serem desfeitos, a ver com o conforto social que é estar casado, porque se apaixonar fora do casamento é um ato que deve ser apedrejado...

— Eu não estou dizendo isso!

— Mas está reagindo catando as pedras — Angra interferiu, indo para o lado de Sofía, que tentava acalmar Estela no meio daquela gritaria. E, Sofía também estava nervosa, sabia bem, Angra a conhecia só de olhar para ela, estava nervosa e estava constrangida. E Angra jamais permitiria — Carol, não faz isso. Se acalma primeiro.

— Você não pode seguir fazendo isso com o Guilherme, Angra, por favor, ele não merece!

— Carolina, se você puder não fazer isso na frente da Sofía, eu te agradeço, está bem? Eu vou conversar com você, mas não desta forma, não deste jeito!

— Você não está agindo como a pessoa que eu conheço!

— Não estou! Eu cansei, está bem? Me rebelei contra essa bolha que me confortava desde, sei lá, desde quando nasci, provavelmente! É um ato de rebeldia, não me pediu um sempre? Aqui está!

— Isto não é um ato de rebeldia, é um ato de traição e eu não acho justo nada disso que está acontecendo aqui!

— Você não é juíza, Carol — Era Frederíca.


E um silêncio enorme se instaurou. Ela tinha acabado de chegar, trazendo Luria pelo braço, claramente alterada.


— Eu preciso de um comprimido, alguma coisa, está doendo...

— Ela bateu a cabeça, será que você pode retomar a sua ocupação original de enfermeira e vir ver aqui? — Frederíca colocou Luria no sofá e Bernardo chorou mais alto no tatame. E tinha alguma coisa acontecendo ali, todas aquelas mulheres maternais não haviam percebido que um bebê estava chorando? Frederíca pegou o menino no colo, porque ninguém tinha se movido — O que está acontecendo aqui, afinal?


Os olhos foram todos para cima de Carolina. Que, suspirou.


— Angra me irrita com uma certa facilidade, você já deve ter notado — Se aproximou de Luria — O que aconteceu?

— Ela foi arrumar o sapato e bateu a cabeça no banheiro, já tinha bebido um pouco, ficou mais tonta ainda...


E assim, as coisas se acalmaram, enfim.


Carolina foi ver Luria, Angra foi ajudar e Frederíca se afastou para sentar-se em uma das espreguiçadeiras na piscina. Ela estava esquisita, Sofía sabia, mas decidiu ir para a cozinha fazer um chá para todo mundo, o nível de nervosismo estava muito alto. Incluindo, o seu.


Tremeu o preparo do chá inteiro enquanto Angra não tremeu sequer um músculo. Ela era fria quando precisava ser fria, Sofía nem tanto. Não sabia se Frederíca tinha ouvido algo quando chegou. Não sabia se aquela reação era natural ou por algum motivo específico, ela estava chateada com alguma coisa e Sofía queria e não queria saber. Bem, se fosse consigo, descobriria logo. Terminou o chá, colocou numa caneca, respirou fundo, levou para ela.


E, ela abriu um sorriso quando lhe viu.


Porque tudo o que qualquer homem precisa, eu tenho em casa... — Disse, fazendo graça e fazendo Sofía sorrir. Não queria que ela descobrisse, não daquela forma, independentemente de qualquer coisa, de estarem juntas ou não. Carolina tinha razão naquele ponto, nem Frederíca e nem Guilherme mereciam aquela situação.

— Por que voltou tão quieta?

— Nada, Sofía...


Sofía olhou para dentro. Carolina estava cuidando de Luria, ela tinha sofrido um corte pequeno no alto da cabeça.


— Ela bateu a cabeça onde?

— Sofía...


Sofía riu. Riu porque Frederíca era inacreditável.


— Foi arrumar o sapato e bateu a cabeça no banheiro... — Disse Sofía, capciosa demais, tanto que Frederíca riu.

— Menina, para, foi isso mesmo que aconteceu.

— E você estava lá? Assim, foram juntas e tal?


Ela passou a mão pela nuca, quase ficando vermelha.


— Eu não faria isso com você aqui.


Aquilo pegou Sofía. Uma lâmina fria de culpa entrando em seu coração.


— Eu sei que tenho zero credibilidade, mas não teve nada...


Provavelmente, porque Luria tinha se machucado, mas não quis entrar em questão. E eis que, outro casal retornou. E numa briga tremenda.


Marcela e Eduardo, berrando um com o outro, claramente alterados, acusando um ao outro de qualquer coisa, não importava, estava alto demais, agressivo demais e quando viram que algum ponto seria mais do que ultrapassado, Angra e Kalinka interferiram.


