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Acróstico 33

Atualizado: 26 de jun. de 2025


Acróstico


Be Mine


Tudo o que Presley queria, quando se moveu para ela, era se enfiar naquele edredom e abraçá-la de conchinha até que seu coração se acalmasse. No entanto, quando a tocou, Hanni estava tão quente que não dava para acreditar que ela não estivesse delirando ainda.


— Hanni, você está queimando de febre!

— Eu não... acho que não.

Babe, você está sim — Presley tocou o rosto dela, olhando-a nos olhos, extremamente preocupada — Hanni, me fala o que está acontecendo, me explica o que você está sentindo. Por que foi parar no hospital?

— É que... — Ela respirou fundo e então moveu os dedos, falando com Aika. Ela disse que sim e saiu rapidinho do quarto.

— Você pediu água pra ela?

— Muita sede — Deitou a cabeça no colo de Presley; seus olhos estavam pesados — Eu... não consigo comer e fiquei muito estranha de madrugada, então... ouvi o Sasha chegando.

— O que os médicos disseram? Hanni, tenho certeza de que você não deveria estar em casa.

— É que... não apareceu nada nos exames.

— Você deveria estar no hospital, você nem negou. Você saiu por conta própria?


Ela apenas a olhou, culpada.


— Eu-eu... não gosto de hospitais, Pres.

— Não, nós vamos voltar agora. Você não pode ficar em casa assim de jeito nenhum! Olha aqui pra mim, você consegue andar?


E acontecia que aquela mulher forte, que costumava carregar Presley sem nenhuma dificuldade, não estava conseguindo, naquele momento, nem sentar.


— Pres, você vai se atrasar...


Presley a cobriu na cama novamente e a olhou nos olhos.


— Para o quê, Park Manu? Eu não consigo me mover se você não está bem! Fica quietinha aqui, já volto — Beijou a testa dela e desceu.


Aika já estava voltando com um copo de água. Presley falou com ela, não tinha certeza se Hanni podia beber água com uma febre tão alta. Explicou isso para a pequena, pediu que ela subisse e ficasse com Hanni, que não a deixasse dormir. Aika disse que entendeu tudo e seguiu subindo, enquanto Presley calçou um chinelo e correu até a casa vizinha.


— Sasha! Sasha, você está aí?

— Sim! — Ele respondeu lá de dentro. Por que aquelas duas não podiam chamá-lo normalmente? — Só um instante — Presley o ouviu descendo as escadas e logo ele apareceu lá fora, já vestido para ir trabalhar, provavelmente — Presley, que bom te ver aqui — Ele a abraçou, de fato, aliviado por vê-la. Mas ela estava nervosa.

— Por que você não me ligou, Sasha?!

— Ela não deixou! Quase que não me deixa levá-la para o hospital. Você sabe como essa sua namorada é. Presley, ela foi teimosa, saiu por conta própria. Eu não consigo vencê-la numa discussão, ela é mentalmente superior.


Presley respirou muito fundo, apertando os olhos, o coração doendo.


— Você pode me ajudar rapidinho? Ela não consegue descer, vou voltar com ela para o hospital, Sasha.

— Presley, ela também não conseguiu descer de madrugada. Eu a carreguei o tempo todo.

Deus...! — Respirou fundo de novo, tentando não chorar. O que estava acontecendo? — O que eles disseram que ela pode ter?

— Bem, não encontraram nada. Pres, eu posso estar enganado, mas acho que, de madrugada, a Manu estava bêbada.

— Bêbada? Não, a Hanni não bebe.

— Eu sei, mas o comportamento dela... não estava normal.


Aquilo não fazia sentido.


— Só... vem comigo, me ajuda, por favor — Independente de qualquer coisa, a prioridade era levá-la para o hospital imediatamente.


Sasha entrou e desceu com Hanni prontamente, enrolada no edredom porque ela estava tremendo demais. Aika havia feito um bom trabalho, mantendo-a acordada, mas agora ela claramente estava sofrendo com a febre alta. Presley colocou Aika de volta na cadeirinha e Sasha colocou Hanni no banco da frente, prendendo-a com o cinto de segurança.


