ANGRA: Capítulo 33 - Tudo Aqui Já Foi Um Sonho



E como era comum sobre as coisas daquela Angra por quem tinha enlouquecidamente se apaixonado, Sofía perdeu o chão quando a viu na sua frente...


Angra estava bem ali!


Não, deveria estar vendo coisas, ela não estava ali, linda, sorrindo, de óculos escuros e cabelo mágico brilhando naquela tarde de sol, não deveria ser real, não deveria...


— Angra...? — E os olhos se encheram muito.


Nenhuma palavra antes de beijá-la.


Angra saiu de sua cadeira e, beijou Sofía, longamente, apaixonadamente, se ajoelhando à frente dela, tirando os óculos porque queria olhá-la nos olhos, queria que ela visse seu mel degradando, porque queria deixar seu sorriso derretido muito pertinho do dela, queria tocá-la, sentir aquela pele que amava, aquele perfume que lhe deixava...


— Angra, sua... Maluca! O que você...?

Shssss, meu amor, aqui, espera um pouquinho... — Angra chamou uma garçonete — Can you please bring me some water? And please, a italian coffee and some of this... — Apontou para o pedaço de torta de Sofía, o que a fez rir demais.

— Você está pedindo uma torta igual a minha?

— Taurina, linda, você sabe, algumas coisas são sempre prioridade... — Outro beijo, outros sorrisos, a moça foi buscar o que Angra pediu e Sofía...


Ainda não acreditava. Angra estava ali, na sua frente, em Hvar. Tocou o rosto dela, ela lhe beijou o punho carinhosamente.


— O que... O que você está fazendo aqui, meu amor? — O coração de Sofía estava saindo pela boca.


Angra a olhou nos olhos, a cor degradando em verde-mel-acalentador.


— O que deveria ter feito desde Alto Paraíso.


Outro beijo longo, e a água chegou, o café, a torta croata e Angra finalmente, conseguiu acalmar Sofía. E convencê-la de que estava ali mesmo.


— Antes de mais nada... — Angra tirou um documento da mochila e colocou sobre a mesa — Aqui, meu pedido de divórcio.

— Litigioso? — Sofía leu a palavra com muita surpresa.

— Ele não me deixou outra saída. Meu tempo acabou com você, Sofía, eu tinha que acabar com o tempo dele comigo também. Eu o amo. Com todos os defeitos. Ele sempre foi um grande amigo acima de tudo. Mas agora está ferido, se sente traído e eu não posso tirar este direito dele. Mas eu já disse tudo o que podia de maneira suave e não funcionou, eu tive que ser mais incisiva.

— E você... Mandou assim, o litigioso? E entrou num avião sozinha? Por sei lá quantas horas?

— Se não tem trauma que resista a um ataque súbito de saudade, imagina a um ataque longo, a uma ansiedade enorme, um medo de perder ainda mais o passo do tempo correto. A gente perdeu isso uma vez.

— Depois de Alto Paraíso.

— A gente deveria apenas ter feito o que tinha que fazer de uma vez. Então a última vez que perdemos o tempo certo, passou-se cinco anos, e... Não temos mais esse tempo todo para esperar. Eu vim. Fui primeiro para Paris, fiz uma escala e então peguei outro voo pra cá, melhor, para Zagreb e então um barco até aqui. Caramba, Sofía Gonzalez, você poderia ter ido só para Alto Paraíso, né...


Mais sorrisos de Sofía. Cujo os olhos não paravam de brilhar.


— E você... — Era muita coisa. Sofía respirou fundo outra vez, tentando reorganizar os seus pensamentos — Como ficou o apartamento?

— Guilherme está resistindo a sair. Mas eu sei que é apenas uma forma de me segurar um pouco mais. Então eu mudei de tática... Peguei as minhas coisas, as coisas da Estela e fui para o nosso apartamento. Eu... Estou negociando com o proprietário.


E Sofía não parava de estar sendo pega de surpresa.


— O apartamento...?

