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HICKEY 5


Capa Hickey
Hickey





Launch Code


Nina teve um longo momento com aquela criaturinha nos seus braços e, com Bryce ao seu lado.


Ela havia sentado no braço da poltrona, porque queria olhar para aquela coisinha linda de olhos abertos. Era como se ela tivesse esperado por Nina! Como se quisesse ver a mãe primeiro, e isso parecia mesmo um presente. Colocaram o polvo de crochê pertinho dela; era amarelo, tinha uma carinha feliz e Miso se agarrou nele de imediato. Os tentáculos por cima dela, os dedinhos agarrados e aquele bebezinho pareceu mesmo relaxar um tanto mais.


— O polvo traz uma sensação de conforto e companhia, os tentáculos lembram o cordão umbilical e a malha macia é como o útero da mãe — Bryce explicou, enquanto tocava os cabelos de Miso, sorrindo sem conseguir parar.


Nina olhou para ela, os olhos brilhando.


— Quem poderia dizer que você se tornaria uma mãe tão boa.

— A irresponsável que você conheceu! — Mais sorrisos.

— Essa! Como isso pode não ser um sorriso? — Sorriu para o bebê de novo, porque Miso havia encontrado Bryce com os olhos e aquele sorriso apenas surgiu novamente. O sorriso que não era um sorriso, mas que estava ali, era real, ninguém podia tirar delas ou dizer que era só um reflexo.

— Médicos não entendem nada — Bryce disse, fazendo Nina sorrir de novo.


Os olhos cheios, a atenção toda no bebezinho, em cada detalhe dela. Ela parecia com Sora. Ou com Reira. Reira era uma cópia da mãe, que era uma cópia da irmã mais velha, que era a mãe de Sora. Ali estava, uma Kato com toda certeza, com toda a beleza e, com aquela manchinha no rosto.


— Eu posso tocar? — Nina perguntou para a enfermeira.

— Pode, é uma marca como qualquer outra, mas no rostinho.


Tocou, delicadamente, apenas com as pontas dos dedos porque ela era tão pequenina e podia ser sensível. Sua esposa tinha a mesma mancha na coxa, onde Nina tocava sempre, porque a pele era mais sensível e Sora amava receber carinho ali. Tocou em Miso e ela sorriu de novo, e Nina sorriu de novo, mesmo com os olhos cheios. Há quanto tempo não sorria desse jeito? Não um sorriso com outras intenções, ou um sorriso que escondia emoções; um sorriso sincero, que só tinha o objetivo de ser um sorriso mesmo.


— Moça, você tem certeza de que minha irmã não pode entrar?

— Quer que sua irmã entre?

— Mas sem a Bryce sair. O bebê pode... pode fazer alguma coisa e...


A enfermeira sorriu.


— Ok — Ela foi lá fora e, quando retornou, trouxe Zoe e Reira com ela.

— Reira, olha o bebê — Ela disse, sorrindo de novo, e Reira estava...


Uma pocinha derretida olhando para aquela criaturinha.


— Ela é linda, Nina, linda! — Se abaixou à frente dela, fazendo um carinho de leve nos cabelos de Miso.

— Parece com você, não parece?

— Acho que parece! Parece... uma Kato.

— Isso que eu quis dizer. Quer segurar?

— Ah, não, não, não! — Respondeu, olhos brilhando, sorriso nervoso — Segura você, está indo bem nisso.

— Zoe?

— Não! Você segura, não sei como... Como que segura?

— Mas vocês têm uma criança! — Bryce estava rindo demais.

— Ah, mas ela chegou pra gente já andando. Você segurava a Tini desse tamanho, guapa?

— Eu? Não, Juli segurava. Barbie também. Não tenho experiência com... humanos tão pequenos. Qual o nome dela, Nina? — Zoe tocou aquela mãozinha minúscula. Ela estava toda agarradinha no polvo amarelo, uma graça.


Daí, Nina olhou para Bryce e respondeu:


— É Miso. Miso James Kato.


E, sem sequer perceber, Bryce recostou o rosto e cheirou os cabelos de Nina. Foi doce. O gesto de Bryce; e Nina ter aceitado o nome que ela havia escolhido para aquele bebezinho. Era apenas doce, como balas de açúcar que as duas adoravam.