Entraram na frente de Marcela, tentado fazer Eduardo se afastar, a briga era sobre qualquer coisa e todas as coisas, estavam falando de olhares no bar, de desrespeito, de coisas do dia a dia, tudo ao mesmo tempo, ele estava bêbado, alterado, irritado demais e quando notaram que alguma coisa poderia sair do controle muito em breve, foi a vez de Frederíca agir.


Bem ao seu estilo.


— Ei, ei, ei, meu irmão!

— Não se mete você também! — E ele apontou o dedo no rosto da esposa novamente — Você não vai me desrespeitar desse jeito nunca mais, entendeu? Nunca mais! — E deu para Frederíca.


Empurrou a mão dele e o empurrou, mãos no peito dele, um empurrão seco e forte, andando para cima sem medo nenhum. Se havia algo que Frederíca não temia, eram hormônios masculinos, menos ainda, aqueles possuídos de excessos desnecessários.


— Ei, vai tirando a mão daí! Está louco?!

— Qual é? Você não me conhece, eu só estou falando com ela!

— Pois agora você vai falar sozinho, imbecil! Vai, sai daqui, pra piscina! Meu irmão, pra piscina, vai, some da frente dela!


E de alguma forma, ela conseguiu tirá-lo de lá, na voz firme e nos empurrões. Frederíca passou com Eduardo para a área da piscina, deixando uma Marcela constrangida, um clima estranho no ar, não dava para aquela noite ficar mais desconfortável. E nem mais esquisita.


— Frederíca, eu não ia fazer nada!

— Meu irmão, fica na boa, você já estava fazendo, não se coloca mão na cara de mulher não, oh, seu animal! — O sotaque carioca espancava.

— Ei! Também não precisa falar assim!

— Parece que tem fila pra acabar com a minha paz hoje, sinceramente! — Respirou fundo, sentando-se ao lado dele.


Que noite. Que noite!


Lá dentro, havia uma mulher chorando, outra muito bêbada e Kalinka tentando acalmar Carolina, uma vez que Angra tinha desistido de tentar conversar naquela confusão toda. Se ela não queria ouvir, não podia fazer muito e ela simplesmente não estava lhe deixando falar. Ponto. Não deixava. Ou não queria ouvir. Podia ser isso também, o que justificava toda a resistência de Angra em contar sobre Sofía por aquele tempo todo. Sempre havia sido assim, sempre que tentara dizer qualquer coisa, Carolina evitava, como se não quisesse mesmo saber. Se não soubesse, não precisaria lidar. Parecia ser isso.


— Escuta, é melhor todo mundo encerrar a noite aqui, sério, eu nem sei o que mais pode acontecer se a gente seguir...

— É que Krakatoa decidiu entrar em erupção de repente — Angra estava extremamente chateada com Carolina, que devolvia a chateação em dobro. As duas estavam magoadas, era claro e evidente.

— Angra, quieta, não provoca, está bem? — A cabeça de Sofía estava estourando e tudo o que ela não queria era uma nova confusão. Menos ainda com Frederíca tão perto.

— Eu quero um vulcão havaiano — Carolina passou e se sentou no sofá, agora mais machucada do que irritada.


Ela chorou. Apenas sentou-se no sofá e começou a chorar. Angra virou de costas, sentindo o choro subindo pela sua garganta, não estava acontecendo, não daquela maneira.


— Ok, tudo bem! — Kalinka se colocou entre o espaço enorme que havia se formado entre as duas — Krakatoa ou Kilauea, chega de erupções por hoje. Podemos encerrar?


Carolina respirou muito fundo.


— Tudo bem, a gente conversa amanhã. Eu vou levar a Marcela lá pra cima.

— Eu levo a Luria, vou dividir quarto com ela, não é?

— Isso — Sofía olhava para Angra. E queria cuidar dela e acalmá-la, mas não podia e aquele tipo de situação simplesmente não estava mais cabendo em lugar nenhum — Eu te mostro o caminho.


Subiu, com Kalinka e Luria. Ajudou a colocar a moça no banho e ela garantiu que estava bem o suficiente para conseguir sozinha. Então, a deixaram no chuveiro, colocaram Bernardo na cama e Sofía ainda não estava respirando direito. Sentou-se por um segundo, perto da janela, podiam ouvir o mar batendo nas pedras.


— Ei, está tudo bem, ela não vai fazer um escândalo — Kalinka se abaixou à sua frente. Ela estava de calça moletom super justa, camiseta Yves Saint Laurent e sapatos de salto fino com tiras gladiador, Kalinka era sexy e estilosa demais o tempo inteiro.

