Angra: Capítulo 25 - fika





Voltar pra casa foi o mais complicado da situação tensa que Angra já esperava.


Desta vez, pouco tinha a ver com o voo, sua ansiedade seguia ali, mas com Sofía ao seu lado, metade ficava sob controle, porém, era uma viagem de oito horas, com um bebê de quase seis meses, não sabia como Estela iria se comportar e dado o tempo no avião, ela se comportou muito bem. O que não significava que era simples de qualquer forma. Trocar fraldas, alimentar, evitar o choro, como se o bebê viesse com controle remoto de fazer parar. Bem, não vinha, mas Sofía tinha mágica.


Havia uma conexão linda quando aqueles olhos encontravam os olhos clarinhos de Estela, Angra não cansava de ver. O sorriso que surgia em sua filha, o jeito que as mãozinhas agarravam o rosto de Sofía, ou quando ela se enterrava no peito dela, agarradinha, apegada, como quem sabe que ali é um casulinho de proteção.


— Ela veio pra cá assim que nasceu. E deve ficar confusa do casulo estar aqui e o mama aí, olha — Sofía disse, com Estela enterrada em seu peito, balbuciando qualquer coisa.

— Linda, não acha que ela está querendo dizer mamãe? Não está claro?


Sofía morria de rir, porque o máximo que Estela realmente dizia era: “Bah bah, boh, buh”.


Mama, ela é colombiana, solo estoy hablando en español con ella...

— Quero ver eu me comunicar com essa menina depois...


Sofía a olhou sorrindo. A cabine estava escura, haviam optado por voar de madrugada, o melhor horário de sono para Estela. A beijou, docemente e, com um gosto de saudade antecipada.


— Tudo bem, linda? — Angra perguntou gentilmente.

— Tudo bem. Mais quatro horinhas de voo, já fizemos metade...


A informação apertou o coração de Angra. Estela se comportou muito bem até o início da aterrisagem, então ficou nervosa, difícil de acalmar, começou a chorar e a atrair olhares chateados de quem estava ainda acordando e isso lhe deixou...


Sofía apenas lhe olhou, segurando Estela, tentando acalmá-la, não precisou dizer nada, Angra acalmou, respirou mais fundo, agarrou na coxa de Sofía para aterrissar e deu tudo certo.


A não ser, pelo nervosismo na recuperação das malas. O coração de Angra estava saindo pela boca.


— Meu amor, o que foi? — Sofía não estava entendendo nada — Calma, quer ficar com o bebê? Fica sentadinha aqui, eu vou ver as malas...


Ficou agarrada em seu bebê até que Sofía retornou, com todas as malas de coisas que Angra não tinha levado. Agora tinha um guarda-roupa novo todo colombiano, tal como as coisas de Estela e, a própria Estela. Colombiana, como todo o resto.


Linda, eu... Eu não vou pra casa hoje.


Sofía abriu um sorriso.


— Amor, nós chegamos, você quis fazer uma surpresa pra sua família...

— Vou transferir a surpresa para amanhã, acho que foi por isso que não contei que já tinha embarcado...


Pegaram um hotel, aquele hotel que já era delas e numa delicadeza enorme, Angra foi surpreendida por Sofía. Ela solicitou o mesmo quarto delas, aquele do primeiro encontro em Brasília, onde tinham decidido sobre a gravidez. Era simbólico entrar naquele quarto novamente, agora com Estela nos braços.


Fika. Palavra sueca. Uma parada no dia, um instante para um café com algo doce, expressivamente pelo propósito de tirar um tempo para um momento de pequenas beatitudes.


Sofía adorava os escandinavos por tais motivos.


Ficaram ali o dia inteiro. Estela ficou animada a manhã inteira, mas lá pelo meio-dia, foi derrubada por um soninho mágico que permitiu que Angra e Sofía dormissem, haviam dormido quase nada no voo. Dormiram a tarde inteira, com Estela entre elas na cama e quando acordaram, o sol já estava querendo se pôr lá fora. O bebê decidiu dormir também depois da meia-noite, se adaptando direitinho na antessala que tinha o quarto, e assim, uma noite tranquila e gostosa de amor elas puderam ter.


Angra havia comprado um brinquedinho, algo que ainda não tinha feito com Sofía, e fazer amor com ela em seu colo, lhe olhando nos olhos, gemendo tão suavemente, suando na sua pele e com aquela visão toda...


Havia sido fora deste planeta. O jeito que Sofía delicadamente subia e descia pelo seu colo, as mãos de Angra na cintura dela, a segurando tão firme, o poder adquirido ao saber que tinha a exata noção do corpo de sua garota, o quanto ela ficava confortável com tal coisa, sua profundidade, seus pontos de prazer. Já sabia de cor, já sabia mental, não precisava sentir necessariamente, mentalmente Angra sabia onde estava, sabia o que fazer e isso não tinha nenhuma explicação simples possível. Angra estava se redescobrindo sexualmente depois dos trinta, se dando conta do quanto não havia nada de errado consigo, ou com sua libido, estava tudo ali, ela só não estava atuando... Dentro de sua natureza. E pensar que não teria mais nada disso com regularidade em breve...


