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Acróstico 39

Atualizado: 26 de jun. de 2025


Acróstico


Breaking Down


De repente, Presley percebeu uma verdade um tanto incômoda: apesar de toda a conversa, de tudo o que já tinham trocado, e apesar de estarem perdidamente apaixonadas e confiar em Hanni de olhos fechados, a verdade incômoda que de repente percebeu era que, de Park Manu, sabia muito pouco.


Foi tudo absolutamente intenso e rápido demais. Num segundo, estavam falando do dia seguinte, da festa, da graduação, e então Hanni havia lido aquele nome na tela do seu celular e, em poucas palavras, perdido o controle. Breaking down, ela começou a desmoronar bem na sua frente.


Hanni ficou agitada, muito agitada. Saindo dos braços de Presley, começou a percorrer freneticamente a casa. Dava para VER, SENTIR a ansiedade tomando conta dela, o medo a consumindo. As palavras desconexas, apenas em coreano, começaram a fluir repentinamente. Seus olhos se encheram, a respiração ficou ofegante, e Presley sentiu, de verdade, que precisaria de ajuda muito em breve.


— Presley, você precisa sair! Você precisa se afastar de mim, precisa ir embora, precisa levar a Aika, você tem que...!

Ficar aqui! Com a minha namorada — Presley a segurou pelos braços, tentando mantê-la num lugar só. Podia saber pouco das coisas pelas quais Manu havia passado, mas tinha certeza de que não importava o estado, sempre estaria segura com ela, sempre.

— Você não sabe o que está acontecendo, não sabe o que estou sentindo e o que acontece quando... Presley, leva a Aika, por favor, sai daqui e leva a Aika, eu não quero que... — Olhou para Aika; ela já estava olhando, de pé no sofá, os olhinhos assustados, sem entender o que estava acontecendo, e os olhos de Hanni se inundaram imediatamente — Você tem que ir, você tem que tirar a criança daqui, por favor, Presley, por favor!


Presley a segurou mais forte ainda, não a deixando se afastar.


— Hanni, você precisa me ouvir, ok?! Olha pra mim, está tudo bem, eu estou aqui com você e não vou sair, entendeu?!

— Eu não quero que você me veja assim!

— Hanni, não tem nada acontecendo aqui! Estamos seguras, nada pode machucar a gente aqui dentro!

— Eu posso machucar a gente! — Ela disse, de maneira altamente agressiva? Não, altamente assustada. Hanni estava tendo um ataque de pânico.


E Presley a puxou pelo moletom, muito para perto de si.


— Você não pode, não. Hanni, você está entrando num ataque de pânico. Por favor, olha pra mim, meu amor — Tentou olhar nos olhos dela, mas ela estava fugindo, estava chorando.

— Presley, eu tenho que ficar sozinha.

— Bem, eu não vou te deixar sozinha.

— Presley! Então, eu vou sair, eu preciso...!


E Presley tomou uma atitude extrema.


Sabia que ela não iria lhe machucar, então a agarrou pela gola do moletom, dedos cerrados, dedão para fora, pegada de jiu-jitsu, e não a deixando pensar muito, a arrastou pelo moletom, levando-a para o banheiro social da casa, aquele que ficava de frente para a cozinha.


— Presley, Presley, você não está entendendo! Eu não quero sentir isso, não quero que a Aika me veja, não quero que você me veja assim!


Presley a enfiou no banheiro social, bateu a porta e colocou a tranca por fora. Haviam colocado aquela tranca externa porque Aika já tinha se trancado naquele banheiro duas vezes.


Presley! Presley, me deixa sair, você não sabe como são essas coisas, você não sabe!


Não sabia, mas precisava resolver. Pegou Aika no colo, sinalizando para ela, dizendo que estava tudo bem.


“Hanni expulsou nós duas?” Ela sinalizou quando saíram de casa.


— Não! Claro que não, meu amor, Hanni só está... com medo. Assustada.


“De algum fantasma?”


— Fantasma...?


“Não tem nada lá, é um fantasma...”


Como uma criança podia ser tão... assertiva?


Presley bateu na porta de Sasha; ele atendeu rapidinho.


— Pres, ei! Oi, bebê! — Sinalizou para Aika; ele também já sabia alguns sinais. Ela sinalizou de volta para ele animadamente; sua criança adorava aquele cara.

— Sasha, você está muito ocupado?

— Não, estou vendo TV. Você precisa de alguma coisa?

— Será que você pode ficar com a Aika pra mim? Por uma horinha só?

— Sim, claro que sim — Ele esticou os braços e pegou Aika no colo — Tudo está bem? Você precisa de mais alguma coisa?

