SAL - Capítulo extra: TRINTA

18/09/2018      Tessa Reis

Sal |Tessa Reis

Andava sendo difícil. Tão difícil que mesmo muito cansada como agora estava, depois dos dias complicados e de um longo plantão em que teve que voar duas vezes, ainda não conseguia dormir. Lara até tentou, chegou em casa, tomou um longo banho, vestiu roupa de dormir. Daí ficou rolando pela cama por intermináveis duas horas inteiras até desistir. Levantou, se vestiu, decidiu dar uma volta, talvez ajudasse. 

Pegou um café e começou sua caminhada pela fazenda. Sempre gostou daquele clima, gostava de olhar os campos de cana, de ver as máquinas trabalhando, fazia uma manhã fria, o inverno agora tinha chegado de fato e ela… Ela andava se sentindo sozinha. 

Muito sozinha. 

Costumava acontecer sempre que Arantxa começava a se envolver com alguém. Ela se isolava da família, se isolava dos amigos, Lara sabia que era uma proteção natural, Arantxa não queria que ninguém soubesse que ela estava namorando e menos ainda quem ela estava namorando, então sempre acabava se afastando de todo mundo para proteger sua privacidade e Lara não sabia bem quando exatamente tinha também sido inclusa no “todo mundo”, mas em algum momento havia e Arantxa agora agia como se nunca na vida, Lara houvesse sabido que ela era gay. 

Não conseguia entender sua irmã. De forma nenhuma conseguia. E nos últimos dias particularmente, Arantxa tinha conseguido entregar muitas amostras do pior que havia em si.

Seguiu andando pelo campo, não ter Rafaela por perto era outra coisa que estava pesando, um, porque Arantxa sempre pensava duas vezes em qualquer atitude quando Rafaela estava por perto e dois, Rafaela sempre tomava a frente das situações mais complicadas. Lara era uma boa líder, sabia que era, mas quando as coisas tocavam Arantxa, ela não tinha emocional para fazer nada, Arantxa era seu amor, sua paixão e vê-la em determinadas situações deixava Lara fora de si. 

Tinha acontecido situações nos últimos dias. Lara ficou fora de si. Rafaela não estava por perto. As coisas estavam de fato, muito difíceis. Mas podiam estar se acertando agora e não saber como a irmã estava no final das contas, devia ser o motivo para Lara não estar conseguindo dormir. 

Cruzou os campos de cana e quando deu por si, estava do outro lado do bosque, estava nas estufas de flores e plantas. Aquele lugar era a menina dos olhos de sua mãe. Lara tinha uma séria desconfiança que ela só não tinha expulsado Sofia quando soube do namoro dela com Arantxa, porque desde muito pequena o trabalho dela naquela estufa era maravilhoso. 

Sofia era uma fada, Lara tinha certeza, não havia o que ela não tocasse que não florescesse, que não vingasse e se multiplicasse, era tão fada que tinha inclusive, conseguido fazer nascer algo no campo congelado que era o coração de Arantxa: Lara sabia do bem querer dela por Sofia, mas o amor que ela sentia por Bela era algo fora do comum. 

O amor de Arantxa por Bela era uma das flores mais bonitas que ela tinha dentro de si. 

Parou no centro da estufa e sabia que Sofia estava por perto. Havia um chá cheiroso sobre a mesa de trabalho, se serviu um pouco em sua xícara vazia de café e enquanto tomava o chá, olhava as árvores e via o sol cortando a névoa de maneira quase mágica, sentiu braços em volta de sua cintura e um beijo gostoso em sua nuca. 

— Caramba, beija mais, por favor… 

— Lara? — Ela só percebeu quando ouviu a voz de Lara, porque de costas, Lara e Arantxa eram a mesma pessoa. Então Sofia percebeu quem era e imediatamente tentou se afastar. Lara caiu no riso e segurou os braços dela em si. 

— Não, nada disso, pode ficar aqui que está frio. 

— Lara, a Arantxa, ela… — Sofia era uma graça, olhou para trás desesperada, como se Arantxa pudesse estar por perto — Eu achei que fosse a sua irmã! 

— Uma vez eu quase ganhei um beijo assim, lembra? — Se virou de frente, ainda mantendo os braços dela em si. E a verdade é que Sofia queria escapar, mas não queria tanto assim. 

— Vocês eram ainda mais parecidas e estava escuro. Eu achei mesmo que fosse a sua irmã agora. 

