Angra - Capítulo 13: Erupções




Não sabia bem como havia acontecido, mas quando Sofía deu por si, uma verdadeira festa estava acontecendo durante o caminho de volta.


Aparentemente, o café tinha cortado parte das sangrias e permitido entrada para outros drinques, para cerveja colombiana, que Kalinka tinha trazido, para música alta, para as risadas incontroláveis durante as conversas e dali, para que tudo realmente ficasse muito quente, foi apenas um passo.


Eram garotas se divertindo de novo. Aquelas mulheres adultas, muito bem estabilizadas e com empregos importantes, eram apenas garotas se divertindo outra vez e quando Kalinka passou a ser bombardeada de perguntas livremente sexuais, Angra quase temeu onde aquilo tudo ia parar. Carolina e Luria eram as mais interessadas, as que tinham mais perguntas, daquelas perguntas fruto da curiosidade hétero, confusas sobre como era, de que forma funcionava, que gosto tinha e com toda a certeza do mundo, aquela cerveja colombiana tinha algo a ver com a temperatura de festa, que de repente, aquele grupo tomou.


Ligaram a jacuzzi, tinha uma jacuzzi na parte de trás, levaram o cooler de cerveja e as conversas mais quentes para lá, uma mistura de contos sexuais com experiências pessoais, que mais uma vez, Angra não tinha ideia exata de onde ia parar. Mas então, que Sofía estava de biquíni outra vez, passeando na sua frente, de branco, com aquelas pernas lindas, os cabelos tão compridos, aquele bumbum apontando na sua direção e Angra ainda tentava entender como que alguém podia mexer tanto com o seu corpo assim. Como que seu tesão reagia por ela, sua pele reagia, seus seios, seus músculos, era físico, químico, mental, muscular, nem sabia explicar.


Saiu da jacuzzi por um instante, Angra e seu imponente 1,74, a pele dourada especificamente por aquele dia de sol, e ainda devia estar quente. Sofía quase podia sentir a sensação da pele quente dela, do pós-sol e quando Angra se moveu para ajustar a parte de cima do biquíni... Aqueles seios fartos, gostosos, a marquinha de sol, aquele clima, a música, as risadas, Sofía e Angra eram as únicas que seguiam no vinho. E a garrafa tinha terminado.


Sofía pegou a garrafa vazia e sussurrou algo no ouvido de Kalinka, que estava dentro da jacuzzi, olhou, viu as pernas dela entrelaçadas suavemente às pernas de Carolina e o sorriso que ela deu ao lhe ouvir. Estavam relaxadas demais, e Sofía precisava de mais vinho. Caminhou até Angra, a pegando pela mão pelo caminho e em sussurro:


— Eu quero vinho quente, amor...


Angra fazia o que ela bem lhe pedisse. A única questão é que, não chegaram na cozinha.


Sofía a empurrou para dentro de um dos banheiros, a beijando ainda na entrada, trancando a porta por dentro, para o sorriso de Angra, para suas mãos atrevidas descerem para o bumbum dela imediatamente, agarrando o que estava lhe enlouquecendo, sentindo a pele dela ainda ardendo, do sol, do pós-sol, de vontade, a boca dela pelo seu pescoço e aquelas mãos lhe agarrando os seios firmemente lhe contavam o tanto de vontade que ela estava sentindo. Sofía era quente, era sexual demais, colocou Angra contra o balcão da pia e a beijou longamente, afundando seu corpo contra o dela, deslizando as mãos por aquele corpaço que lhe deixava tão louca o tempo inteiro, e fez Angra sentar-se sobre o balcão, a força que aquele corpo delicado tinha deixava Angra num tesão que...


Sofía suspirou e afundou a boca pelos seios de Angra, descobrindo marquinhas de sol, gosto de sal, o corpo afundando entre as pernas dela e as mãos pegando demais, pegando cintura, quadris e a pressão que Sofía fazia...


Angra suspirou, agarrando-a pelos quadris com suas pernas, descendo as mãos, puxando a parte de cima do biquíni dela de lado, descobrindo aqueles seios excitados que queria sentir contra os seus, estavam fervendo, já tinham guardado tesão demais naqueles dias e Sofía suspirou, apertando as mãos pelos quadris dela, pela cintura, descendo a boca pelos seus seios, absolutamente sentindo partes suas ardendo de tanta vontade.


— Como é que eu me separo de você, me diz? Se eu sou tão... — E delicadamente, puxou a calcinha do biquíni minúsculo de Angra de lado e ela estava... O tesão só veio numa longa linha junto com o tecido — Louca por essa sua...

— Sofía...! — Ela a havia empurrado ali para dentro para morder seu tesão daquele jeito? — Se você não vai...

