Angra - Capítulo 18: Quartevois




E de todas as reações que esperou que Frederíca pudesse ter caso ocorresse um momento assim, aquela sequer estava em sua lista de tão inesperada que foi.


Frederíca se segurou na parede, sentindo sua respiração afundar no peito a ponto de faltar, achava que Sofía estava dizendo alguma coisa, ela veio em sua direção, olhos preocupados, braços firmes ao redor de si, o que estava acontecendo?


— É uma crise, você está em crise, espera, Frederíca? — Sofía a apertou nos braços, firmemente — Fica comigo, vem aqui, calma, é uma crise, ok?

— Você está aqui...

— Estou, claro que estou. Calma, fica comigo, respira fundo...


Não fazia ideia do que tinha acontecido, mas quando Frederíca percebeu, estava em seu quarto, com Carolina fazendo sua medicação, ouviu Angra e Sofía se dizendo alguma coisa do lado de fora, mas foi incapaz de conseguir... Fazer sentido. O que tinha visto. Ou o que estava ouvindo. Deitou-se na cama, virando de lado, fechando os olhos porque parecia absolutamente irreal...


Sofía tirou Angra de perto da porta.


— Angra, vai para o seu quarto, toma um banho, você vai ter uma conversa difícil pela frente mais tarde também, você não está habituada a beber do jeito que fez hoje...

— Sofía... — As mãos dela não lhe soltavam e Sofía não fazia ideia de como podia... Olhou para trás, Frederíca tinha se deitado de lado e Angra parecia muito assustada.


E não era por ela mesma, era por Sofía.


— A pior reação ela não teve e nem acho que terá. Eu conheço a Frederíca, ela não vai ficar agressiva subitamente, ela nunca ficou, e caso ficasse...

— Acabaria imobilizada, eu sei, você sabe se defender muito bem. A questão é... Onde ela pode atingir você de verdade.


Sofía a olhou e, começou a desabotoar a camisa de Angra.


— Sofía...?

— Está marcada de batom, em dois lugares — Tirou a camisa do corpo dela, a deixando apenas de sutiã — Vai para o seu quarto, toma um banho, se acalma, não fica preocupada, a gente conversa depois.


Angra respirou muito fundo. Não disse nada, mas se perguntou até quando entrariam em quartos para brigas que não envolviam elas duas como casal. Foi para o seu quarto, que ficava no começo do corredor e Sofía...


Sofía também respirou fundo. E enquanto se acalmava, Carolina saiu do quarto.


— Ela já está melhorando. Tomou a medicação direitinho, achei melhor não aplicar nada, mas tomou via oral, ela está agitada e eu... Sentida. Desculpa, Sofía. Fui eu quem disse onde estávamos, meio que na recorrência e eu que a trouxe pra casa, Kalinka não concordou, mas sabe? A situação toda. O jeito que você e a Angra saíram e ela se sentiu excluída. Eu tive...

— Não diga “pena”. Frederíca não pede isso. A situação explodiu porque eu explodi e explodiu tarde, de uma maneira ruim. Eu vou cuidar da Frederíca, agradeço por tudo, até por ter trazido ela aqui, Carol.

— É... A camisa da Angra?

— É sim, está com batom.

— Ela me disse que foi assim que vocês se despediram em Abrolhos. Sofía...

— Por favor, não me peça nada.


Não pediria. Carolina se afastou e Sofía apertou os olhos, os fechando por um instante e, entrou em seu quarto. E a visão que teve foi de Frederíca erguendo os olhos em sua direção, sentando-se na cama, com o rosto completamente molhado e uma fragilidade que...


Tinha visto tão poucas vezes nela.


Sofía fechou a porta atrás de si.


— Foi o primeiro beijo?

— Frederíca...

— Me diz que foi o primeiro beijo! Que foi aqui, que foi só agora...

— A gente não vai ter esta conversa por viés de confirmação, eu não quero isso e sei que você também não.

— Eu não quero isso? Eu não quero? Você não deve fazer ideia do quanto isso está me doendo agora, Sofía!


