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HICKEY 4


Capa Hickey
Hickey



Afago


Retornaram para onde estavam antes. Mais meia hora não era um problema. Nina estava nervosa, fisicamente machucada, sentindo o braço; tinha batido a cabeça quando apagou. Pararam numa farmácia e Reira cuidou dela enquanto voltavam, em silêncio, mas parecia uma evolução. Chegaram e lá estava o Jaguar. Era diferente do carro de Reira, mas era da mesma linha; elas tinham gostos parecidos. Inclusive, Zoe estava achando Bryce muito parecida consigo mesma: a mesma beleza latina, mas algo urbano e ancestral ao mesmo tempo. Elas já tinham se interessado pela mesma garota alguma vez na vida? Perguntou isso para Reira enquanto desciam do carro e Nina já estava indo em direção ao seu Jaguar.


Reira apenas olhou de lado.


— Umas CINQUENTA VEZES. E as garotas se interessavam por nós duas. Eu te vi olhando para as tatuagens dela, guapa — Disse, de um jeito que fez Zoe rir. Rir e a abraçar pelas costas, mesmo contra a vontade dela.

— Eu não olhei, não.

— Olhou sim, Zoe Garbiñe, eu vi!

— Eu amo a minha gueixa sem tatuagem nenhuma, amo que ela seja bem assim — Beijou a nuca dela, fazendo-a sorrir um pouquinho — Você avisou para a Bryce que estamos indo, sexy?

— A Nina não quis avisar.

— Já é tarde, a garota vai levar um susto.

— Mas vai ser um susto bom. O apartamento tem espaço para todas nós. Só temos que parar no hotel, pegar algumas coisas. Não tem problema mesmo, wifey?

— Nenhum problema.


Zoe notou que Reira queria estar perto de Nina. E isso era bom.


Nina disse que conseguia dirigir, mas não lembrava o endereço. Zoe deixou que Reira fosse com ela na frente, endereço no GPS, alguma interação novamente.


— Você está sangrando ainda — Estava transpassando o terninho Dolce & Gabbana.

— Acho que... É que caí na semana passada. Surfando. Caí num coral.

— Tira o blazer, me deixa ver melhor.


Ela tirou o blazer, ficando apenas de camisete por baixo, e de fato, o braço esquerdo estava inteiro ralado, e a nova queda havia aberto algumas dessas raladuras. Reira cuidou disso da maneira que foi possível e então chegaram até o hotel. Zoe subiu e desceu com uma mala com coisas delas rapidamente, e foram para o prédio onde ficava o apartamento em East Melbourne. Haviam ficado ali quando vieram a Melbourne há um ano mais ou menos, durante a turnê de Tachi K. pelas gravadoras.


Era uma cobertura muito confortável, com dois quartos, sala e cozinha integradas, um escritório e imensas janelas de vidro para todos os lados. Reira era fascinada por nuvens, de fato. Estacionaram e então subiram, Zoe agarradinha em Reira porque o dia havia sido longo, e ela sempre ficava mais apegada em dias longos. Só queria chegar, agarrar sua noiva, dormir sentindo o cheirinho dela, a pele dela na sua, era mais do que relaxante. Cruzaram com alguém no elevador; a moça olhou confusa, principalmente para Reira.


— É você que ficava no apartamento ao lado do meu, não é?

— Isso, Reira Kato.


Outro olhar confuso e nenhuma outra palavra até o último andar. Só tinham dois apartamentos no último andar. A moça saiu do elevador, foi para um lado e elas foram para o outro.


— Ela deve achar que o Kai é seu — Nina esclareceu.

— Ahhh...


Zoe olhou de lado.


— Outro filho, Reira Kato?

— Mas não é meu não, é da Nina.

— É, ele... é meio meu.

— Meio seu...? — Aquela história não parava de ficar estranha.

— É, é que... — Nina respirou fundo, ela estava claramente nervosa agora, por algum motivo — Quando ele nasceu, só estávamos nós duas aqui, era pandemia e os Kato ficaram presos em Tóquio por um tempo.

— Nina, ela... afastou vocês dois ou...? — Reira perguntou.

— Não, ela só... não queria me ver. Mas me deixava ver o Kai, posso buscá-lo na escola às terças e quintas. E depois... devolvo para... algum lugar onde ela esteja. Sem que ela me veja.


Zoe olhou de lado.


— O que você fez de tão grave assim, Nina James?

— É que... — Ela respirou fundo — É complicado. Sora engravidou e, bem, foi muita coisa ao mesmo tempo, é difícil de explicar.

— Sora engravidou...? — Ela falava como se tivesse sido um acidente. E então começou a estalar os dedos, igualzinho a... Reira.