— Certeza de que não precisa que eu vá com vocês?

— Não, pode deixar, eu cuido dela. Obrigada, Sasha.

— Se precisar de mim, me liga, Pres.


Presley dirigiu para o hospital, provavelmente o mesmo no qual ela havia estado antes. Hanni não soube dizer qual era. Ela seguia acordada, mas não estava pensando com muita clareza. Chegaram. Presley desceu, pediu ajuda e logo Hanni estava sendo atendida novamente. As marcas no braço eram da medicação que ela voltou a receber direto na veia. Ela seguia com sede, mas Presley estava certa; ela não podia beber água com uma febre tão alta. O desafio inicial era hidratá-la de maneira segura, fortalecê-la e baixar aquela febre. Ela foi atendida na emergência, mas após medicada, foi encaminhada para um quarto, com a veia pega, recebendo medicação, e Aika estava... angustiada. Dava para ver nos olhinhos dela.


— Pres, coloca a Aika aqui comigo.

— Ela está preocupada.

— Eu sei. Deixa a minha menina vir aqui.


Presley deixou. Aika subiu na cama e se encostou em Hanni imediatamente, ficando muito quietinha ao lado dela. Presley explicou que estava tudo bem, que Hanni ficaria bem logo. Não sabia dizer muito bem como foi, mas havia saído para ligar para o seu trabalho, avisar o que estava acontecendo e quando retornou, as duas estavam... dormindo. Aproveitou para buscar pelo médico. Queria saber se tudo bem ela dormir. O médico não tinha objeções; Hanni precisava descansar. Então perguntou sobre o que estava acontecendo.


— Me desculpe, você é da família...? É que são informações pessoais.

— Eu sou... — Respirou fundo, que pergunta difícil. Se dissesse ser amiga, provavelmente não receberia informação nenhuma — Namorada. Mas posso ligar para o irmão dela se for necessário.

— Não, não é necessário — Ele abriu um sorriso gentil — Então, aparentemente, os exames estão em ordem. Não conseguimos encontrar nada que explique os enjoos, mas claramente há algo acontecendo. Ela perdeu peso e não consegue comer há três dias, segundo o que ela relatou mais cedo. Tudo o que ela tenta comer acaba voltando. Eu pedi o prontuário dela para o plano de saúde e ela tem um histórico de ansiedade, estresse pós-traumático. Se não há nada físico, como não estamos conseguindo encontrar, talvez seja emocional.


E foi Presley quem ficou zonza de repente. Ansiedade, estresse pós-traumático, o que...? Se escorou na parede, tentando respirar fundo, e o médico a segurou.


— Ei, você está bem?

— Estou, acho que só... preciso me sentar um pouco.


Ele a levou de volta para dentro do quarto; estavam conversando no corredor, mas ele a ajudou a entrar e a se sentar na poltrona pertinho da cama.


— Certeza de que está tudo bem?


E Hanni acordou, quase que pressentindo alguma coisa.


— Pres, o que foi?

— Nada, eu só...

— Ela ficou zonza. Só um minutinho, vou pegar uma água para você — Ele saiu do quarto rapidamente, e Hanni se sentou na cama, arrumando Aika em seu colo.

 Babe, o que você está sentindo? O que foi?

— Nada, eu só... — Presley se colocou de pé devagar e se aproximou da cama, não queria ficar longe dela — Fiquei zonza mesmo, mas foi momentâneo, já passou. Você... você está se sentindo melhor?

— Sim, melhor — Hanni olhava para ela, Presley parecia tão... preocupada — Pres, vem aqui.


Presley sorriu e foi.


Subiu na cama, encostou do ladinho dela, igual Aika havia feito antes; a temperatura tinha claramente baixado.


— Desculpa o grude, eu estou com saudades — Hanni admitiu sorrindo, sentindo o nariz de Presley descendo pelo seu pescoço carinhosamente enquanto pegava a mão dela na sua.

— E eu odeio você grudenta, né? Honi, você me assustou.

