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Acróstico 34

Atualizado: 26 de jun. de 2025


Acróstico


Cristalizar


Mas antes de irem pra casa, precisavam passar em um supermercado.


Hanni jurou por Deus que aquele tipo de coisa não costumava acontecer (vai que baixasse o seu score como possível esposa). Ela geralmente tinha o que comer em casa, não atrasava supermercado nem nada disso, mas a situação havia sido de fato intensa, a ponto de ela não ter dado conta de manter suas rotinas mais básicas e estar, naquele momento, até sem arroz na sua despensa.


— Hanni...

— Eu não conseguia, Pres, sério mesmo — Ela respondeu sorrindo enquanto caminhavam pelas prateleiras, com Aika sentadinha dentro do carrinho de compras.

— Eu sei que você não deveria estar conseguindo, mas sei muito bem que não pediu ajuda para ninguém também.

— Pensei em ligar para o Bogum, mas ele é muito exagerado. Iria querer me tirar de casa, querer que eu fosse ficar no apartamento deles.

— E a Kaori?

— Trabalhando por ela e por mim. Tadinha, ela não estava com tempo para nada.

— E nem você estava dizendo a gravidade, senão ela teria me ligado.

— Ela teria, por isso, não disse a gravidade — Respondeu sorrindo, empurrando o carrinho enquanto Presley ia pegando as coisas que precisavam.

Honi?

— Hum?

— Podemos falar sério rapidinho?

— Você é assustadora quando pede para falar sério, Pres. Eu ainda estou em convalescença.

— Para de drama — Presley a cheirou no pescoço, porque só amava cheirá-la mesmo e estavam mais grudadas do que nunca — O Sasha me disse uma percepção de quando ele te levou para o hospital de madrugada e eu queria checar com você.

— O que ele disse?

— Ele ficou preocupado sobre você estar... — Olhou bem para ela, colocando o leite no carrinho — Bêbada.

— Ah, imaginei que tivesse passado essa impressão.

— Eu disse a ele que você não bebe.

— Não bebo mesmo, no máximo, um vinho em alguma ocasião especial.

— Eu sei disso também.


Houve um pequeno silêncio.


— Eu... pedi para fazerem um toxicológico junto com os exames — Hanni disse.


Presley olhou para ela, absurdamente surpresa.


Babe, por que pediu um toxicológico em você mesma?

— É que o Bogum poderia pensar o mesmo, então achei melhor pedir. Acho que estava delirando quando o Sasha chegou e achei melhor pedir, enfim. Você... quer ver?

— O seu toxicológico? Hanni, eu acredito em você. Se me diz que não era nada disso, eu acredito. Não tenho motivos para não confiar em você — Daí olhou para Aika, ela estava sinalizando e sinalizando — O que foi, filha? Quer suco?


Hanni deu uma olhadinha nela.


— Laranja ou morango? — Hanni perfeitamente sinalizou, o que fez Presley sorrir.

— Está tão boa nisso.


Ela abriu um sorriso. “Morango”, Aika havia respondido. Hanni pegou o suco e colocou no carrinho.


— Você acha?

— Muito boa. Hanni, por que mesmo delirando, você não esqueceu de pedir um toxicológico? A gente pode falar sobre isso ou você prefere...?


Ela respirou fundo.


— Mmmm... — Ela pegou manteiga e soltou o ar pela boca — Eu tive... um problema com álcool há um tempo. Depois do meu acidente, as coisas ficaram... muito complicadas para mim.


Presley tentou cruzar os olhos dela, mas ela estava fugindo.


— Então, você teve um problema com álcool e...?

— E... acho que bebia porque estava... — Estavam na fileira dos sucos e laticínios — A fórmula da Aika acabou?

— Acho que sim, é melhor a gente levar.

— Ok — Pegou duas latas e depois pegou o bebê no colo. Colocou Aika de frente para si e a abraçou, ou se abraçou nela. Hanni precisava claramente de conforto.

Honi, você não está bem para carregá-la ainda. Se não quer falar sobre isso, nós só não falamos.