— Só me esclarece — Chegou mais perto dela ainda, fazendo Sofia dar dois passos para trás no seu lindo vestido de verão que sim, ela usava também no inverno — Vocês não estão mais juntas? 

— Não estamos. 

— Mas ainda assim você recebe ela aqui com beijos na nuca? 

— É que a gente ficou junto por muito tempo... Eu não tenho que te contar isso, você sabe — Outro passo para trás e Lara ia andando na direção dela, sem soltar seus braços. 

— Eu sei. O que eu não sei é o motivo pelo qual eu não tenho direito a esse tipo de carinho — Pronto, a encostou numa viga, não dava mais para recuar de Lara. 

Daí ela abriu um sorriso vencido. 

— Você não é mais adolescente, Lara Iglesias. 

— Não sou. Aliás, faço trinta anos em dois dias e… — Respirou fundo, baixando os olhos, deixando a mão pela cintura de Sofia.

E ela só precisava suspirar metade assim para Sofia saber que algo não estava certo. 

— Vem cá — A puxou e a abraçou bem gostoso, sentindo aqueles braços se estreitando bem para perto, o nariz dela afundando em seu ombro, Arantxa foi sua namorada por tanto tempo que nem sabia exatamente quanto tempo havia sido e Lara, bem, pela mesma quantidade de tempo, Lara foi sua melhor amiga. 

E ainda era. 

— Você não estava de plantão? — Ela afirmou, toda agarrada em seus braços ainda — E por que não está dormindo? 

— Não consigo. 

— Você sabe que não consegue dormir se a sua mente não está calma. Vem, vamos tomar café direito. 

Sentaram-se nos degraus da estufa, Sofia tinha acabado de fazer o chá e tinha trazido algumas coisas de casa, ela gostava de fazer os pães que Bela comia de manhã, aliás, gostava dela mesma preparar a maioria das coisas que seu bebê comia, era um cuidado que tinha junto com Arantxa e Lara não conseguia parar de achar lindo como elas funcionavam bem como casal. Principalmente depois que deixaram de ser um casal. 

— Tudo bem, o que aconteceu? 

— Arantxa e eu brigamos ontem, você sabe e hoje é aniversário dela, a Rafa não está aqui, está tudo tão… — Respirou fundo, tomando outro gole de sua xícara. 

— Lara, eu não pedi pra você ir atrás dela para causar uma briga. 

— Eu sei que não, você falou comigo pela segurança da Arantxa, mas nem foi por isso que a gente brigou, a gente já tinha discutido antes por causa de… Bem… 

— Da menina que ela está gostando e você está interessada?

Lara abriu um sorriso.

— Eu sou a pior irmã do mundo, não sou? 

— Não é não. Ela sempre fica com as garotas que você quer e você nem detesta ela por isso… — Disse, fazendo Lara gargalhar. 

— Eu não ligo muito pelas outras, só ligo por você, você sabe disso. 

— Lara... 

— Você sabe que eu sinto mesmo por você. E sinto parecido com o que eu estou sentindo em relação a Manu agora, os motivos são parecidos, ela tem mulheres como você e não sabe manter com ela. 

— Nós éramos adolescentes. 

— E eu queria ser como a Arantxa. Aliás, eu ainda quero ser como ela. 

— O que é bem engraçado, porque ela passou a vida toda querendo ser você. Então temos uma bi que quer ser gay e uma gay que quer ser bi, olha a perda de tempo… — Disse, fazendo Lara gargalhar — Mas tudo bem, com o que você está preocupada? 

— Com esses problemas da Arantxa em se assumir. Eu ando tão brava com isso, porque assim, tem essa menina… 

— A Manu, eu sei, continue. 

— Então, tem ela. E é claro que ela está apaixonada pela Arantxa, mas não está a fim de se esconder. Daí tem eu que estou gostando dela e não quero me esconder. Mas ela não me quer… — Sofia começou a rir — Então que a Arantxa fica fazendo essas coisas com ela, de não querer se mostrar, daí que ela sofre, então eu fico mal. Tentei falar com a Arantxa sobre isso, antes do problema de anteontem e, bem... 

— Foi desastroso. 

— Foi. E hoje é aniversário dela, você sabe que a gente gosta de comemorar de véspera, eu não quero que a gente fique assim e, ela está aqui na cidade. 

— A Manu? 

