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Acróstico 19

Atualizado: 26 de jun. de 2025


Acróstico


Uma Situação Íntima


Obviamente, ninguém dormiu cedo.


E sim, Presley estava exausta; deve ter dormido no máximo uma hora nas últimas 24 horas. Estava exausta pelos dois dias difíceis, pelas conversas difíceis, mas assim que Hanni encostou no seu corpo... Não existia mais nada além de tesão, desejo, necessidade de que ela lhe tocasse, naquele lugar onde ela já escrevia o nome dela de olhos fechados, onde só sabia onde ficava, onde chegava em dois movimentos. Se ela lhe fazia gozar assim, Presley só queria fazer o mesmo por ela e levava mais tempo, claro que levava, ainda estava aprendendo sobre Hanni, sobre aquele tipo de sexo tão próximo, tão íntimo. Presley nunca na sua vida tinha se sentido tão conectada a alguém como estava se sentindo com ela.


Já era quase duas da manhã quando pararam, e Presley achou a coisa mais delicada da vida que Hanni tenha colocado a calcinha e camiseta de volta, e tenha ido abrir a porta para checar se Aika estava bem. Então, voltou para a cama, agarrando Presley por trás, enchendo-a de beijos na nuca, na cervical, fazendo Presley sorrir demais.


Honi, tira... — Pediu Presley.

— O que, meu amor? — "Meu amor" em português.

— A camiseta, eu quero dormir sentindo você.

— Mas e se a criança acordar?

— Ela não virá até a gente, juro para você.


Hanni tirou a camiseta e apertou Presley nos braços ainda mais, cheirando-a, mantendo-a bem próxima, pois amava aquela mistura de Coco Mademoiselle, Miss Dior e suor pós-prazer que ficava nos corpos das duas.


Babe...?

— Hum? — Hanni mordiscou a orelha dela, porque Presley era completamente... deliciosa.

— O que quer dizer... — Jogou a mão para trás, gemendo levemente, buscando suas coxas — Meu amor?


Hanni sorriu.


— Seu português é muito bom.

— Mesmo?

— Mesmo.

— E o que quer dizer?

— Fecha os olhos e deixa o sono vir, vai lá, você não dormiu nada nos últimos dias...


Presley fechou os olhos, completamente agarrada nos braços dela, sentindo o relaxamento tomar conta do seu corpo inteiro.


— Mas o que quer dizer...?

— Quer dizer... — Hanni a cheirou mais uma vez — My lover.


Presley sorriu ao ouvir. E adormeceu.


E de alguma maneira, Hanni despertou com beijos na sua nuca, com uma mão quente tocando por cima de sua calcinha, esperando autorização para entrar. E Presley havia dormido completamente nua do seu lado, como podia despertar sem...?


Levantou, olhou sua filha, seguia dormindo como um anjo, fechou a porta, passou a tranca e quando Presley voltou para a cama, Hanni a pegou do jeito que queria. Firmemente, com jeito e posição de fantasia sexual, o sol entrando pela janela e Presley contra a cabeceira da cama, recostada, com as pernas sobre os ombros de Hanni enquanto ela entrava, contra aquele ponto de prazer, com uma visão privilegiada do rosto de Presley. Uma mão na intimidade dela, os dedos entrando e afundando, a outra mão na garganta. Hanni já havia estado com uma série de mulheres diferentes, mas estar em Presley, que era realmente inteira gostosa, e ainda tinha uma elasticidade que...


Hanni a fez gozar, forte, firme demais, vendo aquele corpo todo tremer, estremecer, os dedos dela se agarrarem aos seus braços, os gemidos enchendo os seus ouvidos. Presley abriu os olhos, vendo algo que, sinceramente, a fez gozar violentamente outra vez.


A calcinha de Hanni estava encharcada.


E ela estava tremendo de tesão.


Presley tirou a boxer que ela usava em segundos, Hanni nem sabia muito bem como, estava transtornada de tesão, absurdamente molhada de vontade. Só sabia que quando deu por si, Presley estava sentada sobre os joelhos, a boca em seu pescoço e os dedos espalhando a umidade de sua intimidade, causando espasmos nos quadris de Hanni, se empurrando para o toque dela sem ter como controlar.


Babe, eu preciso ir para a sua boca, sua mão está dolorida, não está? — Hanni estava VICIADA nos dedos de Presley.

— Quero te ver gozando. Quero te ver gozar e beijar essa boquinha linda que você tem — A beijou, deslizando um dedo para dentro dela, a fazendo gemer na sua boca. Ela estava tão quente, tão molhada que, sinceramente... — Babe, mais um...?

— Pres...

— Só mais um — Deslizou um segundo dedo e Hanni rosnou de tesão. Como podia ser? Como ela só...? Sabia?

