Angra - Capítulo 14: Porto e Tempestade




Foram dormir perto da meia-noite e a gentileza de Kalinka era uma coisa que... Carolina estava admirando.


— Elas não conseguem dormir juntas com regularidade, você deve imaginar, depois da Estela, as coisas mudaram muito. Então, eu pensei que, se você não se importar de dormir na mesma cabine, nós poderíamos deixar a suíte para elas. Tem um sofazinho, eu posso dormir nele.


Carolina estava de braços cruzados, olhando para ela, com um sorriso no rosto.


— Por que eu colocaria você para dormir num sofá?

— Ah, Carol...

— Está com medo de que eu abuse de você de verdade, é?


Ela sorriu olhando para baixo, no limite entre estar ruborizada e estar charmosamente seduzindo, ela e Angra tinham o mesmo DNA, era impressionante.


— Você acha que eu consigo...?

— Kalinka... — E quem acabou vermelha foi Carolina.


Ela deu um passo em sua direção.


— Você é atraente pra caramba, você sabe disso, não sabe? — Disse muito pertinho dela, lhe olhando reto nos olhos — E sabe que passei o dia inteiro com vontade de te beijar?

— Kali... — Seu coração acelerou, de um jeito que ela sequer esperava. Ficou nervosa, trêmula, vermelha, provavelmente.

— Sabe disso? Porque eu quero que você saiba... — Ela baixou o olhar e achou seus olhos novamente, um movimento simples e sedutor — E, você sabendo, quero que saiba também que respeito o seu relacionamento, mas te acho interessante tem um tempão já, e... — Ela abriu aquele sorriso lindo, a centímetros de Carolina — Eu acho que agora eu preciso dormir no sofazinho mesmo, né?


Carolina abriu um sorriso também, a abraçando pelo mero motivo de que sentiu muita vontade. De abraçar, sentir o perfume francês dela, senti-la... Perto. Era bom sentir alguém perto assim.


— Depois disso é que você não vai dormir no sofá mesmo...


Não dormiu não. Kalinka beijou a mão dela sorrindo e foi anunciar ao contrário, nada de dizer que tinham deixado a suíte para elas, e sim, que tinham decidido dormir na outra cabine, que queriam conversar um pouco mais, qualquer desculpa educada, apenas para ver no rosto de sua melhor amiga, aquele sorriso luminoso que vinha sempre que ela tinha mais um tempinho com a sua Angra.


Sofía beijou Angra, ficando na ponta dos pés, enroscando os braços pelo pescoço dela, sentindo aquelas mãos firmes lhe apertarem pela cintura, na proa do barco, enquanto ventava suave e aquela noite não poderia ficar melhor. Podiam reclamar de suas nornas e moiras de vez em quando, mas o destino seguia trabalhando para proporcionar a elas mais algumas horinhas que fosse juntas o tempo todo.


— Para a cama, meu amor? Pra gente assistir série?


Angra abriu um sorriso lindo.


— Na coberta, no nosso calorzinho. Para a cama, linda, vem...


Foram para a cama, curtir a tal suíte em alto mar, que em nada lembrava as cabines minúsculas nas quais passaram o living on board, mas que trazia uma sensação gostosa da mesma forma. Era maior, tinha banheiro, a cama era de casal, mas era apertadinha, o que de forma alguma era um problema para elas. Deitaram-se juntas, Angra no peito de Sofía enquanto assistiam juntas a uma série qualquer no notebook e estavam tão cansadas que Angra pegou no sono em meia hora. Sofía notou, sorriu, beijou os cabelos dela com carinho, só fechou o notebook, deixou de lado, não queria acordá-la.


Levou um pouquinho mais de tempo para pegar no sono e, foi acordada por uma mão dentro da sua camiseta e a uma boca grudada na sua nuca.


Seus seios enrijeceram imediatamente, a pele se arrepiando bem devagarinho e sentiu o sorriso de Angra em sua nuca, sentiu aquele carinho ficando mais gostoso, mais molhado, a mão boba dela pelos seus quadris, ajustando muito contra a parte baixa da sua cintura, e então, delicadamente, dedos escorregando para dentro da sua calcinha...


Ela estava...? Ela estava e Sofía já estava molhada o suficiente.


Angra se virou para cima de Sofía, já tirando o cobertor das duas, as coxas de Sofía se agarrando pelos quadris dela, as mãos arrancando o blusão de Angra, agarrando a pele dela, o beijo gostoso, quente demais, os seios se encontrando, causando um aperto no tesão, a calcinha de Angra voou pelo quarto, as mãos dela por dentro da calcinha de Sofía, agarrando os quadris, a grudando contra si, que horas eram? Uma, duas da manhã? Não importava, tudo o que importava é que não havia nada mais gostoso do que acordar com tesão ao lado de todo o motivo do seu desejo.


Angra tirou a calcinha dela, beijando sua cintura, o meio das suas coxas, beijou seu sexo gostosamente, e:


Linda, vem, vem pra cima de mim...


