Acróstico 22
- Riesa Editora

- 29 de dez. de 2023
- 19 min de leitura
Atualizado: 26 de jun. de 2025

Mimo
Park Manu era completamente maluca e isso explicava boa parte dos motivos de Presley Park estar completamente apaixonada por ela.
Ela pulou da cama antes das sete e, de alguma maneira, a face cardizinha acordou junto com ela. Estava tão bom embaixo dos cobertores; Presley estava confortavelmente dormindo entre as duas, um aconchego, um quentinho tão bom e, de repente, estavam ambas com planos de...
— Manu, você é maluca?
Com toda certeza.
— Aika, você quer? Você quer?
E sua filha começou a pular em cima da cama, empolgada demais.
— Vamos arrumar a mochila!
Presley tinha plena consciência de que seria deixada para trás se não levantasse. Hanni queria ir tomar café na praia. Então, desceu para preparar as coisas que queria levar, e Aika só... foi pegar as coisas que elas precisariam? Presley se sentou na cama e esfregou os olhos para ter certeza se estava vendo corretamente, mas lá estava, Aika Park entrando no guarda-roupa de Hanni, levando a mão exatamente onde estava o seu biquíni, e então o long jhonzinho. Daí correu para o estúdio e voltou com uma mochila preta, jogou na cama, correu de novo, voltou com...
— Filha, isso é...?
“Barraca.” Ela correu para o estúdio de novo, e Presley não estava aguentando.
— E isso?
“Colchonete.” Correu de volta para o guarda-roupa e desapareceu. Sério mesmo, o closet de Hanni era gigantesco assim, ocupava uma parede inteira, de um lado a outro, do alto a baixo. Quando ela voltou, tinha um long john em mãos, agora de Hanni.
— Filha, como você sabe que precisa dessas coisas?
“Praia, Hanni.” Ela estava saltitando e saltitando. “Colchonete na barraca, porque muito frio.”
— Ah, no dia que vocês foram...?
“Isso, isso! Essas coisas, precisa.”
— Uh, ok.
“Moletom! Uma calça!” Aika correu de volta para o estúdio e voltou com um moletom, uma calça, colocou tudo perto da mochila e desceu, feliz da vida, e Presley apenas... Foi vencida. Hanni fez as coisas muito rapidamente: uma garrafa térmica inteira de chocolate quente, um pote com biscoitos diferentes, dois potinhos de geleia, waffles congelados e uma sanduicheira portátil? Isso mesmo, era isso mesmo. Colocou tudo em um cooler e subiu. Biquíni, aquela coisa gostosa de biquíni. Vestiu o long john e fez o mesmo com Aika, biquíni, long john, uma graça! Manu vestiu Presley igual, biquíni e um long john nela também, porque dos pensamentos indevidos que Hanni havia tido com ela, além de vê-la de quimono, queria vê-la de surfista. Confessou isso no ouvido dela, e Presley mordeu a boca num sorriso.
— Por que vocês estão de preto e eu de azul?
— Porque este aqui é Rip Curl, Aika e eu não podemos usar outra marca que não seja Billabong. É contrato, sabe?
— Ah, a Aika também?
— Pres, se você disser sim para a Oakley, saiba que a Billabong vem logo em seguida. Eles adoraram a Aika.
Presley nem duvidava. Vestiram moletons por cima de tudo, então guardou o que Aika havia separado na mochila e ela realmente tinha razão, La Niña, ela havia pegado tudo o que precisariam. Duas pranchas no teto do Jimny e partiram para a praia. Aika empolgada, Hanni empolgada, elas eram muito parecidas em várias coisas. Quando chegaram lá e aquela praia linda estava praticamente deserta...
Presley entendeu a experiência. O sol ainda meio que acordando, as ondas quebrando, suaves, perfeitinhas, um vento gelado, mas não fazia mal, estavam bem protegidas. Aika não via a hora de entrar no mar.
— Filha, deve estar gelado.