Zoe olhou para aquela fotografia. Tinha tantas perguntas.


Depois do momento com Miso, que não pôde se estender porque, afinal, estavam em modo invasão naquele berçário, elas tiveram um momento com a pediatra. Zoe não entrou, estava com algumas ligações para retornar, mas Reira foi acompanhar Nina, que não deixou Bryce ir para outro lugar. Era ela quem estava falando com os médicos aquele tempo todo.


— Você tem certeza de que era mesmo oito meses de gestação? — A médica perguntava — Sora fez o pré-natal em outro hospital, ainda não consegui acesso aos documentos, mas Miso parece ter mais de oito meses, daria, no mínimo, oito meses e duas semanas para ela.


Nina sabia muito bem que eram oito meses e três semanas.


— Eu... não tenho certeza exatamente.

— Bem, vamos saber em breve, quando recebermos o prontuário completo. Dito isso, ela é muito saudável, nasceu com um ótimo peso, tem respondido como esperamos. Se alimenta bem, dorme muito bem, raramente chora, parece... estar sempre tranquila — Sorriso da médica — Eu estava a acompanhando no outro hospital, isso é algo que tem impressionado, o quanto ela é calma.

Sorriso de Nina. Não havia puxado à mãe biológica com toda certeza. Mas Nina havia sido um bebê tranquilo, sua mãe vivia dizendo isso.

— E a marca no rosto? — Foi Reira quem perguntou.

— É uma marca de nascença, Bryce me disse que a mãe biológica tinha uma marca igual, mas na coxa, e tal marca nunca causou nenhum contratempo, não? É o mesmo tipo de marca, porém, é no rosto. Vai crescer conforme ela cresce.

— Quer dizer que vai ficar maior? — Nina perguntou.

— Vai, e por isso, recomendo a remoção enquanto Miso ainda é pequena. Quero dizer, é para fins estéticos apenas. A decisão de remover ou não, ficará a seu cargo, Nina, mas eu recomendaria. Ela vai crescer, a marca também. Terá que ir para a escola, e a escola pode ser um lugar muito maldoso para uma menina que tem algo diferente bem no meio do rosto.


Silêncio, um pouco de apreensão. Nina agarrou a mão de Bryce sem sequer se dar conta.


— É uma cirurgia simples, não tem riscos? — Era Bryce, mantendo a mão dela na sua discretamente.

— Toda cirurgia tem riscos, ainda mais quando se trata de crianças tão pequenas, sem histórico de coisas que dão errado. Todo cuidado possível será tomado, vários exames são feitos, mas sempre existe um fator de risco, mesmo que seja muito baixo. De qualquer forma, vocês terão, ao menos, uns seis meses para pensar a respeito, fazer perguntas, trazê-la aqui. Vamos checar com todo cuidado possível o desenvolvimento dela durante esses meses.


Nina trocou um olhar com Bryce e então, outro com Reira.


— E quando ela vai poder ir para casa? — Reira quis saber.


A médica sorriu.


— Do jeito que ela está indo bem, em uma semana no máximo.


Uma semana. E Nina Alvarez teria um bebê em casa.


Saíram do consultório e Nina teve uma crise extrema de choro. Não, aquela era a maior, já tinha tido muitas crises desesperadoras nos últimos dias, mas Bryce achava que nenhuma como aquela. Não conseguiram sair do estacionamento, ela estava muito nervosa, muito desesperada. E sim, algo estava terrivelmente errado, Reira só sabia que estava, e sim, elas tinham tarefas muito importantes para resolver, inclusive registrar aquele bebê ainda sem nome. E quando disse isso, Nina apenas olhou para Bryce, em pânico.


E só queria correr para ela, só queria ficar nos braços dela, só queria se sentir segura, mas já não podia antes, o que diria de agora, e Reira só...


— Nina, Nina, olha pra mim, olha aqui pra mim — A segurou pelos braços, a fazendo olhar nos seus olhos — Se você não me disser o que está acontecendo, eu não consigo proteger você, não consigo te ajudar. Estou aqui só para isso, entendeu?