— Vou gozar muito rápido, honi.

— Eu sei, estou sentindo você, se agarrando contra os meus dedos, goza assim? Se esfregando em mim?


Hanni parou de verbalizar qualquer coisa que fosse.


A boca de Presley na sua boca, no seu pescoço, no seu colo, ela toda suada, uma gostosa, com aqueles dedos firmes por dentro, no ponto de prazer de Hanni, que só começou a sentar contra o toque dela. Esfregando mais, sentindo mais, completamente enlouquecida. O prazer estava muito perto, muito latente: o toque de Presley, o corpo dela quente contra o seu, o cheiro dela, a conversa suja no seu ouvido que só deixava Hanni louca de tesão. E o quanto ela ficava excitada tocando Hanni, o quanto já estava molhada novamente, os gemidos enquanto lhe dava prazer e Hanni ouviu e sentiu um gemido diferente.


— Desculpa, babe, eu te machuquei?

— Não machucou, honi, continua, eu quero sentir você gozando, no meu ponto, bem aqui.


Ela tocou ali novamente, estremecendo Hanni inteira mais uma vez, que continuou investindo, se movendo em seu colo, esfregando-se contra aqueles dedos, até que veio, um prazer intenso, alongado, como se derretesse tudo por dentro, soltando cada músculo, cada terminação nervosa...


Se beijaram, Presley retirando os dedos de dentro dela, deitando-a para trás e descendo a boca pelo corpo dela até sua intimidade, colocando a língua, fazendo Hanni estremecer demais, demais.


— Presley...!

— Só sentindo, deliciosa. Você é deliciosa! — Lambeu mais uma, duas vezes, fazendo-a tremer novamente.

Meu, como pode você ser uma gostosa assim — Disse, cobrindo os olhos com o braço, totalmente em português, cheia de sotaque paulista, fazendo Presley rir.

— O que você disse?

— Tem uma palavra em português, gostosa, eu não sei como traduzir para algo que tenha o mesmo impacto. Tasty? Não se aproxima o suficiente, mas quando eu te vi lá no hospital, se afastando de mim naquele seu jeans justinho...

— O quê?

Yummy mommy — Disse, bem descarada.

— Hanni! — Presley não estava acreditando. Subiu nela, ainda sem sentir os dedos da sua mão esquerda, ela era canhota — Você pensou mesmo?

— Eu disse, a Mila pode confirmar. Eu nem notei que disse, um pensamento intrusivo me venceu.

— Os meus me vencem com facilidade, eu falo muito sozinha — Deitou no peito dela — Sério? Que você me achou atraente assim?

— Atraente? Eu te achei UMA DELÍCIA, uma gostosa, aff! E eu SEI que você ficou nervosa comigo.

— Como você é convencida! — Riu, escondendo o rosto no peito dela.

— Me diz se não ficou.


Presley sentiu o cheiro dela e deixou um beijinho ali.


— Fiquei. Me senti atraída por você imediatamente, eu fiquei quente só de você se aproximar de mim.

— Pres, eu sou a sua primeira...?

— Mulher? Sim, na cama sim.

— Na cama? Então você...?

— Eu já tinha beijado outra antes de você.


Hanni olhou bem para ela. Não é que fosse ciumenta nem nada, mas como assim havia beijado outra...?


— Beijou? Beijou quem?


Presley riu.


— Você precisa compreender primeiro que é algo que eu não tenho uma clara lembrança, porque estava muito bêbada, mas beijei a Aliana antes de ficar com o Leo.

— A Lia? Eu sabia! Ah, mas eu sabia! Você nem tem vergonha de se enfiar num banho com ela dentro da minha casa, Presley Park!

— Mas foi antes de você! — Presley estava rindo sem parar, toda agarrada nela, porque Hanni havia tentado sair de seus braços.

— Não importa! Presley...! — Hanni respirou fundo, olhou bem nos olhos dela, enquanto ela permanecia sobre o seu corpo — Se você fizer isso de novo...

— Eu não vou fazer mais, eu não prometi que não faria mais? As coisas eram diferentes antes — Disse, beijando aquele pescoço, acalmando sua ciumentinha.

— O que era diferente antes?


Presley olhou naqueles olhos profundos, tão escuros, tão bonitos.


Eu não tinha você. E não sabia que não tinha sido só um selinho nela, isso me contaram faz pouco tempo.

— Quem contou?

— Ela. O Leo.

— Como assim o Leo?!


Presley estava rindo demais.


— Ele viu, enfim.

— Presley, se eu sonhar que você continua tomando banho com ela...


Presley a beijou, beijou, beijou muito!


— Ciumenta.

— Não sou. Mas não faz de novo, para o seu bem. Agora, vai para o banho.

— Sozinha?