“Não tem problema!” Ela seguia saltitando e saltitando, e de repente:
— Uh — Aika vocalizou e então sinalizou: “barraca!” e correu para ajudar Hanni com a barraca.
Era uma barraca pequena, que não parecia fácil de montar, mas foi montada em dois minutos com a ajuda de Aika. Então, colchonete lá dentro, um cobertorzinho e suas garotas começaram a tirar os moletons.
— Hanni...?
— A gente vai entrar e depois, café da manhã — Hanni respondeu sorrindo — Você não vai entrar com a gente?
Presley beijou o rosto dela, sorrindo também.
— Eu vou filmar vocês duas, vai lá.
E assim, Park Manu e sua pequena cópia correram para o mar.
Manu levando Aika pela mão, prancha embaixo do braço, os cabelos escuros dançando no ar, existia uma névoa da manhã, algo quase... etéreo. Bonito demais. Elas sentiram a água fria e gritaram, gritaram até mergulharem de vez, quebrando o gelado, rindo demais. Aika sabia nadar muito bem, havia sido uma das primeiras atividades que Presley fez com ela. Depois do diagnóstico de surdez, sentiu uma intensa necessidade de se conectar com sua filha de alguma forma, e a natação para bebês veio muito a calhar. Aika não havia feito nem um ano ainda e, por mais que lhe dissessem que naquela idade ela não entenderia mesmo ouvindo, Presley queria um elo, um laço. Começou a estudar língua de sinais e a utilizar na natação com ela. E para sua surpresa, das outras mães, das professoras, Aika parecia... compreender? Para ela, estavam se entendendo sim. Então, o elo de sua menina com a água sempre foi especial.
Presley foi para pertinho, celular em mãos. Hanni colocou Aika sobre a prancha e remou com ela para onde as ondinhas estavam nascendo, os cabelos de sua filha molhados, o sorriso aberto, os olhinhos puxados. Presley filmava tudo, e elas desceram na primeira onda. Aika veio de pé? Hanni remou com ela, na parte de trás da prancha, enquanto Aika ia sentadinha na frente. Então, batidas leves no calcanhar dela, deu para ver, um, dois e, elas ficaram de pé ao mesmo tempo, descendo pela onda perfeitamente equilibradas. Aika sem nenhum contato visual com Hanni e ainda assim, sabendo onde ela estava, confiando nela porque claramente existia... um laço. Um elo. Não adiantava Presley tentar explicar, tinha que ser visto para ser compreendido.
Respirou fundo, então voltou para a barraca, guardou o celular, tirou o moletom. Os olhinhos de sua filha quando viram Presley entrando no mar com uma prancha... Se ela pudesse, teria saltitado na prancha. Estava um frio absurdo, Presley gritou mais que as duas, mas depois da rebentação, já estava molhada, aquecida e remando para onde as suas garotas estavam.
“Mamãe, você surfa!”
Presley riu demais.
— Surfar é um verbo muito forte, filha. Mas vou tentar — Respondeu, trocando um olhar com Hanni. E os olhos dela estavam brilhando, o sorriso extremamente feliz.
Tiveram quarenta minutos muito divertidos no mar. Mesmo estando gelado, mesmo ventando, mesmo Presley caindo em oitenta por cento das suas tentativas de ficar de pé, não importava. Ela estava se levantando cada vez com mais facilidade, ainda mais com sua filhinha torcendo e ficando tão empolgada a cada tentativa sua. Depois da sessão de ondas, correram para a barraca, cravaram as pranchas para bloquear o vento ainda mais, e toalhas, o jhon sendo parcialmente tirado do corpo, canecas de chocolate quente que nunca foram tão bem-vindas, os cobertores também eram. O calorzinho da sanduicheira portátil aquecendo a barraca enquanto fazia os waffles e uma nova foto preferida de Presley surgiu: as três, já muito bem agasalhadas na barraca, cabelos molhados, sorrisos abertos, canecas fumegando. Hanni postou em um Story:
“Dias que começam assim 💓☕️🧇.” 10°C, 8:12AM.
