Angra: Capítulo 26 - la isla bonita





Búzios, tempo atual.


Precisou de resiliência mental.


Porque ver Sofía saindo daquela casa deixou o coração de Angra em puro desespero. Queria chorar, mas não podia, não ali no meio de todo mundo, com a vida seguindo, como se nada houvesse acontecido. A partida de Sofía pareceu ter sido simplesmente ignorada pelas pessoas ao redor, tudo mantido em seu normal, igual, como se uma peça daquelas férias conjuntas não tivesse decidido ir embora subitamente.


Procurou Carolina, que parecia desnorteada com alguma coisa, o desaparecimento com Kalinka provavelmente tinha algo a ver com isso. Mas Angra não quis perguntar nada e nem Carol ousou fazer nenhuma pergunta, só pediu que ela tomasse conta de Estela, não estava se sentindo bem, precisava descansar um pouco. Ela apenas concordou e disse para Angra não se preocupar, para pegar o tempo que precisasse. E foi o máximo de choro que conseguiu segurar, quando subiu as escadas já foi chorando, apressando seus passos em direção ao quarto. Entrou, se trancou, ouviu a música começando a tocar lá embaixo e assim se permitiu romper o choro que seu corpo tanto insistia em precisar. Deve ter chorado por uma meia hora sem parar, sentindo seu corpo inteiro reagindo, sentindo muito, da dor da separação até a derrota de não conseguir nenhuma reparação. Quanto tempo mais? O tempo que nem tinha mais...


Se colocou de pé, foi até o banheiro, lavou o rosto, respirou fundo, tentou se acalmar. Deveriam ter ido em frente de uma vez. No retorno de Cartagena, depois do nascimento de Estela, deveriam só ter ido em frente. Teriam passado por várias pressões diferentes que também causariam sofrimentos, mas ao menos, seriam sofrimentos de outros tipos, que enfrentariam juntas, de uma vez. Agora tinham postergado essa situação ao máximo que podiam, e é claro, não havia como terminar tranquilamente. Caiu em outra crise de choro só de escrever o verbo “terminar” em seus pensamentos. Sofía tinha terminado, terminado de verdade daquela vez e Angra não fazia ideia de como seria estar sem ela, ficar sem ela, ter que decidir as coisas sem ouvi-la, ter que terminar seu dia sem dar boa noite a ela, ou começá-los sem lhe dizer bom dia. Isso lhe apavorava, lhe deixava sem ar, fechava seus pulmões e apertava o seu peito demais.


Chorou tudo novamente, mais uns dez minutos de choro, apertos, medos e revoltas, teria chorado assim o dia inteiro se seu celular não tivesse tocado.


— Ei, minha linda, queria dizer que já estou no ônibus...


E que seguia lhe chamando de “linda”, de “minha” e apenas isso já soprou alívio para dentro de Angra quase que de maneira mágica. Sofía queria lhe dizer que estava tudo bem, que estava tranquila, tinha conseguido um bom ônibus e depois não quis lhe dizer mais nada. Nem para onde estava indo, ou se já tinha em mente o que queria fazer, na verdade, ela respondeu que as coisas ainda estavam meio que em aberto, mas que ia avisando cada coisa. Quis esclarecer que amava Angra. Que o amor não mudou. Só o modo com o qual lidariam com ele dali pra frente. E aqueles cinco minutos de conversa acalmaram Angra por fim.


E era engraçado, porque Sofía não tinha movido nenhuma peça de lugar, ao contrário, havia reafirmado tudo o que tinha dito anteriormente e ainda assim, Angra se sentia mais aliviada. Era a voz dela, a presença dela, não sabia o que aconteceria consigo se Sofía decidisse mesmo desaparecer. Ela apenas ressaltou isso, que não iria sumir, coisa que já havia dito anteriormente, porém... Porém. Estar com ela sempre havia feito efeito sobre Angra, por mais básico que seja, uma mensagem, uma ligação, sempre fazia diferença.


E era o mesmo para Sofía. Ela não havia ligado à toa, sabia que Angra precisava daquela pequena reconexão para terminar de enfrentar aquele dia. Estava na mesma situação.


Angra levantou-se. Respirou fundo, lavou o rosto, se checou no espelho, pegou seus óculos escuros e decidiu enfrentar o dia. Sabia que andava negligenciando Estela, precisava passar um tempo com ela, apenas elas duas e se perguntava por qual motivo acabava temendo tanto ficar sozinha com ela, pensando sobre o seu casamento e do seu relacionamento com Sofía. Sentia de verdade que boa parte do motivo de ter se enrolado tanto, residia neste medo.


Havia uma confusão enorme no mundo, era assim que sentia. As mulheres em seu trabalho duro de terem as mesmas responsabilidades, de serem reconhecidas profissionalmente, em ganhar seu próprio dinheiro contra o que isso causava na criação de um filho, ainda mais, no mundo das mães profissionais que de repente havia emergido.


Total comprometimento, total entrega, uma série de sacrifícios e os dois lados pareciam desequilibrados. Tanto o lado daquelas que sacrificavam a vida profissional em prol da experiência materna total, tanto as que se recusam a sacrificar qualquer tempo, em prol da ascendência profissional.

