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HICKEY 7


Capa Hickey
Hickey

Bryce


Pois então, o celular não era dela.


Nina tinha dormido muito pouco e acabou acordando meio que no automático, porque se Reira acordasse com ela ainda naquele quarto, nem sabia. Ela ia ficar nervosa, na verdade, envergonhada. Daí, ficaria nervosa novamente. Então, preferiu acordar antes e ir para o seu quarto. Estavam hospedadas no Brisbane Marriott Hotel, e James também estava em alguma suíte, mas não fazia ideia de qual. Estavam lá para reuniões de negócios. Aquela cidade era um celeiro de artistas, e estavam em busca de um nome forte para a filial da Austrália, que estourasse na Oceania e na Ásia, e pudesse ser facilmente exportado, já que o idioma sempre seria favorável.


Nina tinha uma desconfiança: achava que seu pai já havia notado que não tinha um substituto em Cruz e, por isso, estava partindo para as duas filhas. Queria Reira em Tóquio; queria Nina em Melbourne, mas elas não tinham interesse. Porém, foram mesmo assim para aquela pequena turnê de negócios com ele, ainda que por motivos diferentes. Para Nina, Rey deixou claro que Reira precisava dela, que estava vivendo uma espécie de crise de garota de faculdade tardia; e para Reira, havia dito que Nina precisava dela, que estava depressiva, querendo abandonar tudo e voltar para a Costa Rica.


Ambas as coisas eram verdade. Mas ele disse para as duas que diria para a outra que era uma questão de negócios apenas. Voltando ao celular, não havia tocado a noite inteira. Nina achou que tocaria imediatamente, mas não foi assim. Além de não tocar durante a noite, na verdade, tocou apenas perto das dez, quando saiu do quarto no último horário do café da manhã e foi tirar sua irmã da cama, porque ela também precisava comer.


— Nina, quer me deixar em paz?!

— Não, porque você foi drogada ontem e precisa comer.

— Eu fui...? — Ela pareceu genuinamente assustada.

— Reira, só... — Respirou fundo — Levanta, toma um banho e vamos tomar café, por favor.


Ela obedeceu. E enquanto estavam no café, encontraram Rey e, finalmente, aquele celular tocou. Não, não era da garota sem nome da noite anterior; era de um cara que estava com ela, aquele com quem ela tinha se desentendido. Ele havia esquecido o celular com ela e teve uma noite tão louca que só lembrou do celular quando acordou.


— Você pode passar na recepção do Marriott em uma hora?


Ele aceitou assim. Sim, podia apenas despachar o celular para ele, mas queria fazer algumas perguntas.


— Nina? — Rey estava chamando.

— Sim?

— Está lembrando do jantar de hoje?

— Eu, na verdade... — Não estava lembrando — Com quem é o jantar?


E Reira estava... offline. Mas nem tanto quanto Nina. Terminado o café, Rey partiu para uma reunião e as duas ficaram um pouco mais, ambas de óculos escuros, pegando um pouco de sol. Em silêncio.

Silêncio quebrado por Reira.


— O que está te prendendo aí na sua cabeça?

— Como...?

— Alguma coisa aconteceu, o que foi? Alguém te fez alguma coisa?

— Não. Sim.

— Oi?

— Então... Conheci uma menina ontem, mas ela é maluca e desapareceu.


Reira riu.


— Espera, quer mais café?

— MAS COMO É FOFOQUEIRA!

— Vou pegar!


Se tinha algo que deixava sua irmã mal-humorada falante, era uma fofoca. Reira pegou mais café para as duas e, resumidamente, Nina contou o que aconteceu.


— E você não sabe nem o nome dela?


 Nada. Ela não me disse nada de concreto.


Silêncio. Olhadinha de Reira.


— Nina, você...? — Reticências sexuais.

— Não.

— Mentirosa!

— Eu... não — Ela sorriu como quem não acredita — Não, menina, estou te dizendo.


Não deu nada para a tal maluca mesmo, mas não por falta de vontade, só não havia tido a oportunidade.


Desceu e foi encontrar o dono do celular. Um playboy.


— Valeu mesmo, viu! Achei que não fosse recuperar, que ela tinha, sei lá, sumido com o meu iPhone.