E era o tipo de coisa que deixava Sofía...


Louca, com tesão rosnando na mente, uma reação física que... Virou-se para cima de Angra, a pegando, a segurando, a beijando, perdendo a boca pelo pescoço dela e só de se encaixar entre as pernas dela... Era uma coisa que a pegava todas as vezes, o jeito que as pernas de Angra se encaixavam, o tipo de elasticidade que permitia que o seu sexo quente e excitado, literalmente, encostasse contra o dela...


— Ai, meu amor...


Era algo muito delas. Sofía passou o braço por baixo da nuca de Angra, a prendendo contra si firmemente e muito bem encaixada entre as coxas dela, gostosamente, começou a se mover contra ela. E era físico e era mental, o jeito que Sofía se movia pelo sexo de Angra, a tocando e se afastando, tocando de novo, num movimento gostoso, envolvente, vigoroso demais. Angra podia sentir os músculos dela todos em ação, podia sentir toda a força daquele corpo feminino, os seios dela esfregando contra os seus, as mãos de Angra cravadas naquele bumbum, empurrando contra si, para o meio das suas pernas e cada vez que seu sexo encontrava o dela...


Só a queria, daquele jeito, só queria Sofía se esfregando em si, sexy demais, gostosa demais, ela fazia gostoso de qualquer jeito, com a boca, com os dedos e esfregando daquela maneira, lhe segurando contra a cama, contra o seu corpo e afundando entre as coxas dela, cada vez mais fundo, esfregando mais, mais firme, mais demorado. O corpo dela ficando mais suado, o de Angra suando também, o jeito que se grudavam uma contra a outra, o movimento da pélvis de Sofía, de Angra se empurrando para ela, e nada era igual àquele tipo de orgasmo mental cada vez que se tocavam assim.


Sofía a segurou mais firme, fazendo mais rápido, mais fundo, rebolando contra ela, se esfregando demais, podia sentir Angra extremamente molhada, podia se sentir extremamente molhada, escorrendo contra ela, deslizando por ela, não precisavam estimular com os dedos, não precisavam se tocar profundamente, bastava imaginar, dentro uma da outra, os gemidos subindo, ficando mais altos, mais excitados, gemido de quem vai gozar, de quem está gozando, o movimento ficando forte, pegando, escapando, prolongando, olhos nos olhos e, gemido mais alto de Sofía, ficava louca só de imaginar entrando nela, naquela sua garota, era louca por ela, pelo sexo gostoso que ela tinha, louca por aquela abertura de coxas, gostava assim, ampla, entregue, sua, ah, sim, sua.


Angra gozou, pegando os quadris de Sofía, a agarrando pelos braços firmes, sentindo o corpo suado, vigoroso, louca demais e suas pernas mal reduziram os tremores e, Sofía montou na sua coxa. Toda molhada, quente demais, ainda segurando Angra contra a cama e se esfregando contra a pele dela, perseguindo mais prazer, querendo gozar de novo, gemendo alto demais enquanto Angra a pegou pela cintura, se pôs sentada e, abocanhou os seios dela, sentindo, mordiscando, puxando Sofía pelos quadris, a fazendo se esfregar mais, deslizar mais, as coxas dela completamente abertas, afundando o toque do seu sexo contra Angra, tocando, esfregando, precisando de mais, Angra mordeu um sorriso a estimulando contra o seu corpo: aquela era a sua Sofía, sempre ardendo de vontade, com o corpo exigindo por mais um orgasmo.


Ele veio, forte e gutural, veio explodindo de vontade, desaguando contra a coxa de Angra e se ela sempre queria mais um orgasmo, ela sempre queria dar mais um orgasmo também...


Linda... — Angra gemeu a vendo lhe puxar pelas pernas, e lhe deitar contra a cama outra vez.


Ela só lhe olhou nos olhos, já descendo a boca para entre as coxas de Angra. Delicadamente, a provou, só um pouquinho, só para fazer Angra estremecer contra a cama.


— Eu vou fazer bem devagar...


E ela fez, bem de leve, muito suave, gostosa em cada centímetro de movimento, lambendo Angra, lhe penetrando com a ponta da língua, provando dela, lento, muito lentamente, “eu quero dormir com seu gosto na minha boca...”, ela sussurrou e como Angra estaria apta a não gozar imediatamente ao ouvir aquilo, nem sabia.


Gozou sim. E terminaram tão exaustas que sequer, lembraram de pôr roupas de volta.


Dormiram nuas, muito agarradas uma na outra, Angra no peito de Sofía, naqueles seios fartos que eram toda a sua loucura, nua contra a pele dela, agarrada nela, sim, dormiu assim, apegada, agarrada, dentro de uma fantasia.


E era sempre assim que dormiam uma com a outra.