— É. Um segundo imóvel nunca é uma ideia ruim. Eu peguei as minhas economias e estou tentando investir, está em negociação... — Alcançou a mão de Sofía sobre a mesa e, pela primeira vez desde quando se conheceram, Angra estava sem a aliança. Ela só tirava a aliança para fazerem amor e isso sempre teve um peso por que... A traição tinha um peso enorme. Manter a aliança significava que Angra não esquecia de que estava fazendo algo errado, apesar de elas duas não serem um erro. E agora a aliança tinha ido, e...


Era simbólico. O que ela disse em seguida também.


— Olha, linda, eu não quero pedir nenhum compromisso de você, eu sei onde chegamos e o motivo de cada coisa ser necessária, mas eu quero que você me permita estar presente. Estar... Por perto.


Sofía a olhou nos olhos, acariciando a mão dela agora desaliançada.


— Pegou trinta horas de caminho só para pedir isso?


Angra enrubesceu sorrindo. Sofía adorava quando ela enrubescia por bobagem pequena assim.


— E a nossa coala? O que você fez com ela? Deixou com o Guilherme?

— Também com o Guilherme, mas nunca sozinha com ele. Ele ficou de levá-la e ir buscá-la na escola, e vai ficar com ela os finais de semana. Mas de fato, eu a deixei... Com a Frederíca.


E Sofía teve uma crise de riso!


— Como assim, gente?!

— Ela está trabalhando em casa, está cuidando do Bernardo e... Se ofereceu. Na frente da Estela, que praticamente me abandonou no mesmo momento e correu para ela — Contou sorrindo demais.

— Ela é louca pela Fer desde quando nasceu.

— Ela é e está feliz de tê-la por perto mais tempo. Carolina também vai pegar a Estela por algumas noites e, a coalinha ficou muito feliz em saber que eu vinha te encontrar. Não reclamou de nada, ficou empolgada, disse que eu deveria estar aqui, porque ela também não gosta de você sozinha por aí.


Um beijo carinhoso na mão de Angra.


— Ela é nossa maior shipper.

— Ela é.

— E deve estar sofrendo nesses movimentos todos.

— Todos estamos. Mas vai passar. Não há mal que dure cem anos.

— E nem corpo que o aguente. Eu sei, meu amor.


Outro beijo carinhoso.


— Eu tenho uma proposta... — Angra disse a ela.

— Conte-me sobre.

— Eu peguei um hotelzinho, para duas. E sei que você está num hotel para uma só, meio longe da praia...

Low cost — Sofía a corrigiu sorrindo, Angra era sempre muito delicada.

— Eu não ia dizer — Ela respondeu sorrindo também.

— Eu sei, minha linda, você é sempre muito delicada, até para me chamar para o seu hotel.


Angra beijou o dedo dela, no anel que havia dado a ela.


Nosso hotel. É tudo nosso sempre. Posso te acompanhar? Até o seu antigo hotel?


É claro que podia. Ela pagou a conta, gentil como sempre, chamou um táxi para elas, onde foram muito agarradinhas, mesmo sob os olhares reprovadores do motorista. Nem todo mundo ia aplaudir, ou aprovar, mas quem precisa dessas coisas no final das contas? Chegaram no hotelzinho de Sofía, e...


Linda, de jeito nenhum que eu ia deixar você aqui!


Sofía estava rindo demais.


— Por isso não te mostrei...

— Não é confortável, nem tem lugar para você escrever! De jeito nenhum, vamos sair daqui, te ajudo a arrumar as coisas...


Saíram do hotel low cost, que nem era assim tão ruim, mas Sofía merecia mais, ela sempre merecia mais aos olhos de Angra. Partiram para o hotel, na praia, quarto amplo, com mesa para trabalho, vista para o mar e, varanda, com uma mesa posta, muito bem arrumadinha. A porta mal fechou e Sofía saltou no pescoço dela, a beijando, a sentindo, sentindo aquele perfume gostoso e, aquela mulher gostosa, de camiseta preta, braços firmes, a boca que simplesmente...


— Vamos ter jantar romântico? — Sofía perguntou, sentindo Angra pelo seu corpo inteiro.

— Todas as noites, daqui pra frente... — Angra a tirou do chão e gostosamente, a colocou sob um móvel do quarto, sentindo as pernas dela automaticamente enroscando-se pelos seus quadris, as mãos pegando pela sua camiseta, a boca pela sua pele toda — Todas as noites, meu amor...


