ANGRA: Capítulo 35 - Mar Tirreno



Angra não estava acreditando no que estava acontecendo!


Não, levou um tempo enorme para processar, enquanto beijava Sofía, via as alianças, as flores, o café da manhã e a sua garota, a sua linda Sofía, de lingerie, Kimono boho peruano e aquele sorriso tão aberto, aqueles olhos brilhando tanto e Angra...


Angra ainda não sabia se não continuava sonhando.


— Sofía, você... Era para eu estar te pedindo em casamento! — Disse, com um sorriso molhado de lágrimas de felicidade.

— Não, meu amor, eu tinha que pedir, você mais do que merece que eu te peça — Sofía respondeu, com a testa encostada na dela, o sorriso aberto, enquanto os raios de sol da manhã invadiam o quarto pela janela — Você quis me pedir e eu tive medo de aceitar, medo de... Arriscar. De agarrar mais uma chance de tentar ser feliz com você. A gente não pode dizer que não tivemos chances, nós tivemos e todas elas foram manchadas por falta de coragem. Ora minha, ora sua, você sempre foi mais corajosa do que eu, é uma verdade. E no último ano, você tentou tanto, lutou tanto...

— Mas não saía do lugar.

— Mas estava tentando e eu só... Desisti. Nunca mais quero desistir de algo que eu quero tanto e não tem nada neste mundo, meu amor, que eu queira mais do que estar com você, nada, nem uma coisa, então... — Sofía estava claramente emocionada — Eu só precisava pedir. Tinha que... Arriscar. Seu sim depois de tudo.

— Você acha, Sofía, que eu enfrentei uma longa equação de todos os meus medos para chegar aqui e recusar? De jeito nenhum, linda, em mundo nenhum. Eu... Eu só não esperava — E não conseguia parar de sorrir — Mas esperava que fosse assim. Com flores e delicadezas, com esse seu romantismo que eu sei...

— Eu guardei só para você — Beijou sua garota novamente.

— É, é só meu. Sofía... Como... Como você fez tudo isso?

— Nos vinte minutos que eu sumi em Oia — Respondeu rindo demais, porque Angra se gabava de ser a própria agente do FBI em ação, mas sequer tinha desconfiado de seu sumiço.

— Você comprou alianças, no tamanho certo, em vinte minutos? Mas como...?

— Eu saí aquele dia procurando alianças, escolhi enquanto você estava distraída com as abóbodas azuis de Oia, e Angra... Quando eu vim aqui nessa ilha pela primeira vez, o meu pensamento automático foi que aqui é o cenário perfeito para um casamento. E eu sei que tecnicamente, você ainda não pode se casar novamente, afinal, o divórcio ainda está em processo, mas passeando por este lugar aqui, junto com você... — Sofía apertou os lábios, porque era uma pequena loucura e aquela capricorniana não era dada a loucuras, nem as pequenas. Porém Angra... Angra era toda a sua quota, então só disse de uma vez — O que você acha de a gente fazer umas fotos? A gente sai agora, compra uns vestidos bonitos, a Kalinka pode vir e ajudar, a gente fotografa aqui, na nossa caverna, e lá fora, em Oia, o que você... O que você acha, meu amor?


Angra chorou novamente.


Achava que Sofía era a coisa mais linda do mundo.


Tomaram café juntas, agarradas e empolgadas, sem conseguir conter a felicidade e nem querendo conter, não precisavam, podiam ser plenamente felizes, sem se preocupar com muita coisa. Ligaram para Kalinka, ela disse para comprarem os vestidos, que estaria com elas no dia seguinte, sim, no dia seguinte, porque jamais estaria presente na noite heib, que com toda certeza, teriam aquela noite...


Terminaram o café e o chuveiro viu um amor sendo feito no meio do banho, amor apegado, brilhante e, aliançado, já estavam com suas alianças e Sofía não via a hora de andar ao lado de Angra com aquele compromisso muito claro, sem precisar se disfarçar de nada. Saíram juntas, até Oia, mais especificamente até a loja de uma estilista amiga de Kalinka, que as recebeu super bem. Sofía optou por um vestido champagne, simples, bonito e elegante, com pérolas delicadas, que amariam o sol de Oia e Angra quis um vestido gris, também leve como o de Sofía, combinando com o dela, tão elegante quanto e as coisas que a moça ofereceu em seguida...


