Angra: Capítulo 24 - Giulia





Angra foi ao médico no dia seguinte, com Sofía ao lado, é claro, para a tradução simultânea da questão e foi especialmente diferente fazerem tal consulta tão íntima juntas. Mas era assim que sentiam, não tinham segredos, ou coisas que não deveriam ser ditas entre elas. No final das contas, tudo estava bem e normal. A libido de Angra estava baixa, porém, o relacionamento ia muito bem. Andavam tendo tempinho juntas, faziam questão de fazer as refeições com calma, assistiam um filminho quando Estela permitia, ainda que fosse de madrugada, seguiam namorando, que era o que Angra precisava, ficar abraçada, recebendo carinho, beijando sem ter que se preocupar se... Estava enviando a mensagem errada. Sempre era a mensagem certa com Sofía, tudo voltaria ao normal em breve, realmente não tinham com o que se preocupar.


Más aún con una esposa que comprende — Foi a forma que o médico terminou a consulta.


Nem precisou de tradução.


Estela completou quatro meses com um mesversário lindo feito pelo pai. Guilherme preparou uma festa, chamou a família, os melhores amigos e foi realmente divertido, carinhoso e, reflexivo no final da chamada de vídeo.


Não importava muito se Estela estava presente ou não, este tipo de comemoração é de fato, apenas para os adultos.


No final, quem deu presente aos quatro meses foi a pequena Estela, um presente para Angra e Sofía: ela finalmente estava dormindo uma noite inteira. Tranquilamente, da meia-noite às seis, dormia feito um anjo e desta maneira, permitiu que Angra e Sofía voltassem a dormir juntas e o tal problema de libido...


Desapareceu, numa determinada noite que ficaram de amasso no sofá, onde as mãos de Angra voltaram a percorrer os caminhos que tão bem conheciam, não avançaram, porque Sofía era malvada e disse que deveriam ir devagar, mas só o fato de terem gozado uma com a outra novamente... Gozaram, por cima das roupas, num amasso muito quente, muito gostoso, a boca de Angra tinha o melhor beijo da vida, deixava Sofía louca o tempo inteiro e o corpo dela... Seguia louca igual.


— Você me vê diferente, linda... — Angra lhe disse durante o banho aquela madrugada. Estela seguia boazinha, dormindo profundamente e, aquele era o primeiro banho conjunto desde o nascimento dela.

— Eu sempre vou ver a beleza, eu te amo, o amor traz a beleza em todas as coisas. Acha que eu sou linda do jeito que você me vê? — Perguntou sorrindo, dependurada no pescoço dela — Não sou, é o seu amor.

— Mas o meu corpo está diferente. Não é só a barriga, são as outras coisas também, meus seios, meus mamilos...

— Não são meus agora, são da Estela, não vamos brigar por isso — Mais sorrisos, mais olhos brilhando, mais seu corpo grudadinho ao dela — Eu amo você. Você nem faz ideia do quanto eu amo.

— Eu faço sim. E você faz ideia do quanto eu te amo, e essa é a nossa diferença.


Ela tinha razão.


Na manhã seguinte, Kalinka chegou para tomar café com elas. E mais do que isso, para fazer café da manhã para elas, porque as duas mereciam.


— Eu não sei como vocês estão fazendo, mas conseguiram seguir trabalhando — Ela comentou enquanto tomavam café e Estela brincava em seu cercadinho. Era um bebê com muitas habilidades novas, tal como, adorar brincar de esconde-esconde com as duas, caía no riso quando Sofía escondia o rosto com as mãos e amava fazer o mesmo com Angra e, já se revoltava quando era deixada sozinha. Detestava.

— Seis horas cada uma e contadinho, tá?! Se a Angra passar meia hora do horário eu já estou pedindo socorro porque aquela menina ali, olha, é intensa demais. Ela quer tudo no tempo dela.

— Exigente que você não faz ideia. Mas equilibramos e agora tudo vai relativamente bem. E você? Como está?

Sobrevivendo. A pior parte é que eu realmente gostava dele, ando descobrindo o quanto agora. É tão estúpido, por que como podemos gostar de alguém desta forma? Alguém que não liga, não se importa, é machista, sexista total, coisas que eu abomino e ainda assim, estou aqui, sofrendo por causa dele. Mas vai passar, a batalha judicial foi ótima, fiquei com a casa e com os carros lá na garagem.