📚


Carolina abriu os olhos sem precisar de despertador. Tinha ido dormir tarde porque o assunto com Kalinka apenas ficava mais e mais interessante, e quando perceberam, já estavam falando a quase quatro horas de tempo e já sabiam coisas uma da outra que iam da adolescência até a infância. Kalinka tinha uma história de vida muito interessante, privilegiada sim, ela tinha plena consciência de todos os seus privilégios, mas trabalhava para retribuir ao mundo tais privilégios da maneira que era possível.

Desde o seu quartevois, seu ponto de virada, Kalinka tinha retomado as coisas que acreditava quando era criança. A vontade de ajudar o mundo, que naquela época parecia apenas fantasiosa, era possível sim na vida adulta. Numa escala menor, mas que já fazia diferença, uma vez que o número de pessoas aptas a ajudar não é muito grande na sociedade, igualmente desigual no mundo inteiro. Então, tirava férias fazendo voluntariado por ONG’s diversas, já havia construído escolas em Moçambique, redes de esgoto no Haiti, patrocinava estudos de jovens pobres das periferias do Rio de Janeiro e Carolina lembrou de Sofía dizendo que tinha sido a primeira da lista desses jovens pobres de comunidade.


— A cada vinte jovens, deve haver uma Sofía. Inteligente como ela, aguerrida, trabalhadora e com sorte, porque mesmo ela com tudo isso, a sorte demorou a sorrir, viu. Mas ela não desistiu. Como a Erica não desistiu, a Frederíca igual. Mas a vitória não está sempre em se destacar, às vezes está só em... Sair daquele lugar. As pessoas são boas, mas favelas não são bons lugares para essas pessoas. Não é saudável você acordar com tiros. E nem receber ajuda do tráfico para não passar fome. Então, de vinte jovens, que haja uma Sofía, uma Érica, uma Frederíca. E que haja dez Maria del Cielo, a mãe da Sofía, que brigou, trabalhou demais até conseguir um lugar melhor para os filhos crescerem. Isso também é vitória. Treze vencedores já são resultado melhor do que sete conformados — Ela lhe contou, deitada ao contrário na cama, mantendo uma respeitosa distância de Carolina.

— Você admira a Sofía demais, não é?

— Ela conseguiu as coisas que eu tenho de importante sem ter os meios que eu tinha. Mesma coisa a Erica, mesma coisa a Frederíca. Olhar para elas me lembra das coisas que eu preciso ser grata.


Carolina dormiu pensando nisso. No quanto andava negligenciando a sua lista de gratidões, ou em quanto tempo sequer pensava nela. E acordou primeiro. Abriu os olhos e viu Kalinka dormindo na ponta da cama, de costas para si. Era tão diferente de acordar ao lado de Felipe, ou de qualquer outro namorado. Não sabia explicar bem, mas... A imposição física era diferente. O espaço que ocupava, o cheiro do seu lado, os cabelos macios, a pele macia, não que tivesse dormido agarrada nela, mas suas peles se encontraram em alguns momentos, num resvalar de braço ou de perna, Kalinka se movia bastante e... Era diferente. Tal como as ideias dela eram diferentes, os detalhes com os quais ela se preocupava, a gentileza e o quanto ela era direta. E isso não tinha a ver com ser homem ou mulher, tinha a ver com um tipo de personalidade que Carolina simplesmente gostava.


Melhor levantar.


Levantou-se devagar, para não acordá-la, ainda era cedo, pegou suas coisas para tomar um banho rápido no banheiro social e assim que pisou no convés...


Elas já estavam lá. Angra e Sofía, sentadas em um dos estofados, ainda de roupa de dormir, Angra com a blusa manga-longa do pijama, a parte de baixo do biquíni, Sofía na camisa branca de Angra, que alcançava as coxas dela, estavam com uma bandeja ao alcance das mãos, com café, frutas, pães, algumas torradas, geleia, manteiga e, os pés de Sofía sobre as coxas de Angra, recebendo carinho enquanto Sofía lia para elas duas. Aquele livro que Frederíca deu a Angra, o capítulo que ela tinha pedido, em inglês, que Sofía ia traduzindo enquanto lia.


O tempo é uma vadia, sim. Mas apenas é, se nós deixamos ser. Aqui está uma verdade simples que eu acho que todos nós precisamos enfrentar: as pessoas que encontramos no tempo errado, são na verdade, as pessoas erradas. Você nunca conhece a pessoa certa no tempo errado porque pessoas certas são...Timeless”, qual é a palavra em português...?

Atemporal — Angra tomou um pouco mais do seu café com muito leite, do jeito que ela gostava.

— Isso, atemporal. Você nunca conhece a pessoa certa no tempo errado porque pessoas certas são atemporais — Fechou o livro devagar, trocando um olhar com Angra — Frederíca te mandou ler este capítulo, especificamente?