Angra queria estar no meio, sendo mãe e sendo investidora, era o que era, seria incompleta sem qualquer uma das duas coisas, mas não sabia como podia conseguir isso sozinha. Guilherme não era da maneira que desejava, mas havia conseguido acordar em tempo. Nunca seria presente como o ideal que Angra precisaria, mas ia bem no que tinha se comprometido a fazer. Temia tanto. Que Estela não aceitasse bem o afastamento de não mais morarem juntos, temia que as coisas não dessem certo com Sofía, e então, se dava conta de que já havia dado errado com Guilherme e nem a própria Angra se compreendia. O que esperar de Sofía então?


“Nós preferimos já estar fracassados a mudar e fracassar de novo. A natureza humana é complexa”.

Era uma frase de Frederíca Gonzalez.


Basta. Basta.


Angra saiu do seu quarto e assim que desceu as escadas, ouviu uma música fazendo concorrência com a música na piscina. As crianças já estavam nadando, os adultos conversando, mexendo na cozinha e, Angra jamais confundiria o sistema de som do seu carro italiano com nenhum outro.


Lá estava, estacionado na frente da casa, tocando La Isla Bonita e, com Frederíca Gonzalez dramaticamente sentada no banco do passageiro.


Sozinha, toda de preto, chorando por baixo dos óculos escuros e do boné.


Coincidentemente, era como Angra estava vestida também. Mas de branco e boné sobre os cabelos.


Angra ainda tinha aquela conversa. E nem sabia se ela queria conversar, não sabia se seria atacada, só sabia que Frederíca estava ali, chorando muito, dentro do seu carro. Não soube o que dizer, ou como começar qualquer contato.


— Você quer ir para outro lugar? — Foi ela quem lhe perguntou, mas Angra não se moveu — Eu não quero brigar, eu nem sei brigar, é uma lenda urbana e você... Não foi você quem apanhou de uma louca de rua uma vez?


Angra riu. Havia sido ela mesma, era verdade, sempre teve zero instintos para este tipo de coisa. Entrou no carro, mandou uma mensagem para Carolina, avisando que estava saindo e calçou suas luvas para dirigir sob o olhar enigmático de Frederíca. Julgamento, achou que tinha sido.


— Minha mão segue machucada.

— Como se você não fizesse essa cena das luvas, do seu carro veloz, eu conheço você, Angra Fernandes, escrevo personagens parecidas com você o tempo todo.

— Ah, não escreve, não. Suas personagens são corajosas, conquistadoras — Respondeu, enquanto saía com o carro.

— Angra... Decidir e tomar ação, é muito mais fácil nos livros. O grau de comprometimento com realidades de uma escritora depende dela mesma e do seu público, mas eu não conheço muitas leitoras que escolheriam finais tristes ao invés de um ensolarado final feliz. Se compra livros de ficção para escapar da realidade; para estar na realidade, você lê jornalistas ou assiste aos noticiários de todos os dias. Eu acho que a curva da minha popularidade está em entregar finais felizes, mas aderentes à realidade. O que eu estou te dizendo é que... A parte densa dos meus livros, se resume a alguns capítulos e na vida da gente é diferente. Na vida da gente, esses capítulos às vezes são meses, são anos de deriva e é muito melhor estar à deriva com uma ilha que você conhece muito bem à vista.


Angra a olhou. Ela lagrimou outra vez por baixo dos óculos.


— Eu não estou irritada. Estou aterrorizada, porque a minha ilha desapareceu da minha vista.


Deixou que ela chorasse um pouco mais, enquanto dirigia para um lugar que particularmente gostava e lhe dava uma certa paz. Subiu para os Altos de Búzios e parou em um dos mirantes, em um hotel que conhecia tanto, que sempre lhe deixavam entrar.


Parou no estacionamento, com uma vista privilegiada do alto.


— Você faz ideia...? — Angra iniciou uma conversa muito sem jeito.

— Do motivo de ela ter ido assim? Ela quer descobrir se consegue sobreviver sozinha, coisa que só ela não sabe, na verdade. Ela fala disso há muito tempo, inclusive, só aceitou morar fora quando a gente se casou, ela não queria... Acabar sozinha de repente. Angra, não é como se eu não soubesse, eu só não sabia... A profundidade — Tirou os óculos, os olhos estavam inchados de tanto chorar — E nem achava que ela fosse separar de mim ou que você fosse separar do menino lá. Eu continuo achando até agora, mas tenho um motivo decente para achar isso, que nada tem a ver com coragem.

— E qual é o motivo?

— Vocês duas são de mundos completamente diferentes. Sabe o que sempre me incomodou nos romances lésbicos que eu lia? Todos os casais principais desses romances eram cercados por héteros, a não ser pelo icônico amigo gay que parecia mais do que necessário em qualquer história. E a verdade é bem diferente disso. Eu quase não convivo com casais héteros, não é por nada, é porque trilhamos caminhos diferentes mesmo. A maioria das amizades são feitas na adolescência e não, na minha adolescência eu detestava estar em ambientes heteronormativos e depois que descobri os barzinhos GLS, na minha época a sigla era menor, tá? Mas quando descobri esses barzinhos e as boates do mesmo estilo, não saí mais de lá e olha, há um tempo eram pouquíssimas, ou seja, a gente sempre encontrava a mesma comunidade. Eu conheci a Sofía num barzinho assim. E você, ainda que morasse na nossa zona lá no Rio de Janeiro, jamais poderia ter feito o mesmo. Você estaria em alguma boate top heteronormativa. Vocês duas são de comunidades diferentes.