— Sozinha, ou a gente não sai daqui antes do meio-dia — Respondeu, já sorrindo — Vou fazer café pra gente, temos que sair em uma hora, está bem?


Presley a beijou e beijou, olhando-a um pouco mais. Como podia ser bonita daquele jeito?


— Está bem.

Fizeram assim: Presley foi para o banho e Hanni se vestiu novamente, colocando uma boxer, camiseta e um roupão, a pele absolutamente brilhando, ela estava radiante, as duas estavam. Quando Hanni pisou fora do quarto, viu uma bebê sentadinha na cama.


Ela viu Hanni, brilhou os olhinhos, um sorriso se abriu em seu rostinho. Tudo o que Presley ouviu de dentro do banheiro foi a risada de sua filha misturada à risada de Hanni. Só sabia que elas estavam brincando na cama, provavelmente de jiu-jitsu, já que em qualquer oportunidade que Aika tinha na vida, ela saltava em Hanni e a levava para o chão. O café iria atrasar, tinha certeza. Tomou seu banho, sentindo um relaxamento incrível pelo corpo inteiro. Ainda sentia aquela dorzinha gostosa por dentro e sabia que Hanni estava sentindo igual. Mordeu a boca em um sorriso. Decidiu lavar o cabelo rapidinho, porém, encontrou dificuldades. Seus dedos da mão esquerda não estavam... fechando? Não, não estavam. Deu uma olhadinha e um deles parecia estar um pouquinho inchado. Tentou fechar e doeu. Continuou, lavou os cabelos com uma mão e meia só, passou condicionador, saiu do banho e teve que usar o secador com a mão direita. E as risadas continuavam.


— Hanni, a gente vai se atrasar desse jeito! — Falou da porta do banheiro.

— A gente vai fazer o café! — Ela respondeu sorrindo e então, falou com Aika, de frente — A gente tem que fazer café da manhã, como se diz...?


Ela fez gestos com os dedos. Hanni repetiu, Aika ajustou os dedos dela no último sinal e sorriu, “perfeito”, e isso Hanni entendeu.


— Você que é, perfeitinha demais — Falou com ela em coreano, a cheirando, a fazendo rir de novo — Chega de jiu-jitsu, café da manhã, vamos!


A pegou no colo e desceu com ela, aos risos, brincando o tempo todo. Então, parou no banheiro do andar de baixo, se abaixou na frente dela.


— Você entra no banho? Eu vou adiantar as coisas aqui e te ajudo, tudo bem?


“Tudo bem. Nós, Hanni, trabalho, vamos?” Frase gramaticalmente coreana.


— Vamos no meu trabalho e no trabalho da mamãe no final do dia. É sua semana de aniversário, não é? — Ela respondeu ficando muito animada — Vamos fazer o que você quiser. Mas primeiro, banho! — Tirou o pijaminha, ligou a água quente para ela. O banheiro ficava de frente para a cozinha e Hanni podia prestar atenção nela enquanto adiantava o café da manhã. Colocou o café para fazer, encontrou os pães que tinha, cortou algumas frutas: morango, manga, kiwi. Presley desceu já com os cabelos meio secos, vestindo jeans e moletom Calvin Klein, creme, clarinho.

Honi, eu não consegui...

— O quê?


Chegou pertinho de Hanni.


— Fechar o jeans — Ela respondeu, rindo.

— Como assim? Seus dedos...? — Hanni fechou a calça para ela e segurou sua mão, preocupada.

— Não estou conseguindo fechar.

— Está inchado aqui? — Hanni estava tocando delicadamente os dedos dela e verdadeiramente preocupada, enquanto Presley só achava engraçado demais.

— Acho que um pouquinho, é por isso que não estou fechando.

Babe, e se... tiver quebrado?

— Claro que não, Hanni. Eu deveria estar com muita dor se tivesse quebrado, não?


Hanni segurou um riso nervoso.


— E se eu tiver quebrado o seu dedo...?

— Sentando em mim...?


Ela teve uma crise de riso e preocupação, e Presley não aguentava com ela. Claro que não estava quebrado, com certeza, estava com os dedos cansados, mas não devia ser nada de mais. Mandou Hanni para o banho.


— Termina o banho dela e toma o seu em seguida, estamos ficando sem tempo.


Hanni fez isso, terminou o banho de Aika e a colocou para fora, depois foi tomar o seu banho enquanto Presley terminava o café da manhã. Fazia as coisas mais devagar, mas conseguia fazer tudo mesmo com Aika agarrada a ela. A menina estava apegada, queria saber onde Presley havia estado no dia anterior e, claro, perguntou do papai. Presley respondeu a tudo, disse que tudo estava bem, e Hanni saiu do banho, também com os cabelos lavados.


— Quer que eu vista a criança?

— Acho que não consigo — Presley respondeu sorrindo; agora estava sentindo um pouquinho de dor.

