Angra - Capítulo 7: ♡




“Não sei quanto tempo faz que não consigo dormir uma noite inteira sem nenhum despertar. Com os sentimentos avançando por dentro de mim, acho que fiquei bagunçada por dentro, com o coração constantemente acelerado, com uma urgência de descobrir a materialidade de cada coisa sentida. Ansiedade de descobrir se era quebrável, se era palpável, se duraria. Passei a dormir cada vez menos, a acordar cada vez mais e na última noite que nos separou fora de um avião, dormi três horas de tempo, sendo que acordei duas vezes durante a noite. Mas agora eu dormi. Direto, relaxada, sem sonhos. Dormi e ao acordar, demoro para abrir os olhos. É uma situação extremamente rara, lembro que senti algo parecido quando cheguei em Nova York, era um sonho, desde quando eu era muito garota e estar naquela cidade me causou uma sensação de irreal que eu não soube bem como lidar. Sinto o mesmo agora.


A sensação de irreal.


Abro os olhos e ela está dormindo do meu lado, enrodilhada em si mesma, do mesmo jeito que eu costumo dormir, está dormindo tranquila, bonita demais e é ela, a garota que me desnorteou em Abrolhos lá no começo do ano, aquela que foi entrando na minha mente devagar, me atraindo, me tomando, uma coisa de cada vez...


Abrolhos, “abra os olhos”, foi forte, foi intenso demais, voltei desnorteada, com ela grudada na minha cabeça o tempo inteiro, mas depois dos dias sozinha, senti que estava com as coisas sob controle. Até Angra aparecer novamente, disposta a me fazer mudar de ideia, interessada em avançar, em não se deter, ainda tinha algum controle sobre mim, mas então, eu comecei a ir dormir pensando nela. Avançou para as minhas manhãs, meu primeiro pensamento do dia era aquela mulher que me intrigava, invadiu as minhas mornings pages e num dia qualquer, as esqueci sobre o balcão da cozinha e Frederíca leu. Não havia nenhum nome escrito lá, apenas sentimentos e sentimentos, fora de ordem, eufóricos, bagunçados. Ela se desculpou pela invasão, mas me disse que eu estava escrevendo como se estivesse apaixonada.


Tive certeza de que estava quando comecei a sonhar com ela.


Sonhei com ela durante todos os dias na Ilha de Páscoa e no retorno fiquei tão perturbada que quando vi, já estava dando novos passos. Eu dei passos novos. Ela veio para mim. Não escapou, encarou, me agarrou. E agora eu estou aqui, acordando do lado dessa garota que cheira a mulher da minha vida...

A agarro um pouquinho por trás, me enroscando nela, cheirando, não quero acordá-la, só quero agarrar a sensação de irreal porque, Angra parecia tão distante da minha realidade quanto Nova York quando eu era pequena. Não quero acordá-la, mas ela acorda de qualquer forma. Ela dorme muito, feito um coala, mas de repente, acorda, ela come muito bem, mas na noite anterior, não conseguiu terminar o jantar, estou fora de mim, ainda bem que ela também...”.


Angra se virou na cama e puxou Sofía para os seus braços, cheirando os cabelos dela, abrindo aquele sorriso lindo que nada ajudava Sofía a domar a sensação de irreal. Daí Sofía se deu conta de uma coisa:


— Angra, e se a gente não se entendesse? A moça me disse no check-in que o hotel está lotado e você só reservou um quarto...


Ela sorriu mais, puxando Sofía pela nuca, a beijando no meio daquele sorriso.


— Você acha que eu te daria a prerrogativa de ter outro quarto? Lá no iate você me trancou pra fora todas as noites...

— Eu sei o que aconteceria se você entrasse...

— Eu também sei. Olha nós duas aqui agora. Eu só quis garantir que você não teria muita escolha, sabe...

— No meio do nada, com um único quarto...

— Uma única cama... — Mais daquele sorriso lindo dela e Sofía... Sofía nem sabia. Angra acelerava seu coração demais — Que horas são, meu amor?

— Seis da manhã, acredita? — Respondeu Sofía mexendo naqueles cabelos avelã, olhando naqueles olhos sonolentos mais de pertinho.

— E você já acordou, linda?


Sofía apertou os lábios, desviando dos olhos dela um pouquinho.


— Eu acho que... Eu acordei de ansiedade.

Angra apertou aqueles olhos bonitos.

— Ansiedade?

Pra passar tempo com você.


Outro sorriso lindo aparecendo naquele rosto que Sofía já adorava tanto.


— Você está mesmo dizendo isso pra mim, linda? Porque ainda me parece... — Outro sorriso lindo, Sofía acordando do seu lado e lhe dizendo algo assim fazia parte dos sonhos de Angra, parecia tão longe da sua realidade que ela nem sabia.

— Você está mesmo acordando aqui do meu lado? Parece irreal, não parece? — Sofía estava sorrindo também.

— Parece, meu amor. Parece demais. Vem cá, linda...

Sofía a beijou, beijou de novo e outra vez.

— Me dá um segundo, eu já volto pra você.


Sofía levantou-se e foi até o banheiro, cuidar de si mesma rapidinho, cuidou, então lavou o rosto, se olhou no espelho e estava se sentindo extremamente diferente. Não sabia explicar, só estava, aquela garota ali na sua cama tinha feito algo consigo, só sabia. Checou seu celular, nenhuma mensagem de Frederíca. Melhor assim.