Ah, sim, parecia um casamento mesmo.


Uma tiara bonita para Sofía, um perfume gostoso para Angra, Calvin Klein Eternity, uma pulseira delicada para Sofía, um grampo de cabelo maravilhoso para Angra, tudo combinando, com elas, com as alianças, com o perfil daquele amor. Ficaram por Oia aquele dia, pegaram o almoço, comeram num cantinho solitário da escadaria, observando o mar, imaginando como seria o dia seguinte, naquele casamento feito por apenas duas pessoas. Bem, por três, porque Kalinka não conseguia se conter de empolgação também! Mas quiseram manter assim, discreto, sem contar para ninguém por enquanto. Falaram com Estela por vídeo, coisa que faziam todos os dias e se emocionaram de olhar para ela, apenas de olhar, estavam morrendo de saudades as duas e a pequena coala também. No final da chamada, ela docemente perguntou se a mami vinha pra casa também. Mami confirmou que ia e Angra chorou só de ouvir. Ela ainda não acreditava, Sofía acreditava menos, e assim, elas duas iam realizando um sonho atrás do outro.


Tiveram uma noite linda, um jantarzinho só delas, regado a champagne e muito, mas muito amor, muito apego, tantos sentimentos bons. Fizeram amor antes de dormir e, acordaram brilhando. E com Kalinka batendo na porta, porque elas duas mereciam um café da manhã de noivas. Atenderam aquelas batidas nervosas na porta e lá estava Kalinka e uma grega barulhenta e extremamente alegre! Que já entrou fazendo barulho, beijando as duas, perguntando onde ficava a cozinha, e Angra estava...


— Que furacão é esse?

— É a Lois, ela é amiga da Kalinka e é intensa desse jeito aí que você viu — Sofía já estava agarrada na sua Angra, as duas de roupão, brilhando demais.

— É chef de cozinha grega e veio aqui fazer um café maravilhoso para vocês duas e ajudar em todo o resto.

— Todo o resto?

— É, vocês estão noivas por apenas um dia, a gente vai fazer um dia de noiva decente, ora, como não?! A Nike está chegando depois do café, para cuidar de vocês...

— Outra amiga grega?

— Maquiadora, massagista, tudo junto — Kalinka olhou para elas, para aquele apego todo, a felicidade escapando — Este... É o meu presente para vocês. Eu poderia ter comprado alguma joia bonita, chocolates, cerâmica grega para a casa nova de vocês, e eu comprei, está bem? Chegará tudo no novo endereço — Contou sorrindo demais — Mas eu queria mais. Porque vocês merecem mais.


E Kalinka não parava de surpreender. E nem Angría parava de chorar, era impressionante. O café da manhã ficou pronto e foi um verdadeiro banquete, cheio de guloseimas gregas, pães, frutas, doces, salgados, tudo extremamente saudável, fresquinho e tomar aquele café da manhã em duas companhias tão boas, nem dava para mensurar. Logo Nike chegou, outra grega barulhenta e cheia de energia, e tudo o que aconteceu dali pra frente, nunca mais sairia da mente de nenhuma das duas. Nem de Angra, nem de Sofía.


Tomaram um banho ultra relaxante e Sofía começou com suas fotos. Fotografou cada detalhe de maneira linda, a tiara, o grampo de cabelo e as alianças junto ao perfume que dizia “Eternidade”. Os vestidos de cada uma, os tênis porque estavam em uma montanha vulcânica e não tinha jeito de usar nada diferente, queriam estar bonitas, confortáveis e, elas mesmas. No final das contas, em resumo, tudo havia sido apenas para que elas se sentissem elas mesmas.


E se Sofía tinha colocado amor e atenção nos detalhes diversos, nem dava para descrever suficientemente, o tanto de detalhe com o qual fotografou a beleza de sua futura esposa.