— Eu sei, desculpa. Esses dias foram... estranhos. Mas achei que melhoraria em algum momento.

— Começou na praia?

— Começou na praia. Achei que tinha comido alguma coisa errada, mas aparentemente...


Presley olhou de lado para ela.


— Os meus enjoos pararam.


Hanni riu.


— Como assim pararam...?

— Desde quando você começou a vomitar, aparentemente — Deitou no peito dela, tocando aquele abdômen que estava MORRENDO de vontade de colocar os dedos novamente. Devia ser a coisa que mais amava fazer no corpo de Hanni. Junto com mexer no cabelo dela. Junto com tocar os piercings. Junto com... beijar aquela boca linda. Estava morrendo de saudade de tudo isso — Babe, esse abdômen pode quebrar os dedos de alguém de tão muscular que está agora. Quanto de peso você perdeu?


Ela fez uma careta.


— Quatro quilos, acredita?

— Hanni...

— Eu sei, fui irresponsável, mas achei mesmo que fosse melhorar. Não achei que você tinha transferido o seu enjoo para a minha conta.


O médico retornou com água para as duas.


— Aqui, você já pode também, mas toma devagar, senhorita — Ele passou uma garrafinha para Hanni e outra para Presley — Vocês estavam falando de enjoos?

— É que... — Presley tomou um gole da sua água — Estou grávida e estava enjoando muito até a Hanni começar a... enjoar.

— Emocional! Eu não disse para você que pode ser emocional? — Ele comentou sorrindo.

— Isso... isso pode acontecer mesmo? — Hanni perguntou, confusa.

— Quando a parceira engravida e há muita conexão entre o casal, isso pode acontecer sim. Não há comprovação científica, mas já vi ocorrer algumas vezes. Não estou dizendo ser o seu caso, mas já fizemos todos os tipos de testes e sigo sem saber o que está errado. Fizemos outros exames agora, devem ficar prontos mais tarde, mas por hora... acho que pode ser uma boa explicação — Ele checou algo no celular — Com licença, recebi uma mensagem aqui. Retorno em uma hora. Se precisarem de algo, só acionar a equipe.


Ele saiu do quarto e Hanni respirou fundo, dando outra olhadinha para o lado, tocando o abdômen de Presley.


— Por que você tentou me matar, bebê?

— Ele está sentindo sua falta — Presley disse, afundando o rosto no pescoço dela, quase como quem cheira algo para se sentir melhor. Com ela, funcionava com o cheiro de Hanni.

— Mas é sua culpa, não minha.

Shssss! Não me acuse na frente das crianças.

— Presley... — Hanni queria rir, mas não podia; seu corpo estava dolorido, como se tivesse levado uma surra no jiu-jitsu.

— Eu sei, eu sei. Mas isso acaba agora. Eu não consigo ficar longe de você.

— Eu também não quero ficar longe. Esses dias foram... bem ruins, Pres.

— Pra mim também foram.

— Entendo tudo o que você disse, entendo que a gente precisa mudar algumas coisas, mas não quero ficar longe, não tem que ser assim — A apertou contra a lateral do seu corpo, mantendo-a muito pertinho — Lembra de quando conversamos lá no começo e dissemos que mesmo que a gente discorde, precisamos nos entender pela Aika? Ela disse que sentiu a minha falta.

Todo dia. Ela sente mais sua falta do que sente do Leo, tenho pensado muito nisso nos últimos dias. Hanni, está se sentindo melhor mesmo?

— Sim, acho que os remédios estão fazendo efeito. Mas estou com fome pra caramba. Você pode perguntar se posso tentar comer? E você precisa comer, a Aika também precisa. Vocês vieram direto do ensaio, não?

— Viemos sim, eu precisava te ver.

— E vai faltar no trabalho, honi? Que horas são?


Presley checou o relógio.


— Uma da tarde.

— Você ainda consegue almoçar e chegar no horário.

— E você? Não, Hanni, já avisei que estou com um problema, não vou te deixar aqui sozinha.