Voltou para a cama e para a boca dela. Engatinhando pela cama, engatinhando pelo corpo de Angra, a cheirando, a provando, a beijando, a envolvendo demais, fazendo Angra apertar os lábios, fazendo o corpo dela esquentar porque Sofía...


Sofía só queria colo, só queria o corpo dela esquentando no seu, queria os braços de Angra firmes em volta de sua cintura e ali estavam, Angra a colocou em seu colo, de frente para si, seus braços a apertando contra o seu corpo, aquelas mãos por Sofía, a apertando, pela cintura, pelos quadris, a boca dela em seu pescoço e então, quase que num movimento só, Angra tirou o seu suéter e aquela boca veio imediatamente parar nos seus seios...


Angra tinha um q de fantasia. Fazer amor ao amanhecer, era cena de livro.


Fizeram uma com a outra.


E fizeram gostoso demais, para esquentar o frio da manhã, Angra seguia livrando-se das roupas de Sofía em segundos e tirar aquela camiseta do corpo de Angra veio com o cheiro dela, uma pancada gostosa em seus sentidos e Sofía precisava daquela pele quente, precisava daquela boca atrevida, sua língua por ela inteira, sabia que já estava molhada, assim, de imediato na primeira pegada de Angra e quando Sofía arrancou aquela calcinha, descobriu que ela também estava. O tecido descolando, o fio de tesão entre o tecido e aquela...


Sofía mordeu a boca ao cruzar aqueles olhos já ardendo de vontade.


— Vem aqui, eu quero sentir você também...


Suavemente, Sofía deslizou um de seus dedos para dentro dela enquanto voltou para aquela boca, a beijando gostoso demais, sentindo aquelas mãos atrevidas se livrando de sua calcinha, alcançando a sua intimidade, o beijo interminável, um corpo contra o outro, esquentando, encaixando tão perfeitamente, o que estava deixando Angra louca. Olhar naquele ângulo, ver a cintura de Sofía encaixada entre suas coxas, os dedos dela dentro de si, seus dedos a tocando intimamente, cuidadosamente, os seios dela raspando pelos seus, como podia? Encaixar tão bem, sentir tanto tesão, como podia? Os gemidos escapando, ficando mais e mais altos, um corpo suando no outro, tão molhadas, tão quentes e o prazer deslizou pelo dedo das duas... Gozaram antes das 8 da manhã e o amor simplesmente, seguiu sendo feito.


Ficaram agarradas na cama, o cheiro uma da outra, o corpo quentinho um contra o outro, nuas em pele e o que mais podiam pedir? Seguiam com gosto de fantasia, com gosto de apego, de algo maior, algo ainda desconhecido, coisas que só haviam lido a respeito e agora... Estavam ali. Entre um corpo e outro, pulsando pela pele, acelerando batimentos. Ficaram em silêncio, mas durou pouco, os beijos recomeçaram, as mãos também, checaram a hora, eram nove da manhã, precisavam descer para o café, estavam famintas as duas. Banho juntas, gostoso demais, braços puxando para perto, bocas uma pela outra, não dava para soltar. Sofía a abraçou pelas costas, perdendo a boca pela nuca dela, a sentindo em si. Não parecia que ia passar. A necessidade da pele de uma estar na outra. Não parecia.


— A gente tem que estrear aquela banheira... — Sofía sussurrou.

— A gente vai. Agora vem ficar linda pra tomar café do meu lado?


Era assim que Angra lhe derretia.


Sofía não era dada a este tipo de derretimento, nem dada a se arrumar para alguém, mas então que de repente... Estava derretida e com vontade de ficar bonita pra ela e nada disso parecia fora do lugar. Ficou bonita, sabia, jeans curtinho, camiseta branca, kimono boho, numa paleta de cores douradas desta vez e quando olhou para o espelho, viu Angra refletida nele, já calçando seus tênis, também de jeans curtinho, body preto, cabelos mágicos, jogados de lado, a sensação que Sofía tinha é que eram mágicos mesmo, estavam sempre brilhando, nem sabia. Ela jogou os cabelos para trás, colocou um boné, óculos aviador e tudo que Sofía conseguia pensar, era no quanto combinava com aquela mulher ali...


Lá veio ela, lhe abraçando por trás, cheirando seu pescoço, muito apegada, como podia? Tanto apego assim? Suspirou, abraçando os braços dela em si.


— Você fica uma coisa linda do meu lado, sabia?


Sorriso de Sofía. Aquela conexão mental que só seguia.


Desceram juntas, tentando manter alguma distância uma da outra afinal não estavam tão longe de Brasília assim, Angra sabia que tinha que cuidar, sabia que precisava se preservar um pouco, Guilherme estava fora, numa viagem com amigos, não era como se pudesse encontrá-lo de repente, mas podia encontrar outras pessoas e não gostaria que... Ele passasse por algo assim. Por algum tipo de comentário.


Por outro lado, estar com Sofía sem tocá-la era quase uma tortura. Angra estava tão cheia de coisas por dentro que só queria deixar mostrar, deixar claro o quanto estava feliz, deixar claro que estava com aquela moça linda de kimono boho e óculos escuros, queria pegar a mão dela e caminhar até o café, naturalmente, deixando evidente que estavam juntas e que sua noite de amor havia durado o dia inteiro também. Mas não podia. Sabia que não. Apesar de achar que estava muito, mas muito na cara tudo o que estava acontecendo entre elas.


Não conseguia parar de olhar para Sofía. E nem de sorrir.


— Quer pegar uma mesa no sol? — Ela lhe perguntou depois que se serviram naquele delicioso buffet que tinham a disposição. Outro sorriso. Queria um solzinho sim.


