Angra - Capítulo 5: Balinesa




Cartagena, junho de 2015.


“Sempre houve alguma coisa sobre ela”.


Foi a primeira linha que Sofía escreveu, em seu Moleskine de capa azul turquesa enquanto com uma pequena mala estacionada ao seu lado, mordiscava alguns biscoitos Spéculoos num charmoso café, esperando sua melhor amiga chegar. Lhe pareceu temerário que fizesse aquilo sem ninguém saber; ao mesmo que também lhe pareceu impensável contar para alguém o que estava indo fazer, mas sua parte racional, que lhe exigia medidas de segurança, falou mais alto e quando percebeu, já estava ligando para Kalinka vir, aparecer, estava precisando dela.


Kalinka também era jornalista, mas de uma vertente completamente diferente da de Sofía. Era jornalista freelancer e piloto off-road, além de piloto de teste para alguns sites de internet e programas de tevê. Cobria de corridas de Fórmula 1 ao Paris Dakar, passando por eventos que iam de Burning Man Festival ao Rally dos Sertões. Havia sido Kalinka a primeira a convidá-las para passar um tempo em Cartagena, na cidade evidenciada pelo escritor preferido de Frederíca, Gabriel García Márquez e foi a mente dela que teve como ideia publicar “Santorini” em espanhol, visando um alcance maior de pessoas. Ela mesma havia ajudado Sofía a traduzir a primeira versão, ela mesma havia enviado os primeiros textos de Sofía para blogues de viagem, ela quem havia empurrado sua melhor amiga para a visibilidade do Instagram e todas essas ações, culminaram para a vida confortável que hoje, quase oito anos depois, Sofía e Frederíca levavam juntas na Colômbia.


Kalinka era tão parte integrante de seu relacionamento como a própria Frederíca.


Recebeu seu cappuccino italiano e continuou escrevendo em seu Moleskine, que era bem especial. Havia sido comprado em Santorini, tinha o mar Mediterrâneo deslumbrante na capa, se espalhando em um turquesa intenso e único. Sofía havia comprado e guardado, se dito que só o usaria quando... Algo especial acontecesse. Algo que lhe fizesse escrever crônicas novamente.


A escrita era algo que sempre esteve com Sofía, desde muito cedo. Escrevia para colocar seus sentimentos pra fora, escrevia Morning Pages quase todos os dias como seu exercício preferido e escrevia para registrar, para não esquecer, escrevia para se ler novamente e assim, entender melhor cada um dos seus motivos, cada coisa que tinha por dentro. Mas crônicas eram especiais e não surgiam sempre. Crônicas precisavam de inspiração, precisavam de um movimento maior por dentro, achou que algo poderoso assim não lhe aconteceria tão cedo, porém...


Bem, havia acontecido.


E era poderoso pra caramba.


“Houve algo sobre ela desde o primeiro momento, do segundo zero no qual meus olhos caíram nela e é neste momento que eu estou pensando, enquanto tomo um cappuccino italiano esperando minha melhor amiga chegar. Chegar para me levar até o aeroporto, onde pegarei um voo que pode mudar todas as coisas. Ou ao menos, me fazer permanecer em alguma coisa muito boa, que me assaltou devagar, um detalhe de cada vez, até subitamente, me tirar de mim numa mistura de afeto, atração, carinho e bem-querer, tão bem feita que é impossível se contar onde começou ou se terminou qualquer olhar, qualquer emoção, qualquer sentimento. Angra é assim. Aquela que ninguém soube como decifrar, tão segredo que até para ela mesma, as coisas demoraram a se mostrar, e então demoraram a se entender, para fazer sentido...”. Sofía parou, respirou fundo, pensou em tudo novamente. Continuou escrevendo.


“É uma sensação distinta, permito e não me permito sentir. Parte racional me nega, parte sentimental me exige. Ela me exige demais. E não é que me exija pedindo, querendo coisas, ela me exige existindo, me exige perfeita, exige de mim atitude diante de alguém que eu tinha certeza de que não podia encontrar, alguém que não existia, uma fantasia que criei na minha adolescência, quando idealizei a pessoa pela qual eu gostaria de me apaixonar. Fui assaltada assim. Tirada de mim pelo simples fato de que Angra Fernandes existe e agora ela está me exigindo a ponto de…”.


“Eu começo a acreditar, de verdade, que só vou conseguir dormir por mais de três horas seguidas, depois de estar nos braços dela...” — Kalinka leu em voz alta pegando Sofía totalmente de surpresa.


Ela estava parada atrás de si.


— Kalinka, isto é particular!

— Quê? Eu chamei você três vezes, daí decidi chegar perto, e... — Ela estava sorrindo. Sentou-se à sua frente — Seu voo é em quanto tempo?

— Em três horas. Eu queria ter certeza de que teria tempo de conversar com você primeiro.

— Eu senti a tensão na sua voz! Espera, deixa eu pedir um café e você me conta exatamente tudo o que precisa contar. Me conta... Dessa menina aí. De quem você está escrevendo.