— Mandou. E insistiu. Pessoas certas são atemporais, já pensou nisso direito? Já pensou como seria se a gente tivesse se conhecido antes do casamento? Você teria paciência para me resgatar das trincas de baladas que eu fazia? Quinta, sexta, sábado, rodeada de gente cheia das piores intenções possíveis... — Disse, fazendo Sofía afundar o rosto no livro.

— Pelo amor, Angra...

— Você ia me buscar nas baladas, linda? Ou ia me deixar chegar em estado decadente em casa todo final de semana? — Não parava de sorrir também.

— Nunca que eu ia te buscar em balada, Angra Fernandes, mas de jeito nenhum que suas baladinhas iam contar com a minha ilustre presença! — Ela gargalhou, pegando mais algumas frutinhas.

— E onde que eu te encontraria? Com vinte, 21 anos?


Sofía olhou bem para ela.


— Ia estar dando uns pegas num contatinho no restobar em que eu trabalhava...


Angra gargalhou.


— Sofía...! Imagina? Eu tendo que lidar com todos os seus contatinhos do restobar...

— Você ia ser um dos meus contatinhos...

— Nunca que você ia me pegar para fazer de contatinho, mas de jeito nenhum que ia! — Mais risadas e olhos se encontrando de uma maneira muito diferente. Angra pegou a mão dela — A gente se encontrou quando tinha que se encontrar. Eu encontrei a versão certa de você pra mim, você a mesma coisa. A gente tinha que se conhecer daquela forma. Eu tinha que ter a Estela. Você tinha que dividir comigo os primeiros meses dela, a criação dela. Tinha que ser assim.


Sofía pegou a mão dela e beijou.


— Eu sei disso. Por mais difícil que tudo tenha sido e ainda seja, tinha que ser assim. Eu não trocaria a nossa história até aqui por nenhuma outra possibilidade.


E assim, Angra foi para o colo dela e a beijou, longamente, contra a luz do sol da manhã.


— É um romance, eu não disse? — Kalinka surpreendeu Carolina, ela já estava de pé também.


Carolina sorriu.


— É um romance e aparentemente, também é vida real.


Kalinka a olhou mais de perto.


— Desconfortável?

— O seu sono é realmente pesado, viu, beijo não é nada perto das coisas que eu ouvi em plena às duas da madrugada...


Kalinka caiu na risada e, as duas de romance, enfim, as perceberam ali. Vieram dar bom dia, falar de como o dia estava bonito, já tinham que voltar, afinal...


— É aniversário da Sofía amanhã, a gente tem que pensar em alguma coisa...

— Angra... — Sofía não queria nenhuma confusão, nenhuma festa que pudesse dar errado.

— Dá até azar não comemorar aniversário, Sofía, a gente vai pensar em alguma coisa sim...


Sofía olhava para ela. A abraçou, muito forte, pensando no quanto fazia sentido que a pessoa certa fosse de fato, atemporal.


📚


Voltaram pra casa.


Kalinka levou o iate até o ancoradouro anterior, o dia estava lindo demais, mas quando entraram no carro, uma chuva começou a acenar. E era impressionante como o Giulia, de Angra, sempre se destacava. Estava ali, brilhando seu azul-metálico perfeito, o triângulo preto invertido no para-choque, a marca Alfa Romeo.


— Adoro essa história aqui — Bateu a mão no símbolo do para-choque antes de entrarem, enquanto Angra colocava suas luvas de couro. Tinha acontecido um pequeno acidente com uma das mãos dela antes de aportarem novamente, uma corda se soltou do mastro, que Angra tentou parar impulsivamente e, a pele queimou uma área da palma de sua mão. Carolina tinha cuidado, visto se estava tudo bem, era um acidente sem muita gravidade, porém, Angra perdera um belo pedaço de pele e ia incomodar até curar. Tinha sido um acidente, mas por algum motivo, Angra tinha ficado pensativa desde então.

— Qual história?

— A simbologia aqui. O brasão de Milão deste lado, porque era tradição utilizar símbolos regionais em competições nacionais, o anel azul representando a realeza e do outro lado, a serpente engolindo o homem que foi o desenho de outra figura política poderosíssima da Itália: um arcebispo de Milão. Os italianos gostam disso, de enaltecer a cidade de onde vêm, torna tudo mais poderoso. E os outros simbolismos da marca, eles tiveram um Giulietta antes de um Giulia, para combinar com o Romeo, o sobrenome do engenheiro principal. São esses easter eggs que fazem toda diferença.


Angra lhe olhou. Agora estavam dentro do interior caramelo.


— É como se você pudesse me contar uma coisa por dia.


Sofía abriu um sorriso.


— Coisas inúteis.

— Que fazem a Frederíca ter mais do que um diferencial quando escreve.


Sofía olhou para ela.


— Angra, está tudo bem? A mão está doendo?


Ela apertou o botão da ignição que ficava no volante, o painel se acendeu.


— Temos que voltar para a bolha. Você, provavelmente, vai me afastar a tarde inteira e, minhas mãos vão doer de vontade de tocar você. Você disse que a Frederíca aceitou o divórcio?