E Zoe nem quis aprofundar, porque parecia complexo mesmo de se explicar. Entendeu também por que Nina não quis avisar que estavam vindo. Bryce podia simplesmente não abrir a porta para ela, seja lá o que tivesse acontecido. Chegaram na porta, Zoe tocou a campainha, as duas James praticamente escondidas atrás de si, chegava novamente a ser engraçado. Três toques e ela atendeu:


De calça moletom e top esportivo, toda de preto, o cabelo preso no alto, as tatuagens pelos braços, costelas, peito, os pés descalços, e levou dois segundos para Zoe reconhecer aquela marca. Era Fell el impacto, a FEIM, a marca de roupas de La Sabre, que haviam lançado há seis meses. E aquele look combinava muito mais com ela do que o vestidinho de mais cedo.


Oww! — Foi a reação de Bryce.

— Isso é FEIM?

— É, é que... — Ela entrou rapidamente, deixando a porta aberta, desaparecendo para o quarto — Eu modelo para essa marca, o meu contrato... Tenho um contrato com a Los Ángeles Urban e... — Ela voltou, já usando uma camiseta muscle por cima, não ficou nem um por cento menos atraente, como era possível? — É um contrato... Como é mesmo, Reira?

Interdisciplinar. Ela é modelo também — Reira entrou, puxando Nina pela mão.

— Reira é muito gentil em não me deixar desempregada. Eu-eu não fazia ideia de que estavam vindo, achei que uma amiga tivesse esquecido algo.

— E ia receber a amiga assim...? — Era Nina. Reira apenas a olhou feio.

— Ela é ciumenta, ignore. Bryce, a gente pode ficar aqui?

— Ah, claro que sim! A casa é literalmente sua. Seu quarto segue sempre pronto, Kai e eu utilizamos o quarto de hóspedes.

— Posso conhecer o seu menino? — Zoe perguntou.

— Você quer conhecer o Kai? Sim, claro que pode — Por que ficava nervosa com Zoe Garbiñe? Era algo de se compreender, mas devia ter a ver com estar morando no apartamento da noiva dela sem ela saber — Ele está dormindo, mas vamos lá — Trocou um olhar rápido com Nina e seguiu com Zoe para o quarto de hóspedes.


Zoe queria conhecer o menino, mas também queria falar a sós com Bryce.


E o garoto era... a cara de Reira.


— Mas como...? — Abriu um sorriso — Ele é lindo, Bryce!

— Ele é, não é? — Abriu um sorriso para ela também.

— E parece muito com... a Reira. Como...?

— Ah, Reira e Gael são primos, o DNA é bem forte.

— E parece com a Nina também...

— Eu também acho que parece — Outro sorriso — Nós duas somos latinas, deve ser isso.

— Pode ser isso mesmo — Recostou-se na parede — Bryce, as duas esquisitas não quiseram avisar que estávamos vindo. Tem algum motivo para isso ou...?

— Ah, Zoe, é que... Nina e eu não estávamos necessariamente nos falando há algum tempo, deve ser isso.

— Mas você quer estar perto dela, não quer?


Ela fez um carinho em Kai, pensando um pouco.


Eu sempre quero estar perto dela. Ela está muito frágil agora, ela... não conseguiu entrar na casa delas ontem. Imaginei que seria difícil conseguir hoje.

— Foi isso que aconteceu. E a Reira quis vir pra cá. Estamos num hotel, mas ela preferiu estar aqui. Acho que ela sabe que a Nina precisa estar em segurança. Ela e o Kai são apegados?

— Muito. Desde o nascimento.

— Então, pode ser que ela precise estar aqui por um tempo. Essa ideia é confortável para você?

— A casa é dela também, Zoe. O senhor James comprou para as duas, mas a Nina não aceita nada que venha dele. Bem, quase nada. Ela aceitou o Jaguar.

— A Reira também. Mas você não me respondeu se fica à vontade com ela por perto.


Bryce a olhou nos olhos.


Eu sempre quero estar perto dela — Sorriu — Respondi sim.


Sorriso de Zoe. Ela tinha razão.


— Escuta, Zoe, posso fazer algo para vocês? Um chá com biscoitos. Fiz biscoitos essa semana, estão ótimos.

— Ah, claro que sim. Acho que todas precisamos de um banho e um chá antes de dormir, seria ótimo.


Fizeram assim. Todas para um banho, para trocar de roupa, tirar do corpo todo o resquício do dia pesado que haviam tido e, Nina precisou de ajuda. Bryce bateu na porta de Reira.


— Ela está machucada e não me deixa ajudar.


Reira foi ajudar. E, em descrições simples, parecia que Nina tinha brigado com um tigre e havia perdido. O braço estava muito arranhado, mas as costas tinham lugares ainda em carne viva. E não, não era um acidente comum, ao menos.


— Nina, o que você fez? De verdade?


Os olhos dela se encheram.


— Eu... tive uma crise. No mar. Não lembro de muita coisa.


Silêncio. E Reira deu a volta, a ajudou a colocar uma camiseta, e então, olhou no fundo dos olhos dela:


— Isso foi proposital?