Nina olhou bem para ele.


— Achou que ela tinha roubado por acaso?

— Essa garota é muito estranha. Conheci na praia, achei linda, quis levar para uma baladinha e ela deu o maior problema.


Nina cruzou os braços.


— Você fez alguma coisa pra ela.

— Não fiz, não! Ela surtou do nada, achou mesmo que eu estava a levando naquele lugar alto padrão pra nada.


Era um idiota. Por isso, ela tinha surtado com ele, provavelmente.


— Qual o nome dela? — Nina perguntou pra ele.

— O nome? Bryce.



Bryce. Sonoro e gostoso.


— Sobrenome?

— E eu sei?

— Me dá o número dela.

— Eu não tenho! Ela não quis me dar, marcou comigo lá na casa noturna e só. Ela é esquisita pra caramba, uma aproveitadora! Essa cidade está cheia de pessoas assim.

— Ela não é.

— Ah, não é?

— Não é. Ela não é nada do que você está pensando.

— E como você sabe?


Ela não havia tirado NADA de Nina. Não havia pedido nada. E sim, passava por muitas garotas que mal beijavam e já tentavam algo. Nina tinha se tornado uma especialista em reconhecer e afastar famefuckers.


— Não te interessa.


Ele espalmou as mãos para o alto.


— Ok. Eu ia tentar o seu contato, mas...

— Não enche!


Bryce. Ao menos tinha um nome agora. Bem, não serviria de muito também. De qualquer maneira, Nina pretendia estar voando para Costa Rica em uma semana. Voltaria para Melbourne no dia seguinte apenas para juntar suas coisas e partir para Guanacaste. Tiraria uns dias para pensar no que queria da sua vida e depois decidiria o que fazer.


Dormiram a tarde inteira, tanto Nina quanto Reira, e acordaram perto do jantar. Nina não estava com nenhuma vontade, nada inspirada, mas levantou e se arrumou mesmo assim. Tomou um banho longo e se tocou sob o chuveiro, lembrando do gosto dela, daquele corpo quente, delicioso, pensando no jeito que ela atacou aquela bala, chupando de molhar os lábios, e só...


— Bryce, hmmm... — Gemeu o nome dela e gozou, suas pernas estremecendo.


Sério que nunca mais? Bem, ao menos estava mais relaxada agora.


Vestiu uma minissaia e uma blusa preta, deixando à mostra um decote e um pedacinho do seu abdômen. Calçou botas de cano curto e deixou os cabelos soltos, com uma maquiagem leve. Na hora de escolher uma jaqueta...


Optou por uma jaqueta college específica, ainda impregnada com o cheiro dela. Não era um perfume, era o cheiro da pele dela mesmo.


Vestiu a jaqueta e foi atrás de Reira, que já estava pronta. Ela usava uma calça de alfaiataria e uma blusa com as alças amarradas no pescoço, os cabelos soltos penteados para trás, extremamente elegante. As duas estavam de preto e nenhuma delas queria ir para o tal jantar nem arrastadas. Ao menos, seria no próprio hotel, em um dos salões. Chegaram juntas e Rey já estava lá, vestindo jeans escuro, camiseta e um terno italiano por cima, combinando os três.


— Estamos quase atrasados, vamos direto para a mesa.


Havia três mesas enormes, mesas de banquete mesmo, com nomes nos lugares indicando onde cada um deveria se sentar.


— Estamos separados? — Nina percebeu.

— É para ter mais oportunidades de negócios. Trocamos de lugar depois.

— Ok.


Foram cada um para uma mesa e Reira era completamente outra. Ela vestia outra skin, era uma mulher de negócios e sabia como fazer isso como ninguém. Será que Nina deveria mesmo voltar para a Costa Rica? Trabalhava na filial de Melbourne há um ano e havia compilado um relatório preocupante com dados coletados durante esse período. Sério, só queria dançar. Queria fazer coreografias, seria feliz assim. E dizia que não se importava com os negócios, mas mesmo assim...


Sentou-se naquela mesa com estranhos, distribuiu alguns sorrisos. Havia música ambiente e ouviu pessoas comentando sobre uma festa privada em outro salão após o jantar, onde alguém iria cantar ou algo do tipo. Estava checando seu celular quando, pela visão periférica, viu uma moça se sentando na cadeira à sua frente, do outro lado da mesa.