Presley esperava que as cinquenta garotas que haviam marcado Hanni na noite anterior vissem. Não era um relacionamento, mas ela estava... comprometida.
— Estar comprometida é mais importante, você não acha? — Ela lhe perguntou, já mordendo o waffle mais cheio de Nutella do que o de Aika; eram duas crianças.
— Acho que... você tem razão, Park Manu.
— Às vezes eu tenho, eu digo para você.
Tiraram outras fotos lindas com o celular de Hanni e, em determinado momento, ela entregou para Presley tirar as fotos e, para sua surpresa...
Sorriu. Hanni notou.
— O quê?
— Seu wallpaper.
— Oh, fui descoberta — Ela abriu aquele sorriso lindo que nunca mais tinha se fechado.
Presley olhava para ela.
— Pega o meu.
Hanni se esticou na barraca; o celular dela estava no fundo. Alcançou, Aika seguia devorando biscoitos no seu colo.
— Desbloqueia, a senha é 190721.
— So mommy — Era a data invertida do aniversário de Aika. E quando o celular desbloqueou, os olhos de Hanni se encheram de algo.
A lockscreen era uma foto de Aika, mas o wallpaper era uma determinada foto do ensaio que haviam feito para a Diesel, com Presley, Hanni e Aika entre elas. A mesma foto que estava no celular de Hanni.
— Desde quando...?
— Desde o dia do ensaio. Se duvidar, colocamos ao mesmo tempo. A gente tem... — Olhava nos olhos dela, sorrindo — Esse link.
— É especial, não é?
Era mais do que especial. Voltaram para casa antes das dez, após recolher todo o pequeno acampamento. O sol estava brilhando, o mar havia ficado azul antes de partirem, e chegaram com tempo para tudo. Tomaram banhos quentes, trocaram de roupa, e Aika teve um tempo para ver um pouco de desenho, confortavelmente naquele sofá que já parecia dela.
— Ela não perguntou nada, Pres? Sobre estarem fora de casa? — Hanni perguntou, enquanto preparavam o almoço juntas.
— Nada ainda. Acho que... ela gosta de estar aqui e não quer parecer que não quer estar, entende? Sei que sou eu quem tem que falar com ela, mas não sei o que dizer ainda.
— E a sua mãe? Tenho visto que ela não para de te ligar e você não para de ignorar.
Presley riu.
— Estou fugindo dessa conversa também.
— Você acha que ela vai tentar te fazer mudar de ideia?
— Tenho certeza. E não é que eu esteja fugindo desses assuntos difíceis, eu só quero... — Respirou fundo — Curtir esse momento antes da tempestade que sei que virá.
Seu celular estava tocando de novo, outro nome que ela estava ignorando.
— Presley...
— Eu sei, eu sei. Deixa só... essa manhã terminar. Escuta, eu vi que você encomendou os doces para a festinha de hoje à noite e eu me dei conta que, talvez, a gente esteja te fazendo gastar demais, e...
Hanni encurtou a distância entre elas e a beijou.
— Minha esposa e filha — Disse, fazendo Presley se derreter num sorriso.
— Honi...
— Sob este teto aqui, minha esposa e filha, ponto final, ok?
Presley pensou um pouco.
— Esta casa é sua?
— Minha.
— Está quitada?
Hanni riu.
— Quase.
— Hum, e o carro?
— Quitado.
— Quanto, em valores aproximados, você acha que vale o seu guarda-roupa...?
Hanni riu alto.
— Presley, eu não faço ideia, mas acho que...
— Seu patrimônio está dentro daquele guarda-roupa, Park Manu, deve ter, por baixo, muito por baixo, mais de cem mil em roupas lá dentro. Você já pensou em investir, tipo, em ações?
— Não deve ter cem mil!
— Kaori me mostrou um vestido, que sozinho, custa quinze mil.
— Uh...
— Sim. O casaco que você me deu para usar ontem...
— Ah, ele é meio caro mesmo.