— É que sinto que sei tanto de você, e você sabe menos de mim porque tem esses assuntos que eu não gosto de falar — Beijou os cabelos de Aika e a devolveu para o carrinho. Presley a pegou pela cintura, carinhosamente, grudando ao ladinho dela.

— Então pode falar, eu estou aqui, agarrada em você.


Hanni sorriu. Era tão bom tê-la agarrada em si outra vez. Cheirou os cabelos dela um pouquinho.


— Eu... — Hanni retomou, as duas empurrando o carrinho, Presley agarrada na sua cintura — Estava tendo muitas crises de ansiedade, e o álcool me ajudava a manter sob controle. Mas criei um segundo problema, obviamente. É por isso que meu irmão é tão superprotetor. Tivemos momentos muito difíceis. Ele teve que cuidar muito de mim, a minha vida... parou por uns três anos, sabe? Entre recuperação de acidente e essas outras complicações. Retomei a minha vida aos 25 anos, Pres. É por isso que a casa não está totalmente paga ainda, e o carro é recente.

— Você fala como se tudo estivesse atrasado, Hanni. Você tem 28 anos, está tudo em ordem. Tem gente que nem saiu de casa ainda nessa idade — Entraram numa outra sessão — Vou fazer os raviólis que você gostou tanto, está bem?


Ela abriu um sorriso.


— Vou comer 26!

— Nada disso, vai comer uns seis, enquanto a gente testa o seu estômago — Respondeu sorrindo — Hanni, você é a pessoa mais bem-sucedida que eu conheço. Entendo que a sua vida parou por um tempo, mas você já recuperou tudo e fez isso muito bem. Você tem o seu trabalho, os seus voluntariados, faz tantas coisas que ama. Tem a sua casa, o seu carro, a sua liberdade e a sua saúde. Ou você me esconde as coisas muito bem, ou a sua saúde mental está muito em dia, melhor que a minha, inclusive.


Hanni sorriu, cheirando o cabelo dela, porque funcionava deste lado também; o cheiro de Presley a acalmava.


Miss Dior — Deixou um beijinho no ombro dela — Eu me sinto forte. Forte mentalmente, forte fisicamente. Sinto que... posso dar conta de mim agora, que consigo me proteger.


E Presley parou. Segurou o carrinho, segurou Hanni, parando de frente para ela.


— Hanni, ela era fisicamente abusiva com você?

— Ela... — Hanni respirou fundo mais uma vez — Fazia o contrário. Ela me fazia acreditar que eu era abusiva com ela, que eu a machucava fisicamente. Mas hoje, vejo que só me defendia. Nunca a agredi, nunca a machuquei, mas ela criava essas situações onde eu precisava a segurar para me defender e... eu caía. É difícil pra mim falar sobre esse assunto, principalmente com você, porque não quero que você pense que...

— Você é violenta? Você, Hanni, você?!


Hanni riu.


— Para...!

— Essa insegura que você namorou não soube administrar o tesão que é namorar uma gata como você e ainda dirigia mal.


E Manu riu outra vez.


Babe...

— É verdade — Colocou farinha de trigo no carrinho e então, parou Hanni de novo, segurando-a pela cintura — E eu sei que ela te machucou, sei que não foi pouco, sei que tem coisas que ainda incomodam, mas estou aqui com você. Não importa o que aconteceu e o que ainda acontece, ok? Estou aqui para ouvir qualquer coisa que você queira contar, não importa o que seja, você sempre pode me dizer.


Hanni olhava naqueles olhos. Era só um pouquinho mais alta que Presley e amava quando ela estava sem saltos e podia vê-la naquela direção, só um pouquinho mais de cima.


— Será que vou me sair bem? — Hanni a puxou pela cintura, sentindo o cheirinho dela mais uma vez.

— Em quê?

— Em administrar o tesão de namorar uma gostosa como você — Disse, fazendo Presley se derreter num sorriso, ficando vermelha.

— Para de me namorar no meio do mercado.

— Pres, acho que a gente não vai dar conta de administrar esse namoro sem sermos acusadas de perturbação de sossego.

— Perturbação de sossego?

— Do sossego de quem não namora.


Presley riu alto. Nem duvidava.


