Acróstico 20
- Riesa Editora

- 19 de dez. de 2023
- 20 min de leitura
Atualizado: 26 de jun. de 2025

Boyfriend Style
Foram para a academia. Presley estava sentindo dor, mas não era nada absurdo e não queria ficar sozinha. Até ficaria se não tivesse a opção de estar com Hanni, mas era uma bela verdade que não podia ser negada, não queria se afastar dela. Talvez por isso sequer tenha deixado suas coisas no apartamento de Aliana antes de ir buscar Aika no domingo. Havia sido inconsciente, mas de alguma maneira...
Tudo o que queria era estar com ela. Não pensou muito profundamente sobre isso, apenas aceitou essa parte, da mesma forma que Hanni havia aceitado também. Hanni era sua amiga, uma das melhores amigas que já tinha feito na vida, e tudo estava revirado? Estava, mas ela tinha razão: Presley precisava dela. Nem sabia como estaria se sentindo se não tivesse Hanni ao seu lado num dia seguinte como aquele. Não havia pensado sobre a separação em nenhum momento. Tinha muitos medos, a maioria deles envolvendo como se sustentaria e como sustentaria a sua filha, mas estar com Manu havia blindado sua mente disso o dia todo, o que era bom. Sempre que Presley pensava demais sobre se separar, desistia dessa ideia quando chegava na parte das finanças.
Tinha medo disso. Na verdade, ficava aterrorizada só de pensar nessa ideia, e Hanni notou isso no rosto dela só de pensar. Haviam acabado de entrar no estacionamento da academia.
— O que foi, Pres? Está pensando em quê?
— Babe, entra de ré nessa vaga, não vai dar certo assim.
— Hum, ok — Ela foi para frente, rindo — Você quer que eu...?
— Vai um pouquinho mais para frente, agora gira o volante para a sua direita, um pouquinho mais — Analisou a distância certinho — Chega até a metade do carro na diagonal, em relação a esse que já está parado.
— Assim?
— Isso, perfeito, agora entra e vai desfazendo até ficar reto, bem devagar — Ela foi entrando devagar, devagar e, pronto, Presley sorriu — Perfeito, olha como você estacionou bonitinho! — Agarrou o pescoço dela sorrindo.
— Você estacionou, quer dizer, né?
— Nada, foi você, com essas mãozinhas aqui.
Elas desceram juntas, Hanni carregando a bolsa e a mochila de Aika, enquanto Presley ainda vestia um vestido elegante e chinelos, um deles com a bandeira brasileira estampada. Hanni parou na cafeteria, pediu um café para si e uma porção de Monteiro Lopes.
— Você fica feliz com Monteiro Lopes — Hanni disse sorrindo, vendo aqueles olhos se iluminarem só de lhe ouvir pedindo Monteiro Lopes.
— Meu dedo ainda dói, honi — Respondeu Presley, fazendo uma carinha de dor, se agarrando na cintura de Hanni, que sorriu, cheirando os cabelos dela, deixando um beijo naquele pescoço.
— Desconfio que vou ouvir isso muitas vezes essa semana.
Ela riu, talvez Hanni tivesse alguma razão a respeito disso. Subiram; estavam muito em cima da hora. Hanni resgatou sua Taz-mania do tatame, onde ela já estava suada de tanto correr com as crianças e os pré-adolescentes. Hanni tinha certeza de que deixar Kaori com a turma daria nisso; inclusive, ela estava suada junto, não lhe surpreendia em nada. Pegou o bebê e veio para perto de Presley.
— Você quer se trocar? Ficar mais confortável?
— Você tem roupas aqui?
— Não, porque você tirou as minhas roupas do seu carro — Ela reclamou, mas só um pouquinho.
— Você não pode morar num carro, meu amor — "Meu amor" em português — Mas a gente esqueceu de colocar a mala da modelo no SUV.
— A gente esqueceu mesmo, hoje a gente já muda pra SUV. Mas como estamos sem a mala da modelo, você pode trocar o vestido por essa roupa aqui que estou usando, coloco outra por baixo do quimono.
Presley sorriu.
— Vai me vestir de Hugo Boss?
Hanni riu um pouquinho.
— Chega a ser um crime tirar você deste vestidinho para te vestir em roupas masculinas, mas...