— Eu não vou tentar escapar de novo, prometo, entendi a gravidade. Você pode ir trabalhar e voltar depois, eu sei que é importante para você não faltar.

— Eu... já faltei um horário, na segunda.

— Porque não tinha com quem deixar a Aika.


Presley respirou fundo, toda agarrada na lateral do corpo dela.


— É muito difícil ser mãe solteira — Disse, a fazendo rir um pouco.

— Imagino que seja, porém, você é mãe, mas não é... solteira.

— Ah, eu não sou?

— Ai de você se tiver se feito de louca por aí, Presley Park! — Respondeu, brincando, mas nem tanto, e Presley beijou o esterno dela, sorrindo. Como era bom estar com sua Hanni de novo — Babe, vai comer. A malinha de modelo da criança está no carro?

— Sempre está.

— A Aika fica aqui comigo, tá?

— Mas será que não é problema?

— Eu digo que ela é nossa, que não temos com quem deixar, que você tem que trabalhar.

— Bem, você dirá zero mentiras.


Hanni sorriu para ela, olhando naqueles olhos lindos.


— Não me olha assim — Hanni pediu, ficando levemente vermelha.

— Assim como?

— Desse jeitinho aí, esses olhos que me deixam tímida.

 

Presley queria beijá-la, mas não sabia se podia. Então, beijou o pescoço dela.


— Vou ver a nossa comida, já volto.


E sim, Hanni já podia comer. Vieram trazer almoço para ela e para Presley também, a acompanhante. Acordaram Aika, sua menina comeu um pouquinho, e Presley perguntou se ela ficava com Hanni. Ela respondeu sorrindo: “Sim, sim, sim!”


— Mas você precisa se comportar, filha, não pode ficar agitada aqui, Hanni não está bem — Presley sinalizou para ela, e Aika prometeu que seria boazinha, que iria cuidar de Hanni — E você também, Manu.

— O quê?

— Seja boazinha.

— Eu... vou ser. Prometo.

— Volto no final da tarde — Deixou um beijo em sua filha e outro no rosto de Hanni, então partiu para o trabalho.


Conseguiu chegar só um pouquinho atrasada e estava uma tarde daquelas, uma live, documentos para traduzir e um grupo de imigrantes chegou. Presley teve que intermediar essa conversa enquanto checava o celular a todo momento. Havia pedido que fosse avisada se Hanni piorasse, ou Aika desse trabalho. Haviam saído tão rápido que Hanni não levou celular, mas, aparentemente, tudo estava em ordem. Subiu com Sara pouco antes da live, depois que havia terminado com o grupo de imigrantes.


— Mas ela está bem agora?

— Está melhor, mas até a hora que saí de lá, nenhum diagnóstico. Sara, eu estou grávida.

— Você o quê?! Mas como...?

— Eu não fazia ideia, foi antes de eu me separar.

— Espera, espera: existia um marido mesmo?!


Presley riu, que confusão.


— Mas estou me separando.

— E a modelo da Diesel?

— Nós... — Respirou fundo — Ela está comigo. Você acha que... isso pode me prejudicar?

— Estar grávida? Claro que não. Só temos que nos preparar para o período em que você estará afastada daqui. Você precisa avisar a CRH.

— Sim, sim, mas é que... eu não fui ao médico ainda.

— Presley...

— Eu sei, preciso ajustar a minha vida. Mas eu estava longe da Hanni e não... funcionou muito bem.

— Mas agora vocês já se ajustaram?

— Nós iremos, só preciso... arrumar algumas coisas.

— Presley?

— Oi?

Não perca a sua mulher. Ela é sua, não é? Mesmo no meio dessa confusão toda?


Ela era sua. E quase duas semanas, já era tempo demais.

No carro, havia a malinha de modelo da criança e, entre os itens de primeira necessidade que Hanni guardava naquela mala, estavam livros de colorir. Foi isso que fizeram por boa parte da tarde: coloriram juntas, conversaram muito. Aika estava confusa e não era para menos. Tinham uma rotina já e quando algo era movido dessa rotina, ela ficava confusa, ansiosa e, aparentemente, Presley não era das melhores na hora de dar explicações.


