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Acróstico 37

Atualizado: 26 de jun. de 2025


Acróstico


Pentauro-do-Açúcar


A criança estava correndo de um lado a outro do consultório, tranquilamente, vestindo a parte de cima do quimono enquanto fingia estar voando, com os braços abertos, indo de um lado a outro.


— Ela...? — Hanni e Presley estavam sentadas à frente de Nana, enquanto Aika passava atrás delas, fazendo a mesma coisa repetidamente, de um lado a outro.

— Ela viu um vídeo, de um... qual o nome, babe? — Era Presley.

— Esquilo voador, um... pentauro-do-açúcar, é uma graça, eles plainam e depois agarram na aterrissagem, você precisa ver.


Nana abriu um sorriso, olhando para as duas.


— Hum! E agora, vocês terão um novo bebê?

— É, isso... isso aconteceu — Presley respondeu, levemente corando.


E Nana sorriu.


— Juro que não entendi quando vi o seu nome na minha agenda de obstetrícia, Presley, mas estou muito feliz de ver vocês duas aqui na minha frente. Com quanto tempo você acha que está?

— Exatamente, dois meses hoje.

— Presley! Demorou tudo isso para vir?

— É que... tinha muita coisa para resolver e acabou que, bem...

— É que eu estava em Paris — Hanni justificou.

— Ah, eu soube, agora você é YSL!

— Isso aconteceu também — Hanni sorriu — E levou um tempinho para... — Trocou um olhar com Presley — Ajustar as coisas.

— Entendi. O importante é que estão aqui agora — Abriu outro sorriso — Ok! Vamos lá, dar uma olhadinha neste bebê?


Hanni e Presley trocaram outro olhar. Apertaram as mãos dadas um pouco mais.


— Vamos lá.


Presley foi conduzida até a maca de ultrassom. Hanni a ajudou a tirar a blusa. Ela ainda estava meio zonza, mas a dor de cabeça parecia ter finalmente se acalmado de fato, não que tivesse desaparecido. Deitou, esperando por Nana, e Hanni sentou-se numa cadeira ao lado, pegando Aika no colo. Falou um pouquinho com ela. Sua criança perguntava se iriam para o jiu-jitsu. Iriam, ela só precisava ter paciência. Daí olhou para Presley, ela seguia ansiosa.


— Tudo bem? — Hanni perguntou, fazendo um carinho nos cabelos dela.

— Estou um pouco... nervosa.

— Eu estou aqui com você. Me dá a sua mão.


Hanni entrelaçou seus dedos nos dela, e Nana apareceu. Espalhou um gel pelo abdômen de Presley, conversando com as duas. Ajustou o aparelho certinho. Aika saiu do colo de Hanni, curiosa, indo olhar de outro ângulo, chegando mais perto. Presley respirou fundo; a mão apertou na de Hanni um pouco mais forte. Nana percebeu e sorriu.


— O quê?

— É que só fiz exames de farmácia e um de sangue, vai que... — Sorriu — Não sei.


Outro sorriso de Nana, já correndo o aparelho pelo abdômen dela.


— Que não tem um bebê aqui? — Ela olhou para a tela e abriu um sorriso — Vamos ouvir?

— Ouvir? — Hanni não entendeu e, então, entendeu.


Nana ajustou o aparelho e elas puderam ouvir: um coração furioso batendo muito forte, muito alto, vindo de um pontinho minúsculo, mas que estava ali, existia, denso, pulsante, vivo. Os olhos de Presley cristalizaram e, quando ela olhou para o lado...


Os olhos de Hanni estavam grudados na tela e estavam cheios. Não cristalizados, estavam... cheios, em ponto de transbordar. A mão dela estava muito agarrada na de Presley, apertando firmemente, e os olhos brilhando.


Honi...


Ela olhou para Presley, abriu um sorriso lindo, fazendo uma careta, não deixando nada escapar.


— Isso... é o coração dele? — Hanni perguntou, a voz densa, embargada um pouquinho.

— Um coração muito forte está batendo aqui — Nana respondeu, sorrindo — Temos um bebê, casal, e ele parece ótimo!


Ficaram ouvindo um pouco mais, enquanto Nana via coisas que só ela mesma encontrava, checando o que precisava. Presley olhava para a tela, então olhava para Hanni, a mão tão pegada na dela, uma emoção densa, viva, tão boa. E Hanni fez perguntas, muitas perguntas, durante o ultrassom e depois também. Perguntou dos enjoos, da pressão alta, se era mesmo normal, o que podiam fazer para que não acontecesse novamente, e Presley estava... Não precisava falar com ela ao seu lado. Se não quisesse, não precisava; ela cuidava de tudo.