Comer você? — Ela perguntou, reta e sexy demais enquanto já se abaixava à sua frente, fazendo Angra... Molhou mais, visualmente, na mão de Sofía, deu para sentir a pressão — Caramba, meu amor... Quietinha, fica bem quietinha...


Sofía puxou o biquíni de lado e a tocou com a língua, fazendo Angra vibrar contra o balcão, a tocou e ela estava extremamente molhada, extremamente quente, dilatada de vontade, Sofía se enfiou por baixo das coxas dela e aprofundou a boca, a pegando mais, a lambendo mais, sentindo todo o gosto do qual estava tão louca de saudade, tão louca de vontade. Angra estava salgada, quente, vibrando contra a sua boca, contra a sua língua, as mãos de Sofía a segurando firmemente, Angra perdida entre correr os dedos pelos cabelos dela e segurar seus próprios gemidos, não podia gemer alto, não podia... Não vibrar contra a boca dela, contra aquela língua, que lhe percorria inteira e, subitamente, simplesmente, atacava seu ponto de prazer.


Segurou seus gemidos na mão, enquanto a língua dela lhe tocava, circulando, indo, voltando, prendendo demais, os dedos enterrando nas coxas de Angra, que insistiam em fechar, a mantendo onde precisava, apesar do abdômen insistir em vibrar, na pele arrepiando, no jeito que sua pélvis dava um jeito de se mover para ela, de querer mais, de precisar de mais e não havia orgasmo simples para Sofía, de jeito nenhum havia, queria sua mulher vibrando até o último lampejo de prazer que ela tinha direito...


Veio gutural. Por dentro da pele, arrastando, eletrificando, as coxas apertando firme porque as pernas estavam tremendo, o abdômen estava tremendo e a pancada veio tão forte que Angra teve que afastá-la, ou tentar afastá-la, porque realmente não fazia ideia de como Sofía podia ficar tão forte, mas ela ficava e manteve Angra exatamente onde devia, onde queria, a fazendo beber até a última gota de prazer...


Angra a puxou de volta, sentindo aquele frenesi por dentro, a puxou para sua boca, para beijá-la, para pegar aquele gosto na boca dela, a agarrando, a grudando contra o seu corpo e quando Angra suspirou, suas pernas foram colocadas de lado e suavemente, Sofía lhe penetrou com seu dedo mínimo...


Amor...

— Eu amo você — Ela disse, a mantendo firme contra o seu corpo enquanto suavemente a tocava, movimentos delicados, sabia que Angra estava sensível — Você entende isso? Entende que eu amo?

— É a coisa mais clara que eu sei na minha vida... — Angra a beijou, se segurando contra ela, a sentindo escorregando para dentro de si, delicadamente, suavemente, de uma maneira que... Era sua Sofía, era assim que ela fazia, o corpo dela todo ativado, os braços firmes segurando Angra para perto, mas o movimento suave demais — Eu amo você, linda, amo...

— Você acha que eu consigo?

— O quê?

— Fazer você gozar suave assim?


Só levou um minuto para descobrirem. Angra gozou assim, num movimento suave, lento, muito devagar, em pequenas voltas por dentro de si, círculos prazerosos que então se converteram num movimento de contração, muito delicado, muito gostosinho, o braço de Sofía lhe segurando onde precisava, o dedo esquerdo dentro dela, olhos nos olhos, beijos intermináveis, os dedos de Angra se agarrando contra ela e sim, gozou assim, gozou outra vez, sentindo seu corpo ardendo e seu coração tão disparado, e...


Era uma filha da mãe aquela Sofía Gonzalez.


Angra desceu do balcão e a pegou, pela cintura, pela garganta, contra a parede, a cercando com aquele corpaço, aquela imposição física que deixava Sofía... Mordeu a boca, Angra lhe virou de costas para si, desatando o nó da parte de cima do seu biquíni, pondo a mão pelos seus seios enrijecidos, empurrando a parte baixa de sua cintura contra os quadris de Sofía, aquele bumbum que lhe deixava... Angra abaixou devagar, mexeu no biquíni, sentiu Sofía estremecendo com a proximidade dos seus dedos de sua...


Sofía não era a única viciada ali.


Angra lhe mordiscou o bumbum, a sentindo molhada por cima do tecido do biquíni, então, tirou o tecido de lado e marcou a pele, não com uma mordida, mas uma marca de lábios de um chupão muito bem dado.


— Angra...!

— Vai ficar bem guardadinha aqui — Devolveu o biquíni para o lugar, virando Sofía de frente sem se colocar de pé — É minha, não é? Se a calcinha não sair do seu corpo, ninguém vai ver... — E bem devagar, mordiscou a virilha de Sofía, a fazendo sorrir e se arrepiar inteira.

— Você é uma filha da mãe, eu adoro a sua mãe, mas você é...