Fizeram assim, pegaram sua mesa ao sol, o hotel estava mesmo lotado e parecia majoritariamente lotado de casais, o cerrado acenava ao redor, tinha sol, mas seguia friozinho e sentar lá fora foi uma absoluta delícia. E agora, era Sofía quem não conseguia parar de olhar para Angra do outro lado da mesa.


— Sabe uma coisa que não saía da minha cabeça? O quanto você fica linda no sol...

Mais um sorriso de Angra.

— E eu achando que você nem pensava em mim...

— Pensava e tenho como provar.

— Suas morning pages.

— Elas mesmas — Era comum tomar café, escrever suas mornings pages e ligar para Angra em seguida por vídeo. Neste horário, geralmente Frederíca ainda estava dormindo e elas conversavam um pouquinho e Angra sempre lhe perguntava sobre as páginas escritas e Sofía sempre lhe dizia que lhe explicaria a respeito pessoalmente — Eu as trouxe comigo.

— E me trouxe mais algumas informações também que eu sei. Disse que ia me contar pessoalmente sobre a sua carreira — A lembrou, enquanto adoçava seu café.

— Então, é que eu não queria te passar a mensagem errada à distância. Eu sei que a gente se conheceu num lugar paradisíaco, num ótimo hotel, mas a grande verdade é que até uns meses atrás, eu não poderia pagar por um hotel como aquele, e agora, nesse momento aqui...

Angra pegou a mão dela sobre a mesa.

— Você segue não precisando se preocupar com nada.

Sorriso de Sofía.

— Eu sei, você me deixou muito à vontade com tudo, mas desde o ano passado, finalmente, as coisas começaram a dar uma mudada pra mim. Eu vim de muitos fracassos, Angra, de vários empregos que não deram certo e quando eu conheci a Frederíca foi muito distinto. Ela se recusou a ir para a faculdade, não tinha nenhum plano de ensino superior, de nada. Ela tinha certeza de que ia dar certo escrevendo e ninguém acreditava nela; já em mim, todo mundo acreditava. Eu passei os quatro anos da faculdade como a promessa da turma, escrevendo os melhores textos, entregando as melhores matérias, passei quatro anos ouvindo o quanto eu era talentosa, o quanto daria certo e então eu me formo e... Nada acontece. Eu não consigo nenhum emprego decente, nada que possa ser rentável, eu me esforçava, trabalhava longe, trabalhava duro, voltava morrendo de medo pra casa e foi assim que a gente decidiu morar junto. Alugamos, eu nem vou chamar de apartamento — Abriu um sorriso lembrando — Era quarto-cozinha com banheiro bem pequeno em Botafogo, mas era difícil pagar, era duro viver com pouco...

— E a Frederíca nesta época?

— Obstinada, escrevendo sem parar. E no final daquele primeiro ano, a gente conseguiu lançar “La Graciosa”. Ela escreveu, depois de passear pela ilha de La Graciosa na Espanha milhares de vezes via Google Maps, eu sabia que ela trabalhava bem, nesta época ela era metalúrgica...

— Sério? — Perguntou sorrindo.

— Muito sério, trabalhava soldando coisas, criando peças e... Eram obras de arte. Essas soldagens que ela fazia, eu só nunca tinha visto os processos dela de perto, nem de soldagem e nem de escrita. Acreditei que ela seria grande quando vi. “La Graciosa” ficou pronto, fizemos a capa juntas, eu revisei, diagramei, colocamos na Amazon. Em uma semana, ela tinha milhares de leituras, várias unidades vendidas, começou a entrar algum dinheiro, num mês foi o que eu ganhava, no outro o dobro do que a gente ganhava juntas num mês e a Frederíca... Queria viajar — Abriu um sorriso.

— Foi quando vocês começaram a viajar.

— Ela queria conhecer La Graciosa de perto e eu comecei a tentar me encontrar em um trabalho que suportasse essas viagens. Kalinka acredita em mim mais do que eu mesma, sempre foi assim, ela não se conformava que eu não tivesse dado certo ainda...

— E eu sei que quando a gente sai da faculdade e as coisas começam a não acontecer, a última coisa que se quer ouvir é o quanto você é inteligente e talentosa, mas olha, você é extremamente inteligente mesmo, Sofía, inteligência... Multifacetada, você fala fluentemente quatro idiomas, estuda mais três, escreve em três línguas, está sempre lendo, sempre aprendendo, eu entendo a insistência da Kalinka.

— Ela não desistiu mesmo. O segundo livro veio...

— “Fer” — Que era nome de ilha, mas também era o apelido de Frederíca e a história a refletia demais.

— Que ela escreveu depois da nossa passagem por Galápagos e Frederíca decolou ainda mais, financeiramente e literalmente, podíamos ir cada vez mais longe, daí que... — Seus olhos encheram de uma emoção — Eu perdi minha mãe e perder minha mãe me fez perder o sentido de querer voltar para o Rio. Eu já tinha perdido meu pai, no ano seguinte foi a minha mãe e eu não tinha mais ninguém, eu falei pra você que o meu irmão...

— Você perdeu muito cedo também.