— Se juntar o vestido e o casaco, capaz de quitar a casa.
— Mas Presley, eu não comprei tudo, eu ganho muita coisa.
— Babe, “gorjeta” também é renda, não é dinheiro extra.
— Oh! É como se o meu currículo estivesse sendo avaliado para uma vaga — Disse, fazendo Presley rir demais.
— Cargo de esposa, mas entenda que foi você mesma que disse que não parecia adequada para a vaga, lembra?
— Meu Deus, eu disse isso mesmo. Mas se eu vender uns quatro casacos da Chanel, eu quito a casa, babe, dá para quitar.
Presley nem duvidava.
Almoçaram juntas, tudo no horário certinho. Hanni tinha um ensaio à tarde, ela realmente estava numa onda boa de trabalhos e na expectativa de fechar mais um contrato muito, mas muito bom.
— Eu tenho 28 anos, achei que o meu ápice tinha passado, mas aparentemente, não. Se eu assinar com a YSL, para a linha de maquiagem, eu vou ficar tranquila por dois anos, Pres.
— Você vai, vai dar certo, eu tenho certeza — Presley disse, beijando a mão dela com carinho.
Hanni sentia que estava numa levada onde as coisas só estavam dando certo mesmo. Saíram em um carro só, Presley dirigindo novamente a sua SUV. Sua mão ainda estava meio roxa, mas seus movimentos estavam completamente recuperados. Estava vestindo calça de alfaiataria preta, blusa branca por dentro, terninho por cima, cabelos soltos, óculos escuros. Hanni estava uma graça, de minissaia xadrez, blusa preta, gola alta, um terno por cima também, masculino, Tom Ford, com toda certeza; o patrimônio dela estava mesmo naquele guarda-roupa. Deixaram Aika na escola, onde ela andava ficando tranquilamente, e os trabalhos de Hanni geralmente eram na Queen Street, o que fazia Presley pensar no tanto de vezes que deviam ter se cruzado de carro naquela avenida, totalmente alheias à existência uma da outra. A deixou no estúdio, depois de alguns beijinhos, e partiu para a embaixada.
Chegou, já checando algo no celular que contava com imponentes 29 chamadas perdidas, e quando ia passando pela recepção...
— Presley, ei! — Seven a chamou, mas com uma voz baixa, de quem tenta não chamar atenção. Presley parou e veio até ela.
— Oi, tudo bem?
— Você sabe que quando se está fazendo algo que precisa de backup, é bom ter um backup?
Presley ergueu os óculos escuros.
— Como...?
— Seu marido está aqui!
— O meu...? Como?!
— Acabou de me perguntar onde fica o banheiro, mas ele está aqui e eu não tenho o seu número. Fiquei aqui imaginando a beleza que seria se você chegasse aqui com a sua esposa de novo. Espera, quem é o titular?
— É que... — Presley respirou fundo, que confusão! — Eu estou me separando.
— Então, o marido realmente existe?
— Existe, claro que sim. Eu disse para você, eu não namoraria a Hanni para esconder, por favor. Ela é minha amiga e eu estou me separando, mas é... complicado.
— Imagino o quanto deve estar complicado com aquela gata do seu lado. Olha, ele está voltando, um gato, tá? Mas prefiro a modelo.
— O fã clube de héteros da Hanni, eu nem me impressiono mais.
Presley foi até Leo, trocaram um abraço breve. Ele perguntou se podiam conversar um pouco; ela apontou o sofá da recepção mesmo.
— Eu não esperava te ver aqui.
— Estou tentando te ligar, mas você não me atende, eu tive que vir aqui. Estamos com um problema, sua mãe amanheceu na nossa porta, aparentemente, você rejeita as ligações dela também.
— Ah, não existe rejeitar, eu só... não a atendi nas últimas 24 horas. Não é como se a gente não tivesse se falado por uma semana. Precisei de um tempo para mim.
— Mães não entendem isso — Ele respirou fundo, de terno azul-escuro, camisa branca por dentro — Ela com toda certeza, saiu desconfiada de que estamos nos separando.