— Os três carros?

— Ele ficou furioso com isso — Abriu um sorriso — Sabe o que é pior? Eu não quero os carros. Só quis porque ele amava mais aqueles carros do que a mim.

— E o que você vai fazer?

— Vender, comprar um carro que eu queira. Os três são Alfa Romeo, vieram da concessionária dele na Argentina, eu não quero nada que me lembre ele. Esta casa é diferente, eu mesma a fiz, foi ele quem veio morar aqui, mas os carros, eu quero me livrar. Angra, não quer comprar o Giulia? Com sessenta por cento de desconto, deixo por setenta e cinco mil reais, o que acha? Eu sei que você está flertando com ele...


Angra mordeu um sorriso, estava, estava flertando demais, apegada demais, porque um dos seus sonhos desde menina sempre foi dirigir um carro como aquele. Um sonho tido como fútil até pela sua mãe, que era uma mulher muito bem esclarecida, que determinada vez havia lhe dito que os sonhos de mulheres são melhores que sonhos masculinos, homens sonham com carros velozes, iates, mulheres sonham em ter uma família e Angra ficou tão chocada que acabou tendo uma crise de risos que a deixou furiosa. Contou essa história para Sofía aquela noite, enquanto estavam em seu ritual no banheiro, antes de ir para a cama e, Estela brincava no bebê conforto na porta, ela de fato, não ficava sozinha de jeito nenhum.


— Sério que ela te disse isso?

— Ela disse — Contou sorrindo — Ela nunca me negou nada, não implicava com o meu jeito, mas eu sei, e ela deixou bem claro na semana passada, que ela sonhou com uma filha mais parecida com você do que comigo. Mas ela me aceita, apesar do tipo de comentário — O sorriso seguia.

— E um dos seus sonhos segue sendo ter um carrão daqueles?

— Meu sonho “masculino” segue sendo este sim. Você sabe que eu amo dirigir, é um hobby, algo que eu faço e me relaxa demais, não tem nada que eu adore tanto quanto dirigir, pegar uma estrada, este tipo de coisa. Sabe onde eu consigo comprar um Alfa Romeo Giulia pelo valor que a Kalinka está oferecendo? Em lugar nenhum. O marido dela comprou mais barato por ser concessionária, em um país com impostos muito mais baixos, mas o valor de mercado de um carro daqueles chega a duzentos e trinta mil reais.

— E você teria como pagar?

— Ela quer trinta por cento do valor como entrada, isso dá perto de vinte três mil reais, não tenho este valor disponível agora, mas o resto do valor ela faria em quinze vezes e isso eu conseguiria pagar sem prejuízo. Você viu o balanço da empresa hoje — Disse, enquanto terminava sua limpeza de pele diante do espelho.

— Eu vi, vocês estão indo muito bem mesmo. E em quinze meses, você conseguiria juntar vinte e três mil?


Angra fez uma conta mental.


— É menos de dois mil por mês. Conseguiria sim.


Sofía lhe olhou, terminando de lavar o rosto.


— Se você garante que a minha filha aqui não vai sofrer com nada — Disse, já pegando Estela no colo que fez uma festa só de ver Sofía se aproximando — Por que você não propõe uma inversão?

— Como assim?

— Propõe pra Kalinka pagar primeiro as parcelas e o valor de entrada no final. Ela quer se livrar deste carro, aqueles carros lá fora é o Diego olhando para ela todos os dias. Propõe. O máximo que pode acontecer é ela dizer não.


Angra ficou pensando a respeito. De repente...


Kalinka aceitou. Não iria encontrar comprador para todos aqueles carros facilmente em lugar nenhum e, sabia que Angra era uma apaixonada por carros tal como a própria Kalinka também era. Foi bom saber que aquele carro iria ficar com uma mulher e o sorriso de Angra quando ouviu que fariam negócio...


— Nunca deixa ninguém enquadrar os seus sonhos, tá? Eles são pessoais, intransferíveis e não precisam de justificativas — Foi o que Sofía lhe disse.