— Eu cuido disso — Pegou a criança de cima do balcão, fazendo-a rir novamente, e dez minutos depois, as duas estavam de volta. Aika estava toda de branco, com moletom, tênis nos pés e capuz com orelhas de gatinho. E Hanni estava toda de preto, com jeans e camiseta Hugo Boss, usando peças masculinas — Presley, isso não é normal, não é? Com quantos anos as crianças aprendem a ler?


Presley riu.


— Eu não sei, com três? Comecei a ler com três, eu acho.

— Você?

— Aham, eu acho que... — Pegou o celular. Hanni havia colocado Aika em cima do balcão novamente. Presley ligou para alguém, colocou no viva-voz enquanto terminava de fritar os ovos — Mãe?

— Oi, filha, ligando cedo assim?

— Bom dia, mãe. Como você está?

— Estou bem, e você?

— Tudo bem também. Mãe, com quantos anos comecei a ler?

— Dois anos e meio lia em coreano; com quatro, já lia em coreano e inglês; aos sete, dominava leitura em coreano, inglês e chinês.


Ela ia descrevendo o currículo de Presley, destacando os idiomas com muito orgulho. Ao final, Hanni estava se sentindo muito burra. Disse isso enquanto tomavam café, ainda rindo muito após desligarem.


— Aprendi a ler aos cinco anos, cinco anos! Depois cheguei ao Brasil e não conseguia ler o letreiro do ônibus que precisava pegar para ir à escola.

— Essa é a minha habilidade especial, vai, você tem várias. Quantos instrumentos você toca?

— Hum, violão, guitarra, violino, piano...

— Violino?

— Estudei música clássica por uns cinco anos, mas não é o que toco melhor.

— E começou a tocar com quantos anos?

— Uns quatro anos, acho eu. Com toda certeza, antes mesmo de aprender a ler.


Conseguiram sair pontualmente no carro de Presley.


— Você consegue dirigir?

— Você não quebrou meus dedos, Manu, tenho certeza disso. Mas que estava doendo, estava.


Dirigiu até o estúdio, com Aika animada, fazendo milhares de perguntas. Hanni compreendia cerca de trinta por cento delas e conseguia responder. Passaram pela ponte, acenaram para a Sky Tower. Hanni contou que Kaori trabalhava na torre e prometeu levar Aika lá qualquer dia. 


"Essa semana, aniversário."


— Ah, sim, algum dia desta semana, prometo.


Chegaram ao centro, onde o estúdio ficava localizado em uma área muito nobre, num prédio bastante alto. Presley estava inconformada de Hanni estar com zero maquiagem.


Babe, eles tiram tudo de qualquer maneira — Ela respondeu sorrindo, já no elevador, carregando uma mochila e com Aika agarrada nas pernas das duas, com os olhinhos hipnotizados pelas cores dos botões do elevador.

— Tomei cuidado essa noite — Deixou um beijinho no pescoço dela.

— Acha que não fez nenhuma marquinha nova?

— Acho que fui disciplinada... — Disse, inflando as bochechas, a coisa mais linda. Aika fazia o mesmo com as bochechas. Não aguentava com aquelas duas. Hanni beijou carinhosamente a testa dela, sorrindo e alongando o carinho.

— Muito disciplinada, senti a disciplina.


O elevador se abriu e foi esse apego que o estúdio inteiro viu.


Claro que a mini Manu Park roubou toda a atenção imediatamente. Sua filha era muito linda; Presley tinha plena consciência disso. Ela roubava corações com extrema facilidade. Hanni a apresentou e quando foi apresentar Presley...


— Você já esteve no nosso Instagram, não se esquece um face card assim. Certeza de que nunca pensou em modelar? — Perguntou a produtora, sorrindo para ela.

— Nunca, nunca mesmo — Presley respondeu, também sorrindo.

— Podíamos fazer um teste de câmera no final do ensaio aqui, o que acha? Gostei bastante da combinação de vocês duas.

— Ah, com a Hanni?

— Isso, com ela. Você gosta da ideia?


Com Hanni, achava que conseguia sim. O que podia dar errado num teste de câmera? E ouviu a bronca do maquiador em cima de Manu, que não conseguia parar de rir, porque era uma idiota, é sabido.


— Quem fez isso, Park Manu?


Ela apenas olhou para Presley, e ele:


— Ah, foi você, mocinha?

— Eu? Não, não, não fui eu, não — Negou, rindo.

— Presley Park! — Saiu em tom de repreensão da boca de Hanni, e Presley entendeu imediatamente.


Tapou os olhos de Aika; não queria que sua filha ouvisse.


— Fui eu. Lembrei que ela me prometeu um escândalo se eu não a assumisse em alguma situação.