Sofía mordeu os lábios, encostando a testa na testa dela, sentindo o perfume, as mãos atrevidas já entrando por baixo da sua minissaia...


— Me sente.

— Ai, Sofía... — Angra arrepiou de tesão e quando a sentiu...


Ela estava pulsando e absurdamente molhada.


— Eu preciso...

— Eu sei — Sofía subiu a camiseta dela, descobrindo o sutiã rendado, justo, sexy demais.

— Sofía, você...


Sofía abriu a calça dela, descobrindo aquele bumbum pelo qual era louca, descendo a mão, pegando, sentindo, sabendo que ela estava usando uma calcinha deliciosa.


— Você está muito ferrada comigo.


Angra simplesmente sabia.


Não havia descrição capaz de explicar o que foi se amarem pela primeira vez sem dever mais nada a ninguém.


Angra a despiu em segundos, em ardência, pulsando de tesão, a blusa de Sofía voou pelo quarto, a saia também e quando Angra apenas colocou sua calcinha de lado e lhe alcançou com a língua... Sofía nem sabia. Aquela mulher era sua, apaixonada, sedutora, gostosa pra caramba, sua boca preferida da vida, sua cama preferida, seu amor preferido... Seu porto, sua certeza, a conexão que transcendia, ia para outra camada de pele, mental, da alma. Não saberiam explicar o que tinham visto nos olhos uma da outra enquanto o sol estava se pondo sob o mar. Ou o gosto dos orgasmos agora que eram livres, que se pertenciam sem reticências, Sofía de Angra, Angra de Sofía, como naturalmente haviam se tornado e não era posse, era pertencimento. Sofía estava voraz, Angra não fazia ideia de quantas vezes havia gozado, mas a última...


A última vez daquela tarde, jamais esqueceria.


Estavam suadas, estavam loucas uma pela outra, os cabelos de Sofía molhados, as pernas de Angra estremecidas e o que Sofía fez em seguida... Ela deitou Angra sob o seu corpo, se colocou entre as suas pernas e lhe olhando no fundo dos olhos, começou a investir contra o seu sexo, fazendo sua intimidade tocar na dela, aquele segundo de contato que enlouquecia ambas, que era mais mental do que qualquer outra coisa, o toque se aprofundando, Sofía de joelhos, com os músculos do corpo totalmente ativados, a mão na garganta de Angra, tirando toda a força, mas a mantendo onde precisava, sexy demais, gostosa demais, intensa demais... A intimidade investindo contra a sua, a umidade das duas ficando no ar, se mostrando nos movimentos, as coxas de Angra enroscadas nos quadris dela, as mãos agarradas por aqueles braços firmes, nas costas, a puxando, a sentindo, começando a estremecer sabendo que não ia durar nada, que ia gozar logo e nunca, NUNCA havia sido naquela intensidade...


Angra estremeceu inteira enquanto gozava, os gemidos altos enchendo o quarto, as coxas tremendo, as pernas trepidando e Sofía não parando, seguindo indo e tocando, a sentindo, a estocando forte, sentindo as unhas dela lhe fazendo um estrago suave, a boca também, não importava, era dela, Angra podia fazer o que bem entendesse e Sofía...


Só parou quando sentiu a terceira onda de orgasmo invadindo o corpo de Angra.


Então ela lhe agarrou, lhe beijando, lhe apertando, ambas suadas a ponto de molharem os lençóis, a respiração ofegante, o coração disparado, a pele arrepiada, e...


Sofía a beijou e então parou olhando no fundo dos olhos dela, enquanto ainda se esfregava por Angra, molhando-a inteira de prazer:


— É assim que é ser minha por inteiro.


E Angra jamais esqueceria.


📚


A mesa posta na varanda permaneceu lá até o café da manhã.


Não é que ninguém tivesse jantado, elas terminaram exaustas e esfomeadas, é claro que jantaram, só não deu tempo de ser na varanda, de ser os frutos do mar que Sofía adorava, ou o vinho que era tão delas. Acabaram pedindo hambúrgueres as duas, batata frita, anéis de cebola, suco e estavam felizes demais, comendo na cama mesmo, rindo de algum programa croata que não estavam entendendo nada. E o clima era... Inacreditável. A felicidade por dentro. O amor sentido. Dormiram assim, e acordaram assim.