— Eu ouço muito este termo, comunidade. Parece...

— Uma exclusão? O termo nasceu de uma exclusão. Os LGBT’s expulsos de casa precisavam de algum apoio e encontraram este apoio em outras pessoas que já tinham passado pelo mesmo e verdadeiros bairros foram surgindo neste processo, o termo vem daí. Hoje é diferente, eu mesma não tive dificuldades em casa, foi mais uma questão de costume do que qualquer outra, mas ainda não é uma realidade de muitos. Angra, essa casa aqui, com essa diversidade de pessoas só foi possível porque você existe. Uma mulher socialmente hétero, que lê meus livros e se aproximou. Mas de outra forma, seria muito difícil laços assim expandirem por simples questões como: nós frequentamos lugares diferentes, consumimos culturas diferentes, essas coisas que unem as pessoas. E a minha teoria para sua não separação, é que o Guilherme mantém você do seu lado da fronteira, o lado que você conhece, onde você cresceu. Eu sei que você deve estar lutando para se adaptar ao social ao seu redor há muito tempo, que já deve ter se sentido a estranha no ninho algumas vezes, que deve ter ficado entediada enquanto suas amigas na adolescência só falavam sobre homens. Mas você deu um jeito nisso. No tédio e em se encaixar. Eu sei do que estou falando, porque foi assim para mim também. Eu me descobri mais tarde, tive que ouvir muito papo sobre homens, tá? — Disse, fazendo Angra rir.

— Você...? Eu jamais pensaria.

— Eu só soube quem eu era com dezenove, quase vinte anos, muita água passou sob esta ponte — Contou sorrindo — A questão toda é que você foi mais longe. Se casou, construiu algo, teve uma filha, segue inserida na mesma sociedade, que é o que você conhece e onde se sente segura. Bissexualidade também existe e eu diria que é o seu caso. Mas agora falando de você e a Sofía, vocês duas são diferentes por si só, a Sofía é muito diferente, vocês conseguem ao menos assistir um filme juntas que seja?


Angra riu da pergunta.


— É claro que sim.

— E como fazem? Você e seus filmes de romance e ela com os filmes de tragédias naturais, horror e predadores assassinos...?


Angra já estava rindo novamente. Era bem assim o gosto de Sofía.


— A gente consegue exatamente como consegue todo o resto: cedendo um pouco. Eu assistia com ela um thriller de tubarão, e no dia seguinte, ela assistia um romance comigo. E assim, a gente foi descobrindo que nossos gostos se cruzavam em um filme de alienígenas, ou em um thriller psicológico, ou então surpreendentemente, eu amei Água Rasa e do nada, ela se pegou querendo ver o resto dos filmes de Crepúsculo. E era assim com todo o resto, principalmente no período que a Estela nasceu. Num final de semana a gente ficava em casa, no outro, saía. Em um comia peixe que ela adora, no outro, o churrasco que amo. A sopa numa noite era de tomate, em outra, de beterraba. Eu sei que somos bem diferentes, mas isso nunca foi de fato um problema. Eu entendo o que você está me dizendo sobre o conforto social, mas...


— Como vocês podem dar certo?

Vocês duas não deram. Mesmo vindo de lugares próximos, compartindo histórias parecidas.


Silêncio. Frederíca olhou para Angra.


— O que você quer fazer agora?

— Eu? Queria pegar a minha filha, o meu carro e desaparecer para algum lugar, apenas nós duas.

— Mas não é o que vai se passar. Nós duas vamos voltar para aquela casa e fingir normalidade, vamos nos encaixar naquela pequena sociedade e eu sequer sei por que isso é importante. Você já ouviu falar da imperatriz húngara da Áustria? Sissi? Ela se casou com o homem mais poderoso da Terra e uma vez escreveu que assumiu compromissos dos quais era incapaz de compreender, que qualquer menina da idade dela não compreenderia e só percebeu do que se tratava muito tempo depois. Eu acho que a gente segue casando assim. Assumindo compromissos que não conseguimos compreender. Imagina justificar.


Ela tinha alguma razão.


Pegaram um suco pelo caminho, deram uma volta pela cidade, ainda conversando um pouco, Frederíca queria entender algumas coisas, tinha algumas dúvidas e ao contrário do que Angra esperava, não estava lhe culpando pela situação da sua separação em si.


— Eu não lutei para manter as coisas em ordem. Para mim, estava bom da maneira que era. Eu tinha mais liberdade, menos responsabilidade, alguém estava fazendo a Sofía feliz, algo que deveria ser minha função, mas eu abri mão. Quando eu voltei da Espanha, ela era outra. Estava bem, feliz, produtiva, com uma energia diferente, o que para mim era um negócio quase impossível sendo que vocês estavam com um bebê pequeno em casa. E este pensamento fez eu me dar conta de que estava pensando em vocês como uma família. Mais grave do que pensar como casal. E então, ela retornou de você e teve um momento esquisito. Acordava de noite, ou não conseguia dormir, ia para o banheiro de madrugada, chorava no banho. Por mais que a gente tente esconder dentro de casa, são coisas que qualquer parceiro percebe. Ela sorria para mim nos jantares, mas estava sofrendo, se readaptando. Eu lembro de ter pensado que deveríamos ter um bebê naquele momento, ajustar a nossa vida de vez, mas e o medo?