— Uma bala perdida. Meus pais fugiram do tráfico na Colômbia e o tráfico nos encontrou aqui de qualquer forma, não o colombiano, mas o carioca. Quando eu perdi a minha mãe, eu realmente não tinha mais ninguém. Então que Kalinka estava indo morar em Cartagena, tinha acabado de se casar e acho que ela não quis me deixar no Rio. Ela chamou a gente para passar um tempo em Cartagena, Frederíca se apaixonou pela cidade e me pediu em casamento. Então veio “Santorini” e você sabe o resto da história, ela lançou em espanhol também e começou a ganhar elevado a décima potência enquanto a minha carreira seguia dando errado. Porém em julho passado, as coisas começaram a mudar. Meu blog engrenou, eu comecei a ser chamada para escrever diários de viagem, fiz um curso de fotografia e tudo vem dando mais certo para mim desde então. Engrenei no roseiral também, fui contratada por um grupo forte de turismo colombiano para escrever sobre a Colômbia para brasileiros e desde lá então, as coisas andam dando certo.

E ela tinha saído do roseiral antes de viajar para a Ilha de Páscoa, Angra ainda queria entender o motivo. Mas não era o momento.

— Você está criando uma independência — Se limitou a dizer.

— Das duas, da Kalinka e da Frederíca. Isso... É muito importante pra mim, Angra.

— A sua independência, eu sei. Eu já tinha notado — Ela escreveu algo no celular e mostrou para Sofía — Eu ganho isto aqui. Tenho um negócio muito escalável, mas ainda estamos lutando por uma estabilização e desde você...

— O que tem eu?

— Lembra que você me falou da Estônia? Lá no nosso primeiro encontro?

— Sobre a Estônia ser o primeiro país digital do mundo?

— Isso. Você me falou a respeito de como isso funciona, falou que é possível ser residente digital na Estônia e que isso nos dá direitos a abrir um registro de empresa no país, o que facilita as transações no comércio europeu e...

— Dá todos os direitos permitidos a um residente no país.

Angra seguia sorrindo.

— Eu abri uma filial da empresa lá na Estônia e estão aparecendo algumas oportunidades... Eu trouxe pra você ver, vou te mostrar, estou muito confiante que essa porta vai me fazer dobrar este salário aqui, quem sabe triplicar e eu estou te contando isso para você nunca mais ousar dizer que você tem muita cultura inútil, você tem muita informação útil, isso sim...

— Eu não acredito que você foi atrás disso, Angra! — Não estava acreditando mesmo.

— É claro que eu fui. Eu tenho uma startup financeira, Sofía e quero crescer, quero ganhar melhor, quero... Comprar um carrão, sabe? De qualquer montadora italiana, você queria ir pra Nova York desde menina e eu quero um carrão desde pequena... — Ela lhe disse, fazendo Sofía rir demais.

— É tipo seu sonho?

— É tipo meu sonho. Quer ouvir outro sonho que eu tinha?

— Me conta.

— Quando eu era adolescente, devia ter uns quatorze, quinze anos, meus pais levaram meu irmão e eu para acampar, e o caminho todo, eu fiquei me imaginando tendo uma namorada... — Contou, com aquele sorriso lindo aberto — No carro, sabe? Durante a estrada, ouvindo as músicas que estavam tocando e pensando nisso. E eu lembro de querer protegê-la, não bastava só ter a namorada, eu tinha que poder protegê-la também. E sempre foi morena, assim como você... — Sofía estava derretendo — Era uma figura abstrata, mas tinha essas coisas. Eu lembrei disso quando te vi. Lá na fila do check-in. Daquele momento olhando pela janela e pensando nisso.

— Angra, você... — Sofía estava derretida com aquela história e aturdida com outra situação, Angra seguia lhe causando aquele tipo de confusão sentimental — Acabou de me contar quanto você ganha...


Ela gargalhou.


— Contei. Não quero que a gente tenha nenhum assunto que não pode ser tocado.

— Você ganha dois mil a mais do que eu.

— Por isso, eu pago o hotel. Você ouviu sobre o meu outro sonho? Sobre ter uma namorada?


Sofía olhou bem para ela. Os cabelos mais claros por causa do sol.


— Ouvi. Eu estou aqui. E, me sinto protegida.


A conversa seguiu. Cheia de mãos que se encontravam uma sobre a outra num momento e outro, de olhos que não se desgrudavam, de sorrisos que não se desfaziam, o cerrado as cercando, verde, orvalhado, as montanhas acenando à distância e o tempo, o tempo realmente passava diferente quando elas estavam juntas.


— Olá, tudo bem? — Uma moça sorridente se aproximou — Podem seguir à vontade, mas é apenas para avisar que vamos encerrar o café em 5 minutos, se ainda quiserem algo do menu, precisa ser agora — Ela se retirou sorrindo e as duas se olharam.

— A gente já pegou café duas vezes, Angra...

— É que o assunto não acaba, linda...


Era verdade, não acabava mesmo. Deram uma volta pelo hotel, uma olhada na piscina, muito agradável, com espreguiçadeiras, Sofía sugeriu que pegassem algum livro e descessem para ler. Angra checou em volta, estavam sozinhas e, a agarrou por trás, lhe cheirando o pescoço, dizendo que podiam fazer isso lá do quarto mesmo...


— Angra...


Angra a virou de frente e a beijou, lhe apertando pela cintura, deixando Sofía...


Seus seios enrijeceram. Outras partes suas nem comentaria.


— Isto está muito automático...

— Em mim também, você não faz ideia...


Na verdade, estava tão palpável que Sofía estava sentindo.


Voltaram para o quarto, esquecendo das questões de segurança e agarradas uma na outra, falando baixinho, os sorrisos que entregavam demais, os olhares nem precisava citar. Mas quando chegaram, o serviço de quarto ainda estava acontecendo. Deram bom dia e a camareira respondeu de volta, com um forte sotaque goiano:


— Já estou no finalzinho, está bem? Foram vocês que derrubaram água na cama ontem à noite? — Ela perguntou simpaticamente.