— Não, só... Ela não comeu ainda. Se você puder cuidar dela e...?

— Cuido, eu também não jantei ainda. Faremos isso juntos! — Ele passou a barba na mãozinha dela, o que sempre fazia Aika rir — Ela pode brincar com a Blackstenius?

— Pode, pode sim.

— Ok, eu cuido dela, sem problemas. Certeza que só precisa disso?

— Certeza, eu só... tenho que cuidar da Hanni um pouco.

— Tudo bem, qualquer coisa, estou aqui.


Deixou Aika com ele e, antes de entrar na casa, ouviu que Hanni havia conseguido sair e algo mais estava quebrando. Ligou para Kaori.


— Kaori, preciso de você aqui o mais rápido que conseguir.

— Na verdade, eu já estou indo para aí, terminar as avaliações para a graduação. Mas, Presley, o que aconteceu?

— Só venha, por favor — Desligou, entrou, e Hanni quis que ela saísse imediatamente, segurando-a na porta e tentando explicar coisas que não faziam o menor sentido. Presley entrou de qualquer forma, fechou a porta, tirou a chave, descobriu o que tinha sido quebrado — a tranca do banheiro e o celular de Hanni, em seguida — Babe, babe, eu não vou sair! Você não entendeu ainda? Vou ficar aqui com você!

— Eu não quero que nada aconteça com você — Ela disse, virando de costas, chorando demais — Eu fui muito ruim para ela, Presley. Não mereço nada do que tenho, não mereço ser feliz do jeito que estou, porque ela nunca vai desaparecer. O que fiz nunca vai desaparecer. Não posso fingir que vai!

— Hanni, para! Para e olha pra mim — Presley foi até ela, segurando-a pelos braços — O que aconteceu? Me conta quem ela é, me conta o que aconteceu.

— Não! Não, Presley, não! Você não pode ficar comigo. Eu deveria ter parado tudo desde o começo. Você não merece ficar comigo. Não sou boa para você, não sou boa para ninguém. Tudo o que toco é destruído, tudo, tudo! — Ela tentou sair novamente, e Presley...


De La Riva, mas ao contrário. Engatou o pé no calcanhar dela e a desequilibrando pelo braço, raspou no golpe, a derrubando no sofá e sentando sobre ela imediatamente, segurando-a assim.


— Presley! Eu não quero te machucar!

— Acabou de deixar uma faixa branca te derrubar, você não vai me machucar e não vai se machucar — Presley a segurou pelos punhos, mantendo-a presa sob o seu corpo — Você não é essa pessoa, ok? Você é a minha Hanni, a garota mais doce que eu já conheci. Você cuida de mim, faz tudo por mim. Por que você me machucaria?

— Você não me conhece, Presley — Ela dizia, chorando sem parar, tentando escapar, mas sem usar o mínimo de força.

— Conheço você sim. Eu só não sei muito sobre as coisas que você passou, porque a minha namorada é uma cidade amuralhada, mas conheço você sim, Hanni! Sei quem você é, sei a mulher que tenho ao meu lado, aquela que cuida da Aika, a que não me solta por nada, a que sei que posso contar para tudo! Essa é você, não essa outra que você está colocando na cabeça que é.

— Eu fiz mal para ela, Presley, fiz muito mal para ela, e agora ela voltou para me lembrar quem eu sou, para deixar claro que não posso ser feliz, que não mereço você ao meu lado!

— Se foi você quem fez tanto mal para ela, por que só de ler o nome dela, você ficou tão apavorada? Você está tremendo de medo, Hanni, isso não é culpa, isso é medo!

Babe, por favor, me deixa sair, ou me deixa sozinha — Ela pediu, com aqueles olhos mais do que feridos.

— Não! Nem sair, nem te deixar sozinha. Tranquei as portas, ninguém vai sair daqui. Todo mundo tem problemas, mas a gente tem que encarar, tem que enfrentar, ok? Olha pra mim — Presley segurou o rosto dela, a olhando nos olhos — Vamos nos acalmar, ok? Vou pegar algo para você beber, só um minuto.


Ela pareceu ouvir. Respirou fundo, disse que sim.


Presley saiu de cima dela e foi buscar água na cozinha.


Em questão de dois segundos, Hanni saiu correndo da sala, subiu as escadas, entrou no quarto e...


Pulou da varanda.


— Hanni!


Presley correu para a varanda imediatamente. Hanni havia pulado e aterrissado perfeitamente no quintal, justo quando Kaori parava o carro. Tudo aconteceu muito rápido: Hanni levantando, Kaori descendo, a pegando instantaneamente e a derrubando imediatamente. Kaori a projetou no ar e a derrubou no chão, caindo nas costas dela. Então sentou no chão, braços cruzados no pescoço de Hanni, pernas nas coxas dela, fazendo o seu melhor para mantê-la na sua pegada, o que era muito, mas muito difícil. Aquele tanquinho não era apenas para as fotos; era altamente funcional também.