— Reira, só um minuto, espera um pouco — Bryce tirou Nina das mãos dela, suavemente — Posso falar com ela dois minutinhos?


Reira respirou fundo.


— Ok.


Bryce a tirou de lado, segurando-a pela mão, foram até um canto do estacionamento. E Nina esperou ser interrogada, mas...


— O seu corpo dói?

— Como...? — Perguntou, os olhos bem perdidos. Já tinha ouvido aquilo antes.

— O seu corpo não está doendo? Por causa da queda e das crises de choro?

— Eu... acho que sim.

— Fecha os olhos, vem aqui um pouco.


Nina fechou os olhos e Bryce a puxou, fazendo-a recostar a testa no seu ombro enquanto, suavemente, desceu os dedos pela nuca dela, por cima dos nervos, fazendo todo o caminho nervoso até começar a sentir uns pontos de tensão se soltando. Era por conta dos seus dedos, mas principalmente, pela sua presença, apenas sabia. Bryce podia não ter muitas respostas, mas dúvida sobre o seu efeito sobre Nina não era uma delas. E Reira só...


Estava precisando de algo assim.


— Vem aqui, sexy, calma — Zoe a puxou, dando-lhe algo melhor, beijando-a um pouquinho, mantendo sua noiva em seus domínios — Não fique impaciente com ela.

— Estou tentando não ficar, mas preciso entender o que está acontecendo aqui. Ela surtou porque tem que levar a criança para casa, guapa.

— Eu surtaria também, não julgo.

— Zoe!

— MAS eu sei o que você está dizendo.

— Ela vai ter que falar. E para isso, a gente vai ter que se separar. Wifey, leva a Bryce para os escritórios, coloca ela num estúdio, deixe com que ela faça uma audição para você. A Bryce tem 27 anos, não quero que a tempestividade dela passe sem que ela tenha uma chance real. Ela já deve ter perdido, ao menos, duas chances de fazer algo na música por causa da Nina, não quero que ela perca mais nada. Escuta a música dela, se você sentir que ela pode estar num palco, que tem bagagem para um álbum, ela entra em estúdio imediatamente.

— Ela é quatro anos mais nova que vocês?

— Quatro anos mais nova e há quatro anos, ela estava pronta. Mas ninguém sabia. Então, houve a gravidez. E depois, Sora estava a mantendo congelada por puro ciúme.


Zoe deu uma olhadinha naquela massagem que prosseguia no estacionamento.


— Eu não a culpo. Ok! E você vai fazer o quê?

— Vou pra casa com a Nina e nós vamos conversar.

— E vocês não são muito boas nisso...

— Vamos mesmo assim. Sempre foi assim. E ela sempre me conta tudo. Meu amor, você fica com o motorista?

— Fico, não se preocupe com isso.


Nina já estava mais calma quando retornaram. Mas só durou até perceber que Reira estava assumindo a direção do Jaguar e Zoe e Bryce estavam entrando no carro com o motorista que havia acabado de chegar.


— Nós...?

— Vamos para casa. Para sua casa. A gente tem que conversar, Nina.


 

E Bryce estava um pouquinho nervosa desde quando percebeu para onde estavam indo.


— Você gosta das instalações daqui? — Perguntou para Zoe, para tentar se manter mentalmente ocupada.

— Eu adoro! Tem uma vista linda para o... Como chama aquele bairro mesmo?

— É o CBD, central business district.

— Você tem um sotaque diferente. Você é de onde, Bryce?

— Então, eu sou havaiana, mas brasileira também.

Oww, mesmo? É sul-americana, como eu.

— Como você — Sorriu — Sempre quis conhecer a Colômbia, mas não tive oportunidade ainda. Zoe, nós estamos indo para o escritório por algum motivo específico ou...?

— Estamos. Eu quero ouvir você.

— Como... uma audição?


Zoe sorriu.


— Como uma audição.

— Uma audição para Zoe Garbiñe?!


Outro sorriso de Zoe.


— Assim, vou me sentir importante.

— Você é, tipo... todo mundo que você toca se torna relevante. Eu só... É que tanta coisa aconteceu nos últimos dias...