— Foi, nós... Estávamos meio desastradas ­— Era melhor do que dizer que tinham descontrolado de tesão e não conseguiram cuidar da cama, ou parar de fazer amor em virtude da condição inesperada de Sofía. Se existia um livro de ocorrências, elas já deveriam ter começado bem.


O serviço de quarto terminou e voltar para cama foi quase uma recorrência.


Foram para a cama, agarradas demais e Angra pegou o notebook, tinha separado um filme para que elas assistissem juntas, cortinas mais fechadas, e Sofía confessou que tinha trazido um presente para ela.


Aqueles olhos lindos deram uma brilhada diferente.


— Eu também te trouxe um presente. Aliás… Te comprei tem um tempo, só não sei ainda se… — Mais daquele sorriso lindo, que tinha ficado quase tímido naquele momento por algum motivo — Se vou te entregar.

— Como não sabe, Angra? É meu presente, tem que me entregar.

Outro sorriso lindo demais.

— Entrego, daqui a pouco — E ela colocou o filme no notebook e veio para a cama.


Para baixo das cobertas, para os braços de Sofía, onde estava quentinho, onde era tão confortável, Angra a agarrou um pouquinho e elas arrepiaram, estava muito automático mesmo, refletiu, abrindo outro sorriso e aquele sorriso excitava Sofía, excitava o arrepio, era gostoso para as duas e devia estar ali toda a mágica daquela atração, era irresistível por isso, porque havia dado match de cheiro, match de pele, de coração também.


Linda…

— Vamos ver o filme, meu amor.


Imagine Me and You, um clássico. Mas se Sofía não tivesse visto o nome antes, jamais saberia.


Se encaixaram uma na outra, facilmente, Angra lhe pegando entre os braços, lhe apertando, lhe cheirando para não perder o costume, Sofía entre as pernas dela, com a pele dela pelo seu corpo inteiro, lhe instigando, inebriando, esquentando demais, só de estarem perto uma da outra mudavam a temperatura, o ritmo dos batimentos. Ainda estavam ouvindo o filme, era inglês britânico, haviam comentado em algum momento e de repente, só estavam ouvindo mesmo, porque já estavam muito juntinhas, olhando uma para outra, conversando qualquer coisa, até olhavam um segundo e outro do filme, mas voltavam uma pra outra e de repente, é como se o filme tivesse simplesmente, desaparecido.

De repente, Sofía já estava sobre ela, subitamente aquelas mãos já estavam agarrando suas coxas e os olhos de Angra... Seus olhos derreteram ao verem Sofía se debruçando sobre o seu corpo, os cabelos escuros caindo sobre sua pele, se misturando com os cabelos avelã, aquele contraste, o quanto que combinavam e seus dedos que não podiam deixar de estar censurando aquele top, o sussurro não surpreendendo Sofía, porém lhe arrepiando de uma forma...


— Tira pra mim, bebê… — Angra lhe sussurrou.


E Sofía se deu conta de que talvez, nunca mais estivesse apta a não tirar a roupa para ela na vida.


Tirou o top e mais algumas barreiras entre elas também, estavam tão perto uma da outra, tão perto que se sentiam parte entre si, Sofía lhe despia o corpo e a alma ia junto, reivindicando mais, pedindo mais, o olho de Angra encontrando o de Sofía sempre, distante um tanto, ou perto demais a ponto de ver apenas a cor, a cor de Angra que não podia ser denominada, que era inconstante, parecia se moldar de acordo com o desejo dela, ou com o de Sofía.


Havia reações diversas, diferentes, os beijos fortes e delicados, aquelas mãos se explorando mutualmente, as roupas sendo atiradas pelo quarto, a velocidade com a qual Sofía conseguiu se livrar daquele body complexo, os cabelos de lado e um olhar que...


Era sexy demais. Enlouquecia Angra, enlouquecia.


Sofía lhe puxou de sob o lençol e aqueles dedos tatearam pela calcinha de Angra, já molhada, já grudada contra o seu sexo e Sofía podia sentir a excitação contra os seus dedos, tão forte que teve que sentir com a boca, a tocando com a língua consistentemente por cima do tecido, fazendo Angra estremecer em suas pulsações, a calcinha foi tirada num movimento só e muito tranquilamente, Sofía a puxou para a ponta da cama e lhe olhando muito nos olhos, jogou um travesseiro para o chão.


Ela iria ajoelhar e Angra se perderia de si.


Angra se agarrou na cama e Sofía ajoelhou entre as suas pernas, explorando seu corpo um pouquinho mais, apenas para sentir a umidade em seus dedos, para deixar sua mente vibrar de tesão porque aquela... Dela... Lhe deixava absolutamente louca. Mordeu a boca, a sentindo com um dedo, a penetrando só um pouquinho e as coxas de Angra estremeceram, se abriram mais, a mão de Sofía lhe caçando os seios, rígidos, excitados, a pele dela arrepiando e passava para Sofía, já não dava mais, a precisava em sua boca.


A segurou pelas coxas e a tocou assim, passando a língua pelo seu dedo que estava a penetrando, a sentindo mais, o gosto dela, o quanto estava excitada, o ponto de prazer encontrado pela sua língua e a reação gostosa daquele corpo lhe contando que devia mesmo ficar ali.