— Você não entende, você não entende! Eu não quero machucar a Presley, não quero que ela machuque a Presley. Eu preciso sair, preciso sumir, Kaori, preciso sumir!

— Claro que não! — Kaori a segurava firmemente, já com os olhos cheios, porque nunca, NUNCA pensou que veria Hanni tão desesperada assim — Você precisa se acalmar, Park Manu, porque a sua mulher está grávida e precisa de você, entendeu?

— Ela não pode ser minha.

— Ela  é sua. Olha pra ela, Hanni, olha pra ela.


Hanni virou o rosto muito lentamente e viu Presley parada na porta, chorando.


E olhar para Presley trouxe Hanni de volta. Respirou profundamente, expulsando o ar de seus pulmões, tentando respirar de novo, se achar de novo, se trazer de volta para si, e agarrou o braço de Kaori em sua garganta, porque assim que virou outra vez...


O mundo ficou altamente silencioso, os batimentos tão altos que ensurdeceram, o sangue ficando preso num só lugar, e Hanni apagou.


Presley correu para elas.


— Mas o que... Kaori!

— Ela mudou rápido de direção e eu não soltei a pressão, ela... se estrangulou — Kaori a soltou, indo para cima dela, a segurou pelo moletom, a sacudindo, nada, apagada — Manu? Manu!

Hanni já estava no sofá de casa quando despertou e estava no colo de Presley.


— Você... ainda está aqui — Se virou no colo dela, afundando o rosto no abdômen de Presley, abraçando-a, se encolhendo nela. A cidade amuralhada cabia naqueles braços pequenos.

— Claro que continuo aqui. Hanni, olha pra mim.


Hanni olhou. E lá estava o olharzinho que Presley tanto amava.


— Você voltou! — Presley se inclinou, a beijando com muito, mas muito carinho. E Hanni correspondeu àquele beijo, se agarrando nela, a sentindo tão perto, tão junto.

— Eu te machuquei, babe?

— Claro que não, amor.


Ela pensou um pouquinho.


— Você... me machucou?


Presley riu.


— Kaori apagou você, mas foi sem querer.

— Sem querer...?

— Você se moveu no estrangulamento — Kaori surgiu com água para todas elas — Eu só estava te segurando, daí você...

— Me movi do lado errado.

— Isso.

— E você... me derrubou com um uchi-mata?


Kaori riu. Será que iria perder a sua futura faixa roxa por ter derrubado e apagado sua própria mestre ou...?


— Foi bem bonito — Perdia a faixa, mas não perdia a piada.

— Criei um monstro — Hanni respirou fundo, sentando-se bem devagar. Sua mente parecia imersa em óleo fervente — Meu corpo está... doendo.

— Deve ser porque você pulou da varanda, não? — Kaori a lembrou.

— Ah, pode ter sido por isso. Presley, cadê... cadê a Aika?

— Com o Sasha. Vamos buscá-la daqui a pouco — Presley respondeu, fazendo um carinho nela. Sua Hanni estava mesmo de volta.


Então, os olhos dela se encheram de novo.


Honi, você pode buscá-la agora?

— Agora?

— Quero me desculpar. Por favor.


Presley a beijou, enxugando aquele rosto que adorava. Foi buscar Aika. E obviamente, sua menina estava agitada, rindo, feliz da vida e cheirando Blackstenius.


— Pres, tudo ficou bem?

— Tudo ficou bem sim. Acho que sim.


Eles trocaram um olhar eloquente.


— Se precisar de mim, para qualquer coisa, estou aqui.


Hanni tinha ótimos amigos.


Voltou para casa com Aika e ela correu para Hanni imediatamente. Para os braços dela, para o colo dela, contando e contando coisas, e Hanni a colocou no chão, se ajoelhou na frente dela, os olhos ainda cheios.


— Sinto muito por ter ficado nervosa — Sinalizou para ela.


"Você viu um fantasma?" Os dedinhos sinalizaram e Hanni riu no meio das lágrimas.


— Eu... vi.


"Uh!"  Ela vocalizou e abraçou Hanni em seguida.


E Presley começou a chorar. Ela ainda estava com a roupa do trabalho, os cabelos presos no alto, suada mesmo naquela noite fria, ansiosa, agitada, e Kaori precisava fazer alguma coisa. Foi até Hanni.


— Manu, leva a criança para o banho, ela está cheirando a Blackstenius.