— Interrompendo a sua faculdade e suas entrevistas de emprego para restaurantes. Você tem uma cozinha que gosta mais? Está estudando Gastronomia, não é?

— É, eu... estou. Gosto de cozinha natural, leve, nutritiva. Gosto da dieta polinésia, é o que costumo cozinhar para mim mesma, algo parecido com a cozinha do Pacífico, que também é bem presente na Colômbia. Salada, frutos-do-mar, bastante frutas.

— O seu corpo diz isso, sabia? Comentei com a Reira, um corpo construído com alimentação verde e movimentos naturais.

— É, é... bem isso.

— Me fala sobre a sua relação com a música, como começou? — Zoe queria que ela relaxasse, Bryce estava visivelmente ansiosa.

— Ah, eu sempre toquei instrumentos, desde pequena, bateria, flauta, violão. Comecei a cantar brincando também, a música sempre foi parte das minhas brincadeiras preferidas.


Mais meia hora e estavam nas instalações da Los Ángeles Urban, no CBD de Melbourne. Ficava em um prédio comercial, que não era apenas da Los Ángeles, mas eram deles os seis últimos andares, e a vista era, simplesmente, deslumbrante. Tinham uma cópia do estúdio em Bogotá ali: era o mesmo ambiente descontraído, com dois arcades para jogos, mesas de air hockey, sofás, puffs e com uma suave diferença que Zoe adorou:


Tinha um palco no meio da sala. Pequeno, um metro de altura, uns três metros quadrados, cercado pelos sofás, mas um palco.


— Nina gosta de palcos. Acha que tudo fica mais realístico em cima de um palco.

— E ela tem razão — Zoe concordou, fazendo uma anotação — Quero um palco assim em Bogotá também. Então, pronta?

— Eu... vamos para o estúdio ou...?

— Não, eu quero ver você aqui, no palco — Se sentou confortavelmente no sofá.


Bryce apertou os lábios.


— Ok, é que...

— Há quanto tempo você não sobe num palco?

— Provavelmente, quatro anos.


Aquilo intrigou Zoe.


— A última vez que você esteve num palco foi...?

— Hum, numa casa noturna em Brisbane — Virou de costas para Zoe e se despiu da jaqueta, tirando a camiseta logo em seguida. Bryce estava usando um top FEIM por baixo. Então, vestiu a jaqueta de volta, foi até a moça que estava as acompanhando, falou alguma coisa, pegou um microfone — Você quer ouvir um cover ou...?

— Algo seu. Reira me disse que você é compositora também.

— Fiz algo para o álbum dela — Abriu um sorriso, havia sido seu último trabalho com música: duas canções para o Estilazo Sessions.

— Espera, qual é o seu nome artístico?

— É Runa.

Oww, você escreveu I Don’t Wanna Feel!

— Escrevi, isso — Sorriso quase tímido.


E Zoe gostava dela cada vez mais.


Palco, Runa!


Ela sorriu. E subiu no palco.


— Senhorita? — Era a assistente.

— Sim?

— É como um launch code — Como um “código de lançamento” — Se pede para essa garota subir num palco, ela simplesmente só... decola.


Zoe cruzou os olhos dela e abriu um sorriso.


— Estou prestes a ver algo muito bom?


A moça sorriu também.


— Uma força da natureza. Um meteoro ou algo assim.


Bryce ficou de costas para Zoe, ajustou a jaqueta preta outra vez, curtinha, deixando ver parte das tatuagens pela lateral do abdômen dela. Notou que ela tinha uma oração do lado esquerdo, Ho'oponopono, uma técnica havaiana antiga, que invoca a paz interior, o amor, o perdão, a gratidão. Aquela garota já tinha passado por muita coisa, dava para dizer também só de olhar para ela. Ela soltou os cabelos, colocou o in-ear no ouvido, chamou a assistente de volta e falou com ela mais uma vez. Luzes apagadas, apenas a claridade que vinha das enormes paredes de vidro, e então, o spot se acendeu em cima dela. Zoe sorriu, os acordes de guitarra dramáticos do começo de "I Don’t Wanna Feel", quase um country, adorava aqueles acordes iniciais. Mas ao invés do eletrônico, o que seguiu foram versos que não estavam na gravação de Reira e cantados.