— Nossa primeira vez foi no meio da rua.

— Você considera aquela a nossa primeira vez?

— Eu gozei, você gozou, então tecnicamente...

— Presley, você sempre será famosa.


Essa era outra verdade. Terminaram as compras e Aika estava apegada, estava cansadinha, queria colo, e Presley deu, mas ela queria Hanni.


Honi...

— Eu seguro a nossa menina, está tudo bem, me sinto bem melhor mesmo — Sentia mesmo, tanto que estava com medo de aparecer em seus exames que, na verdade, só estava sofrendo de saudades.

 

Foi maravilhoso voltar para casa com elas, Hanni nem conseguia explicar. É assim que é estar apaixonada, sua mente não parava de repetir e quanto mais ficava com Presley, mais tinha certeza de que nunca tinha se apaixonado antes. Cuidou de Aika enquanto ela foi preparar o jantar, fazer os raviólis que Hanni havia adorado. Foi ótimo tomar um banho longo, confortável, tirar qualquer resquício de hospital do corpo. Foi ótimo sentir o seu interior calmo, seu estômago em ordem, seu coração também. Se trocou, trocou a criança, desceu com ela no colo e foi até a cozinha.


— O que posso olhar para você ir tomar o seu banho?

— Só não deixa queimar o molho.

Honi, acho que a Aika vai dormir logo. Posso fazer aquele mingau que ela gosta?


Presley a olhou com muito afeto e a beijou.


— Como eu senti falta de você. Pode fazer o mingau, já volto.


Subiu para tomar o seu banho naquele banheiro enorme, digno de uma revista de arquitetura. Estava com saudades daquela casa, daquele banheiro, de Hanni, delas duas. Tomou seu banho, se trocou e, quando desceu, Aika já estava tomando o mingau no colo de Hanni. A TV estava desligada e as duas trocavam sinais, olhares, sorrisos inesgotáveis. Aika sentia mais a falta de Hanni do que sentia de Leo, e o único culpado disso era ele mesmo. Ela dormiu assim que terminou de comer.


— A cama dela está aberta?


Hanni sorriu.


— Claro que está.


Presley subiu, colocou Aika na cama. A casa inteira estava revirada, mas o quarto de Aika seguia impecável. Deixou um beijinho na testa de sua filha e desceu para jantarem. A cozinha estava à meia-luz, Hanni de calça moletom e camiseta, e Presley de shortinho e moletom. E quando Hanni colocou aquele ravióli na boca...


— Pres...

— Está gostoso quanto você lembrava?

— Mais, está ainda mais gostoso do que eu lembrava! Você recebeu alguma foto do ensaio de mais cedo? Como foi?


Presley sorriu; havia recebido sim e estava muito orgulhosa das fotos que havia feito. Tecnicamente, eram fotos mais simples, com poses meio marcadas, onde a modelo era importante, mas mais importante ainda era destacar a roupa. No entanto, Presley gostou de como se sentiu; se sentiu bonita, confiante no que estava fazendo. Amou as fotos que recebeu, mas ficou com um gostinho amargo por dentro.


— Vou fotografar com você semana que vem e deve ser meu último ensaio em muito tempo.

— Por quê?

— Hanni, minha barriga vai começar a crescer! E eu me recuso a fazer ensaios de grávida, qualquer um deles.


Hanni começou a rir.


— Aqueles com roupas esvoaçantes e tal...?

— Esses! Ou aquelas grávidas que acham que se tornaram semideusas e podem posar nuas. Eu não entendo, sinceramente.

— Que tipo de grávida você foi com a Aika?

— O tipo prática. Fiz tudo simples, quanto mais simples, melhor.

— Presley...

— Hum?


Hanni a olhou.


— Você pode ir comigo na festa da YSL?

— Tipo, parecida com aquela festa da Diesel?

— Isso, mas... Mais exclusiva.

Uh!

— Sim — Ela sorriu — É uma festa da Sephora, na verdade, outra inauguração de loja, menos divertida do que aquela da Diesel porque não irei cantar.

— Ah, fica menos divertido mesmo! Eu só te vi no palco uma vez.