— Eu nunca coloquei uma peça masculina antes, mas eu sempre quis, sabia?
— Como assim sempre quis, Presley Park?
— É boyfriend style, sempre quis sair por aí assim.
— É quando a namorada usa as roupas do namorado?
— Isso! Mas eu nem sei se o Leo tem camisetas no armário dele. Ele sempre está de camisa de botões e com toda certeza, não dá para fazer boyfriend style assim. Porém, com esse seu look aqui... — Analisou e adorou a ideia — Vamos! Além de tudo, eu ficarei mais confortável mesmo.
E ia ficar cheirando a Coco Mademoiselle.
Porque não importava o horário ou o que ela havia feito, Hanni era cheirosa o tempo inteiro; Presley nem sabia como era possível. Fizeram assim: Hanni se trocou, colocou uma legging, uma rash guard e um quimono preto. Terminou de vestir Aika porque ela já estava quase conseguindo fazer isso sozinha e foi ajudar Presley a se trocar. Tirou o vestidinho, ajudou com a calça que era maior, quase não segurou naquela cintura, a camisa ficou grande também. Elas tinham praticamente a mesma altura, mas Presley era menor de corpo, era pequena, delicada, e ficou a coisa mais linda da vida nas roupas masculinas de Hanni. Como podia?
— Como fiquei? De boyfriend style? — Ela perguntou sorrindo, e Hanni a agarrou, beijando o pescoço dela, apertando-a, sorrindo demais.
— Tá uma coisa de boyfriend style! Seu boyfriend tem bom gosto.
— Tem, você precisa ver o guarda-roupa todo.
Foi para o tatame de boyfriend style e ficou num cantinho, sentada, observando a aula de Hanni e querendo estar nela. O jiu-jitsu havia cativado Presley também, nunca foi muito adepta de esportes, seu interesse sempre fora a dança, mas a experiência com o jiu-jitsu continuava sendo muito boa. Era bom se sentir mais capaz de se defender caso fosse necessário, e gostava da filosofia, a anatomia dos golpes e a ideia por trás de cada um deles. E amava a maneira como Hanni dava as aulas, apreciava ouvi-la falar, olhar para ela sob aquele ângulo; como ela podia ser tantas versões diferentes? Era adorável, de fato. Aproveitou para falar com Leo enquanto ela dava a aula naquela noite. Estava difícil digitar, então conversou por áudio com ele, respondendo às perguntas e contando o que estava acontecendo. Ele estava arrumando as coisas, havia saído para ver algumas opções de apartamento, queria saber de Aika, quando conversariam com ela?
— Podemos almoçar na sexta — Disse, falando com ele por ligação enquanto observava Hanni explicando um movimento novo; havia saído da sala para atender a ligação — É aniversário dela, a gente almoça, conversa. Talvez você já tenha saído de casa até lá? O que você acha?
— Eu espero que sim, estou agilizando o que posso para isso. Não quero vocês desconfortáveis por muito tempo. O apartamento da Aliana é apertado, é para uma pessoa só, no máximo, para um casal, mas não cabe uma criança de jeito nenhum. Aika não perguntou nada ainda?
— Ainda não, mas perguntou de você, se você estava viajando.
Ele ficou em silêncio por um tempinho.
— Vocês estão no jiu-jitsu?
— Sim, ela está em aula.
— Você não?
— Eu... machuquei a mão mais cedo, então estou só esperando hoje.
— Algo grave?
— Não, não, amanhã já devo estar bem.
Outro silêncio.
— Pres, você tem certeza mesmo de tudo isso?
Estava esperando por aquela pergunta. Se tinha certeza mesmo, se não iria mudar de ideia. Era por isso também que estava resistente a falar com ele por ligação; ele ainda não havia desistido completamente e, surpresa! Alexia também não. Desligou com Leo e acabou batendo de frente com ela no corredor.
Ela a olhou por inteiro.
— Conheço essas roupas.
— Alexia...
— Presley, você me poupa, está bem?!
— É que você não sabe o que está acontecendo.
— Eu não sei? Cheguei na casa da Hanni num final de semana e ela estava com a sua filha e com o pescoço cheio de chupões que eu não fiz! Sei o que está acontecendo sim, Presley Park.
Presley cruzou os braços.
— Não acho que sou eu quem tem que falar sobre isso com você.