Novamente, ela tinha razão.


Comprou o carro e o quinto mês chegou com as novidades de Estela e aquele sentimento de que... Teriam que ir embora. No final do mês. E o countdown mental de Angra começou a lhe assombrar todas as noites. Vinte e cinco dias. Era o que teria ao lado de Sofía. Aliás, menos, Frederíca estaria voltando em dez dias e... Não sabiam. Nenhuma das duas. Sobre como as coisas ficariam.


Estavam no banho aquela manhã, que agora realmente precisava ter duas pessoas por perto, porque Estela simplesmente amava espalhar água por todos os lados. Batia as perninhas e as mãozinhas, rindo demais, tentava alcançar coisas, agarrar coisas e ficava de pé quando a seguravam pela cintura, ela firmava as perninhas e parecia animada para começar a se mover mais. Também conversava, balbuciava coisas enquanto Angra e Sofía conversavam, era uma graça, um amor, adorava música, adorava ouvir Sofía lendo e naquela manhã específica, o Oceano Pacífico parecia mais azul do que nunca pelas paredes de vidro.


— Linda, na última consulta, o médico disse que ela está ótima.

— E está mesmo, veja essa bagunça toda que essa criatura acabou de causar! — Disse, mexendo com Estela, a fazendo rir enquanto a arrumava, as pomadas, a fralda certinha, o moletom que Kalinka tinha comprado sabe-se lá de onde.

— O que você acha de a gente... Ir ver o Pacífico de perto? — Perguntou Angra.


Sofía a olhou.


— Como assim?

— Eu quero aproveitar esses dez dias antes da Frederíca chegar para pegar a estrada, no nosso Giulia, com o nosso bebê, daqui até Santa Marta, passando por Barranquilla, curtindo cada cidadezinha daquelas que você me disse que nós faríamos uma vez. O que acha?


O rosto de Sofía se iluminou imediatamente. Daí ela se preocupou.


— Acha que a gente dá conta? De cuidar da Estela no carro, em hotéis?


Angra a abraçou pelas costas.


— Acho que agora não há mais coisa que a gente não consiga.


Decidiram por aquela pequena loucura. Passaram horas organizando cada coisa que Estela podia precisar e se havia presente mais gracioso do que um bebê de cinco meses descobrindo o mundo, Sofía não fazia ideia. Ela estava muito perto de conseguir sentar, era pequenina, mas era forte, se esforçava, tinha curiosidade com o mundo ao seu redor, queria alcançar tudo, sentir tudo, todas as coisas acabavam vindo parar em sua boca, era a forma que ela tinha de perceber, entender seu lugarzinho e cada descoberta dela era um presente. Um presente que iria embora em breve e Sofía também estava lutando para não pensar nisso, mas a verdade era que a dor que assombrava Angra, lhe assombrava também.


— Eu acho que... Estamos prontas — Angra disse depois de ver as mochilas prontas.

— Angra Garcia Fernandes, você não vai sair daqui com o meu bebê sem a gente fazer um plano ao menos superficial de hotéis, paradas, cidades, o que fazer em cada dia...


E Angra já estava rindo demais, porque tinha a mais absoluta certeza de que a ameaça era real. Então, passaram o jantar desenhando um mapa, reservando hotéis, todos checados se tinham condições de receber um bebê. Compraram uma cadeirinha confortável e calcularam o tempo de estrada, prevendo parar a cada quarenta minutos, para pegar Estela no colo, ver se estava tudo bem, Santa Marta ficava na verdade a três horas de Cartagena e tinham decidido fazer isso em dois dias. Pegariam hotéis diferentes, praias diferentes, a vontade era a de estar no mar, Angra nunca havia mergulhado no Oceano Pacífico, a ideia era pegar um hotel pertinho que lhe permitisse fazer isso sem estressar Estela. E era também deixá-la sentir um pouco mais do sol, do vento salinado, era testar como ela se comportaria numa mudança de ambientes e, era curtir a mais nova aquisição de Angra. Claro, como não?