— Ela veio concluir uma obra na Argentina e veio sem dizer para a Arantxa, porque não quer ela se sinta “ameaçada” com a presença dela. Eu me sinto tão mal por tudo isso… 

Sofia beijou o canto da testa dela com carinho. Sabia que ela sentia, acontecia o mesmo quando Arantxa e Sofia brigavam por esse motivo, era sempre Lara quem vinha consolar Sofia. 

— Você não tem que se sentir mal, a Arantxa que precisa se sentir mal por este tipo de coisa. Ela está gostando mesmo dessa menina, precisa sentir que pode perdê-la se não mudar de atitude. Espera, a gente só falou da Arantxa até agora, me fala de você, do que você está sentindo por essa moça, de verdade. 

— Ah Sofia, eu gosto dela. 

— Gosta o quanto? Gosta de estar apaixonada ou só gosta porque ela é bonita pra caramba e você está curiosa há tempo demais? 

Lara olhou para ela. E abriu um sorriso diferente.

— Eu gosto dela. Se ela gostasse de mim, a gente podia, sei lá, ter alguma coisa bem legal. Como eu te disse, em dois dias eu faço trinta anos e acho que já adiei esta parte de mim por tempo demais. Mas como ela não quer… — Se estreitou para perto de Sofia, lhe olhando nos olhos, abrindo aquele sorriso que Sofia bravamente lutou contra sua vida inteira. 

— Lara… 

— Tudo bem, calma, deixa eu te mostrar uma coisa — Pegou seu celular, procurou o que queria mostrar e Sofia começou a rir, não estava acreditando! 

— Lara, você não vale nada, sabia? 

— Eu valho sim, para com isso, se você não ficasse nessa de não me querer nem agora, eu não estaria nesta vida — Era sua lista de contatos no Whats’App e só a prévia das conversas estava fazendo Sofia rir descontroladamente, não dava para acreditar mesmo! — Essa aqui é uma amiga da Rafa, ela chama Bárbara, a gente está conversando tem uns dias… 

— E essa outra aqui? 

— Zara, é outra amiga da Rafaela também, só que ela é bem menina ainda, é mais nova, enfim. Essas duas aqui eu conheci no Tinder, daí a gente marcou, mas não aconteceu nada, não senti vontade, sabe. Mas então… — Abriu um outro contato e, bem... 

Sofia abriu um sorriso vendo aqueles olhos lindos brilhando quando ela olhou e viu que tinha mensagem não lida daquela moça. 

— Ela é linda. Você não faz ideia — E os olhos dela nunca mais saíram daquele celular. 

— E vocês se conheceram onde? 

— De passagem, sabe. A gente já se viu algumas vezes, mas a coisa evoluiu mesmo por mensagem, a gente conversa tanto, já fez tanta coisa, tem sido muito bom ter ela por perto. Você está namorando? 

— Eu? — Abriu um sorriso — Você sabe que a Arantxa mudou a Bela de escola esses dias. 

— Sei. 

— Então, eu fui na minha primeira reunião de pais na escola nova e conheci uma pessoa. Ela é mãe solteira, acabou de chegar na cidade, a Bela e o filho dela ficaram bem amigos e… 

— O quê? 

— Ela me chamou para sair semana passada, fomos jantar juntas e acabamos ficando. Ela é muito legal, é francesa, está passando por alguns problemas, está tentando firmar o negócio dela em Florianópolis e assim, apesar dela ter prazo de ir embora, está sendo muito legal. Lara, escuta, você sabe que no fundo a gente não ficou na adolescência por sua causa. Arantxa e eu terminamos inúmeras vezes e eu estive disposta a perder a minha pele por você, porque você sabe, a Arantxa ia arrancar a minha pele — Disse, a fazendo rir — Mas sempre que eu estive à disposição, você se voltava para outras pessoas, começava a namorar alguém, passava a flertar com outra pessoa e eu acho que você está tentando fazer a mesma coisa agora. 

Lara tirou os olhos da tela do celular. 

— Como assim? 

— Você já sabe de quem você está gostando e por isso está gastando atenção com quem não interessa tanto. A fuga faz parte de você, eu só nunca consegui entender o porquê. 

Lara refletiu sobre aquilo. Olhou para uma “ela” específica no celular e então… 

Deixou de lado. 

— Você não está namorando agora? 

— Não, mas ela é muito legal mesmo. 

— E mesmo ela sendo legal você ia receber a Arantxa aqui com um beijo na nuca? 