Então, Hanni coloriu com ela e explicou as coisas, elucidando também o que sabia, pois a situação era densa e complexa. Não houve sequer uma coisa boa naqueles dias, nenhuma. Era como se tivesse esquecido como era a sua vida antes delas, nada do que fazia antes trazia algum prazer agora. Só existia... espaço. Um enorme espaço que não conseguia preencher, e as repetidas respostas negativas de Presley nas vezes que Hanni tentou se aproximar doíam mais do que o seu estômago, que estava sendo feito de refém pelo bebê.


O bebê. Como podia um bebê mudar tantas coisas?


Uma das enfermeiras entrou no quarto.


— Tudo bem por aqui? Não enjoou do almoço?

— Aparentemente, sim. Finalmente está sob controle — Hanni respondeu sorrindo, enquanto Aika pintava em seu colo — Não sei se seria possível, mas precisava colocá-la no banho e tomar um banho eu mesma. Você acha que seria um problema...? Ela foi trabalhar com a mãe de manhã e não se comportou muito bem — Explicou sorrindo. Aika parecia que tinha rolado no chão; era a melhor definição, mas ficou secundário diante do problema de Hanni.

— Não, nenhum problema, mas você já se sente forte o suficiente?

— Acho que sim, me deixa só... — Hanni deixou Aika na cama e tentou se colocar de pé; deu certo — Olha, é muito estranho não conseguir algo básico, eu fiquei assustada.

— Se a gente não come, o resto não funciona — Ela respondeu sorrindo — Escuta, acho que você não tem uma muda de roupa, não é?

— Hum, não, não tenho — Presley a levou de pijama, e foi exatamente este ponto que a deixou apavorada.

— Posso conseguir roupas do hospital para você. Mas quer que eu ligue para a sua namorada e peça para ela trazer? Ela me deixou o celular dela, disse para ligar se você precisasse de qualquer coisa.


Namorada? Ela tinha...? Hanni sorriu, inevitavelmente.


— Não, ela deve estar corrida no trabalho. Eu visto o pijama de volta mais tarde.

Presley saiu pouco depois das dezoito; havia sido uma tarde cheia, tanto que nem notou o tanto de mensagens que havia recebido. Tecnicamente, Hanni estava quase desaparecida e, quando entrou no carro, decidiu responder rapidinho. Kaori, Aliana, a diretora da escola de Aika... Hanni não tinha aparecido para finalizar a sala que estavam preparando para o jiu-jitsu. Explicou o que aconteceu, ligou para Kaori para ela assumir a turma da noite na academia, disse que ligaria mais tarde para conversar com calma e ligou para Bogum. Estava com três chamadas dele perdidas.


— Acabamos saindo muito rápido, o celular dela ficou em casa, isso... Estou retornando agora. Te ligo quando estiver com ela, tudo bem?

— Presley...

— O quê?

— Você vai ficar com ela? Ou preciso ir buscá-la?

— Bogum, nós vamos pra casa. Hanni, Aika e eu, está tudo bem.


Ele suspirou do outro lado, aliviado.


— É melhor quando vocês estão juntas.


Presley sorriu, tinha certeza de que sim. E foi ótimo ouvir aquilo de Bogum. Uma coisa era certa: ambas eram coreanas demais no que tocava família, era bom saber que... estavam apoiadas, de alguma maneira. "Não perca a sua mulher." A voz de Sara lhe dizendo isso seguia ressoando na sua cabeça. Mas Hanni era difícil de não ser perdida. Exigia um tanto mais, mais estratégia, mais entendimento da situação. Ela não era simples e isso era fascinante também. Presley entendia que ela podia estar desconfiada, estar receosa, mas, por outro lado...


Elas TINHAM que resolver. Presley daria conta de tudo se permanecesse naquela ideia? Achava que sim, mas com Hanni, tudo era muito melhor, não apenas pelo tanto que ela somava, mas pelo tanto que estar com ela, simplesmente, lhe fazia bem. Estava apaixonada, sabia disso, repetia isso todo dia.