E ela levantou-se, passando a andar de um lado a outro, extremamente abalada, extremamente ferida, zonza pela medicação, respirando mal. Desde o momento em que seu relacionamento com Angra havia caído numa armadilha criada por si mesma, Sofía se preparava, ou para o momento que algo desse errado, ou para o momento em que conseguiria se separar de Frederíca amigavelmente, da melhor maneira possível. O que não podia esperar é que as duas coisas pudessem acontecer praticamente ao mesmo tempo, no mesmo dia e menos ainda, que Frederíca pudesse reagir daquela forma.


O corpo dela estava sentindo, o jeito que ela estava vibrando enquanto falava, se exaltava, andava de um lado a outro tentando achar um jeito de se expressar, de explicar o que estava sentindo e tudo o que Sofía tentou foi se manter o mais calma possível, foi tentar compreender a dor dela, e principalmente, não mentir mais. Ainda que omitisse algumas coisas, não queria mentir, por mais que doesse, que fosse desconfortável, não podia mentir. Nunca havia mentido muito na verdade, mas as omissões acabaram as levando até aquela situação. Frederíca nunca quis ouvir e a verdade é que Sofía nunca se empenhou de verdade em contar, e os motivos eram diversos e não cabiam para justificar nada. Menos ainda, ajudariam a amenizar o que Frederíca estava sentindo.


— Eu não queria ter visto! Você entende que eu não precisava ter visto? Diz alguma coisa, Sofía, se defende, ou me acusa, qualquer coisa!


Sofía a abraçou. A segurou forte nos braços e a prendeu contra o seu corpo, enquanto ela chorava, tremia, sentia tanto. Frederíca não relutou, não a afastou e quando percebeu, seus braços estavam nela e não estavam a abraçando, Fer sabia, estavam... Se segurando nela, na mulher que amava, com quem tinha se casado, com quem tinha sonhado uma vida inteira, que não se concretizou, não como o esperado, nunca cem por cento, não como deveriam.


E então, Frederíca se deu conta de algo. Das vezes que passaram por momentos assim, foram algumas durante o namoro, em que Sofía se sentiu sozinha e desestabilizada, e outras durante o casamento. Lembrava da primeira especificamente, a sua primeira traição. Com três anos de casamento. Uma leitora que conheceu durante uma noite de autógrafos. Sentia que tinha quebrado coisas com Sofía no namoro, mas que foram restauradas nos votos de casamento e quando Sofía soube da traição... Quebrou-se tudo de novo. Frederíca terminou o caso, sem pensar duas vezes, mas ao retornar pra casa, Sofía estava daquela mesma forma na qual se encontrava agora: partida, ferida, decepcionada.


Frederíca tentou até conseguir abraçá-la. E levá-la pra cama foi quase... Não sabia explicar. Mas quando se reencontraram na cama, como todas as outras vezes, tudo parecia que ia ficar bem. A conexão física sempre puxava todas as outras, naquele momento, não havia nada que lhe desse mais prazer do que fazer amor com Sofía e tudo era apenas bom, parecia suficiente, capaz de curar todas as outras coisas.


Pediu muito profundamente que Sofía lhe levasse pra cama naquele momento.


Mas não iria acontecer. Ela lhe levou para a poltrona do quarto, lhe colocou no colo, ficou lhe abraçando até Frederíca voltar a respirar, parar de chorar, se acalmar. E só então, ela começou a falar.


— Fer, isso não tem nada a ver com algo que você tenha feito, é isso que você não quer ver.

— E tem a ver com o quê? Por que isso aconteceu? Sofía, por que tudo isso aconteceu? Por quê? Eu não queria que tivesse acontecido, Sofía, eu não queria que fosse assim...

Shsssss, calma, fica calma, está bem? Não quero outra crise de asma. Espera, eu vou encher a banheira, vamos conversar com calma, fica aqui um pouco...


E se Frederíca não queria ter visto, Angra não queria ouvir mais.


Tinha ido para o seu quarto e então voltado, ainda temendo qualquer coisa, qualquer reação mais agressiva que fosse, mas ao ouvir o caminho daquela conversa, era melhor não ouvir mais nada também. Então, foi mesmo para o seu quarto, entrou num banho longo, tentando colocar suas ideias no lugar e os pés no chão. Estava acontecendo. O momento que as duas temiam desde o começo. Tinham plena consciência de que não estavam fazendo as coisas da maneira que deveriam e era de comum acordo o não desejo de acabarem sendo flagradas por Guilherme ou Frederíca.