Nenhuma resposta, apenas os lábios se apertando e, isso também era uma resposta. E Reira ficou nervosa.


— Nunca mais faça isso.

— Reira...

— Promete pra mim que nunca mais vai fazer isso, Nina. Promete pelo Kai, e pela sua filha que está no hospital e ainda não fomos ver. Promete.


Ela lagrimou.


— Eu... farei o meu melhor.

— Tem que ser mais do que isso, o seu melhor não anda sendo muita coisa. Está como eu, antes da Zoe.


Ela respirou fundo, concordando sem dizer nada.


— Agora vamos, tem algo cheirando bem, não tem? Bryce deve estar preparando algo.


Havia os biscoitos e um bolo de frigideira que ela fez em literalmente meia hora. Vieram para a mesa-bancada na cozinha, as luzes estavam parcialmente desligadas e leds lilases se acendiam por baixo da bancada, criando uma sensação de conforto. O céu de Melbourne seguia fechado, podia ver um relâmpago e outro cortando as nuvens, vez ou outra. E os olhares de Bryce e Nina se cruzaram imediatamente, era como uma conexão magnética que não podia ser desfeita.


Bryce veio para perto dela.


— Você quer torta de maçã?

— Você... fez?

— Fiz, desenvolvi uma receita que é bem rapidinha. Você jantou? — Perguntou, já servindo para ela, Nina de cabelos molhados, inteira num moletom FEIM.

— Sim, o James levou a gente para jantar e...


Elas entravam num mundo particular delas, semelhante à Reira e Zoe. Mas foram trazidas de volta e apenas umas perguntas depois...


— Espera, espera aí: você estava numa entrevista de emprego do quê? — Reira perguntou para Bryce.

— De ajudante de cozinha, num shopping perto da minha faculdade.


Reira ergueu a mão, pedindo um segundo, e se voltou para Nina.


— Nina, o que aconteceu com o contrato da Bryce?

— Te mandei um e-mail, que você provavelmente não leu, falando sobre isso. Eu não podia tentar resolver sem começar a Terceira Guerra Mundial.

— Além de modelo, você é...? — Zoe estava curiosa.

— Ela é uma rapper — Reira respondeu e sabia que Zoe ia ficar surpresa.

— Uma... rapper? Tipo... Eminem?


Bryce riu um pouco. Nina riu.


— É, quero dizer...

— Essa bonequinha é uma rapper? Essa Polly Pocket? Essa Barbizinha tatuada?

— Ei! — Agora, Bryce riu de verdade.

— Ela é, juro pra você que é, e é uma das melhores que já ouvi. Amanhã ela mostra pra você como é boa. Você precisa fazer uma audição com a Zoe, Bryce, ela é tipo uma fada-madrinha das cantoras, acho que funciona com rappers também — Reira explicou.

— Sei bem quem ela é, você fez Cali Ikes. E Emília. E as espanholas do Chilli Sí — Era o grupo da Los Ángeles que havia estourado recentemente.

— Zoe fez todas essas e me fez também, fez La Sabre estourar pra valer. Mas o que aconteceu com o seu contrato nesses últimos meses?

— Então, Sora quis manter as coisas de maneira... impessoal — Bryce explicou.

— Impessoal? E congelou o seu contrato?

— Isso.

— Quis manter impessoal e levou para o lado pessoal o profissional, mas tudo bem. Achei que algo assim pudesse estar acontecendo, já que, bem, você não tinha ideia exatamente de onde iria morar depois que separou do G. Ok, vamos resolver — Reira tomou outro gole grande do seu chá — Isso está muito bom, é o quê?

— Limão e morango, algumas especiarias.

— Você é boa nisso, mas é um crime se trancafiar na cozinha com tudo o que você sabe fazer num palco. Bryce, você... você está indo ver o bebê?

— Sim, estou sim.

— Eu quero vê-la pela manhã. Nós... — Olhou para Nina — Vamos vê-la pela manhã. Ela é saudável?

— É saudável sim — Bryce abriu um sorriso, como quem lembra de algo muito bom — É um bebê grande para oito meses, talvez o parto se adiantasse de qualquer forma, ela estava pronta para nascer. Ela... se parece com você — Disse e sorriu de novo.

— Uma terceira filha, Reira é boa nisso — Zoe disse, sorrindo.

— Ah, vocês têm uma menina, não é, que é a cara dela?

— Eu tenho sim, se chama Tini — Como toda mãe decente, Zoe pegou o celular e abriu em fotos de Tini, mostrou para Bryce — Ela é da Cali, na verdade. Não divulgamos isso para manter a vida dela longe de curiosos. Pouca gente sabe que a Cali foi mãe antes de partir, então decidimos só manter assim.

— É a minha filha — Reira apontou, abrindo um sorriso — Nina, é a minha filha, olha — Abriu o seu próprio celular, buscou fotos e mostrou para sua irmã.