Alexia olhou bem para ela. Mudou o tom, ficou mais amistosa.
— Você pediu o divórcio?
— Pedi e está tudo uma bagunça ainda.
— E você está ficando na casa dela?
— Eu fiquei ontem, mas...
Kaori estava no meio de um exercício com Manu quando notou as duas do lado de fora. Estavam sendo parceiras de treino aquela noite; a aula estava mais vazia.
— Te falar um negócio, se é tão difícil assim terminar uma não-relação que nem essa sua, eu não vou querer ter uma relação nunca na minha vida, Deus me livre dessa possibilidade.
— Kaori, fica quieta! — Manu observou melhor a situação lá fora — Acha que elas estão discutindo?
— Não parece discussão daqui, não, mas a Alexia vai querer sair com você depois da aula, você sabe que quando ela aparece assim...
— Então, hoje não vai dar. Você termina aqui? Começa os rolas, eu vou lá falar com ela.
Hanni saiu do tatame e logo depois da sala. Assim que Presley a viu...
Tocou a mão de Alexia, gentilmente.
— Vou lá dentro filmar a Aika.
— Ok, vai lá.
Ela entrou, deixando as duas sozinhas. Hanni deixou um beijo no rosto de Alexia e perguntou se estava tudo bem.
— Está, eu vim te convidar para ir jantar depois da aula.
— Hoje não vai dá, Alexia.
— Já tinha marcado alguma coisa?
Hanni olhou bem para ela e recostou na parede, mãos para trás.
— É que a Presley está machucada, acho que a gente vai sair daqui e ir direto pra casa.
— Para a mesma casa...?
— Alexia...
— Sabe que isso é muito engraçado, não é? Você está conversando comigo há dias, explicando que não quer estar em um relacionamento, mas daí, de repente, você me aparece praticamente casada, sendo que eu nem saí da sua vida ainda.
— E não precisa sair, Alexia, a gente já falou sobre isso.
— Vamos seguir indo pra cama por acaso?
— Essa é a única coisa que você quer de mim, sério mesmo?
— Pronto, vai ficar ofendida com isso agora, Manu?
— Não é me ofender, mas é que a gente conversou esses dias todos justamente sobre separar essa parte, não está dando certo.
— Vocês mal separaram e já estão juntas, isso é muito engraçado.
— Alexia, nós somos amigas, ok? Presley e eu. Ela está se separando, precisa de apoio.
— Sei bem qual tipo de apoio você está dando para ela.
— Não seja grosseira.
Ela bufou.
— Não quero ser, só não estou entendendo essa negativa de vocês duas.
— É porque está acontecendo o que eu e ela estamos te dizendo. Somos amigas, estamos mais próximas agora, mas é só isso. Ela não vai saltar de um relacionamento para o outro e eu também não.
Alexia olhou para ela.
— Está nos reconhecendo como relacionamento agora...?
Hanni respirou fundo.
— Alexia...
— O que aconteceu com a mão dela?
— O que ela disse que aconteceu?
— Disse que foi um acidente doméstico.
— E por que você está perguntando o mesmo pra mim? Isso... isso é exaustivo.
Alexia se recostou na parede, respirando fundo mais uma vez.
— Eu não vou mais insistir em você, já notei que é isso que você quer de mim. É melhor a gente se afastar um tempo.
— Não foi isso que pedi.
— Sei que não foi, mas é o que eu preciso. Agora, só pensa em uma coisa: se foi tão difícil para nós duas separar, imagina para um casal de verdade, casado de fato, com uma filha pequena. Você já parou para pensar que, talvez, só queira a Presley porque sabe que não pode tê-la? Ela não está aos seus pés, como esse bando de garotas que vivem em cima de você. Ela vai te machucar e você sabe disso.
Hanni se recostou do outro lado do corredor.
— Eu... só quero que ela fique bem.
— E para você, o que você quer, Manu?
Ela respirou fundo antes de responder.
— Eu acho que... só quero manter o meu bem-estar.
— Você está se sentindo bem esses dias?
Olhou para ela, afirmou, sem dizer nada. E Alexia encurtou a distância entre elas e a abraçou, muito forte. Sentiu Hanni se desarmar naquele abraço também; Hanni a apertou, soltando o ar profundamente. Será que tinham... resolvido?