— Como assim? Você não disse nada?
— Acho que nesse caso é você que tem que conversar com eles, eu posso estar com você, mas tipo, falar com a sua mãe...
Ele tinha medo da sua mãe.
— Ela pediu para a gente ir jantar com ela hoje.
— Não, hoje eu não posso, tenho um compromisso.
— Que compromisso, Presley?
— Eu tenho... Jiu-jitsu hoje, vai ter uma festinha para Aika, você quer aparecer?
Ele pensou um pouco.
— Eu não conheço ninguém lá.
— Bem, amanhã vai ter um momento na escola dela.
— Na escola?
— Isso, ela vai ficar feliz se você aparecer.
— Acho melhor... O almoço que a gente combinou na sexta. É o dia certinho do aniversário dela. Você sabe de alguma coisa que ela queira muito para eu dar de presente?
Presley respirou fundo, aquele tipo de situação a irritava profundamente.
— Você podia aparecer hoje e perguntar diretamente para ela, não acha? Pega na escola, leva para o jiu-jitsu, passa um tempo com ela, Leo.
— Você... acho que você tem razão. Vou buscá-la na escola e levo no jiu-jitsu. Posso marcar o jantar com a sua mãe para amanhã?
Presley respirou fundo novamente.
— Pode, enfim, se não dá para escapar, marca.
Ele, de fato, apareceu para buscar Aika na escola, o que surpreendeu Presley um pouco. Estava pronta para ir buscá-la, mas ele ligou dizendo que já estava com ela, que iam comer alguma coisa e depois a levava para a academia. Foi bom, Hanni se atrasou no ensaio, mas Presley chegou cedo para pegar os doces encomendados, preparar algumas coisas e avisou para ela sobre Leo.
— Por que ele não fica para assistir à aula? — Ela perguntou quando Presley ligou.
— Tudo bem para você?
— Claro que sim.
Leo chegou antes de Hanni. Presley perguntou se ele não queria ficar para assistir à aula, mas ele deu uma desculpa, estava ocupado com algo, e não ficou. Ao menos, Aika ficou feliz de ter passado um tempo com o pai e estava mais feliz ainda por ter uma festinha. Uma de três, ela repetia, saltitando e saltitando. Logo, Hanni chegou, quase atrasada, deixou um beijo em Presley, se trocou e então, perguntou de Leo. E Presley sentiu um constrangimento em responder. Não devia ser novidade para Hanni que Presley era meio abandonada naquele casamento, mas de qualquer forma, não foi confortável dizer. E nem dizer que não poderia ir ao jogo na próxima noite porque, bem, sua mãe estava exigindo um jantar de explicações.
— Oh! — Foi a reação de Hanni, já devidamente vestida, tranças boxeadoras, quimono preto, estavam num canto da sala enquanto a aula enchia, e Aika não parava de receber presentinhos — Eu levo as meninas, se não for problema. A Aika precisa estar nesse jantar?
— Não, não, seremos só nós dois com os meus pais.
— Entendi. E tem o almoço na sexta, talvez ele queira ir à festinha do hospital? Fala disso com ele, a Aika vai ficar feliz.
Ela com toda certeza ficaria feliz. O difícil seria convencer Leo a entrar num hospital, mas ok, um problema de cada vez. E nada de deixar isso interferir na festinha de Aika. Presley puxou Hanni pelo quimono, deixou um beijo no rosto dela.
— Vou me trocar.
Foi se trocar, quimono branco, colocou sua faixa sozinha, prendeu os cabelos no alto, moveu os dedos, estava bem para a aula e sabia que Aika ficaria feliz de vê-la no tatame. Bebeu um pouquinho de água, seu estômago estava esquisito o dia todo, e Hanni agora também estava. Ela não gostou do que Presley havia dito, com toda certeza estava desconfortável desde quando se falaram por celular, ou será que estava imaginando demais? Não tinha essa resposta. Bem, Hanni pediu que enfileirassem, a aula iria começar. Ela falou um pouquinho de Aika, com os olhos brilhando, de frente para ela, para que sua menina entendesse tudo, a elogiou, disse que o dia era especial, que a semana toda era especial e que havia preparado uma aula especial também.