Era por nada e era por tudo ao mesmo tempo.


Nenhuma das duas desejava causar este tipo de dor, nem Frederíca nem Guilherme mereciam saber como as coisas tinham se passado, era um tipo de dor que podiam abrir mão sem nenhum problema. Pessoas se separam, se apaixonam por outras, seguem em frente, a questão era terem invertido a ordem das coisas, e a grande verdade é que nem Angra e nem Sofía tinham qualquer experiência com este tipo de coisa. Angra nunca havia traído na vida, Sofía menos ainda e em meio a tudo o que precisavam decidir, Angra engravidou e sua relação com Guilherme havia mudado completamente.


Não tinha nenhuma ilusão no que tocava a fidelidade dele. Angra não estava na cama dele há tempo suficiente para saber que ele havia parado de fazer questão, porque havia encontrado uma forma de resolver a situação. Ele gostava de tê-la em casa, amava ser pai, gostava de não mais se sentir tão pressionado em relação a cuidar financeiramente da família, porque Angra dividia isto com ele de maneira igual, e ultimamente, até mais do que isso. E esta configuração acabou sendo boa para os dois. O que mais Angra se incomodava, agora não precisava mais se preocupar e as coisas boas estavam mantidas. Havia sido aí que relaxou. Havia sido neste momento em que seu tempo com Sofía esgotou e de repente, ela estava em Brasília, esperando para começar uma vida nova com Angra.


Mas não pôde deixar Guilherme ali. Ele havia acabado de perder o pai numa longa batalha contra uma doença infecciosa, os negócios iam mal, ele andava devendo muito e estava depressivo. Não achava que Sofía deveria entender, sabia que ela não precisava entender nada, mas achou que teria um pouco mais de tempo até aquela fase ruim passar. Relaxou novamente, Sofía se instalou num apartamento, na sua cidade, onde Angra conseguia ir vê-la sempre que saía do trabalho e ao chegar em casa, tudo estava no lugar. Era a melhor configuração possível para aquele momento, mas claro, não era a melhor configuração para Sofía. Sabia também que ela tentou conversar e que Angra não quis ouvir, mudou de assunto, deixou para depois e determinada tarde, quando chegou para vê-la, o apartamento estava vazio.


Com aquele gesto, ela havia comunicado que o tempo de Angra estava esgotado.


E agora, outra situação a colocava em um novo quartevois. A grande questão era o que ela faria, ou, o que Angra faria.


Guilherme chegaria em breve.


E Frederíca...


Estava sentada num canto do quarto, abraçando os joelhos contra o peito, ainda sentindo o peso do mundo sobre si, apertando e lhe impedindo de respirar.


— Frederíca?

— Eu não fazia ideia de que era assim que sentia. Eu nunca... Estive deste lado. Nem com você e nem com ninguém — Ela respirou fundo novamente, já estava mais calma, com aquele olhar de culpa que Sofía conhecia bem — Sofía, a gente ainda pode reconsiderar. Não vamos... Fugir do problema nos separando.


Era uma frase que Sofía já havia ouvido algumas vezes.


— Isso não é uma competição. Você não precisa ganhar, nem perder nada. Levanta, eu enchi a banheira pra gente, vamos nos acalmar.


Tinha enchido a banheira, na qual entraram as duas, uma de frente para outra, ambas de lingerie. E por um tempo, não se disseram nada, nem uma coisa que fosse, apenas entraram na água e apreciaram, a calidez envolvendo, a noite brilhando lá fora, a chuva que começou a cair. Frederíca abraçando os joelhos, respirando longamente, era um exercício, para acalmar a crise de asma e Sofía lhe cuidou. A ajudou a tirar o suor da pele, a relaxar os músculos, a lavar os cabelos e pouco a pouco, Frederíca foi realmente se acalmando. Foi fazendo algumas perguntas, Sofía foi respondendo, sem negacionismo, sem mentiras e sem crueldade, apenas dizendo o que Frederíca precisava saber e quando Sofía terminou de tirar o creme dos cabelos dela, acabou derrubando água pelo banheiro inteiro e dando um banho maior do que esperava em Frederíca, ela riu.