Foi difícil ir pra casa sozinha. Pegar as coisas de Estela, entrar num carro com ela sem Sofía, foi... Quase um trauma. Sofía foi gentil como sempre, lhe pediu para avisar quando estivesse em casa, iria dar uma volta por Brasília, conhecer alguns lugares, almoçar num bom restaurante, ela estava querendo se distrair, Angra sabia e o nervosismo intenso em que estava não lhe permitiu ir para o seu apartamento. Preferiu surpreender sua mãe.


Tocou na campainha dela e foi uma explosão de alegria. Sabia que ela estava em casa e foi maravilhoso sentir o abraço dela antes de qualquer coisa. Lhe deu proteção, calma, a oportunidade de respirar antes de ir pra casa. Elisa a colocou sentada, pegou Estela nos braços e descobriu que...


— Ela quer...?

— Quer, pode colocar no chão — Angra respirou fundo, se acalmando — Ela já está rolando, querendo começar a engatinhar e... Sofía sempre brinca com ela no chão, para manter... Uma conexão mais próxima com a Terra, o planeta, Sofía tem dessas — Limpou as lágrimas abrindo um sorriso.

— Ela está linda, filha.

— Eu sei, não paro de achá-la a coisa mais linda do mundo.


O olhar de sua filha estava entristecido demais.


— Mas você sente que... Está tirando ela de... Um dos pais. As pessoas entendem “pais” por pai e mãe, acho péssima essa nomenclatura e não é apenas por ela ser exclusiva por si só, mas é porque hoje, pai e mãe nem sempre existem. Há milhares de crianças sendo criadas apenas pelas mães, ou por duas mães, dois pais, ou ainda, por nenhum pai e nenhuma mãe, há tias, avós, madrinhas e padrinhos, uma infinidade de possibilidades. Deveriam substituir “pais” por família. Estela vai conhecer o papai de perto agora, mas passou quase seis meses com duas mães.


Angra respirou fundo, sua mãe tinha grandes momentos de assertividade.


— Eu fiz uma bagunça e tanto, não foi?

— Foi. Mas eu nunca vi ninguém ir parar na terapia dizendo que foi traumatizado com excesso de amor. Estela vai ficar bem. Vamos lá, eu vou fazer o almoço, seu pai vem para almoçar, seu irmão também, chama o Guilherme pra cá e aquela sua outra namorada, a Carolina... — Disse, fazendo Angra sorrir um pouco, só sua mãe mesmo.


O reencontro com Guilherme não foi ruim, mas foi esquisito. Foi bom estar na sua mãe, com sua família por perto porque sabia que acabaria sendo esquisito. Estava com um bebê que ele não conhecia, Estela não o reconhecia, é claro, tal como não conhecia ninguém ao redor dela e isso a deixou nervosa, obviamente. Queria ficar mais com todo mundo, conversar mais, se sentir mais em casa, mas Estela não quis muito acordo.


— Ela costuma chorar assim? — Guilherme perguntou num canto da sala, enquanto o almoço seguia animado.

— Não costuma, mas acho que ela está estranhando...

— Somos a família dela.

— Eu sei, mas ela ainda não...

— ...sabe disso, é claro. Posso tentar?


Passou Estela para o colo dele, mas não durou um minuto. Ela estava incomodada com algo, parecia irritadinha demais e Angra se deu conta de que talvez, fosse alguma cólica. Ou só o diferente do lugar, das pessoas, era difícil saber. Cuidou da cólica e quando todos voltaram aos seus trabalhos, deixou sua mãe, dizendo que ia pra casa.


Bem, Sofía a encontrou na entrada do hotel.


Linda...? — Sofía estava chegando de seu passeio.

— A gente pode subir?


Podiam, é claro que podiam. E foi chegar no hotel e Estela pegou no sono, com um dos lenços de Sofía, aqueles no qual a faziam de bebê-canguru.


— Você vai ficar com todos esses, tá, para ela... — E os olhos de Sofía encheram, a voz quebrou — Não se esquecer de mim.


Foi o estopim para todos os choros que as duas tinham represado todo aquele tempo. Sofía chorou muito, Angra chorou muito, sabiam que a separação seria difícil, mas estava MUITO difícil. Choraram juntas, desabafaram, disseram tudo o que precisavam, Angra no colo de Sofía, muito agarrada nela e agarrada em cada coisa dita, assumida, todos os medos, todas as vontades, tudo, não deixaram nada por dizer, nem uma vírgula que fosse. Estavam com medo, estavam incertas, mas de acordo com o que tinham decidido naquele mesmo quarto, era o que precisava ser feito.


— Vamos ter que confiar uma na outra — Sofía disse, ainda a prendendo contra o seu peito, Angra estava vermelha, com o rosto molhado, ainda soluçando.

— Eu sei, mas não é fácil.

— Também sei disso. Eu vivi um sonho nesses seis meses. De ter um bebê, de dormir e acordar com a mulher que eu amo, que me conhece, com quem eu adoro papear, fazer as coisas, cozinhar, sair. Notou o quanto que a gente saiu? Mesmo com a Estela? Eu não faço essas coisas com a Frederíca. E deve ser pelo tipo de relação partilhada, eu não sei, eu tenho pensado bastante sobre. Olha, linda, enquanto eu andava por aí, decidi alterar a minha passagem.