— Eu sei que não vai, é só que... Eu estou cansada — Confessou, com os olhos cheios — De ter que me preocupar com isso, de ainda estar não resolvida, de não poder... Fazer as coisas com ela. Defendê-la, ou, cuidar dela. E ainda assim, eu não consigo... Estar perto dela e não querer estar com ela. O meu cérebro... Para — Confessou e abriu um sorriso — Parece que reprograma, sei lá.

O instinto é uma inteligência de grau primitivo. Ela é o seu. É a sua coisa que você faz sem pensar. A minha, é dirigir em alta velocidade, a sua é pegar aquela mulher lá embaixo... — Disse, fazendo Sofía sorrir mais, apesar da lágrima perdida — Está tudo bem, ok?


Outra longa respiração, tudo bem, tudo estava bem.


— Kalinka, como você...?

— Cheguei aqui? Liguei pra você, pra Angra, pra Frederíca, nenhuma de vocês me atendeu, daí liguei pra Carolina e ela foi me pegar na entrada da cidade. Eu só não fazia ideia de que... Bem. Desculpa. Eu não fazia ideia mesmo.

— Ah, Kalinka, se tem alguém que não tem culpa, é você. Eu preciso resolver tudo isso, eu trouxe os papéis do divórcio na minha viagem de férias, você entende a loucura disso tudo?

— Você tem certeza?

— Tenho. E ela também tem, mas a Fer é gata de briga, ela segue não cedendo, não querendo falar sobre. E da mesma maneira que uma vez eu te disse que a Angra não tinha nada a ver com a Frederíca, eu te digo que me separar da Frederíca agora, não tem nada a ver com a Angra. Só não está dando mais mesmo há muito tempo, não está mais fazendo sentido, eu acho que levei tanto tempo porque achei que ela se convenceria que isso era o melhor para nós duas, que a gente poderia se separar de comum acordo, mas nada. Nada mudou nesse tempo todo. Nem o fato de eu ainda amar a tal gata de briga, de não querer magoá-la de jeito nenhum.

— Vocês se amam diferente, mas ela não admite que este amor mudou. Parece...

— Uma derrota. E ninguém gosta de perder.


Era isso. Esta era a questão no final das contas.


Angra acabou ficando sozinha no andar de baixo. Decidiu pegar uma taça de vinho e ficou quieta na sala, se acalmando, pensando em tudo o que havia acontecido e, ouvindo Frederíca falar.


— Cara, você tem que parar de ser mané, mulher inteligente, por natureza, é tudo menina solta, não gosta de ninguém no pé não — Ela seguia conversando com Eduardo — Eu sou casada, muito bem casada, sigo solta e minha mulher não dá metade do piti que tu deu lá no bar e seguiu dando aqui...

— E você não acha estranho ela não dar piti?

— Eu confio nela. E mesmo ela não confiando totalmente em mim, não me prende. E eu sei que ainda que eu tente e, eu estou tentando muito, se a Sofía tiver que ir embora, ela só vai, sabe por quê? Menina solta também. Mulher foda, independente. Kalinka e eu, em algum momento, tivemos a ilusão de que ela precisava da gente de alguma maneira. Mas ela não precisa. O segredo é que ela não sabia disso, mas acho que ultimamente, descobriu e... — Respirou muito fundo, os cabelos desgrenhados, as tatuagens pelos braços, os olhos enchendo de algo que era difícil de decifrar.


Eduardo olhou para ela.


— Ei, está tudo bem?

— Talvez por hoje, esteja. Casamento é difícil, eu sei como é. A supressão de desejos e direitos que eram naturais e de repente, deixamos de ter.


Ele a olhou novamente.


— O que rolou com a Luria?

— Nada, cara, nada.


Ele apenas segurou o olhar nela.


— Vai acabar com a minha paz mesmo? Já deu.


Foi a vez de Angra respirar fundo profundamente. Frederíca não mudava e Sofía merecia mais. Tanto dela, quanto de si mesma. Havia ouvido Frederíca falando e era tudo verdade, Sofía era livre e corajosa, quando ela decidisse partir, simplesmente partiria e de alguma forma, seguiam na vida dela apenas porque ela não havia decidido ir de uma vez. Sabia que ela estava lhe escorregando por entre os dedos, havia a feito voltar da porta da sua vida da última vez e a sensação agora, era que sequer a veria saindo se assim ela decidisse. Precisava se resolver. Sentia-se tão perdida sobre como poderia fazer aquilo sem machucar Guilherme, que nem sabia por onde começar.