Com o sol tão bonito no céu e sua Angra em seu peito, dormindo agarrada, toda apequenada em seus braços. Sofía a amava tanto. Tanto. Ficou esperando que ela acordasse, para só então solicitarem o café e irem para o banho juntas.


— Estava me olhando? — Angra lhe perguntou sorrindo quando despertou.

— Como sempre, desde quando te vi naquela fila de check-in.


Angra derretia e derretia demais.


Assim foram para o banho, já de namoro, já cheias de beijos intermináveis, não tinham nenhuma dúvida: eram uma da outra a pessoa que mais beijaram na vida.


— Eu sou viciada, não consigo parar — Angra lhe disse, sob o chuveiro, muito agarradinha nela.

— E eu não sou? Viciada na sua boca, no amorzinho que você faz comigo...

— Lembra que você não gostava de nada suave? Lembro que conversamos sobre isso antes do nosso primeiro encontro.

— E a gente encontrou e meu tesão mudou para sempre. Sabe que a maioria das mulheres deve se ferrar assim, não é? Por não saber diferenciar fantasia mental de sexo real.

— Você estava me falando sobre, que o gênero mais vendido na Amazon são os romances eróticos, geralmente, recheados de sexo mais “violento” — Angra mostrou as aspas com os dedos.

— E não há nada de errado com eles, tudo bem, mas eu acho que para a maioria das mulheres, deve ficar apenas no campo da fantasia. Sexo mais bruto machuca, é gostoso de ler, mas nem sempre reflete a realidade. No meu caso, nem era isso, era para sentir mais as coisas, mas era porque ainda não tinha... Encontrado meu encaixe perfeito. Você ressignificou isso pra mim. E a suavidade com a qual você faz cada coisa... — Se enroscou pelo pescoço de Angra — Eu já estava morrendo de saudades.

— E eu, meu amor? Nem me fala. Sofía, o que você fez ontem comigo...

— Eu gozei igual. Eu sei.


Se Angra tinha feito igual a como Sofía havia feito consigo, era para estar morrendo de orgulho de si mesma.


Tomaram café naquela varandinha deliciosa e o sol pareceu chegar junto com Angra! Um dia de verão inesperado na ilha de pedra. Se vestiram para pegar uma praia, e é claro, o assunto no café durou até terminarem o bule de café. Sofía queria entender melhor tudo o que Angra tinha passado aqueles dias e, estava com muito orgulho dela. De como ela estava se posicionando, das decisões que tomou, sabia que nada tinha sido fácil, essa era toda a diferença. Conhecia Angra, conhecia as coisas que temia, ela havia mudado depois de Estela, todas as mães mudam, não podia exigir dela que seguisse sendo a mesma que havia dado um jeito em sua lua de mel, apenas para passar algum tempo com Sofía em Abrolhos.


E, gostava daquela versão dela. A de agora. A que era mãe. A grande verdade era que a mulher segura e decidida lhe atraía mais do que a garota impetuosa do começo delas.


A manhã teve destino certo, um mergulho no Adriático gelado de doer todos os ossos! Mas Angra precisava, havia pegado um passeio de barco para elas duas e mentalizado aquele mergulho muito profundamente. Todos os mares são históricos, mas o Adriático era o tipo de mar com histórias mais antigas, por onde grandes navegações passaram no começo de tudo. Chegava a ser um mar espiritual e quando Angra saltou do teto do iate direto para aquelas águas congelantes, teve companhia.


Sofía quis fazer o salto, quis mergulhar, ao lado de Angra, não havia nem uma coisa que precisasse temer.


E desta vez, naquele mergulho, o beijo foi livre, foi na superfície, se aquecendo uma na outra, muito agarradas, tão cheias de coisas vibrando por dentro. Tiveram que ficar muito cobertas no sol depois disso, se aquecendo do frio, mas não fez o mínimo mal. Se fizeram um chocolate quente, era como o living on board de Abrolhos e ficaram ao sol, se aquecendo, ficando juntas, namorando. Livremente. Não se cansavam da palavra livre nem por um segundo. Pela tarde, desceram em outra ilha croata, para pegar um sol na areia e as fotos que tiraram estavam colorindo o rolo da câmera de Sofía de romance.