Ficou ali, a tocando, a sentindo, a prendendo contra a sua boca, a explorando com a sua língua amplamente, plenamente, o toque pelo sexo inteiro, pegando demais, num tesão intenso, um fogo, uma fome, Sofía estava adorando o jeito que Angra agarrava em sua mão, adorando a sensação de tê-la pulsando tanto na sua boca, ficando louca por Angra sempre buscar seus olhos, por ela estar adorando lhe assistir, a excitação nos olhos dela era uma coisa, contra a sua boca nem se fala...


Angra se agarrou pela cama e se agarrou em Sofía, a intimidade se digladiando contra a boca dela e Sofía sabia que também estava pulsando, que também estava derretendo junto com ela, gostoso como Angra estava gozando, estremecendo, fechando as coxas, reagindo forte, mas Sofía não a soltava, tinha um pouco mais para dar, um lugar a mais para leva-la, alongando a sensação, não deixando quebrar na metade, o gosto dela mudando, o corpo reagindo ainda mais forte e o gemido denso e alto deixando Sofía completamente fora de si.


Deixou Angra gozar, na sua língua, no seu toque, a segurando em si, até a última gota de prazer escorrer pela sua boca...


E Angra enlouqueceu.


Puxou Sofía para cima e já foi enfiando a mão pela calcinha dela, olhando aquela boca molhada e vermelha e beijando forte, beijando gostoso demais, com o tesão lhe mordendo a mente, lhe mastigando o corpo, como podia? Sentir tanto tesão assim, como podia? Angra não fazia ideia, só sabia que estava sentido e precisava de Sofía, a queria, imediatamente, sim. Ela pediu um segundo, lembrando que precisavam cuidar da cama, Sofía cuidou da cama, Angra cuidou de si.


Pegou Sofía para o seu colo novamente e sedutoramente, desceu os dedos pela sua calcinha, a alcançando na excitação, lhe olhando nos olhos, lhe beijando gostoso, deitando Sofía na cama muito suavemente enquanto aquele corpaço lhe fazia pressão, enquanto aqueles dedos lhe buscavam o ponto de prazer, os olhos dela queimando em Sofía demais, aquela boca ansiosa lhe tomando os seios, chupando daquele jeito que lhe enlouquecia, que ninguém mais já havia feito e, tão delicado quanto todo o resto, Angra lhe penetrou.


Fazendo o corpo de Sofía agarrar contra o dela, o toque lhe tomando, achando todos os caminhos, a mão de Sofía a puxando pela nuca, a apertando demais, seu corpo a querendo perto, a querendo em si, a pele quente, agora grudando mais, suada, evaporando uma na outra, a vontade, as vibrações, as pulsações…


Estava gozando.


— Angra...! — Gozou, com os dedos cravados nela de tão forte tinha sentido.

Shsssssss... — E Angra afundou o toque, alcançando mais, num movimento diferente, por dentro, causando outro tremor pelo corpo inteiro de Sofía que explodiu sensorialmente, algo por dentro e por fora, vibrando na sua pele, arrepiando, contraindo seus músculos, gozou, sim, gozou novamente, se esfregando contra o toque dela, agarrada nela, no corpo, no toque, gozou e Angra manteve o toque onde precisava, sabendo que Sofía estava acelerada e que precisava... De apego. Mais apego ainda. Beijou o pescoço de Sofía, o ombro, a mantendo muito em si — Aqui, minha linda, respira, eu quero te levar pra banheira...


E ela levou, do seu jeito, que nunca era simples, que nunca era de qualquer maneira. Disse pra Sofía ficar quietinha na cama, para fechar os olhos e relaxar e Sofía obedeceu, porque seu corpo estava tremulando ainda, sua pele estava sensível, aquele prazer duplo ainda estava vivo e ela não sabia... Se já tinha acontecido. De gozar duas vezes daquela forma, em um intervalo de segundos, achava que não e, Angra sequer sabia exatamente o que estava fazendo ainda.


O instinto é uma inteligência de grau primitivo — Disse, ainda de olhos fechados, uma música tocando enquanto os créditos do filme subiam.

— O quê, meu amor?


Sofía abriu os olhos, percebendo o que estava acontecendo ao seu redor. Angra enchendo a banheira, apenas de roupão, abrindo um vinho para elas, preparando uma tábua de frios, os cabelos soltos, naquele amassado sedutor pós-cama enquanto cuidava de ligar o celular a uma caixinha bluetooth com aquele sorriso lindo no rosto que deixava Sofía... Na sensação do irreal.


— O instinto é uma inteligência de grau primitivo, você tem instintos comigo...

— Quer dizer que eu estou fazendo certinho? — Ela abriu uma versão convencida daquele sorriso que deixava Sofía... Ela era tímida, mas tinha um ar convencido que Sofía adorava demais.

— Você me fez gozar duas vezes, agora, rapidinho.

— Você está me fazendo gozar em seguida desde o momento que me tocou, eu ainda nem me aproximei — A versão tímida do sorriso retornou para o rosto dela — Vem cá, meu amor...


E ela voltou para a cama e levou Sofía para a banheira.


Angra entrou na banheira e Sofía recostou-se nela, a sentindo muito em si, os braços lhe guardando, a boca dela em sua nuca, em seu ombro, as taças de vinho, a meia-luz e a luz natural indo embora lá fora, o sol estava se pondo novamente, a tábua de frios estava maravilhosa, o vinho também, e a boca de Angra...