— Agora ela precisa aceitar assinar. Mas... O sentimento é esquisito.

— Você tem medo de ficar sem ela.

— Você sabe que a Frederíca é bem intransponível. Ela diz que eu sou assim, mas ela consegue ser mais do que eu. Eu nunca sei o que ela realmente pretende. Mas eu estou trabalhando em ficar sozinha tem um tempo já...

— Você insiste em dizer “sozinha”.


Ela não respondeu, apenas olhou para Angra. Angra ligou o carro, a sinfonia mecânica foi a única música ouvida até chegarem em casa. Não que não tivessem se falado, sempre falavam, as mãos sempre se encontravam, os olhos, os sorrisos também, é que cinco anos depois, realmente, não havia mais o que pudessem se dizer sobre a situação toda. As duas haviam falhado em momentos diferentes e aquelas falhas levaram ao cenário inalterado, que seguia desgostando ambas, porém, porém...


Eram incapazes de consertar. Estava claro que Sofía tinha certeza de que Angra era incapaz de se mover ainda, e não tinha muito como argumentar mais. Estava no final dos seus argumentos e o que doeu de verdade, quando parou o carro na garagem, foi imaginar que talvez, tivesse acabado de ter sua última noite com Sofía. Aquilo encheu sua garganta e literalmente, sentiu encher seus pulmões.

— Angra...?

— Eu só preciso da minha bombinha por uns minutos, vamos entrar.


Angra tinha asma, Frederíca também. A coincidência maior viria mais tarde.


Entraram, ainda em silêncio, Sofía foi ver algo com Kalinka na rua assim que ela também chegou e, Angra avistou Guilherme na área da cozinha. Foi até ele, ele estava preparando as coisas para o churrasco.


— Ei, você — Ele a recebeu com um sorriso.

— Ei — Ela sorriu de volta para ele.

— Olha o que o Eduardo e a Frederíca fizeram ontem, o Felipe ficou louco, uma churrasqueira de bafo com umas coisas velhas que acharam lá na garagem e um materialzinho de nada de solda.

— Era o que ela fazia antes de começar a escrever, sabia? Não fez faculdade, mas fez curso técnico de solda.

— Ela contou que trabalhou com isso por um tempo, que conheceu a Sofía toda bem arrumada numa noite e no segundo encontro, perdeu a hora e chegou saída do trabalho, o mais limpa que tinha conseguido ficar na metalúrgica.

— Que era quase nada, tomou banho, mas a roupa estava maravilhosa. Felipe deve ter adorado.

— Ela é portátil, ficou o dia inteiro perturbando, perguntando se não podia deixar menor, daí dava para colocar nas mesas lá da hamburgueria, já pensou? Poder fazer o churrasco na mesa enquanto assiste o jogo, naquelas mesas externas...


Angra estava sentindo dor agora. Dor no peito, nas mãos, na mente. Tentou se manter.


— O que vocês fizeram ontem?

— Ah, a gente foi lá para aquele restaurante, depois achou um bar para assistir ao jogo, quando terminou, pegamos umas cervejas e paramos o carro na orla, foi tranquilo.

— E o Felipe falou da Carolina? Ele pediu a separação.

— Ah, Angra, de cabeça quente, claro que ele não quer se separar de verdade. Eu estava falando com ele, tem que ter gratidão pela mulher que se tem em casa, caramba, eu chego todo dia e tudo está no lugar, arrumadinho, a Estela está bem cuidada, eu tenho maior gratidão por isso, sabia?


Angra abriu um sorriso desacreditado.


— Gratidão? Não basta ter gratidão não...

— Eu sei, tem que ajudar também.


Outro sorriso.


— Dividir, você quer dizer?

— Angra, eu já melhorei nisso, não melhorei? Depois que a Estela nasceu, eu me esforço também e você não fica mais pegando no meu pé, entende as minhas necessidades, homem é diferente, tem que ter essa compreensão também. Casar é compreender os dois lados. Eu falei pra ele, ela sempre quis ter um filho, é a hora de ter, querendo ou não, um moleque mantém junto. Eu não teria como criar a Estela sozinho e nem você também teria. É um prolongamento de parceria. A nossa funciona até hoje, de boa, eu tenho as minhas liberdades, você tem as suas, está tudo bem, ninguém briga por nada.


Angra puxou o ar mais profundamente, iria precisar de medicação mesmo. Guilherme tinha as suas verdades sobre Angra e não era uma ou duas vezes que ficava desconfortável com determinado tipo de assunto, que não correspondia aos seus pensamentos. Devia ser daí que Luria e outras da sua equipe lhe consideravam tão antiquada.


— Não vai perguntar da minha noite?

— Eu sei que você se divertiu, com as suas amigas.

— Guilherme, eu queria que a gente tivesse um tempo para conversar...