No mames — Era uma gíria para "impossível", mas dita de maneira rude.


Ela tinha se sentado à sua frente.


Jeans justinho, preto, top Calvin Klein por dentro de uma jaqueta de couro parcialmente fechada. A maquiagem perfeita, quase invisível, deixava o rosto limpo, mostrando que ela não precisava de muito para ficar bonita. Os cabelos soltos, super hidratados, com franjas longas que emolduravam aquele rosto lindo, e o sorriso que ela abriu quando viu Nina...


Um sorriso de lábios, num rosto que era simplesmente DESLUMBRANTE na luz correta. Ela era ainda mais bonita do que Nina havia visto na noite anterior.


E alguém se sentou ao lado de Nina. Era Adam Manarino, o organizador do jantar.


— Nina, ei! — Ele a abraçou, com um sorriso largo — Como você está?

— Tudo bem, e você?

— Tudo ótimo! Já conhece a Runa?


Runa? Nina a encarou, os olhos fixos nela desde que havia se sentado àquela mesa.


— Eu... Na verdade, não.

— Runa é cantora e rapper, vai se apresentar para nós, mais tarde, no after. Runa, esta é Nina James.

— Nina James? — James? Ela havia dito James na noite anterior? Nada dos olhos se desgrudarem.

— Isso, da Los Ángeles Urban. Nina é filha do senhor James e executiva na empresa.


Bryce esticou a mão por cima da mesa; as mãos delas se tocaram, dedos entrelaçando-se de leve.


— Eu... não sabia que o senhor James tinha uma filha.

— Tem duas — Ele respondeu sorrindo — Vocês me dão licença, só um minuto — Ele se retirou da mesa, deixando-as parcialmente sozinhas, já que os lugares ao lado de ambas ainda estavam vazios.

Runa — Nina repetiu, olhando para ela — Finalmente sei o seu nome.

— Na verdade, ainda não sabe — E então os olhos desceram, pegando algo — Essa é a minha jaqueta?

— Sim. E essa aqui é a minha, não?

— Eu... peguei trocado.

— Não tem problema.

— Essa aqui é bem mais cara.


Sorriso de Nina.


— Não tem problema.

— Tinha um Waku Waku Dobutsu nela, eu comi.

— Ei! Isso é problema — Nina disse, fazendo Bryce rir um pouco. Ela parecia muito mais relaxada do que na noite anterior.

— Você disse que a sua irmã compra para você.

— Compra, mas só tem no Japão.

— Você tem mais aí?


Nina estava sorrindo sem parar.


— Nada de doces antes do jantar.


Silêncio, apenas olhares.


— Ok, olha o nome embaixo do prato — Nina pediu de repente.

— Como?

— O nome da pessoa que vai se sentar ao seu lado! Olha quem é pra mim.


Ela buscou o cartão sob o prato.


— Mark Beni.

— Me dá.

— O quê? — Bryce começou a rir.

— Pega, me dá aqui, rápido, vamos.


Ela pegou o cartão que Nina trocou prontamente com o seu e mudou de lugar na mesa. Foi se sentar ao lado de Bryce.


— Isso não pode dar problema?

— Hum, acho que Mark Beni vai ficar chateado de ser trocado de lugar e não poder se sentar ao seu lado. Mas só posso sentir muito por ele.


Sorriso de Bryce. Ela estava muito mais sorridente aquela noite, era definitivo.


— Não está irritada comigo, por eu sair daquela forma?

— A minha saída também não foi muito suave — Nina chamou um dos garçons, que se aproximou. Então, voltou-se para Bryce novamente — O que você quer beber?

— Não quero nada alcoólico hoje — Bryce tentava transparecer tranquilidade, mas seu coração batia desenfreadamente no peito. Nina estava tão bonita, o cheirinho de The Only One que vinha dela. Ela... estava ali. De repente. Bem ao seu lado.

— Queremos dois sucos de maracujá com amora, do cardápio do restaurante. Você pode conseguir para nós duas, por favor?

— Claro que sim, senhorita James — Ele se retirou.

— Então, você foi babaca — Bryce disse de repente, e Nina riu.