— Posso postar uma dessas? — Angra lhe perguntou enquanto estavam na areia.

— Mas já? Assim, antes do divórcio?


Angra riu demais do susto dela.


— Espera, essa aqui — Escolheu a foto, as mãos juntas na areia, o mar deslumbrante de fundo, o anel de Sofía brilhando — Uma sugestão de legenda, meu amor?


Sofía abriu um sorriso lindo.


— “Tudo aqui já foi um sonho”.


Daí foi Angra quem sorriu brilhante ao postar.


— Foi mesmo. Quantas vezes sonhamos com algo assim?


Tantas que nenhuma das duas conseguia contar.


Aportaram depois de presenciar um pôr do sol de tirar o fôlego. Mais fotos, mais romance, mais amor. Foram correndo para o hotel, fazer amor pós-praia, ainda com o sol e o sal na pele, as duas eram apaixonadas por esta sensação e perto das nove, se vestiram para o jantar. Angra tinha escolhido um restaurante, com vista para o mar e, com tudo o que Sofía amava. Escolheram um lugar gostoso, quentinho, uma cantora no palco interpretava clássicos croatas dos quais não entendiam uma frase e, Sofía estava linda. De vestidinho, jaqueta, os cabelos trançados, a pele praiana, os olhos brilhando porque, sim, claro que Angra estava de tirar o fôlego do outro lado da mesa.


De jeans, camisa de botões, sempre meio aberta no colo, o relógio no pulso, seus sapatos masculinos e as joias femininas, pulseiras, anéis, o cabelo jogado de lado e Sofía muito perdida por ela, a vendo pela luz das lanternas que davam todo um clima ao local.


Contou a ela sobre sua conversa com a belga em Zagreb.


— Independente de qualquer futuro, a questão é que você nunca entendeu que nunca realmente precisou me excluir. Namorando, ou como amigas, ou como encontros casuais, como fosse, a gente nunca precisará estar longe uma da outra. Você está nos meus dias sempre, eu estou nos seus, conversamos sobre todas as decisões que tomamos. Onde que isso pode ser ruim? — Angra lhe perguntou, enquanto provavam um vinho maravilhoso.

— Eu sempre tive um medo enorme de ficar sozinha. E essa foi a coisa que você sempre me prometeu que não faria. Eu também não sei por que passei tanto tempo mensurando uma exclusão que nunca foi necessária acontecer.

A nossa relação transcende. Sempre foi assim, Sofía. E, é para sempre. A gente também se prometeu isso.


Sofía agarrou a mão dela sobre a mesa.


— Quer dançar? Essa música aí que não entendemos uma palavra?


Como que Angra recusaria?


Levantou-se e a tirou para dançar, no meio da pista, sem se preocuparem com nada e nem com ninguém, sem prestarem atenção nas outras pessoas, ou sem uma confusão para interromper, dançaram agarradas, muito juntas, sem disfarçar que eram um casal (coisa que nunca funcionou muito bem de alguma forma), mas sem ter que ser preocupar com isso. Um e outro beijo no meio da dança, sentindo muito o cheiro uma da outra, Sofía agarrada na camisa de Angra, Angra, no amor dela.


Como podia ficar sem Sofía? Como?


O jantar chegou perfeito, lagosta, molho, camarões, um doce para Sofía, a conversa boa de sempre e o sentimento bom se espalhando tanto, que até esqueceram de fotografar qualquer coisa.


Não precisava, nenhuma das duas esqueceria.


Uma noite mágica se repetiu, e foi constante nos próximos dois dias por Hvar. Andaram muito pela ilha medieval, captando imagens que pudessem inspirar Sofía no livro que queria escrever e agora sabia bem que nem Frederíca e nem Angra, lhe deixariam desistir desta ideia. Angra estava empolgada com tudo, lhe comprou dois livros que contavam a história de Hvar e com imagens, perguntava coisas a habitantes locais e estava feliz demais em ver Sofía assim. Disposta, empolgada, sonhando outra vez. Horas de praia, refeições maravilhosas, namoro 24 horas, felicidade também. Mas havia uma coisa, algo ainda mordendo Sofía por dentro. E então, naquela última noite em Hvar, Sofía precisou perguntar:


— Angra, e amanhã? É meu último dia aqui e... E amanhã?