— Como assim?

— Eu decidi ir embora amanhã. Para que a gente passe logo por isso, que enfrente de vez, que tenha logo noção de como essa separação física será. Nós não temos saída agora. Na verdade, nós sempre temos, mas magoaria muita gente e tiraríamos o direito de Guilherme conhecer a Estela da maneira correta. Ele quer essa proximidade, é importante para ele, para ela, e principalmente, para você. Eu sei que é. Sinto. Por isso que... Bem.


Angra deixou outra lágrima cair.


— Frederíca falou em filhos. Com você.

Linda... — Sofía respirou fundo — Podemos deixar combinado que se a minha vontade de ter um bebê voltar, eu o terei com você. Aliás, terei novamente. A Estela é minha também, é como eu sinto, do fundo do meu coração.


Angra a beijou, longamente, com o coração disparado.


— É claro que ela é sua. E, eu quero esse combinado.

— Então está tudo certo.

— Você vai mesmo embora amanhã?

— Vou. É o melhor, meu amor.


Se despediram. O voo sairia muito cedo e Sofía iria direto para o aeroporto, de fato, era melhor assim, as duas sabiam, o que não significava que era fácil. Ela partiria para Cartagena na madrugada próxima e naquele final de tarde, Angra partiu pra casa.


Chegou antes de Guilherme, e é claro, as coisas estavam bem fora de lugar. Organização não era o forte dele e apesar de ter tentado ocupar a mente arrumando as coisas, se deu conta de que ficar sozinha com um bebê não seria nada fácil. Estela estranhou o lugar, não se permitiu ficar fora do colo, teve crises de choro, estranhou a banheira e não queria pensar sobre, mas quando ela irrompeu em choro de madrugada, achou que ela estava estranhando a ausência de Sofía.


Guilherme levantou aquela noite, mas claramente se sentia deslocado na situação. Angra teve que dizer como ele poderia ajudar, mas não adiantou muito, resultou em insucesso e depois de uma meia hora de tentativas, ele disse que precisava ir dormir, tinha algo importante no trabalho pela manhã. E aquela foi apenas a primeira noite que tal coisa aconteceu.


O sono de Estela desregulou completamente. Ela não conseguia dormir, reclamava o tempo todo, chorava, como se estivesse sentindo uma dor imensa, um desconforto imensurável e era sempre a mesma rotina. Ela começava a chorar, Angra precisava levantar, Guilherme a seguia por uma meia hora e depois desistia. Passou a dormir no quarto de Estela no terceiro dia, agradeceu por não ter se desfeito da cama e assim, Guilherme passou a não mais levantar quando ela começava a chorar. Ele se sentia impotente, não sabia como ajudar e nem Angra sabia também. Já havia tido noites muito difíceis com Estela, mas nenhuma que...


Não lhe deixasse trabalhar no dia seguinte. E isso começou a ocorrer com uma certa frequência.


Primeiro, que sequer tinha conseguido entrar em seu escritório outra vez. Não dava, não havia como, sabia que precisava de ajuda, de alguém para cuidar de Estela ao menos um turno, mas essa pessoa simplesmente não aparecia. E seu home office ficou simplesmente inviável. Estela não dormia a noite, então, Angra passava as madrugadas acordada e só podia dormir quando o bebê decidia dormir. Acabava pegando no sono de manhã, Guilherme chegava para almoçar e tudo ainda estava revirado, fora do lugar, ele cuidava do almoço, a contragosto e lhe prometia todos os dias que iriam encontrar outra pessoa. Aquela que tinham contratado antes, havia se mudado e agora tudo andava um caos gigantesco. E junto com o caos, vinha o estresse de ambos.


Ele reclamava bastante. Dizia que tinha ficado sozinho, que estava fazendo tudo sozinho aquele tempo que Angra ficou fora e que também estava cansado de ter que cuidar da casa, como se Angra estivesse de férias e não cuidando de um bebê. Havia uma dedicação dele em se aproximar de Estela, isso ela não podia negar e aos poucos, ela estava começando a se acostumar com ele. Já ia para o colo sem chorar, mas também quando contestava que queria voltar para a mãe, era com uma veemência enorme. Havia um estremecimento entre eles como casal, Guilherme a procurava todas as noites e estava começando a ficar impaciente com a situação. Mas nem era mentira, com as noites em claro com Estela, Angra não tinha a mínima inclinação sexual e isso já era um problema antes, os dois sabiam. Não estava conseguindo viver direito, imagina trabalhar, retomar uma relação física que já era conturbada e quase inexistente, ou ajustar os problemas do seu casamento.


Não era hora para isso, para aquele tipo de conversa, era hora de pedir ajuda da forma que estava pedindo e houve um momento de desespero, provavelmente depois de sete noites em claro, implorou que Guilherme ficasse com Estela de qualquer maneira.


— Ela não para de chorar, Angra, eu não sei o que fazer.

— Eu também não sei o que fazer e ela chora comigo também. Eu sei que estou exausta e preciso dormir, seja por algumas horas...

— Olha, amanhã já é sábado, eu fico com ela, não preciso trabalhar no domingo...

— E quando eu vou trabalhar, você pode me explicar?