— Kalinka, presta atenção, você precisa me ouvir quietinha, em silêncio e sem me julgar. Por mais que você sinta uma imensa vontade, você não pode me julgar, entendeu?


Ela caiu na risada.


— Está bem, eu sei que consigo, vamos, me conta o que precisa.


O café dela chegou e Sofía contou exatamente tudo o que já havia acontecido. Contou de Abrolhos, da lua de mel, contou que Angra era recém-casada e de como tudo evoluiu tão rápido de janeiro até junho. Kalinka ouviu com calma, calada, quieta e sem julgar, os desgrenhados cabelos de praia estavam ainda mais rebeldes, a pele ainda mais morena, ela havia acabado de voltar de uma série de reportagens no Deserto do Atacama, o tipo de coisa que ela amava fazer. Haviam feito faculdade juntas e Kalinka, que tinha uma origem muito privilegiada, sempre havia cuidado para que Sofía tivesse as mesmas chances, aquelas chances que surgem e os privilegiados chegam antes. Kalinka sempre havia lhe cuidado e Sofía nem sabia como podia ter esperado algo de diferente dela agora.


— Sofía...

— É uma loucura, eu sei, mas eu simplesmente não consigo mais resistir a esta mulher! Kalinka, não dá, eu não tenho mais mental para isso não, ela quebrou todas as barreiras que eu subi, escalou os muros, quando eu vi, ela já estava na minha frente outra vez, não se... — Abriu um sorriso — Não se permitindo não ser notada.

— Interessante e bonita deste jeito aqui? Ela não permite não ser notada mesmo, é parte de quem ela é, Sofía.

— Eu não sei como você vai encarar isso, mas eu não quero que ela se separe agora. É uma responsabilidade muito grande estar interferindo na vida de alguém assim, ainda mais nesta situação. Foi tudo muito intenso antes, mas estávamos num paraíso e paraísos têm esses poderes...


Kalinka tocou a mão dela sobre a mesa.


— Você acabou de voltar de um paraíso. Foi igual?


Sofía respirou fundo.


— Você sabe que Frederíca e eu estamos em outra... Vibração.

— Na verdade, não estão sequer vibrando e já tem um tempo. Sofía, você sabe que eu adoro a Frederíca, ela é linda, divertida, inteligentíssima, as noites na sua casa parecem que têm uma outra duração quando estamos de papo com vocês duas. Você e a Frederíca são ótimas juntas, eu te disse isso desde o começo, que sentia que vocês duas tinham muito a ver. E tinham mesmo, ainda têm, mas algo foi perdido pelo caminho. Eu entendo e não espero menos de você, sei que você está preocupada por ainda estar em uma relação, mas Sofía, é a Frederíca. Você a pegou com outra recentemente.

— Kalinka, isso não tem a ver com os deméritos da Frederíca, tem a ver comigo, entendeu? Angra não tem a ver com nenhum tipo de troco, de vingança, de nada, é algo independente, que só... Aconteceu. Eu não estava buscando nada, eu sei que ela também não, mas nós tropeçamos uma na outra e agora estamos aqui.

— Isso foi muito específico para você chamar de tropeção. Alguma energia neste universo inteiro, quis que vocês duas se encontrassem, seja as nornas nórdicas ou as moiras gregas, ou toda a equipe de deidades que regem o destino, alguma força quis muito que vocês se cruzassem, Sofía. E eu estou muito feliz em te ver fazendo algo por você mesma outra vez. Você quer isso. Quis a Angra, então segurou a relação quando achou que deveria segurar, recuou, desistiu, e então, decidiu ceder e entender o que está acontecendo. Vai pegar um avião sozinha, já pensou nisso? Você não gosta de voar, muito menos sozinha e agora está aqui, tranquila, preocupada com outras coisas. Você tem razão, isso não tem a ver com a Frederíca de jeito nenhum, isso só tem a ver com você, com algo que você quer fazer por você, para se entender, se descobrir. Nós ganhamos grandes problemas quando perdemos nossa individualidade numa relação. É por isso que eu ando pensando em me separar todos os dias.

— Por que é tão difícil tomar a decisão e se separar de vez, me explica?

— Porque é difícil um relacionamento que só tenha coisas ruins, não é assim. Sempre há algo bom, que não se quer perder. Porém, estar apaixonado é um instinto natural do ser humano, se não estamos apaixonados numa relação, é provável que nos apaixonaremos fora dela em algum momento. Você está apaixonada, Sofía.

— Pode ser nada. Posso chegar lá e ser nada, eu olhar para ela e ela pra mim e ser diferente, eu disse isso para ela hoje.

— E ela te disse o quê?


Sofía sorriu.


— Que aceita a minha opinião, mas não consegue imaginar que vai olhar para mim sem querer fazer amor...


Sorriso de Kalinka também.


— Já gosto dela. Escuta, Sofía, sobre a sua decisão de ainda não dizerem nada, eu acho que está correta. Lembra da mentira nobre, de Platão? Quando a mentira tem uma justificativa, ela acaba tornando-se necessária. Neste caso, como você mesma disse, pode ser que seja nada e se for nada, a verdade apenas magoaria a Frederíca. Não que ela mereça a clemência de uma mentira nobre, mas...