— Minha querida, então você está numa vantagem, porque o que acontece com essa garota aqui são as namoradas fazendo escândalo, pois ela não assume nada — Ele disse, fazendo Hanni corar e Presley rir bastante.


Então, era exclusividade sua, mesmo? Gostou de saber.


E gostou de acompanhar o ensaio que ela fez, com quatro looks diferentes, da última coleção da Diesel. Só de ver o jeito que ela se movia, encarava a câmera e ajustava seu acting (descobriu que a sequência de poses chamava acting), não dava para Presley, não. Não era nada simples de se fazer; era necessário noção de muita coisa para que as fotos ficassem ótimas. Pelo jeito que o fotógrafo estava feliz, Hanni fazia isso com extrema facilidade. Entendia a luz, conhecia o seu corpo, o seu rosto, cada um dos seus ângulos. E Presley jurou que Aika daria trabalho, mas nada; ela ficou quietinha assistindo, muito encantada com tudo o que estava vendo: o cenário, as luzes, a movimentação toda. E disse que Hanni estava linda a cada troca de roupa, o que deixava sua garota toda feliz. Como podia?


— Presley? — A produtora a chamou.

Oi — Ela respondeu em português, quase automaticamente, fazendo a produtora rir.

— Outra brasileira, ok. Quer ir para a maquiagem? Estamos terminando com a Manu.


Então, era sério mesmo, o tal do teste de câmera? Era. A Presley de um mês atrás morreria de vergonha, mas aquela de agora apenas olhava para as oportunidades e se perguntava: por que não? Foi para a maquiagem e seu dedo agora estava doendo um pouquinho mais. Tomou um analgésico e foi maquiada em quinze minutos. Era quase outra pessoa, como podia? Mudar tanto com a maquiagem correta? A maquiagem destacou seus traços naturais, seus olhos, o desenho do seu rosto. Presley foi vestida também; o último look de Hanni era all denim, jeans, jaqueta, nada por baixo da jaqueta. Vestiram Presley de short jeans, top com a marca Diesel no decote, jaqueta por cima. Teve que ser maquiada no decote, porque uma marquinha acenou dali, deixando-a vermelha demais para o maquiador. Problema resolvido, foi levada para o set com Hanni. Lá estava sua filha, para dizer que Presley estava linda também. Ela estava nos braços de Hanni, bebendo água no intervalo do ensaio. Hanni viu Presley e se derreteu sorrindo.


— Você está linda — Beijou a mão dela com carinho e notou que estava diferente — Babe, está ficando roxo.

— Está tudo bem — Sorriu para ela.

— Mesmo? — Os olhinhos preocupados, uma graça.

— Mesmo. Me ajuda, o que eu faço?

— Eles vão tirar algumas fotos do seu rosto. Tiraram algumas sem maquiagem, não foi?

— Sim, sim.

— Você repete essas poses, é literalmente, para o seu face card, e as outras... — Olhou para o fotógrafo — Como você quer as fotos?

— A gente vai fazer algumas fotos em close e depois, se olhem, atuem uma para a outra, acho que vai ficar legal.

— Ok, a gente consegue.


Presley falou com Aika, pediu que ela ficasse sentadinha. Alguém trouxe um chocolate quente para ela e sua menina ficou quieta, muito educada, muito não ameaçadora, nem parecia o seu furacão. Aika estava significativamente mais calma e Presley queria descobrir qual havia sido esse estopim para a calma. A rotina nova, o jiu-jitsu, Hanni? Ainda iria compreender. Fez algumas fotos sozinhas, ouvindo as instruções do fotógrafo, as dicas de Hanni, e então posaram juntas.


De frente para a câmera, realmente havia uma harmonização especial no rosto das duas; elas combinavam de alguma maneira. Hanni tinha traços mais retos e Presley, traços arredondados. Havia uma harmonia entre a energia mais densa, cheia de atitude que Hanni emitia e a energia puramente delicada de Presley. Ouviu isso da produtora e ficou lisonjeada. Naturalmente sedutora, ela? Podia estar agora, era só olhar para a Afrodite que andava fazendo gozar.


— Suficiente? — Hanni perguntou, notando que haviam terminado.

— Mais do que suficiente!

— Você pode tirar mais umas fotos? Com o bebê? — Hanni perguntou para Aika se ela queria fotografar, meio em língua de sinais, meio soletrando, meio no improviso. Ela disse que sim, ficando de pé e dando saltinhos — Tudo bem? — Perguntou para Presley.

— Claro que sim. Vem aqui, filha.


Ela foi, muito animada. Hanni limpou a boca dela, suja de chocolate, e a produtora trouxe uma jaqueta, de adulto mesmo, mas Diesel.


— Coloca nela.