Riu, levando as mãos aos olhos para tirar o excesso de creme e Sofía acabou sorrindo também, percebendo a bagunça que tinha feito e, se percebendo tão perto dela. Os braços a apoiando, a testa tocando na dela, sem conseguir não rir também.


— Há quanto tempo? — Frederíca perguntou.

— O quê?

— A gente não ria de algo bobo assim.


Sofía a abraçou, ela aceitou, as duas entendendo bem o que ela queria dizer.


📚


Já passava da meia-noite quando Sofía saiu do quarto. Chegou a colocar sua roupa de dormir, calcinha e camisola curtinha, toda de preto e quando fez isso, pensou que não deveria dormir ali. Então, colocou um shortinho por baixo, um roupão, algumas cobertas e saiu do quarto, era melhor, sabendo que Frederíca teria lhe concedido a mesma gentileza se fosse necessário. Ela já a havia concedido algo parecido bem mais que uma vez. Então apenas saiu do quarto, sem saber direito para onde podia ir, mas desceu as escadas e assim que olhou pra frente, notou a sala vazia e Angra sozinha na área da piscina.


Com os pés na água, olhar perdido, tal como a primeira noite naquela casa. Mas desta vez, ao invés de vinho, tomava um chá. Sentou-se ao lado dela e assim que ela lhe olhou...


Sofía abriu um sorriso.


— O que foi? — Angra sorriu de volta. Estava ainda de cabelos molhados, roupa de dormir e um roupão vermelho por cima.

— Você estava a coisa mais linda essa noite, daí que toma um banho, tira toda a maquiagem e fica mais bonita ainda. É um fenômeno seu...

— Meu amor...

— É um fenômeno seu, minha linda — Beijou a mão dela gentilmente — Chá de quê?

— Bergamota. Aquela sedutora grega me falou que bergamota é calmante natural...

— A sedutora grega, claro — Outro sorriso de Sofía, que fitou o horizonte desta vez — Você deixa um pouquinho pra mim?

— Claro que deixo, você vai...? — Ela tinha levantado e, estava tirando o roupão e em seguida, tirou a camisola, ficando apenas de lingerie.


Uau. Foi a mente de Angra. Nervosa, magoada, medrosa, mas Sofía tirando a roupa era...


Respirou fundo.


— Me espera aqui um pouquinho.


E Sofía mergulhou na piscina, apenas de lingerie, mergulhou e nadou no fundo longamente, permanecendo submersa por um tempo, até emergir do outro lado. A chuva ainda caía fininha, seus cabelos molhados anteriormente e molhados novamente, o banho com Frederíca havia sido bom, mas talvez não o suficiente. Precisava de um pouco mais. Se apoiou na borda, mirando o horizonte novamente, quase que em oração. E, devia estar. Água sagrada, sabemos, Sofía devia estar buscando um pouco mais de calma ou... Só agradecendo? Angra não fazia ideia. Ela ficou ali uns minutinhos e então nadou de volta, para perto, subindo para o lado de Angra novamente, que tirou seu roupão e vestiu nela.


— Não está tão frio — Ela respondeu sorrindo.

— Não é só por causa do frio, meu amor.


Outro sorriso, é claro que não era.


— Sofía... Como foi tudo? — Perguntou, já servindo um pouco de chá para ela.

— Ela me fez apenas uma pergunta realmente relevante. Entre os sentimentos jogados no ar e estilhaços cardíacos, ela me perguntou por quê. Por que isso, por que nós duas.

— E o que você respondeu?


Sofía a olhou, tomando outro gole do chá.


— Que é porque eu te amo. O que mais eu poderia dizer? É tudo por isso, é toda a verdade, a única justificativa. Tudo é porque eu te amo, cada coisa, não há outro motivo. Só que eu te amo. Eu não procurei trair, não procurei destruir o meu casamento, eu só... Amei você. E amo — Os olhos dela se encheram — E não faço... Ideia de como deve ser seguir em frente não sendo mais o seu amor — Uma lágrima caiu no chá que ela bebia — Eu disse que quando vi você em Abrolhos, foi muito diferente e eu sabia que te conhecia do meu futuro. Como se... Já tivesse vivido com você. Como se o tempo fosse circular, como...

— O filme de alienígenas com a Amy Adams.