E era tão absurdo que chegava a desejar que Carolina simplesmente, contasse tudo para ele de vez. Se outra pessoa contasse, ao menos, não precisaria ter que lidar com aquele primeiro passo.


Ainda se sentia escondendo o celular de Guilherme como naquela noite tensa em que foi confrontada pela primeira vez.


Pegou Estela no colo, ela estava dormindo no sofá novamente, depois de se agarrar em Sofía a chamando de “mami”. O instinto é uma inteligência de grau primitivo e a de Estela era reconhecer Sofía como mãe, sem isso nunca ter sido verbalizado a ela. Ela só sabia. Pegou sua menina nos braços e Frederíca voltou da área da piscina.


— Angra, me empresta o bebê?


Olhou para ela, estranhando totalmente a pergunta.


— Por quê?

— Ah, Angra... Sofía vai dormir melhor. E eu não estou a fim de conversar hoje.


Angra a olhou. E entregou sua Estela.


📚


Sofía acordou com risadas que conhecia muito bem dentro do seu quarto. Risadas que lhe fizeram abrir um sorriso antes de abrir os olhos. Sorriu, então abriu os olhos, viu o dia lindo que estava se formando lá fora e, seguiu aquelas risadas até o banheiro.


Frederíca estava de lingerie dentro da banheira fazendo Estela mergulhar. Ela mergulhava, a coisa mais linda de calcinha da Supergirl, e toda vez que emergia, emergia rindo, pedindo para fazer de novo. E Frederíca fazia de novo, rindo tanto quanto Estela, se divertindo também e Sofía... Respirou fundo, vendo aquela cena que nem era tão inusitada assim. Frederíca adorava Estela, adorava crianças de maneira geral, tinha passado a tarde anterior inteira jogando futebol com todos os pequenos e as crianças simplesmente a adoravam de volta. Aliás, quando se conheceram, lembrava dela dizendo que estava a ponto de ter um bebê solo, e que ia criar a criança, ela e as amigas, estava quase tudo certo. Não sabia bem onde aquele sonho tinha mudado, mas ali estava ela, se divertindo com Estela mais uma vez.


— Sofía, Sofía! — Estela lhe avistou e mais rápida que o Flash Reverso, saltou para fora da banheira e correu para o seu colo.


Sim, molhada, empolgada e patinando pelo banheiro, fazendo o coração de Sofía quase parar!


— Estela, você não pode correr...!

— Eu sei, eu lembrei agora, eu lembrei, mami... — Disse, fazendo Sofía gargalhar e derreter. Beijou os cabelos dela, a cheirando um pouquinho e buscando os olhos de Frederíca.

— Tem dia que ela parece ser sua filha — Sofía disse para Frederíca.

— Eu sei, essa criança das cavernas! Em tese, ela tinha que ser perfeita, dizem que as crianças são reflexos dos seus primeiros dias e este bebê aí, nasceu com você e com a Angra, não devia ter uma fralda fora do lugar — Ela respondeu sorrindo, saindo da banheira para ir para o chuveiro.


Sofía refletiu com Estela muito agarrada em seu pescoço, dizendo que queria chocolatito caliente, ela queria. Sofía a estimulava sempre, aquela colombiana tinha que falar espanhol também e Estela ia muito bem na missão.


— Bem, tinha algumas coisas fora do lugar sim.


Frederíca a olhou do chuveiro.


Entra aqui. Traz ela. Ela já molhou você inteira mesmo.


Era verdade. Entrou com Estela no chuveiro com ela, um banho rápido, tranquilo e inesperadamente, divertido.


📚


Angra tinha acordado muito cedo. Achava que nem tinha exatamente dormido, dormiu por alguns momentos, porque acordou várias vezes com o assunto da noite passada flutuando pela sua mente. Guilherme havia chegado perto das três da manhã, com muitas cervejas na cabeça, uma respiração pesada e tão cansado que simplesmente veio para a cama. O que obviamente gerou uma discussão e Angra acabou tendo que ir dormir num colchão extra que tinha no quarto e quase não conseguiu mais pegar no sono. Sabia da gravidade da situação, mas sabia que de alguma forma, Carolina lhe entenderia. De qualquer maneira, foi péssimo dormir desentendida com ela e sem saber direito como Sofía estava. Chegou a enviar mensagens, mas não teve resposta. Então, na sexta vez que acordou, decidiu levantar-se de vez.


Eram seis da manhã e o sol já estava no alto do céu absolutamente majestoso. Foi para a cozinha e quando chegou lá, Kalinka já estava de pé, preparando café suficiente para todo mundo.