— Kalinka!

— Eu sei, eu sei, foi mais forte do que eu. Mas me conta, como vocês vão fazer? Você e a Angra. Decidiram há uma semana tudo isso.


— Deu tempo de ela pensar em tudo. Ela... Ela é inacreditável. Me pediu apenas para ir, para não me preocupar com mais nada, ela pensou em todos os detalhes. Eu só tenho que pegar aquele avião e ir encontrar com ela, no lugar que ela escolheu para nós duas.


— Que será...?


Sofía olhou bem para ela.


— O lugar onde nos encontramos primeiro.

— Abrolhos?

Alto Paraíso.


Era hora de ir para o aeroporto. O coração ansioso, o celular pesando nas mãos de Sofía o tempo inteiro. O celular agora era Angra. O avião a pegar também. Talvez lhe levasse para uma outra “ela”, talvez lhe levasse para alguém diferente da pessoa pela qual Sofía se sentia apaixonada, talvez, talvez... Talvez não fosse para tanto. E era por isso que precisava tanto chegar até Angra novamente, porque já estavam lhe cansando demais as coisas que não sabia. Lhe cansava a dúvida. Afligia e a aprisionava em uma sensação que adorava e temia ao mesmo tempo...


Precisava decidir entre adorar e temer. Não há coexistência entre essas duas coisas.


Sofía embarcou.


Estava chovendo, estava frio, mas sequer conseguia pensar nisso com o tanto de coisas que estavam se passando dentro de si. Uma hora, uma hora e vinte até o Panamá, havia decidido voar durante a noite, mas tinha certeza de que não conseguiria dormir de qualquer forma. Já estava com seu sono afetado, de fato não dormia desde a Ilha de Páscoa, no máximo adormecia por três horas seguidas e então despertava, pensando, imaginando, fazendo cenários futuros com Angra ao seu lado. Nunca havia passado por isso. Nunca havia feito cenários futuros com nenhuma namorada e não sabia exatamente do que aquilo tudo se tratava.


Foi falando com Angra o tempo inteiro, antes de embarcar, quando fez conexão no Panamá e ela estava extremamente calma, dizendo que estava lhe esperando, que não via a hora. Não conseguia não sorrir, Sofía via menos. Então, mais seis horas e pouquinho até Brasília, Sofía mal conseguiu comer durante o voo, imagine dormir. Chegou pela manhã, devido a um imprevisto de última hora, Angra não poderia lhe buscar no aeroporto e pelo tanto que estava nervosa agora, Sofía achou muito melhor assim. Mais tempo para se acalmar, para se pôr em ordem, achou que estaria nervosa, mas não naquele nível.


Nervosa e positivamente ansiosa.


Pegou um ônibus até Alto Paraíso sorrindo e foi tentando se acalmar pelo caminho. Angra havia insistido que ela pegasse um carro, queria ter certeza de que Sofía estaria confortável, foi difícil convencê-la que estava tudo bem e estava mesmo. Sofía viajava de ônibus pela Colômbia inteira, para escrever suas matérias turísticas, não era um problema mesmo, chegava quase a ser um ritual. A estrada, sempre havia sido o lugar onde pensava melhor. Mais mensagens de Angra, se Sofía tinha tomado café direitinho antes de sair do aeroporto, pelas contas dela, ainda poderia chegar no hotel e pegar o café da manhã, ela estava preocupada com Sofía não ter comido nada a noite inteira.


Falando em preocupações (e Angra era delicadamente muito preocupada o tempo todo), Sofía deveria chegar perto das dez e quando Angra notou que o check-in no hotel só estaria aberto por volta das quatorze, a resposta foi: “Hum, não gostei disso não”. E dez minutos depois, Sofía tinha uma reserva extra, que Angra havia feito questão. Gostava disso. Dessa atenção dela a cada pequena coisa, da gentileza natural, da delicadeza em cada detalhe. Foi pensando nela, em cada lembrança que já tinham, respirando fundo, apreciando as belíssimas estradas goianas e quando percebeu, três horas já haviam se passado, e Alto Paraíso acenou.


Mística, verde, enuviada e intensa, assim que desceu do ônibus na frente do seu hotel, Sofía sentiu seus olhos se enchendo e sua respiração sendo apertada dentro do peito.


Aquelas montanhas incríveis! O Cerrado se mostrando, o silêncio, o sol brilhando no alto, mas o clima orvalhado, molhado, um friozinho bom, delicado e, a chuva! Quase não teve tempo de entrar em seu hotel e quando se abrigou no pátio, abriu um sorriso. Do que estava fugindo mesmo? Deixou a mochila, a mala e voltou para a chuva fria, sentindo um arrepio gostoso, a água transpassando sua roupa, alcançando sua pele num abraço delicado, humanizado e naturalizado, fechou os olhos por um instante e apenas sentiu, um banho-oração curtinho, uma meditação para lhe acalmar. Funcionou. Seu coração acalmou, sentiu uma paz, um sentimento bom. Iria encontrar Angra outra vez, como não podia estar com um sentimento tão bom? Era tudo o que queria. Desde quando se separaram em Abrolhos, era tudo o que queria. E se permitiu sentir assim. Queria vê-la mais do que qualquer coisa e sim, estava radiante demais por isso.