— Fica bem você também. Cuida de você, ok?
— Eu cuido, você sabe que eu cuido.
— Você tem roupas demais porque não consegue lavar roupa regularmente, Manu — Disse, a fazendo rir.
— Vou melhorar.
— Espero que alguém, em algum momento, consiga cuidar de você, que você permita isso. Vou te dar espaço, mas adoro você, sabe disso, não é?
— Eu também adoro você. E sei que o espaço é necessário. Quanto tempo você vai...?
— Eu não sei. Vou assistir a alguns jogos da Copa Feminina na Austrália, eu quero ver a sua seleção jogar — Disse, fazendo Hanni sorrir.
— As duas estão na Austrália para o meu azar.
— Coreia do Sul e Brasil, mas vou assistir por você; já tem umas amigas nossas lá, enfim, será bom para mim. Um pouco de festa resolve muita coisa. Eu te ligo quando voltar. Se você precisar de alguma coisa, pode me ligar, está bem? Qualquer coisa que seja, conta sempre comigo.
Hanni afirmou e abraçou novamente Alexia, sabendo que podia contar com ela. Alexia era uma boa amiga e havia sido ótima companhia por muito tempo. Estava aliviada que ela tivesse entendido, e que aparentemente, tudo ficaria bem finalmente, algo que não acontecia entre elas havia mais de um mês.
— Chama a Presley para mim?
— Mesmo?
— Mesmo. Quero falar com ela rapidinho. Somos altamente civilizadas, você tem que admitir.
Precisava mesmo. Voltou para dentro, falou com Presley, e ela nem hesitou. Rapidamente, voltou para fora para falar com Alexia.
— Presley...
— O quê? — Ela cruzou os braços, já desconfiada de algo, um sorriso suspeito no rosto.
— Como você deslocou esse dedo?
— Menina, eu já não te expliquei...?
Estavam encostadas na parede lado a lado. Se olharam de lado e caíram no riso.
— Sabe o que é um absurdo? Gosto de você — Disse Alexia.
— Gosto de você também, e eu não tenho muitas amigas. Se você aceitasse a minha amizade...
— Vou pensar no seu caso. Presley?
— Hum?
— Cuida da Hanni. Mesmo que ela não queira.
Afirmou, cuidaria mesmo assim, mesmo que ela nunca tenha... rejeitado seus cuidados. Às vezes, sentia que estava conhecendo uma Hanni que ninguém mais conhecia, e não sabia se isso era apenas positivo ou não. Alexia foi embora, Presley voltou para dentro, Hanni se aproximou imediatamente. Os rolas estavam acontecendo no tatame.
— Tudo bem?
— Tudo bem, ela me disse que vai ficar fora uns dias e vai pensar sobre aceitar a minha amizade porque estranhamente gosto dela, e ela gosta estranhamente de mim. Me chamou de vampira, mas gosto dela.
— Como assim ela te chamou de vampira...?
Presley cruzou os braços, olhou para Hanni de lado.
— Aika me contou.
— Para que ela te contou isso?! — Hanni começou a rir de nervoso.
— Contou. Se você não quer que ela ouça algo, tape aqueles olhinhos — Presley disse sorrindo.
— E você...?
Presley deu de ombros.
— Se ela reclamar de novo, eu faço mais.
Hanni riu, ficando vermelha. Com os braços cruzados, elas estavam muito perto uma da outra, aquela vontade de se encostarem sempre presente, sempre constante.
— Eu mudei o seu emoji, sabia? — Presley disse.
— Como assim mudou o meu emoji?
— Coloquei um morango, porque você não para de ficar vermelha assim na minha frente. Eu nem acredito que virei esse jogo.
— E se eu quiser o meu outro emoji de volta?
— Você pode ter.
— Simples assim?
— Simples assim.
Hanni buscou os olhos dela.
— Presley?
— Oi...
— Por que você ficou triste quando a gente chegou de carro?
Presley olhou bem para ela, sabia que Hanni era delicada assim, atenta a tudo. Mas não queria falar sobre seus medos financeiros, então decidiu compartilhar outro medo que estava comendo um pedacinho do seu estômago.
— Eu... fiz mal?
— Sobre o quê?
Ela respirou fundo.
— Pedir um beijo no estacionamento.