— Qual medo?

— Do trabalho, das responsabilidades, das privações. Eu pensava nisso o tempo todo. Não dá para devolver depois se der errado.


Angra abriu um sorriso.


— Não, não dá — Estacionou o carro na garagem — Frederíca, e a Luría?


Ela respirou muito fundo.


— Está vendo como é complexo esconder as coisas dentro da própria casa?

— O que você sente por ela?

— O que você sente pela Sofía?

— Eu amo a Sofía. Tudo isso é resumidamente apenas porque eu a amo e ela me ama, não foi isso que ela respondeu a você?

— Foi. Um jeito muito particular de amar uma à outra, sem se esforçar para o básico, Angra.

— Você não sabe como as coisas são...

— Eu sei sim, não estou julgando. Apenas dizendo que ainda que as coisas levem tempo, cinco anos já é um belo tempo levado.

— O que você sente pela Luría?

Medo.

— Medo?

— De... Me apegar.

— Que medo de dizer apaixonar. Sofía morria de medo de me dizer também.

— Sempre sensata. Eu me casei com a mulher certa e perdi.


Não se falaram mais durante aquele dia. Mas Frederíca fez um favor aos cochichos que quanto mais baixos, mais pareciam reverberar. Decidiu conversar em grupo sobre o que tinha acontecido. Da maneira mais educada e gentil que conseguiu, anunciou que ela e Sofía tinham decidido se separar, que tinham assinado o divórcio na manhã anterior e que Sofía havia preferido por bem, partir aquela manhã.


— Tem a ver com a confusão de ontem? Caramba, eu sei o que pareceu, que a gente nem se importou com o que aconteceu — Era Felipe — Mas não foi isso, é que não vimos um problema mesmo...

— Vocês não são mulheres, nunca vão saber o tamanho do problema em ser assediada, o quanto que é constrangedor — Era Luría.

— Todo mundo demorou para agir, na verdade, a gente também fez pouco caso, eu estou com vergonha — Disse Marcela.

— Eu entendo que estejam com vergonha do ocorrido, mas todo mundo passou do ponto com a bebida e não foi por isso que ela foi embora também. Foi uma decisão pessoal.

— Ninguém aqui bebeu mais do que a Angra, a única a reagir — Pontuou Carolina.

— Os meus motivos são maiores — Se resumiu em dizer, pegando Estela no colo e levantando da mesa, trazendo o olhar de Guilherme em todo o seu movimento — Eu vou preparar ela para ir para a praia — E assim, se retirou da mesa.


Levou Estela para o quarto, para colocar outro biquíni nela, arrumar o cabelo, passar protetor solar. E ela ficou a olhando curiosamente o tempo inteiro.


— Está triste, mamãe...


Ouviu e perdeu uma lágrima.


— Eu estou um pouquinho, bebê.

— Eu queria ir pra casa já, a Sofía foi pra casa...

— Ela... Teve que ir, filha.

— Eu queria ir para a casa dela...

— Ah, Estela... — Foi assim que terminou chorando de joelhos, abraçada em Estela.


Queria de todo o seu coração que Estela já entendesse mais e que se expressasse mais, mas também foi de muita valia poder passar aquela tarde inteirinha com ela. Decidiu que sairiam apenas elas duas, foram na frente, no carro que Estela adorava passear. Era o primeiro carro que ela conhecia, onde andou primeiro na vida, entendia o apego a ele, tal como entendia o apego a Sofía.


Ela não parou de pedir até Angra aceitar ligar.


— Ela está viajando — Disse mais uma vez quando desceram do carro já na praia.

— Mas é de avião? O papai disse que não tem avião aqui — Ela agarrou sua cintura sorrindo, faceira demais com a sua descoberta.

— Você é bem espertinha para quatro anos, não é? E fica fazendo corpo mole para aprender matemática...


Ela gargalhou gostoso demais.


— Mamãe, liga pra mami, saudade, saudade....


Ligou por vídeo e colocou na mão dela, não queria que Sofía pensasse que estava usando Estela para ficar mais perto, afinal, mal fazia seis horas que ela tinha ido embora para estar em tão grande grau de saudade, porém, a verdade é que... Estava. Com dor, com saudade, com todas as coisas.


— Eu sabia que era você! — Sofía a atendeu assim, a fazendo soltar outra risada gostosa — Sua mãe não ia me ligar por vídeo tão cedo, conheço a peça... — Disse, fazendo Angra abrir um meio sorriso.

— Ela não queria! Mas eu vim pra praia e coloquei uma roupa bonita...

Déjame ver, bebé...

— Es verde, de la... La serenita...


Angra se derreteu em outro sorriso, estavam conseguindo fazê-la fluente em dois idiomas sem sofrimento.


Ariel, escúchame: el mundo humano es un desastre — Sofía citou uma frase do filme para Estela — E o mundo dos adultos, às vezes, também é. Eu amo você, coalinha. Tive que vir mais cedo, mas amo você, entende isso?