— Ei, você — Kalinka a recebeu com um sorriso e um abraço. Aquela grega-brasileira tinha uma luz muito especial — Bom dia!

— Bom dia, Kali.

— Nem vou te perguntar se você dormiu bem, está pelo seu rosto — Ela disse sorrindo, já preparando uma xícara de café para Angra — Mas eu fiz café grego para você, café grego melhora a vida de qualquer um!


Angra abriu um sorriso.


— Eu lembro que melhora. Me fala, fez um voo tranquilo? Nós nem vimos o celular, teríamos ido te buscar.

— Eu sei que teriam ido, mas já estavam acometidas por esta coisa que acontece quando você e a Sofía estão juntas. Eu fiquei tão preocupada de não poder vir imediatamente, sei que não fazem por mal, mas Angra, quando vocês estão juntas, acontece um blackout na cabeça de vocês duas — Ela lhe disse sorrindo — Eu já sei como é, vocês tomam todos os cuidados quando estão longe, mas perto uma da outra é um desastre, se eu for perguntar para o bebê da Luria, ele vai me dizer que vocês duas estão de romance, é uma coisa impressionante...


Angra quase se engasgou com seu café grego com a risada presa em sua garganta.


— Não é assim.

— É sim. Tem uma aura de casal entre vocês duas, é o jeito que vocês falam uma com a outra, o jeito que se olham, todo mundo sabe, Angra. Talvez não o Guilherme, sabemos que ele é bem desligado, mas a Frederíca... Ela sabe sim. E se eu bem a conheço, ela só está estudando uma maneira de reverter.

— Ela não abre mão — Não abria, Angra disse isso com pesar na voz.

— De jeito nenhum, perder a Sofía para ela é perder muita coisa. A vida conjunta, parte do trabalho dela, a musa dela. Frederíca não consegue escrever uma linha que seja se está desentendida com a Sofía, é um fenômeno real. Ela vai brigar, Angra e você já deve ter notado que vocês estão ficando sem saída. E, a culpa não é dela. Sofía cumpriu a parte dela, Angra e você a deixou andar para trás, voltar para a Colômbia...

— Eu sei disso e achei que ela nunca mais iria olhar pra mim outra vez. Mas é que há coisas acontecendo...

— Não tem que me explicar nada. Mas é que vocês estão ficando sem saída mesmo e a Sofía... Ela nem conta mais com você. Você já deve ter percebido. Ela quer se separar independentemente de você, não porque espera algo de você e eu sei que dói pra caramba ouvir isso, mas você precisa saber.


Doía. Doía mesmo.


— Eu sei que estou numa situação muito delicada com ela, Kalinka. O comportamento dela comigo mudou, eu sei. Ela projetava o futuro sempre e agora mal olha para o dia seguinte comigo. Eu sei disso.

— E não vai agir? Vai deixar assim mesmo?

— É claro que eu vou agir, eu não vou perder a Sofía, Kalinka. Mas eu preciso fazer as coisas direito... — Angra esticou a mão para pegar um dos morangos cortados num bowl com amoras e cerejas e, foi impedida.

— Não são para você — Kalinka pegou o bowl para perto — Você quer mesmo resolver? Porque não vale a pena magoar duas pessoas de quem você gosta e se você não decidir qual atitude vai tomar, é o que vai acabar acontecendo — Então, olhando nos olhos de Angra e chegando ainda mais perto — Ela vai acabar indo embora de vocês duas, entendeu? Vai ser Sofía go solo e eu vou apoiar.

— Kali, não diz isso...

— Não dizer não vai evitar de acontecer, e...

— Ah, pronto — Os olhos de Angra bateram na escada, por onde Frederíca e Sofía desciam juntas e com Estela nos braços — Eu não tenho mental para aguentar tudo isso não, Kalinka, esta pressão, este tipo de cena, com a filha que eu emprestei ainda por cima! Faz anos que o meu Instagram não vê uma foto de casal que seja, isso ninguém percebe, as coisas que eu cuido, que eu mantenho no lugar. E além de tudo isso, Carolina agora está chateada comigo e vai pesar o clima dos dias que ainda temos aqui. Não era o que eu tinha em mente.

— E o que você tinha em mente quando chamou a Sofía e a Frederíca para virem junto? Só para eu entender.


Angra lhe olhou.


— Nada além de que precisava ficar perto dela. Eu sequer pensei no resto...


E o pior é que Kalinka tinha certeza de que havia sido exatamente assim.