Vestiram a jaqueta jeans nela e tiraram as fotos mais divertidas possíveis. As duas no chão, para ficarem no ângulo de Aika, a jaqueta maior do que ela, uma graça, e fotografaram por uns dez minutos, cheios de risadas e carinho. O resultado ficou lindo demais. Hanni pediu aquelas últimas fotos e, enquanto se trocava, ficou tempo demais olhando para uma foto específica: Aika entre as duas, num abraço duplo, Presley sorrindo de olhos fechados, Hanni também, e Aika de olhos abertos, fazendo uma careta linda. Deixou como wallpaper no seu celular, não na lockscreen, mas deixou.


 Correram para casa e Presley entendeu por que Hanni vivia saindo maquiada. Os horários apertavam de repente, então saiu maquiada também. Manu prendeu os seus cabelos e os dela, porque era oficial: seu dedo estava inerte, impossível de ser fechado e doendo bastante. Mesmo assim, dirigiu para casa e deixou Hanni correr para arrumar Aika para a escola. Enquanto ela fazia isso, Presley checou suas mensagens. Leo havia escrito, mensagens simples: onde estava tal coisa? E Presley sabia de tal roupa dele? Respondeu a todas as perguntas que ele fez. Hanni surgiu com sua menina, muito bem arrumadinha, com tranças boxeadoras no cabelo e tudo.


Então, Hanni vestiu Presley, vestido preto, justinho, acima dos joelhos, terninho por cima, da mesma cor e foram almoçar na Sky Tower, em um dos restaurantes que tinha na torre. Dali, havia uma vista absurdamente privilegiada de Auckland e Aika ficou simplesmente deslumbrada, fascinada, não parava de apontar, de se divertir vendo as coisas tão pequeninhas lá embaixo. Fizeram seus pedidos e foram curtir a vista as três juntas, e o que Kaori viu quando chegou...


Presley de vestidinho e saltos, Hanni inteira de Hugo Boss, a criança entre as duas.


The face card couple e a face cardizinha estão aqui — Disse, falando com Aliana ao celular, e ouviu a risada dela do outro lado.

The gorgeous couple que não é casal.

— Elas mesmas. Lia, eu vou te ver...?

— Te encontro no jiu-jitsu, pode ser?


Podia, porque Kaori nem sabia naquele momento como seria enfrentar um dia sem encontrar com ela. O quanto aquilo era grave? Foi lá, dar um beijo nas duas e no Furacão Katrina, que queria porque queria ver o trabalho de Kaori. Era dia de ela ver todos os trabalhos, era a semana do aniversário dela, e ela foi tão convincente que Kaori a sequestrou por dez minutos, para mostrar onde trabalhava. E quando Aika voltou, o almoço já estava servido, e ela estava IMPOSSÍVEL de se manter sentada porque...


“As pessoas voam! Voam! Eu quero também!"


Explicaram que não era exatamente voar, que era mais pular. Explicaram como funcionava um bungee jump e Presley tinha certeza de que Kaori era louca. Ela já tinha saltado mais de cem vezes daquela torre, normal-normal, não tinha como ela ser e não conseguiu cortar sua própria comida.


— Presley, a gente devia ir ao hospital.

— Que exagero, honi, claro que não. Daqui a pouco o inchaço reduz e eu volto a mexer o dedo normal. E Hanni estava vermelha demais cortando sua comida, rindo de preocupada.

— Eu senti... o impacto, a gente devia ter parado.


Presley cobriu os olhos de sua filha:


— Você não tinha gozado, nunca que eu ia parar — Respondeu, sorrindo.


O almoço teve gosto doce.


E elas conseguiram chegar mais cedo no colégio de Aika, conseguiram um momento com a orientadora pedagógica e foi muito, mas muito diferente para Presley. Porque, enquanto Hanni conversava com a orientadora, se deu conta de que era a primeira vez que tinha alguém ao seu lado ajudando a resolver algum problema de Aika. Leo nunca esteve naquela escola, nunca estava nas consultas dela, só... nunca estava.


E foi bom não se sentir sozinha, foi ótimo não ter que explicar sozinha, não ter que pensar numa solução sozinha. Hanni era muito articulada, tinha um discurso limpo, amistoso, explicava tudo sempre sorrindo, se colocando à disposição para qualquer coisa. Explicou do seu projeto; se fosse interessante, podiam contar com ela. A orientadora trouxe a diretora para a conversa e Hanni tinha uma apresentação, fez no iPad mesmo e tudo resolvido. Saíram de lá com data para o workshop de Hanni e uma promessa de redobrarem os olhares no intervalo enquanto isso, e Presley havia precisado falar muito pouco.


Era assim ter uma dupla?