— Eu não sei, você tem que achar uma saída. Eu também estou passando sono, não tem como dormir bem com ela chorando tanto, talvez precisamos ir a um médico, sei lá...


Foi naquela noite que Angra descobriu que Estela não era a única com problemas de sono.


Ligou para Sofía meio que sem saber o que esperar. Mas Estela estava impossível e ligou meio que por recorrência. Não havia contado o que andava passando, novamente sentia vergonha de não estar recebendo apoio e vergonha por não estar dando conta. Mas ligou e para sua surpresa, Sofía estava acordada.


— São... Duas da manhã aí? — Angra perguntou quando ela atendeu.

— E quatro aí. O que está acontecendo? Ela acordou ou nem conseguiu dormir?

— Nem conseguiu dormir. E você?

— Estou na mesma situação...


Se ligaram por vídeo e Angra pôde ver Sofía sentada no sofá da sala, no escuro, com a TV ligada em qualquer coisa, ela estava com dificuldades para dormir. Simplesmente não dormia ou então acordava achando que Estela estava chorando. Chegava a levantar algumas vezes e então acordar de verdade no corredor, procurando por um bebê que não estava ali.


— Ela... Não está dormindo quase nada de madrugada.

— Linda, eu sei que está complicado. Você tem caído dormindo no meio do dia.

— O Guilherme não consegue me ajudar.

— É normal. Lembra como a gente também não conseguia se ajudar?

— Mal durou uma semana.

— Aí também não tem nem uma semana. Você me disse que ele é dedicado, pode não estar sabendo o que fazer agora, mas vai saber em breve. Angra, ela está me olhando...


Estava, olhando, sorrindo e quando Angra aproximou o celular do rosto dela, Estela riu alto e bateu palminhas. Ela sempre reagia assim quando via Sofía, conseguia reconhecê-la, não havia a esquecido e nem achavam que ela esqueceria, era impossível.


— Linda, eu comprei um livro aqui, por que você não coloca aquelas músicas celtas que acalmam ela e eu tento ler?


Foi assim que perto das cinco da manhã, Estela conseguiu pegar no sono.


Isso se repetiu por muitas noites, quando Sofía não conseguia dormir e perguntava se Angra estava precisando de ajuda, aparentemente, Estela tinha se habituado assim, a ouvir as duas conversando, se habituado com a língua espanhola, não sabia. Mas sabia que ela se acalmava mais facilmente assim. O sono é um torturador de primeira. Quanto mais sono, mais irritabilidade e sem uma rotina estabelecida, as coisas nem levaram muito tempo para descarrilar de vez.


A bolha de caos foi se convertendo em uma bolha de pressão. Marcela pressionando no trabalho, estavam crescendo, estavam precisando de ajuda e Angra sabia que ela já tinha carregado tudo por muito tempo. Marcela estava lhe esperando no escritório, com uma pilha enorme de demandas e Angra simplesmente não conseguia estar lá, não encontrava saída, o trabalho em casa não estava rendendo como antes e sua casa, bem, havia se tornado um verdadeiro campo de batalha. Tudo estava sempre revirado, precisando ir para o lugar, as louças pareciam ganhar vida própria, tal como o chão parecia se auto sujar o tempo inteiro. Guilherme ajudava da forma que ele podia, estava trabalhando muito, se esforçando para estar com Estela e ela estava apaixonada por ele, mas aparentemente na mente dele, as duas horas que ficava com o bebê para que Angra fizesse as coisas de casa era mais do que suficiente.


À parte disso, ele reclamava. Sempre no papel de controlado e preocupado, chamava Angra para dizer que tal coisa não ia bem, que não podia deixar Estela de tal jeito, que a casa não parecia segura para o bebê, porque estava sempre desarrumada e Angra foi se dando conta de que ele achava mesmo que ela era da mesma geração da mãe dele.


— Eu fui muito bem criado, está bem? Por essa geração aí que você está falando com tanto desdém!

— Não é desdém, só que as coisas mudaram... Eu não sou a única a ter responsabilidades aqui! — Estavam discutindo enquanto Angra tentava trocar Estela que não parava de chorar.

— Pai e mãe têm responsabilidades distintas, eu estou cumprindo com as minhas!

— Nem você acredita nisso, só está se escondendo atrás da tradição para não encarar que tem feito menos do que eu!

— Você quer falar de responsabilidades? Eu vou citar uma. Você comprou um carro de luxo! Sem sequer me consultar! Só foi lá e comprou!

— Eu já te expliquei as circunstâncias muito bem — Pegou Estela no colo e começou a tentar acalmá-la, andando com ela no quarto.

— A circunstância é que você é uma megalomaníaca! A gente não precisa de um carro daqueles e menos ainda ele deve ter custado o que você me disse que custou, você acha que eu sou idiota?!

— “A gente” não precisa mesmo, quem precisa sou eu. E outra, eu comprei com o meu dinheiro, não com o nosso dinheiro, não tem um real seu na minha compra.

— Nós somos um casal! Você não tem autorização para comprar nada sozinha, é assim que um casal age!

— Ah, é assim? E por que você só me contou dois dias antes que ia viajar para a Espanha, para assistir a final da Champions? Depois de comprar as passagens, reservar o hotel com aquele seu bando, em Barcelona, é claro, uma das cidades mais caras da Europa! O que eu fiz, você lembra?