— Escuta, Carolina acordou antes de você, está lá fora na piscina, calada e pensativa. Eu pensei de a gente alugar um barco hoje, já peguei alguns contatos, só para as mulheres, entendeu? Já que os homens tiveram uma noite de homens ontem, eles que cuidem dos filhos ao menos hoje. A gente deixa as crianças aqui e tem uma tarde e uma noite reservadas, acho que estamos precisando todas. Por que você não agiliza isso pra gente e eu vou tentar conversar com a Carolina? — Perguntou, já servindo dois cafés gregos perto da tigela com as frutas.


Angra analisou aquela sedutora grega.


— Vai conversar com frutas de inverno e café grego?


Kalinka abriu um sorriso.


— E iogurte natural, suco de bergamota grega do meu quintal, a bergamota é um tranquilizante natural, ela vai perdoar você, deixa eu falar com ela primeiro. Posso ir lá tentar resolver?

— Mas você... Sua sedutora cara! — Disse, a fazendo rir.

— Bem cara, está bem? Mas estou aqui, me voluntariando como tributo para salvar a sua pele com a havaiana-brasileira ali fora. Então, Angra Fernandes, será que eu posso ir lá tentar a missão?


Podia, ia fazer o quê? Kalinka juntou iogurte que, obviamente, era grego também e caminhou para a piscina no mesmo momento que Sofía entrou na cozinha.


Olhou para Angra. E, trocaram um longo abraço.


— Ei, bom dia... — Sofía a apertou nos braços por um instante.

— Bom dia, linda. Eu fiquei preocupada, se você ia dormir bem, se ficou magoada com alguma coisa...

— Eu sei que você ficou — Apertou os dedos dela, “estava tudo bem”, era o sinal — Mas está tudo bem, você conseguiu dormir?

— Não tão bem quanto você, mas...

— Você emprestou a Estela para ela.

— Eu sei. Só para eu ser brindada por este tipo de cena...

— Angra — Teve tom de bronca.

— Eu sei, eu sei. Eu só... Fico irritada. Comigo mais do que com qualquer coisa.


Sofía a olhava e sabia da sinceridade de cada palavra. Não tinha nenhum problema em acreditar em Angra, a sinceridade das duas na relação foi o que as manteve intactas até ali, naqueles cinco anos de relacionamento. Sabia que era verdade, sabia que ela queria resolver, mas não sabia nem por onde começar. Não era que não acreditasse nisso, é que estava resolvendo mesmo ir em frente já que Angra não conseguia se mover.


— Escuta, vamos fazer café da manhã? Para nós duas e para aquele bebê ali, olha. Que eu também gosto de chamar de prova de amor.


Angra sorriu. Era. E sempre seria.


📚


Carolina estava com tantas coisas na cabeça que sequer estava conseguindo pensar com clareza.


Mal havia conseguido dormir, havia rolado de um lado a outro a noite inteira e quando Felipe chegou, foi apenas para se irritar com ele mais uma vez. Detestava se desentender com Angra, sempre havia sido assim, mas a verdade é que o que viu, não lhe fazia sentido ao mesmo que fez todo o sentido do mundo, e o que estava doendo de verdade, no final daquilo tudo, ainda estava confuso demais. Então que, ainda estava ali, de pijamas na piscina olhando para o mar, quando percebeu alguém se aproximando.


Primeiro, viu apenas a bandeja, com café, iogurte e cheia de frutas lindas e então que ergueu os olhos, e...


Era Kalinka. De biquíni e roupão, mais do que pronta para começar o dia e, com aquela linda bandeja de café da manhã. A bandeja linda e ela... Ela linda. Levou um sustinho consigo mesma pela rápida consideração da beleza feminina ali na sua frente. Mas Kalinka, realmente, sinceramente...


— Você já está impecável assim às seis e meia da manhã?

— E te fiz café da manhã. Já provou café grego?


Carolina cruzou os olhos dela. Ela tinha feito café mesmo?


— Só ouvi Angra falando dele mil vezes.

— Então, chegou seu momento — Kalinka sentou-se do outro lado da mesa redonda — Aqui seu café grego, fica ótimo com essas torradinhas aqui...

Hors d'oeuvre da Sofía, igualmente famosos.

— Ela é refinada, não é? Sempre foi, uma filha de imigrantes de origem muito humilde e com conhecimento de tantas culturas diferentes, eu ficava encantada, só ouvindo ela falar. Acho que você não conseguiu dormir também, não é?

— Não tive como, não consegui. Angra e eu já brigamos antes, milhares de vezes, porém, agora... Agora eu me sinto traída de várias maneiras — Observou Kalinka servindo iogurte com as frutas minuciosamente cortadas.


— Eu sei como você deve estar se sentindo.