— E você ama, não ama?


Pior é que amava. Angra puxou sua calcinha, até o meio das coxas e, mordeu a boca. Nunca se cansaria daquela visão. A tomou para si, quente demais, molhada demais, pulsante que dava para sentir, estava na sua boca, na sua língua, Sofía se inclinando para ela, apertando as mãos por aqueles cabelos avelãs que seguiam avelãs, porque era como Sofía gostava, como ficava louca e se Sofía era forte, Angra era uma outra situação. Passou uma das coxas de Sofía sobre o seu ombro e quando as pernas dela começaram a tremer, simplesmente, a segurou fora do chão, com a boca cravada na intimidade dela, o ponto de tesão sendo estimulado, comido, sentido demais, a fome de Angra, a sede que ela estava, porque desde quando Sofía entrou na sua vida, só se sentia mulher de verdade depois de tê-la na sua boca daquela forma...


Ela gozou forte, estremecendo, se agarrando contra Angra, que terminou de tirar a calcinha do biquíni pelas pernas dela, se colocou de pé e, a penetrou com os dedos, sem dar tempo de Sofía respirar, de escapar, a virando de costas para si, a mantendo assim, a levando para o segundo orgasmo que pegou Sofía forte demais, firme demais, a fazendo segurar os próprios gemidos enquanto se agarrava pelos braços de Angra, empurrando seus quadris contra ela, precisando dela, virou-se de frente e Angra a tirou do chão em um beijo longo... As pernas de Sofía enroscadas pelas coxas dela, os braços pelo pescoço, pelos braços dela, as duas hiperventilando, um corpo se agarrando pelo outro, se apertando, se sentindo, o cheiro, o gosto, estavam com tanta falta, eram tão loucas uma pela outra que era difícil explicar, justificar, era algo que ainda sentido, não era fácil de ser descrito.


— Angra, a gente tem que sair...

— Não, você vem pro banho comigo.

— Angra...

— Eu quero só este direito, tá? Tomar banho com a mulher que eu amo, depois de fazer amor, pode ser?


Angra era louca. E Sofía era louca por ela, junto com ela. Tomaram banho no box apertado, ouvindo as risadas que seguiam do lado de fora, a conversa seguia quente e divertida. E devem ter ficado ali, num namoro sob o chuveiro por quase dez minutos, agarradas, trocando beijos ininterruptos porque a vontade era enorme e nem citaram a saudade que estavam e nem era de muita coisa, era só de poder beijar assim, era só de estarem nuas uma contra a pele da outra, sentindo o corpo, o coração batendo, o tesãozinho que dava e que era suficiente, que não queria passar dos beijos, dos carinhos, eram assim. Angra e Sofía. Era simples assim no final das contas.


Saíram do banheiro e deu para escapar até a cabine que estavam usando, deu para trocar de roupa, para trocar mais alguns beijinhos e quando chegaram na cozinha, já morrendo de fome e pensando no jantar, foi que as garotas saíram do deck e vieram para a cozinha também, ainda conversando animadamente, o tempo havia passado e elas não haviam percebido nada, aparentemente. A marquinha ardia no bumbum de Sofía, não doendo, só lembrando que estava ali, que tinha sido gostoso e quando viu o braço de Angra...


Começou a rir.


— Quê?

— Meus dedos aqui, olha.


Tinham ficado, as pontas dos dedos de Sofía estavam marcadas no braço de Angra, quatro marcas que prometiam ficar ali por alguns dias.


— Ai, Sofía... — Ela apenas riu e lhe deixou um beijo no ombro, ficando pertinho, estavam um apego só depois do amor.

— Vai fazer o que pra gente jantar, amorzinho?

— Eu trouxe hambúrguer pra gente fazer, aquele que eu faço na churrasqueira e você adora?


Era por isso que Sofía a adorava. Era só um dos motivos.


Jantaram antes de chegar ao ancoradouro. Deu tempo de todas irem para o banho, se trocarem, espantar o efeito da cerveja colombiana e o assunto simplesmente seguia, parecia sem ponto de acabar e os hambúrgueres na churrasqueira, com pão australiano, estavam simplesmente deliciosos. E relaxadas estavam a ponto de sequer se darem conta de que Sofía terminou sentada entre as pernas de Angra, deitada no ombro dela, com o braço dela lhe guardando, natural assim, tranquilas desta forma.


— Por que a gente não vai em casa, ver se a Estela está bem e retorna para dormir aqui com elas? — Angra perguntou em seu ouvido, Kalinka e Carolina tinham decidido dormir a bordo.

— Guilherme não vai reclamar?

— Provavelmente não. Menos ainda se a gente trouxer a Estela. E a Frederíca?

— Não estamos nos devendo satisfações há um tempo já.