Ele a olhou. Estava desarrumado, de short amassado, sem camisa, os cabelos desgrenhados, não tinha dado tempo de cortar antes de viajar. O galã com quem Angra tinha se casado era bem diferente do homem que Guilherme tinha se tornado. As cervejas e as saídas constantes deixavam marcas, no corpo, no rosto e o jeito que ele simplesmente decidiu não se cuidar mais, lhe incomodava. Ele não cuidava do necessário sozinho, nem do que referia a ele mesmo.


— Está tudo bem. O que você quer conversar?

— Sobre o que não está bem. Sobre o seu negócio que você não me fala nada, sobre o que acontece comigo, sobre... O futuro. Estamos adiando essa conversa.


Ele sorriu.


— Sabemos do futuro. Está tudo bem, estamos de férias, você está curtindo o que quer curtir, não está? Não é um problema, eu estou de boa. Me fala, quer que eu faça as cebolas na churrasqueira?


Ele não queria ouvir. Nunca havia quisto, não era novidade.


Quando Sofía retornou de sua volta de Subaru, com as coisas compradas, buscou Frederíca e lhe disseram que ela não tinha descido. E nem Estela tinha. Não era nem dez da manhã ainda, mas para os padrões de Frederíca, ela já deveria estar de pé. Subiu, com sua mochila da noite anterior e quando entrou em seu quarto, Frederíca ainda estava dormindo e a cena era... Frederíca por cima dos lençóis, com Estela agarrada em sua cintura e, Bernardo dormindo em seu braço.


Bernardo?


Sofía olhou para trás, a porta de Luria seguia fechada e, também não tinha a visto lá embaixo, mas Frederíca estar dormindo até mais tarde e com Bernardo... Nem precisava aprofundar tanto. Fazia uma ideia do que tinha acontecido. Então, notou que Bernardo estava sobre o peito de Frederíca e que ela estava respirando muito profundamente. Fechou a porta, deixou a mochila de lado e quando foi pegar o bebê...


Ela acordou, meio de sobressalto.


— Sofía...

— Ele está dormindo em cima de você — Sorriu, o colocando para dormir no canto da cama — Tudo bem? Você não parece...

— Muito bem, eu sei — Ela respirou fundo, colocando Estela para dormir de lado também — Eu acordei mais cedo, mas me sinto esquisita, respirando mal...

— Asma?

— Eu me deitei para dormir mais um pouco, para ver se melhorava, mas... — Respirou fundo outra vez, com a aparência abatida, olhos profundos — Aparentemente nada — Olhou para Sofía, era verdade, ela nunca havia estado tão bonita antes. Estava de short jeans, top de crochê, muito delicado, muito bonito e uma determinada camisa branca por cima, que sabia muito bem de quem era — Como foi a sua noite?

— Eu respondo, mas você precisa estar disposta a ouvir e, precisa me contar da sua noite também.


Frederíca olhou bem para ela. E chegou mais perto.


— Sofía, eu... Eu estou com medo de separar...


Sofía também estava. Respirou fundo, porque eram muitas questões, a indecisão de Angra, detestava admitir, mas a verdade é que existia em si um medo de ficar sozinha muito grande. Não queria justificar, mas não tinha mais sua família e a verdade é que, depois de tudo o que aconteceu, Frederíca e Kalinka era a família que tinha, e isto deveria justificar também aquela sua vontade insana de ter um bebê logo no começo do casamento. Era uma luta pessoal naquele momento, se empoderar para ficar sozinha, todos nós somos altos suficientes, nos bastamos, precisar de alguém é um luxo que nem sempre devemos nos deixar ter. Sabia de tudo isso, porém, ao mesmo tempo era um trabalho árduo de própria reconstrução, que sabia, ainda não tinha terminado.


— A gente consegue. Eu já disse pra você que separar, não é abandonar, desaparecer, é apenas... Modificar algumas coisas. Você precisa de liberdade, Fer e eu também preciso, o nosso relacionamento se tornou algo feito de situações externas, de trabalho, e a parceria principal acabou simplesmente... Olha, você não é louca por mim — Disse e ela abriu um sorriso.

— Como que eu não sou? Você é essa coisa linda... — Tocou o rosto de Sofía.

— Por quem você já foi louca, eu sei — Beijou a mão dela com carinho — Mas faz algum tempo que não é mais e você é escritora, Fer, você precisa estar louca por alguém, se não sempre, ao menos não estar com alguém que... Te entedia. Eu sei que eu te entedo. Olha, é isso, não vamos pesar o nosso dia...

— Amanhã é seu aniversário.

— Trinta e três, um número mágico e... — Bernardo começou a acordar enquanto Sofía mexia nos cabelos dele — Por que ele dormiu aqui com você?

— Acordou chorando, acabou vindo pra cá.