Ela havia planejado uma aula para os três pequeninos e tudo foi muito, mas muito divertido. Exercícios divertidos, aquecimento muito lúdico, a técnica do dia foi algo chamado guarda aranha, que os menores dominaram muito bem. No momento dos rolas, outros convidados começaram a chegar. Aliana chegou, toda executiva; Presley sabia que ela tinha saído correndo para estar presente. Marcelo e Sabina chegaram logo em seguida. Presley fez o primeiro rola com Aika, o segundo com Pipe e o terceiro com Kaori. Deu um minutinho e algo saiu errado.
— Eu não disse para você ter cuidado com ela? — Em segundos, Hanni estava com elas.
— Eu tive, mestre! Parei assim que ela pediu. Presley, você se machucou?
— Eu não me machuquei, não, é que... — Presley fechou os olhos, respirando fundo, tentando segurar algo, e Hanni só...
— Vem aqui — Hanni a tirou do tatame imediatamente, levando-a para o banheiro, e só deu tempo de pisar na cabine.
Presley se ajoelhou diante da bacia do banheiro e apenas deixou vir.
E Hanni ficou abaixada com ela, segurando-a delicadamente, até tudo aquilo passar, até que sua garota conseguisse respirar outra vez. E Presley ficou altamente constrangida.
— Hanni...
— Quietinha, vem aqui — Hanni apenas se sentou para trás e a puxou consigo, recostando Presley em seu corpo. Desceu a mão por dentro do quimono, tocando seu abdômen e massageando suavemente. Imediatamente, trouxe um conforto. Presley respirou profundamente, aliviando a tensão.
— O que você...?
— Costumo enjoar muito em voos e alguém me ensinou essa massagem.
Presley deu uma olhadinha para trás.
— Alguém tem nome?
Hanni sorriu.
— É um nome ruim.
— Então, eu não preciso ouvir mesmo — Presley se virou de lado, passando os braços pelo pescoço de Hanni, fechando os olhos e sentindo as mãos dela acalmando seu enjoo — Babe, você abandonou a sua aula.
— Você precisava de mim — Beijou carinhosamente o pescoço dela — Melhorou?
— Aham — Tinha mesmo.
— Pres?
— Hum?
— O nome é América.
— América. Brasileira?
— Espanhola.
— Ok.
— A gente precisa voltar. Deixamos a aula com a Kaori, sempre é perigoso.
Presley riu. Era mesmo.
Voltaram quando a última rodada de rolas estava terminando, retornaram para o tatame. Hanni encerrou a aula e deu início à festinha, com música, doces, sucos e até balões! E Aika estava muito feliz, rodeada por seus amigos, tanto os pequenos quanto os grandes. Era reconfortante vê-la se comunicando facilmente com todos, mesmo aqueles que não conheciam a língua de sinais. Era só... entendível, simples. E não, Presley não estava conseguindo comer nada, nem tentou. Em algum momento, quando percebeu, Bogum se aproximou e estava ao seu lado.
— Tudo bem entre vocês, Pres?
Ela abriu um sorriso, olhando para Hanni.
— Eu acho que ela se irritou um pouco comigo.
Ele a olhou de lado.
— Mas você mereceu?
Presley riu um pouco.
— É possível que sim.
— Presley, posso ser um pouco irmão mais velho com você?
— Claro, claro que sim — Ela se recostou na parede, mãos para trás, ainda de quimono.
— O que você pretende com a Hanni?
Sabia que seria essa a pergunta.
— Quero namorar a Hanni, Bogum. Assim que eu me separar, e isso já está em andamento.
— Já está em andamento mesmo?
— Mesmo. Assim que eu me separar, estarei nessa cruzada de namorar a inamorável da sua irmã. Sei que ela foge de relacionamentos — Disse, o fazendo rir.