Bem, precisava fazer mais do que apenas falar sobre isso.


Finalmente, dirigiu para o hospital. Estacionou e entrou imediatamente. Pegou um crachá na recepção e, ao se aproximar do quarto, ouviu a risada de sua filha. E a risada de Hanni. Ela claramente já estava melhor, visualmente melhor, muito mais relaxada, mais corada e as notícias eram ótimas.


— Pres, tem roupas suas no seu carro? Estou de alta, mas você me trouxe pra cá de pijama — Ela disse sorrindo.

— Tenho roupas suas no meu carro, Park Manu.

— Ah, você tem...? — Ela provocou um pouquinho, sorrindo demais.

— Eu senti sua falta, sua idiota! — Presley respondeu, cruzando os braços, chateada um pouquinho.

Babe, você não me deixou ficar perto — Ela seguia sorrindo, enchendo Presley de chamegos. Como adorava aquela idiota, como era possível? — E eu não entendo. É sabido por cada pessoa neste hospital que você é a minha namorada, porque se apresentou assim. Mas naquele dia, me disse que não queria mais que confundissem a gente como um casal.

— Eu não quero mais ser confundida, entende? Confundida. Se estamos juntas, quero ficar junto de verdade, Hanni, pra valer. Sei que um bebê muda todas as coisas, mas por hora, por agora, somos só nós três, só... você, Aika e eu. Você entende como somos mesmo apenas nós três? Sem você, eu fico sozinha, sem mim, você fica sozinha. Pensei em todo mundo que podia vir aqui ficar com você hoje à tarde e a grande verdade é que...

— Só tinha a Aika.

— E não é porque não temos ninguém, nós temos, mas preferimos recorrer a nós três, por algum motivo, alguma razão.

— É porque... é melhor quando estamos juntas, só nós três. É muito melhor, Pres.

— É melhor. É melhor sim. Eu... não sei como você se sentiu nesse tempo longe da gente, não sei se conseguiu pensar em tudo, mas se for para ficarmos juntas, tem que ser de verdade, Hanni. Entendo o que você diz sobre o divórcio, mas Leo e eu estamos fisicamente separados, a documentação já está em andamento, é o máximo que consigo fazer agora. Não consigo fazer mais, entende? Por favor, entenda isso, não seja tão pragmática. Entendo os seus motivos, mas preciso que você entenda os meus um pouquinho também.


Hanni apertou os lábios. E foram interrompidas por enfermeiras. Vieram fazer as últimas checagens na paciente e Presley foi até o carro enquanto isso. Tinha uma bolsa de Hanni no porta-malas, com um quimono, rash guards, uma calça, uma camiseta, serviria. Pegou uma jaqueta sua e voltou para dentro. Hanni não vomitava mais desde a madrugada e ela havia conseguido comer. Parecia mais forte, conseguiu se trocar sozinha e, quando ressurgiu, estava de calça esportiva preta, camiseta branca, inteira de Adidas. Calçou os tênis que Presley também havia trazido, porque além do pijama, também tinha a trazido descalça, e ela parecia altamente aliviada de estar indo pra casa. Agradeceram à equipe, pegaram as receitas e as recomendações e, quando cruzaram o corredor, encontraram o médico. Hanni e Presley caminhando juntas, Aika entre elas, brincando no celular um pouquinho.


— Ei, seus últimos exames devem ficar prontos amanhã, a gente envia por e-mail e, se precisar retornar, enviamos a consulta marcada também. Mas acho que você já está bem melhor, não?

— Muito melhor.

— Ótimo! Qualquer coisa, retorne imediatamente e, parabéns pelo bebê!


Presley ficou corada, sem saber muito bem como responder, então a mão de Hanni enroscou na sua.


— Muito obrigada — Hanni agradeceu sorrindo.


E assim, o coração de Presley flutuou no peito.


Saíram de mãos dadas do hospital, colocaram Aika na cadeirinha e era um alívio ver Hanni se movendo normalmente outra vez. Ela seguia debilitada, mas estava muito melhor. Hanni fechou a porta de Aika e Presley se aproximou dela por um instante.