E Hanni riu demais. A pegou pela mão e a levou para dentro do vestiário, e a beijou lá dentro, segurando-a pela cintura, sentindo o perfume das duas misturado na camiseta que ela usava.
— Sério que você ficou triste por isso?
— É que somos amigas.
— A Alexia também é minha amiga.
Presley a beliscou.
— Presley! — Tocou o braço que ela havia beliscado, rindo muito.
— Hanni, se eu souber que você está beijando outra enquanto me beija...
Hanni a beijou novamente, encostando-a na parede, sorrindo sem parar.
— Tenho regras, não beijo duas amigas ao mesmo tempo, fora que, se eu beijar outra, eu vou te falar, para você conseguir analisar se vai querer continuar me beijando ou não. Presley! — Levou outro beliscão e ela lhe puxou pela gola do quimono. Que pegada ela tinha, Hanni ficava toda perdida.
— Se você beijar outra, você não me beija mais, Park Manu!
Hanni a beijou novamente, sorrindo, mantendo-a grudada em seu corpo pela cintura.
— Eu não beijo mais ninguém.
Presley olhou nos olhos dela, agarrada ao quimono. Então a abraçou bem forte, enterrando o rosto no ombro dela.
— Agora me conta o que a Alexia disse lá fora que te deixou triste.
— Pres...
— Ela disse que vou te machucar, não disse? Eu sei, porque ela me disse o mesmo, que eu vou machucar você.
— Ela... disse?
— Disse.
— E... o que você disse?
— Que não é o que pretendo — Respondeu, sem soltá-la do seu abraço — Eu não sei muito bem o que estamos fazendo ainda, mas sei o que eu não quero fazer: machucar você. Da mesma maneira que sei que você não quer me machucar. Você sente o mesmo?
Hanni respirou fundo e beijou Presley novamente, tocando o rosto dela, buscando aqueles olhos lindos.
— Eu sei que você não vai me machucar, nem sei se posso ser machucada, Presley.
— Não é comigo que vai descobrir. Prometo — Disse, afundando o rosto no peito dela, pois Hanni estava suada e isso levava Presley diretamente para a cama delas, amava aquela mistura nela, amava — A gente vai direto pra casa?
Hanni beijou os cabelos dela, roubando um cheirinho também. Presley também era 24 horas cheirosa, formavam um belo duo que amava o cheiro uma da outra.
— Eu queria levar vocês duas para jantar, a Aliana está chegando, podemos ir nós quatro e o bebê, o que você acha? Se estiver com muita dor, a gente janta em casa.
— Quero ir jantar fora.
— Mas a sua dor...?
— Está sob controle, agora começou a acalmar, o pior já passou.
— A gente termina e já sai, está bem?
— Tá bem.
Ela voltou para o tatame, fez uns dois rolas e encerrou a aula em seguida, estavam batendo o horário. Aliana realmente chegou, toda executiva, linda, como podia? Ela deveria manter os cabelos loiros sempre. Localizou Presley no tatame, tirou os sapatos e veio até ela.
— Eu não acreditei quando a Kaori me disse que você realmente, REALMENTE, deslocou o dedo, Presley — Disse, fazendo Presley rir demais. Nunca parariam de rir daquilo, tinha certeza que não.
— Então, aconteceu esse pequeno acidente.
— Cadê a Hanni?
— Foi dar banho na Aika. Preferimos dar banho nela aqui, porque saindo direto daqui, ela já chega em casa sonolenta, e como nós vamos jantar...
— Tão casalzinho, eu não aguento! Presley, mas de verdade, você machucou esse dedo na cama?
— Por que essa surpresa toda?
— Significa que você estava... Estava...?
Presley estava tentando acompanhar o raciocínio dela.
— Com a Hanni no meu colo.
— E você estava...?
— Nela, claro que estava. Oh, Aliana, você estava achando que só a Hanni...?
— Como você sabe o que fazer com ela?
— Espera, você não está fazendo nada com a Kaori?
— "Nada" também é uma palavra muito forte.
— A menina passando fome, gente.
— Fome nada, ela está muito bem servida! Mas eu não tive... confiança de fazer mais coisas ainda. O que você... o que você já fez?
— HA! — Riu alto — Mais fácil dizer o que eu não fiz. Pelo amor de Deus, Aliana, você já olhou direito para a Hanni?