— Isso nem se compara, a gente nem era casado! Hoje em dia...

— Segue comprando ingressos sem me dizer. Libertadores, Fórmula 1, da última vez sugeri que fossemos juntos e você me disse que era um programa masculino, que só iam os homens. Isso vai continuar, eu não tenho objeções, mas vou comprar as coisas que eu quero sempre que isso não envolver dinheiro seu.

— Você é uma baita de uma egoísta, isso sim!


Angra sequer respondeu. Pegou as coisas de Estela e saiu com ela, deixando Guilherme falando sozinho.


Saiu dirigindo, com a cabeça latejando de coisas. Era quase duas da tarde e decidiu ir para o seu escritório. Já fazia dois meses, nada entrava nos eixos, não conseguia encontrar ninguém para lhe ajudar, então aquela tarde, decidiu ir trabalhar com Estela. E foi a melhor coisa que podia fazer, reencontrou suas pessoas, sentiu o quanto estava fazendo falta ali, foi bom voltar para sua sala, para sua pilha de situações e, durante uma reunião de resumo de ações, no finalzinho, ouviu uma ideia interessante:


— Eles poderiam ficar aqui, com a minha babá — Luria lhe sugeriu.

— Aqui?

— Tem uma sala livre lá em cima, não tem? Poderíamos montar um espaço confortável para eles e trazer a menina que me ajuda.


Era a melhor ideia que já havia ouvido em muito tempo. Terminou aquele dia com um projeto, iriam trazer uns tatames, berços, brinquedos e duas babás, a de Marcela e a de Luria, deveria ser suficiente. Assim, teriam as crianças mais perto e todo mundo trabalharia mais tranquilamente. Saiu de lá leve, já com um plano de ação e quando estava indo pra casa, recebeu uma mensagem de sua mãe. Ela estava dando um café da tarde.


Aproveitou para contar o que estava se passando.


— Filha, você não está cobrando demais? Querendo ou não, está fora do alcance do Guilherme te ajudar como a Sofía ajudava.

— É aí que está: ela não me ajuda, ela divide comigo. As horas de dedicação, as noites acordadas, as refeições, os banhos, a atenção. Eu sei das diferenças, ela trabalha em casa, não precisa estar fora o dia inteiro, mas sabe? Ela também trabalha fora, ela viaja, mas abriu mão disso por um tempo porque sabia que eu não conseguiria sozinha sem um esforço enorme.

— Angra, a grande questão é que você precisa decidir o que quer.


Sabia que esta era a grande questão. Voltou pra casa e acertou com Kalinka sobre como fariam com o carro. Já tinham combinado que Kalinka poderia dirigir de Cartagena até Boa Vista, em Roraima, onde Angra a encontraria. A viagem seria feita em cinquenta horas, tranquilamente, dirigindo 8 horas por dia e parando para que Sofía fizesse fotos e anotasse para seus artigos. Estavam precisando de algo assim, a separação havia trazido algumas feridas, alguns desconfortos e do jeito que estavam, não poderiam continuar. Angra voaria até Roraima e Sofía lhe faria companhia nos sete dias que levariam para chegar em Brasília. Estela estava com dez meses, não havia a menor possibilidade de ela ficar sozinha com o pai, e é claro que isso foi outra discussão enorme assim que ela chegou.


— Você sempre faz isso! Quando as coisas apertam, você foge para longe de mim!

— E você ainda tem sorte de eu seguir voltando para você. Olha, nós não estamos bem, eu sei disso. Mas quando eu voltar, já vou conseguir retornar para o trabalho, nós vamos fazer uma creche lá no escritório, isso vai deixar de ser um problema e assim, vou poder encontrar alguém para cuidar só do apartamento, vai ser mais simples, vou resolver isso antes de viajar. E talvez, seja a hora de conversar sobre... Você sabe sobre o quê.


Ele estava lhe olhando, com Estela falando e falando em seu colo.


— Eu... Eu decidi tirar férias. Mês que vem. Eu quero conhecer a minha filha de verdade. Eu sei que posso fazer mais. Deixa essa conversa para depois disso, por favor.


Angra o abraçou. Ele estava tentando.


📚


Não é que não tivessem se visto naqueles quatro meses separadas. É claro que se viram, Sofía conseguiu escapar duas vezes, para passagens rapidinhas por Brasília, mas conseguiu, para ver Angra, ver Estela, mas é claro que aqueles meses a separaram e mudaram as coisas um pouquinho. O apoio de Sofía seguia incondicional, ela lhe ajudou a regularizar o sono de Estela, que já estava dormindo melhor, comendo melhor e se comportando melhor com o pai, com Carolina, com seus familiares de modo geral. Mas não parava de sorrir quando via Sofía, fosse ao vivo, fosse por vídeo, a relação ia muito bem, obrigada. E sua relação com Estela...


Pegou um voo sozinha com ela. Nada de oito horas, mas três horas e meia para Angra que tinha pânico de voar, já era coisa pra caramba. E fez isso sozinha com sua menina, sua pequena companheira, que deu show dentro da aeronave, seduzindo todos os comissários com seu sorriso fácil. Estela não chorou, não gritou, apenas se divertiu o voo inteiro e sentir aquela parceriazinha...