Se deixou radiar, não havia vindo de tão longe para suprimir suas emoções. Estava radiante, estava ansiosa, não via a hora de Angra chegar.


Enfim, entrou em seu hotel.


E que hotel! Lindo, de madeira escura, tijolos aparentes e vidro, uma cabana de luxo elegante de três andares, isolada no alto de uma montanha. Alto Paraíso era um lugar místico, intenso e a energia que estava sentindo... Respirou fundo. E foi fazer seu check-in.


— Seu acompanhante chega que horas? — A atendente lhe perguntou depois de lhe olhar esquisito. Devia ser porque Sofía estava molhada inteira, desconfiou que fosse.

Ela chega à tarde.


A moça ergueu os olhos e Sofía quase pôde ver uma fantasia piscando na mente dela. Mulheres povoam a maioria das mentes femininas em segredo, geralmente com contornos sexuais, e Sofía gostava tanto da reação como a temia. E é claro que isso não tinha nada a ver com a atendente, só tinha a ver com Angra. E se fosse só isso? E se fosse apenas uma fantasia piscando na mente dela?


Respirou fundo. Pegou sua chave e aquele quarto por si só, já era um romance anunciado. Angra sabia escolher ambientes como ninguém.


Grandes janelas de vidro, banheira com vista para o cerrado, cama enorme, confortável, poltronas, mesa, rede na varanda e, seu coração voltando a disparar. Não havia dito nada da viagem para Frederíca, seriam apenas cinco dias e se bem conhecia sua esposa, ela mal lhe mandaria uma mensagem por dia enquanto estivesse no Rio, ela sequer notaria.


“Já no quarto, meu amor?”.


Sorriso de Sofía. Já havia se acostumado com ela lhe chamando de amor, mas não significava que seu coração não vibrasse cada vez que ela dizia outra vez. Tirou uma foto do quarto, enviou, enviou sua localização também, pediu para ela vir rápido, ela ligou.


— Já estou em Brasília novamente, e vou dirigir para você. Toma seu banho, estreia nossa banheira, desce, toma café novamente e me espera para almoçar?

Linda, você não vai comer antes? — Tinha desaprendido a chamá-la pelo nome em uma semana, era outra verdade — São mais de três horas de estrada.

— Não consigo. Não quero parar. Eu até pensei em ir em casa, tomar um banho, mas não dá não. Estou indo direto pra você, linda, me espera! — Ela também parecia ter desaprendido.


Não estreou a banheira, mas tomou um banho longo no chuveiro, observando o cerrado lá fora por uma janela de vidro, que ficava dentro do box. Um banho-oração mais longo, em que fechou os olhos, se conectou com a água naquele lugar místico e buscou um pouco de calma dentro de si. Achou um pouquinho, quase nada, mas achou. Se vestiu, desceu até o café, delicioso e muito bem servido, porém, não conseguiu comer quase nada. Sentou-se com uma xícara de café e alguns petit four, uma vista deslumbrante das montanhas, seu Moleskine sempre consigo. Escreveu um pouco mais.


“Quis este encontro por diversos motivos: atração, necessidade, bem-querer que não reduz, sei dos riscos, para mim, para ela, mas… Nós precisávamos. E acontece que tudo o que preciso e até o que eu não acho que preciso, Angra me dá. Foi assim que chegamos até aqui. Com essa mulher maravilhosa se aproximando devagar, chegando cada vez mais perto, sendo gentil, doce, atenciosa, fazendo todo sentido e sentido algum. Eu não sei bem como as coisas evoluíram direito. Sei que me apaixonei pelo sorriso de uma moça num check-in de hotel. Daí me apeguei a ideia do livro que ela lia, mas até então, era apenas uma garota bonita me roubando atenção. De repente, começamos a falar, de repente, descobri que aquela garota-fantasia na piscina do hotel de uma ilha paradisíaca, era uma mulher incrível, inteligente e, em lua de mel. Daí que ela não fazia sentido e por um tempo, eu fiquei imaginando que estava vendo coisa demais naquela aproximação. Sou fácil de fantasiar.


Ela é analista financeira. Eu sou jornalista criativa, casada com uma escritora. É claro que eu fantasio o tempo inteiro...”.


Sofía respirou fundo e olhou para o cerrado diante de si, lembrando de um dos últimos cafés da manhã tomados em sua viagem a Santorini. Lembrava do quanto havia estado silenciosa o tempo inteiro durante aquela viagem; por isso os bilhetes, por isso seu Moleskine tão cheio de anotações o tempo inteiro. Havia sido 20 dias de silêncio verbal e gritos mentais intensos e não era apenas em virtude do bebê que Frederíca discordava em ter, era em virtude de olhar para ela e não conseguir... Vê-la em seu futuro. A via com clareza em seu presente, mas quando tentava levá-la para o seu futuro... Nada vinha. Era como um grande espaço em branco e isso simplesmente começou a lhe acordar no meio da noite, seria sempre daquele jeito? Ninguém lhe abraçando na cama, nenhuma outra vida dependente de si? Acordava procurando um bebê ao seu lado e às vezes, acordava sem sua esposa ao lado, acordava dentro daquele relacionamento frio, distante e que de certa forma, havia se tornado extremamente confortável para Sofía.