— Eu quero ir pra sua casa, onde nasci... — Estela repetia isso com uma certa regularidade.

— Você virá, está no nosso planner, eu não vou desistir disso. Preciso só arrumar a bagunça.


Ela concordou, com os olhinhos baixos, mas concordou. Elas conversaram um pouco mais, Sofía pediu para ver o mar e o sorriso de Estela, e então, se despediram. Estela devolveu o celular para Angra.


— Ela tava no europorto.

Europorto?

— Aham, europorto, onde tem avião...

— Hum, claro, entendi. Ela disse... Para onde estava indo? — Angra tinha se afastado para Estela falar tranquila com Sofía.

— Pra nossa casa...

— Pra nossa casa?

— Brasília! A nossa casa...


Angra pensou a respeito. Podia ser algo positivo? Deixou para pensar mais tarde. Por hora, decidiu apenas relaxar com sua filha. Entrou no mar com ela, nadaram juntas, riram demais de quando Angra alugou um caiaque e decidiu remar com ela, com aquela mão machucada que não parava de arder. Mas foi extremamente divertido, ficou caçando ondinhas com Estela, surfando e a fazendo rir, enquanto ela cantava alguma música de La Serenita.


Ela estava feliz. Estava triste porque Sofía foi embora, mas também estava feliz de ter um tempinho sozinha com Angra. Passaram pelo pessoal em seu retorno, Angra parou numa sorveteria, fez a vontade de sua menina que estava pedindo açaí desde o momento que saiu do mar e ao pôr do sol, retornaram pra casa. Banho longo, conjunto e quando Angra colocou A Pequena Sereia para assistirem e deitou a cabeça no colo de sua pequena...


O sorriso dela foi a coisa mais linda da vida. Abraçou Angra, passou a mexer em seu cabelo, mais do que feliz por ter companhia em um dos seus filmes preferidos. Não havia sensação que pudesse lhe fazer melhor aquele dia. Mas um beijo de Sofía, empataria com tal sensação. Tirou uma foto, enviou para ela, mostrando onde estava. Ela lhe respondeu com um áudio carinhoso, dizendo que estava embarcando, que ia dormir em Brasília. Angra ligou.


— Vai para o nosso hotel...?

— Vou sim. Te ligo amanhã, com os planos, está bem?

— Pode... Me avisar quando chegar?

— Posso. Quero que você durma bem. Está em ótima companhia.


Estava. Estava sim.


📚


O jantar foi... Parado. Jantaram em casa mesmo, a viagem estava chegando ao final e a energia de quem estava presente também. Partiriam em três dias e não abandonava a mente de Angra a ideia de que deveria partir antes. Guilherme estava a ignorando e ignorando a realidade. Ele estava aliviado com a partida de Sofía, enquanto todos os outros pareciam ainda bastante sem jeito com aquilo. Ela não tinha partido sem falar com ninguém, tinha ido até a piscina, se despedido de maneira macro, agradecendo a companhia e Angra jurou que eles não haviam compreendido o que ela tinha dito.


Estava certa, não tinham compreendido e quando a ficha caiu, a vergonha de terem sido anfitriões tão ruins de modo geral, tomou todo mundo. Pensou na teoria da comunidade de Frederíca e, fazia sentido. Havia uma exclusão social sim e isso se intensificava pela personalidade de Sofía, que era mais reservada e bem menos interessada em pessoas quanto Frederíca ou Angra. Ela não precisava agradar e isso não deveria ser visto com o demérito com o qual foi visto, porque isso não a fazia menos gentil ou menos educada, qualquer coisa neste sentido. Era isso que Frederíca estava explicando depois do jantar, com uma parte do grupo na área da piscina.


— Minha mãe sempre me disse que grupos deixam a gente menos humano e eu sempre achei que fosse mais ao contrário, mas sabe? É isso mesmo, o grupo gera uma sensação de verdade a ser defendida, porque você ganha apoio às suas ideias e fica muito mais simples afastar o diferente. Sofía é na dela, sempre foi, ela é atenciosa, mas individualmente, ela é de chegar para alguém e agradecer a comida, ou elogiar em particular. Mas em grupo, é mais fechada mesmo e isso pode enviar a mensagem errada.

— De que não somos interessantes para ela e a gente é tão boba, nos ofendemos de não parecer interessantes para alguém, veja bem — Era Carolina.

— Eu sigo com vergonha de mim. Luría é assim também, mas não é gentil como a Sofía, ela manda para outro lugar quando reclamamos de atenção... — Disse Marcela.

— Mando mesmo. Povo carente, onde já se viu... — Luría estava voltando para a área da piscina e, Angra estava pensativa demais — Angra, você está tão quieta...

— Estou pensando um pouco sobre as coisas aqui. Você falou mais cedo sobre o meu lado da fronteira, lembra? — Perguntou para Frederíca.

— Lembro sim, você é um ponto de interseção aqui.

— E você falou também sobre o quão diferente a Sofía é de mim.