Em cada ângulo, explorando a caverna delas, o Egeu lá fora e Angra estava em estado de flow-glow. Sofía não conseguia descrever de outra forma, os cabelos claros brilhando, lindos, presos numa trança maravilhosa, as joias delicadas, o vestido caindo tão bem e... Seus olhos se encheram. Olhando Angra vestida tão elegante, tão luminosa enquanto olhava o Egeu pela janela. Ficou com a câmera nas mãos, olhando perdida para ela e Angra sempre sentiria. Os olhos dela em si. Sempre.


— Ei, minha linda, o que foi? — Angra veio para perto, a cheirando, sorrindo, a beijando.

Você. É a noiva mais linda, eu nunca achei, eu... Eu acho que eu sonhava, mas não acreditava. E agora, de repente...

— E veja bem que até ontem, sequer era namorada, é uma ascensão gloriosa demais, gente... — Disse, fazendo sua garota rir no meio das lágrimas. Angra a beijou de novo, e mais uma vez, e então, pegou a câmera das mãos dela — Vem, é minha vez de fotografar você.


A fotografou, correndo atrás dela com a câmera pela casa, porque sem avisar, sua noiva decidiu escapar, fazer graça e Angra filmou tudo, a filmou até capturá-la nos braços, até beijá-la mais uma vez e ouviu da maquiadora para elas se beijarem tudo antes da maquiagem, porque ninguém ousava estragar uma maquiagem feita por Nike. Obedeceram, era melhor obedecer àquela grega, as duas sentiram, e então, a finalização da maquiagem, um último retoque no cabelo e, era hora de ir para Oia.


Foram para a cidade-sonho, junto com sua grega preferida e as duas novas amigas gregas que tinham acabado de fazer. E até turistas se sensibilizavam com noivas, fato comprovado, porque todos foram muito gentis com elas, sempre que pediram um cenário e outro foram atendidas. Fotos nas escadarias, num café romântico, num mirante deslumbrante com o Egeu e as abóbadas azuis pintando o beijo romântico, o olhar luminoso uma para a outra, a felicidade, sim, a luz, não houve foto que não capturasse todos estes elementos. O ensaio terminou numa praia, em que se disseram votos secretamente, mas sem nada novo: as promessas foram aquelas que se faziam todos os dias. Lealdade, respeito, apego, sim, sempre se prometiam apego e, compreensão. E talento, e guerra, beleza, obstinação.


Se olharam nos olhos, repetiram suas palavras, sentiram-se casadas. Era sobre isso, ponto. Era sobre se sentirem livres e plenamente uma da outra.


Terminaram o dia num restaurante escolhido a dedo, de sua amiga chef, onde Kalinka tinha reservado uma varanda com vista privilegiada para o café da tarde delas. E foi outro momento distinto, muito leve, muito bonito, muito feliz. Brindaram, receberam um bolo grego cheio de frutas da estação, salgadinhos, docinhos para aquelas esposas muito apaixonadas uma pela outra. O sol começou a querer se pôr em Oia e Sofía pediu um segundinho sozinha com seu Moleskine numa mesa ao lado.


— O que ela...? — Kalinka não tinha entendido.

— É uma esposa escandinava, ela precisa do espaço dela. Aliás, escandinava e escritora, o que a faz exigir gentilmente o espaço dela quando precisa — Angra respondeu sorrindo — Ela deve estar se despedindo de Santorini.


Kalinka mordeu outro pedacinho de fruta, os óculos escuros, os cabelos ao vento.


— Eu fico impressionada com o quanto vocês duas se conhecem.

— Eu também fico. De como nos conhecemos e de como tudo... Parece desenhado pra gente. Sabe onde falamos mil vezes de passar a lua de mel?

— Na Itália — Kalinka sorriu, elas sempre falavam disso.

— E nós vamos amanhã. Em um plano que nasceu quando Sofía queria ficar sozinha. Você entende? Nós estávamos erradas, mas nunca fomos um erro de fato. O destino não ajuda erros.


Angra tinha toda razão.