— Foge, mas ela quer namorar você, isso eu sei. Presley, eu sei que não parece, mas a Hanni tem um lado muito coreano: ela acredita plenamente que sentimentos ruins não devem ser transferidos, apenas os bons. Então, ela é muito animada, ilumina qualquer ambiente, mas guarda muita coisa para si, é bastante reservada com sentimentos complicados. Kaori me disse que ela está sendo mais aberta com você.
— Eu não tenho um parâmetro para medir isso, mas posso dizer que falamos bastante sim. Inclusive, sobre o que estamos sentindo uma pela outra.
— Isso é novo.
— De verdade?
— De verdade. E eu fico muito feliz de ver isso e contente de ver a Hanni assim, nessa configuração. Sempre disse para a Sabina que minha irmã foi feita para ter filhos, que precisava de uma família. E você apareceu. Pres?
— Oi...
— Você a irritou, mas ela quer a sua atenção.
Presley sorriu.
— Você acha?
— Tenho certeza, conheço aquela garota. Vai lá dar a atenção que ela quer.
Presley atravessou a sala e encostou em Hanni, que estava pegando algo na mesa.
— Precisa de ajuda, mestre?
— Eu não sou mais mestre agora, para...
— Estava me referindo a outro tipo de mestre, mais para... yes, master — Disse, sugestivamente, em referência aos romances adultos que Hanni já sabia que ela costumava ler, o que a fez rir.
— Presley, pelo amor de Deus...!
— Mestre! — June entrou de volta, trazendo algo — A moça disse que você pode mandar a xícara depois — Ela trazia uma xícara fumegante consigo.
— Obrigada, June — Pegou a xícara de chá e passou para as mãos de Presley — Você não comeu nada.
Era assim que ela estava irritada com Presley, como podia? Encostou discretamente o rosto no peito dela.
— Obrigada, meu amor — Presley falou em português, para que ninguém mais entendesse.
— Eu entendo — Sabina se manifestou.
— Ah, você não conta!
Acabaram saindo bem tarde da academia. Limpar tudo, deixar em ordem, recolher os presentes de Aika, que não foram poucos, tiveram ajuda; Aliana ficou, Kaori também, mas enfim, conseguiram vencer. Quando as duas partiram, havia algo no rosto de Aliana que Kaori não estava conseguindo decifrar. Já estavam no carro quando começaram a conversar sobre isso.
— Você está... preocupada — Kaori disse, já ligando o carro de Aliana. Estavam no carro dela naquela noite.
— Tive um estalo.
— Que tipo de estalo?
— Que... — Olhou para Kaori, respirando muito fundo — Eu já vi essa mesma gastrite na Presley antes.
— Como...?
— Tay, ela enjoou você.
Kaori nem saiu com o carro. Desligou, olhou para ela.
— Como assim ela me enjoou? — Só faltava essa, além de ter sido rejeitada à primeira vista, agora havia causado enjoo na garota.
— Enjoou o meu perfume em você. A gente se viu no almoço, você disse que ficou com o meu perfume, não disse?
— Disse e continuo.
Ela respirou profundamente outra vez.
— Tay, eu acho que a Presley...
Nem completou.
— Ela...? — Kaori não respirou, o ar ficou preso em sua garganta.
Aika estava tão animada que não chegou dormindo como de costume. Hanni havia dado banho nela ainda na academia, então ela chegou já de pijaminha. Após abrir todos os presentes, aceitou ir para a cama com Presley, que já havia tomado banho também. Hanni tomou banho, deu um beijinho em Aika e foi para a cama. Ela parecia meio estranha, mas tudo bem. Finalmente, depois de quase meia hora, Aika dormiu e Presley se perguntou se deveria ir para o quarto ou deixar Hanni dormir sozinha.
De jeito nenhum.