Sofia começou a rir, Lara não existia mesmo. 

— Ia ser só um beijo carinhoso, Lara. Ela está me recusando sumariamente porque está apaixonada por essa Manu. 

— Tá, mas o fato é que você ia dar um beijo na nuca dela e isso deve significar que você e a francesa aí não estão firmes ainda. 

— Não, a gente só está ficando mesmo. 

Lara se estreitou para mais perto dela ainda. 

— É meu aniversário em dois dias… 

— E você deveria chamar um desses seus contatinhos para jantar, para de querer o mundo, queira só uma pessoa e veja o que acontece. 

— Eu vou fazer isso, pode deixar. Você vai jantar comigo? 

Sofia riu mais, ela era impagável.

— Não sou eu em quem você está interessada agora. 

— Tudo bem, a gente não janta, mas eu quero um presente, Sofia. 

— O que você quer? 

Lara lhe olhou bem nos olhos, mordendo a boca e não precisava dizer mais nada. 

— Lara… 

— Você me deve isso, deveria ter sido o meu primeiro beijo. 

— Não tinha como ter sido, eu já estava namorando a sua irmã, você sabe… 

— Sofia — Lara tocou a nuca dela por baixo dos cabelos. Ela segurou o seu punho, e então, não segurou mais nada. 

Lara a beijou. Muito gostoso e muito lentamente, deslizando a mão pelo pescoço dela e então subindo pela garganta até senti-la lhe beijando de volta, puxando Lara pelo casaco, sentindo a boca dela, a língua dela e era tão agridoce quanto Sofia sempre imaginou. Lara era doce, mas era cítrica também. 

Foi quase um minuto inteiro daquele beijo gostoso e quando as bocas se soltaram, Lara estava sorrindo bonito demais. 

 

— Meu Deus, Lara… — Sofia baixou o rosto rindo, muito vermelha! Não de vergonha, sim de nervoso. 

— Vem cá, espera, espera — A puxou para perto de novo e a beijou novamente, bem profundo, bem longamente — Escuta aqui: — Disse, de repente num tom muito sério — Não vai se apaixonar por mim porque a Arantxa acaba com você… 

E Sofia começou a rir, ela começou a rir, Lara não existia! 

— Meu Deus, meu Deus! Eu estou com pena dessa menina que se enfiou entre vocês duas, eu sei pelo o que ela passa… 

— Ela passa bem, eu vou cuidar que ela fique bem — Beijou Sofia outra vez — Obrigada. 

— Beijo é coisa que não se agradece. 

— Não só pelo beijo, mas por me acalmar sempre, por cuidar de mim, cuidar da Arantxa. Eu não sei se eu estou apaixonada pela Manu, mas eu sei que eu fui apaixonada por você por muito tempo… 

— Lara… 

— Eu fui e eu acho de verdade que eu só curei recentemente. Você é tão linda, eu lembro da gente brincando junto quando era pequena e lembro de pensar exatamente nisso, no quanto você era bonita e no quanto eu gostava de você e eu sei também, eu sei, você não precisa me dizer que eu fui covarde nas chances que nós tivemos, mas é que… É difícil competir com a Arantxa. 

— Então para de competir com ela. Não foi só porque você foi covarde que a gente nunca ficou, foi porque também eu estava apaixonada pela sua irmã a maior parte do tempo. E nem sei se não estou mais apaixonada por ela, Lara, eu acho mesmo que apesar de tudo, ela é o amor da minha vida, eu não consigo remediar isso. Porém, você… Também não dá para dizer que eu não fui apaixonada por você. Eu fui e ainda devo ser — Tocou o rosto dela com carinho, Lara beijou seu punho — Mas você é tão diferente, é tão especial que eu nem sei dizer o que causa na gente. Não faz isso com essas meninas, saiba o que você causa, entenda que você e a Arantxa são duas pessoas e que é muito difícil para quem está em volta não se apaixonar por vocês duas ao mesmo tempo e pela Rafa também. Sorte minha que ela é bem mais nova ou eu nem sei — Disse, arrancando um sorriso dela — É muito fácil se apaixonar por você, tão fácil que eu tenho certeza que se você fizer um random select nesses seus contatos, qualquer uma delas vai acabar nos seus braços, independente de qual seja. Você é assim, é boa, é linda, é gentil, não precisa ser a Arantxa, ser a Lara basta, entende? 