Deixaram Aika na escola, e Presley não conseguiu mesmo dirigir mais. Mas ela seguia dizendo que estava bem, então Hanni dirigiu para a embaixada, incrivelmente no horário, tanto no de Presley como no de Hanni. Depois de alguns beijinhos bem longos, Hanni dirigiu para o hospital. Presley chegou muito tranquila, ainda com os dedos doloridos, mas achava que ficaria tudo bem depois de um pouco de calor no local.


Haviam comprado uma bolsa térmica pelo caminho, que Presley esquentou e fez compressa enquanto trabalhava. Tinha muitas tarefas e, ainda bem, nenhuma delas com tradução para língua de sinais. Foi traduzindo as coisas devagar, usando sua voz para escrever. Tinha muitos e-mails, muitos eventos se aproximando, e viu uma reunião com a CRH surgindo no seu calendário. Provavelmente, sua realocação de função e, provavelmente também, uma conversa sobre um aumento de horas trabalhadas. Seria ótimo, precisava daquele dinheiro, mas como faria com Aika? Tinha três dias para pensar. Correu com outras coisas, outras tarefas, e então, deve ter passado uma hora sem prestar atenção na sua mão e quando olhou novamente...


— Presley, isso está quebrado — Sua chefe disse.

— Não, não tem como — Sua mão agora estava quase completamente roxa.

— Como você fez isso, Presley? — Um dos seus colegas perguntou, com um tom de voz diferenciado e um olhar excessivamente desconfiado.

— Foi... um acidente doméstico — Ela respondeu, rindo um pouquinho.

— Hum, foi no conforto do seu lar.

— Então... — E ok, agora estava doendo pra caramba mesmo — O que faço, Sara?

— Você precisa ir a um hospital, sério mesmo. Se estiver quebrado, está correndo risco de piorar a situação — Olhou para a mão dela novamente, segurou o riso um pouquinho. Era fofoca na empresa que Presley, ou um: era casada com a modelo da Diesel, ou dois, estava saindo com a modelo da Diesel. Ambas as versões coexistiam e pareciam verdadeiras.

— Presley, como...?

— Foi... realmente... uma situação... bem doméstica.

— Entendi, bem doméstica. Vamos lá, está dispensada. Tem alguém que possa vir te buscar? Acho que você não tem como dirigir.

— Eu vou... ligar para alguém, só um instante.


Ligou para Hanni, que teve um ataque de riso nervoso ao ouvir a situação. Ainda estava no hospital, mas deixaria Mila terminando a sessão e estava indo buscá-la. Chegou muito rapidamente e, ao ver as cores na mão de Presley, ficou imediatamente hiper preocupada. Mesmo com Presley tentando acalmá-la, repetindo que estava tudo bem, nada a tranquilizou; ela dirigiu uma pilha de nervos.


Babe, você é intérprete, olha a tragédia que eu posso ter causado para a embaixada sul-coreana, eles mandaram a outra menina embora!


E Presley estava morrendo de dor, mas não conseguia parar de rir do desespero de sua modelo, ao mesmo tempo em que tentava acalmá-la, afinal, ela estava dirigindo. E foi assim que elas retornaram ao hospital, mesmo sendo infantil, mas era o mais próximo e Hanni conhecia todo mundo; não era possível que não conseguisse um atendimento. Estacionou a SUV muito pior do que havia estacionado seu Jimny no dia em que se conheceram, tirou os saltos de Presley, a fez calçar um chinelinho, e entraram no hospital de mãos dadas. Passaram pela recepção e foram encaminhadas para o setor de emergências. O médico olhou para elas, era um amigo de Hanni. Ele analisou, fez alguns testes e deu uma olhada para as duas.


— Como... como você fez isso?


Presley mordeu o riso e Hanni afundou o rosto entre as próprias mãos, tornando-se um pimentão humano, rindo demais.


— Foi em uma... situação íntima — Presley respondeu.

Situação íntima? — Ele deu uma olhadinha para Hanni — Hanni... — Ele riu, baixando a cabeça.

— Me diz que não está quebrado — Ela pediu, sem olhar para ele, mais roxa que os dedos de Presley.

— Eu não sei ainda, vamos fazer um raio-x para descobrir.


Presley foi para o raio-x, e Nana ouviu de alguma conversa de corredor que Presley estava no hospital, com uma possível fratura em um dos dedos, então ela veio rir, claro que veio rir. Hanni tinha se afastado para ligar para Kaori, pedindo que ela pegasse Aika na escola, pois iriam se atrasar. O motivo? Ela contou, e Kaori teve uma crise de risos por minutos inteiros. Nana sentou-se ao lado de Presley depois de sua crise particular de risos.


— Foi do jeito que estou pensando?

— Provavelmente, do jeito que você está pensando — Respondeu, sorrindo muito, apesar da dor infernal.

— Presley, vocês...?

— Estou me separando, ela está se separando da não-relação dela, e eu estou ficando na casa dela.