— E a Luria? — Sofía abriu um sorriso porque, sua coisa linda tinha acordado também. Sentou na cama, toda de pijaminha, aqueles olhos que mudavam de cor, que tinha ganhado de Angra e, a manha também. Lá veio ela, buscando o colo de Sofía, pedindo carinho, que é claro, Sofía sempre estava pronta a dar.

— Mami, frio, está frio... — Se enrodilhou no colo de Sofía, feito um gatinho.

— Sua filha, está vendo? Manhosa igual a mãe, a outra — Frederíca fez um carinho nos cabelos de Estela.

— Não é manhosa... — Estela repetiu, esticando a mãozinha até Frederíca, era apaixonada por ela, não tinha jeito não.

— Não é manhosa, não, coisinha linda? É manhosa sim! — Frederíca cheirou a mão dela sorrindo, a fazendo rir também.

— É Sofía!

— Sua mami, não é?

— Colombiana... Igual eu...


Sofía beijou os cabelos dela, com os olhos brilhando.


— Você é mais colombiana do que eu, viu, filhote — A pegou no colo direitinho, Estela estava grandinha, mas ainda tinha reflexos de bebê, caçou a blusa de Sofía para agarrar, era seu lugarzinho seguro — Fer, não me falou da Luria, tudo bem?

— Acho que sim. Ela só não deve ter ficado à vontade para entrar e pegar ele de volta — E já foi se ajeitando para se deitar novamente. Era uma fuga, Sofía sabia.

— Bem, eu vou descer com as crianças, está bem? E trago algo para você comer, quer ficar aqui um pouco mais?


Ela sorriu, dando um beijo em cada criança. Queria ficar sim e Sofía achava que conhecia aquele comportamento. Desceu com as crianças e encontrou Luria sentada no patamar da escada. E ela estava tão desconfortável com Sofía, que a própria se compadeceu. Como entendia aquela sensação, não tinha a mínima condição de julgar nada. Então, a deixou o mais confortável possível, devolveu o bebê para ela, o príncipe Tarzan que era a coisa mais linda, tinha a cor da mãe, os cabelos naturalmente clareados, às vezes ele parecia até filho de Kalinka, e só tentou deixar Luria à vontade com seus comparativos e sua conversa.


No final das contas, Frederíca tinha agido minimamente correta, aceitou a separação, é claro que nada daquilo era o ideal, porém, a situação que Sofía tinha se envolvido, lhe dava poucos direitos a exigências, então... Apenas deixou Luria confortável e foi para a cozinha externa, preparar um suco, com Estela agarrada em seu pescoço, e Angra apareceu, para beijar sua Estela, de quem já estava morrendo de saudades.


— Eu vou fazer um suco para ela também, você coloca o pãozinho que ela gosta para esquentar, linda? — Sofía perguntou.

— Coloco, quer algo para você comer com o suco também?

— Não, é para a Frederíca, meu café foi maravilhoso, sabe — Abriu um sorriso para ela e Angra... Parou o que estava fazendo.

— Vai levar pra Frederíca? Na cama?

— Ela não está muito bem, acordou sentindo asma...

— Eu estou com asma.

— Eu achei super engraçado o jeito que vocês estão sincronizadas...

— Sofía... — Ela respirou fundo — Você dormiu comigo.

— E você não acha que nesta situação, é muito pior para ela? Eu estava com você, e inclusive, fiz o seu café da manhã, li pra você, as nossas coisas, amor.


Ela apertou os lábios.


— Eu acho que eu sei como você se sente enquanto observa a minha ausência de movimentos. Sendo que eu me movo, mas não da maneira que você gostaria e agora... Ela pediu o divórcio.

— E não virou minha inimiga. Angra... — Sofía olhou para ela, ainda com Estela meio dormindo em seu ombro — O que está acontecendo? Você é ciumentinha que eu sei e adoro, mas nunca ciumenta por bobagem assim — Ela sequer respondeu, mas ficou no rosto dela que ela estava simplesmente, ficando triste demais — Linda, tudo bem, por que você não pega o bebê e vai deitar ali um pouquinho? Eu faço o café dela e um leite para você, você está respirando pior agora.

— Eu... — Estava tão triste que queria só um lugar para chorar. Como que tinha conseguido fazer tanta bagunça em sua vida e na vida dos outros? Angra nem sabia.

— Carol — Sofía chamou Carolina que estava passando para a piscina — Temos duas asmáticas em crise leve, já disse para você?

— Angra e quem?

— Frederíca, tem algo que possa ajudar? Além das bombinhas que as duas já fizeram...


Sempre tinha algo, Carol recuperou uma receita natural e fez um suco verde para as duas, que deveria ajudar e pouco antes de Sofía subir com uma bandeja para Frederíca, ficou sozinha com Carolina. Angra estava deitada no tatame das crianças na sala, observando Estela tomando café.


— Você sabe que, alguns gatilhos para uma crise de asma não são físicos como exercícios físicos ou aspiração de ar sujo, alguns gatilhos são cognitivos. Estresse e ansiedade podem desencadear crises e se você for parar para pensar... Vamos considerar o estresse sentido por alguém livre, que de repente, volta para a reclusão. E a ansiedade sentida por não se saber quando este alguém poderá sentir a liberdade de novo.