— E você me falou sobre como vocês duas fazem dar certo. Eu nunca fui boa de ceder posição, sempre considerei derrotas sociais essa questão de ceder ao que o outro acredita, ou precisa. Angra, eu entendi com você que a gente cede quando quer de verdade que o outro fique. E isso não tem a ver com passar em cima dos nossos desejos pessoais, se a gente cede um pouquinho, o mundo é espelhado, o outro lado vai ceder de volta também.


Era isso. Angra se colocou de pé.


— É por isso que ela sempre perdoava você, você é extremamente perdoável, sedutora barata, mas perdoável demais... — Disse, fazendo Frederíca rir.

— Você também é perdoável demais. Sua canalha!

— Eu fico é passada com o grau de civilidade entre vocês duas, é assustador, viu... — Era Carolina, no exato momento em que Kalinka apareceu.


Com um novo drama para a casa. Ela tinha sumido o dia inteiro e agora tinha retornado nervosa, também querendo ir embora. Angra subiu, precisava dormir e daria tudo para poder dormir com Estela sozinha em algum lugar. Passou pela sala e Felipe estava com Eduardo, vendo algo na tevê, tomando alguma coisa e quando chegou na varanda do andar de cima, pôde ver dois movimentos específicos: Frederíca se aproximando de Luría e, Carolina puxando Kalinka de lado.


Relações são complexas.


📚


— Eu não vejo sentido em você se antecipar para ir embora também — Carolina dizia para Kalinka. Estavam sentadas na mureta, com as pernas balançando para fora no rochedo onde ficava a casa — Não somos tão chatas assim, vai... — Disse, fazendo Kalinka sorrir.

— Não são, de forma nenhuma. Mas a minha pessoa aqui era a Sofía, foi ela quem me convidou...

Eu convido você agora. Olha, é que... Aqui já vai acabar de qualquer maneira dentro de poucos dias. Quando vou poder encontrar você novamente?


Kalinka parou um segundo, olhando para ela. La Isla Bonita seguia tocando, na conversa de Frederíca e Luría, sentadas no chão, em outro canto da área da piscina, as duas tomando chocolate quente e comendo um Red Velvet que Frederíca tinha pedido para entregar.


— Carol, você quer uma aventura de ilha...

— Não! Claro que não é isso, não estou pedindo para você ficar por isso, mas eu queria... Passar mais tempo com você. Sem que este tempo seja necessariamente...

— Te explicar o que eu quero dizer com isso. É que este clima de praia é muito sedutor, todo mundo fica mais interessado e interessante, eu não sei se é o mar, o sol, essa coisa de ficar com menos roupa o tempo todo, eu não sei, mas sei que praia tem esse efeito, uma vibe de festa, de conquista mesmo. La Isla Bonita fala sobre isso, de uma paixão que aconteceu em uma ilha distante e que só poderia ter acontecido ali, naquele lugar, naquele espaço de tempo. É uma música de 1986, que remete a liberdade e sedução, e em 2010 outra música surgiu e o clipe lembrou a canção de 1986: Alejandro, da Lady Gaga. La Isla Bonita era sobre libertação sensual feminina, Alejandro sobre a libertação sexual em si. Sempre ilhas, sempre sedução e coisas que aparentemente só eram possíveis naquele lugar específico, quase que... Como um sonho. Algo fora de poder acontecer no mundo real. Eu não me importo de beijar uma menina numa praia porque ela está curtindo la isla bonita vibe, mas é que você... — Seguia olhando para ela — Seguiria no meu pensamento, eu sei. Como... A Angra seguiu na mente da Sofía.


Carolina seguia a olhando muito de perto.


— Se eu estivesse separada... Seria diferente?


Kalinka apertou os lábios, a sentindo tão perto. O perfume dela, os cabelos voando, o quanto estava com o sol na pele, um pecado, uma vontade de tocar, de sentir, de... Provar. Como seria? O beijo dela? Tinha passado a noite inteira pensando nisso, enquanto conversavam tanto, sentadas na praia, que sequer perceberam que de repente, amanheceu. Foram pegas de surpresa pelo sol e... Pelo sentimento. Kalinka sabia.


— Eu ainda ia ficar com você na cabeça. Mas ao menos... Não teríamos ferido algo. Sabe o que mais pesa pra Angra e Sofía? Terem começado errado. Angra acha que deve tudo em virtude disso e a Sofía achava também, mas parou de achar tem um tempo já. Porém a Angra... Ainda acha que deve. Ainda acha que não merece.

— E o que você acha? Existe culpa ou não?

— Ah, Carol... O coração faz o que quer. O que você coloca na frente dele, é sua responsabilidade resolver, mas como dissemos naquele dia, o amor é um sentimento, não uma decisão. Doa a quem doer, podem espernear, colocar o casamento no lugar mais sagrado possível, você não consegue se obrigar a amar, a sentir paixão, atração, a ficar num relacionamento só porque você tem que ficar. E quando você se obriga, acaba na situação que vimos aqui. As duas estão infelizes, seus cônjuges também, e então? Do que adiantou?

— A situação apenas se complicou.

— E agora a Sofía foi embora e eu não faço ideia... — Silêncio, olhares, uma mão tão perto da outra, os olhos também — Carol, se você estivesse separada, seria diferente?


Ela respirou muito fundo e olhou pra frente.


— Olha, eu não sei se consigo esperar separar para você me beijar.