Voltou da Grécia e seus bilhetes e suas anotações deram origem à “Santorini” e quem diria, aquele livro havia trazido Angra para si.


Kalinka tinha razão. Alguma energia no universo, fosse as nornas nórdicas ou as moiras gregas, parecia muito interessada em tecer o seu destino em alguma curva do destino de Angra.


Subiu para o quarto, ligou a tevê, checou o celular, achou que não poderia dormir por conta da ansiedade, mas inexplicavelmente, acabou pegando no sono. E quando acordou, já tinha mensagem dela, dizendo que estava a meia hora de distância apenas. E seu coração disparou de vez.


Se colocou de pé, outro banho, água sagrada, sabemos, trocou de roupa, creme na pele, o perfume que Angra gostava, arrumou seus cabelos, ficou bonita para ela, fechou os olhos respirando fundo. Sentia algo queimando dentro de si. Uma ansiedade esquisita dividida entre Angra chegar logo ou... Olhou o celular novamente, nenhuma mensagem mais, será que ela havia desistido? Levantou, andou pelo quarto, short jeans, um no qual Angra tinha se apegado lá em Abrolhos, top branco, detalhado e vazado, sentiu frio, colocou um Kimono boho étnico por cima, preto e branco com franjas, bateram na porta, duas vezes, pessoas do hotel, pegou o celular mais uma vez, nada, onde ela estava? Já havia se passado uma hora e agora seu coração estava batendo mais fundo do que acelerado.


Será que... Ela havia desistido?


📚


Goiânia, noite anterior.


Mal podia ouvir o que estava sendo discutido.


Angra estava numa reunião.


Bem, ao menos seu corpo estava, porque sua mente estava dando voltas e voltas em milhares de possíveis cenários do que poderia acontecer no dia seguinte. Uma verdade é que Marcela havia tido que praticamente obrigá-la a entrar naquele carro, para irem até Goiânia, Angra era veementemente contra a maioria das reuniões presenciais, mais ainda, reuniões presenciais naquele dia, que lhe tiraria o direito de ir buscar Sofía no aeroporto quando ela chegasse. Respirou fundo novamente, enquanto Marcela fazia a apresentação para os clientes, olhou pela janela de vidro, olhou para o celular, o pé sacudindo sob a mesa, as articulações dos seus dedos sofrendo porque estava as estalando sem parar. E vez ou outra, sorria. Simplesmente sorria lembrando que já, já, sua Sofía estaria voando ao seu encontro.


Enfim, final da reunião. Mas ainda teriam um jantar pela frente, Angra pediu um minuto, foi até o banheiro, lavou o rosto, respirou fundo. Sentia seu corpo inteiro alvoraçado e no meio de todas essas sinapses mentais, sempre acabava sorrindo, nem sabia bem como era possível. Começou a retocar sua maquiagem e Marcela saiu de um dos reservados, vindo lavar as mãos ao seu lado.


— Angra, você está... Longe demais. O dia inteiro. Alguma situação em casa?


Angra abriu outro sorriso.


— Todo problema precisa vir de casa, não é?


Ela sorriu também.


— Nem é, mas é que a gente casa e de repente, tudo se resume ao casamento, e depois tudo se resume ao bebê, eu sei que você está pensando que a gente poderia muito bem ter feito esta reunião lá da nossa confortável sala virtual em Brasília, mas... Eu precisava respirar. Eu acabei de sair da licença maternidade e precisava de uma única noite tranquila de sono, como a que tivemos ontem. Minha mãe se propôs a ficar com o Luís, eu não podia desperdiçar. Eu amo o meu filho, mas está intenso de uma maneira que eu não esperava.


Angra fez um carinho nela.


— Vamos ter um ótimo jantar e uma ótima noite de sono hoje também, está bem?

— Eu não poderia pedir por melhor companhia. Espera. Você está distante, mas não está preocupada, está... — Analisou o rosto de sua amiga por um instante — Eufórica. E euforia geralmente não tem a ver com casamento... — Comentou, fazendo Angra rir demais.


Queria poder partilhar com alguém. Queria poder contar, que encontraria a garota pela qual estava apaixonada, que ela estava vindo e que pela primeira vez, poderia descobrir com ela sobre aquela parte tão secreta de si. Mas não era algo que julgava que sua sócia entenderia. Ou qualquer outra pessoa perto de si.


— Eu só... Estou empolgada, com um... Projeto particular.

— Também não existe coisa particular em casamento, Angra Fernandes...