— Eu não tinha como fazer ideia de que você não tem humor.

— Pois é, eu não tenho.

— Mas eu só consegui essa informação agora. Tinha um celular no bolso da jaqueta.


E aquilo pegou Bryce de surpresa.


— Um celular?

— Sim, do carinha que...

— Que eu estava ontem! Verdade. Nina, eu não deveria ter saído de casa ontem, estava com muita dor de cabeça, já fazia uns três dias, na verdade. Quando sofro essas crises, tenho alguns lapsos de atenção. Esqueci completamente que ele tinha me pedido para guardar o celular dele.

— Já entreguei de volta e descobri que ele também não tinha muitas infos sobre você.


Olhos nos olhos, o tempo inteiro.


— Você... tentou descobrir?

— Claro que sim — E aprofundando o olhar nos olhos dela: — Acha mesmo que eu não estou interessada em você?


Ela ficou em silêncio por alguns instantes.


— Você saiu para resolver algo.

— Sim, foi isso.

— Com a sua namorada? — Perguntou, olhando diretamente para Reira. Havia encontrado com ela na outra mesa e tinha certeza de que era com ela que Nina estava na noite anterior.

— Ela é linda, não é?

— E você é uma idiota mesmo!


Nina riu alto.


— Ela é minha irmã!

— Ela... — Bryce olhou novamente — Sua irmã? Mesmo? Espera, ela é asiática, mas vocês se parecem.

— E você concordou que ela é linda, ficou pelo seu rosto, então vou aceitar como elogio.

— Você é linda também. Tipo... Muito bonita mesmo.


Nina ficou vermelha. Ela nunca ficava vermelha, mas ficou, e Bryce achou uma graça.


— Você não parecia muito impressionada por mim na noite passada.


Bryce a olhou nos olhos intensamente:


— Mesmo? — Aproximou a boca do ouvido dela — Deixei você me pegar daquele jeito e acha que eu não estava impressionada?


Nina sentiu uma pontada entre as pernas.


— Como está a sua dor de cabeça?


Ela riu.


— A de três dias?

— Essa.

— Sua insuportável, você sabe que sumiu!


Nina riu, claro que sabia.


E Mark Beni chegou, ficou confuso ao ver que seu lugar já estava ocupado; era como nos assentos de avião, estava marcado no convite, mas ele acabou se sentando na cadeira de Nina.


— Nina Alvarez... — Ele estendeu a mão para ela, que pegou — Você roubou o meu lugar!

— Eu?! Não, o meu está marcado aqui, juro!


Ela nem tinha vergonha. E o jantar começou a ser servido.


Entradas, assuntos técnicos. Nina não sabia como havia acabado naquela mesa cheia de produtores, sendo que a produtora era Reira, e ela não tinha nada a ver com aquele grupo. Mas havia duas cantoras na mesa, então acabou conversando com elas, Runa e outra moça que nem sequer marcou o nome. As entradas foram servidas e parecia que uma eternidade se passava até que surgiu o prato principal. A única coisa em que Nina conseguia pensar era como poderia escapar daquele jantar com Bryce. Seria possível, ou...?


Reira pareceu compreender que estavam em mesas trocadas. Então, veio até Nina, falou com ela por um instante, sua irmã queria trocar de mesa? Respondeu no ouvido dela, contando algumas coisas, Reira riu e entendeu.


— Runa, essa é Reira Kato.


Bryce pegou a mão dela, a olhando bem de perto.


— Prazer, senhorita Kato. Espera... — Ela a examinou mais atentamente — Nos conhecemos?


Reira pareceu refletir enquanto a observava.


— Eu não sei, olhando para você agora...

— Você não estava num bar nessa praia aqui perto, antes de ontem?

— Ah, não! Talvez eu não estivesse muito apresentável.

— Você... latiu pra mim.


E Reira começou a rir. Nina também começou a rir. Bryce também.


— Para! Isso é verdade? — Nina perguntou.

— Pode ser que seja — Respondeu Reira.

— Por que você latiu pra ela, garota?

— Por ela ser bonita demais, pode ter sido isso, caso a cena tenha acontecido de fato.

— Meu Deus, Reira, a gente tem que mudar isso, antes que afete até a minha reputação — Nina não estava acreditando que sua irmã agia dessa forma.