— Sério que estão assim?

— Angra, eu disse pra você, não disse? Eu não voltei para a Colômbia para ficar com ela, mas no final...

— Ela seduziu você e isso me deixa mais desconfortável do que se você só tivesse voltado por recorrência.

— Eu voltei por recorrência, está bem?

— Recorrentemente voltou para a cama dela.


Sofía queria apertá-la, quando ela tinha aquele tipo de ciuminho bobo!


— O que interessa, Angra, é que estamos separadas novamente há mais de um mês, dormindo separadas, fisicamente separadas, enfim, é isso.


Angra respirou fundo. A tal de Frederíca Gonzalez era uma baita de uma sedutora, sabia disso, e o que lhe matava era sua mente a ficar obrigando a pensar em como... Como. Taurinos sofrem.


— Então a gente desce para pegar o bebê e volta pra cá?


Sofía sorriu. É claro que voltava.


Ancoraram, Kalinka e Carolina nem fizeram questão de descer. Carolina não queria ter que encontrar Felipe, sentia mesmo que precisava de um tempo longe, para colocar suas ideias no lugar e ainda que tivesse descido, não teria o encontrado; quando chegaram de volta, nenhum dos homens estavam ali, tinham saído juntos e deixado as crianças com Marianne e Frederíca. E havia um enorme forte de lençóis montado na sala, com luminárias, aparentemente, todas as almofadas da casa, os edredons, tudo ali e as crianças já estavam todas de banho tomado, cabelos penteados, jantando juntinhos ali embaixo enquanto assistiam Moana. Ah, sim, todos de quimono, Frederíca tinha cumprido a promessa e comprado quimono para todos, as coisas mais lindas da vida.


— Vocês duas... Qual a mágica? — Elas estavam tranquilamente dividindo uma garrafa de vinho na sala enquanto jogavam conversa fora.

— Eles estavam nos atrapalhando! — Marianne contou sorrindo. A amiga de Frederíca, na verdade, era Érica, tinham crescido na mesma comunidade, frequentado a mesma escola durante a vida toda e quando Frederíca conheceu Sofía, acabou conhecendo Kalinka por tabela e com ela, vieram mais algumas garotas da zona sul. Marianne Saadi era uma dessas garotas, ascendência árabe, bonita que passava e Erica não negava de jeito nenhum que parte de sua ascensão pessoal, tinha a ver com aquela menina.


Ao contrário de Frederíca, tinha ido para a faculdade, penosamente conseguiu se formar em engenharia civil e não parou até chegar aonde precisava, um lugar onde ninguém a olharia como aproveitadora da árabe burguesinha, havia sido questão de honra e, de tranquilidade. Só se casaram depois de ambas estarem bem estabelecidas, por si mesmas, não era orgulho, não era nenhum tipo de negativa: só que a tradicional família política de Saadi tinha sido contra desde o começo, não aceitando de sexualidade a tal namorada que morava na Maré. Era uma pena estarem se separando, porque a história delas era linda demais, tinha sido coroada por aquela criaturinha de três anos, que tinha a risada mais frouxa da vida e pensando desta forma, Sofía conseguia entender por que a sua separação causava tanto desconforto alheio.


Casais assim não devem se separar.


— Daí enviamos os três para dar uma volta em qualquer lugar e assumimos os quatro ali, olha. Saadi é arquiteta de fortes infantis, acabei de descobrir — Frederíca respondeu sorrindo ao ver Luria entrando também, relaxada como todas elas pareciam estar.


Sentaram-se todas juntas, falaram um pouco sobre como havia sido o dia e não teve um abraço de saudade, o que deixou as mães extremamente surpresas.


— Mas como assim, gente? Estão enfeitiçados?

— É a magia da Moana. E deles sentirem que estão fazendo algo em grupo, por eles mesmos. Daqui a pouco vão dormir e a gente só tem que recolher cada um para a sua cama — Entre as coisas que Frederíca adorava estudar, estava psicologia infantil.


Marcela perguntou por Eduardo, eles tinham ido assistir qualquer coisa em qualquer lugar, nenhuma das duas havia feito questão de ouvir direito, não fazia mal, Marcela só queria terminar aquele dia maravilhoso perto de seu menino, Carolina nem tinha retornado e Angra decidiu sua vida com um telefonema. Estava tudo bem, Guilherme não fez oposição, desde que ela levasse Estela, porque ele não sabia bem que horas ia voltar, e Frederíca e Sofía tiveram uma conversa tão rápida quanto. Alguma coisa tinha mudado da última noite para aquela. Frederíca estava quase relaxada demais, como se a culpa por algo tivesse ido embora e ela só quisesse...


— Um espaço. Pra gente pensar, para... Refletir. Sobre o que vamos fazer.