Foi muito bom. E a paz que invadiu Angra tão imensamente que nem sabia. Chegaram em Boa Vista, pegaram um hotel, Sofía chegaria com Kalinka pela manhã, já estava no Brasil, dormindo numa cidadezinha de fronteira, conversaram elas duas e Estela, que cada vez mais agora sim, parecia estar querendo dizer algo. Sofía falava em espanhol com ela que parecia entender tudo e querer responder, e Sofía estava com tanta, mas tanta saudade que nem sabia.


— Eu quero agarrar meu bebê e agarrar você, linda...

— Jura que está com saudade?

— Você nem faz ideia do quanto.


A noite ao menos, passou muito rápido e antes das nove da manhã, seu Giulia azul-metálico acenou na frente do hotel.


Abriu um sorriso lindo, com seus óculos escuros e a questão é que nem era apenas o carro, era o seu carro e a sua garota linda dirigindo... Ela tinha tirado habilitação, mas não imaginou que...


Não acreditou quando ela desceu do carro descalçando luvas de couro! E menos ainda, Sofía acreditou quando Angra colocou Estela no chão e ela simplesmente, andou em sua direção.


Andou, desequilibrou, quase caiu, mas veio na direção de Sofía balbuciando qualquer coisa e quando ela agarrou nas pernas de Sofía...


Já estava na quinta lágrima. A pegou nos braços, a erguendo no alto, fazendo aquele bebê rir demais enquanto Angra veio para perto e antes de qualquer palavra dita, um beijo foi roubado...


Delicado, longo, cheio de saudade.


— Angra...

— É tempo demais, linda. Essa menina aqui já está até andando...

— E você não me disse nada!

— Ela começou há três dias, com esses passinhos aí que você viu, três passinhos, cai de bumbum, levanta, tenta de novo, cai novamente e assim vai.

— Não tem nem onze meses completos ainda...

— Ela é ansiosa, você sabe — Angra não conseguia parar de sorrir — Kalinka!

— Vim trazer seu carro, moça! E ver este bebê outra vez... Acredita, bebê? Estamos nós quatro aqui juntas outra vez!


E Estela aplaudia e ria, parecendo que estava entendendo cada coisa. Kalinka não ficaria muito tempo, já tinha um voo para pegar, um novo lugar para ir, mas puderam almoçar juntas e colocar a conversa em dia. Deixaram Kalinka no aeroporto e pegaram a estrada, não podiam perder tempo e foi entrar naquele carro azul e retornarem exatamente para onde tinham parado da última vez.


O bem estar, as conversas longas, as risadas fáceis, seu bebê no banco de trás, brincando, querendo interagir, determinados momentos, Angra perdia Sofía para ela, que ia lá para trás, agarrar sua coisa linda, brincar com ela, ter certeza de que ela não a tinha esquecido. Sempre achava que ela ia lhe esquecer e isso apertava o coração de Angra de uma maneira...


Será que podia esquecer? Um amor nato? Não, achava que não.


Cumpriram sua primeira parte do dia e pegaram um restaurantezinho jeitoso para jantar, com uma iluminação agradável, um cardápio simples e que parecia delicioso, e havia algo: o quanto que estavam encantadas de dirigir por dentro da Floresta Amazônica. Estavam empolgadas, felizes, agarradas demais, agora Estela já ficava de pé no colo delas, batendo pela mesa, rindo, chamando atenção, querendo dizer mama a todo custo. Algo novo também era que agora, ela já estava experimentando outras comidas e foi uma festa jantar com a companhia dela. Jantou e, dormiu, se agasalhou no colo de Angra e simplesmente dormiu.


— Ela está cansada, essa floresta é quente demais — Sofía estava ao lado de Angra, fazendo um carinho nos cabelos molhados de Estela.

— É um clima completamente diferente, não é? Diferente de Brasília, do clima de praia de Cartagena.

— Totalmente diferente, vou te contar dos lugares mágicos que eu passei com a Kalinka até aqui.

— Está cansada, linda? Sei que são sete dias de viagem para você...

— Aquele carro é realmente confortável, amor, eu nem percebi, ainda mais ao lado da Kalinka e morrendo de saudade de ver vocês duas.


Angra entendia totalmente. Foram para um apart-hotel o mais rápido que podiam, deram banho em Estela, ela acordou e nunca mais quis dormir. Mas não fazia mal, a levaram para a cama, riram e brincaram com ela, e pouco antes da meia-noite, o bebê dormiu novamente. A acomodaram e era apenas elas duas, apenas o amor sôfrego delas duas, apenas a vontade, a saudade, o tesão e Angra nunca estava pronta, sempre achava que não sentiria igual e geralmente estava certa: a conexão delas apenas ficava mais forte, o amor apenas ficava mais intenso, mais denso, muito mais difícil de ser negado, ou abandonado. Por mais difícil que as coisas fossem. E as duas sabiam, estava bem difícil agora.


Se pegaram na cama, ainda nuas, se olhando muito de perto e trocando carinhos, apego, tratando da saudade que ainda estava muito forte.


— Eu ainda não sei bem como fazer todas as coisas — Angra confessou, deslizando os dedos pelo rosto dela.

— Eu também não sei bem como fazer. Mas abrir mão de você não dá.