— Esse é o resumo?

— Esse é o resumo por enquanto.


Fez o raio-x, Kaori buscou Aika e a levou direto para a academia. Retornaram ao médico e as notícias eram boas: não estava quebrado, mas estava... deslocado.


— Deslocado?! — Hanni quase desmaiou.

Mas vai melhorar assim que a gente devolver para o lugar. Presley, isso deve estar doendo pra caramba.

— E vai doer mais para pôr no lugar, não vai?

— Mas vai doer rápido. Vou buscar uma fisioterapeuta, ela fará isso melhor do que eu.


E assim, lá veio outra amiga de Hanni, para morrer de rir da situação. Hanni seguia um pimentão humano, mas Presley estava tranquila com isso, só estava com medo do procedimento. Tentaram começar devagar, mas ela puxou a mão. A fisioterapeuta tentou de novo, e Presley puxou a mão outra vez.


— Presley...

— Eu não consigo controlar — Disse, morrendo de rir e de dor.

— Hanni, você vai ter que segurar a gata aqui — A fisioterapeuta decretou.

— Pres...

Babe, eu não consigo, vai doer.


O “babe” em público derreteu Hanni todinha.


E então, conversou com Presley como se estivesse falando com Aika, explicando que ela não podia puxar a mão, que precisavam resolver o problema. No final, Presley estava no colo de Hanni, com as pernas de lado, o braço direito agarrado no pescoço dela, o rosto enterrado no ombro. E Hanni a segurava com firmeza, imobilizando o braço esquerdo da forma mais delicada possível, mas, ao mesmo tempo, certificando-se de que ela não conseguiria arrancá-lo novamente.


— Prontas?

— Não — Hanni disse e fez que sim.


Um único puxão, um grito enorme e o dedo no lugar.


Presley ainda ficou no colo dela, toda apegada, chorando um pouquinho. A fisioterapeuta imobilizou o dedo junto com o dedo ao lado que estava ok, o médico receitou um remedinho, compressas, ela ficaria bem.


Babe, eu preciso ir para a academia, você vem e fica deitadinha no tatame. Você nem tem casa para ir — Hanni disse, fazendo Presley rir no meio do choro que ainda continuava. Elas já estavam caminhando pelo estacionamento em direção ao carro.

— Está me colocando na rua, é isso mesmo?

— De forma nenhuma. Estou falando da casa a qual você foi convidada a se retirar momentaneamente. Para a casa em Takapuna, eu só não quero mandar você sozinha porque está medicada e pode precisar de mim.

Honi... — Presley parou e se abraçou nela, agarrando-se no pescoço de Hanni, que apertou os braços em volta da cintura dela, carinhosamente. Hanni a cheirou um pouquinho. Como podia ser uma gostosa e um bebê tudo ao mesmo tempo?

— Quer ir para casa? Vou com você, peço para a Kaori dar aula no meu lugar.

— Quero um beijo.

— Aqui? Você tem certeza?


Presley deu uma olhadinha ao redor.


— Tem umas duas mães da sua coleção bem ali.


Hanni a beijou longamente, muito gostoso, puxando-a pela cintura, rindo demais.


— Agora a gente pode ir?


Agora podiam.


E por aquele dia inteiro, Presley sequer lembrou que estava se separando. Não parecia separada, na verdade, sentia exatamente o contrário. E não era ruim. 


De forma nenhuma era.


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5 comentários


Gabriela Rafael
Gabriela Rafael
17 de mar. de 2025

Kkkkkkkk esse capítulo me arrancou altas risadas com essa história do dedo, muito bom

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sylber1011
sylber1011
17 de dez. de 2023

😂😂

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Adriana Evangelista
Adriana Evangelista
15 de dez. de 2023

ah os acidentes na hora do amorzinho, quem nunca???!!! kkkkk Gente elas já casaram e ainda não sabem!😍😀

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Jaqueline Almeida
Jaqueline Almeida
15 de dez. de 2023

Esse capítulo 🫠🥰

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Rodrigo Mesquita
Rodrigo Mesquita
15 de dez. de 2023

Em tese, seria possível dizer que esse foi o capítulo do dedo? Pois uma situação bem hot entre nosso casal Park preferido resultou em um dedo aparentemente quebrado e uma Presley teimosa dizendo que não precisava de hospital... ainda bem que não quebrou o dedo nessa sentada, só deslocou, mas o risco que ela correu... ai, meu Deus! E ver as três garotas nesse momento família foi uma coisa tão fofa, tomara que os devaneios da Hanni sobre formar uma família com a Pres e a Aika virem realidade, que as três merecem essa família que estão formando ❤️


E ver a Hanni ameaçando fazer um escândalo ao ver a Pres "negar" ser a responsável pelas marcas no pescoço dela... se…


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