— Estou CHOCADA com você, Presley — Aliana estava rindo sem parar.
— Eu nunca sei quando a gente vai ficar de novo, então nas chances que tenho, eu preciso aproveitar.
— E como você sabe...?
— Eu não sei, estou aprendendo com ela.
— E está sendo...?
— Uma delícia.
Hanni surgiu do vestiário, de cabelos molhados, carregando Aika no colo, já agarrada no pescoço dela. Hanni estava pronta, cheirosa e usando o vestidinho de Presley. Ela estava de chinelinho, mas com o vestido elegante de Presley.
— Você acha mesmo, MESMO, que eu não estaria fazendo nada com ESSA DEUSA, Lia? — Presley se colocou de pé e foi até elas, beijou Aika, beijou Hanni no rosto — Você colocou o meu vestido.
Ela sorriu, aquele sorriso lindo.
— Eu só tinha o vestido para usar e ele é lindo, né? Adorei como ele ficou no meu corpo.
— Ficou lindo em você. Acho que você usa um tamanho maior que eu, mas tudo serve mesmo assim.
— Girlfriend tem bom gosto também, não tem como nada dar errado aqui — Disse sorrindo.
— Corta pra gente se conhecendo, você de Balmain e eu de camiseta de departamento.
Hanni riu alto.
— Era uma estilosa camiseta de departamento. Babe, Aika está mesmo sonolenta.
— Eu te disse, ela fica tão relaxada que dorme muito fácil.
E Kaori saiu do vestiário, veio até o tatame e beijou o rosto de Lia.
— Não são um casal? — Perguntou para Aliana.
— Não são.
Saíram juntas para um restaurante italiano que Hanni gostava bastante. Pediram a mesma mesa de sempre, fizeram os pedidos e Aika realmente parecia que ia dormir a qualquer momento.
— Tem alguma coisa para ela comer no carro? A gente passou no mercado mais cedo — Era Hanni, ainda com o bebê no colo.
— Tem a fórmula dela.
— E tem o copinho na lancheira, não tem?
— Tem, a gente colocou.
— Vou lá pegar, espera aqui.
— Me dá ela, honi.
— Ela... — Hanni sorriu — Não quer soltar, acho que está confortável. Deixa comigo, assim ela não pega no sono.
E assim, ela se levantou para ir até o estacionamento, com Aika no colo, e Aliana e Kaori não paravam de assistir a tudo aquilo com... curiosidade.
— Presley?
— O quê?
— Só me esclarece: você entrou errado ou a Hanni sentou demais? — Kaori perguntou, a fazendo morrer de rir.
— O bebê mal saiu da mesa!
— Eu já perguntei para a Hanni, mas ela virou um pimentão e se recusou a responder.
— Ela é muito reservada, jamais vai admitir que deslocou o meu dedo sentando demais.
— Você se tornou a DESCARADA da minha amiga piranha da faculdade outra vez! — Aliana não estava aguentando — Eu podia jurar que nunca mais veria essa versão de você de novo!
— Ei, pode parar, ela está voltando com a minha filha — Hanni entrou de volta, fórmula, copinho, tudo em mãos e foi direto para o balcão — O que ela...? — Abriu um sorriso.
Kaori olhou para trás.
— Quer apostar quanto que ela vai voltar aqui com o leite da Aika feito por um chef de cozinha?
Ainda bem que não apostou nada, porque dez minutinhos depois, ela estava de volta com o leite no copinho e um macarrão ao sugo num mini pratinho feito às pressas especialmente para Aika.
— Como...?
— Perguntei se eles tinham coragem de deixar essa coisinha linda aqui dormir sem jantar, quem tem coragem? — Ela respondeu sorrindo — Fala com ela, babe? Que ela pode dormir, mas só após comer um pouquinho? — Estava com Aika no colo e ela estava de frente para Presley.
— Filhinha, olha o macarrão, come e depois você dorme? — Sinalizou com alguma dificuldade, mas já sentia seu dedo mais maleável.
“Leite, depois, pode?”
— Pode. Hanni conseguiu para você, come um pouquinho e depois o leite.
Hanni a ajudou com o macarrão, que ela comeu muito bem, muito comportada, porque o fenômeno de Aika ficar mais calma com Hanni por perto, seguia extremamente real. E depois que comeu o pratinho de macarrão, pediu o leite, se deitando no colo de Hanni, tomando do copinho já de olhos fechados enquanto o jantar delas foi finalmente servido.