No final daquela noite, em que tiveram que focar na sua partida para a lua de mel improvisada/planejada na Itália, Sofía lhe deixou ler o que tinha escrito naquela hora da tarde:


“Há uma ilha em forma de meia-lua, proveniente de grandes erupções e cercada de mar azul, que me fez sonhar novamente, ainda que eu estivesse vazia, ainda que eu estivesse longe em mim, mas com os pés cravados aqui. Eu estava longe de mim, mas uma ilha vulcânica reconhece a outra e enquanto eu estava aqui, eu estive em um lugar por dentro que em muito tempo, eu não retornava. Na ilha em forma de meia-lua, eu me senti vazia e ao mesmo, vasta. Na ilha em forma de meia-lua, eu nadei no profundo e quando me deparei, me vi caindo, do mar-azul em um céu absolutamente cheio de estrelas. Eu voltei a sonhar em Santorini. Esta ilha me fez de istmo. Ou eu fiz a meia-lua de istmo. Um istmo para mim mesma. Um istmo para encontrar o amor da minha vida. Eu me casei com ela em Oia, um pôr do sol lindo incandesceu aqueles olhos degradê quando ela me disse sim. Eu fiz uma meia-lua de istmo e encontrei meu continente, o meu amor, a minha plena felicidade. Kaliméra, Thera. Até logo, Santorini”.


E assim, elas dormiram num céu cheio de estrelas.


📚


“Mar Tirreno. É um pedaço do Mar Mediterrâneo, pelo qual eu sou particularmente apaixonada: é um corredor que escorre pela costa italiana e que banha ilhas como a de Córsega, território francês e mais algumas das minhas ilhas italianas preferidas. Capri, Sardenha, Sicília. É um mar relativamente raso, seu ponto mais profundo atinge cerca de 3.600 metros e possui este nome em virtude dos antigos Tirrénios, um outro nome para denominar os Etruscos, um povo com língua própria, próprio sistema social, a primeira sociedade a dominar o ferro na Itália. Eu gosto de como esse povo sempre inovou, mas minha maior paixão por este lugar, é Porto Flavia. Denominado assim em homenagem a Flavia Vecelli, filha do engenhoso engenheiro por trás da construção do porto, escupido na própria montanha, na própria mina, onde o mar era profundo suficiente para ancoragem dos navios. Um porto de pedra, rústico, histórico e onde, desde quando cruzei com Angra em Abrolhos, eu sonhava em mergulhar com ela...”


Direto para a lista de sonhos realizados.


Chegaram eufóricas ao Aeroporto de Cagliari Elmas! Tinham passado o voo inteiro sorrindo, conversando, rindo de qualquer coisa engraçada do dia anterior e não dava para acreditar que, tinham se casado! O documento, o papel em si era um detalhe, estavam casadas, este era o sentimento, e por dentro, algo gritava a Sofía de que precisavam se casar e precisava ser naquele momento. Ainda que fosse um ato apenas simbólico, e então, se perguntou qual casamento não era um ato simbólico: todos eram. O que sustenta qualquer relação não são alianças ou um papel, é o que existe por dentro, e dentro de Sofía existia tanta, mas tanta coisa que era apenas de Angra...


Trocaram um beijo quente escondido num cantinho do aeroporto.


— Eu quero... — Sofía sussurrou para ela o que queria e Angra ficou... — Tá?

— Tá — Respondeu, com a mente totalmente entorpecida pelo seu tesão mordido por Sofía. Como podia? Como ela podia ter todo aquele poder sobre a sua mente, o seu corpo, o seu desejo? Não sabia como, mas estar casada com a mulher que tinha tudo isso de si... Não tinha como conceber ainda.


Correram para o hotel, tinham cancelado a reserva anterior de Sofía e pegado um digno da lua de mel que elas mereciam, mas que sequer puderam ver, dada a urgência que estavam de chegar ao quarto. Chegaram, entraram aos beijos, largando as mochilas pela entrada e Angra não fazia ideia de nada, apenas que Sofía tirou seu jeans, a jogou numa poltrona, e então, a viu tirando sua própria calcinha por baixo do vestido...