Aika negou com um sorriso sapeca no rosto.


— Está sim, a própria Blackstenius! — Disse sorrindo e se abaixou junto a elas — Vai, Manu, dá banho nela, toma um banho, eu vou fazer alguma coisa pra gente comer.


Ela concordou. Olhou para Presley.


— Eu... posso?

— Claro que pode, amor, por que não poderia? — Presley a colocou de pé e a beijou, longamente, mantendo-a muito perto de si.

— Eu sinto muito, babe.

— Você realmente poderia ter pulado da varanda na nossa primeira noite?


Hanni riu.


— Não é tão alto, eu já pulei outras vezes.

— Alexia é dublê, lembra? Numa festa, ela pulou da varanda, mostrou para a Hanni como pular, enfim, ela até que sabe ser divertida — Kaori explicou.

Uh! Park Manu, nessa administração aqui, nós não pulamos de varandas.

— Nós... Ok — Hanni concordou, sorrindo, claramente envergonhada.

— A não ser que você queira que a hurricanezinha aprenda a pular da varanda também.

— Ah, isso nunca!

— Então, nós não pulamos mais. Agora vai, toma um banho; vamos fazer o jantar.

— Ok.


Hanni subiu com Aika, e Kaori se aproximou de Presley.


— Tudo bem, o que aconteceu?


Presley encontrou o celular de Hanni no chão da cozinha, a tela quebrada em tantos pedaços, mas seguia acesa. O Instagram aberto no perfil de América Garcia.


América Garcia. Digital Influencer. 3 milhões de seguidores. Madrid. Correu os olhos pelo feed; ela claramente trabalhava com moda e, claramente, tinha uma namorada. O que ela queria...?


Mostrou o celular para Kaori.


— Essa mulher me seguiu mais cedo e seguiu a Hanni agora. Ela leu esse nome e entrou em surto. Foi como... um interruptor, Kaori, ela... desligou. A minha Hanni desligou e ficou apavorada, entrou em pânico, ficou totalmente irracional, como se essa América tivesse batido na porta. Você... você sabe alguma coisa sobre isso?

— Não. Mas não saio daqui sem saber agora.

— Não podemos pressioná-la, Kaori.

— Ela precisa colocar isso pra fora, Presley! Essa garota a assombra porque a Manu não verbaliza. Eu não sei o que ela fez, mas sei que tem uma ferida na Hanni que ela precisa cuidar de vez. Não é a primeira crise de ansiedade que vejo dela, mas com toda certeza, é a mais forte que já vi e eu sei por quê. Ela deve ter ficado apavorada de você estar aqui, enquanto ela entra nesse estado de surto.

— Quantas vezes ela...?

— Duas vezes. Ela surtou com a Alexia uma vez e... quando nós nos conhecemos. Conheci a Hanni numa trilha, ela estava tendo um ataque de pânico. Eu estava caminhando sozinha, ela também, mas não estava com roupa de trilha nem nada, estava num Uber, havia acabado de sair de um ensaio, teve uma crise, pediu pra parar o carro, entrou na floresta de vestido de grife e saltos. Ela... só precisa sair quando está se sentindo assim. Por isso, ela tentou sair de casa provavelmente.

— Eu nunca achei que... pudesse ver algo assim vindo dela, Tay.

— É porque isso não é dela, é algo que está nela, mas não faz parte dela. Mas sabe de uma coisa? Ela se acalmou, mas ainda assim, num pós-surto, ela iria querer sair. Mas ela quis ir buscar o bebê. Ela está aqui dentro com você. Presley, escuta, entra num banho você também, coloca uma roupa confortável, farei alguma coisa pra jantar, está bem?


Presley a abraçou, muito forte.


— Obrigada por ter vindo.

— Você sempre pode contar comigo. Nós vamos comer alguma coisa, vamos falar com ela, tudo vai ficar bem.


Presley respirou muito fundo.


E subiu para o banho, mesmo sem ter certeza de nada. Bem, na verdade, tinha certeza de uma única coisa: aquela seria a última noite daquele fantasma vagando pela sua namorada. 


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3 comentários


Adriana Evangelista
Adriana Evangelista
27 de mar. de 2024

Quem não tem uns "fantasmas" que atire a primeira pedra! kkkkkk

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sylber1011
sylber1011
25 de mar. de 2024

Coitadas

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Rodrigo Mesquita
Rodrigo Mesquita
23 de mar. de 2024

É hora de confrontar um fantasma que está vivo... e vivo até demais.


Fico me perguntando o que foi que aconteceu entre a Hanni e a América que deixou nossa Park brazuca tão traumatizada, será que ela finalmente vai se abrir com a Pres?

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