— É muito particular, Kalinka. É como se... Eu tivesse perdido um pedaço enorme da vida dela. E nós estamos aqui, nesta casa cercada de casais que...

— Estão dando errado.

— Então... Eu achava que era a única que estava dando errado por aqui. Mas ontem, subitamente, tudo pareceu desabar só de uma vez. O Eduardo e a Marcela discutindo tão feio por ciúmes, Erica e Mariane anunciando sorrindo na mesa de jantar que estão se separando, com a Julia ainda tão pequena, que estão fazendo as coisas da melhor maneira possível, para que ninguém sinta muito. O Felipe e eu no momento mais estranho que já tivemos na vida, porém... Ainda tinha Frederíca e Sofía, naquele romance lindo que aparece no meu Instagram dia sim e dia não. E tinha a Angra. Com um casamento calmo, tranquilo, sem problemas.

— Não existe relacionamento sem problemas, Carol. Só há pessoas que tratam desses problemas mais reservadamente.

— Eu não trato, não é? Todo mundo sabe que eu estou com problemas e eu ando sofrendo tanto por... Não conseguir conectar. Por não estar conseguindo cuidar da minha relação da maneira que eu gostaria. Eu queria que fosse diferente, sabe?! Que fosse romântico como Frederíca e Sofía, ou ao menos, arrumado e tranquilo como Angra e Guilherme. Eu aceitaria feliz qualquer uma das duas alternativas. As duas pareciam muito melhores. Porém agora... — Olhou para Kalinka, os cabelos revoltos mais claro nas pontas, coloridos pelo sol, gostava dos cabelos dela, das ondulações naturais — Me fala delas duas. Como isso aconteceu?

— Foi em Abrolhos que começou, você sabe, aquele tipo de conexão....


Carolina suspirou.


Conexão.

— A base de todo bom relacionamento. Elas tiveram uma conexão muito forte em Abrolhos e quando começaram a se falar pela internet, um segundo encontro foi algo natural, surgiu uma urgência imediata de acontecer.

— Realmente não aconteceu nada em Abrolhos?

— Nada físico, mas uma imensidão de situações sentimentais explodiu entre elas e você sabe disso, você estava lá também. Sofía retornou uma outra pessoa de Abrolhos. Eu olhava para ela e via que algo havia acontecido, só não conseguia entender, precisar o que era e quando ela decidiu me contar, eu compreendi. Foi mais do que se apaixonar por alguém, foi encontrar alguém que... Acessou partes nela que ninguém nunca havia acessado. Ela foi apaixonada pela Frederíca, eu lembro que foi e até então, havia sido a paixão mais forte que ela já tinha sentido por alguém. Ela se casou apaixonada, mas era num nível... Confortável. Com um acesso controlado, onde ela conseguia prever qualquer coisa. E de repente, apareceu a Angra e ela voltou muito bagunçada, surpresa com algumas coisas, ela não fazia ideia de que podia se sentir do jeito que estava sentindo, não sabia que existia um nível de atração que enlouquece a pele, que faz o cérebro implorar por um beijo, o corpo pedir por um sentimento, fica tudo invertido, fora de lugar, foi como se a Angra destravasse nela coisas que a Sofía nunca havia sequer visto que existia uma porta. Ela ficou surpresa. Em saber que podia se apaixonar assim, que o amor tinha um gosto diferente do que ela achava que era.

— Paixão arrebatadora.

— É mais rebuscado do que isso. É um amor arrebatador, onde todos os requisitos são assinalados, conexão mental, atração física, sentimentos iguais. Carol, elas se gostam igual, na mesma proporção, eu não consigo te explicar de outra forma. Eu me preocupava com a Sofía, vendo o quanto ela estava apaixonada, rendida, o quanto ela estava acreditando na Angra. Então eu conheci a Angra e vi exatamente a mesma coisa nela, a paixão, o quanto ela estava rendida, o quanto acreditava na Sofía — Contou sorrindo.

— E isso foi quando...?

— Quando a Sofía se separou dela, durante a gravidez da Estela. De repente, aquela maluca apareceu em Cartagena, grávida, com ansiedade de voo, mas estava lá, porque a Sofía tinha terminado com ela e ela simplesmente...

Não conseguia não ir. Kali, eu sempre achei que tinha algo mais naquelas semanas. Angra não estava bem, estava chorando o tempo inteiro, mas eu não entendia.

— E o que achou que tinha acontecido quando ela viajou?

— Um surto. Não seria o primeiro, ela teve um surto de desaparecimento antes, mas quando soubemos que ela estava na Colômbia... Não fazia sentido. Ela disse que tinha ido fechar um negócio, de emergência, mas Marcela não sabia nada sobre este negócio.