Angra abriu um sorriso de olhos brilhando.


Aquela noite foi a primeira que Angra dormiu sem interrupções desde Cartagena.


E não é que Estela não tivesse acordado, é claro que ela acordou, é claro que choramingou, mas Sofía tinha levantado para ver e quando Angra abriu os olhos, já era dez da manhã e sua Estela estava sentadinha na cama, brincando com suas mãozinhas enquanto um cheiro de café fresquinho invadia o lugar inteiro.


E agora, já parecia mesmo que Estela estava dizendo “mama”. Checou o relógio, dez da manhã e parecia ter acordado no paraíso.


Cheirou seu bebê, foi encontrar sua garota na cozinha, deixando Estela livre para ir onde quer que quisesse. Haviam combinado que fariam assim, iriam dormir mais, sair um pouco mais tarde, não fazia mal, Angra precisava descansar e precisava curtir Sofía da maneira certa. A abraçou pelas costas, ela estava terminando de arrumar a mesa do café.


— Bom dia, meu amor.


Angra a cheirou na nuca, a apertando nos braços demais.


— É mais que um bom dia. É um dia perfeito.


Que se repetiu durante os sete dias que puderam partilhar juntas.


Sempre revezando, sempre cuidando das coisas juntas, no dia seguinte, foi Angra quem acordou para pegar Estela, foi ela quem levantou para fazer o café, no próximo, Estela foi boazinha e não acordou ninguém, e puderam partilhar um café da manhã incrível em um hotel dentro da floresta, onde puderam ver tucanos, araras, bem-te-vis passeando pelo lugar inteiro e quando um macaquinho apareceu, Estela teve um pico enorme de felicidade! Saíram ainda mais tarde aquele dia, a deixaram brincar onde queria, a testar seus limites no playground do hotel e sempre que via um pássaro, apontava e chamava mama.


Para Angra, para Sofía, era assim.


Angra pôde descansar do volante aquele dia porque Sofía fez questão de dirigir. Tinha tirado a habilitação assim que retornou para Cartagena e aos poucos, se sentia mais confiante para dirigir, apesar de saber bem que não era o seu forte. Já estavam no Amazonas, pegariam uma rota de cachoeiras porque Sofía precisava de um banho natural, precisava de um mergulho na floresta, de um tempo para energizar e foi precioso demais poder passar uma tarde assim, num mergulho gelado, fazendo um piquenique, brincando com Estela, jogando conversa fora.


Outro jantar agradável, outra noite regada a risadas e a amor, elas fizeram amor todos os dias e literalmente, passaram vontade os dias inteiros também. Mas agora tinham um bebê, que requeria disciplina e proporcionava momentos que Sofía guardava numa caixinha muito especial.


Não queria perder Angra, era um ponto, não queria perder Estela, era outro.


— E a Frederíca? — Angra perguntou durante um almoço em Mato Grosso, logo depois que tinham deixado Rondônia para trás.

— Está em turnê com o livro novo, que aliás, ela mandou para você e eu não entreguei até agora...

— Eu não acredito que você tem uma cópia de Maiorca para mim e não me entregou!

— Passou da ideia, amor, eu estava distraída com você e este bebê aqui que decidiu andar! — Pegou Estela de volta, que tinha escorregado pelas suas pernas querendo andar sabe-se lá para onde — E linda, está aí na mochila, nessa perto de você...


Angra procurou seu livro e lá estava, com uma dedicatória linda finalizada com um desejo de boa sorte.


— Ela é muito gentil, muito charmosa, eu entendo por que você ficou louca por ela...


Sofía riu, ajudando Estela com o purê de batata.


— Ela é muito charmosa. Vocês duas são bem parecidas nisso. Sabe o que eu sinto? Eu acertei meio caminho com ela. Eu precisava estar com alguém como ela, mas não essencialmente ela, são os pontos em que ficamos fora da curva uma da outra. Os pontos que... Fazem você perfeita pra mim.

— E como vão as coisas? De modo geral?

— Tudo vai bem, linda. Alcançamos uma maturidade mais tranquila, estamos discutindo menos, o trabalho dela vai bem, o meu também, eu parei de implicar com as festas nos finais de semana, geralmente almoço, faço uma social rapidinha e vou ficar mais tranquila na Kalinka. Ela separou, quase não para em casa e aquele lugar me abraça com as nossas lembranças. Isso equilibrou a minha vida com a Fer.


Ela geralmente não usava apelidos para se referir a Frederíca. Angra fez aquela anotação mental. Dormiram na fronteira com Goiás no dia seguinte e voltar a Alto Paraíso com Estela foi... Fora deste planeta. Tinham separado um dia para estar naquele lugar e quando entraram na recepção com um bebê no colo, Sofía pôde ver a surpresa nos olhos da recepcionista.


— Ela lembrou da gente — Angra estava se divertindo a caminho do quarto.

— E acha que você fez este bebê em mim aqui naquela lua de mel, ficou na cara dela...