Lara a olhava. A beijou outra vez. 

— Obrigada por isso também. 

Foi o último beijo e elas trocaram um longo abraço. E enfim, Lara achava que conseguia dormir. Seu coração se acalmou, parou de pensar em Arantxa e Manu tentando se entender, elas iriam se entender, era o que Lara mais queria, independente do que sentia por Manu. Dormiu na casa de Sofia, acordou com ela chegando para almoçar, fizeram isso juntas e quando estavam terminando, seu celular tocou. 

Era Arantxa. Sério que ela não vinha passar a véspera do seu aniversário junto com ela? Ela não mencionou Manu, mas a voz dela estava muito leve e Lara correu para a casa dela, só queria fazer as pazes, só queria passar o aniversário com ela e falar com Rafaela também, era tudo o que queria. Passaram juntas, Rafaela ligou, Lara foi para casa e enfim, dormiu uma noite inteira, sem pesadelos, tranquilamente. Pensou o dia seguinte inteiro sobre o que queria para si mesma, foi jantar com Sofia, nada de beijos, ela lhe explicou que não podiam continuar brincando assim porque, né, as duas confessaram que já tinham se apaixonado uma pela outra e ninguém deu certeza que tinha acabado mesmo, então era melhor não arruinar a amizade consolidada que já tinham e tinha aquela outra questão... A questão de Lara estar se afastando propositalmente de quem ela queria de verdade. E nisso, também parecia estar imitando Arantxa. 

Não queria mais isso, era hora de mudar. 

E pela manhã, Arantxa lhe trouxe para a fazenda bem cedinho porque tinha que levar Bela para a escola. Estavam paradas na frente da casa de Sofia enquanto ela cumpria tal missão e:

— Eu vou para Florianópolis — Ela informou. 

— Mas é seu aniversário, como assim você vai? — Pegou Bela no colo e ela não queria ir pra escola, estava chorando em seu ombro o tempo todo — Bela, o que foi? 

— Não quer ir, quer dormir… 

— Bela, você dorme quando voltar, a gente já falou sobre isso — Passou a balançá-la no colo para ver se ela se acalmava — Lara? 

— Eu quero fazer uma coisa diferente, eu te aviso quando tudo estiver ok, a mãe não está para festas, eu não quero que ela arruíne o meu dia. 

— É, parece justo. É culpa da Rafaela, você sabe, o mal humor dela — Virou Bela nos braços e, ela estava dormindo — Isabela Schröder! 

Lara começou a rir. 

— Deixa ela dormir, não seja malvada. 

— Ela sempre quer dormir, Lara e é sempre na hora da escola. Bela? Acorda, bebê… 

— Leva ela pra escola assim, daí acorda ela lá — Beijou a testa de Bela carinhosamente, ela parecia tanto com Rafaela pequena, era um bebê lindo demais — A Manu já conheceu ela? 

Arantxa abriu um sorriso. 

— Eu vou cuidar que isso aconteça logo. Lara, está tudo bem mesmo? Eu sei que fiz um vendaval nesses últimos dias. 

— Está tudo bem sim. Eu vou para Floripa, tá? 

— Tá bem, me avisa das coisas, eu estou preocupada com você. 

— Não precisa, eu estou bem, de verdade. 

Foi de helicóptero, voando sozinha, era o seu melhor tipo de voo, adorava voar sem pressa, sem pressão, era quando pensava melhor e nem estava precisando tanto pensar melhor assim. Os dois últimos dias tinham lhe clareado todas as ideias de uma maneira surpreendente. Pousou, foi até a casa que tinha alugado no dia anterior, era tão bonita quanto mostravam as fotos! Daí começou a fazer o que precisava e era tanta coisa. Tinha decidido fazer seu aniversário assim, de última hora, contratou um buffet rapidinho, de um restaurante argentino que conhecia, cuidou de uma decoração bonita na piscina, cuidou da música, da recepção e então foi cuidar de si mesma. Fez o cabelo, comprou um vestido bonito, a casa ficava na praia e apesar de ser inverno, fez uma das noites mais bonitas que Lara lembrava de já ter visto. Estava na varanda, apreciando a noite, tomando uma taça de champanhe e curtindo sua festa quando um determinado carro parou. 