— Pressão alta é sempre perigosa, porém, acima da vigésima semana é quando devemos nos preocupar de fato, porque pode ser sinal de pré-eclâmpsia, sendo uma condição que pode acelerar o parto, causar sofrimento, enfim. Mas por hoje, conhecendo o histórico muito saudável da Presley, acho que foi o dia quente; este inverno está desajustado, vamos acompanhar. Por hora, acho que foi um evento único.

— O que posso fazer? Quero dizer, nós vamos pra casa agora, como posso cuidar dela, Nana?


Presley olhava para ela. Temia derreter de tanto apego.


— Ela só precisa descansar, jantar bem, relaxar, nada de estresse por hoje, e todos os problemas estarão sob controle.

— Nana? — Era Presley.

— Diga.

— Tem algum problema da gente...? — Olhou para Hanni e nem precisou completar a pergunta; sua garota virou um pimentão, entregando o resto do questionamento. Ela afundou a cara na mesa, fazendo Nana rir demais.

— Tudo igual como a primeira gravidez, Presley.

— Mas é que eu não perguntei sobre isso da outra vez, só parei de fazer mesmo.

— Meu Deus, essa hétero que você me arrumou, Nana — Hanni não parava de rir e nem de ficar vermelha.

— Eu SENTIA que tinha algo nela que precisava ser libertado, Manu, você fez um ótimo trabalho! Nenhuma contraindicação, se a mãe estiver confortável, o bebê também estará.


Nana anotou os exames, que não eram poucos, marcou a próxima consulta. Hanni fez mais algumas perguntas, dieta, exercício, uma máquina de perguntas, o que fez Presley sorrir o tempo todo. Por fim, Nana checou a pressão de Presley mais uma vez e parecia normalizada. Entregou uma gravação do ultrassom, com o som do coração do bebê, e Hanni saiu um pouquinho antes; Aika queria ir ao banheiro, foi levá-la, deixando as duas sozinhas por alguns instantes.


— Lembra quando insisti que você conhecesse a Manu?

— Você disse que ela podia ser ótima para me distrair e agora...


Nana riu.


— Você está grávida. E ela continua com você. Presley, como...?

— Leo e eu tivemos um último momento antes da Hanni. Eu não sabia que estava grávida e nós duas só...

Fazendo bebês sem parar. Lembro do seu dedo deslocado. O importante é que ela está aqui e vocês parecem... muito apegadas. Muito bem juntas.

— Eu não sei o que faria sem ela, Nana.


Era uma frase verdadeira em muitas camadas. Hanni voltou com Aika, deu um beijinho em Presley, se despediu de Nana e caminharam para o estacionamento. Falou com a portaria, informou que deixaria o seu carro e partiram no Volvo, com Presley no banco do passageiro. E Hanni estava... sorrindo. Falando do ultrassom, ainda surpresa, não fazia ideia de que dava para ouvir o coração assim, tão cedo.


Babe, ainda está sentindo dor, não está?

— Não, honi, é... sabe quando tem uma dor muito grande e a cabeça fica esquisita depois?

— Sei, senti essa sensação esquisita por uns dias depois que acordei do acidente. Pres, vou deixar a Aika no jiu-jitsu e nós vamos pra casa, está bem? Aí venho buscá-la quando acabar.

— Mas você não tem que dar aula?

— Eu já falei com a Kaori, ela vai me substituir. Na quarta, reassumo a turma.

— Mas você vai voltar aqui só para pegar a Aika?

— Ela quer ir na aula, babe, não tem problema.


Deixaram Aika na aula, aos cuidados de Kaori e então, dirigiram pra casa, em Hillcrest. E Presley enjoou pelo caminho, a ponto de Hanni precisar parar para cuidar de sua garota, acalmar aquele enjoo. Parou o carro no acostamento, abriu a porta do lado dela, fez aquela massagem que... Presley soltou o ar, encostando a testa no peito de Hanni.


— Como pode resolver tanto?


Hanni sorriu.


— Será que vai continuar resolvendo quando a barriga crescer?

— Ah, precisa, eu enjoei tanto com a Aika, honi.


Hanni beijou a testa dela.