Sofía cruzou os braços.

— Está convencida?

— Você não está mais aqui comigo. Eu pensei nisso o dia inteiro. Só não é... Simples. Temos muita coisa a resolver, mas eu acho que a principal delas é... Olha elas duas — Erica e Marianne estavam conversando, rindo sobre qualquer coisa — Se não tiver... Retorno mesmo, que ao menos, seja assim. Eu não vou mais... Te manter refém de mim.


Foi uma sensação distinta. Os olhos de Sofía se encheram de algo que ela não sabia bem o que era, mas também não precisava saber agora. Frederíca a abraçou, lhe dizendo que estava tudo bem, que iriam ter tempo para conversar e resolver tudo, foi a cena que Angra viu a distância. E quando voltaram para perto, descobriram algo curioso. Sofía subiu para pegar algo e Frederíca ficou sozinha com Angra.


— Ela não quer ir. Disse que... Prefere ficar. Com você — Ela era Estela e você era Frederíca, que caiu no riso ao ouvir aquilo.

— Deixa ela ficar, Angra.

— Mas o Guilherme... Eu sei lá que horas ele volta.

— E quem disse que ela vai ficar com o Guilherme? Ela vai ficar comigo. Deixa que eu cuido dela, levo ela para dormir comigo, ela é tipo, filha da minha mulher, deve ter algum parentesco para isso.


E Angra abriu um sorriso.


— Você se diverte demais às minhas custas, gente.

— Você leu o capítulo que eu te disse para ler?

— Ainda não.

— Então, leia — E chegando mais perto dela — E decida. Quatervois. Sabe o que significa?

— Uma coisa que você vai me mandar descobrir.

— Angra, você sabe com quem você está casada? — Ela lhe perguntou, de uma maneira quase esquisita.

— Por que você está me perguntando isso?

— Eu sei com quem eu estou casada. Ela também sabe. Apesar de eu não saber exatamente até onde vai a coragem dela ou... A sua coragem. Eu sei. Só pensa nisso. Vai ser muito melhor para você, que você não esteja desfazendo o meu casamento por nada.


E Frederíca simplesmente foi para a área da piscina, deixando Angra...


— O que foi? — Sofía tinha voltado com uma mochila nas costas.

— Eu não sei se ela... Me ameaçou, se me contou que sabe da gente ou tentou me contar alguma coisa sobre o Guilherme.


Sofía apertou os lábios. Havia ouvido de Frederíca o que ela tinha visto à tarde. Uma confusão na hora de colocar o som, Guilherme ligou o celular na caixa amplificada e uma mensagem de voz tinha reproduzido automaticamente de alguma forma. Uma mensagem numa voz feminina, tão comprometedora quanto qualquer mensagem de voz de Sofía que escapasse do celular de Angra.


— Você sabe o que ela sabe, Sofía. Aconteceu alguma coisa aqui.

— Angra, lembra daquela conversa que a gente teve sobre não interferir nos relacionamentos?

— Caramba, o que aconteceu aqui, hein?

— Olha, você vai falar com ele depois, por agora, já que a criança das cavernas decidiu ficar com a Frederíca, por que a gente não volta para o iate de vez?


Era uma boa ideia. Deixaria para depois, aproveitaria o luxo de passar a primeira noite de toda a sua vida, ao lado de sua melhor amiga e do amor da sua vida.


Voltaram de carro, de Giulia outra vez, depois de beijar Estela e garantir que voltariam pela manhã, não que ela parecesse muito interessada tendo um forte na sala, amiguinhos e Frederíca, mas disseram mesmo assim e voltar dirigindo, apenas elas duas, foi uma delícia. Poder voltar ouvindo as músicas delas, podendo parar para tomar um sorvete, conversar um pouquinho no carro, namorar no escuro e quanto mais ficavam juntas, mas as coisas só pareciam no lugar. Sofía esqueceu o sentimento esquisito da conversa com Frederíca, Angra também esqueceu, dirigiram para o ancoradouro, Kalinka tinha dispensado o comandante, podia fazer aquilo sozinha, Angra estava louca para aprender qualquer coisa sobre dirigir um iate e, foi difícil sair do carro quando estacionaram.


Ficaram de mais namoro, nos bancos de couro mais do que confortáveis e não havia nada que Sofía não gostasse naquele carro. Gostava do símbolo da montadora no volante, gostava do cheiro que tinha, de como era espaçoso, confortável e, adorava as lembranças que tinha dele. De tudo o que já havia se passado ali. Das horas de estrada, com Estela tão pequena, do período em que Angra ficou na Colômbia e que Sofía teve a mais absoluta certeza de que podia ter aquela vida para sempre. Que podia se acostumar. Com o bebê que precisava tanto delas, com Angra por perto o tempo inteiro. Acostumar-se com os passeios no final das tardes, com as estradas para alguma praia perto, sem nenhuma preocupação, porque era Angra e os olhos dela eram apenas de Sofía o tempo inteiro.