Abriu um sorriso assim que a viu descendo, ela estava linda só para variar, Lara adorava o estilo dela, ficava louca só de ver o que ela estava vestindo. Aquela noite ela estava de calça de couro preta, botas e usava apenas um top bonito, preto, cheio de transparências por baixo de uma jaqueta jeans meticulosamente surrada. Ela desceu sorrindo, trazendo um presente e um ramalhete de flores nas mãos e o sorriso deu uma enervada assim que viu o vestidinho vermelho de Lara por completo. Lara sabia que ela ia gostar do vermelho. 

Ela subiu para a varanda e Lara a puxou para perto, a abraçando muito gostoso, cruzando os braços pela cintura dela diretamente na pele, por baixo da jaqueta e Lauren ficou… 

Toda arrepiada. 

Beijou o pescoço dela e então o rosto, bem perto da boca. 

— Não me diz que eu sou a primeira a chegar. 

— De jeito nenhum. Na verdade, você é a única que vai chegar…

E a Lauren a olhou com uma dúvida enorme. 

— Como assim? 

— Eu só convidei você — E suavemente puxou a jaqueta dela, lhe descobrindo o ombro, lhe beijando muito delicadamente, Lara estava louca para vê-la, para tocá-la e não se refrearia em nada aquela noite. Tinham passado aqueles dias inteiros trocando um determinado tipo de mensagem e, bem, estava tudo bem, mas Lauren era só humana.

Puxou Lara pela nuca e a beijou, delicada e firmemente, pressionando o corpo dela com o seu, a pegando na cintura, pela curva das costas, dando uma pegada em Lara que a deixou… 

— Lauren… — Saiu em suspiro. 

— Você não pode me atacar assim. Não pode dizer que não vem mais ninguém, que… 

— Preparei uma festa só pra gente, que eu quero você só pra mim? Por que eu não posso? — A beijou outra vez, apertando a mão pela cintura dela, a querendo muito grudada em si. Queria beijá-la desde aquele primeiro encontro em que não se disseram coisa nenhuma no escritório de Manu. Queria tanto beijá-la que achava de verdade que essa vontade desaguou em Manu. 

— Porque é seu aniversário. Porque eu deveria ter preparado algo se fosse apenas para gente. 

— Você gosta da ideia? 

— De ter você só pra mim? Lara, por favor. Eu tenho que deixar mais claro? 

Lara sorriu muito boba. Era uma boba mesmo, achava que não ia acontecer nada com Lauren se tivesse mais gente, então depois que decidiu não chamar ninguém ficou com medo que ela não quisesse nada mesmo assim. E esse medo lhe contou algo importante: 

Nenhuma das outras garotas lhe deixava nervosa assim. Isso significava algo. 

— Não precisa não. São minhas flores? 

— Suas flores, seu presente, se bem que sou que estou me sentindo presenteada, percebe o quanto tudo está fora de ordem? 

Lara sorriu e se agarrou no pescoço dela. 

— Mas você está bem com essa desordem? 

Lauren a beijou outra vez, lhe apertando pela cintura, tão gostoso que Lara suspirou. Que pegada. Quanto tempo perdido. 

— Nunca estive melhor — Ela respondeu sorrindo. 

Foi uma noite maravilhosa. Estava ventando suave e elas jantaram juntinhas na mesa preparada junto à piscina, bem ao lado uma da outra, as mãos em cima uma da outra o tempo inteiro, não dava, não conseguiam não se tocar. Lauren sabia do interesse de Lara por Manu, já tinham conversado sobre isso, tal como também sabia que Lara estava flertando com outras meninas. Mas bem, nenhuma delas tinha ganhado uma festa de aniversário solitária com Lara, tinha? Então não tinha com o que se preocupar. 

Jantaram, conversaram muito, beberam um bom vinho, era algo que Lara evitava fazer em casa por causa de Arantxa, mas agora que estava sozinha com Lauren, não fazia mal. E o vinho as aproximou ainda mais, o vento também decidiu esfriar no momento certo e quando deu por si, Lara já estava praticamente dentro da jaqueta de Lauren.

— Você não quer entrar? 

— Eu estou com medo de te convidar e você achar, que, bem… — Lara e as reticências sexuais, Lauren começou a rir. 

— Olha, se vale de algo ressaltar, eu não estou com medo que você me ataque… 

— Nem um pouquinho? — Beijou o pescoço dela, descendo a mão pelo abdômen delicado de Lauren e ela arrepiou outra vez. Arrepiou, sorriu, respirou fundo. 

— Lara, o que você quer? 