Bryce se virou de frente, o microfone no pedestal, e ela já era outra. Ah, não era Bryce de jeito nenhum, era Runa, e a diferença era clara, mais do que evidente.


Havia uma artista confiante em cima daquele palco, sem nem sombra da garota nervosa que havia vindo no carro com Zoe. E ela começou a cantar, uma voz doce, extremamente afinada, gostosa demais para ouvir. Aguda, naquele limite entre ser afinada ou estridente, o tipo de voz que precisa ser conhecida, treinada, estudada. E ela tinha tudo isso.


I have been having bad days and wasted nights… I've been alone here, sometimes I cry… This puzzle of life makes sense and then doesn't… "Long time no see," it’s my conscience talking to me… — Eu tenho tido dias ruins e noites desperdiçadas… Eu tenho estado sozinha aqui, às vezes eu choro… Esse quebra-cabeça da vida faz sentido e então não faz... “Quanto tempo não te vejo”, é a minha consciência falando comigo...


E então, da suavidade dos versos, de repente, surgiu uma rapper.


A música encorpava, as batidas intensificavam, ela tirou o microfone do pedestal e veio para frente do palco, movendo-se intensamente, um corpo vibrante, cheio de atitude, que sentia cada palavra dita naquele rap denso e furioso, com muitas palavras ditas por segundo, num ritmo incrível, insano, em total flow.


— And all this time I was running without being able to see! The fire in the eyes, the ice in my heart, and I can almost hear her cry! The panicked mind, the lost feelings, and the tragedy I am about to experience! It’s devastation, extermination of dreams I don’t want for me! — E todo este tempo tenho corrido sem conseguir enxergar! O fogo nos olhos, o gelo no meu coração, e eu quase posso ouvi-la gritar! A mente em pânico, os sentimentos perdidos e a tragédia que estou prestes a enfrentar! É a devastação, a exterminação dos sonhos que não quero para mim! E ela prosseguiu, firme, crua, olhando diretamente nos olhos da sua audiência, os movimentos firmes, o corpo delicado se movendo vorazmente — Chamadas longas, chamadas perdidas, um monte de coisas que talvez nunca me será permitido encontrar! Ela não olha para mim, ela não quer ver a bala que o cérebro dela clama para devorar...


Era como um soco no estômago. Zoe ficou sem ar. E aquela rapper furiosa, de repente, derretia num refrão super afinado:


— Oh oh oh... I don't wanna break inside, so I hide until I die, all these feelings crawling inside... Oh oh oh I don't wanna feel the pain, of having something I could never use, this burns the vibe of my soul... So I don’t wanna feel… So I don’t feel…


Eu não quero quebrar por dentro, então esconderei até morrer todos esses sentimentos rastejando por dentro... Eu não quero sentir a dor de ter algo que nunca vou poder usar, isso queima o fogo da minha alma... Então, eu não quero sentir. Então, eu não quero cair...


Zoe conhecia as pontes e o refrão daquela música, mas o rap, Reira havia retirado na gravação oficial. Ela finalizou, dando uma olhadinha para Zoe e se quebrou de Runa, o sorriso que se abriu foi inteiramente de Bryce. E quando Zoe ia aplaudir...


— Espera, espera um pouquinho. Posso cantar uma segunda música?

— Claro! O que você quer cantar?


Ela deu uma olhadinha para a assistente.


"Nothing Tastes Better Than You" — E imediatamente, a base começou a tocar e assim, Zoe não estava pronta para o que veio.


Sim, Reira havia escrito e produzido a música mais cheia de tesão do mundo. E ela dançava durante aquela música, uma coreografia específica, provavelmente de Nina, porque o jeito que Runa cantou e dançou a música...


Aham, launch code totalmente acionado.


Zoe teve ataques de histeria. Teve sessões de gay panic, houve gritaria, dela e da assistente, quando Bryce tirou a jaqueta, enquanto, cheia de atitude e marra, deslizava por aquela coreografia suave, gostosa, sedutora demais. Cheia de movimentos de quadris, perfeitamente feita para olhos femininos, para atrair garotas, como podia? E ela entregava vocal, e entregava rap, entregava apelo, atitude, UMA COISA! Quando ela terminou, Zoe estava CHOCADA, de coração disparado, toda perdida. E Bryce estava tendo uma crise de riso no palco. Era isso que queria causar, queria mostrar seu rap, mas queria mostrar que podia, sim, ser magnética num palco. Entregou magnetismo. E tesão, sua outra especialidade.