Mais risos, Marcela sempre lhe fazia rir. Mas não sabia se... Se seguiria tão divertida se soubesse os motivos pelos quais Angra estava tão eufórica. Jantaram com seus clientes e só foi negócios até a metade, depois seguiram como um grupo agradável, bebendo um bom vinho, rindo de ótimas histórias. Angra estava presente e estava no celular, estava ansiosa se perguntando sobre o embarque de Sofía, ela disse que ia conversar com uma amiga antes e o silêncio dela durante aquela conversa estava lhe deixando ansiosa. E se ela decidisse não vir? Se fosse convencida a não vir?


Linda, já no aeroporto”.


E aquela mensagem tirou o peso do mundo dos seus ombros. Tanto que pôde conversar mais, sorrir mais, socializar como todos estavam acostumados e quando Sofía avisou que iria decolar, já não pôde parar de sorrir. Chegou no hotel quase saltitando, numa empolgação que não conseguia controlar, nada de parar de sorrir, ou de falar, euforia, era a palavra certa.


— Angra, você não vai mesmo me dizer o que está acontecendo? — Marcela fez outra tentativa enquanto Angra se penteava sorrindo para o espelho.

— Você leu “Comer, rezar, amar”?

— Não vem me dizer que é meditação balinesa que eu te atiro por aquela janela!


Não era, mas podia ser. Meditação balinesa é fechar os olhos e sorrir, e foi exatamente assim que Angra foi para a cama aquela noite, fechando os olhos e sorrindo, sem conseguir parar. Achou que não dormiria fácil, mas dormiu, então mal abriu os olhos e buscou por mensagens de Sofía. Na verdade, acordou no exato momento que ela pousou em Brasília e seu coração não parou mais de trepidar dentro do peito.


Ela mandou a localização e os quilômetros já tinham caído drasticamente. Ela estava perto. O mais perto que já havia estado desde Abrolhos.


Levantou e deu um jeito de colocar Marcela de pé, quase teve dó, aquela pobre mãe queria dormir até mais tarde, mas é que Angra não tinha tempo, não queria atrasar, de jeito nenhum queria. Arrumaram tudo, desceram para o café e foram direto para a estrada. Estava a três horas de Brasília, queria chegar logo, deixar Marcela e então correr para Alto Paraíso e estava tão imersa em si mesma que sequer fazia ideia do que sua acompanhante falou o caminho inteiro. Pronto, enfim Brasília, a deixou na empresa e quando ficou sozinha no carro, seu coração disparou de verdade.


Respirou fundo, tentou se acalmar, ligou para Sofía, ela era sempre ótima em lhe acalmar. Tão ótima que assim que ouviu a voz dela...


Meditação balinesa. Olhos fechados, sorriso aberto, ela lhe chamando de “linda” era a melhor coisa da vida. E, disse que estava indo direto para ela.


Quase direto, lembrou que teria que passar em casa, ia trocar de mala, desistiu, daí lembrou que precisava parar num mercado, fez rapidinho, pegou uma cesta, seu peito hiperventilando, suas mãos estavam trêmulas. Não acreditava. Que estava indo mesmo fazer aquilo. Estava indo encontrar Sofía outra vez e Angra achava que tinha passado uns cinco minutos andando de um lado a outro daquele mercado sem ter ideia do que precisava comprar. Daí parou, se recompôs, olhos fechados, o sorriso só veio. Comprou chocolates, queijos e biscoitos de queijo, pão de queijo e outras coisas que Sofía gostava de comer e não encontrava na Colômbia. Fez uma compra linda, que já parecia com elas e voltou para o carro. Respirou fundo novamente, tentando se acalmar, ligou o carro, o GPS lhe disse que estava a 2 horas e 40 minutos de Sofía.


Lembrou da única vez que pegou aquela estrada até Alto Paraíso. Na verdade, quando saiu de casa com uma única mochila feita às pressas, nem fazia ideia de para onde estava indo, apenas dirigiu e dirigiu até aquela placa aparecer. O nome lhe pareceu poético. Simplesmente entrou. E depois entrou na primeira pousada que viu, chorou por cinco horas seguidas dentro de um quarto sem fazer ideia do que doía tanto e quando se acalmou, viu que seu Kindle estava na mochila.


E por motivo nenhum, “Santorini” apareceu bem na sua frente.


Santorini, Sofía.


Pegou aquela estrada novamente. Tão tensa que sequer ligou o som do carro. Achou que fosse melhorar com o passar dos minutos, mas não estava acontecendo não. Foi o caminho todo respirando fundo, secando as mãos no ar-condicionado, úmidas de tanta ansiedade, seu coração seguia batendo na garganta e Angra ainda não acreditava. Que iria acontecer. Que estava indo encontrar Sofía outra vez, em um lugar especial, em seu primeiro encontro com uma garota que não era uma coisa qualquer: era um encontro com a menina por quem estava apaixonada.


Angra não tinha ideia do que iria acontecer, nem dentro daquele quarto, nem dentro da sua vida, só sabia que precisava de Sofía, precisava daquela parte sua que estava com ela desde Santorini, aquela parte que Angra tinha guardado desde a adolescência e que agora, aos seus trinta e um anos recém-completos, fazia tanto sentido: tinha guardado tanto porque estava esperando Sofía.


E nada no mundo fazia tanto sentido.