Nina a olhou surpresa. Uma boa surpresa, uma ótima surpresa, ficou nos olhos dela. Olhou as fotos.


— Mas ela é a sua cara mesmo!

— Ela é, não é? E gosta de música, gosta de piano, está aprendendo a tocar.

— Ela é linda, Reira — Nina seguia olhando fotos de Tini.

— Você vai gostar dela pessoalmente também, é linda, inteligente, gentil.


Um olhar surgiu ali.


— Pessoalmente...?

— Vamos nos casar em dois meses, vocês estão convidadas. Voltando ao bebê, ela tem previsão de saída, Bryce?

— Eu perguntei sobre isso. Como ela é prematura, é recomendado que ela fique mais uns dias no hospital, para checar se tudo está bem mesmo e tem uma coisa...

— Uma coisa? — Reira perguntou.

— Ela... tem uma marca de nascença. Acho que a Sora tinha uma marca assim.

— Na coxa, é uma marca assim?

— É, mas... é no meio do rosto.


Nina a olhou, imediatamente preocupada.


— No rosto? Eu não sabia que... — Já tinham falado sobre isso ou...? Sua mente estava tão confusa.

— É, pega o meio da testa, desce por uma parte do nariz. É bem escura, ela é muito clarinha, é algo que... aparece. A pediatra disse que me explica melhor quando... quando a mãe estiver presente — Olhou para Nina, ela respirou fundo só de ouvir aquela frase — Mas deixou claro que é apenas estético, não tem nada mais grave sobre. Ela... — Voltou a sorrir — Tem um cabelo lindo, muito escuro e tem muito cabelo para um bebezinho. Ela é calma e dorme bastante. Não abriu os olhos ainda, mas a médica disse que cada bebê tem o seu tempo.


Reira respirou fundo, mas foi sorrindo.


— E alguém mais está indo vê-la?

— Os avós foram. Gael também. Mas eles ficaram impressionados com... a marca. É algo que não deveria estar no rosto de um bebê, mas depois a gente se acostuma. Kai disse que ela é como um bebê-panda e que pandas são os mais lindos da Terra.


Nina chorou de novo, virou o rosto, mas as lágrimas vieram.


— Ele... ele pôde vê-la? — Nina perguntou.

— Me deram permissão, eles interagiram, ela segurou a mãozinha dele. Ele disse que ela é linda — Os olhos de Bryce se encheram também — Amanhã, precisamos levar... — Ela respirou longamente, se recompondo — Um polvo.

— Como...? — Zoe sorriu.

— É um polvo de crochê, ajuda os bebezinhos a não se sentirem sozinhos nas incubadoras. É algo brasileiro, pedi para fazerem um, fica pronto amanhã.


Reira olhou para ela.


— Obrigada, Bryce. Por tudo isso.


Não demoraram para irem dormir. Reira estava muito cansada, Zoe também estava, e o quarto era gostoso e confortável, bem como Zoe se lembrava. Deitaram-se de conchinha e pouco antes de pegarem no sono...


Guapa...

— O que foi, sexy?

— Dorme nua em mim? É que me relaxa.


Zoe riu. Aquela era a mulher com quem ia se casar. E nada podia ser mais perfeito.


 

Haviam decidido que Nina dormiria na sala.


Não era nada desconfortável, era até o contrário disso, na verdade: a sala tinha um sofá enorme, que expandia, sempre cheio de almofadas, mantas e afins. Nina já tinha dormido ali algumas vezes; era como dormir numa nuvem. Inclusive, essa sensação era amplificada quando se abriam os olhos e se viam as nuvens do lado de fora. A sensação não podia ser melhor. Mas o caso era que...


Não conseguia dormir. Deitou-se, ajustou-se inteira, mas não conseguia dormir. Suas costas ainda doíam muito; seu corpo, na verdade, ainda estava doendo muito. Fazia quase duas semanas desde o incidente no mar e ainda doía como no dia seguinte. Tinha se assustado muito. E quando lembrava do que havia acontecido, ainda sentia o ardume da água salgada no nariz. Não sabia exatamente o que tinha acontecido; sua mente devia ter bloqueado parte de suas memórias. Ainda estava tentando entender aquela situação e agora... estava numa situação nova. Chorou novamente ao pensar em Sora. Ao pensar em si mesma. Ao pensar no bebê que tinha uma marca, e não estava falando da tal marca estética.


Como seriam as coisas? Como... ia cuidar de um bebê? Chorou um pouco mais, foi até a cozinha, encontrou o resto do chá e colocou para esquentar. Tomou uma xícara fumegante sentada no sofá, olhando as nuvens no céu. Com os joelhos contra o abdômen, os lábios pressionados, os olhos bateram no celular que acendeu. Tinha quatro mensagens de Sal na tela. Eram mensagens gentis, perguntando apenas como Nina estava, mas não conseguia responder. Nem a ela, nem a ninguém. Tinha muitas mensagens; Sora e Nina tinham muitos conhecidos, poucos amigos, mas muitos conhecidos, e Nina era muito grata a todas as mensagens, mas não se sentia capaz de responder nenhuma delas ainda.