Sofía lhe mordeu a boca, veio para o seu colo e, montou na coxa de Angra, absurdamente, calidamente, deliciosamente molhada...


Angra mordeu os lábios e pegou a boca dela, a segurando pela nuca, por baixo dos cabelos, sentindo Sofía deslizando pela sua coxa vorazmente, pressionando, apertando, roçando demais e quando Angra ia se movendo, nada, Sofía a manteve exatamente onde queria, puxou a sua calcinha de lado e, a penetrou, sem nenhum movimento mais, apenas escorregou seu dedo dentro dela e, seguiu se esfregando, a mantendo muito junto de si, Angra extremamente molhada, sentindo aquela pressão específica, no ponto certo e o poder de Sofía sobre o seu corpo e a sua mente...


Angra a sentiu gozando, as pulsações subindo, os beijos mais quentes, a língua pela boca, pela pele, o tesão cálido, molhado, o vestido ainda pelo corpo de Sofía, ainda que Angra tenha explorado, aberto, exposto seu sutiã, caçando os seios que adorava, pelo quais era louca, os dedos apertando na cintura, nos quadris de Sofía e quando Angra a sentiu gozando... As pulsações de Sofía contra a sua coxa, as suas pulsações contra os dedos dela, um corpo muito junto do outro, os músculos todos ativados, de uma, de outra, aquele corpaço dourado de Sofía, e... Gozaram. Juntas, agarradas, um corpo suando contra o outro e quando Angra achou que fosse respirar...


Sofía apenas escorregou pela poltrona, se ajoelhou e, lhe fez gozar na boca dela.


Terminaram trêmulas, exaustas e Angra, bem, Angra só queria comer e dormir. O que fez Sofía rir por horas!


Linda, meu amor, deixa eu te dizer — Sofía subiu no colo dela depois do banho, quando já estavam de lingerie pela cama outra vez, os cabelos molhados, os sorrisos mais do que abertos — Eu vou pedir almoço, a gente dorme um pouquinho e depois, vamos passear, tá?

Hum — Angra apertou os braços enroscados na cintura dela — E você vai me levar para passear onde?

— Vamos passear na Marina, andar um pouco na praia e depois, vamos jantar no Caffé Libarium Nostrum — Disse, em seu melhor latim — Onde há uma vista maravilhosa, a gente vai provar o vinho da Sardenha, que é maravilhoso, comer uma pasta deliciosa, e... — Sofía abriu um sorriso — Só namorar. Você acredita? Que vai ser simples assim?


É, Angra também não acreditava.


Falaram com sua pequena coala antes de caírem dormindo no meio da tarde, depois de almoçarem na cama, assistindo a uma novela italiana, agarradas, no calorzinho que era tão delas. Acordaram, Angra assistiu Sofía ficando linda demais e tudo estava tão suave que saíram sem maquiagem, de cabelos soltos, óculos escuros, um casal muito agarrado, muito apegado, feliz de graça. O anel de Sofía agora tinha a companhia da aliança de ouro branco e o passeio foi tão gostoso, tão agradável e o pôr do sol na Sardenha... Tudo bem, Angra entendia completamente a paixão de Sofía por aquele lugar.


Chegaram no café, depois de terem passado um tempo gostoso conversando no anfiteatro romano de Cagliari. Pediram um vinho para abrir o apetite, algumas torradas enquanto lembravam de algo interessante.


— Frederíca estava aqui, sei lá, no quarto mês da Estela, lembra? — Sofía pegou a taça servida por Angra.

— Ela tem uma lista de ilhas por onde passou enquanto a gente estava cuidando da Estela — Respondeu sorrindo, e então, ficou mais séria — Nós tivemos tanto dessa sensação, não é? De estarmos extremamente felizes, e extremamente com medo ao mesmo tempo. Eu estava com tanto medo. De como seria o depois, da Frederíca decidir voltar de repente, do Guilherme começar a ficar impaciente e, bem, você conhece esses sentimentos também.