— Pode ir comigo semana que vem, lá no restobar — Respondeu sorrindo, tocando a mão dela — Eu deveria ir amanhã, inclusive, enfim. Você pode ir comigo na festa da Sephora?


Presley a olhava nos olhos.


— Claro que sim. Quando é?

— É... no sábado agora. A gente consegue deixar a Aika com o Leo?

— Conseguimos, não é um problema.


Não era, mas ela ficou quietinha de repente. Presley pegou a mão dela.


— O que mais você quer dizer, babe?

— É que tenho pensado sobre as coisas que me incomodam e elas mal aconteceram, não é? E não precisa ser assim. Sobre as coisas do bebê, quero que você faça o que precisa ser feito. Ele é o pai, com toda certeza vai querer estar presente nesse período, e quero que você saiba que não é um problema. O que você tiver que fazer ao lado dele, pode fazer. Não quero que pense em mim, que ache que pode estar me magoando, ok? Não vai estar.

— Hanni, você não conhece o Leo...

— Eu não conheço, mas quero conhecer melhor também. Para isso funcionar, tem que ser assim, e estou disposta, de verdade. Ele sabe que... estamos juntas?

— Sabe.

— Você assumiu...?

— Longe de mim querer te ver dando escândalo, Manu. E você já me prometeu escândalo se eu te esconder.

— Faço mesmo, não me teste — Ela confirmou sorrindo — Vamos marcar sua consulta para segunda com a Nana?

— Hanni, isso...

— Você não deve explicações. Aconteceu, ponto. Ela é ótima, é alguém em quem confiamos, tem que ser ela, babe. Liga amanhã, tenta um horário. Sei que ela consegue pra você.

— Hum... Ok. Hanni?

Oi — Enfiou outro ravióli na boca.

— Podemos ficar lá em casa esse final de semana?


Hanni sorriu.


— Claro que sim. Eu não tenho nada contra a sua casa.


Presley a olhou.


— Minha vizinha perguntou se nós terminamos.


Hanni quase se engasgou com o ravióli.


— E o que você respondeu?


Outro olhar de lado de Presley.


— Que você estava viajando. Não posso me separar e separar de novo, Hanni, eu tenho uma reputação a zelar ainda.


E Hanni cuidaria daquela reputação muito bem.


Terminaram o jantar, subiram para o quarto e Presley mal encostou na cama quando Hanni se grudou inteira nela, agarrando-a pelas costas e afundando o nariz em sua nuca. Presley só...


Hum, como era louca por ela.


— Hanni, não faz — Pediu, atirando a mão para trás e agarrando a calça dela.


E então, ela parou rapidinho.


— Está sentindo alguma coisa, honi?


Presley sorriu, ela era tão doce sempre, sempre tão cuidadosa.


Tesão, como sempre, mas você acabou de sair do hospital, babe.


Hanni riu, porque ela havia se virado e a mão já estava por cima da sua calça, tocando com toda propriedade possível. A boca veio para o seu pescoço e Hanni só... mordeu a boca, os olhos escurecendo imediatamente, as mãos puxando o short de Presley. Se virou para cima dela, colocando seu corpo inteiro sobre o dela. A beijando muito devagar, com muita profundidade, os corpos muito grudados, olhos nos olhos quando os beijos ligeiramente pausavam. Os quadris de Hanni se movendo lentamente para ela, contra ela e a vontade disparando entre as coxas de Presley de uma maneira...


A boca dela desceu pelo seu pescoço, tocando devagar e com pressão, do jeito que Hanni gostava de fazer, e Presley só...


Babe...

— Preciso sentir você — Hanni puxou o short dela para baixo, junto com a calcinha, e Presley estava... — Meu amor...

— Tira, honi — Puxou, era a calça dela.


Hanni tirava. Tirou a calça, ficando apenas com o boyshort que sabia que Presley adorava e voltou para cima dela, entre aquelas pernas. Abriu-as delicadamente e a colocou na boca. Queria senti-la assim, precisava sentir os quadris dela se empurrando para sua boca em ansiedade, dos dedos dela enroscando em seus cabelos, das coxas fechando, pressionando. Precisava daqueles gemidos enchendo seu quarto outra vez porque...