Angra respirou fundo vendo aquele olhar aflito nela mais uma vez. Não respondeu diretamente e foi pegar Sofía em seu abraço, dizer que tinha pedido fondue de chocolate para degustarem com um vinho, se ela podia esperar só dez minutinhos, lá na varanda, ia colocar uma playlist para elas. Sofía fez tudo isso sorrindo, e quando a fondue chegou, aquele amor da sua vida lhe serviu vinho, seus beijos, pediu para ela se sentar no seu colo. E Sofía... Nem sabia. Seu coração ainda estava disparado, mas era Angra, a sua Angra e ainda que aquela fosse a última noite delas...


— Eu amo tanto você, sabia? — Sofía tocou sua testa na dela — É por culpa de tudo e por você ser assim, ser romântica comigo, cuidar de tantos detalhes.

— Você é a coisa mais romântica da vida comigo, Sofía, anda com foto nossa, sempre bem guardada, dentro da sua pasta e que agora, está exposta, a quem quer que abra.

— Você notou?

— Não tem coisa em você que eu não note, meu amor. Incluindo, a aflição com a qual você me perguntou do dia de amanhã. Linda, eu nunca mais quero ver isso em você. O que tiver que me perguntar, pode perguntar, sem medo nenhum da minha resposta. Alguma resposta minha ainda vai te magoar, mas não como antes, pelas mesmas coisas quase sempre. Eu vim para ficar com você. Eu vou para Santorini com você amanhã. Acha que eu perderia a chance de estar com você onde tudo realmente começou?


Sofía era uma boba por ter achado, fosse por um segundo, que não poderia ser assim. A beijou longamente, tocando os cabelos dela, sentindo os braços lhe abraçando a cintura, a playlist delas tocando no fundo.


— Eu amo você — Sofía suspirou para ela.

— E este amor, nunca mais vai pedir perdão. É uma promessa.


Notas:


Olá, meninas!


Como estamos? E finalmente chegamos ao ponto onde torcemos muito para acontecer... Angra está livre! E agora essas duas vão viver o amor que deve ser vivido. E agora sem alianças. Ufa! Chegamos no ponto que esperamos por meses. E com certeza Sofía está ferrada, pq essa Casanova é muito maravilhosa, hein?! Quando ela quer, não tem quem faça melhor rsrsrs.


E como mencionamos no e-mail marketing da semana passada, esse mês teremos no nosso Clube TessaVerso, o especial de Delirium. E já começamos a semana disponibilizando os wallpapers da história. Ficaram lindos demais! Aliás, meninas, no domingo vamos retirar do ar os conteúdos do clube referentes a 6am. Ficarão apenas a Revista, os Wallpapers e o Vlog, os inéditos e extras sairão do ar. Traremos mais conteúdos novos agora para abril. Então, quem não leu os inéditos e os extras, então corre!


Para ter acesso a este conteúdo inédito, e mais novidades, é necessário ser membro do Clube TessaVerso. Para saber mais, acesse o link: https://www.tessareis.com.br/beneficiosdoplano


E essa semana, a Riesa Editora lançou o e-book da autora Bibiana Beurmann, Bastidores - ato I, com algumas cenas inéditas, diagramação exclusiva e correção total do texto. E já disponibilizamos a pré-venda de Bastidores - ato II para maio, então, corre lá na Amazon e reserve o seu. Links para as histórias estão aqui!


E vamos de alguns lembretes:


- 50 comentários, sempre até às 23 horas do dia anterior ao capítulo inédito;


- Grupo de Whats’App para quem quiser bater um papo sobre as histórias: https://bityli.com/LetqE;


- Lançamos 6am: A hora mais curta! Está disponível na Amazon! Quem já estava com saudade das nossas garotas? Ou quem está louca para conhecê-las? Corre aqui! encurtador.com.br/frBO4.


Beijos! Se cuidem!


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