📚


Foram as últimas a subir, porque quando Frederíca se deu conta, tinham ficado sozinhas e a casa estava extremamente silenciosa enquanto conversavam sobre qualquer assunto que exigia não se extinguir entre elas. Queria saber tudo de Luría e achava que a última vez que havia quisto saber tanto de outra pessoa devia ter sido... De Sofía. O assunto também nunca parava com ela, sempre tinham algo para conversar, para rir a respeito e a história de Luría em si, era muito interessante.


— Eu sou uma alien, nascida em um cidade-satélite cujo a concepção é maravilhosa: deveria ser um centro urbano longe de um grande centro urbano, mas com autossuficiência confortável de existência. Coisa que claro, não é bem assim.

— Qual a sua cidade?

— O nome é maravilhoso e me rendeu anos de bullying na faculdade: Candangolândia. Não é um nome maravilhoso? — Disse, arrancando um sorriso de Frederíca.

— Candango é quem erradicou em Brasília, não é?

— São os brasilienses descendentes de quem colocou aquela cidade de pé. Meu pai era da construção civil, trabalhou na edificação do Congresso Nacional, morre de orgulho disso até hoje. Mas foi uma vida dura, regrada, eu sou a filha mais velha de três irmãos, tudo muito bem dividido, uma vida simples, minimamente autossuficiente, igual o conceito das cidades-satélites. Eu identifiquei o talento que tinha, não é o que eu mais amo fazer, mas é o que me daria alguma chance. E fui estudar, fiz economia na federal, todos os cursos gratuitos que você possa imaginar, passei um bom tempo no SEBRAE, como empresária júnior, adquirindo experiência enquanto estagiava em um turno, conseguia um extra no outro, estudava entre uma coisa e outra. E então, quando tudo aparentemente estava bem encaminhado, eu tropecei no pai do Bernardo e tive quatro meses de apagão. Eu acho que... Eu só queria... Achar uma saída, em que eu pudesse fazer menos, porque estava cansada demais, estava desmotivada, desanimada, achando que o esforço era muito para uma recompensa tão incerta. E quando esse apagão passou, eu tinha ainda seis meses para me formar e descobri que estava grávida. Ele queria ser pai, falava disso todo dia, que todos os amigos dele já estavam com filhos e ele não. Ele é mais velho do que eu e meio que deixei. Se fosse para acontecer...

— Deixou o destino decidir.

— Isso. E aprendi a nunca mais fazer. Hoje ele sequer consegue ficar com o Bernardo sem me ligar. Faz toda uma cena, diz que vem buscar ele para uma semana e no final, não passa sequer uma noite. Eu estou bem hoje. Com tudo. A depender dos resultados deste ano, sei que Angra e Marcela devem me propor sociedade, eu estou pagando meu próprio apartamento, pequeno, mas meu, consigo algum conforto pra mim e para o meu filho, mas ele sente a falta do pai. Ele não compreende as coisas e chega a achar que a culpa é dele. Isso me magoa, me deixa triste, me põe pra baixo. Está além do que eu posso resolver.

— A parte boa disso tudo é que ele vai crescer e entender que a culpa não é dele.

— A separação me assombra ainda. Mas eu precisava de qualidade de vida e não estava tendo. Estava infeliz, insatisfeita, as coisas iam bem no trabalho, mas em casa eu chegava e era uma situação. Hoje ainda é uma situação, eu chego e tenho milhares de coisas para fazer, mas antes eu chegava, tinha milhares de coisas a fazer e um homem jogado no sofá, tomando cerveja e vendo esporte na TV. Hoje eu posso ver TV enquanto faço as coisas e não preciso dormir ao lado de ronco de bebida, foi a qualidade de vida ganha... — Disse, fazendo Frederíca rir alto novamente — E você? Me fala de você.

— Eu? Eu sou muito sortuda. Não nasci no meio das melhores oportunidades, mas tinha essa autossuficiência mínima que você falou. Meu pai também é da construção civil e construía a nossa casa todos os anos um pouco mais. Cada avanço mínimo, trazia uma enorme festa de Natal para comemorar. Acho que esta é a diferença, a gente comemorava cada pequeno avanço de maneira grandiosa, não havia tristeza grande na minha casa, tudo passava muito rápido. Mas daí que eu também descobri que tinha um talento e comecei a investir nele e com cada pequeno avanço conquistado por mim: sair de casa, pegar um lugar só meu, depois pegar um lugar meu e maior, e mais confortável e mais bem localizado, sei lá, a lista de “mais” é uma equação infinita — Sorriso — Os problemas começaram aí. Quando eu não tinha nada, eu também não tinha grandes problemas, veja bem. Eu sou geminiana...

— De qual data?

— Quatro de junho. Sou elemento ar.

— Livre para estar em qualquer lugar, impossível de ser aprisionada.

— Bem isso. E Sofía é elemento terra.

— Impossível de ser movida.

— A não ser que seja na progressão devidamente calculada, planejada, dentro de uma equação positiva — Contou sorrindo — E isso foi ótimo pra mim, me mantinha dentro de algo, ela mensurava as minhas conquistas de forma concreta. Eu entendo bem a necessidade de tudo isso, para o nosso relacionamento, para mim e entendo também que eu vim de lugar difícil, mas as coisas se resolveram mais rapidamente pra mim. Não é uma grande história, eu vim lá da minha cidade, da comunidade da Maré, mas as coisas começaram a aparecer, muito mais bússola do que mapa, a garota que tropeça em um tesouro de repente.