— Vai funcionar e se parar, a gente acha outra coisa. Vamos pra casa, meu amor?


Podiam ir. Hanni dirigiu para Hillcrest e quando chegaram, Presley desceu no colo, literalmente. Chegou muito zonza, ainda muito enjoada. Hanni a carregou de frente para si, com as pernas dela enroscadas nas suas coxas e os braços no seu pescoço, tão agarrada quanto Aika quando estava com saudades, igualzinho a um...


Pentauro-do-açúcar, estou igualzinho a um — Presley disse, o rosto enfiado no pescoço dela, fazendo Hanni rir um pouquinho.

— Vou te colocar no banho, tá? Você vai se sentir melhor, honi.


Hanni a levou para o banho e a ajudou com tudo: a lavar os cabelos, a respirar melhor, fez mais um pouco de massagem nela, a ajudou a se enxugar, a colocar um moletom e a carregou para o sofá, seu pentauro-do-açúcar agarradinho em si.


— Hanni...

— Vou fazer alguma coisa para você comer. O que você quer? Fala pra mim.

— Hmmmm... sopa?

— Sopa, eu consigo — Deixou um beijinho nela e foi para a cozinha, observando o horário. Não podia atrasar para buscar Aika. Olhou o que tinha na despensa; podia fazer uma sopa de legumes, com arroz, frango. Presley precisava comer bem e ela estava... muito derrubada.


Entendia que podia ter sido o calor, mas achava que tinha algo mais naquela crise. Ela havia dito que Hanni não conhecia Leo e agora começava a entender melhor o que ela havia quisto dizer com aquilo. Talvez ela tivesse ficado estressada com a probabilidade de ele não aparecer, e ainda estava nervosa com a consulta, com tanta coisa na cabeça que não abria para ninguém. Presley dizia que Hanni era uma cidade amuralhada, mas ela não era muito diferente também. Tinha coisas que não abria para ninguém, que não falava com ninguém, talvez pela sensibilidade da situação toda na qual ainda estavam. Cortou os vegetais para a sopa e fez um leite quente, para ver se ela relaxava um pouco.


Babe...

— Com morango, o seu preferido. Coloca alguma coisa para você assistir, vamos.

— Ok.


A deixou bebendo o leite e vendo TV e voltou para a cozinha. Estava conversando em particular com Aliana, explicando o que havia acontecido e era, no mínimo, engraçado, para não se dizer triste, que dentro da maioria das mulheres, existisse aquele ponto vivo que, ao ouvir a bobagem que um homem próximo fez, despertava culpa automática na própria mulher. Ligou para ela; Presley havia colocado um seriado, bebido o leite todo e agora... parecia que tinha dormido.


— Lia, claro que não... — Estava falando baixinho com ela enquanto fazia a sopa — Só não entendo qual a dificuldade de enviar uma mensagem, aí eu teria ficado com ela desde o começo. Acho que ela ficou estressada por causa disso... Sim, acabei de reconsiderar todo o meu relacionamento com você. O pai da Aika é você no final das contas... Lia, isso não tem a ver com você. Você não é responsável por ele. O Leo é o mais velho, inclusive. Na Coreia, as regras são muito claras... Exatamente. Aham... Eu a levei para o jiu-jitsu, não quero que ela sinta que o bebê nem nasceu e as coisas dela já estão sendo deixadas de lado... Não, vou buscá-la, acho que dá tempo... Amanhã? Eu fico com ela, tenho um ensaio para... a Dunst, eu acho, mas a Aika vai comigo, nem sei se a Presley vai poder ir trabalhar, se ela vai acordar bem — E Hanni ouviu batidas na porta — Lia, tem alguém batendo, vou atender, falo com você depois, está bem? Sim, quer almoçar lá na Sky Tower? Ok. Qualquer coisa te ligo. — Desligou, baixou o fogo da panela e foi atender a porta antes que Presley acordasse.


Ela acordou.


Honi...

— Eu atendo, pode deixar — Hanni abriu a porta e bateu de frente com Leo.


De terno cinza-escuro, cabelo de boyband coreana, gravata também cinza, pasta de couro lateral, e a primeira coisa que Hanni pensou daquela vez foi que ficava melhor do que ele de terno.


— Ah, oi, tudo bem?


Hanni levou um tempinho para responder.


— Tudo, e com você?

— Tudo bem. É que... A Presley está? Acabei tendo uma reunião de última hora e tinha um compromisso com ela.