— Qualquer coisa que você queira.

Lauren lhe olhou nos olhos. E lhe beijou profundamente, escorregando a mão pela nuca de Lara, a outra pelas suas coxas e Lara sentia uma pancada em seu tesão cada vez que ela lhe tocava num lugar diferente. Foram para dentro, não sabia bem como tinham ido, só sabia que quando percebeu, estavam dentro, estavam procurando a cama e os dedos de Lauren estavam procurando o feixe de seu vestido nas costas. Ela encontrou, o vestido caiu, as mãos de Lara despiram Lauren da jaqueta, os dedos abriram sua calça e quando se deu conta, a mão de Lara estava censurando o seu top, estava buscando seu seio enquanto a boca descia vertiginosamente pelo seu abdômen… 

A pegou pela nuca, beijou a boca dela, uma, duas vezes, a levou para a cama, a sentou e sem parar aquele beijo, se ajoelhou na frente dela, entre suas coxas, buscando aqueles olhos bonitos e aquela Iglesias tão cheia de mão boba e confiança, de repente, estava tremulando. 

— Ei, não quer mais? — A beijou, na boca, na testa, em sua pálpebra, o que fez Lara sorrir automaticamente — Não tem problema se não quiser. 

— Eu quero. Mas fiquei nervosa — Respondeu, sentindo o coração batendo na garganta — Eu nunca fiz isso, eu não sei bem como fazer. 

Lauren a beijou outra vez. 

— Eu cuido de você, você não tem que se preocupar com nada. 

Lara a beijou, a abraçou, se agarrou nela de todas as formas possíveis. 

— Com nem uma coisa? 

Lauren abriu outro sorriso, a beijando, a deitando na cama devagar, pondo seu corpo sobre o dela suavemente… 

 

— Nem em acertar o meu nome — Olhou nos olhos dela sorrindo. 

— Eu nunca erraria. Você me olhou aquele dia. 

— Antes mesmo de você me ver — Outro beijo no pescoço dela, mordida suave na boca, gemido de Lara. 

— Lauren, parece que eu só quero…? 

Ela sorriu, lhe olhando nos olhos, lhe fazendo um carinho nos cabelos. 

— Por que está preocupada com isso? 

— Porque eu não quero que você pense que é isso, porque não é. Eu gosto de você. Você me deixa nervosa… 

 

Lauren sorriu a beijando muito gostoso. 

— Eu também gosto de você. E você também me deixa nervosa. 

— Não parece… — Disse, cheia de manha. 

— Quer que eu deixe mais aparente? Eu só não quero afugentar você de mim, quero te deixar confortável, para que a gente não perca nada. 

— Nada do quê? 

— Nada de qualquer coisa que a gente possa querer. 

Lara lhe olhou muito nos olhos. 

— O que você quer agora? 

Lauren lhe devolveu aquele olhar nos olhos. 

— Eu acho melhor te mostrar… 

Ela lhe beijou o pescoço, descendo os lábios, a mão pelo seio de Lara, tirando do sutiã, pondo em sua boca, Lauren a tocou assim e Lara estremeceu inteira, se agarrando pela cama, se agarrando por ela e a boca desceu, entre os seus seios, no meio do seu abdômen, no canto de sua cintura, por cima de sua calcinha, molhando, excitando, querendo tanto e aqueles olhos buscaram os seus outra vez, verdes, fulgurantes, cheios de tesão. 

— Deixa? — Ela perguntou mordiscando a sua calcinha. 

Lara respondeu gemendo o nome dela. 

 

 

Notas Finais:

Olá meninas!

Sei que todo mundo estava esperando extra #Marantxa mas em nome da continuidade e dos spoilers dos próximos 3 capítulos que são de Manu e Arantxa, decidi adiantar o extra da Lara, que também já estava quase pronto. Espero que tenham curtido a leitura e que enfim, tenha dado para a gente conhecer quem é a Lara de fato. Há algum tempo alguém tinha me pedido um capítulo pelo ponto de vista dela e aqui estamos ^^

Lara no final das contas, é o espírito mais livre das três Iglesias, é aquela que não está ancorada em ninguém e acho que esta é a principal beleza dela. Espero que tenham curtido a leitura e, aproveito para deixar aqui um extra do extra: quem estiver interessada em concorrer a marcadores de página de "Havana", favor deixar um comentário sobre o extra!

Além mais, tem capítulo de Sal amanhã!

Até!