— Eu sei! Vou melhorar. Olha, vou voltar para a minha mesa e, depois dessa, prometo não latir mais, juro!


Era esse o estado em que sua irmã estava ficando ultimamente. Trouxeram o jantar, mas Nina já não estava prestando atenção às conversas. Em nenhum momento, ocorreu a ela que Bryce pudesse estar naquela mesa procurando conversar com alguém, nem passou pela sua cabeça que ela poderia não ter uma agência, ou qualquer coisa assim. A única coisa que Nina pensava era...


— Você realmente quer sobremesa? — Perguntou para ela.

— Na verdade, eu... quero um tempo com você. Você precisa ficar nesta mesa ou...?

— Não preciso. Escuta, a piscina fica aqui em cima. Só preciso falar com o meu pai e então a gente pode se encontrar lá. O que você acha?


Bryce pensou por um momento. Se levantou da mesa, pediu licença para ir ao banheiro e saiu do salão.

Nina pensou em falar com o seu pai, mas sabia que ele ficaria muito chateado. Decidiu fazer o mesmo, dizer que ia ao banheiro e simplesmente subir. A piscina do hotel era coberta, mas também era aberta; os parapeitos eram transparentes e a vista dali de cima... era de tirar o fôlego.


Fazia uma noite muito escura, sem estrelas. A piscina estava aberta, mas sem ninguém. Bryce subiu e teve muitos pensamentos por segundo enquanto esperava por Nina. Sua enxaqueca havia passado e não ocupava mais espaço em seu cérebro. Desde que deixara aquele clube noturno, a única coisa na qual pensava era em Nina Alvarez. Quais as chances de simplesmente ter ido parar na frente dela mais uma vez? Parecia algo que era para ser, que tinha que acontecer. O que mais isso poderia significar? Recebeu uma mensagem de Adam Manarino: "Onde Bryce estava? Já era para estar se arrumando para subir ao palco." Não respondeu nada. E então, Nina surgiu.


Como alguém podia ser bonita assim? E ela a achava bonita também. Bryce ainda estava processando essa informação, e assim que Nina se aproximou...


A puxou pelos braços e a beijou, sem pensar em muita coisa, apenas pegando dela aquilo que havia passado O DIA INTEIRO, desejando ter de novo. Tocar aqueles lábios, beijar aquela boca gostosa, a sentir mais uma vez. Foi um pensamento quase obsessivo. Bryce ainda não sabia exatamente por que tinha saído daquele jeito; se arrependeu assim que entrou num Uber sem sequer ter o número de Nina e ficou obcecada desde então. Queria a sentir mais uma vez, queria... fazer coisas nela.


Anf, como queria.


A puxou consigo, recostando-se em uma coluna larga, com a piscina atrás delas e uma vista de tirar o fôlego. Não havia testemunhas. Bryce retirou a jaqueta do corpo dela, sua boca descendo pelo pescoço de Nina, que gemeu e se agarrou a ela, apertando-se porque...


Inferno de garota gostosa! Maluca, mas tão gostosa.


— Onde está a marquinha que fiz?

— Tive que cobrir para o jantar, está bem aqui — Nina apontou o local, e Bryce deslizou a boca para o outro lado.

— Vou fazer outra igual, para você não se esquecer de mim.


Nina sorriu, sentindo sua boca, aquela pressão gostosa. Abriu o zíper da jaqueta de couro que Bryce vestia e deslizou as mãos pelo abdômen delicado.


— Eu não acho que vou esquecer de você, mas aceito outra marquinha. Você acha que...? — Nina olhou ao redor; a coluna era bem larga e não tinha mais ninguém ali em cima.

— O quê?


Nina não respondeu, apenas se ajoelhou na frente dela, abrindo aquela calça imediatamente, baixando o zíper, e Bryce apenas...


Tremeu de tesão. Que mulher era aquela?


— Nina, Nina, espera, espera só um pouco! Eu quero, mas tem umas coisas que você precisa saber antes.


Nina subiu de volta, beijando-a novamente, correndo a mão pela frente do jeans dela, apertando gostoso demais, estimulando-a, fazendo-a tremular de vontade outra vez; Bryce nem sabia.