A pegou e a sentiu, subiu e desceu a língua por ela, chupando-a intensamente, fazendo aquele corpo vibrar.


— Presley... Eu estava enlouquecendo aqui dentro — Disse, e voltou a tocá-la, retornou para onde estava, entre as coxas dela, fazendo-a gemer demais, fazendo o corpo dela...


Se empurrar para Hanni, pedir mais, implorar por mais, como podia ser aquilo? Como Hanni podia só saber, como tocá-la, onde tocar? E como podia, aquela boca linda daquela mulher ABSURDAMENTE gostosa, fazê-la gozar com tanta facilidade?


Ela encurtou o caminho e Presley começou a gozar, porque estava prestes a enlouquecer sem Hanni. Já havia tentado se tocar de todas as maneiras, sem nenhuma eficiência sequer parecida. Já tinha chorado de tesão sem ela, porque ela era sua, a sua mulher, e estar embaixo dela era uma das coisas que Presley mais adorava na vida.


Gozou muito forte, estremecendo por todo o corpo, enchendo aquele quarto com seus gemidos. Puxou Hanni para sua boca, arrancou a camiseta do corpo dela, devorou aquela boca com seus lábios.


— Tira, meu amor, tira agora, vem aqui.


"Tira o boyshort", vem aqui, "na minha boca".


Hanni era muito obediente.


Tirou o boyshort e foi para a boca dela. Hanni precisava de muito pouco para gozar; nem achava que podiam prolongar, seu corpo ainda estava frágil. Mas só de senti-la, só de estar na boca dela de novo, só de sentir o que Presley era capaz de fazer...


Hanni sentia muito pelos namorados que ela havia tido antes. Presley dizia que não era quinze por cento da amante que era com Hanni como com eles. Ela não se sentia inspirada, mas com aquela coreana brasileira... Presley era a melhor amante que já havia tido. Era sua melhor cama, amava estar na boca dela, nos dedos dela, amava o jeito que ela seduzia, que se movia. Ela era uma delícia de pegar e se deixar pegar, e o algo mais que as ligava...


Hanni gozou muito forte, intensamente, tremulando pela boca dela, sentindo aquelas mãos agarrando suas coxas com muita vontade, num tesão só, uma coisa! Então, voltou para cima dela, arrancando o moletom que Presley ainda vestia. Queria senti-la inteira, queria grudar no corpo dela, queria sentir a pulsação dela contra o seu peito, estar grudadinha nela, suada após fazer amor, com Coco Mademoiselle e Miss Dior se misturando no ar.


— Ah, Presley...

— O que foi, honi?

— Eu só pensava em ter a minha mulher de volta na minha cama. 


Presley sorriu, enroscando suas pernas nela, mantendo-a muito perto, cada parte sua grudada contra uma parte dela.


— Eu quero dormir assim, nua em você.


Hanni acordou curada.


E Presley acordou correndo, queria ir trabalhar para compensar a falta na segunda. Encheu Hanni de beijinhos, perguntando se ela estava bem, se podia ir trabalhar. Claro que podia. Cuidaria de Aika; teriam uma manhã tranquila juntas, então não precisava se preocupar. E quando Presley ia saindo...


Babe? — Hanni a chamou de volta.

Oi, meu amor — Em português.

— Posso marcar a médica pra você?


Presley sorriu.


— Pode, pode sim.

— Outra coisa — Ela se virou na cama, Presley toda arrumada para o trabalho, toda de branco, com um terninho Chanel por cima e sua mulher completamente nua na cama. Devia ser tortura — Vou chamar o Bogum para almoçar aqui amanhã, tudo bem para você? Daí a gente passa o domingo na sua casa.

— Você quer conversar com o seu irmão?

— Sim, desta vez, sou eu que quero falar com ele.


Presley voltou para a cama e a beijou outra vez.


— Claro que sim. Venho fazer o nosso almoço, está bem?


Presley correu para o trabalho e teve uma manhã agitada. Tinha alguns problemas para resolver, mas quando comentou com Aliana sobre o tipo de problema que era, sua amiga teve um ataque de risos.