— Você está querendo dizer que... — Sofía perguntou.

— Suas duas garotas estão voltando para a bolha. A diferença é que, a sua presença para uma delas é liberdade; já para outra, é bolha. Perto de uma você é porto, longe da outra, tempestade. E nesta situação aqui, sempre é porto, sempre é tempestade; sempre é liberdade, sempre é bolha, só muda de lado. Sofía, eu não sei bem se a gente de fato deveria ir para este passeio de iate, todo mundo junto hoje. A Angra com ciúmes fica mal-humorada, ela com ciúmes e sentindo dor... Vira uma bomba-relógio. Vira tempestade que pode assolar o seu porto.

— Ela... Não, é claro que não, o Guilherme está aqui. Ela sempre tomou todos os cuidados para que ele não soubesse, para que não se machucasse assim.

— Vocês nunca tinham feito isso antes. Eu sei que o Guilherme foi lá em Cartagena quando a Estela nasceu, mas ele mal ficou três dias e, Frederíca não estava presente. Eu posso estar muito enganada, mas acho que vocês nunca passaram tanto tempo juntas desta maneira, com o Guilherme presente, a Frederíca presente e eu não tenho certeza se vocês calcularam bem o impacto que isso poderia ter. Angra nunca precisou visualizar você perto da Frederíca ao vivo, estando com ela, cuidando dela. Eu conversei com a Kalinka ontem e ela me disse que se preocupou com isso desde o começo.

— Eu também me preocupei, mas eu vim aqui para outra coisa. Eu realmente achei que... A gente merecia um fechamento pessoalmente. E eu queria ver a Estela e assim que a Frederíca ouviu o convite, não parou mais de falar a respeito, precisaram de mais um casal para ajudar no aluguel, ela chamou as amigas e meio que eu não tive mais saída depois disso.

— E o que você acha que acontece agora? O que você está sentindo, o que... Você quer?

— Carol, eu vou me separar. A Angra não, eu sei disso. Por mais que ela queira, lá dentro dela tem cravado a ideia do casamento, o compromisso e ela sempre acha que deve coisas para o Guilherme, cada sucesso dela, cada insucesso dele, ela sente culpa por tudo. E acha que... Precisa ficar. Eu sei como é, eu já fui essa pessoa. Até uns meses atrás eu também estava assim. Eu recebi um convite profissional, para fazer vlogs de uma viagem pela Estrada Real, de Minas Gerais até o Rio de Janeiro, e depois... Eu acho que vou ficar um tempo fora. Perto de mares, do Adriático, Mediterrâneo, Egeu: Hvar, Sardenha, Santorini, por que não? — Abriu um sorriso entristecido — Eu preciso aprender a ficar sozinha.

— E as suas garotas já sabem disso?

— Angra viu anotações, antes de machucar a mão hoje mais cedo. Me perguntou sobre. E agora eu estou achando que contribuí para a crise de asma...

— Pode ser que tenha contribuído sim — Carolina abriu um sorriso — Sofía, eu vi vocês duas juntas. E se aquela versão da Angra pode ser permanente, eu quero muito ter perto de mim. Mas eu cresci com essa outra Angra aí, que você descreveu, a apegada ao casamento, que planejava isso antes mesmo de ter encontrado a pessoa certa, a que vivia dizendo que casamento é para sempre, que é feliz, que tudo é tranquilo. É ela quem tem o casamento invejável, aquele que deu certo. Eu vi vocês duas, eu vi algo bonito e diferente, mas sinceramente, não posso te dizer que acredito que ela vai mesmo se separar em algum momento. É... Cômodo. Porque já deu certo. Você entende?


Sofía entendia. É claro que entendia.


O que não impedia seu coração de doer como se ele estivesse sendo espremido e despedaçado, como um pedaço de porto que quebra e se perde num mar, durante a pior das tempestades.

Notas:


Olá, galera! ˆˆ


Voltamos rápido, hein?!


Então, mais um capítulo bombástico... Várias respostas e várias dúvidas também. Confesso que terminei de ler este capítulo meio em dúvida, mas como falei antes, caso vcs batam a nossa nova meta, semana que vem tudo isso será solucionado, todas as dúvidas que permeiam Angra e Sofía, aliás, todas não, mas algumas dúvidas, eu prometo!


E ratificando a meta para terça-feira, dia 12/01, capítulo 15 de Angra, precisamos de 40 comentários aqui, neste capítulo, ok?!


Ah, e o desafio da próxima semana consiste em: 140 avaliações em Havana, na Amazon, e 90 avaliações em Delirium, também na Amazon, meta batida, teremos postagem dupla na sexta que vem novamente.


O que acham?


Bora bater mais este desafio?!


Beijos!

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