— O QUE VOCÊ FEZ AQUI?! Girl crush, as garotas devem enlouquecer por você em cima de um palco! Eu mesma estou louca aqui! — Estava de pé, andando de um lado a outro, pensando em tudo o que poderia fazer com aquela bomba de tesão que havia acabado de performar bem ali na sua frente — Você é como a Reira!

— Tem gritaria com ela no palco — Bryce desceu, sorrindo muito — Fazia tanto tempo que eu não dançava!

— Isso é sério? Sem dançar, sem cantar todo esse tempo?

— Em casa, eu danço e canto, mas assim, num palco, com alguém importante assistindo... — Vestiu a jaqueta de volta — Fazia muito tempo mesmo.

— Você tem esse it girl look, mas não é uma it girl, tem algo refrescante em você, algo saudável, praiano, tem atitude, o boyfriend style que as garotas adoram. Ok, eu tenho tantas perguntas! Tem barista aqui? — Perguntou para a assistente — É que preciso de um café, preciso comer alguma coisa.


A assistente estava rindo demais. O estúdio também tinha uma cafeteria, tal como em Bogotá.


— Eu sou a barista também, senhorita Nuñes, vamos ver o menu, por favor.


A assistente/barista preparou um pequeno brunch para elas, com ótimo café, sanduíches deliciosos, omelete, frutas, e Zoe ainda estava... chocada.


— Ok, por que Reira retirou o rap de I Don’t Wanna Feel?

— Porque ela disse ser muito pessoal.

— E por que você não cantou com ela? Porque assim, Reira não consegue dizer tantas palavras por segundo, ela sabe das limitações dela — Zoe disse, fazendo Bryce rir. Estava tão feliz de ter conseguido se apresentar!

— Ela queria gravar comigo, mas a Sora disse que... a tempestividade estava apertada, que não teria como.

— Sei que a tempestividade estava apertada. Então, você dança também?

— Aprendi com a Nina. Ela acrescentou isso no meu currículo durante a pandemia. Estávamos em casa, com um bebê pequeno, sem poder sair. Ela descobriu que eu podia dançar nesse período.


Zoe olhou bem para ela.


— Preciso entender algumas coisas, Bryce. Nós temos, de fato, uma política anticorrupção muito forte dentro da Los Ángeles. Você é próxima de uma das herdeiras da empresa e preciso entender o tamanho desta proximidade.

— Você quer saber da minha história com a Nina.

— Eu quero, do começo. Para entender quem vocês são, onde estamos agora. Tudo está muito confuso para mim e você é muito boa, Bryce, mesmo, de verdade, já estou com a minha mente cheia de ideias para você. Mas primeiro, preciso te conhecer, preciso... saber quem você é. E, quem você é para a Nina. Então, será que você pode me contar a sua história?


Podia. É claro que podia.


 

Notas da Autora: Tessa Reis


Olá todo mundo! Como estamos?


Chegamos ao nosso primeiro capítulo de transição desta história que, terá algumas transições e algumas idas ao passado para que a gente entenda exatamente como as nossas protagonistas vieram parar aqui, nesta posição delicada.


Alguém aqui estava lendo "Acróstico"? Porque acho que vamos criar uma tradição aqui referente ao capítulo 6 de cada história, vamos ver quem consegue pegar as similaridades hahaha.


Grande beijo!


Nos vemos no próximo!


Voltamos 11/06/2024! 😌


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3 Comments


sylber1011
sylber1011
Jun 08

Acabou tão rapidinho esse 😞

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Samily Lima
Samily Lima
Jun 07

Pronto, agr lasco vou ficar com ansiedades p saber dos próximos cap. 🤡

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Bryce nos conte tudo, não esconda nada! Please?! e ainda tem a versão da Nina...intenso! ah e esse bebezinho coisa linda gente....😘

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