— Você voltou com a Hanni, né?

— Como você sabe?

— Seus problemas viram bobagens quando vocês estão juntas. Está tudo bem agora?

— Tudo bem, tudo em ordem. Ela quer namorar.


E Aliana gritou fora do celular.


— Kaori, Kaori, escuta essa: o face card couple voltou e finalmente, vão namorar, você acredita?

— Elas nem têm vergonha!

— Elas não têm não!


Presley saiu muito cedo para poder fazer o almoço, arrumar Aika para ir para a escola, mas a grande verdade é que quando chegou em casa...


Almoço pronto, criança de banho tomado, casa em ordem e sua Hanni de pé, arrumada, cheirosa, uma coisa!


Babe, você...?

— Vou até a escola da Aika, conversar sobre as aulas, ver se tudo está pronto e depois vou para o hospital tocar para as crianças.

— Está se sentindo bem assim?


Ela abriu um sorriso lindo.


— Muito bem.


Presley a beijou, só um pouquinho porque já estava com saudades.


Honi, o que devo vestir nessa festa de amanhã?

— O que você quiser, do seu guarda-roupa, do meu. Eu preciso ir de YSL.

— De vestidinho? — Presley se agarrou na cintura dela, a olhando nos olhos, sorrindo.

— Bem justo e bem curtinho.

Deus...! Vai de preto?

— Branco.

— Vou combinando com você, deixa separado para eu ver depois. O que devo fazer para o almoço com o Bogum?

— Hum, eu cuido, babe.

— Você cuida?

— Aham. Amanhã você descansa. Farei churrasco, a Aika ama, os gêmeos também. Você já falou com o Leo?


Já tinha falado. E ele disse que estaria ocupado.


— Mas domingo não é o dia dele com ela?

— Perguntei sobre isso e ele disse que vai estar ocupado também, que precisa trabalhar.


Hanni pensou um pouco.


— Falou da consulta?

— Falei, ele disse que estará lá — Presley ficava quase... constrangida com essas coisas. Sabia bem como Leo era, mas vê-lo falhando na frente de Hanni era quase constrangedor — E... você também, né?

— Como?

— É na segunda, você vai estar no hospital também.

— Ah, sim, vou estar. Quer que eu fale com a Kaori, para ver se ela pode ficar com a Aika?

— Falei com os meus pais, eles vão cuidar dela.


Hanni sorriu.


— O quê?

— A gente vai ter o Bogum e a sua mãe no mesmo final de semana.


Presley riu, ela tinha razão.


Ela acordou muito cedo no sábado, Hanni, não Presley. Desceu cedo, disse que ia surfar um pouquinho, não adiantou Presley contestar. Ela afirmou que estava bem, que não iria demorar. Não sabia quanto tempo havia passado, mas foi acordada com beijos salgados na boca e café da manhã na cama, servido pela gata da sua namorada enfiada num biquíni brasileiro que era teste para o coração de Presley. Tomou café da manhã.


Duas vezes. Na cama e no chuveiro, colocando a boca naquela pele salgada, se ajoelhando diante dela, fazendo do jeito que adorava com ela.


E Hanni já tinha comprado tudo na volta da praia e, depois que desceram do chuveiro, deixou tudo muito em ordem. Era algo que ela curtia fazer e que era muito brasileiro. Separava as carnes, as linguiças, fazia algo chamado “farofa”, que era dos deuses, outro algo chamado “vinagrete”, maravilhoso, e Presley só conseguia contribuir mesmo com arroz, era só o que sabia fazer. Aika acordou feliz, teria companhia, estava com saudades de Pipe e Mave. Quando as carnes já estavam assando, eles chegaram. E ver Presley e Hanni abrindo a porta juntas, fez os dois sorrirem.


— Quê? — Hanni perguntou, abraçando seu irmão, deixando um beijo na sua cunhada.

— Vocês se casaram e não avisaram ninguém! — Sabina respondeu, fazendo as duas rirem.


O almoço foi muito agradável. O dia estava bonito, as crianças estavam se divertindo, almoçaram lá fora, nas mesas do quintal.