Outro silêncio enquanto Hanni o encarava.


— Ela está muito cansada.

— Eu... não vou levar muito tempo, só quero saber como foi a consulta.


Mais silêncio. Hanni deu um passo de lado, abrindo espaço para ele entrar.


— Você quer um café, alguma coisa?

— Um café seria ótimo.

— Ok. Presley, Leo está aqui — Anunciou, passando direto para a cozinha.

— Leo? — Presley se sentou no sofá, muito devagar, sua cabeça ainda estava muito zonza — O que você está fazendo aqui?


Ele deu um beijo no rosto dela e sentou-se na poltrona ao lado do sofá.


— Vim saber como foi a consulta. Acabei ficando preso numa reunião, mas estou aqui agora. Quero saber como foram as coisas, como está o bebê.


E Presley estava realmente confusa, havia acabado de acordar de um sono que dormiu do nada.


— Cadê a Hanni?

— Ela foi até a cozinha, perguntou se eu queria um café.

— Café? Hanni vai servir café para você?

— Ela... perguntou se eu queria algo e é bem esquisito ouvir isso dentro da minha própria casa, mas é assim que você quer as coisas, estou só tentando me adaptar.

— Leo, de verdade, agora não é uma boa hora. Você pode voltar depois pra gente conversar, não estou me sentindo muito bem.

— Eu não vou levar muito tempo de você, só quero saber da consulta. Entrei em um projeto novo agora, na filial da Austrália, sabe? Algo grande e está bem no começo, então...


Ele desatou a falar sobre o tal projeto, do quanto era importante, de como seria bom para a carreira dele, o estômago de Presley repuxando a todo momento, sua mente ainda confusa, parecia que tinha dormido e agora acordado meio fora de órbita. E Hanni apareceu, com uma caneca de café, entregou para Leo. Presley falou em coreano com ela:


Honi, isso não é necessário.

— Não é um problema. Você está bem?

— Eu... acho que sim. Senta aqui comigo.

— Estou vendo o nosso jantar, babe, vou buscar a Aika daqui a pouco. Qualquer coisa, você me chama.

— Falam em coreano entre vocês? — Leo perguntou, provando do café. Estava amargo. Bem amargo.

— Somos coreanas — Foi só o que Hanni respondeu e voltou para a cozinha.

— Achei que você preferia falar em inglês.

— Sou coreana, coreano é a minha primeira língua, Leo. Escuta, tudo está em ordem com o bebê, tem uma gravação, mando pra você assim que eu melhorar.

— O que você teve?

— Um pico de pressão alta provavelmente.

— Onde está a Aika? Eu queria vê-la.

— Está... — Respirou fundo — No jiu-jitsu.

— Sem a Hanni?

— Nossa filha é independente, ainda bem.


Ele insistiu para ver a gravação logo. Presley mostrou. Ele ficou feliz em ouvir o coração do bebê, feliz de verdade, dava para ver. Então, voltou a falar do projeto novo, a contar que teria que estar na Austrália por algumas semanas, provavelmente. Terminou o café, pediu água, pediu para buscar algumas coisas no escritório. Hanni deu uma olhadinha. Presley parecia a ponto de desmaiar a qualquer momento. Ela estava enjoada de novo e Leo só... não parava de contar coisas que não interessavam a ela e, pior, de cobrar algumas coisas, como Aika estava indo na escola, como havia sido a consulta dela, como estavam indo os contratos, quando ela faria o primeiro ensaio. E Presley começou a delicadamente insistir que ele fosse embora, explicando a todo momento que não estava se sentindo muito bem, que podiam continuar aquela conversa em outro momento. Ele já tinha a gravação do ultrassom, a consulta havia sido isso, teria outra em um mês, ele poderia ir se quisesse. Ele disse que precisariam checar o andamento do projeto para marcarem as consultas e...


Deu para Hanni.


— Leo... — Ela veio até a sala.

— Oi, o quê?

— Você tem que ir embora.


Ele abriu um sorriso.


— Como assim tenho que ir embora...?

— Ela está cansada demais, você não conseguiu notar? Vai cair dormindo na sua frente a qualquer momento. Você já tem a gravação do ultrassom, já sabe como a consulta foi. Agora, você pode, por favor, ir embora? Presley precisa descansar.

— Mas... você não pode me tratar assim! — Ele levantou, a encarando.