“Não precisa responder, vou fazer uma nota para você amanhã”, Reira havia dito. Era bom que ela tivesse vindo. Era bom que... tivesse ido para o apartamento em East Melbourne. Ah, não iria conseguir dormir mesmo. Levantou, andou pelo apartamento um pouco, correu os olhos pelos livros na estante da sala, ligou a TV, mexeu no celular. Não foi uma boa ideia. Olhou suas últimas fotos com Sora. Como algo assim podia ter acontecido? Perder alguém era assim? Causava essa dissociação da realidade? Iria melhorar? E não sabia muito bem como havia sido, mas quando deu por si, estava na porta do quarto de Bryce.


Então, voltou para si mesma. Sua mente andava assim, tendo esses pequenos apagões. Tinha acontecido no mar e agora novamente, e quando percebeu, apenas recuou da entrada, mas...


— Nina? — Bryce tinha acordado.

— Eu só... Não sei, ando tendo alguns apagões. Não queria te acordar. Acho que... vim aqui para ver o Kai.


Bryce a olhava. Estendeu a mão para ela.


— Venha ver ele aqui.


Nina respirou fundo e se aproximou, vindo para perto. Se abaixou perto da cama, olhando para o menino que dormia tão tranquilamente. Os cabelos mais compridos. Ele andava querendo o mesmo cabelo que o pai. Explicaram que demoraria para crescer. Ele disse que não tinha problema, queria mesmo assim.


— Vem pra cama, Reira me disse que você está muito machucada. Aconteceu alguma coisa mais séria?


Nina respirou fundo e se sentou na cama, pegando Kai no colo, com cuidado para que ele não acordasse. Só precisava abraçá-lo um pouquinho.


— Eu... estava surfando há duas semanas e caí num coral.

— E está muito machucada ainda?

— Foi meio... feio — Tinha sido resgatada, inclusive. Salva-vidas, helicóptero, serviço de emergência, tudo isso tinha acontecido. Havia sido levada para o mesmo hospital onde Sora havia sido levada. As coisas realmente não pareciam de verdade.

— Posso ver?


Nina a olhou nos olhos. E seus olhos se encheram. Deus, nem fazia ideia de que podia chorar tanto assim. Não fazia ideia de que podia sentir tanto assim e não conseguiu segurar. Simplesmente não conseguiu.


— Ok, deita aqui, abraça o Kai, vamos.


Nina se deitou, abraçando Kai contra o seu peito, tentando se controlar para não acordar seu menino. Bryce deitou por trás dela, a abraçando contra o seu corpo. Só o toque dela, só aquela proximidade...


Era um afago em cima dos machucados. Fazia Nina se derreter num apego que ela nem conseguia explicar, era o efeito que Bryce causava em si.


— Bryce...

— Estou aqui com você — Disse, encaixando o queixo no ombro dela, a mantendo contra o seu corpo — Nada disso deveria ter acontecido, mas estou aqui com você. Você acha que consegue dormir?

— Eu não sei se... É que a Reira...


Bryce entendia o que ela estava tentando explicar.


— A gente pode dormir no sofá, o que você acha?


Nina achava que assim poderia dormir.


Foram para o sofá-nuvem, elas duas e Kai, que não acordou em momento algum. Ele era um bebê muito bonzinho no que tocava a dormir. Deitaram-se no sofá, Nina puxou Kai para muito pertinho dela e deitou-se no peito de Bryce.


E como era bom, como era simplesmente bom estar perto dela daquela forma.


— Você... vai comigo ao hospital amanhã?

— Claro que sim.


E com Kai em seus braços e deitada no peito dela, Nina finalmente conseguiu dormir.


Foi a cena que Zoe viu assim que acordou. As duas no sofá, Kai entre elas, e estavam de mãos dadas. De dedos dados, numa posição que parecia inesperadamente confortável para elas. Então, Bryce acordou. Se moveu devagar, saindo do sofá sem acordar os dois.


— Ela... não conseguia dormir.

— Você não precisa me explicar nada, mesmo.


Ela respirou fundo.


— Eu... vou fazer o café da manhã.


E fez um café de hotel cinco estrelas. Sucos deliciosos, café muito saboroso, pão que ela mesma havia feito, só precisava assar, biscoitos, muitas frutas e Kai era uma graça acordado. Atento, gentil, cheio de sorrisos. Ficou feliz de ver que tinha visitas e ainda mais feliz ao ver que uma das visitas era Nina!


— É... — Ele mordeu um pedacinho de maçã que estava sobrando no balcão da cozinha, enquanto conversava com Zoe — Duas mamães.