Em um clima muito agradável, com uma conversa divertida e simples, onde Hanni e Presley não conseguiam parar de sorrir. Presley toda de preto, vestindo Hugo Boss, e Hanni com um vestidinho, segurando o bebê dormindo no colo enquanto jantavam. E existia um apego, claramente um apego: Lia e Kaori estavam em cadeiras do outro lado da mesa, mas elas estavam em um sofazinho, muito grudadas. Aika estava no colo de Hanni, mas com os pés no colo de Presley. Ela estava ficando grandinha mesmo e já não estava mais entre elas; o sono já estava no comando, permitindo que a conversa ficasse mais adulta. Kaori estava falando:
— Não, é que assim, a Hanni é muito cheia de si mesma e ela vivia repetindo, VIVIA REPETINDO MESMO, que o sonho dela era encontrar alguma mulher que conseguisse fazê-la sentir ao menos um pouco do que ela faz as mulheres sentirem — E sim, ela havia virado um pimentão humano de novo, mas era incapaz de negar qualquer coisa.
— Isso é lá tipo de sonho que alguém deve ter, Park Manu? — Presley estava rindo, Aliana não conseguia parar de rir.
— É que existe essa fake news de que toda mulher sabe o que fazer com outra, mas não é bem assim, ou tenho muito azar.
— Ou você falha na seleção.
— Babe! — Hanni olhou para ela, quase em tom de bronca — Só lembrando que estamos juntas em algo.
— E eu selecionei você, por isso deu certo aqui.
— Mas que alta-confiança foi essa que te mordeu, Presley? Preciso me contagiar disso também, gente — Era Aliana, rindo demais.
— É que desloquei o dedo dela, quer dizer qualquer coisa, menos que eu não estava louca pelo que ela estava fazendo.
Presley enterrou o nariz no pescoço dela, sorrindo.
— Tenho uma professora maravilhosa — Disse, fazendo Hanni sorrir e beijar a testa dela.
— Você tem?
— Muito! — Olhou nos olhos dela, um olhar muito doce, todo açucarado.
— Não me olha assim.
— Por quê?
Hanni se derreteu num sorriso. A beijou rapidinho, só um selinho, mas o suficiente para deixar Kaori... Pronto, elas já estavam em um fenômeno comum, que acontecia muito de repente, de entrarem num assunto só delas, baixinho, onde não chamavam mais ninguém para participar. Em determinado momento, Aliana e Kaori foram até o balcão pedir uma sobremesa especial que não estava no cardápio, mas Kaori sabia que serviam, e a visão de longe foi...
Presley de olhos fechados, correndo o nariz pelo ombro e pelo pescoço de Hanni, que cheirava os cabelos dela enquanto ainda segurava o bebê dormindo, e elas conversavam, naquela proximidade máxima, sem deixar nenhum mínimo espaço.
— Lia, eu nunca vi a Manu grudada assim em ninguém. Tipo, isso não acontece, essa proximidade, esse... carinho em público desse jeito.
— Eu nunca vi a Presley grudada assim em ninguém também.
— Nem no Leo?
— Menos ainda no Leo, Kaori. Sempre foi um casamento muito frio. Sem grandes demonstrações de afeto em público ou em particular. Estou adorando ver a Presley assim, mas, por outro lado, não sei como o Leo pode reagir se ver o mesmo.
— Você acha que ele pode reagir muito mal?
— Ele pode não entender. Eu saí com ele hoje, fomos ver alguns apartamentos, deu para a gente conversar um pouco. Ele sabe que quem a Presley confessou ter beijado deve ser a modelo da Diesel, como ele diz, mas ele acha que ela está ficando comigo esses dias, no meu apartamento. Na cabeça dele, foi só um beijo, sem continuidade.
— Mas você acha que... ele já aceitou bem a ideia da separação?
— Eu acho que ele está tentando, entre as duas ideias, sabe? Acho que já entendeu os benefícios que separar pode trazer para ele, mas ele gosta mesmo da Presley, ama a Aika demais, gosta da vida que ele tem, então, eu não sei. Hoje foi só o primeiro dia.
Kaori respirou fundo.