Não se disseram quase nada, apenas ficaram de namoro, se agarrando e se beijando, cheirando e percebendo uma à outra. Tinham feito amor mais cedo, aquilo ainda estava na pele, o apego apenas seguia, ele nunca ia embora em momento nenhum. Quase uma hora depois, decidiram descer, e pegar a mão uma da outra foi quase reflexo automático. Angra pegou a mochila que Sofía tinha preparado com as coisas delas duas e agarradas assim, caminharam pelo trapiche até onde o barco estava ancorado.


E, Kalinka e Carolina estavam numa conversa só, na cabine de comando.


— Até que enfim, né, achei que não iam voltar mais. Trouxeram a fondue? Eu descobri um lugar onde a gente pode ancorar de boa, pensem em pessoas bem relacionadas, são esses Saadi...


Era um ancoradouro particular, na casa de praia de algum amigo de Marianne, ela tinha dado a ideia e antes de qualquer coisa, navegaram até lá, com Angra sentada no banco confortável ao lado da direção, prestando atenção em cada coisa.


— Carol, você entende por que eu sonhava com um carro italiano? Olha esses detalhes! Tem assinatura do trabalho italiano...


O iate era italiano também e o clima da noite estava... Um sonho. Sofía jamais imaginou que teriam um tempinho assim, com Kalinka, com Carolina sabendo de tudo e, não julgando mais. Ela parecia interessada em ouvir, em entender como tudo aquilo havia acontecido e quando ancoraram, este foi o assunto. Enquanto faziam fondue, bebiam um vinho especial e conversavam naquela noite absurdamente linda, sem uma nuvem no céu, sem ventos frios exagerados, estava gostoso, agradável, confortável. Era o que se podia dizer só de olhar para Angra e Sofía, sentadas tão juntinhas em um dos estofados do convés, o tempo todo de mãos dadas, fazendo um carinho aqui e ali, com um cuidado, uma atenção uma na outra que...


Carolina nem precisava ouvir a história toda para começar a entender de verdade. Elas ficaram de namoro perto da meia-noite, enroladas no mesmo cobertor, sentadas no final da embarcação, rindo e falando sobre qualquer coisa. Foi a cena que Carolina viu quando voltou de uma longa conversa com Felipe ao celular.


— Tudo bem? — Kalinka apareceu, de calça moletom justinha, uma camiseta cinza, cabelos soltos, desgrenhados pelo vento.

— Conversa muito difícil — E Carolina cruzou os braços, respirando fundo.


Um pouquinho de silêncio, os olhos de Kalinka pegando aquele namoro no final do barco.


— Tem alguma coisa que eu possa fazer pra você melhorar um pouquinho?


Carolina olhou para ela. Estava ventando suave, mas não gelado.


— Essa ideia toda foi sua, não foi? Do iate e tudo mais?

— Você estava tão devastada ontem. Desde o momento que eu te liguei, o seu tom de voz, eu até duvidei que tinha sido você mesma quem tinha atendido. Não parecia você. Claro que eu não fazia ideia do que você contou hoje, mas achei que algo tinha acontecido e que somado ao que você descobriu, tinha causado uma dor ainda maior do que aquela que você estava sentindo anteriormente. E foi um efeito dominó, a Angra ficou arrasada, a Sofía triste, chorosa, a Saadi está se separando, eu achei que fosse ela a querer vir com a gente, a outra Saadi viria, mas a Saadi depois da Julia...


Carolina abriu um sorriso.


— É engraçado você me dizer isso, porque nessas últimas 24 horas, eu estou sentindo como se estivesse conhecendo a Angra de novo. Eu não conhecia... Aquela ali dela. A que é apegada daquele jeito, que é cuidadosa, sabe? Ela comprou tudo o que a Sofía gosta de comer, prestou atenção nela o dia inteiro, sequer chegou perto do celular e o sorriso dela... Eu realmente não conhecia esta dela. Ou conhecia, mas fazia tempo que eu não via. Ela parece tão... Livre. Eu não sei explicar.

— Ela está livre mesmo e eu consigo te entender. Eu também não conhecia esta da Sofía que surge com a Angra por perto. A que ri mais livremente, a que não se preocupa, a que sempre está presente. Eu acho que conhecer alguém, no final das contas, é um estado passageiro, sabe. E isso vale para nós mesmos também. Eu era uma antes de me divorciar, me tornei outra que eu não conhecia e acho que a mudança só é boa quando é assim, quando é tão grande a ponto de a gente ter que se conhecer outra vez. Eu preciso conhecer a minha nova Saadi. E talvez eu goste dela tanto quanto eu gosto dessa Sofía que você está ouvindo rir, a que conta piadas, eu nem sabia que ela era capaz de contar piadas, antes deste estado de liberdade que veio com a Angra surgir. É engraçado, não é?