— É — Confirmou sorrindo — O filme que a gente assistiu num cinema, você lembra?

— Feito um casal normal, como eu vou esquecer? Nós estávamos em Paris e você quis ver a Amy Adams no cinema.

— E você quis. Ainda que a gente não tenha conseguido terminar o filme, você quis — Outro sorriso ao lembrar daquilo — Angra, eu sei que você vai estar lá, no futuro. Eu não sei como ainda exatamente, ou quando, ou que caminho vai ser, mas eu sei disso. Nós duas não fomos ao acaso, erro, engano, foi e é amor, é assim. Você e eu tínhamos a mesma concepção de lealdade e fidelidade, os mesmos planos de relacionamento, eu não faço ideia de como nós viemos parar aqui, a não ser que, eu te amo. É isso. Fim do assunto. Nós tomamos um banho juntas, conversamos mais, rimos de uma bobagem. Acabou. Foi assim.


Angra perdeu uma lágrima e, ouviram vozes chegando.


— Eu acho que é...

— O Guilherme. Você precisa ir, e Frederíca não vai dizer nada.


Aquilo pegou Angra de surpresa.


— Ela não...?

— Não. E você não quer saber o motivo.

— Eu sei o motivo. Ela quer que eu lute por você. Que termine as coisas por mim mesma, e sabe? Eu quero o mesmo.


Guilherme entrou, junto com Felipe e Luria.


— Vai, Angra. Vai.


Ela lhe olhou nos olhos mais uma vez, se recompôs e foi. E Sofía preferiu ficar pela piscina um pouco mais, tomando mais um pouco de chá, pensando e pensando. Deixou a lingerie secar no corpo, checou algumas coisas no celular, admirou a noite, ficou em silêncio. Quando o chá terminou, decidiu subir. Vestiu a camisola curtinha de volta, o shortinho, roupão, sua coberta desenrolou e a camisa de Angra, a última que havia tirado do corpo dela lhe apertou o coração. Dobrou novamente, foi até a cozinha, onde cruzou com Luria e, os olhos dela foram para baixo imediatamente. Sofía abriu um sorriso, fechou o roupão sutilmente, sabia bem para onde os olhos dela tinham ido, correram do seu colo até a entrada de suas coxas.


A primeira experiência com outra mulher é como o retirar de uma venda dos olhos, Sofía sabia muito bem.


— Eu acho que fiquei constrangida comigo — Ela lhe disse, fechando os olhos e sorrindo.

— Não fica, tudo bem — Sofía passou para pegar uma água, tinha sido engraçado — Chama gay panic... — Disse, fazendo Luria rir um pouco.

— É que... Enfim, desculpa. Me senti meio, sei lá, esses caras que não podem ver mulher de lingerie.

— Nem você tentando muito, Luria. Sentir alguma coisinha é natural, o que não pode é avançar, ser desagradável, constranger, ah, você sabe disso melhor do que eu, tudo bem mesmo. Sabe me dizer se a Kalinka voltou?

— Carolina desceu e a Kalinka chegou, elas conversaram alguma coisa e saíram de carro novamente.


A sedutora grega, sim. Pobre Carolina.


— Eu queria... Tomar um banho e me trocar — Sim, um terceiro banho, estava cheia de cloro agora — Pode ser no quarto de vocês?

— Claro que pode. Eu ainda vou fazer algo para comer aqui, fica à vontade.


Ficou mais à vontade. Subiu, tomou outro banho, tinha saído com lingerie extra para se trocar pela manhã, mas não com roupas extras. Calcinha e sutiã limpos, uma calça moletom justinha, de Kalinka e, cheirou a camisa de Angra. As roupas dela sempre estavam cheirosas, e era um cheiro que simplesmente... Confortava Sofía. Não era de hoje que dormia em camisas dela. Vestiu-se, penteou os cabelos e quando saiu do quarto, quis ouvir gritos vindo do quarto de Angra. Mas não ouviu nenhum, não eram este tipo de casal, pôde ouvir uma conversa, mas nada alterada ou fora de lugar. Pensou sobre onde dormir e, teve uma ideia.


Bateu no quarto de Erica e Saadi.


— Alguém veio aqui requisitar a minha coala?


Erica abriu um sorriso.


— Não veio e ela está ali, olha.