— Não, é você que não pode tratar a Presley assim — Ela parou na frente dele, o olhando reto nos olhos — Ela não está à sua disposição, eu não estou à sua disposição e essa visita já tomou tempo demais.

— Eu não sou uma visita aqui, Manu, caso você tenha esquecido!

— Se você não mora mais aqui, então é uma visita. E se não sair por você mesmo, eu irei te ajudar a sair!

— Presley...? — Ele recorreu para Presley que, com toda certeza, vomitaria em alguns segundos.

— Eu disse que você tinha que ir — E ela só andou para o banheiro.


Cambaleante ainda, Hanni a segurou imediatamente e a carregou para o banheiro mais próximo. Foi difícil de acalmar, difícil de segurá-la. Presley vomitou tudo o que tinha no estômago sem conseguir controlar, e Hanni, realmente, REALMENTE se preocupou.


— Leo! Leo, pega água com limão, rapidinho, vamos! — Hanni pediu a ele.


Ele foi pegar. Apareceu um minuto depois com água e limão num copo. Ultimamente, era a única coisa que fazia Presley parar de vomitar. Hanni a colocou entre as suas pernas, a segurando firme, deu a água para ela, e ela parecia tão, mas tão frágil que...


— Está... assim? — Leo perguntou.

— Semana passada era eu — Hanni disse, a segurando nos braços.

— Como...?

— Aconteceu um negócio assim, enfim. Você pode...?


Era dar licença. Ele pôde. E a carregando novamente feito um esquilo-voador quando pousa, Hanni levou Presley para o quarto, onde a deixou deitada e voltou para falar com Leo. Agora ele finalmente já parecia estar de saída.


— Escuta, Manu, acho que uma coisa não ficou muito clara entre a gente, você não pode me dizer quando devo sair da mi-

— Leo, juro que se você completar essa frase com “minha casa”, amanhã você pode voltar pra cá porque terei levado a Presley e a Aika para um lugar que elas podem chamar de casa sem problema nenhum! E ah, um lugar onde você terá que ser anunciado cada vez que quiser ver a sua própria filha, não que isso aconteça com muita frequência.

— Olha o jeito que você está falando comigo!

— Olha o jeito com o qual você fala com a Presley! Sério, qual é o seu problema? Antes das sete, ela já estava de pé, cuidando das coisas antes de ir para o trabalho, de onde não conseguiu sair nem para almoçar, para poder ir à consulta da Aika e na primeira consulta do bebê, onde você não apareceu porque teve uma reunião de sei lá o quê.

— Você não conhece o meu trabalho!

— E você não conhece o meu, nem o dela!

— Vim aqui para saber como foram as coisas e ela ficou desconfortável porque você está aqui!

— Ela ficou desconfortável porque você apareceu sem avisar e ela está tendo crises de enjoo hoje! Você não mora mais aqui, Leo, não pode aparecer quando acha que deve aparecer.

— E quem você pensa que é para me dizer quando devo aparecer ou não?!

— Ela não é mais sua esposa, você já se deu conta disso direitinho? Ela não tem que estar à sua disposição, menos ainda depois do dia difícil que teve!

— Só para você lembrar, nós ainda estamos casados!

— Ah, então você está sendo traído, porque ela está namorando comigo!


E aquilo o pegou de muita surpresa.


— Não era você que não aceitaria namorar antes do divórcio...?

— Era, mas me dei conta de que, talvez, você esteja usando isso a seu favor e está fazendo corpo mole para resolver este assunto!

— Olha o absurdo que você está dizendo, essas coisas têm o próprio tempo!

— Eu não sei, nunca me separei, mas você pode ter certeza de que irei checar sobre essa questão do tempo, tenho advogados para isso! Leo, só... — Hanni respirou fundo, tentando se acalmar — Na sua cabeça, eu não tenho direito de estar aqui, mas quero lembrar para você que estou na casa da minha namorada e ela não está bem hoje e, sendo assim, ainda que você fosse o marido, na minha presença, você não iria perturbá-la mais de qualquer forma, ainda que a Presley fosse apenas minha amiga como era antes.


Ele respirou fundo também.


— Eu só vim porque imaginei que seria melhor saber sobre a consulta ainda hoje, ainda que não tenha conseguido estar presente, não achei que precisasse marcar horário para saber do meu filho.