— Hanni...


Hanni a pegou pela cintura e a beijou.


Longamente, no meio do estacionamento, os lábios deslizando uns pelos outros porque simplesmente precisavam. Estava demais, não podiam ficar mais tempo assim. E beijar aquela boca outra vez... O coração de Presley bateu todo errado no peito.


Honi...

— Me deixa começar de novo — Ela pediu, beijando Presley outra vez, puxando-a pela cintura, não a deixando se afastar nem um pouquinho.

— O quê?

— O objetivo é namorar você. Me deixa começar de novo. Posso melhorar, posso... fazer diferente, sigo muito assustada, mas sei que você também está. Não posso deixar você sozinha. Estamos juntas nisso. Prometo para você: será você e eu. Mesmo que eu esteja com medo e você esteja com medo, ainda assim, será nós duas. Temos muitas coisas para colocar em ordem, para ajustar melhor, mas estou com você. Você e a Aika são minhas também. São do Leo, mas são minhas também. Tem que ter um meio-termo, e não vai ser o seu divórcio que vai resolver isso.


Os olhos de Presley se encheram.


— Nós somos suas também?


Os olhos de Hanni cristalizaram.


Abraçou Presley, beijando-lhe a testa, mantendo-a contra seu peito, protegida nos seus braços.


— É claro que são. Você, Aika, o bebê... Já estou incluindo antes que ele me faça de refém de novo — Disse, sorrindo e fazendo Presley rir — Eu não sou a Aliana, Pres, não quero ter as mesmas responsabilidades que ela tem com você. Ela é sua amiga. Não quero mais ser só sua amiga, eu nunca fui, nem no primeiro dia. Eu já te olhei e fiquei yummy mommy...

— Você nem tem vergonha — Presley sorriu, toda agarrada nela, não queria soltar.


Hanni a olhou nos olhos.


Seja minha. Minha namorada, se é assim que tem que ser, quero que você seja minha, da mesma forma que já sou sua há tempo. E quando alguém perguntar, responda que é minha sem ter que pensar muito. E quando alguém me perguntar, respondo que sou sua, também sem precisar pensar em nada. O que você acha, babe?


Presley a beijou, enroscando os braços pelo pescoço dela, a sentindo tão, mas tão em si.


Eu sou sua. E quero namorar você mais do que qualquer coisa. Isso é sério?

— Extremamente sério. Você ainda quer, honi?


Presley se agarrou no pescoço dela e a beijou novamente, longamente, sentindo tanto e a abraçou em seguida, sentindo os braços dela enroscando pela sua cintura, a boca dela no seu ombro.


— Eu sempre quis namorar você. Desde quando te vi com a Aika no colo pela primeira vez. É... a única coisa que penso desde então, quase em vício. Vamos pra casa, honi?

— Pra nossa casa?

Pra nossa casa. Eu vou cuidar de você. Vou cuidar de nós duas.


Era assim que tinha que ser.


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7 comentários


sylber1011
sylber1011
06 de mar. de 2024

❤️❤️

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Adriana Evangelista
Adriana Evangelista
24 de fev. de 2024

Aí, aí! Que bom que as coisas se ajeitaram... tão lindas juntas....❤️

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Rodrigo Mesquita
Rodrigo Mesquita
22 de fev. de 2024

E depois de fazer meu coração sofrer, Tessa vem e nós dá esse oásis de muito amor da família Park... Tomara que essa família linda esteja forte para encarar o futuro, ainda mais que há assunto pendente a ser resolvido!

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setubalrodrigues
setubalrodrigues
22 de fev. de 2024

que bom que as coisas ja estao voltando ao eixo ja estava triste pensando que elas iriam ficar separadas mas uma vez.

que lindo ver esse cuidado que elas tem uma com a outra... agora e hora de ir pra casa e cuidar uma da outra.

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Samara Borges
Samara Borges
22 de fev. de 2024

Quem assim seja! 🙌🏼🙏🏼❤️

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