— Acho fantástico que esse negócio de churrasco nunca termina. Você almoça, mas segue com o prato e pode pegar mais comida, e tudo fica disponível — Presley havia adorado aquela modalidade de festa.

— Ah, você precisa ver como é no Brasil. A gente faz aniversários assim, junta todo mundo, todos os vizinhos, cada um traz uma coisa e a festa não termina nunca. Quantos aniversários seus foram assim, Manu? — Bogum perguntou para Hanni.

— Muitos! É festa de dia, dura o dia todo e se tem piscina, aí que não termina mesmo. E é assim no Natal, no réveillon, no Carnaval — Contou sorrindo — Sinto muita falta de lá, dessas coisas que só o Brasil tem.


Então, perto das quatro, Hanni chamou Bogum para conversar. Sentaram no quintal, enquanto Presley estava com Sabina lá dentro. As crianças corriam pela grama.


— Manu, a Presley te conta o que a gente já conversou?


Ela riu.


— Não exatamente, por quê?

— Porque todas às vezes, a minha preocupação foi sempre mais com ela do que com você.

— Mas... Bogum!

— É verdade! Você precisa concordar comigo que nessa situação, ela está mais vulnerável que você. Acho a Presley maravilhosa, Manu. Ela é linda, inteligente, combina com você. Eu já amo a Aika como se ela fosse minha sobrinha, e ela é. Não importa que rumo você e a Presley tomem, elas já estão na nossa vida, isso não tem volta, não. Eu nunca quis que você se afastasse dela e sigo não querendo isso, mas não sei se você entende o comprometimento que é uma gravidez. Você não pode recuar. Não pode se arrepender, querer outra coisa. Ela vai ficar sensível, a vida dela vai mudar. A sua e a do ex? Não sei, pode ser que não mude se vocês decidirem assim, a vida dele pouco vai afetar, ainda mais com eles estando separados. E se você decidir separar também, é só ir embora. Mas ela não pode ir embora. Ela não pode mudar de ideia. Isso fragiliza. Isso dá medo. Se você diz que vai ficar com ela, ela vai se apoiar em você, vai contar com você.

— Eu sei de tudo isso, Bogum.

— Mas você não costuma... ser essa pessoa. Você nunca mais namorou depois da América, Hanni, e se a gente for falar bem a verdade, você sequer a namorava: era ela quem namorava você. E essa situação acabou ficando extrema.

— Bogum, acho que nunca conversamos direito sobre isso, mas estou tentando falar um pouco mais sobre, então... — Respirou fundo — Eu disse que ficaria com a América durante todo o tratamento, ainda sem namorar, disse que estaria do lado dela. Mas não foi suficiente para ela.


Bogum a olhou.


— Não era a mesma coisa que você estava propondo para a Presley...?

— Não, não era a mesma coisa, porque o único motivo para eu não estar namorando a Presley ainda era o divórcio. Mas já decidi deixar isso para trás, é por isso que quis conversar com você. Eu quero estar com ela, eu vou estar com ela, o divórcio está em andamento, mas ela está comigo, entende? A gente não se deixou nunca mais, eu sei que ela só está comigo.

— E você está só com ela? Mesmo?


Ela riu.


Mesmo. Deus, você não acredita em mim mesmo!

— É que, tecnicamente, você estava com a Alexia quando vocês se conheceram.

— E eu me separei imediatamente, porque... o que senti com a Presley foi completamente diferente e sabia que iria durar. Estamos namorando — Disse, abrindo um sorriso.


Ele abriu um sorriso também ao ouvir.


— Desde quando?

— Desde ontem. E sei que é delicado, mas sei que não vou deixá-la, eu nem consigo ficar longe dela, fiquei doente e tudo mais.


Ele começou a rir.


— Para que foi tudo...?

Emocional. Eu estou ótima, os exames não detectaram uma virose sequer. Eu não vou machucar a Presley, Bogum, e não, ela não é a minha segunda chance, não é a minha redenção, ela é uma relação que nunca tive antes e não vou deixar escapar de mim.


Ele ficou pensativo por alguns instantes. E então, os olhos dele se encheram.