— Conheço. E como conheço. Mas sabe... — Sofía pegou a mão dela sobre a mesa, o anel, as alianças, a taça de vinho, os acompanhamentos, os dedos entrelaçados, tirou uma foto, que pegava a vista do mar parcialmente — A gente está aqui, neste momento aqui. E eu sei que ainda não é um casamento-casamento, e sei que não podemos ainda anunciar, mas nós estamos aqui, nós sabemos e...


Angra tirou uma foto dos mesmos elementos do seu celular.


— A gente já pode sim.

— Angra...?


Angra abriu seu Instagram, selecionou a foto e o Instagram de Sofía vibrou em notificação:


“O tempo faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande”. Era respeitoso, era doce, dizia o que precisava sem machucar ninguém. Foi assim que Sofía chorou antes do jantar chegar.


E houve um alvoroço de ligações tão grande quando acordaram no dia seguinte, que nem uma e nem outra quis parar para responder! Kalinka tinha guardado segredo sobre o casamento grego improvisado, mas agora estava claro, estava público e houve um tipo de ansiedade tão gostosa que elas preferiram fugir! Sim, fugir, escapar juntas, pôr roupa de praia, procurar um barco e irem direto para Porto Flavia. Estava frio? Claro que estava, era finalzinho de inverno, mas só queriam aquela sensação de fuga gostosa de volta, só queriam admirar aquele porto incrustrado nas pedras, desenhado e construído de maneira tão majestosa, só queriam fotos de casal ali, naquele lugar cinematográfico. Só queriam mergulhar no Mar Tirreno, do teto do barco sim, porque aquela Sofía era tão sem medo quanto Angra, ou apenas tinha certeza de que pular ao lado dela agora era tão seguro quanto caminhar ao seu lado?


Achava que era a segunda opção. Mergulharam juntinhas, para um mar gelado e de dois tons de azuis, que mentalmente Sofía gostava de pensar serem as características dos dois mares: azul mais escuro, Mediterrâneo, azul mais claro, o mar Tirreno. Portanto, estavam mergulhando em dois mares e isso era simbólico: o casamento seria assim. Dois mundos diferentes, um só salto, um só mergulho. Escreveu isso em seu Moleskine durante o café da tarde no iate, naqueles mares deslumbrantes. Angra estava mergulhando, se divertindo com amigos espanhóis que havia acabado de fazer. E era tão tranquilo. Adorava vê-la socializando, era seguro, era bom. E insistentemente, seu celular começou a tocar. Muitas vezes mesmo, e foi um despertar. Era Frederíca e Frederíca estava com a sua filha.


— Sofía, você se casou na Grécia, sua blogueira aparecida!


E Sofía gargalhou imediatamente. Andava assim, rindo fácil, rindo simples.


— Foi... Foi simbólico.

— Eu sei que foi, somos apenas garotas sul-americanas sem muitos direitos na Europa...


Mais risadas.


— Nós somos, mas foi uma coisa que... Eu não sei explicar. Eu precisava.

— Eu sei explicar, eu estou aqui querendo fazer o mesmo com a Luria, mas acho que ela me chamaria de louca, enfim, essa mulher aqui, só acredita em pressentimentos quando envolvem números — As duas riram outra vez, porque era muito real — Eu só queria... Espera — Frederíca ligou por vídeo e, Estela estava dormindo em seu colo. A coisa mais linda deste mundo, os cabelos mais clarinhos, presos num coque bagunçado e aquele rostinho que... Sempre faria Sofía se engasgar de tanto amor.

— Meu filhote, meu bebê...

— Ela passou o dia chamando você, perguntando por você, pela Angra. Eu liguei para o Guilherme, ele veio, pegou o Bernardo também, levou os dois para o cinema, aliás, ele realmente, REALMENTE, é um ótimo pai e tem se colocado neste papel para o Bernardo também. Ele vem, brinca com os dois, leva para o futebol, para o jiu-jitsu, colocou ambos nas aulas de hip-hop...

— Que é a coisa mais linda possível! Eu derreto, Fer.

— Eu sei, eu derreto também — O sorriso de Frederíca seguia aberto — Ela me perguntou se vocês duas tinham se casado, porque ouviu Luria e eu comentando. Você sabe que eu não minto para crianças.