— Hum, você tem duas mães?

— E um papai! Um bebê, eu... — Outro pedacinho de maçã, enquanto ele explicava do jeitinho que conseguia — Da Bryce, é a minha mamãe, e da Nina, duas mamães! — Ele contou, todo orgulhoso, com o sorriso aberto, os olhinhos brilhando. Zoe sorriu, inevitavelmente, ele era um gatinho mesmo!

— Entendi, você é um bebê da Nina também. Mas agora tem mais um bebê, não é?


Ele ficou feliz.

 

— Mais um bebê! — E correu para Bryce, pedindo colo para ela — Quando vem mais um bebê, mamãe?


Bryce trocou um olhar com Nina, que estava entrando na cozinha.


— Em breve, filho. Agora, vai lá com a Nina, vamos.


Ele foi sem nem pensar duas vezes. Kai tomou café no colo dela, muito falante, contando muitas coisas. Ele gostava de conversar, era extrovertido, uma graça. Contou, inclusive, de um encontro que haviam tido numa cafeteria. E perguntou da moça que estava com Nina, que deu cookies para ele. Reira olhou para ela, Nina olhou para Bryce, não falaram sobre isso. E a campainha tocou.


— Vamos, Kai, Mansi veio te buscar para a escola.


E ele correu para pegar suas coisas enquanto Bryce foi abrir a porta. Lá estava Mansi, cabelo escuro, curto, pouco abaixo dos ombros, extremamente bem-vestida, uma moça alta, atraente, bonita demais.


— Tudo bem?


Bryce a beijou rapidinho.


— Tudo bem. Você quer entrar?


Ela deu uma olhadinha para dentro e acenou, esboçando um sorriso.


— Tem uma Kato na sua cozinha ou é impressão minha?

— É, a Kato que é dona deste apartamento.

— A irmã da Nina?

— Ela mesma.


Mansi discretamente olhou novamente.


— Vai ser estranho, melhor em outro momento. Nina está aqui também?

— Sim, ela... É que...

— Você e Sora eram sócias em Nina James.

— Como...?

— Ela mesma me disse isso, lembra? Ela veio devolver o Kai há uns três meses e perguntou se você estaria na cidade naquele final de semana, porque ela iria viajar e sempre que ela ficava fora, quem cuidava da Nina era você. Mesmo à distância. Sora não está mais aqui, Bryce. Tenho certeza de que ela não esperava nada diferente de você.


Os olhos de Bryce cristalizaram.


— Isso tudo é tão esquisito. Nada ainda parece... real.

— Bem, é real. E há um bebezinho que não tem nada a ver com essa tragédia, precisando de atenção. Escuta, precisa que eu busque o Kai também?

— Não, acho que já vou estar livre, provavelmente.

— Se não estiver, basta me ligar. Da mesma maneira que você e Sora eram sócias em Nina James, Nina James e eu somos sócias em você. Eu estava ciente e quis continuar — Disse, fazendo Bryce sorrir um pouquinho — Qualquer coisa, me liga — Outro beijinho e Kai chegou, já pronto para ir. Mansi o pegou no colo e partiu.


O beijo ardeu nos olhos de Nina como se fosse pimenta.


— Nina? — Reira a chamou. Ela fechou os olhos.

— Eu... estou com dor de cabeça.


Sabia bem o que estava doendo nela.


Mas tinham muito a fazer naquela manhã. Se arrumaram, Nina toda de preto, calça de alfaiataria, blusa sem alças, terninho por cima, Dolce & Gabbana outra vez, e Reira apareceu inteira de branco, minissaia, blazer, toda de Gucci. As duas de salto, bonitas demais. E Bryce surgiu, toda de FEIM, jeans, camiseta, jaqueta por cima, inteira de preto. Zoe havia entendido desde o primeiro contato o motivo dela ter sido escolhida como modelo para a marca: a FEIM havia sido pensada para vestir garotas como ela. Então, Zoe inteira de Calvin Klein, e elas foram para o hospital. Era o primeiro compromisso do dia. Pararam rapidinho para pegar o tal polvo de crochê, uma graça, e então, hospital.


Nina ficou nervosa, claramente nervosa. Entraram no hospital e foram para o balcão de atendimento, mas ela se afastou imediatamente. Foi se sentar do outro lado, escondendo o rosto nas mãos, apoiando os cotovelos nas coxas.


— Eu disse que ela não estava feliz com esse bebê — Reira disse de repente.

— Ela não estava...? Não tem como ter sido sem querer, Reira — Bryce contestou — O Kai foi sem querer, mas no caso delas...

— Tem alguma coisa a mais.

— O que pode ter, além disso? — Zoe perguntou, era mesmo confuso pensar nisso.

— Eu não sei, mas tem alguma coisa. Bryce, vai lá você, fala com ela.