E tinha feito, não podiam negar. Os dois últimos dias foram bem especiais. Sofía ficaria em Brasília por uns dias, não teve gosto de despedida, puderam curtir e aproveitar o máximo possível. Chegaram ainda de dia em Brasília e Sofía pôde enfim conhecer o escritório de Angra, pôde ver a creche que tinham montado, o lugar de Angra e o lugarzinho de Estela. Sofía foi muito bem recebida, conheceu Luría e Marcela, e um café da tarde tranquilo se converteu em oportunidade de negócios. Estavam precisando de um Lean office pelos processos da empresa e Sofía podia ajudar. E o Giulia de Angra fez sucesso imediato, pediram volta pela cidade e foi bastante divertido para Sofía estar na companhia das amigas dela, de quem Angra costumava falar, foi como estar um pouquinho mais dentro da vida dela.


Foi deixada em um shopping, precisava de algumas coisinhas e Angra não conseguiu escapar de levar Marcela em casa. Não fazia mal, se sentia cada vez mais em casa em Brasília e pela primeira vez, sentiu que poderia morar ali. Pela cidade, pela sua localização, por poder ir para quase qualquer lugar partindo daquele aeroporto. Por Angra, por Estela. Podia fazer isso sim, a questão toda era... Se teria a oportunidade.


Havia perguntado delas duas naquele último amanhecer. Nenhuma das duas tinha resposta.


Angra voltou pra casa e era noite de jantar. Felipe e Carolina estavam, outros amigos também e daquela vez, Estela apressou os passinhos para se jogar nos braços do pai. Que a pegou no colo, a cheirou, chorou, ele estava com saudades, era claro, era evidente e, o apartamento era outro.


Estava limpo, arrumado, com todas as coisas no lugar. E antes de qualquer coisa, Guilherme pediu desculpas a Angra, a abraçando, a mantendo perto, dizendo que tinha pensado muito, que sabia que estava devendo, mas que estava disposto, iria tentar novamente, ela só precisava ter um pouco mais de paciência.


Jantaram num clima muito agradável, conversa boa, fácil demais, a comida estava ótima e todo mundo quis descer para conhecer o tal Giulia de Angra. Agora, uma de suas garotas preferidas. E enquanto os convidados se divertiam no carro, Angra teve que subir, porque Estela precisava ser trocada. E Carolina lhe acompanhou.


— Você sabe quem ele contratou aqui pra casa? No final, nem deu tempo de achar alguém — Perguntou, enquanto dava banho em Estela.

— Sei, fui eu quem contratou.

— Foi... Você?

— Quem contratou, quem disse como o apartamento deve ser cuidado, Angra, ele não ia fazer nada. Eu entrei aqui faz uma semana e seu apartamento estava desaparecendo em bagunça, como aconteceu inclusive em todos os meses que você ficou fora. Olha, você sabe que eu sou uma entusiasta do casamento, mas eu realmente não sei desse casamento seu aqui. Guilherme está sem energia nenhuma. Ele diz que tem a ver com o tempo que você ficou longe, que ele não consegue se conectar com a Estela por causa disso, mas sabe? Você também ficou tempo longe de mim e a conexão está aqui, entre você, eu e esse bebê aqui. Olha, Angra, eu sei que ele é bom, sei que inclusive, é melhor marido que o Felipe e melhor que a maioria dos maridos que a gente conhece, mas você não tem a obrigação de ficar com ele só porque ele é bom. Ele precisa ser mais, entendeu?

— Você está sugerindo...?

— Nada. Só que você precisa cobrar mais. Ele não tem estrutura para perder você. E a Sofía? Me fala dela, por que ela não está aqui?


Era uma ótima e muito pertinente pergunta. Mal tinha retornado e já sentia falta, estar com Sofía era estar em fika o tempo inteiro, o dia todo, mas Angra começava a se perguntar se este sentimento podia durar dentro da realidade de uma vida cotidiana. Seria por isso que eram proibidas? Não tinha uma saída. Uma resposta. E tinha.


Quando se deitou na cama aquela noite, Angra chorou em silêncio, porque na sua cidade, pertinho de si, Sofía estava dormindo sozinha em um quarto de hotel. Olhou para Guilherme ao seu lado. Vontade e realidade simplesmente não pareciam se completar.


Notas da autora:


Hei, menixas! Como estão?


Chegamos aqui, ao último capítulo de Angra no passado, os mistérios enfim revelados e finalmente soubemos como foi o capítulo das duas até aqui. Um caminho longo, cheio de amor, porém, tortuoso demais e cheio de particularidades.


Soubemos como Estela nasceu colombiana, vimos o elo dela com Sofía e como o amor de Angría se fortaleceu pelo percurso. Próximo capítulo, “La Isla Bonita”, onde retornaremos para o ponto no presente em que Sofía partiu, Angra ficou e, temos duas pessoinhas desaparecidas, hein? Lembram quem são? 😉


Bom carnaval a todxs! E não esqueçam da meta de comentários, eu queria voltar para o presente na sexta com vocês!



Alguns lembretes:


- 50 comentários, sempre até às 23 horas do dia anterior ao capítulo inédito;

- Grupo de Whats’App para quem quiser bater um papo sobre as histórias: https://bityli.com/LetqE;

- Lançamos 6am: A hora mais curta! Está disponível na Amazon! Quem já estava com saudade das nossas garotas? Ou quem está louca para conhecê-las? Corre aqui! encurtador.com.br/frBO4.


Beijos! Se cuidem!


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