— Ei... o que foi?

— Vocês irão ter um bebê. Outro bebê.


E os olhos de Hanni cristalizaram; ela nunca chorava, mas vez ou outra, cristalizava.


— Sim, nós vamos ter outro bebê — Ela disse, abrindo um sorriso. Presley surgiu lá fora, com um mate gelado em mãos, viu aqueles olhos, mas não se preocupou, porque viu o sorriso também.

— Bogum! Está torturando a minha musicista ou ela que está torturando você?

— Sem torturas, prometo. Vem aqui, vem — Hanni a chamou, e Presley se sentou à frente dela, entre aquelas pernas.

— Eu trouxe para você — Entregou o copo para ela, que Hanni pegou e a abraçou em seguida, sentindo o cheirinho dela.

— Obrigada, honi. Sabe por que o Bogum está chorando?

— Por quê?

— Porque ele se deu conta de que vamos ter outro bebê — Disse, e Presley se derreteu num sorriso lindo. Aquele sorriso perfeitinho pelo qual Hanni tinha se apaixonado tão perdidamente.

— Ela não queria nem ter um gato! E agora tem uma família — Ele disse, fazendo as duas rirem demais.

— Você era difícil assim, Park Manu?

— Eu era. Mas já passou, nós estamos namorando.


Presley riu outra vez. Às vezes dava até nervoso aquela outra Manu que todo mundo dizia conhecer, mas que ela não conheceu. E seguia não conhecendo. De repente, foram atropeladas por bracinhos pedindo carinho, pedindo colo, pedindo mate. Presley pegou Aika no colo, ela sinalizando e sinalizando, pedindo o mate de Hanni, que pediu um beijinho antes. Ela deu mais, deu uns dez beijinhos, fazendo os olhos de Hanni brilharem demais.


— Hanni, ela não vai dormir de noite!

— É só um pouquinho, ela está suada, vermelha.

— Ela vai ficar com os meus pais.

Uh! — Suspendeu o mate imediatamente, fazendo Aika protestar — Vamos trocar por um suco? — Sinalizou — Laranja, morango...?


"Morango." A resposta era sempre morango.


— Morango, ok, vou pegar pra você — Deixou um beijo em Presley e se levantou, indo buscar o suco. E Bogum estava...

— Ela... sinaliza?

— Sinaliza. Eu não disse pra você, Bogum? — Perguntou, sem parar de sorrir — Ela nunca vai me machucar — Foi a resposta de Presley todas as vezes que Marcelo tinha a alertado sobre o histórico de não comprometimentos de Hanni.

— Você confia nela.

Solidamente. E não, não sei de onde vem, só sei que existe.

— Estou muito feliz por vocês duas, Presley, de verdade. E nossos pais vão adorar você.

— Você acha? — Ela perguntou, sorrindo, não conseguindo parar de sorrir.

— Você é coreana e faz a Hanni feliz, dois pré-requisitos que eles sempre sonharam para ela. Cuide dela, ok?

Sempre.


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9 comentários


sylber1011
sylber1011
06 de mar. de 2024

Fofas ❤️

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Michele Buia Carneiro
Michele Buia Carneiro
01 de mar. de 2024

Era de um capítulo assim que eu tava precisando 🥰 vamos manter esse climinha aí? 😅


P.S.: fiquei um minuto pensando: quem é Marcelo? 🤣

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Adriana Evangelista
Adriana Evangelista
29 de fev. de 2024

Fofo! Lindo!Cheio de bons sentimentos, assim deve ser o amor... 😍

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setubalrodrigues
setubalrodrigues
27 de fev. de 2024

capitulo mto fofo, mas como disse Rodrigo no seu comentario que tem receio do que pode vir acontecer ate o final da historia eu tbm tenho esse receio, mas vamos esperar o que o proximo capitulo nos aguarda.

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Taiani Eustaquio
Taiani Eustaquio
28 de fev. de 2024
Respondendo a

Te falar kkk a ansiedade ja me atacando kkkkkk

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Taiani Eustaquio
Taiani Eustaquio
27 de fev. de 2024

😍😍😍😍😍😍😍😍

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