Bryce foi até ela. Se aproximou e, tal qual o momento em que haviam recebido a notícia do acidente de Sora, se abaixou à frente dela, delicadamente a fazendo olhar nos olhos.


Invasão, invadido, dominante e vulnerável.


— O que está errado, Nina?


Ela respirou muito fundo, tentando se acalmar. Tentando pensar em como podia explicar algo que... nem sabia por onde começar.


— Bryce, é que...

— Fala pra mim o que é. Não importa o que seja. Eu não posso ajudar muito se você não falar comigo.


Outra respiração profunda e... só decidiu falar.


— O bebê... não foi planejado.


Como...? Bryce ficou confusa. Era o que Reira estava querendo dizer, mas não fazia o menor sentido.


— Como não foi planejado? Como não se planeja algo assim, Nina?


Ela apertou os lábios, respirando fundo.


— Sora só... engravidou. Surgiu com essa ideia. Como se o bebê pudesse consertar nós duas — Disse e perdeu outra lágrima.


E Bryce não soube o que dizer muito bem. Pensou, tentando ajustar as peças que tinha.


— Você quer dizer que... ela só surgiu grávida?


Mais lágrimas. Ela não foi capaz de responder.


— Nina, Nina, olha aqui pra mim: — Segurou o rosto dela, trazendo aqueles olhos invasores para dentro dos seus — Você não estava de acordo?

— Eu... não fui necessariamente consultada.

— Mas... — Bryce respirou fundo, tentando conectar aquelas ideias — Eu via vocês duas. Vocês pareciam felizes. Você parecia feliz.

— Como eu deveria parecer, Bryce? Minha esposa estava grávida, eu tinha que parecer feliz, essas coisas não acontecem por acidente — Mais lágrimas, e Bryce a abraçou delicadamente, colocou-a em seu ombro, deixou que ela chorasse um pouquinho.


Sua mente ainda conectando os pontos, pensando mil pensamentos por segundo, o bebê havia parado Nina. A gravidez tinha a impedido de prosseguir com o divórcio. Mas achou que tinha sido uma decisão conjunta, não unilateral, porém, agora, tinham um bebê. Que precisava de uma mãe. Mansi tinha razão, aquele bebezinho era o mais importante naquele momento.


— Nina?

— O quê?

— Você não acreditou, em nenhum momento, que esse bebê podia sim resolver as coisas entre vocês duas?


Ela parou um instante, refletindo sobre aquela pergunta. Saiu do abraço de Bryce, respirou fundo e tentou conter o choro.


— Acho que... em alguns momentos, eu acreditei sim. Especialmente na última noite com a Sora. Naquela noite, eu... eu realmente acreditei nisso.

— Nina, você entende que isso ainda pode acontecer agora? Essa criança ainda pode ser a melhor parte de você e da Sora, o melhor do relacionamento de vocês. Você sempre quis ser mãe, não quis?

— Eu não sou boa nisso, Bryce.

— Como não? Você é ótima para o Kai. Ele conta para cada pessoa possível o quanto ama ser seu filho.

— E ele provavelmente só está lindo e saudável porque você é a mãe titular.


Bryce riu um pouquinho.


— Estou aqui, não estou?


Nina a olhou e a abraçou de novo, muito forte, sem querer soltá-la nem um pouco.


— Está tudo bem, ok? Você pode me explicar tudo com mais calma depois, mas, por agora, vamos ver o bebê?


Nina respirou fundo e concordou.


Ela se recompôs por um instante, limpou o rosto, parou de chorar. Voltaram até Zoe e Reira, foram até a recepção, receberam crachás e foram em frente. Não era o mesmo hospital para onde Sora havia sido levada; o bebê tinha sido transferido naquela manhã e agora estava numa maternidade, onde receberia tratamento mais específico. Foram encaminhadas para um corredor longo e, ao final dele, chegaram a um enorme painel de vidro cheio de recém-nascidos. E Nina voltou a chorar.


— Você é a mãe? — A enfermeira perguntou sorrindo.

— Eu... acho que sim.

— Quero avisar que você tem uma forte concorrência para o cargo — Ela disse, já passando os aventais que elas deveriam vestir.

— Ah, eu tenho?

— Tem. Ela adora essa moça aqui — Disse, referindo-se à Bryce.


Nina olhou para ela. Houve um pequeno lampejo de luz naquele olhar. O quão errado podia ser aquele sentimento?


— Duas de cada vez, ok?

— Ah, sim, nós esperamos — Reira respondeu sorrindo. Estava empolgada para conhecer a sua sobrinha!


E assim, Bryce e Nina entraram juntas. Pareceu uma vida toda, mas foram apenas alguns metros, poucos passos. Nina foi se aproximando, um passo de cada vez e, de dentro de uma caixinha de acrílico, lá estava um bebezinho pequenino, de cabelos escuros, com o rostinho virado para o outro lado.


— Ela...?

— Espera um pouquinho, você pode tirar pra gente? — Bryce pediu.