Acordaram cedinho e pegaram a estrada nos primeiros raios de sol. Passearam primeiro por Cartagena, a cidade era realmente belíssima, deram uma volta pelas redondezas, Sofía foi lhe mostrando os principais pontos da cidade, paravam a cada quarenta minutos, mas Estela parecia ótima, muito bem adaptada ao carro. Pegaram um bom restaurante para almoçar, comida do Pacífico, pelo qual Angra andava tão apaixonada e, tudo parecia diferente. Havia tido que comprar roupas novamente, uma vez que Angra só tinha levado suas roupas de grávida, já estava em um jeans outra vez, em uma camisa de botões azul, os cabelos avelãs, o loiro havia sido proibido durante a gravidez e, estava se sentindo bonita com sua cor natural. Os óculos escuros, seu bebê pertinho, Sofía do outro lado da mesa, em um belíssimo vestido de verão, vermelho-escuro, com símbolos hindus aqui e ali, transpassado, mostrando fendas de pele que estavam deixando Angra...


Mordeu a boca sorrindo.


— Que foi?

— Minha libido vai muito bem, obrigada. Filha! Você vai dormir direitinho, não vai? — Pegou Estela no colo, a fazendo rir — Mamãe tem coisas a resolver com essa moça bonita aqui, esta por quem você é tão apaixonada... — Era, já estava esticando os braços para Sofía que, a pegou no colo, com muito carinho.

— Queria te beijar agora — Disse, olhando para Angra, para seus olhos lindos sob aqueles óculos escuros.

— Eu sei. Eu também queria. Vamos sair da sua cidade logo porque quem sabe assim, né...


Mais risadas de Sofía, ela tinha razão. Sofía andava mais cuidadosa, Cartagena era uma cidade pequena e Frederíca uma escritora conhecida. Não é porque ela havia feito aquilo consigo que iria querer o mesmo para ela, então pediu isso para Angra. Para que tentassem não parecer um casal, mas já tinham falhado terrivelmente no hospital, onde Sofía era claramente sua esposa para cada pessoa que ali trabalhava. E não era ruim. De forma alguma era.


Parecia o lugar certo.


Saíram da cidade logo, pegaram a estrada por uma horinha até o próximo destino, curtindo todo o azul do Pacífico e o conforto daquele carro. Angra ainda não acreditava que era seu, menos ainda acreditava que estava nele com sua filha e com a mulher que amava, numa estrada colombiana de um paraíso em direção a outro. Foram ouvindo música, conversando, olhando o bebê e trocando carinhos, sempre que Sofía pensasse naquela viagem, teria determinadas músicas na sua mente. Foi a primeira vez que uma musiquinha como Baby Love fez tanto sentido, lhe causou tanto apego. Ouviu a música e olhou para Angra, tão bonita, tão sua, tão... Com cara de sonho.


Por que não podiam viver aquela atmosfera de sonho livremente?


Sabia e não sabia as respostas. Chegaram até o hotel, conforme tinham planejado, pegaram um quarto com vista para o mar, cuidaram de Estela, cuidaram de si mesmas e quando o sol estava começando a se pôr lá fora, foram dar uma volta na praia, com seu bebê-canguru olhando tudo ao redor, muito bem agasalhada no peito de Angra, que estava andando de mãos dadas com Sofía. Sua mente registrou aquele final de tarde e se fizesse ideia do amor que ainda estava por vir...


Veio logo. Uma noite extremamente perfeita, feita de um jantar em um restaurante maravilhoso, em que Sofía usou outro de seus vestidos de verão e Estela se comportou como uma verdadeira mocinha. Ela não parecia se incomodar com a mudança de ambiente, com as pessoas e sempre que ficava um pouco mais nervosa, encontrava Angra ou Sofía com os olhos e tudo parecia ficar bem. Ela era habituada ao barulho, prematuros vêm com essa vantagem, se habituam com o som da UTI e são poucos os sons que realmente incomodam. Jantaram, conversaram, namoraram um pouco, livremente desta vez. Estela tinha caído dormindo ainda no restaurante e quando subiram para o apartamento, ficou quietinha em seu berço na sala enquanto Angra e Sofía, tiveram uma noite absolutamente inesquecível.