— Sabe uma coisa que você precisa entender com urgência? A Presley também tem horários, ela também tem compromissos e não são poucos. Ela também tem uma carreira, duas agora e os horários dela não estão à mercê dos seus, ou dos meus, ou de qualquer outra pessoa. E você precisa entender também, que quando ela marca algo com você, ela está contando com você, então você não pode não aparecer, não pode não avisar que não vai aparecer, não pode colocar outro compromisso no lugar. Não pode sumir e achar que a Presley vai resolver as suas ausências. Se você está ausente, esse problema é seu, é você quem tem que resolver.


Ele ficou quieto por alguns instantes.


— Eu... decidi ser melhor para este bebê. Quero estar mais presente, sei que tenho falhado muito com a Presley e com a Aika, mas quero ser mais útil desta vez. Por isso, eu vim. Saí do trabalho e vim imediatamente pra cá.


Então, Hanni ficou em silêncio por uns instantes, respirou fundo.


— Você quer mesmo ser útil hoje? Então, vá buscar a Aika no jiu-jitsu. A aula dela termina daqui a pouco, eu não quero deixar a Presley sozinha. Se você quer ser útil, quer estar mais presente, vá buscar a sua filha, assiste o finalzinho da aula, janta com ela em algum lugar. Ela sente a sua falta, ainda. Eu não sei até quando sentir falta pode ser sustentado com tanta ausência, a gente se acostuma com tudo, Leo. Ela pode se acostumar com você não estando presente e eu realmente não entendo por que esperar por outro bebê, quando ela já está aqui, precisando de atenção agora. Eu não sei com qual tipo de pai você cresceu, mas o meu é assim: ele está vindo de Seul mês que vem, apenas para assistir um campeonato de jiu-jitsu que vou lutar, apenas para ver a fachada da Diesel com uma foto minha. Não sei com qual tipo de pai você cresceu, mas o pai da Presley passou vinte minutos tirando fotos dela no sábado, porque ela estava linda demais e ele não conseguiu se conter. Sinto muito se você teve algo diferente disso, mas a gente não está aqui para perpetuar erros de terceiros. Se você pode ser mais para a Aika, se pode dar mais do que recebeu, apenas dê mais, seja mais. Ela está no jiu-jitsu há dois meses e você nunca apareceu lá.

— É porque você está lá.

— Leo, nós ocupamos espaços diferentes aqui. Nunca estaremos nos mesmos espaços, entendeu? Eu não posso ocupar o seu espaço, tal como você não pode ocupar o meu, é física básica. Então só... ocupe o seu espaço. Se você quer melhorar, melhore, independente de mim, ou da Presley, melhore por você, pelas crianças. Você... — Tomou outra longa respiração.

— Eu... vou buscar a Aika.

— Ok, eu vou ver a Presley então.


Ele foi embora e Hanni respirou profundamente. Será que... havia feito certo? Será que havia ocupado um lugar que não era seu? Foi até o quarto, para ver como Presley estava, se ela havia ficado chateada com a cena, mas quando entrou...


Ela estava assistindo algo no celular.


Babe?

— Esqueci que tenho aula hoje.


Hanni abriu um sorriso, se aproximando.


— Aula?


Presley esticou a mão, pedindo que ela chegasse até a cama. Hanni foi, então a puxou para si, se aconchegando do lado dela, ficando muito, mas muito confortável.


— Eu me matriculei na faculdade, não deu tempo de a gente falar sobre isso, não é?


Hanni sorriu ainda mais, beijando a cabeça dela, cheirando aqueles cabelos.


— Direito?

— Direito, mas abri a matrícula de Design também, faltam só três disciplinas e o trabalho final de curso, acho que consigo finalizar, honi.

— É claro que consegue! Quais dias você tem aula?

— Segundas e quintas.

— Fico com a Aika para você poder assistir às aulas certinho. Me fala, se sente melhor?

— Acho que depois que vomitei, acalmou. Ou — Olhou para Hanni — foi depois que você expulsou o Leo daqui.


E Hanni começou a rir.


— Eu-eu... não expulsei não.

— Expulsou sim e você fica um TESÃO brava, meu amor, tive que me concentrar para não pular em cima de você na frente dele.

— Presley, para! — Hanni havia ficado imediatamente vermelha.

— Eu consegui sentir que você estava impaciente. O Leo é lento, inconveniente às vezes, principalmente quando começa a falar dos projetos dele, e eu estava a ponto de desmaiar já.

— Então, você não está chateada comigo?