Checou a localização dela mais uma vez: ela nunca havia estado tão perto.


Não conseguiu escrever mais, ligar para ela, nada, só seguiu dirigindo até chegar naquele hotel com cara de romance.


Passou na recepção, o mais rápido possível, não pegou nada no carro, apenas sua mochila e pronto, achou o check-in demorado, suas mãos seguiam geladas, molhando, agora suas pernas não paravam de balançar e sua respiração estava...


Fechou os olhos na recepção. Precisava se acalmar. Precisava... Repensar. Pediu um segundo e foi se sentar.


📚


O coração de Sofía agora já não parava no lugar.


Pensava em escrever algo a todo momento, e ao mesmo tempo temia escrever e descobrir que Angra tinha desistido, estava caminhando de um lado a outro, respirando fundo, abrindo e fechando as mãos e quando seu coração estava quase desaparecendo de tão pequeno dentro do peito, bateram na porta outra vez.


Sério?


Sofía buscou a placa de “não perturbe” pelo quarto, não era possível. Desistiu, não achou a placa, foi abrir a porta de qualquer maneira, e...


Seu coração se debateu e derreteu tão rápido, que Sofía temeu que pudesse escapar pelos seus olhos.


Era ela! De camiseta preta e jaqueta vermelha, com aquele charme todo, recostada na porta, de óculos escuros e, sorrindo olhando para baixo, feito uma estrela do rock. Era a sua Angra, de tênis, com aquele cabelo mágico que Sofía adorava e aquele sorriso que...


Era apaixonada por aquele sorriso.


Estava apaixonada por aquela mulher. Era real e não restava mais sequer uma virgula de dúvida. Se deu conta naquele mesmo momento.


E de tudo o que achou que pudesse estar exagerando no sentimento, de todas as coisas que julgou que pudesse sentir diferente, a grande verdade é que assim que Angra lhe olhou, o corpo de Sofía simplesmente, exigiu pegar fogo.


A puxou para dentro pela jaqueta imediatamente, Sofía não fazia ideia se havia dito alguma coisa, ou se Angra havia dito, só a agarrou pela jaqueta e a trouxe para si, a fazendo abandonar a mochila pelo caminho, tirar os óculos escuros com aquele sorriso lindo no rosto, enquanto os braços enlaçaram pela cintura de Sofía, que ficou na ponta dos pés para se dependurar no pescoço dela... Elas se abraçaram assim, muito juntinho, muito apertado, um corpo grudando pelo outro, se fundindo no outro, tão agarradas que dava para sentir o coração batendo.


E ambos estavam disparados.


— Eu estou nervosa, você precisa me acalmar... — Sofía sussurrou no ouvido dela.

— Eu estou nervosa, quem vai me acalmar? — Ela lhe respondeu sorrindo, cheirando seu pescoço demais, como Sofía estava cheirosa, como Angra adorava aquele cheiro...

— Eu não sei, mas você prometeu cuidar desta parte, então tem que me acalmar...

— Acalmo, meu amor... — E Angra apertou Sofía contra o seu corpo no melhor abraço do mundo...


A apertando longamente, lhe grudando inteira contra o seu corpo, as mãos dela pela sua cintura, pela curva de suas costas enquanto suavemente, Sofía sentiu aquela boca enterrando em seu ombro... Respiraram fundo, naquele aperto, naquele apego, a respiração de Angra em seu pescoço, os dedos de Sofía agarrando pelos braços dela, seu corpo curvando para trás, as pulsações disparando tanto, mas tanto...


Linda... — O coração de Angra estava se debatendo no peito, Sofía podia sentir, era hora de acalmá-la de verdade.

Shssssss... — Sofía se recostou contra a parede e suavemente, puxou Angra contra o seu corpo, a livrando da jaqueta delicadamente enquanto Angra foi expulsando os tênis dos pés, respirando fundo, tentando se acalmar dentro da sua própria pele, que parecia incapaz de parar de queimar. Estava suando, enervada, sabia, Sofía queria lhe acalmar, mas sentir o corpo dela tão perto do seu...

Sofía... — Foi um pedido.

— Vem, vem pra cama um pouco.


Foi para a cama com ela.


Sorrindo porque ela estava sorrindo também, sorrindo porque ela estava extremamente cheirosa, porque Sofía estava linda demais naquele top branco vazado e naquele Kimono boho que... Ela deixou tirar. Deixou sorrindo, no meio do caminho, porque sabia que Angra precisava ver mais, precisava de pele, ela disse alguma coisa sobre o cerrado lá fora, então, alguma coisa sobre o quanto Sofía estava cheirosa, olhos nos olhos, castanho queimando na doçura do mel, meditação balinesa, cama, Sofía a precisava na cama.


Sentou-se na cama e Angra veio, sentando-se com os pés tocando o chão, dando um jeito de tirar as meias dos pés e Sofía lhe abraçou por trás, carinhosamente, a mantendo tão pertinho, tocando seus cabelos, descobrindo sua nuca, mordiscando um tantinho, Angra terminou com as meias, fechou os olhos novamente, sorriu, Sofía agarrada em si. Estava acontecendo e seu coração não conseguia parar de tremer.