Não sabiam quantas vezes tinham feito amor. Isso ficou pela contagem, entrou pela madrugada, estavam loucas uma pela outra, morrendo de vontade, de saudade e explorar o corpo uma da outra tornou-se esporte a ser repetido pela madrugada inteira. Tiveram uma noite muito delas, em que comeram fora de hora, dormiram e acordaram fora de hora, sempre buscando Estela, vendo se tudo estava bem e, estava. Seu bebê dormiu feito um anjo e, Angra e Sofía também dormiram assim, nuas, perto das três da manhã, agarradas, apegadas, sentidas na pele uma da outra. Estavam com saudades disso. E agora se tinham de volta, e com coisas extras, que nunca tinham partilhado antes.


Estela acordou às 6 e quando Sofía fez manha para levantar, ganhou um beijo na testa, outro na boca e Angra lhe dizendo que cuidaria de tudo. E ela cuidou mesmo, cuidou do bebê, do café da manhã delas duas e quando Sofía acordou de verdade, perto das 10, Estela já estava de banho tomado e o café esperava na mesa. E não havia regra, porque houve amor em todas as dez noites que estavam na estrada, não pela madrugada inteira como na primeira noite, tinham agora um bebê, mas amorzinho antes de dormir não faltou e menos ainda, durante os dias em que passaram viajando de carro, curtindo Estela e curtindo uma à outra.


Sofía aprendeu a dirigir durante aqueles dias.


Com Angra muito paciente, muito delicada no que precisava ensinar, não sabia bem por que nunca tinha ido até o final com as aulas de direção, mas desconfiava que era uma questão de confiança. Todos os dias descobriam um lugar mais tranquilo onde Sofía podia dirigir, e aprender a dirigir num Alfa Romeo deveria ser um privilégio, com seu bebê ali pertinho outro, com as instruções da mulher da sua vida, nem se fala.


De alguma maneira, conseguiram bloquear a separação que teriam em breve durante aqueles dias. Viveram apenas ali, nos restaurantes que adoravam, indo pra praia um tempinho, se dividindo para fazerem coisas que amavam enquanto Estela ainda exigia tanto. Sofía ficou uma manhã para que Angra pudesse mergulhar, Angra ficou uma tarde para que Sofía pudesse ir até o mar e pegar uma corzinha na praia. Não havia ciúmes, dor ou preocupações. Só havia felicidade plena, apego, um bem querer enorme. Uma pela outra, por aquele bebê lindo que, já estava ficando sentada sozinha. Foram pegá-la em determinada manhã, em Santa Marta, e lá estava Estela, com os cabelos amassados, sentadinha no berço como se todos os dias tivessem sido assim.


Foi o melhor café da manhã que as duas se lembravam.


— Já imaginou, linda? Quando ela for mais velha, poderemos fazer tantas coisas mais com ela.


Sofía imaginava. E queria isso mais do que tudo.


Porém, cruel apenas como a felicidade plena podia ser, aqueles dias voaram e tão cedo se deram conta, já era hora de retornar. Estela se comportou muito bem a maior parte do tempo e parecia adaptada ao carro de maneira muito natural. Ao carro, aos quartos de hotel, até a praia, o tempinho que tiravam para passear com ela, ela parecia interessada e à vontade, e foi tão bem, tão tranquila, que decidiram voltar pra casa só de uma vez, as três horas seguidas, porque assim, puderam passar um último dia de preguiça apenas elas três, num ótimo quarto de hotel.


Brincaram com Estela, cuidaram dela, a levaram para um banho de piscina e um banho na hidromassagem em seguida. Optaram aquela noite por jantar no quarto do hotel e como um reloginho biológico carinhoso, Estela pegou no sono muito cedo, deixando a noite para que Angra e Sofía namorassem o suficiente para estarem na pele uma da outra pelo maior tempo possível. Fizeram amor, até uma da manhã mais ou menos, amor intenso, obstinado, Sofía teve Angra entre as suas pernas em vício, muito parecida com a primeira vez delas em que Angra lhe colocou na boca tantas vezes que nem fazia ideia de quantas realmente havia sido, e para cada vez que gozou, Sofía devolveu, oralmente, com seus dedos, com seu corpo inteiro e aquela foi a primeira vez que fizeram tão mentalmente, a primeira vez que pegou Angra sob o seu corpo, passou o braço pela nuca dela e a prendendo assim, investiu sua pélvis contra a dela, afundando entre as coxas de Angra, o mínimo toque, a máxima projeção mental, os braços de Angra se agarrando contra Sofía, suas costas, seus quadris, a pele pegando, suando uma contra a outra e um orgasmo que...