— Ele quer continuar morando perto, não é? Tem apartamentos no meu prédio.
— Hum, acho que é o tipo de área que seria boa para ele, tem bastante jovens e carinhas parecidos com ele.
— Os nerds da bolsa de valores moram nos andares de cima.
— Isso que pensei — Ela respondeu sorrindo — Pode ser uma boa ideia, meu irmão precisa de amigos. Kaori, por que você mora cercada pelos caras da Bolsa de Valores?
— Porque planejo trabalhar lá quando me formar.
— Como assim...? Você não está cursando Arquitetura?
— Arquitetura? Não, eu curso Economia, só que curto muito Arquitetura, adoro fazer desenhos arquitetônicos, então... — Olhou para ela, riu, Aliana estava... estranha — O quê? É tão ruim assim?
— É absolutamente inesperado! Kaori, você trabalha fazendo bungee jump em um dos prédios mais altos do mundo.
— São só 328 metros.
— E você quer ser, sei lá, corretora?!
Kaori riu alto demais.
— Trader! Estou estudando para ser trader, é muito legal, vou desmitificar essa ideia na sua cabeça.
E então, Presley passou muito rapidamente para o banheiro.
— Tudo bem, será?
— Não, naquela velocidade, não deve estar. Vou lá com ela...
— Lia?
— O quê?
— Hanni é faixa marrom.
— Para! — Respondeu sorrindo e foi atrás de Presley.
E ela, de fato, precisou de alguma ajuda. Presley vomitou o jantar e provavelmente, o almoço também. E os Monteiros Lopes.
— Pres, o que eu te disse sobre isso? Você passou mal na sexta, a gente sabe o que é.
Presley respirou fundo após lavar o rosto.
— A minha gastrite é nervosa, não é nada de mais.
— Sua gastrite nunca te causou febre.
— Estou com febre de novo?
Aliana checou a testa dela novamente.
— Está, muito levinha, mas está. Mas pode ser também do seu dedo, se deslocou, pode ter causado alguma lesão também, eu não sei. Só observe isso, talvez esteja tomando café demais.
— Pode ser isso mesmo, eu sou viciada, Hanni é viciada.
Daí, Aliana parou um pouquinho, olhando para ela.
— Você está feliz pra caramba, não está?
— Estou — Respondeu, ficando um pouquinho vermelha.
— Mas não estão juntas.
— Não estamos.
— Por quê?
— Porque eu nem me separei ainda, Lia, e ela não quer uma relação. Eu não estou sentindo que... isso vai ser simples. Leo está muito quieto a respeito, as outras vezes que tentei, ele me fez voltar atrás, você sabe.
— Sei, mas você nunca saiu de casa antes. Sei que você não quer que eu associe isso a Hanni, mas...
— Eu sei. O peso dela no que está sendo diferente agora. Mas não é só isso.
— Sei que não é só isso, mas também sei que você sempre precisou de estabilidade. Ela é estável. É linda, cuidadosa, te ajuda com a Aika. Está apaixonada.
— Eu só não quero... perder o que já está acontecendo.
Aliana pensou um pouco, entendendo o que ela estava dizendo.
— A vida é curta. Só... cante com ela.
Presley sorriu. Parecia a única ideia disponível, de fato.


misericórdia só falta a presley tá grávida... o caos que será
Eu estou desde o começo esperando um momento "Diana Ferraz" da Presley com a Alexia, mas pelo visto só a Di é a única não civilizada do tessaverso.
Mas tudo bem, vamos ver se essa "amizade" vai dar bom.🤞
Angra 2.0? 😭
Ai e esse enjoo ai? To achando estranho…
Talvez esse seja um dos capítulos mais intimistas da história até agora, com praticamente toda a ação focada nas garotas Park, na Lia e na Kaori...
Pelo menos até a Alexia chegar e começar a destilar veneno - sim, esse papo de "cuida da Hanni, mesmo que ela não queira" não bate com o resto do comportamento dela, é como se ela tivesse preparando o terreno para dar o bote.
Outra coisa que me preocupa é o Leo, achando que "na cabeça dele, foi só um beijo (com a modelo da Diesel), sem continuidade"... mal sabe ele, meu Deus do céu...
Mas, indo pro lado positivo, esse incidente da sentada rendeu um monte, hein? Depois de um hospital inteiro ficar…