— Você é uma delícia, eu nunca mais vou ter dor de cabeça na minha vida — Disse, fazendo Nina rir. Rir, beijar o pescoço dela, a manter sob as suas carícias.

— Você está desconfortável aqui em cima?

— Não, não é isso. Meu Deus, espera um pouco, você desceu toda gostosa e meu coração disparou — Contou sorrindo, sentindo mesmo seu coração martelando no peito — Meu nome é Bryce, Runa é meu nome artístico.

— Um nome sem gênero — Nina ergueu o nariz, observando-a atentamente — Combina com você. Você não é australiana, é?

— Não sou. Sou havaiana, mas moro no Brasil.


Nina parou por um momento, encarando-a nos olhos.


— Mora? Você não mora aqui?

— Não moro. Vim para tentar ser cantora, mas as coisas não deram muito certo e, a questão toda, Nina, é que estou voltando para casa amanhã.

— A casa... no Brasil?

— Isso. Eu não sei quando volto aqui, se volto, então... — Tocou aquele rosto lindo — Nós só temos essa noite. Você quer ainda assim?


Quantas coincidências mais elas poderiam acumular?


Nina a beijou novamente, mantendo-a bem próxima.


— Eu também não moro aqui. Moro em Melbourne, mas planejo voltar para a Costa Rica, meu país natal, em uma semana. E volto para Melbourne amanhã, num voo à tarde.

— Amanhã? Também?

— Também.

— E depois, Costa Rica?

— Sim. Eu... não me dei muito bem neste país.

— Então...?


Nina abriu um sorriso.


— Somos duas andarilhas, de passagem.

— Nós... somos — E suavemente, trocou de lugar com Nina, encostando-a na coluna. Tirou a própria jaqueta e a deixou cair no chão — Passei o dia inteiro sendo torturada pelas coisas que queria ter feito com você ontem, e a principal delas é... — Delicadamente, desceu pelo corpo dela e então subiu um pouco a minissaia de Nina, deslizando suavemente a boca pela parte interna das suas coxas.

— Bryce... — Nina se recostou contra a coluna, jogando a cabeça para trás, os dedos indo para o meio daqueles cabelos.

— Você vai me sentir bem inexperiente nisso, mas quero fazer — Olhou para cima, buscando aqueles olhos, os dedos já enroscados na calcinha dela — Você quer, mesmo sem experiência?

— O que você quer dizer com não ter experiência...?


Bryce recostou o rosto nas coxas dela, respirando fundo.


— Você é a minha primeira.


E aquilo pegou Nina desprevenida.


— Você nunca...?

— Fiquei com mulher nenhuma. Mas quis ficar com você ontem. E quero agora. Quero te fazer gozar na minha boca, mas não sei se vou conseguir.

— Ah, Bryce... — Sua pélvis apenas se moveu para ela, sem controle nenhum.

— É uma vista muito bonita, não é? — Bryce perguntou, deslizando a calcinha pelas pernas dela.


E olhando apenas para ela, Nina respondeu:


Nunca vi nada mais bonito.


Era verdade.

 

 

Notas da Autora: Tessa Reis


Olá, todo mundo! Chegamos ao capítulo 7, onde deu para conhecer um pouquinho mais da Bryce, as cores e linhas do envolvimento dela com a Nina. Por hora, apenas duas mulheres, se reencontrando depois de uma noite marcante, e agora, descobrindo que não têm mais do que 24 horas para ficarem juntas. Porém, muita coisa pode acontecer em 24 horas, certo? 👀.


Próximo capítulo, “Nina” e eu aconselho que seja lido com…. Prudência 😌. Grande beijo!


Voltamos 21/06/2024! 😌


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4 comentários


sylber1011
sylber1011
22 de jun.

👏👏

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Tessa Reis
Tessa Reis
26 de jun.
Respondendo a

❤️❤️❤️

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Adriana Evangelista
Adriana Evangelista
16 de jun.

Destino... muitas emoções virão por aí....😚

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Tessa Reis
Tessa Reis
26 de jun.
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Agora vc foi cirurgica: Nina e Bryce são algo do destino, não é como se pudessem serem evitadas, o fio vermelho muito bem atado entre elas ❤️‍🩹

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