— O tesouro é o seu talento. É tipo a Adora tropeçando na espada da She-Ra — Sorriso aberto — Não funciona com outra pessoa. O tesouro só funciona com a sua dona.


Frederíca olhou bem para ela. O chocolate quente tinha acabado, o Red Velvet pouco sobrou.


— Sofía soube...? — Luría emendou a pergunta.

— Ela sabe que algo aconteceu.

— E foi embora por causa disso?

— Ela foi embora... Por causa da Angra. Mais por causa dela do que por minha causa. Nós nos separamos antes da crise.

— Angra é apaixonada por ela. Todo mundo sabe.

— Todo mundo?

— Todo mundo. Você sabe disso — Mencionou sorrindo e a fazendo sorrir.

— Eu sei. Mas achei que não iria a lugar nenhum. Eu fico surpresa, porque ninguém fica surpreso com isso. — Disse Frederíca.

— Com a Angra? Não, na verdade, algumas coisas fazem mais sentido assim. Não é um escândalo de inesperado, é só... Algo esperado, na verdade.


Um pouquinho de silêncio. Mais olhos nos olhos.


— E de você, Luría?

— Ah, aí sim, teremos um pouquinho de escândalo — Ela respondeu sorrindo — Os escândalos vêm pelos estigmas, na verdade. O estigma da Angra é ela sempre ter se posicionado ao lado do Guilherme como o casal perfeito, acho que ela estar apaixonada por uma mulher vai causar até um alívio em determinadas pessoas. Agora o meu estigma é outro...

— Eu sei qual é. E ele não é real. Tal como o da Angra também não é e a grande maioria. Eu quero... — Balbuciou, com os olhos na boca dela.

— O que você quer?

— Não desconfia?

— Fer...


Frederíca a beijou. As mãos no pescoço dela, o corpo se virando, encontrando caminho para o colo de Luría, para sentir as mãos dela agarrando sua cintura e, imediatamente descendo para os seus quadris, apertando, os quadris e o corpo dela contra o seu, a pegada na nuca de Frederíca, o arrepio causado, então o braço cruzado em sua cintura, apertando firme enquanto a mão desceu e agarrou sua coxa de uma maneira que...


Frederíca suspirou, escapando da boca dela que foi parar imediatamente sobre a entrada dos seus seios.


— Tem certeza de que você nunca, nem em pensamento...?


Luría riu, deitando um beijo no colo dela.


— Acho que em pensamento, não tem mulher que passe ilesa não...

— Sobe comigo...


Não era como se Luría tivesse outra ideia. Subiram, aos beijos pelos corredores escuros e vazios, e então, quando chegaram ao quarto, Frederíca pediu um segundo. Pegou Bernardo no colo e o levou para o quarto que dividia com Sofía. Era um gesto pequeno, insignificante diante do que já havia feito...?


— Claro que não é. Os gestos pequenos sempre têm significância, por menor que sejam. E... — Luría a puxou para dentro do seu quarto — Vem aqui, vem assim...


E “assim”, era Frederíca a pegando pela nuca e a colocando contra a parede, de costas para si, subindo seus cabelos, a pressionando com o seu corpo enquanto excitantemente ela descia a mão até o botão do seu short jeans...


E então, subitamente, Frederíca Gonzalez tornou-se mais sedutora ainda:


— Eu quero... Dormir com você. Mas não neste sentido aqui só. Eu quero poder dormir aqui, com você, na sua cama. Será que a gente pode...?


Luría achava que podiam sim.


📚


Basta. Bastava.


Bastou quando Guilherme voltou para o quarto aquela noite, bastou de hesitar, de querer evitar o escândalo, bastou de... Dividir a cama com quem não queria encostar. Basta, bastava. Ele se recusou a sair do quarto e Angra se recusou a ficar. Pegou Estela, desceu, encontrou o forte em que Sofía tinha passado a noite anterior com sua filha. Entrou, guardou Estela nos braços, decidiu. Bastava.


Aquela seria a sua última noite em cativeiro.


Notas:


Hei, tudo bem?


Então, chegamos ao presente! Momento tão esperado... Enfim, e vamos realmente de Estela a melhor personagem da história. Já decidi junto com vocês sobre isso. rsrs


Bom, os casais tomando forma, Angra cansada e dando um basta, Fer e Luría se conhecendo um pouco mais, Kalinka e Carol colocando o tal do encanto em prática. Muitas águas ainda vão rolar, mas já adianto que o próximo capítulo a ação e o basta serão o ponto chave ˆˆ


E vamos de alguns lembretes:


- 50 comentários, sempre até às 23 horas do dia anterior ao capítulo inédito;

- Grupo de Whats’App para quem quiser bater um papo sobre as histórias: https://bityli.com/LetqE;

- Lançamos 6am: A hora mais curta! Está disponível na Amazon! Quem já estava com saudade das nossas garotas? Ou quem está louca para conhecê-las? Corre aqui! encurtador.com.br/frBO4.


Beijos! Se cuidem!


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