— Sim, claro que sim — A enfermeira a tirou daquela caixinha, como se fosse... um presente. Foi assim que Nina sentiu e, quando a viu de frente...


Seu coração veio na garganta. Ou na palma da mão. Não conseguiu identificar para onde ele havia escapado, só sabia que se moveu de lugar. A enfermeira passou a bebê para os braços de Bryce, os únicos braços fora a equipe do hospital que ela conhecia, e a marca realmente existia, estava em boa parte da testa, descendo por sobre o nariz um pouquinho. Uma marca escura que se destacava na pele dela. Não dava para não ver, mas aquela marca não interferia na beleza dela, ah, de jeito nenhum interferia. A enfermeira indicou uma poltrona para Bryce se sentar com ela. Bryce ajustou a bebê melhor no seu braço, e Nina se abaixou à frente delas, vendo-a de pertinho pela primeira vez.


E aqueles olhos se encheram de uma emoção diferente. Algo que brilhava.


— Ela... ela é linda, Bryce!

— Ela é, não é? — Bryce abriu um sorriso, os olhos brilhando também — Ela... ela ainda está sem nome, mas estava muito estranho ter um bebê assim. Então, provisoriamente, estou a chamando de... Miso.


Os olhos de Nina se encheram mais.


— Miso? Japonês?

— Japonês, como a Sora queria. Miso quer dizer “sorriso” e, espera, olha pra ela, vai fazer de novo — Ela estava acordando nos braços de Bryce e sorriu — É por causa disso aqui! Ela faz isso o tempo todo!

— Mas... é comum? Quero dizer, bebês fazem isso?

— Geralmente não tão cedo. Os médicos dizem que não é um sorriso de verdade, mas a gente não tem que acreditar neles. É um sorriso, não é, Miso? Você gosta de sorrir, não é? — Mais daquele sorriso que queriam convencer Bryce de que não era um sorriso — Você quer segurar?

— Eu-eu... não sei se ainda sei.


Bryce se levantou.


— Senta, vamos, é claro que você sabe, foi mãe não faz três anos — Disse, fazendo-a rir um pouco.

Nina se sentou e Bryce colocou o bebê nos braços dela.


Algo percorreu o seu coração fora do lugar, um misto de coisas: medo, arrependimento, apego, amor, esperança, recusa, aceitação, amor, esperança. Nina perdeu outra lágrima, olhando para aquela criatura tão pequena e, então, subitamente, aquele lindo bebê...


Abriu os olhos.


Owww, isso é novo! — Bryce abriu um sorriso enorme — Olha esses olhos!


Os olhos eram lindos, escuros, duas jabuticabas boiando em duas piscinas arredondadas. Ela olhou para Nina com curiosidade e não chorou. Ela raramente chorava. Parecia uma criaturinha muito bem treinada para não chorar. O core era japonês e bebês japoneses não são bem-vistos se choram. Aquela pequenina parecia saber disso muito bem, de alguma forma, alguma maneira.


— Oi, Miso — Nina falou com ela — Eu sou a Nina.


Ela abriu o tal falso sorriso outra vez. E por aquele segundo, algo no mundo pareceu ter algum sentido para Nina James.


 

Notas da Autora: Tessa Reis


Depois de 3 capítulos tão tensos, acho que chegou o momento de ter algum afago ❤️‍🩹. Um capítulo pra gente respirar um pouquinho e finalmente, ver novamente, Nina e Bryce juntas, na mesma cena. Agora que finalmente fechamos (ao menos parcialmente) o assunto Sora Kato, é hora de lidar com a bagunça e as respostas não dadas por ela e os efeitos colaterais. que a partida dela, deixou na vida das pessoas próximas a ela.


Então, pessoas que estão lendo ao vivo com a gente: agora temos um bebezinho novo em cena e seguimos tendo mais perguntas do que respostas? Outra coisa, como anda o sentimento de vocês a respeito de Nina James?

 

Nos vemos no próximo!


Voltamos 06/06/2024! 😌














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4 Comments


Rakel Martins
Rakel Martins
Jul 09

Eu ainda não consegui não gostar da Nina. Deve ter explicação para ela, estou esperando essas explicações, haha.

E amo que haja crianças fofas. Apaixonada por todas.

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sylber1011
sylber1011
Jun 08

To gostando

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Uau! Tenso! Caramba esse novelo de lã é grande... Tessa. please desenrola esses fios...Bom tu perguntou da Nina, mas estou bastante interessada na vida da Bryce que vem comendo o pão que o diabo amassou. kkkk😉

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Tessa Reis
Tessa Reis
Jun 06
Replying to

Eu sempre vou lembrar com carinho do comentário da beta que disse que a vida difícil era a da Bryce, que teve que passar ANOS vendo a esposa dela casada com outra hahaha. Pode deixar que iremos saber tudo da Bryce tbem muito em breve 😌

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