Elas não conseguiam parar de beijar. Conversavam muito, mas beijavam sem parar, a todo momento, eram um match perfeito de bocas também, a boca mais carnuda de Sofía nos lábios desenhadinhos de Angra e aquele carinho ali, sempre presente, o apego uma na outra e aquela vontade que simplesmente...


Angra estava tão errada sobre achar que desejo sexual vertiginoso era algo de exclusividade masculina.


— Faz comigo como você faz com você mesma... — Sofía pediu, sentindo a mão dela pelo seu seio, pela sua intimidade, ainda recostada nela, de costas para ela e elas já estavam quentes, quentes demais.

— Vou fazer como eu faço comigo, pensando em você... — E Angra alcançou sua intimidade, movendo os dedos em movimentos circulares, delicados e, precisos, extremamente precisos...


As mãos de Sofía agarrando pela banheira, por Angra, a boca dela em seu pescoço, e seus quadris se empurrando para ela, sentindo a parte baixa da cintura dela grudada em si e Sofía queria senti-la assim, queria esfregar-se por ela, sentir a pele pegando na sua, colocaram a água da banheira para secar enquanto os dedos de Angra lhe tocavam assim, circularmente, sobre o seu ponto de prazer, sentindo o quanto Sofía estava excitada, o quanto estava rígida e pulsando contra os seus dedos... Achou, Angra sabia que tinha achado, aquele ponto de prazer vibrando de tesão. Sofía gemeu mais alto, moveu o corpo, Angra lhe manteve onde queria, a prendendo contra o seu corpo e seus dedos começaram a molhar diferente, mais tesão, mais frenesi, a mão de Angra na garganta de Sofía, a mantendo grudada em si e o jeito que Sofía gozou...


Terminou de joelhos, tendo que se apoiar com as mãos, com o corpo tremendo inteiro porque ela tinha feito de novo, o orgasmo múltiplo, que ia além de qualquer lugar onde Sofía já havia estado antes. Era oficial. E enquanto seu corpo ainda estava sensível assim, a única coisa que conseguia desejar era um gole de vinho e, Angra na sua boca novamente...


Já havia anoitecido quando pararam, já tinham perdido o horário do almoço novamente e estavam famintas, é claro que estavam famintas. Foram para o chuveiro, com sorrisos que não se guardavam nem por um segundo, Angra fez o pedido do jantar e enquanto esperavam chegar, Sofía foi buscar seu presente para ela.


Capa de couro, azul clarinho num tom que Angra adorava, um elástico que o mantinha fechado e uma declaração escondida, numa página lá do final:


“Pelo tempo compartido comigo, ainda quando eu sequer merecia sua atenção...”.


Angra leu e isso lhe causou outro sorriso lindo, olhos brilhando demais, uma felicidade que rendeu a Sofía um beijo muito apaixonado.


— Você sempre mereceu a minha atenção.

— Não, eu maltratei você um pouquinho — Respondeu, agarrada no pescoço dela — Mas você não desistiu.

— Nem nunca vou desistir. Entendeu, meu amor?


Sofía olhou bem nos olhos dela, na ponta dos pés, agarrada no pescoço dela.


— Eu acho que eu já entendi sim. É um planner, para você anotar seus dias, nunca mais esquecer de nada, taurinos dispersam com uma certa facilidade que eu sei.


Especialmente Angra, tinha plena consciência disso. Abriu outro sorriso.


— Vai me mostrar como usa?

— Mostro sim. Mas agora... — A beijou novamente — Meu presente, amor, vamos.


Ela abriu outro sorriso, apertando Sofía pela cintura.


— Faz um tempo que eu comprei…

— Um tempo quanto?

— Não sei, um tempo...

— Mais de um mês?


O sorriso de Angra entrega.


— Eu tenho o seu endereço na carteira, sabia?

— Você…? Angra! É sério?


Angra foi buscar a carteira, resgatando lá de dentro um papelzinho muito bem dobrado.


— Seu endereço, não é? Em Cartagena? Veio no último livro que eu comprei, guardei comigo porque era um endereço diferente, não do escritório brasileiro de sempre, daí guardei porque queria te mandar um presente qualquer dia, quem sabe?

— Então ia me enviar?

— Numa data simbólica para gente, tipo, dois meses de quando a gente se conheceu, algo assim, mas então a gente conversando você me disse que tinha alergia a alguns materiais...


E Sofía já estava tendo uma coisa de curiosidade!


— Angra, meu presente por favor, pode ser?


Outro olhar, outro sorriso. Angra abriu sua mochila e tirou de lá uma caixinha super delicada, de uma marca que Sofía conhecia muito bem. Abriu a caixinha e...


Abriu um sorriso enorme junto. Sorriso amplo, olhos brilhando e Sofía nem sabia dizer se não tinham cristalizado ao invés de apenas brilhado. Era uma pulseira, muito delicada, um fio trançado, um pingente maravilhoso, duplo, minimalista, simbólico: “amour”, repetida três vezes numa fonte cursiva, em lettering, que se uniam por pequenos corações se fechando em um círculo perfeito. Sofía sentiu seu coração disparando na garganta, tanto que demorou para reagir.


— Acho que comprei em março, linda, mas tanta coisa aconteceu que...

— Tem formato de aliança — Sofía a buscou com os olhos e Angra a encontrou.

Eu sei.