— Mas no final...?

— Decidimos acreditar nela. Não cabia um amante, Angra jamais faria uma loucura dessas por homem nenhum.

— Bem...

— Não foi mesmo por um homem.

— Carol, elas são... Um tipo raro de apego. Nada que eu descreva, vai ser justo, sabe? Com o tipo de coisa que eu já vi acontecendo entre elas.

— Kalinka, eu que não sabia de nada, já sentia que algo forte acontecia ali, imagina você sabendo. Eu só não estou entendendo como elas nunca tentaram se separar dos relacionamentos.

— É claro que já tentaram. Mas na primeira tentativa da Angra, Estela aconteceu e elas acabaram concordando que não era a hora, que era melhor esperar e sabe do que mais? Acaba sendo confortável para a Angra aqui, para Sofía lá, é mais do que separar, é mudar uma vida. Sofía não tem mais uma vida aqui, isso também atrapalha e fora as outras situações também. Ela pediu divórcio tem seis meses. Frederíca concordando ou não, Sofía saiu de casa, veio para o Brasil, porém, a Angra não conseguiu se mover. Daí ela acabou voltando para a Colômbia, acabou ouvindo a Frederíca de novo e acabou acontecendo novamente o que ambas sabiam que ia acontecer. Elas estão separadas agora, Fer e Sofía.

— Tipo, agora? Separadas?

— Sofía está com os papéis do divórcio com ela, quem sabe Frederíca decide assinar de uma vez. E sabe o que ferra com todo mundo? Conforto social. Conforto social é uma droga, e eu falo por mim mesma, pela minha separação.

— Foi difícil?

— Parecia impossível. A gente se preocupa com a gente, se preocupa com o outro, se preocupa com os amigos, a família e sabe por quê? Porque é confortável para todo mundo. Ninguém quer perder nada o tempo inteiro. Olha pra essa casa aqui, cheia de casais. Você é amiga da Angra e do Guilherme, com toda certeza gosta dos dois, é bom pra você que eles estejam juntos, não te faz ter que escolher entre um e outro para férias em Búzios. Olha pra mim, eu vivo na casa da Frederíca e da Sofía, nosso grupo de amigos adora estar lá, é divertido, é inteligente, os churrascos são incríveis, ninguém quer perder isso, eu não quero perder isso. E se elas separarem... Perderemos metade disso. Ou perdemos tudo porque pessoas mudam conforme seus parceiros, eu já sei disso também. Você acha que... Ainda acha a conexão? Com o Felipe? Está lutando pelos motivos certos?

— Eu não sei. Ele pediu divórcio ontem — Contou e os olhos deram uma enchida — Quando você me ligou, eu estava no meio de uma discussão em que ele pediu para separar, dizendo que não aguentava mais e... Doeu pra caramba. E eu nem sei dizer bem se doeu em mim, ou doeu pelo casamento que está se destruindo. E então eu chego aqui e pego a Angra e a Sofía...

— Ninguém está livre de se encantar por alguém.


Carolina olhou para ela, mergulhando frutas no iogurte contra a primeira luz da manhã.


— Você me trouxe café da manhã.

— Ninguém merece ter uma conversa densa antes de um café — Respondeu sorrindo, com os olhos brilhando em castanho-denso.


Ninguém está livre de se encantar por alguém.


— Quer fazer um passeio de barco? — Kalinka perguntou do nada.

— Um passeio...?

— Vamos relaxar, apenas as mulheres. O que você acha?


Carolina respirou fundo. Não parecia uma ideia que coubesse recusa.

Notas da Autora:


Olá, menin@s!


Como estão? E já estamos próxim@s ao ano de 2021. Que seja um ano de muitas mudanças positivas!

E agora, falaremos do capítulo 11... Krakatoa, o inferno de Java! hahaha

Muitas intrigas, muitos casais e muitas especulações... O que sugerem? Acredito que ainda o caldo vai entornar hahaha


Como falamos no e-mail que enviamos, teremos um descanso no dia 01/01 e voltaremos novamente no dia 05/01. Mas para isso, vcs precisam bater uma simples meta, certo?


Feliz ano novo, galera! ˆˆ



👇 👇


Grupo muito amorzinho no Whats’App, para quem quiser conversar sobre as histórias assinadas por Tessa Reis, quem tiver interesse, basta clicar aqui:


Grupo Whats'App: https://bityli.com/LetqE


Abraços!


864 visualizações57 comentários

Posts recentes

Ver tudo
  • Black Facebook Icon
  • spotify1600
  • Black Instagram Icon
© Todos os direitos reservados