— Porque elas não são livres ainda.

— Isso. Você é contra romance? — Ela perguntou de repente, fazendo Carolina rir.

— Tanto não sou contra que estou brigando com o Felipe porque quero um. Mas é que a minha ideia de romance sempre foi diferente, namoro tradicional, casamento tradicional.

— E esqueceu do principal? Que o amor é um sentimento, não uma decisão. Você não pode decidir ter um sentimento.


Outro olhar.


— Por que alugou um iate pra gente ir para qualquer lugar?


Kalinka apertou os lábios e abriu um sorriso.


— Eu acho que... A gente já se viu umas três vezes. Você e eu. E em nenhuma das vezes eu acho que pude te conhecer de verdade. Você está sempre pra cima, sempre feliz demais, e quando eu te liguei... Achei uma outra versão. Eu não confio em pessoas sempre felizes, sabe — Contou sorrindo e fazendo Carolina sorrir.


— Deve ser porque pessoas assim não existem. Eu achei que a Angra era a única feliz assim no mundo. Você ainda quer fazer alguma coisa para eu me sentir melhor?


Kalinka gargalhou.


— Quero. Eu adorei conhecer você, finalmente. O que você quer?

— Café grego seria um abuso?


Ela abriu um sorriso lindo.


— Vem, há formas mais interessantes de você abusar de mim...


📚


As crianças dormiram muito cedo, na verdade, antes do final do filme já estavam todos adormecidos e bastou levar para a cama. Frederíca ainda ficou pela sala, escrevendo um pouco, estava com a cabeça cheia de coisas e quando menos se deu conta, tinha escrito sete páginas direto de uma história que ainda não existia. Então, decidiu encerrar. Já era quase meia-noite, catou sua criança das cavernas de dentro do forte, nem sinal da representatividade masculina, melhor assim. Levou Estela consigo, entrou no seu quarto, a colocou na cama, a cobriu. Pensou. Estava inquieta, com a cabeça dividida em tantos pensamentos diferentes que nem sabia. Pegou sua bolsa, seu caderno de anotações, fez alguns desenhos, anotou algumas coisas e decidiu ir para o banho. Gelado, estava precisando de um banho gelado. Molhou os cabelos, relaxou um pouco, saiu do banho, hidratante na pele, gostava de dormir cheirosa sempre, olhou para o lado do balcão que tinha as coisas de Sofía.


Como seria? Ficar sem ela de verdade?


Sabia e não sabia das coisas ainda. Voltou para o quarto, Estela seguia dormindo feito o bebê coala que era, se vestiu, calcinha e top Calvin Klein, preto, colocou uma calça moletom e decidiu descer, porque estava com sede. Desceu, a casa seguia silenciosa e quando pegou uma garrafa na geladeira, ouviu alguém entrando de volta da área da piscina.


E era Luria. Vestida em um Kimono de seda azul, com gola preta que continha algumas letras japonesas, e... O que mais? Frederíca deve ter visto por um segundo, a lingerie por baixo do Kimono, curtinho que só cobria até o meio das coxas dela e, houve um momento ali. Os olhos que se cruzaram, os cabelos dela jogados de lado, os de Frederíca molhados e o fato de Frederíca estar sem camiseta, com as tatuagens dos braços e o abdômen aparecendo...


Luria apertou os lábios inconscientemente. Frederíca se perguntou se era algum tipo de provação.


— Eu vim... Buscar meu livro, tinha deixado aqui — Ela estava com Santorini nas mãos — Aproveitei para ler um capítulo.

— Qual você leu?

— Capítulo... Cinco.

— E... Leu inteiro?


Luria abriu um sorriso quase envergonhado.


— Eu nunca tinha lido... Nenhuma descrição sexual tão... Intensa — Correu a mão pelo cabelo rapidinho.


E, ouviram um chorinho vindo do andar de cima.


Era Bernardo. Subiram as duas, Luria o pegou no colo e ele estava claramente sonhando com algo. Ela o pegou no colo, o Kimono naturalmente abriu e aquele corpo... Aquele corpo era um crime.


Ou, era um aviso de que um crime seria cometido. Como que tinha ido parar naquela casa com aquela mulher? Ela tinha algo de diferente, ela... Mexia num lugar diferente em Frederíca, não sabia explicar. Que lugar que era, ou se alguém já havia colocado a mão ali antes. Respirou fundo.