Sofía a puxou para perto e a beijou, a agarrando, a apertando contra o seu corpo, o coração disparado demais, a pulsação acelerada, Angra tinha acabado de lhe dar uma aliança, aquela mulher incrível tinha lhe comprado uma joia quando ainda sequer ensaiavam alguma coisa, quando mal tinham voltado a se falar, antes de Sofía ir para Rapa Nui com ela grudada na sua cabeça, em março, ela lhe comprara algo assim, enquanto elas duas eram apenas uma atração, um dengo, um apego em segredo até uma da outra e frases pela metade. Comprou a palavra “amor” três vezes unidas por corações numa joia linda. Sofía sentiu sua garganta fechando, mas tentou se acalmar. Não queria que Angra lhe achasse louca, mas é que... Ela tinha lhe comprado uma joia, uma pulseira, uma aliança. Antes de qualquer primeiro beijo.


“E eu começo a ter a absurda certeza que comecei a me apaixonar por ela enquanto escrevia os bilhetes de ‘Santorini’. Eu queria uma mulher assim. Dócil, delicada, sedutora com as coisas certas. Queria uma mulher que não deveria existir, por isso a escrita sobre. Angra me comprou algo lindo antes de qualquer namoro. É justo eu ter começado a me apaixonar por ela antes mesmo dela chegar até mim. Tento não parecer emotiva, não tenho certeza se consigo. A beijo outra vez, a cheiro, ela está a coisa mais gostosa depois do banho, entendo o que se passa, meu coração disparado está fechando a minha garganta...”.


— Gostou, linda? “Amour”, eu gosto desta palavra aqui porque é “amor” em francês, mas sonoramente, é muito parecida com “armor”, “armadura” em inglês, e vem nessa lettering delicada e... Eu achei parecida com você. O francês é refinado, a lettering é delicada, mas armadura remete a guerra e eu acho que você acaba esquecendo de vez em quando, o quanto você é guerreira, o quanto já combateu na vida... Está escrito amor também. Só pra lembrar — Abriu um sorriso, tinha ficado emotiva também.

— Coloca para mim — Sofía pediu, sentindo seus olhos cristalizando de verdade agora.

Angra sorriu, pegou a pulseira e Sofía estava tão sensível que o simples resvalar dos dedos dela lhe fizeram arrepiar outra vez. Pulseira colocada, um beijinho em seu punho.

— Pronto, meu amor.


Amor. Ela está me pegando, eu sei. Ela está me pegando e eu quero. Deve ser a coisa que mais quis em 28 anos, aquela mulher linda me cuidado daquela forma. Pedimos o jantar, sopa para nós duas, ficamos juntas, não demora, a sopa chega, está deliciosa, não consigo parar de sorrir. Tem algo passando na tevê, não faço ideia do que seja, só a vejo, só sinto o meu presente em mim o tempo todo e, ela me olha sorrindo e me diz que talvez, apenas talvez, ela precise de um hambúrguer…


Essa é a minha garota. Pedimos o hambúrguer, esperamos chegar, sob o nosso lençol quentinho, no nosso namoro infinito, me acalmei, estou no colo dela e quando invertemos e é ela quem vem para o meu colo, encaixamos de uma maneira gostosa demais. Hambúrguer chega, vou pegar para ela na porta, fico imaginando o pessoal da cozinha recebendo um pedido de sopa e então de um hambúrguer do mesmo quarto, coisas do nosso quarto, eles não fazem ideia de toda a originalidade de Angra Fernandes. Não consigo parar de olhar para ela. De adorar cada coisinha que vem dela. Vamos no banheiro novamente, a olho do meu lado no espelho, tan guapa, tão minha. Ela volta pra cama, fico um pouco mais. Toco o pingente. Queima nos meus dedos, e no meu coração...”.


Angra respirou fundo enquanto a esperava na cama. Era a segunda noite, mas ainda parecia a primeira, tudo parecia inédito, ou irreal, nem sabia. Lá veio a causa da irrealidade, Sofía voltando pra cama, se esgueirando por baixo do cobertor, toda geladinha contra a pele mais aquecida de Angra, uma delícia. Havia uma coisa por dentro das duas, uma coisa mais forte, mais intensa, era quase como se pudessem tocar. Ela veio e Angra a guardou nos braços, a cheirando em seguida e pensou novamente naquela viagem que fez com os pais, de quando foram acampar. Pensou naquela namorada que imaginou, que desejou ter, lembrou que seguiu pensando nela na hora de dormir, imaginando que cheiro ela teria se estivesse dormindo em seu peito naquela barraca...


Podia estar completamente louca, mas tinha quase certeza de que aquela sua fantasia de namorada, teria o cheiro de Sofía.

Notas da Autora:


Olá, menin@s!


Capítulo postado com muita obstinação e respeito a vocês :). Vocês devem ter acompanhado pelo Instagram o quanto esses dias foram corridos, mas valeram a pena demais. Quero aproveitar para dizer que a 2ª edição de "Havana" ficou tão bonita que me fez chorar quando vi! Tanto os kits, como os livros single já começaram a ser despachados e eu não vejo a hora de vocês receberem esses mimos que ficaram uma coisa de delicados e dos quais eu ando morrendo de orgulho!


Agora falando de Angra um pouquinho, capítulo-romance, para aquecer o coração mais um pouquinho e nos dar pé de onde bate o romance dessas duas. Próximo capítulo, "Morning Pages", a ser postado na próxima terça com aquela regrinha que vocês estão tirando de letra: 50 comentários, vamos lá?


E pessoas, temos um grupo muito amorzinho no Whats’App, para quem quiser conversar sobre as histórias assinadas por Tessa Reis, quem tiver interesse, basta clicar aqui:


Grupo Whats'App: https://bityli.com/LetqE


Abraços!



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