Pulando na cama, apesar do horário, Estela tinha dessas. Foi lá, a capturou no colo já de pijaminha e ela parecia sempre tão feliz quando via Sofía...


— Fala pra mim, você me ama mesmo, coala? — Perguntou enquanto descia com ela no colo.

— Eu amo mesmo! — Ela respondeu rindo, se agarrando no pescoço de Sofía — Ainda é seu aliversário?

— Acho que acabou tem um tempinho, mas eu tive uma ideia para nós duas.

— Qual ideia?!


Dormir no forte que ainda estava de pé, bem no canto da sala.


Estava super bem feito, muito confortável, com os tatames, edredons, travesseiros e almofadas por todos os lados e assim que contou a ideia para Estela, ela começou a rir sem parar e a brilhar aqueles olhos lindos na direção de Sofía. Entraram no forte e Estela não cabia em si de felicidade.


— Só a gente? Vai poder ser só a gente?!

— Só a gente, mi amor. Você gostou do nosso lugar de dormir?

— Eu adoro o lugar de dormir! — Ela respondeu se agasalhando muito juntinho de Sofía, muito agarrada em seu braço, em sua cintura e Sofía a apertou para junto, cheirando aqueles cabelos que adorava, era avelã como o de Angra, mas com pequenas ondas se tornando cachos abertos aqui e ali.

— Filhote, você sabe que eu amo você também? Sabe dessa informação com toda certeza?

— Eu deixo você me dar cem beijos, mais de dez, eu deixo cem... — Ela respondeu, fazendo Sofía rir demais. Sempre dizia que ia chegar e enchê-la de beijos, e Estela sempre regulava, só podia uns vinte, ou uns trinta, porque não gostava muito de beijos, mas quando Sofía chegava, não queria parar com os beijos e o carinho. Estela era aquele bebê dócil com o amor medido em quantos beijos deixava alguém dar — Quando você vem morar com a gente?

— Morar com vocês?


Ela se virou, subindo no peito de Sofía.


— A mamãe disse que você vinha. Morar com a gente.

— Ela... Disse?

— Diz toda noite. Mas você não veio. Não vem nunca. Você pode ficar no meu quarto, eu deixo, comigo...


Mais sorrisos de Sofía, mais de seus olhos brilhando.


— Você deixa, amorzinho?

— A gente faz um forte! Igual a este, a gente faz e a gente pode dormir lá toda noite...


Poderiam. Por que não poderiam?


📚


Havia sido exaustivo. A longa conversa com Guilherme, sobre todas as coisas e nenhuma coisa específica, a lista de reclamações que ele apresentou e a zero disposição para ouvir qualquer coisa. Melhor, ele queria ouvir determinadas coisas, queria saber qual o problema que Angra estava passando e como ele podia ajudar, o que podia fazer para mudar, que comportamento dele estava prejudicando eles dois, ele sempre se colocava nesta posição e Angra nunca sabia como tirá-lo de lá.


Nesses momentos, ele vestia sua armadura de príncipe. E se mostrava aberto e compreensivo, e Angra sabia que ele era mesmo tudo isso no que tocava entender seus momentos e tentar salvar o casamento. E lá estava ele mais uma vez, se pondo nesta posição de compreensão e sacrifício, perguntando o que podia mudar, como podia ajudar e sem deixar Angra contar o que realmente se passava.


Estava cansada. Estava exausta. Basta. A palavra surgia. Basta, se repetia.


— Eu não quero mais compreensão. Eu agi errado hoje e tenho agido errado mais vezes, você sabe disso.

— Angra, não se julga assim, todo mundo erra...

— Guilherme, por favor. Eu não quero mais compreensão, eu quero o divórcio.

Notas:


Olá a todes!


Como estão? E chegamos a mais um capítulo, Quartevois, o ponto da virada. E parecia que seria mais assustador, mas vocês viram que talvez as coisas comecem a tomar o seu rumo. Conseguimos também saber um pouquinho dos motivos da Angra, e talvez possamos levar a crer que Sofía seja um pouco mais corajosa nas tomadas de decisões. Talvez, né?!


Bom, o próximo capítulo será, Luz, e para isso, precisamos de 50 comentários no capítulo de hoje.


Beijos e até mais.

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