Que Angra se pegaria sonhando inúmeras vezes em seu retorno.


Voltaram no dia seguinte, extremamente relaxadas, brilhando demais, havia a tristeza por estar acabando, mas o quanto estavam brilhando, não podia ser evitado. Descobriram naqueles dias a importância de ser plenamente feliz no presente, o de não gastar ansiedade e tristeza nos momentos que tinham juntas e isso as manteria bem por tempo suficiente. Tempo suficiente para que tudo se ajustasse, para que logo se entendessem, para que as coisas achassem seu lugar natural.


Frederíca chegou no dia seguinte. Muito gentil, muito delicada. Evitou beijar Sofía na frente de Angra e amou o quanto Estela estava diferente! O cabelo tinha crescido, agora ela tinha uma mecha que precisava ser presa para não cair em seus olhos, agora já sorria e brincava, e amou Frederíca. Angra desconfiava que as tatuagens tinham seduzido sua filha, só podia. Naquela semana que restava a Angra na Colômbia, Frederíca foi mais que gentil. Disse, de maneira literal, que Angra podia ficar com sua esposa emprestada porque sabia que um bebê era algo tão complexo que tinha lhe assustado a ponto de não ter nenhum até então.


— Mas eu sei que ela é boa mãe — Disse, naquele final de tarde enquanto tomava café da tarde com Angra, e Sofía havia ido acalmar Estela na varanda. E disse no presente, não no futuro, Angra fez uma anotação mental sobre isso — E sei que para eu ter um bebê, precisa ser com uma mulher como ela ao lado. Ela não... Se assusta. Eu nunca a vi assustada na vida. Nem quando foi perdendo a família aos poucos, quase como uma... Maldição. Quem perde três membros da família num espaço de seis anos? Eu estava lá da última vez. Havia uma guerra na mente dela, mas ela seguia calma, sem desespero.

— Pois bem, eu sou o tipo que desespera — Abriu um sorriso nervoso, Frederíca também.

— Eu sei, eu também sou, nós somos muito parecidas. Aliás, você parece uma mistura bem sucedida de mim com a Kalinka, os dois amores da vida da Sofía, não pense que eu não notei. Nem essa coincidência, nem o seu encantamento por ela.


Angra não soube bem o que dizer, então, apenas se manteve calada, apertando os lábios.


— Eu sei e você sabe que não deveria estar casada, ao menos não num relacionamento hétero. Ela... Ela vai levar você em casa, já me disse, vai fazer um outro trabalho em Goiás e vai levar você com a Estela. Tudo bem. Eu a espero voltar, sem drama. Ela vai voltar, eu sei.


Não havia trabalho mais em Goiás, Sofía tinha tido que romper o contrato em virtude do nascimento de Estela. Ela ia exclusivamente para que Angra não voasse sozinha com o bebê, e...


Era a mulher da sua vida. Que iria ter que devolver para Frederíca.


Notas da autora:


Hei, galera!


Estamos chegando próximo ao fim dos capítulos de nascimento da nossa querida Estela. Que momento! Angra e Sofía passaram seis meses da vida da nossa pequena juntas e agora conseguimos entender um pouco mais de como essa história de amor se fortaleceu.


O último capítulo deste momento será "Fika", mas para isso, precisamos bater nossa meta de 50 comentários. Conto com vcs! s2


Alguns lembretes:


- 50 comentários, sempre até às 23 horas do dia anterior ao capítulo inédito;

- Grupo de Whats’App para quem quiser bater um papo sobre as histórias: https://bityli.com/LetqE;

- Lançamos 6am: A hora mais curta! Está disponível na Amazon! Quem já estava com saudade das nossas garotas? Ou quem está louca para conhecê-las? Corre aqui! encurtador.com.br/frBO4.


Beijos! Se cuidem!


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