— Eu sei sim. E como... Como ela reagiu?

— Ficou feliz, saltitando pela casa, apesar de eu achar que ela não sabe exatamente o que isso significa — Mais sorrisos — E eu também fiquei muito feliz, queria registrar esta parte e, outra parte que acabou de acontecer...

— O quê?

Guilherme assinou o divórcio. Depois da foto. E eu sei o quanto está sendo duro para ele, mas ele está compreendendo e eu só queria que soubesse logo. Para acabar com qualquer sentimento ruim, ou de culpa. Chega de todos eles. E a coalinha de vocês está aqui, morrendo de saudades e empolgada com a vida ao seu lado, Sofía.


E assim, não havia choro que bastasse.


Mas assim que seu choro cessou, algo esquisito começou a tomar Sofía por dentro, a ponto de quando Angra retornou do mergulho, notou que algo não estava bem.


— Sofía? Tudo bem?

— Um tanto de coisa aconteceu enquanto você mergulhava... — Abriu um sorriso — Espera, vou começar por uma notícia maravilhosa: Guilherme assinou o divórcio, você acredita?


Não só não acreditava como ficou emocionada, aliviada, porque por mais que Angra soubesse que não precisava da aprovação de ninguém, ao mesmo, parte de si pedia por este aceno positivo, principalmente, vindo de Guilherme. E sabia bem o quanto isso custava a ele. Ok, a boa notícia era esta, a má foi que depois de semanas, aquela foi a primeira vez que Sofía tinha acessado algumas notícias.


— Eu sei que a gente combinou de dormir aqui, mas... Eu queria voltar para o hotel, Angra. Eu sei que já pagamos por tudo e que estávamos animadas para a noite, mas...


Angra a beijou.


— Mas nada. Minha esposa que voltar para o hotel, nós vamos voltar.


Assim fizeram. Retornaram para o hotel, tomaram um banho longo juntas e quando ligaram a tv, no noticiário internacional, puderam entender melhor que sim, algo estava acontecendo no mundo que merecia a atenção delas. Angra ligou para Carolina, ela estava de plantão.


— Angra, é um vírus. E por enquanto, não temos casos no Brasil, mas há um movimento no norte da Itália. Vocês estão ao sul, em uma ilha, então...


Então que Sofía estava parada na varanda, observando o Mar Tirreno. Angra terminou de falar com Carolina e foi até ela.


— Angra, eu sei que nós estamos no meio de um sonho aqui e que ainda teríamos mais uma semana neste paraíso e pode ser uma completa loucura, e também, jogar no lixo um dinheiro que a gente nem tem direito agora, mas... — Olhou para Angra, ventava suave na varanda — Eu realmente sinto que a gente deveria voltar para perto da Estela agora.


E o instinto materno de Sofía, sempre havia sido mais sensitivo que o de Angra.


Arrumaram as mochilas aquela noite e na tarde seguinte, embarcaram de volta para o Brasil.

Notas:


Olá, meninas!


Como estamos?


Chegamos ao ápice desse amor, não? Quem esperava que nossas protagonistas iriam se casar, e ainda por cima, na Grécia? Inesperado, mas apaixonante!

Mas depois de todo esse filme romântico grego, vamos voltar a realidade, e essa está pegando fogo. E aí, sugestões para o próximo capítulo?


E como mencionamos no e-mail marketing da semana passada, na segunda-feira lançamos nosso extra inédito de Delirium: A Regressada. E para quem ainda não leu, saiba que tiraremos o extra do ar no dia 30/05. Então, corre lá para o Clube TessaVerso, e leia esse extra que chegou a 200km por hora.


Extra Delirium: A Regressada


Para ter acesso a este conteúdo inédito, e mais novidades, é necessário ser membro do Clube TessaVerso. Para saber mais, acesse o link: https://www.tessareis.com.br/beneficiosdoplano



E vamos de alguns lembretes:


- 50 comentários, sempre até às 23 horas do dia anterior ao capítulo inédito;


- Grupo de Whats’App para quem quiser bater um papo sobre as histórias: https://bityli.com/LetqE;


Beijos! Se cuidem!

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