Estava de shortinho e moletom aquela noite, e sabia que Hanni estava de Hugo Boss de novo, boxer, camiseta, uma coisa! Presley entrou no quarto e ela estava mexendo no celular, vendo alguma coisa, então se enfiou embaixo das cobertas, mas não houve muita conversa. Ela estava vendo as fotos da noite, foi para o Instagram, e Presley achou melhor não insistir em nada, deu um beijinho nela e se virou para dormir. Ela ainda ficou no celular mais um pouco, depois a luz apagou e então Hanni virou para o outro lado. Silêncio. Cinco minutos de silêncio.
E Presley sorriu, porque Hanni se virou e a agarrou pelas costas, a boca no seu pescoço, a mão em sua cintura, por dentro do moletom.
— Babe...
— Hum?
— Eu quero estar dentro de você.
Presley sorriu novamente, virando o rosto para tentar olhar um pouquinho para ela.
— Entra.
— Mas...?
Presley tirou o short e se virou de frente para ela, pegando a mão de Hanni e levando para dentro da sua calcinha que já estava...
— Presley... — Hanni gemeu no pescoço dela, sentindo toda aquela umidade.
— Eu só fico assim perto de você. Ahhh, você também... — Deslizou os dedos por dentro da boxer, apenas para sentir, e Hanni estava... Uma coisa de molhada.
— Eu não rolo mais com você por causa disso.
— A gente pode rolar, ninguém vai perceber — Beijou o pescoço dela, deliciosamente se movendo contra os dedos de Hanni e segurou o punho dela de repente:
— O quê?
— Continua irritada comigo?
— Pres, não estou irritada com você.
— Eu sei que está.
— Não é irritação, só fiquei triste porque você não vai poder ir com a gente, mas não fiquei irritada. Você está me transformando em uma grudenta.
Presley riu um pouquinho, soltando o punho dela e tirando a sua calcinha, a boxer dela, já subindo em Hanni imediatamente.
— Eu vou pedir para atrasar o jantar.
— Não, não precisa.
— É mais fácil pedir para minha mãe atrasar o jantar do que pedir para atrasarem a abertura da copa do mundo, sabe? Mas eu tentaria mesmo assim, se não houvesse outra saída, porque gosto de te ver feliz, não triste — Disse, beijando o pescoço dela, percebendo que Hanni estava sorrindo.
— Sua boba.
— Vou assistir à abertura e ao menos, o primeiro tempo, pode ser assim?
— Você não tem que me mimar.
— Diz a mulher que pediu para me comprarem chá porque eu não comi nada numa festinha de criança.
Ela riu alto. Agarrou Presley pela cintura, girando com ela na cama, mudando as posições.
— Eu preciso...
— Estar dentro de mim, só entra.
E aqueles dedos longos entraram, e Presley não fazia ideia de como podia ser, mas sentia de verdade que ninguém antes havia estado tão profundamente dentro de si, como Hanni sempre entrava.
Era neural. Fazer amor com ela. Era mais do que físico, era neural, mental, uma coisa que jamais havia sentido antes. Então que terminou de fazer amor chorando.
— Babe, o que foi? Eu te machuquei? Eu senti que usei um pouco mais de força hoje, desculpa — Hanni falou um pouco assustada.
— Eu gosto.
— Como?
— Com mais força, eu fico louca, eu adoro — Presley respondeu sorrindo, toda agarrada nela — Eu... eu estou com medo, Hanni.
— Eu já disse que não precisa estar — Hanni a apertou nos braços, cheirando os cabelos dela — Eu vou estar com você.
— Não importa o que aconteça?
— Não importa o que aconteça.
E com essa promessa, Presley pegou no sono.


Kkkkk mds ela tá realmente grávida, o drama que isso vai gerar...
E meu coração fica como????ah gente, vem drama pela frente!!!!
Caraca, eu achei que era isso, mas pensei: a Tessa não faria a gente sofrer desse jeito…que 💣
Ahhh, não acredito disso não…
Como eu vou esperar 5 dias agora, Dona Tessa? Você disse que valeria a pena ler picadinho, mas o que tá pecadinho é o meu emocional 😂 você me paga!