Virou-se de frente e Sofía a puxou para sobre o seu corpo, queimando uma contra a outra, romanticamente queimando, um batimento contra o outro, uma vibração espalhando pela pele, a ardência existindo, não podendo ser parada, refreada, repensada. Angra respirou fundo e suas mãos correram pelo corpo de Sofía inteiro, pegando delicada e suavemente por suas coxas, deslizando os dedos pela linha dos seus seios, o corpo afundando por ela, sua respiração também e havia algo, estava vivo, estava ali, entre elas duas e a única coisa que Sofía queria saber era...


Até onde queimaria. Elas duas, até onde?


Virou-se para cima de Angra na cama, um corpo muito junto ao outro, suas pulsações disparadas, sabia e uma vontade... Estava entorpecida por ela. Entorpecidas uma pela outra. Atraídas demais. Os cabelos finos de Angra, os olhos claros, o cheiro que ela tinha, aquele perfume tão gostoso e... A pele quente. Sofía afundou o rosto pelo pescoço dela, sentindo aquelas mãos lhe buscando o corpo, suaves demais, delicadas demais, aquela menina era toda cheia de delicadezas e Sofía... Estava no limite com as reticências.


O coração de Angra estava na garganta, mas quando Sofía se moveu, foi como se tudo fosse ficando cada vez mais devagar... Os dedos de Sofía lhe tocando a mandíbula, mais suavemente ainda, os olhos castanhos capturando cada pedacinho de Angra, os cílios claros, a respiração numa outra velocidade, olhos nos olhos e então, com a mão em sua garganta, Sofía delicadamente, beijou o canto de sua boca... Os lábios tocando bem devagar, enquanto os olhos de Angra se fecharam, sua respiração fugiu e seu corpo acelerou inteiro... Acelerou, vibrou, reagiu, arrepiando demais, o coração correndo pelo seu corpo, e então, tão delicadamente quanto, Sofía atravessando os lábios, muito pertinho dos seus, os levando para beijar o outro canto da sua boca, levemente a tocando com a língua, Sofía achava que tinha sido assim. E então, Angra lhe roubou de si.


Passou a língua pelos lábios entreabertos de Sofía e a roubou assim, a beijou assim, profundamente, densamente e o quanto aquela boca era macia... Angra a puxou pela nuca e beijou outra vez, incendiando tudo ao redor delas, estava frio, temperaturas baixas, mas de repente, tudo estava fervendo, ali, naquele beijo, de lábios pegando lábios, um match perfeito de bocas, num beijo ansioso, longo demais, de uma boca escorregando pela outra, uma língua encontrando a outra e Angra...


Meditação balinesa.


Angra abriu um sorriso, de olhos fechados, agarrando os braços de Sofía porque não havia uma parte sua que não estivesse em erupção naquele exato momento! Angra tinha beijado sua primeira menina, Sofía sabia, mas para Angra, era tão mais profundo que sequer dava pé. Mais do que beijar sua primeira garota, tinha beijado Sofía e não havia um parâmetro dentro de si com o qual aquele beijo pudesse ser comparado...


Respirou fundo, sentindo Sofía tão perto, os olhos fechados, a respiração que flutuava, trepidava, estava uma coisa.


Meu amor... — Sofía suspirou, com vários pedaços de si fora do lugar — Me beija de novo, me beija...


Não era como se Angra pudesse parar.


Angra a beijou novamente, virando-se para sobre Sofía, escorregando as mãos pelo corpo dela, a sentindo, queimando contra ela e tal como soube naquele barco que não teria volta se beijasse Sofía, o sentimento simplesmente se repetia agora.


Não tinha volta. E nem perdão.


O que estavam sentindo ali, naquele momento, nunca mais se permitiria, não ser sentido outra vez.


Notas da Autora:


Olá, menin@s! ˆˆ


Ok, vocês pediram e olha eu aqui, hein?! Adiantando o capítulo 5, Balinesa, para vocês.


Então, pessoal, que encontro. Uau! Essa tensão e nervosismo consegui sentir, muito fortemente, muito palpável, muito tácito, nem consigo traduzir em palavras. Sentiram também? Estão conseguindo também sentir a Angra um pouco mais humana, mais real?


Então, para comemorar este adiantamento de capítulo, que tal 65 comentários? Olha, merecemos, hein?! hahaha


Bom, estamos com nosso Projeto Playlist TR'Fórum em ação e a participação de vocês é imprescindível, então, por favor, respondam o formulário sobre quais músicas vocês ouvem e lembram do nosso grupo-família no Whats’App. Vou deixar aqui o link e se puderem responder, serei muito grata. Temos até sexta-feira para finalizar esta enquete, ok?!


Enquete: https://bityli.com/lFNOb


E pessoas, temos um grupo muito amorzinho no Whats’App, para quem quiser conversar sobre as histórias assinadas por Tessa Reis, quem tiver interesse, basta clicar aqui:


Grupo Whats'App: https://bityli.com/LetqE


Abraços - Ana Reis!



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