— Me dá ele aqui um pouquinho — Frederíca pegou Bernardo no colo, falou com ele, conseguiu acordá-lo, acalmar uma criança acordada era mais simples do que tentar fazer isso dormindo. Ele acordou, acalmou e então, andou com ele pelo quarto para que ele dormisse novamente.


Não houve nenhuma palavra. Frederíca só cuidou dele e Luria apenas observou. Ela. E o que mais dava para ver nela. Bernardo pegou no sono outra vez e quando isso aconteceu, Frederíca fez algo esquisito. Ela saiu do quarto com ele, atravessou o corredor, o colocou para dormir junto com Estela. E Luria apenas olhou tudo aquilo com um sorriso inevitável no rosto.


— Frederíca...


Ela voltou, parando na porta do quarto. Um quarto ficava de frente ao outro. Menos de dois metros a afastavam uma da outra. Frederíca apenas olhou para ela, um olhar reto no olho, um sorriso de lábios tão enigmático que...


— Estou te dando tempo para bater a porta na minha cara.

— Você sequestrou o meu filho! — Respondeu sorrindo, de braços cruzados, porque sequer sabia o que fazer de suas mãos naquele momento.

— Eu acho que ele é apaixonadinho pela Estela, fica tão bem perto dela. Você... Lembra onde nós paramos ontem?

— Quando eu lembrei o quanto a Sofía é próxima da Angra e o quanto eu gosto dela, Frederíca...? — Ela tinha atravessado o metro e meio que as separavam e chegando tão, mas tão perto de Luria que sua mão foi parar no abdômen dela quase instintivamente enquanto o rosto dela...


Podia ver seus olhos dentro dos dela. E... Ela lhe mordiscou o canto do rosto bem de leve, muito devagar, enquanto suavemente, sua boca viajou pela trilha de perto da orelha de Luria, até o lado da sua boca, outra mordiscada e com os lábios parados a um centímetro de sua boca...


— Eu acho que a gente estava bem aqui...


E Luria deu um passo para trás, para dentro do quarto, pegando Frederíca pelo cós da calça moletom para trazê-la consigo. Se recostou na parede ao lado da porta e a puxou pela calça até a parte baixa da cintura dela encontrar completamente contra a sua... Os suspiros escaparam, com as bocas tão perto que conseguiram sentir o hálito quente uma da outra..

.

— Você está sentindo isso? — Frederíca sentia a mão dela apertando à frente da sua calça.

— Eu não quero um problema — Luria não queria mesmo.

— Nós já temos um.


Já tinham.


Frederíca a pegou pela nuca e a beijou.


Densamente, deslizando seus lábios intensamente pela boca dela enquanto tão sexy quanto era possível, sentiu sua boca mordida, sua calça invadida, o Kimono de Luria escorregou pelos braços dela e, Frederíca a enlaçou pela cintura, a segurando pela garganta, chegava daquilo.

Sequer trancou a porta.


Frederíca levou Luria para a cama, entre beijos em erupção e mãos para todos os lados, a lingerie mínima, aquela pele quente, ardendo contra a sua, Frederíca a deitou na cama e seu corpo se encaixou entre as pernas dela, que se enroscaram enquanto aquelas mãos ansiosas puxaram sua calça para baixo, descobrindo os seus quadris e quando os dedos dela simplesmente lhe agarraram por cima da calcinha...


Frederíca suspirou.


— Certeza de que você nunca fez isso?

— Desse jeito? Nem com mulher, nem com ninguém.

Notas da Autora:


Olá, meu povo!


Meta batida! Então, nada mais justo do que cumprir o acordo!


Primeiro, quero dizer: Muito Obrigada!


Vocês simplesmente são demais, demais mesmo.


Por este motivo, teremos capítulo dobradinha, então, vocês já terão um pouco mais de noção de como as coisas começam a tomar o seu rumo.


E sobre este capítulo 13, capítulo quente, né? Ufa! Segundo Tessa, este é o capítulo mais quente que ela já escreveu até hoje, em toda sua carreira de escritora. 😅


Bom, aproveitem a o próximo, capítulo 14, Porto e Tempestade.


Aliás, como teremos mais um capítulo no dia de hoje, gostaria de mudar um pouquinho as regras...


Capítulo 13, 40 comentários e capítulo 14, mais 40 comentários, assim liberaremos o capítulo 15, no dia 12/01.


Ah, e mais um desafio, hein... Para na próxima sexta, dia 15/01, se vocês baterem a meta de 140 avaliações em Havana, na Amazon, e 90 avaliações em Delirium, também na Amazon, teremos postagem dupla na sexta que vem novamente. O que acham?


Bora bater mais este desafio?!


Beijos!


👇 👇


Grupo muito amorzinho no Whats’App, para quem quiser conversar sobre as histórias assinadas por Tessa Reis, quem tiver interesse, basta clicar aqui:


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