— Por ter me defendido? Claro que não, Hanni, fiquei preocupada de você estar chateada comigo por eu não ter conseguido reagir.

— Fiquei duas semanas sem reação quando o bebê transferiu o enjoo para mim. E sabe? Quem tinha que ter se dado conta, com o mínimo de bom senso, era ele.


Presley deu outra olhadinha para ela. A aula rolando no celular.


— Terminou tudo bem?

— Acho que sim. Eu pedi para ele ir buscar a Aika no jiu-jitsu.

— Ele foi?

— Foi sim. Presley, tem outra coisa...

— O quê?

— Eu disse que ele não pode aparecer aqui desse jeito, sem avisar, e não sei se deveria ter dito.

— Eu já tinha falado sobre isso com ele também. Ele não mora mais aqui, eu não apareço no apartamento dele sem avisar, não é uma intimidade que está presente, ao menos não neste momento.


Hanni cheirou os cabelos dela outra vez.


— Disse também que, se isso seguisse acontecendo, eu iria levar vocês duas daqui.

Uh! — Aquilo pegou Presley de muita surpresa — Você disse?

— Disse.

— E... é real?

— Se eu levaria vocês duas para morar comigo? É claro que sim, honi. Acho que não falamos sobre isso também, mas solicitei a quitação da casa e não é por mim, é por vocês, porque sei que isso dá segurança, traz uma estabilidade. Não quero que a Aika se apegue a uma casa que pode não ser dela depois. Bem, foi tudo isso que conversamos. Ah, teve outra coisa...

— Outra coisa? — Presley estava sorrindo demais.

— Acho que ele está lentificando o processo do divórcio, ou ao menos, não vendo tudo com senso de agilidade. Você pode falar com ele sobre isso? Talvez eu tenha falado sobre trazer um advogado nosso para essa questão.

— Sou o tipo de pessoa que tem advogados agora?


Hanni riu.


— Nós temos, seu contrato com a Diesel passou pela análise dos meus advogados, que agora são seus também. Eu não quero interferir muito, Pres. Posso ter me excedido em alguma coisa, eu só... fiquei louca quando vi o quanto ele não estava se dando conta de que você estava cansada, que não tinha como conversar.


Presley a beijou, muito longamente.


— Você realmente está quitando a casa?

— Estou. Só tem como fazer ajustes nela após quitada também, talvez precise de alguns retoques.


Outro sorriso de Presley.


— Ajustes...?


E Hanni ficou tímida.


— É que a Aika precisa de espaço, o bebê vai precisar também, então, bem, pensei rápido demais...?


Presley só subiu no colo dela, abraçando-a pelo pescoço, se mantendo muito agarrada a ela.


— Eu não sei o que faria sem você aqui comigo.


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5 comentários


luhreino21🌻🍷🌶
luhreino21🌻🍷🌶
09 de abr. de 2024

É isso aí Manu...que cara inconveniente e lerdo esse Leo e corno🫣😄

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sylber1011
sylber1011
15 de mar. de 2024

Que cacetada

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Adriana Evangelista
Adriana Evangelista
14 de mar. de 2024

"toma doido" kkkkkk para fechar com chave de ouro, faltou um tapinha nas fuças do Leo para ele acordar....kkkkkkk lindas demais essas meninas😍

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Rodrigo Mesquita
Rodrigo Mesquita
13 de mar. de 2024

Tem horas que me pergunto o que mais q o Leo faz na vida além de atazanar a Pres e a Hanni… encosto tem nome, só digo isso!


Pelo menos a Manu mostrou sua força contra o traste (sim, voltei a chamar ele assim), tomara que ele finalmente desapareça de uma vez por todas das vidas delas!

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setubalrodrigues
setubalrodrigues
13 de mar. de 2024

Adorei as verdades que a Hanni falou pro Leo, que cara sem noção so espero que depois dessa chamada ele tenha vergonha na cara e suma de uma vez, mas tem um porem ele e pai das crianças mas mesmo assim devia sumir, o cara nao vai numa consulta pra ele o que importa e o trabalho e deixa a familia de lado tenho ranço desse Leo e pra piorar ele ta fazendo corpo mole pra nao assinar os papeis do divorcio que cara fdp... Parabens Hanni por ter dito tudo aquilo pra ele.... Tessa da um jeito de mandar o Leo pra algum lugar que ele nao apareça nunca mas... se ele sumir sera estara fazendo um bem pr…

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